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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28081: Movimento Nacional Feminino: as tournées de artistas conhecidos, com apoio dos meios empresariais do espectáculo - Parte I




Florbela Queiroz (nb. 1943): em 1967, em Mocimboa do Rovuma, Moçambique.(Fonte: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 226, com a devida vénia).


A popular artista, atriz (de cinema e teatro de revista) e canconetista (a partir de 1966), aqui retratada na capa da revista quizenal "Plateia", nº 104 (15 de novembro de 1961). A Brigute Bardot portuguesa, como já era conhecida, tinha entáo 18 anos (nasceu em Lisboa em 1943). Cortesia de Instragam > florbela.queiroz


Raul Solnado (1929-2009): entre militares em Zala, Angola. S/d.
.(Fonte: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 226, com a devida vénia).


Raul Solnado (1929-2009): ator, apresentador de televisão, humorista (um dos génios do humor português do sec. XX). Capa da revista "Nova Antena", 1 de  novembro de 1968. Fonte: Wikipedia, com a devia vénia.



Guiné >: Região de Tombali > Guileje > 10 de novembro de 1969 > CART 2410, "Os Dráculas"  (Gadamael e Guileje, 1968/70) >  "Duo Ouro Negro" .(Fonte: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 227, com a devida vénia).





Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L2 > Fajonquito > CART 2742 > 1971 >  Atuação de um grupo de cançonetistas que vieram da Metrópole com o apoio do Movimento Naciuonal Feminino. O Zé Turra, embora não gostasse de fado nem do nacional-cançonetismo, também aparecia, nestes espetáculos no mato, disfarçado com a população local...(Sabe-se que preferia, naturalmente,  a coladera, o gumbé, etc., os ritmos de Cabo Verde e da Guiné.)

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagen: José Bebiano (2010)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. Alguns/algumas artistas de variedades, fadistas, cançonetistas, actores do teatro de revista, humoristas, apresentadores de televisão,  radialistas, etc., atuaram,  nos três teatros de operações, em plena guerra do ultramar / colonial, entre 1961 e 1974, incluindo na Guiné. 

"Seguindo um modelo experimentado noutros palcos de guerra, o Movimento Nacional Feminino, com apoio dos meios empresariais do espectáculo,  organizava tournées,  às três frentes de combate, com os artistas mais conhecidos do teatro e da música ligeira" (in: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 227; foto da capa à direita). (Recorde-se que o meu querido amigo e camarada e  saudoso grão-tabanqueiro Renato Monteiro (1946-2021) foi fur mil art, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego e Piche, 1969; e CART 2520, Xime e Enxalé, 1969/70).

A TAP e o Exército asseguravam o apoio logístico aos artistas em "tournée" (transportes, alojamento, alimentação,  segurança, etc.). 

O tema está mal documentado no nosso blogue, com exceção das atuações do Conjunto Académico João Paulo e pouco mais. Temos 12 referências ao Marco Paulo.

È difícil (se não impossível) reconstituir com rigor o elenco exato de artistas que passaram pelo TO da Guiné, por exemplo,  mas  sabe-se que as Forças Armadas, o Movimento Nacional Feminino e outras entidades organizavam regularmente "tournées" (sic), ou digressões,  de artistas, uns mais conhecidos do que outros. Atuaram em povoações, aquartelamentos, destacamentos,  bases aéreas. navios da marinha, etc.

Entre os artistas que, em diferentes momentos da Guerra Colonial, passaram pelo Ultramar ou participaram em espetáculos para as tropas ou colaboraram noutras iniciativas do MNF (como os discos de Natal, 1971,1973...) contam-se:
  • Madalena Iglésias
  • Simone de Oliveira
  • António Calvário
  • Artur Garcia
  • Maria José Valério
  • Hermínia Silva
  • Tony de Matos
  • Marco Paulo (estava na Guiné, em 1968, a cumprir o serviço militar, ainda no início da sua carreira musical) (vd. aqui vídeo da RTP)
  • Paco Bandeira (atuou em Angola, onde cumpriu a sua comissão)
  • Duo Ouro Negro (formado pelos angolanos Raúl Indipwo e Milo MacMahon) (vd. aqui um vídeo da RTP Aqruivos, de 1967).
  • Florbela Queiroz (vd., aqui vídeo de 1972, da RTP Arquivos)
  • Armando Cortez
  • Parodiantes de Lisboa
  • Francisco Nicholson
  • Raul Solnado (vd,. aqui um vídeo da RTP Arquivos, de 1978)
  • etc.

2. Facto desconhecido para muitos dos nossos leitores, foi a Cecília Supico Pinto  quem "conseguiu que os músicos do 'Conjunto João Paulo' cumprissem o serviço militar actuando no mato em digressões pelas 'províncias' ", revelação feita na sua biografia, escrita por Sílvia Espírito Santo ("Cecília Espírito Santo,o rosto do Movimento Nacional Feminino, Lisboa, A Esfera dos Livros, 2008, pp. 144). 

Ela sabia, de resto, da experiência norte-americana na II Guerra Mundial (e depois na Coreia e no Vietname), da importância que podia ter, sobre o moral das tropas em África, as atividades de natureza lúdica, como os espetáculos musicais ao vivo, feitos por artistas em voga, vindos da metrópole. 
 
Houve muito boa gente, do mundo do espectáculo, incluindo a nossa "diva", a  Amália Rodrigues, que colaborou com o Movimento Nacional Feminino, quer na edição dos famosos discos de Natal (1971 e 1973), quer participando inclusive em digressões pelos quartéis do mato ou em concertos na metrópole para angariação de fundos.

Além dos músicos do Conjunto Académico João Paulo, talvez o caso mais conhecido terá sido o da  actriz de teatro de revista e cinema (mas também cançonetista, a partir de 1966) Florbela Queiroz.

A Florbela Queiroz (nascida em Lisboa, em 1943) não sei se passou pela Guiné, mas diz ela que andou no mato 8 meses, em 1967 e 1968. 

"Nunca fui tão respeitada por toda a gente. Eu era nova, tinha 21 anos, era uma miúda gira, e andava lá no mato no meio dos soldados, comi da ração deles. Foi a época em que mais me realizei" (cit. por Sílvia Espírito Santo - "Cecília Supico Pinto: o rosto do Movimento Nacional Feminino". Lisboa, A Esfera do Livro, 2008, pág. 144)


Isabel Amora
(1946-.2020)

O célebre disco "Natal 71", enviado aos militares destacados no Ultramar, incluía mensagens e participações de vários destes artistas e figuras públicas, refletindo a forte ligação então existente entre o meio artístico, os empresários do "show business", o MNF  e as campanhas de "apoio moral" aos soldados. 

A elite do Estado Novo queria mostrar que os "rapazes" que defendiam   os seus interesses em África, não estavam esquecidos nem eram abandonados. Em especial em datas sensíveis como o Natal.

No caso específico da Guiné, há também referências dispersas a atuações de vários conjuntos musicais militares que faziam circuitos por Bissau, Bambadinca, Bafatá, Nova Lamego, Teixeira Pinto e outros aquartelamentos, em geral nas sedes de circunscrição e de batalhão  locais mais acessíveis.
 
Em abril de 1971 houve uma grande "Noite das Forças Armadas", na Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Bissau. Mas o espetáculo foi assegurado exclusivamente por artistas, que cumpriam serviço no CTIG,  com números musicais, humorísticos e de variedades. Isto mostra que nem toda a animação dependia de artistas vindos da metrópole.

Muitos camaradas da Guiné recordam-se mais facilmente dos nomes das vedetas femininas do que dos cantores. Foi o caso da desconhecida Isabel Amora (1946-2020), 

 Muitos espetáculos na Guiné eram organizados localmente e incluíam:conjuntos musicais militares, oriundos da metrópole como o Conjunto Académico João Paulo (6 referências no blogue), ou formados "ad hoc", como o Conjunto Musical das Forças Armadas (4 referências) ou o Conjunto Os Bambas D'Incas (5 referências).


3. Fica aqui um apelo aos nossos leitores: 

"Quem assistiu, no mato, a espetáculos de artistas da metrópole em digressão pela Guiné ? Em que local? Quem atuou? Há fotos, cartazes, programas, autógrafos ?"

A memória (individual e grupal)  dos antigos combatentes costuma revelar programas de espetáculo, fotografias e até autógrafos esquecidos em baús e malas no sótão ou nas gavetas das velharias (material que irá, para o lixo, sem dó nem piedade, quando à gente der o trângulo-mango, isto é, lerpar)...

Pesquisa: LG + Net + Wikipedia ´+  IA (ChatGPT / OpenAI| Vibe Mistral AI| Gemini AI / Google)

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, links, título:  LG)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27533: Notas de leitura (1874): "Cartas de Guerra (61-74) Aerograma Liberdade”, por Ricardo Correia; edições Húmus, 2024 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Março de 2025:

Queridos amigos,
É uma raridade, uma peça de teatro, a que se segue uma carta-concerto, o foco são os aerogramas, o pretexto é um filho, no nosso tempo, interrogar por carta o pai, em 1972, saber que homem era enquanto combatente. A mensagem é este alerta de que ainda há muito para saber destas toneladas de escrita, houve pactos em casais para destruir a correspondência desse tempo, seguramente que terão assumido que foram dores a mais, que se cometeram excessos, que o que ali se disse não devia ser lido por outros olhos; há quem procure ganhar uns cobres e venda aerogramas por meios eletrónicos ou em negócios de velharias; há aerogramas de grande recorte literário, como os de António Lobo Antunes. 

Mas o que continua por esclarecer era o sentir destes homens naquele tempo e naquele lugar, para o investigador seria um termo de referência, de valor discutível, é certo, houve quem escrevesse fantasias, e interrogo-me em termos de estudo como será possível alguma vez fazer a medição dos silêncios, penso sobretudo naqueles nossos camaradas que viveram os pavores de Guileje, Gandembel, Sangonhá, Bedanda, Madina do Boé ou Béli, o que silenciaram para não despedaçar mais a vida dos entes queridos - esses silêncios só podem ser esclarecidos com o rigor dos factos históricos. Não tenhamos dúvidas, ficaram silêncios inquebrantáveis, que mudaram tantas e tantas vidas.

Um abraço do
Mário



Querido pai, escrevo-te do meu presente para o teu passado, a tentar chegar até ti

Mário Beja Santos

O que seria a história da guerra colonial se tivesse sido possível ter acesso às toneladas de correspondência trocadas nas duas direções? É mera conjetura, sei muito bem, grande parte destes documentos foram para o lixo, por decisão dos dois fez-se fogueira, há herdeiros que os põem à venda. 

Foi assim que o pintor Manuel Botelho comprou uma resma de aerogramas entre dois namorados, ele no Bachile, cabo das transmissões, ela costureira, não da Sé mas no alto de Alfama, temos ali um percurso que ele aproveitou para uma performance que deu para entender comportamentos havidos a dois e por dois anos: ele deslumbrado, à chegada, com todo aquele fascínio de verdura, braços de ria, a fauna, as queixas da comida, mas sempre o desassossego se tu me amas ou não, escreve-me, há aqui camaradas meus que andam à procura de madrinhas de guerra, eu só te quero a ti; ela responde, tu sais que te fartas, se isso é uma guerra é feita de turismo, eu estou para aqui a trabalhar dia e noite, os fins de semana são para preparar o enxoval; da euforia inicial e da troca de arrufos, os meses passam, e há aerogramas que parecem travessias no deserto, não desampares, isto nunca mais acaba, há noites silenciosas que dão cabo de mim, como é que eu vou poder esquecer este sobressalto em que vivo… E dos muitos aerogramas trocados nos primeiros meses chegamos a um fiozinho de correspondência, há quase uma agonia na expetativa do regresso, experimentada pelos dois. Ora isto é uma simples abordagem da riqueza dos conteúdos, uma das dimensões desse imenso ecrã de quem combatia e de quem deste lado dava apoio e lhe pedia fidelidade.

As autoridades alertavam para a necessidade de muita segurança: nada de dizer no endereço mais do que o SPM; e do lado da guerra nada transmitir que possa cair nas mãos do inimigo e para uso letal.

Escusado é dizer que o teatro é o parente mais pobre da literatura da guerra, avulta a literatura memorial, o romance, a novela e o conto, sobretudo a poesia popular, a diarística, a investigação. Alertado por um dos meus benfeitores, o Dr. João Horta, da Biblioteca da Liga dos Combatentes, “tenho aqui uma peça de teatro que mete a Guiné”, pus-me ao caminho e lá fui àquele ponto do Bairro Alto que tem os passeios completamente escavacados e em frente as obras intermináveis no Conservatório Nacional. 

O livro intitula-se “Cartas de Guerra (61-74) Aerograma Liberdade”, por Ricardo Correia, edições Húmus, 2024, inclui um glossário preparado por Rui Bebiano, com termos alusivos ao conteúdo da peça e de uma carta concerto intitulada “Aurora Liberdade” que tem ilustrações de Cátia Vidinhas.

No tempo presente (2023) um filho escreve uma carta ao pai em 1972, pede-lhe que ele lhe conte o seu viver, que pessoa era o seu pai, quando agora o abraça não sabe exatamente o que escondem os olhos do antigo combatente. “Procuro-te e sei que ainda não te encontrei. Tal como Telémaco procurou o seu Pai, Ulisses.” 

E como nessas peças em que os atores trocam de papel, que ganham uma identidade que acaba por ser transferida para outrem, como nas peças de Luigi Pirandello, iremos percorrer num couro dos soldados portugueses a cronologia dos acontecimentos dessa guerra, entra em cena o Movimento Nacional Feminino, ouve-se Cecília Supico Pinto afirmando que é “aberto à participação de todas as mulheres portuguesas exceto as comunistas e as comodistas”

Graças a este Movimento e ao apoio da TAP nasceu o aerograma, atores e atrizes conversam como militares e família, a conversa também transita para o presente, há cartas a um país que silenciou a guerra colonial, um militar está na Guiné, o autor entra em cena, pede colaboração à assistência, diz que está a fazer um espetáculo sobre a correspondência na guerra colonial portuguesa, diz que o pai esteve mobilizado e combateu na Guiné. Vai ser entrepelado, dão-se sugestões.

A peça muda agora de rumo, estamos no presente, conversam atores com o ex-combatente, mas há também testemunhos, não se esconde que existe o stress pós-traumático, uma atriz em cena, de nome Penélope tem como destinatário Telémaco. 

“As cartas chegavam diariamente, mas era como se falássemos em diferido. Ele respondia-me a coisas passadas. Vivíamos em tempos diferentes.” 

É uma mãe a falar ao seu filho dos amores que teve pelo seu pai, queimaram todo o correio trocado “para avançarmos com a nossa vida”

E faz-lhe um pedido: 

“Cabe-te a ti inventar as palavras que queimámos. Talvez assim, um dia, possas contar esta história aos teus filhos. Já não me cabem mais palavras nesta carta. Um beijo grande desta mãe que te ama.”

Finda a peça teatral, segue-se a carta concerto, de novo o aerograma como fio condutor, há uma triangulação na correspondência, o pai soldado, a mãe e a filha, Catarina da Paz, há saudades e há notícias, ficamos a saber que o soldado compreende a revolta de quem o combate, a mãe não esconde as saudades, e vem os festejos do 25 de Abril, Catarina da Paz despede-se do espectador dizendo que este em cena a história dos seus pais.

Em jeito de posfácio, Sónia Ferreira faz comentário a estes conteúdos. Quanto à natureza dos tais aerogramas que chegavam diariamente, mas era como se eles falassem em diferido, dirá:~

 “O peso de um tempo longo e da não-simultaneidade é-nos hoje estranho. A ideia de que a comunicação se dava em diferido, que não acompanhava o ritmo constante da vida, que as respostas que recebo hoje são sobre o ontem, provocará estranheza no público mais jovem.” 

E deixa-nos este comentário final: 

“A sociedade pós-colonial que hoje somos, fruto do desmoronar de um império que ainda hoje persiste e se afirma em ideologias racistas (como bem identifica Ricardo Correia referindo Alcindo Monteiro e Bruno Candé), em património colonial edificado e em lampejos anacrónicos de grandeza, tem se der pensada e construída em relação direta com esta memória difícil que nos atravessa, mesmo que alguns a queiram convenientemente rescrita.”
Ricardo Correia
Advertências das autoridades para a necessidade de segurança do que se escrevia nos aerogramas
Aerogramas de José Rubira: Guiné-Bissau / Montemor-o-Novo 1971-1973, retirado do site Foto-Síntese
“Aerograma Liberdade”, de Catarina Moura
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Nota do editor

Último post da série de 12 de dezembro de 2025 > >Guiné 61/74 - P27523: Notas de leitura (1873): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (4) (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26494: (De)Caras (227): A Cecílica Supico Pinto (2021-2011), que eu conheci, em Có, em visita do MNF, a 2 de maio de 1969 (Miguel Rocha, ex-alf mil inf, a exercer na altura as funções de cmdt, CCAÇ 2367, 1968/70)




Legenda: "Assinando como 'Alferes' Cilinha, o cartão dirigido pela Presidente do MNF ao alf mil Miguel Rocha,  a acompanhar a carta oficial de agradecimento pelo acolhimento que recebeu no aquartelamento em Có, em 2 de maio de 1969."





Guiné > Região do Cacheu > Có > CCAÇ 2367 (1968/70) > 2 de maio de 1969 > O alf miul Miguel Rocha e a presidente do Movimento Nacional Feminino. (*)

Fotos do álbum do Miguel Rocha, ex-alf mil inf, CCAÇ 2367/BCAÇ 2845, "Os Vampiros", Olossato, Teixeira Pinto e Cacheu, 1968/70).


Foto (e legenda): © Miguel Rocha (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Cecília Supico Pinto (1921- 2011) - "Portadora de afetos"

Por Miguel Rocha



Conheci a elegante senhora D. Cecília Supinco Pinto  a 2 de maio de 1969, aquando da sua visita, por duas ou três horas, ao aquartelamento de Có, que à época transbordava de militares oriundos das mais diversas Armas do Ramo do Exército, empenhados na construção da estrada Có-Pelundo (...).

O comando da minha Companhia, a CCAÇ 2367/BCAÇ 2845, estava a meu cargo, e é nessa circunstância que o cmdt do aquartelamento me indigita para assumir a ação protocolar de receber a ilustre presidente do MNF, missão assaz facilitada pela sua natural simpatia, sublime educação, determinação, inteligência, coragem, conhecimento dos teatros de guerra, do carinho quase maternal com que a "Cilinha" se dirigia aos seus"meninos", falando-lhes, é certo, com alguma exultação patriótica, mas sobretudo do amor e da saudade de suas Mães,  que curiosamente eram da sua geração e que lá longe, na Metrópole, viviam em permanente ansiedade cientes da dureza da guerra por terras da Guiné.

Num dos momentos mais informais, e num cordial diálogo que mantivemos, enalteci-lhe, e agradeci-lhe, a criação do espectacular "Aerograma" de que eu próprio era assíduo utilizador, e a importância sentimental que ele tinha para os militares e suas famílias, sem por sombras imaginar, à época, os números astronómicos diariamente assumidos no movimento postal só pelo uso do "bate-estradas", como era conhecido na gíria militar.

E saudei na sua pessoa a intervenção bem notória do MNF na agilização das burocracias duma retaguarda inundada de emperrantes "pequenos poderes", que se quedavam numa abjeta inércia sem o mínimo respeito pelos combatentes, ou sua memória, e suas doídas e quase sempre carenciadas famílias.

(...) No I centenário do seu nascimento (30/05/1921) (...), em sua memória, e com profundo respeito e admiração pela sua pessoa e sua obra, não esquecendo todas as outras senhoras do MNF, muitas delas mães de jovens mobilizados para as frentes de combate, venho aqui deixar meu testemunho de eterna gratidão pelo apoio dado aos combatentes na sua inegável qualidade de 'portadora de afectos' " (...) (**)

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Guiné 61/74 - P25797: (De)Caras (214): Cecílica Supico Pinto: a "líder carismática" do Movimento Nacional Feminino, com acesso privilegiado a Salazar, que veio preocupadíssima com a situação na Guiné, na véspera do 25 de Abril de 1974

 

Foto nº "34. Cilinha no porto de Lisboa na despedir-se de militares que partiam para as 'províncias ultyramarinas'. O MNF apoiava moralemnet os soldados na frente de batalha, mas não esquecia o apoio às famílias que ficavam na retaguarda.  (Arquivo do Diário de Notícias)".

Foto nº "37. Acompanhada pela Comissão Central do MNF, Cilinha fala aos jornalsitas sobre as atividades do Movimento" (Serviço do Arquivo de Lisboa / DGARQ / CPF/ MC / SEC / AG/01- 171/1546AR.)" (A Renata Cuha e Costa, vice-presidente do MNF, é a terceira a contar da direita.)

Fot nº "33. O presidente da Câmara de Lisboa, general França Borges,com algumas senhoras do MNF. dirante a receçãpo que lhes ofereceu em Montes Claros por ocasio do primeiro congresso daquele organismo, 1966. (Serviço do Arquivo de Lisboa / DGARQ / CPF/ MC / SEC / AG/ 01- 171/1586AR.)"



Foto nº "37. Condecorada com a medalha de prata do Mérito Femino pelo ministro do Exército, coronel Joaquim Luz Cunha, por ocasião do sexto aniversário do MNF, 1967. (Serviço do Arquivo de Lisboa / DGARQ / CPF / MC / SNI / RP /03- 6704/56410.)".


~
Foto nº "42. Oliveira Salazar apreciava a alegria e frontalidadfe de Cecília Supico Pinto que considerava 'um verdadeiro príncipe'.  Foi uma das últimas pessoas a vê-lo com vida. (Arquivo do Diário de Notícias)".

Fotos selecionadas e reeditadas pelo blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2024), com a devida vénia


Capa do livro de Sílvia Espírito-Santo, “Cecília Supico Pinto: o rosto do movimento nacional feminino”. Lisboa: A Esfera do Livro, 2008, 222 pp.



1. Confidenciou a Cecília Supico Pinto (Lisboa, 1921 - Cascais, 2012) à sua biógrafa, Sofia Espírito-Santo (op cit, pág., 98):

(...) "O Dr. Salazar gostava que eu lhe contasse tudo o que via e ouvia e acreditava em mim porque sabia que eu não tinha medo de lhe dizer a verdadae, doesse a quem doesse! No fim dizia-me sempre: 'Para que quer a menina que eu vá a Angola se a menina ma traz aqui? ' " (..:)


Não duvidamos da autencidade desta confidência: Cecília Supico Pinto não foi "la Pasionaria" do regime salazarista, mas podia tê-lo sido... Tinha, inegavelmente, algumas qualidades pessoais, como por exemplo a liderança carismática, o charme, a elegância, a educação, a coragem, a coerência, a dupla elevação (física e moral) de algumas (poucas) mulheres da elite portuguesa da época: por exemplo, era mais alta que muitos homens e que a generalidades das mulheres portuguesas... (Vejam-se as fotos acima.)

De qualquer modo, o que nos chamou mais atenção, nesta seleção de fotos que tomámos a liberdade de fazer (com a devida vénia à Sílvia Espírito-Santo) foi a legenda da foto nº 34, que serve de imagem da capa do seu livro.

Por mensagm de 22/07/2024, 08:31, o João Sacôto, ex-alf mil at inf, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, 1964/66), legendou a fot0 nº 34, do seguinte modo:

"Nesta fotografia estão: da esquerda para a direita: (i) o comandante do Batalhão de Caçadores 619, coronel Matias; (ii) o alf mil Montes (da CCAÇ 616, que foi para Empada); (iii) outro alferes, da CCAÇ 616 de que não me lembro o nome; (iv) a D. Cecília Supico Pinto; (v) outra cara desconhecida; (vi) o major Jesus Correia, 2º. comandante do BCAÇ 619; (vii) e finalmente outra cara de que me não recordo."

Falando ao telefone, com o meu amigo e vizinho de Ferrel, Peniche, Joaquim Jorge, ex-alf mil da CCAÇ 616 (Empada, 1964/66), ele confirmou que o Montes foi seu camarada: Fernando Paulo Montes, mais tarde médico de clínica geral, no SNS. Vivia em Sesimbra, chegou a ir aos primeiros encontros anuais da malta. Depois perdeu-lhe o contacto. Já morreu, infelizmente, de cancro.

2. O Joaquim Jorge também me confirma, para surpresa minha, que a Cilinha esteve em Empada em 1964 ou 1965, "já uns meses depois de o batalhão ter chegado". Não podia ter sido em 1966, uma vez que o BCAÇ 619 embarcou para Lisboa, a 27 de janeiro. Até agora, só tínhamos referenciado quatro visitas da "Cilinha" à Guiné: 1966, 1969, 1973 e 1974.

A Guiné será, entretanto, a última visita que ela fará, ao serviço do Movimento Nacional Feminino,  já a escassas semanas do 25 de Abril de 1974. Foi lá que tomou contacto com o livro do general Spínola, "Portugal e o Futuro" (que achou "nada de especial nem sequer bem escrito") (pág. 182).

Veio de lá com sentimentos contraditórios, tendo de imediato partilhado, ao telefone, com o Ministro da Defesa, Silva Cunha, os seus temores:

(...) As coisas não estão nada brilhantes, venho preocupadíssima da Guiné, também estive em Angola e Moçambique, o senhor sabe que eles comigo abrem-se e não fazem qualquer cerimónia. E vou dizer-lhe mais, eu parece-me que não sou uma pessoa com falta de coragem, tenho andado debaixo de fogo,tenho ido aos sítios mais complicados, mas não tenho é vocação para mártir e ou vocês fazem realmente qualquer coisa, realizam que isto está muito grave ou isto acaba mal. Como lhe digo não tenho vocação para mártir" (...) (Cecília Supico Pinto, Cascais, 22 de novembro de 2004, em entrevista dada à Sílvia Espírito-Santo, op. cit., 2008, pág. 183.)


Contrariamente a Salazar, de quem era íntima (e por isso amada e odiada dentro do próprio regime), a "Cilinha" não manteve com Marcello Caetano a mesma relação pessoal de mútua admiração e confiança. "Salazar era mais forte que Marcelo" (pág. 178).

________________

Nota do editor:

Último poste da série > 20 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25765: (De) Caras (304): Não conheci pessoalmente o cap inf Manuel Aurélio Trindade, último cmdt da 4ª CCAÇ e primeiro cmdt da CCAÇ 6 (Rui Santos, ex-alf mil, 4ª CCAÇ e CIM Bolama, Bedanda e Bolama, 1963/65)

sábado, 20 de julho de 2024

Guiné 61/74 - P25763: (De) Caras (303): O ex-alf mil art, José Álvaro Carvalho, o "Carvalhinho", novo membro da Tabanca Grande, em Catió, em 1964, com um grupo de oficiais na receção à delegação do Movimento Nacional Feminino (João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617/BAÇ 619, 1964/66, cmdt ref TAP)

 




Guiné > Região de Tombali > Catió > 1964 > BCAÇ 619 (1964/66) > Um grupo de oficiais fotografados com a delegação do MFN (Movimento Naconal Feminino), de visita à região de Tombali (Bedanda Cufar, Catió)

Foto (e legenda): © João Sacôto (2024). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do João Sacôto, ex-alf mil, CCÇ 617 / BCÇ 619 (Catió, 1964/66; cmdt da TAP reformado), com data de 14/7/2024, e posteriormente, 19/7/2024:



Caro Luís, boa tarde. Eu e o artilheiro José Álvaro Carvalho (ex-alf mil, Pel Art / BAC, 8.8 cm, Bissau, Olossato e Catió, 1963/65), o 'Carvalhinho', vivemos de 64 a 65 em Catió. Ele era um ótimo fadista e fazia lembrar o velho fadista 'Marceneiro'. Falei agora com outro alferes da minha CCAÇ 617 em Catió, o Gonçalves, que também se lembra e com saudade das horas passadas a ouvir o inesquecível 'Carvalhinho'. 

Um forte braço para todos, em particular para o C.

PS1 - Envio duas fotografias tiradas em Catió em 1964 ou 1965: (i) O José Carvalho é o 5º a contar da esquerda, eu sou o 2º. (ii) O José Carvalho é o 1º, do lado esquerdo; eu sou o 4º, contar da direita... Em momento de descontração na messe de oficiais em Catió.(*)

PS2 - Outra fotografia com o José Alvaro Carvalho em Catió 1964 na receção ao Movimento Nacional Feminino; o "Carvalhinho" é o primeiro a contar da esquerda.

2. Comentáro do editor LG:

Obrigado, João. Dizes que a última foto que mandaste é de 1964,  por ocasião de uma  visita do MNF a Catió.  Em princípio, seria uma delegação local do MNF, senhoras de Bissau. A Cecília Supico Pinto e a Renata Cunha e Costa, seu braço direito, foi só em fevereiro de 1996 é que vieram, pela primeira vez,  à Guiné. A "Cilinha" voltaria ao CTIG em 1969, 1973 e 1974 (**)

Todavia, em Bissau, em 1964,  já devia haver uma representação do MNF,  incluindo possivelmente  as esposas de alguns militares de alta patente.

A tua foto, infelizmente, tem fraca resolução.  Se for do 1º trimestre de 1964,   é de estranhar  esta visita, em plena "batalha do Como" (Op Tridente,  jan - mar 1964). Mas tu poderás esclarecer, melhor do que ninguém.

Mais importante para já é termos esta foto de grupo contigo,  o "Carvalhinho"  e outros camaradas que não conseguimos identificar.(***)
____________

Notas do editor:


(**) Vd. poste de:




(***) Último poste da sére > 18 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25756: De(Caras) (302): João Crisóstomo e António Rodrigues, dois antigos mordomos portugueses em Nova Iorque, que vêm, em 2004, a Cabanas de Viriato, dar início à história da recuperação da Casa do Passal, hoje museu Aristides de Sousa Mendes

terça-feira, 11 de junho de 2024

Guiné 61/74 - P25630: Elementos para a história do Pel Caç Nat 51 - Parte IV: um 1º cabo trms, José Maria Martins da Costa (Guileje e Cufar, 1968/70), que sabia latim e grego




Guiné > Região de Tombali > Guileje > 1967 > CART 2316 (1967/68) > Foto aérea do aquartelamento e tabanca


Guiné > Região de Tombali > Guileje > CART 1613 (1967/68) > O 2º sargento José Neto (que exercia as funções de 1º sargento da companhia) junto a um abrigo e a uma viatura do Pel Rec Fox 1165, que era comandado pelo alf mil cav Michael Winston Schnitzer da Silva.



Guiné > Região de Tombali > Guileje > CART 1613 > 1968> Aspectos da construção de uma abrigo-caserna...
 


Guiné > Região de Tombali > Guileje > CART 1613  (1967/68) >  1968 > Bajuda... Fotos do álbum do cap SGE, reformado, o saudoso José Neto (1929-2007), durante os primeiros anos do blogue "o nosso mais velho".


Fotos (e legendas): © José Neto   (2005). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Capa do livro, "O Silva
da Granada", de José Maria
Martins Costa, Lisboa,
Chiado Books, 2021. Gostaríamos
de ver o autor, nosso antigo
camarada de armas, a integrar 
 a Tabanca Grande.



"É mesmo uma surpresa, um cultor do classicismo andou por Guileje e paragens limítrofes, entre 1968 e 1970, creio que se disfarça no primeiro-cabo Martins, das Transmissões, são memórias onde não faltam referências a Horácio, Virgílio, Dante, Camões, há a preocupação de resistir à tentação de passar ao crivo a história da Guiné ou martelar as vias sinuosas da luta pela independência, é um livro cheiro de olhares, alguém que reza o terço, que se comove com a inocência das crianças, vê partir colunas de abastecimento e sente um remorso por nelas não participar. Já chegou a hora da primeira flagelação, muito mais se seguirá, o tomo memorial ultrapassa as quinhentas páginas, foi editado pela Chiado Books recentemente, faz hoje parte do Grupo Atlântico Editorial."


1. É assim que o nosso crítico literário, Mário Beja Santos, saudou o aparecimento deste livro, publicado ainda em 2021, em tempo de pandemia. Referimo-nos a "O Silvo da Granada", do José Maria Martins da Costa, ex-1º cabo trms, do Pel Caç Nat 51 
(Guileje e Cufar, maio de 1968/ julho de70).

Sobre o autor sabemos que:

(i) é natural do concelho de Santo Tirso; 

(ii) depois da escola, entrou num seminário beneditino; 

(iii) foi até ao sétimo ano (que não deve ter completado); 

 (iv) foi chamado para a tropa, passou por Tavira e Lisboa, e foi mobilizado para a Guiné; 

(v) no regresso à "peluda",  tirou "o curso de Filosofia na Universidade do Porto, e ainda o de Latim, Grego e Português, e respetivas literaturas, na Universidade de Coimbra";



(vii) fixou residência no Porto, casou, foi jornalista e professor.

A referência ao classicismo greco-latino tem a ver com 
a sua formação seminarística. O autor frequentou o CSM (Curso de Sargentos Milicianos), em Tavira, por qualquer razão que não quer esclarecer, no  livro, chumbou ou apanhou uma "porrada", indo parar ao contingente geral.

E na qualidade de 1º cabo de transmissões de infantaria, de rendição individual, que o vemos integrar o Pel Caç Nat 51, passando por Guileje e Cufar, de maio de 1968 a julho de 1970.

2. Não tendo (ainda)  lido o livro, vamo-nos limitar aqui à recolha de alguns apontamentos que podem ajudar a conhecer um pouco melhor a história desta subunidade e também as "andanças", pelo sul da Guiné,  deste nosso camarada que gostaríamos de passar a ver ao nosso lado, sentado sob o poilão da Tabanca Grande.  

Vamos, naturalmente, socorrer-nos de algumas das notas, mais factuais, do nosso crítico literário (**): 

(i) chegado a Bissau, o 1º cabo trms Martins ruma a sul, em comboio fluvial, seguindo de
"batelão", numa primeira etapa até Bolama, depois Cacine e finalmente Gadamael (o comboio traz mantimentos para Cacine e Cameconde);

(ii) segue em coluna auto para Guileje: provavelmente ainda aqui apanhou a CART 1613, do nosso saudoso Zé Neto, (cuja comissão em Guileje foi de junho de 1967 a maio de 1968), sendo depois rendida pela CCAÇ 2316 (mai 1968/jun 1969);

(iii) aqui dá-se conta do drama dos vizinhos de Gandembel (a 10 km mais a nordeste, e ainda mais perto da fronteira), mas também do ponto fraco do aquartelamento de Guileje, aparentremente inexpugnável: todos os dias é preciso garantir o abastecimento de água na fonte que fica a 2/3 km;

(iv) trabalha por turnos no abrigo das transmissões e cedo começa a habituar-se aos ataques e flagelações;

(v) Spínola visita Guileje e Gandembel ainda nesse mês de maio de 1968;

(vi) o Martins diz que os primeiros-cabos do Pelotão são todos nortenhos, de Entre Douro e Minho;

(vii) os brancos do Pelotão têm um abrigo próprio;

(viii) que o Martins ajuda um soldado da companhia local (CCAÇ 2316, presume-se) a escrever cartas à madrinha de guerra;


(ix) Ganbembel e Mejo são abandonados em 28 de janeiro de 1969; Guileje passa a ser reforçada por mais uma subunidade, o Pel Caç Nat 67;

(x) refere a morte de um alferes e um furriel, do pelotão de artilharia , que são ceifados por uma canhonada vinda da Guiné Conacri;

(xi) "o novo comandante de Companhia parece não gostar do Martins e das suas estadias na tabanca" (onde faz amizades entre a população civil e por cujos usos e costumes se interessa como estudioso);

(xii) Cecília Supico Pinto visita Guileje;

(xiii) o Martins vai a Bissau a uma consulta de oftalmologia; após 3 semanas, regressa via Gadamael cujos abrigos lhe parecem toscos e precários, comparados com Guileje;

(xiv) o abrigo do pelotão em Guileje é atingido em cheio por uma canhoada; tem de ser reparado e reforçado;

(xv) "de março para abril (de 1969), deram-se mudanças de vulto de Pel Caç Nat 51", é referido quem sai e quem chega (e um dos que chegam é o Armindo Batata: não sabemos se no livro há referências explícitas ao novo comandante do Pelotão) ;

(xvi) Spínola volta a Guileje em meados de 1969;

(xvi) em junho de 1969, a CCAÇ 2316 é rendida pela CART 2410,  "Os Dráculas";

(xvii) "em novembro e chega a notícia da transferência do Pel Caç Nat 51, tal como o Pel Caç Nat 67, vão para Cufar, no termo de Catió";

(xix) "não irão por estrada, a única forma de lá chegar é alcançar Gadamael, descer o rio Cacine até à sua foz, percorrer um estreito canal, rio chamado Cagopere, aproar ao rio Cumbijã e subir boa parte do seu curso inferior, meter talvez ainda por um afluente deste e depois por terra fazer os últimos quilómetros até Cufar" 

(xx) "despedida,  com enorme saudade dos seus amigos da tabanca";

(xxi) coluna apeada até Gadamael, sem novidade; e breve viagem de Gadamael a Cacine;

(xxii) o Martins ffca "surpreendido de aqui encontrar laranjeiras e tangerinas, observa que Cacine é menos sacrificada que Guileje ou Gadamael";

(xxiii) "o comboio de navios passa pelo Canal do Melo, ali perto é Cabedu, Cufar não é longe, temos ainda o Cumbijã e as suas duas alongadas curvas, estão já na aldeia Cantone, 3 km à frente espera-os Cufar, no meio Mato Farroba, área sossegada";

(xxiv) "o Martins lá vai para o posto de rádio";

(xxv)  regista dois acidentes mortais no Pel Caç Nat 51;

(xxvi) chega-se ao Natal e depois ao Ano Novo;

(xxvii) "pega-se com um furriel, deita umas palavras desabridas, apanha como castigo sete noites seguidas, na trincheira, em Mato Farroba";

(xxviii) "vai ao médico a Catió, apraz-lhe a limpeza e o asseio das ruas, o muito arvoredo que as sobreia e ornamenta, acha-la muito limpa a agradável para viver";

(xxix) chega a Páscoa, e depois já "estamos em julho de 1970, chove a cântaros, os amigos vêem-no partir num Dakota";

(xxx) ... e fim da comissão do Martins.


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Um aspeto parcial do quartel. Foto do ábum  do Victor Condeço (1943/2010)

Foto (e legenda); © Victor Condeço (2007). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


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Notas do editor:

(*) Vd. postes de;


8 de abril de 2022 > Guiné 61/74 - P23152: Notas de leitura (1435): "O Silvo da Granada, Memórias da Guiné", por José Maria Martins da Costa; Chiado Books, Agosto de 2021 (4) (Mário Beja Santos)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2022/04/guine-6174-p23152-notas-de-leitura-1435.html

(**)  Vd. poste de 9 de junho de 2024 > Guiné 61/74 - P25624: Elementos para a História do Pel Caç Nat 51 (1966/74) - Parte III: População civil: da cerimónia do fanado ao funeral muçulmano (Armindo Batata)

Vd. também postes de:

 9 de junho de 2024 > Guiné 61/74 - P25622: Humor de caserna (64): O anedotário da Spinolândia (XII): o "caco" que foi parar ao caldeirão da cozinha de Guileje...

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Guiné 61/74 - P25157: Por onde andam os nossos fotógrafos? (20): António Murta, ex-alf mil inf MA, 2ª C/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74) - Parte V: A visita da "Cilinha" a Nhala a um mês e meio do 25 de Abril de 1974


Foto nº 1


Foto nº 2

Foto nº 3

Foto nº 4

Foto nº 5

Foto nº 6

Foto nº 7

Foto nº 8 

Foto nº 9


Foto nº 10

Froto nº 11

Guiné > Região de Tombali > Nhala > 2.ª CCAÇ / BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74) >  Domingo, 10 de março de 1974 > A visita da Cecília Supinco Pinto ("Cilinha")

Legendas:

Fotos nº 1 >   Cilinha, à chegada, num momento de descontração. Boas vindas da companhia com os apertivis possíveis.

Foto nº 2 -  A Cilinha a dialogar com o cmdt do BCAÇ 4513 (Buba); em primeiro plano o cap João Brás Dias, comandante da 1.ª CCAÇ/ BCAÇ 4513 (Buba).

Foto nº- 3 >  Messe de oficiais de Nhala. O Comandante do Batalhão diz umas palavras de circunstância.

Foto nº 4 > Deois de ter falado para  um pequeno juntamento de militares e nativos, a Presidente do MNF prepara-se para partir para Aldeia Formosa.

Foto nº 5 > A  "Cilinha",  oten- cor Carlos Ramalheirao  e  cmdt da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Nhala), cap Braga da Cruz. 

Foto nº 6 > A "Cilinha", com a ajuda do ten-cor Ramalheitra, sobe para a Berliet.

Foto nº  7 > A "Cilinha" e o  ten-cor Ramalheitra acomodam-se na  Berliet.,

Foto nº 8 > Beijo de despedida do cap Braga da Cruz.

Fotoo nº 9 > A "Cilinha" despede-se de um alferes náo identificado  
 
Foto nº 10 - Último adeus da "Cilinha" ao pessoal de Nhala. 

Foto nº  11 -  Partida +ara Mampatá, o aquartelamento seguinte. (A mim pareceu-me mal que a Cilinha e o Comandante de Batalhão tivessem seguido à cabeça da coluna numa Berliet rebenta-minas; ao lado direito; a escolta foi feita por  fuzileiros do destacamento de Cacine.)

Fotos (e legendas): © António Murta  (2015). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. A visita da Cilinha  (seu nome de guerra) era sempre motivo para algum alvoroço nos nossos aquartelamentos... Antes de mais, pela curiosidade de  ser uma das raríssimas  mulheres brancas que se podia ver no mato, em plena guerra, em carne e osso... E sempre bem vestida. Secundariamente,  por ser a histórica e carismática líder do MNF - Movimento Nacional Feminino que, para alguns  nossos soldados,  tinha sobretudo a função de "Pai Natal": com sorte, um pedido ao MNF, desde que não fosse exorbitante,  era atendido (livros, instrumentos musicais, equipamentos de futebol, etc.).

Cilinha tinha um carinho especial pela Guiné (a sua "Guinezinha")  e pelos militares que aí "defendiam a Pátria", a avaliar pelas diversas vezes (quatro)  que visitou o território, a última das quais já em março de 1974, a um escasso mês e meio do golpe de Estado do MFA. 

A melhor reportagem, documentada, por texto e fotos, que já aqui apresentada sobre uma visita da Cilinha ao mato, é a do nosso camarada António Murta,  ex-alf mil inf,  MA,   2.ª CCAÇ / BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74).

De uma lote de cerca de duas dezenas, selecionámos e  reeditámos onze fotos (*), Segue também um excerto do enquadramento feito pelo fotógrafo.


A visita da Cilinha a Nhala em 3 de março de 1974

Texto e fotos: António Murta (**)


(...) Este mês de Março ficou marcado por alguns acontecimentos empolgantes, para variar, como a ligação de Nhala à estrada nova Aldeia Formosa-Buba e a visita da Presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto.

Sobretudo esta visita, trouxe uma animação inusitada às tropas de Nhala – e do Sector -, mas não se pode dizer que tivesse, também, quebrado a monotonia e a rotina, simplesmente porque naquela época, o que tínhamos menos era monotonia e rotina, tal era a actividade operacional.(...) 

10 de Março de 1974 – (domingo) – A visita da Cilinha 


Cecília Maria de Castro Pereira de Carvalho Supico Pinto [Lisboa. 1921 – Cascais, 2011],  Cilinha, como gostava de ser tratada, (diminutivo que lhe vinha da infância), era descendente de aristocratas e uma Senhora do Regime.

Não precisa de grandes apresentações porque sobre ela quase tudo já foi dito. Muito antes de a ter conhecido em Nhala, já tinha por ela uma elevada consideração e um grande respeito, pela sua coragem, tenacidade e coerência.

Durante treze anos, de 1961 a 1974, foi presidente do MNF que ela fundou, tendo em vista acções de sensibilização da sociedade portuguesa para a defesa das colónias ultramarinas, o seu Ultramar.  

Tudo fez nesse sentido, desdobrando-se em iniciativas na Metrópole e calcorreando as colónias, tentando dar alento a tropas desmotivadas e politicamente amorfas.

Era por ser assim, e não pelos seus objectivos, que a admirava e a minha consideração elevou-se depois de a ter conhecido. Porque, sendo coerente com as suas convicções, saiu do seu confortável cantinho e dos salões solenes e elegantes, e veio para o terreno com o seu camuflado pôr na prática aquilo em que acreditava, correndo riscos e sofrendo privações.

E via-se que gostava do que fazia, exibindo uma alegria contagiante e uma disponibilidade total, atributos que passavam para quem a via e ouvia, por a reconhecerem como “um deles”. Politicamente, eu estava nos antípodas. Para mim, a Cilinha, pelas suas ideias e acções e pela sua proximidade (intimidade) com o Regime, representava o Regime.

Politicamente, portanto, eu era contra a sua filosofia de manutenção das colónias, contra tudo o que dizia e fazia nesse sentido, que era, um pouco do que já fizera na sua juventude em prol da caridadezinha.

Paradoxo, incoerência da minha parte? Não. Repito que, como pessoa, tinha por ela o meu maior respeito e consideração. Aliás, soube já depois da sua morte que, nesse aspecto de respeitar o “outro” mesmo não concordando com “ele”, ela não era muito diferente de mim.

Dois exemplos: foi sempre amiga, desde a infância, da Sofia de Mello Breyner, mesmo estando em campos políticos opostos; uma vez disse, revelando nobreza de carácter: “Admiro Cunhal pela sua coerência”.

Para terminar, lamento que, após o 25 de Abril e até à sua morte, tenha sido desprezada pela esquerda e ostracizada pelos seus correligionários de direita. Tudo apanágios de gente de baixa índole. Sei que nunca foi hostilizada, ainda assim, merecera mais consideração.

À chegada a Nhala, a Cilinha foi alvo de calorosa recepção por parte da tropa e de alguma população, sobretudo crianças. Mais pelo inédito da situação e pela curiosidade por esta mulher branca que se aventurava no mato para chegar perto deles, com estímulos e uma palavra amiga.

Almoçou na messe de oficiais após uns descontraídos aperitivos, mais para pôr a conversa em dia. Vinha acompanhada pelo Comandante do Batalhão, Ten Cor Carlos Alberto Ramalheira e por um séquito de outros oficiais que foi arrastando por onde passou.

Após o almoço (ou antes?) houve tempo para falar aos soldados, cantar o fado e, até, dançar com alguns. Depois partiu rumo a Mampatá, após demoradas e sentidas despedidas. 

Admito que foi o acontecimento do mês, mas não poderia adivinhar que o mês seguinte traria acontecimentos muito mais importantes e marcantes do que este, efémero e superficial. (...)

[Seleção e reedição de fotos, revisão / fixação de texto para efeitos de edição neste blogue, itálicos e negritos: LG]

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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 25 de janeiroo de 2024 > Guiné 61/74 - P25109: Por onde andam os nossos fotógrafos? (18): António Murta, ex-alf mil inf MA, 2ª C/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74) - Parte IV: Bem-vindos a Nhala!


Vd. tanbém poste de 15 de setembro de  2020 > Guiné 61/74 - P21361: (De)Caras (160): Cecília Supico Pinto (1921-2011)... "Cilinha, uma mulher que aprendi a admirar e a respeitar, mesmo discordando dos seus objetivos políticos" (António Murta, autor de uma belíssima reportagem fotográfica da visita da histórica líder do MNF a Nhala, em 10/3/1974, e que ela nunca viu em vida)