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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27926: Esposas de militares no mato (8): Nem tudo foi "amor e uma cabana": vivi com a minha mulher em Bissau (entre set 71 e jun 72) e depois em Mansabá (entre set 72 e mar 73), até ela ser "corrida" do mato pelo cor pqdt Rafael Durão... O caso de outras foi bem mais dramático: a Romy, mulher do Ramos, ia perdendo o seu bebé de 3 meses numa ataque ao aquartelamento; a Júlia perdeu o marido o Costa, numa emboscada, a 2 km de Cutia, em 10/12/1973

 
José Fernando de Jesus Costa, natural de Pinha, Sabacheira, Tomar; era fur mil at art, CART 3567 (Mansabá, 1972/74)

Fonte: Adapt de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 8.º volume: mortos em campanha. Tomo II: Guiné: livor 2.  Lisboa: 2001, pãg. 234




António José Pereira da Costa 

Nosso grão-tabanqueiro desde 12/12/2007, coronel art ref, natural da Amadora, vive no concelho de Sintra; conhecido por TZ (Tó Zé, pelos amigos; PK, pelos camaradas da Academia Militar do seu tempo):

 (i) ex-alf art, CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69;

 (ii) ex-cap art, cmdt da Btr AAA 3434, Bissau; 

(iii) cmdr CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo; 

(iv) cmdt CART 3567, Mansabá, 1972/74.

É autor da série e do livro com o mesmo n0me, "A Minha Guerra a Petróleo" (Lisboa, Chiado Books, 2019, 192 pp. ); tem cerca de 210 referências no blogue. Foi diretor da Biblioteca do Exército (até finais de 2011); tem-se dedicado à investigação no domínio da História Militar.

CART 3567
Mansabá (1972/74)

1.  Mensagem enviada, através do Formulário de Contacto do Blogger, pelo nosso camarada António J. Pereira da Costa, cor art ref, 


Data - sábado, 4/04/2026, 19:32


Olá,  Camaradas Tenho reparado que no blog vão aparecendo referências à presença de jovens esposas de militares na guerra (*).Resolvi, por isso dar notícias sobre o tema.

Assim quero dizer que a minha mulher também esteve comigo na Guiné. Inicialmente em Bissau, enquanto comandava a Btr AA 3434.

Eu estava aquartelado no Gr Art.ª n.º 7 que acabou por ser incumbido da defesa da BA 12. Morávamos na Av. Arnaldo Schulz n.º 15 e lá vivemos entre set1971 e jun1972. quando eu fui para o Xime e ela recolheu a casa dos meus sogros.

Obviamente que as coisas correram bem, havendo a registar as "aventuras" do maj Gaspar que já contei noutro local.

Em set72 ela voltou à Guiné e ficámos juntos em Mansabá até mar73. O quartel era bastante cómodo e espaçoso como já sabemos pelas descrições que vão surgindo. Foi assim até o cor Rafael Durão dar por ela e obrigar-me a fazê-la regressar a Lisboa.

Entretanto dois furriéis mandaram vir as respectivas esposas: a Romy (Rosa), esposa do Ramos das M/A e que trabalhava comigo. Tinham um bebé como pouco mais de 3 meses e que ia desaparecendo no dia em que fomos atacados e em que foram queimadas  21 moranças.

Foi um susto grande, mas tudo se resolveu porque um soldado  recolheu o bebé 
e o entregou à mãe.

A esposa do [fur mil at art José Fernando de Jesus]  Costa que vivia numa morança que encontraram,  teve a infelicidade de o perder numa vez em que ambos foram a Bissau e, quando ele regressou a Mansabá,  foi assassinado numa emboscada montada a uma unidade de comandos recém-formada  [ a 2 km de Cutia; morreu no HM 241, Bissau, em 10/12/1973].

Não tenho elementos sobre a sobrevivência, em Bissau, da pobre Júlia [Maria Júlia de Jesus Siulva Costa, de seu nome completo],  mas imagino. Sei que voltou a casar com outro combatente da Guiné, mas nunca mais a revimos.

Vou procurar fotos para completar estes factos.
Cumprimentos, António José Pereira da Costa.

(Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)

2. Comentário do editor LG:

No livro da CECA sobre a actividade operacional (1971/74) lê-se:

(...) Acção - 10Dez  [1973] 

Pelas 07h40, na região de Momboncó (próximo de Mansabá), sector 04, numeroso
grupo inimigo emboscou uma subunidade do BCmds que executava
uma missão de escolta a uma coluna-auto no itinerário Mansoa--Mansabá.

As NT sofreram 8 mortos, 8 feridos graves e 20 feridos ligeiros.

Foram destruídas 2 viaturas e 5 ficaram danificadas.

O inimigo sofreu 3 mortos e foi-lhe capturado 1 lgfog "RPG", 1 granada de lgfog "RPG-2" e 1 granada de mão. (...)

Fonte: Adapt de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 6º volume: aspectos da actividade operacional. Tomo II: Guiné: livro 3.  Lisboa: 2015, pág. 347.

Morreram nesta emboscada, na estrada Mansoa - Cutia - Mansabá, de triste memória, para além do fur mil at art José Fernando de Jesus Costa, mais os seguintes militares das NT:

  • António Gonçalves Amaral, 1º cabo, Cart 3567, natural de Cinfães, solteiro;
  • Bacar Sissé, fur grad 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bolama, casado (2 esposas):
  • Carlos Manuel Matos Faustino, sold cond auto, CTransp 9040/72, solteiro, natural de Queluz, Sintra;
  • José Manuel Neves T0jo, fur serv transp rodo, CTransp 9040/72, solteiro, natural de Portel;
  • Sabana Fonhá, sold 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bafatá, solteiro;
  • Sori Baldé,  sold 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bafatá, casado.
Todos foram dados como mortos no HM 241, Bissau, em 10/12/1973, segundo o livro da CECA (2001), acima citado.

_________________

Nota do editor LG:

(*) Últrimo poste da série > 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27893: Esposas de militares no mato (7): Teixeira Pinto, ao tempo do Francico Gamelas, ex-alf mil cav, cmd Pel Rec Daimler 3089 (1971/73) - Parte III

8 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Tó Zé: obrigado pelo teu valioso contributo para esta série, "Esposas de militares no mato"

Mandei-te um mail. Acrescenta ou corrige o que bem entenderes... Responde-me a algumas das minhas dúvidas:

(i) a Júlia ia com o marido, o fur mil Costa, na coluna, ou tinha ficado em Bissau ?

(ii) o troço (a 2 km de Cutia) já era asfaltado ? (foi um cemoéwrio para a malta esse troço);

(iii) ainda estavas em Mansabá, em 10/12/1973, ... é isso ?!...

(iv) o que queres dizer com a referência ao Gasparinho ?

(v) o Rafael Durão,. que "correu" com a tua mulher de Mansabá, era o comandante do COP 6, na altura, é isso ?!

(vi) o Carlos Matos Gomes, no último livro "Geração D", faz uma referência a ti e à tua mulher, em Mansabá, sabias ? (vou procurar o livro, este fim de semana, está na Lourinhã);

(vii) quanto ao bebé da Romy, mulher do teu furriel MA, o que se passou mais concretamente ? Estava no quarto a dormir, quando se deu o ataque ,e a mãe separou-se dele ?

Se tiveres fotos, manda.

Um abraço, Luis

PS - O Fernando J. Estrela Soares, que foi comandante da açoriana CCAÇ 2445 (Cacine, Cameconde e Có, 1968/70), portantp no tempo de alferes, perguntou-me por ti, hoje, em Algés, na Tabanca da Linha; infelizmente ele ficou viúvo há 1 mês.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Pelo que pude ver no "livro dos mortos" da CECA, este troço da estrada Mansoa -Mansaba, em Cutia, foi um verdadeiro matadouro... Temos que recolher mais depoimentos sobre emboscadas neste sítio.

Anónimo disse...




(i) a Júlia tinha ficado em Bissau O marido, o fur. mil Costa, tinha estado fora companhia a dar instrução na coluna e regressava desarmado.
(2) a estrada asfaltada vinha de Bissau a Farim todas as 4.ª feira (mais ou menos) e eram cerca de 40 viaturas.

(3) o troço (a 2 km de Cutia) já era asfaltado ? (foi um cemoéwrio para a malta esse troço);

(iii) eu estava em Lisboa desde /AGO/1973.

(iv) O Gasparinho é o célebre major Gaspar. Um Homem muito inteligente, óptimo condutor de homens, por motivos disciplinares foi transferido para Mansabá. Tinha começado a comissão em Unche, Nhamate, Manga e outro quartel de que não me recordo.

(v) o Rafael Durão,. que "correu" com a tua mulher de Mansabá, era o comandante do COP 6, na altura, é isso ?!
(vi) o Carlos Matos Gomes, no último livro "Geração D", faz uma referência a ti e à tua mulher, em Mansabá, sabias ? (vou procurar o livro, este fim de semana, está na Lourinhã);

(vii) quanto ao bebé da Romy (Rosa Maria Figueiredo Quadros), estava no WC quando ataque começou. concretamente ? Numa morança não havia quarto para bébé dormir...

(vi) o Carlos Matos Gomes, no último livro "Geração D", faz uma referência a ti e à tua mulher, em Mansabá, sabias ? (vou procurar o livro, este fim de semana, está na Lourinhã);

(vii) quanto ao bebé da Romy, mulher do teu furriel MA, o que se passou mais concretamente ? Estava no quarto a dormir, quando se deu o ataque ,e a mãe separou-se dele ?



PS - Lembro-me muito bem do Fernando J. Estrela Soares, que foi comandante da açoriana CCAÇ 2445 (Cacine, Cameconde e Có, 1968/70), portanto no meu tempo de alferes. Podes dizer-lhe que vou andando. Vamos (eu e a Isabel ao Clube de Oficiais de Mafra onde a malta se "reúne para dizer mal". É no edifício D. Maria, na Escola das Armas. Próxima RN no dia 16ABR.

Anónimo disse...

Peço desculpa, mas enganei-me a RN no CMOMafra é em 26Abr. Um Ab. António J. P. Costa

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Ok, Tó Zé, vou dar conhecimento ao teu camarada Fernando J. Estrela Soares, que é membro ativo e leal da Tabanca da Linha. Não costuma falhar aos nossos encontros convívios (que são de 3 em 3 meses). O próximo é em 18 de junho.

Eduardo Estrela disse...

Querido Luís Graça!
Eu não quero ser como alguns vigilantes do blogue, que estão sempre atentos e observadores .
De três em três meses dá REUNIÃO em Julho. Mas o Manuel Resende marcou a sala para Junho, como tu BEM referes.
Grande abraço.

Eduardo Estrela
P.S. Há que delinear a estratégia duma mais profiqua confraternização.
Nós, os milicianos é que largámos a pele., salvo algumas e boas excepções.
Façamos pois nós o programa dos festejos.

Eduardo Estrela disse...

Melhor! A Tabanca da Linha reúne de dois em dois meses pelo que Junho será o mês da próxima operação.
Abraço
Eduardo Estrela

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Obrigado, Eduardo, por - mesmo longe - estares de "atalaia"... a defender o rigor (e o bom nome ) do nosso blogue que não pode ser "gralheiro"...(Em boa verdade, está bem mais perto do que a distância de 300 km que nos separa.)