Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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domingo, 28 de setembro de 2025
Guiné 61/74 - P27264: Ser solidário (289): Bilhete-postal que vai dando notícias sobre a "viagem" da campanha de recolha de fundos para construir uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau (16): Mercatino em Merano (Itália) no dia 04 de outubro de 2025 (Renato Brito)
Boa tarde Carlos Vinhal,
Com a presente venho por este meio partilhar a “cartolina” que prossegue com a campanha de angariação de fundos para construir uma escola na aldeia de Sintcham Arafam – Guiné-Bissau.
Desta feita mais um mercatino em Merano no dia 04 de outubro.
Sobre a migração das aves interessante este documentário: https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=w8e5bBIeL3s
Envio também o catálogo dos objetos do projeto África Sacra_tecidos que tem por objetivo comprar material didático no início de cada ano letivo.
Cumprimentos,
Renato
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Notas do editor:
Vd. post anterior de 2 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27177: Ser solidário (287): Bilhete-postal que vai dando notícias sobre a "viagem" da campanha de recolha de fundos para construir uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau (15): Cancoran II, e Convite para a apresentação do projecto de construção de uma escola na Guiné-Bissau e jantar com prova de produtos da Guiné-Bissau, a levar a efeito no próximo dia 13 de Setembro, a partir das 16h30, na Associação Macaréu, Rua João das Regras, 151 - Porto (Renato Brito)
Último post da série de 24 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27252: Ser solidário (288): No Dia Nacional da Guiné-Bissau, a ONGD Afectos com Letras comemora o 16.º ano da sua criação
Guiné 61/74 - P27263: Casos: a verdade sobre... (56): Os dois militares mortos por um só tiro de metralhadora, em Bissalanca, em 2 de março de 1963, quando um mecânico da FAP procedia à manutenção de um avião (Armando Fonseca, o "Alenquer", sold cond, Pel Rec Fox 42, 1962/64)
Armando Fonseca, ex-soldado condutor, Pel Rec Fox 42, Bissau, Mansoa, Porto Gole, Buba, Bedanda, Guileje e Aldeia Formosa, 1962/64; também conhecido como o "Alenquer", integra a nossa Tabanca Grande desde 22 de setembro de 2010; tem 18 referências no nosso blogue.
1. Formulário de Contacto do Blogger
Data - sexta, 26/09/2025, 12:04
Assunto - Mortos em acidente em Bissalanca em 1963
Em tempos enviei uma mensagem de um caso que assisti no hangar do aeroporto de Bissau que nunca foi publicada, talvez por não se encontrar registado nos casos da guerra, como tantos outros, só eram registados os que lhes convinham e, por vezes, com algumas aldrabices à mistura, desde aí nunca mais teve interesse no bogue.
Cumprimentos,
Armando Faria da Fonseca | arfafon40@hotmail.com
3. Mensagem de Armando Fonseca (antigo endereço de email: armandofonsecaff@hotmail.com)
Data - domingo, 4/12/2011, 19:0
Assunto - Mortos em acidente
Caros camarigos, ao consultar o dicionário, o das minhas recordações, encontrei um caso que me parece por bem divulgar se os digníssimos editores, se assim o acharem por bem.
Aconteceu que, no dia 2 de março de 1963, salvo erro, quando um mecânico da força aérea procedia à manutenção de um avião no hangar do aeroporto de Bissalanca, fez disparar, involuntariamente, uma metralhadora que com um só tiro atingiu dois camaradas, causando-lhes morte imediata.
Nesse dia eu estava de serviço no aeroporto e assisti ao acidente, mais um entre muitos do género, mas com um só tiro causar tanto mal não tenho memória, e não sei se ocorreu mais algum.
Despeço-me com um abraço amigo para toda a Tabanca e em especial para os editores da mesma que tão bom trabalho vêm realizando.
Armando Fonseca (o "Alenquer")
Chegou a Bissau a 28 de maio de 1962 no navio António Carlos (nunca até agora ouviram falar deste navio)...
Para já fez prova de vida. Folgamos em saber notícias dele...
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Nota do editor LG:
(*) Último poste da série > 5 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27187: Casos: a verdade sobre... (55): Napalm, fósforo branco e outros incendiários no CTIG - Parte II: O que diz a IA / Gemini
sábado, 27 de setembro de 2025
Guiné 61/74 - P27262: A Nossa Poemateca (11): "Aforismos", de Teixeira de Pascoaes (1877-1952)
A bondade não será a crueldade reduzida ao mínimo ? (p32)
A ciência desenha a onda; a poesia enche-a de água (p29)
A corrupção favorece as ideias novas (p18)
A esperança, a fé, a caridade, vivem do Matadouro Municipal, onde bois e vitelas, santos e anjos, são assassinados às centenas e repartidos, em bifes, pela macacaria darwinista (p34)
A ideia de água antece todas as fontes (p11)
A imagem das vacas tem maior nitidez que a das pessoas (p16)
A inocência é a auréola do crime (p22)
A luz dos olhos devora tudo. Ser visto é quase morrer. (p24)
A mentira insere-se na verdade (...) (p29)
A miséria ri-se das barrigas fartas e preside a todos os banquetes (p36)
A Natureza odeia a linha reta (p32)
A probabilidade perfeita ou absoluta representa-a um sim sobre um não (p34)
A vaidade é a sinceridade em pessoa (p20)
Agir é construir, destruindo (p32)
Andamos e não chegamos. O andar é tudo: princípio e fim. (p179
As coisas são possibilidades realizadas contendo inúmeras possibilidades realizáveis (p16)
Basta a miséria de um desgraçado, para que todos nós sejamos miseráveis (p14)
Como é que um animal que fuma pode crer na imortalidade ? (p39)
De que serve ressuscitar ? Toda a gente continua a ver o morto.(p18)
Deus não sabe como se chama ! (p14)
Eliminem a palavra Humanidade e ficaremos cobertos de pêlo num instante (p31)
Em vida, o cárcere sem um postigo. No túmulo, a morte sem uma fresta. (p21)
Existir não é pensar: é ser lembrado (p19
Joaquim, eis o meu epitáfio! (p19)
Morrerás da tua beleza! (p25
Nascer, é pôr a máscara (p23)
O andar é uma hesitação que se desloca (p23)
O berço e o túmulo não são para os olhos de quem neles está deitado (p15)
O cão ladra e uiva, é já sábio e poeta (p33)
O homem não vive; nasce e morre (p13)
O ideal da nuvem é o rochedo (p38)
O ladrar é literatura (p22)
O mar é a carne do planeta (p23)
O nome desfigura as coisas (p19)
O ódio brame como os tigres, o amor geme como os cães, a tristeza canta de sapo, e a alegria é uma bêbeda, ó Santa Mónica! (p35)
O pecado é mais fecundo do que a virtude (p20)
O português é indeciso e inquieto, como as nuvens em que as suas montanhas se continuam e as ondas emq ue as suas campinas se prolongam (p26)
O riso brota dos dentes que mordem (p28)
Os penedos não são felizes (...) (p33)
Os velhos riem-se da velhice (...) (p22)
Quanto mais estranhos, mais íntimos (p23)
Sem a estupidez dos penedos, que seria do nosso espírito ? (p12)
Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada (p31)
Só a nudez é luminosa (p21)
Todas as almas são perfeitas (p24)
Todo o enigma da vida está fechado na cabeça duma formiga (p29)
Um homem é ele e o mundo. Um boi é ele sozinho, armado de cornos contra os lobos (p14)
Fonte: Excertos de: Aforismos, Teixeira de Pascoaes: seleção e organização de Mário Cesariny, Lisboa: Assírio & Alvim, 1998, 39, pp (Gato Maltês, 36).
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 12 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27007: A Nossa Poemateca (10): Ovídio Martins (Mindelo, 1928 - Lisboa, 1999), um grande poeta cabo-verdiano bilingue
(**) A palavra portuguesa aforismo vem do grego ἀφορισμός (aphorismós), que deriva do verbo ἀφορίζειν (aphorízein), significando “delimitar, definir, distinguir”:
(i) o prefixo ἀπό- (apó) = “separar de, afastar”;
(ii) a raiz ὁρίζειν (horízein) = “traçar limites, definir” (a mesma origem da palavra “horizonte”=linha aparente, em que o céu e a terra ou o mar parecem encontrar-se)
Em grego, aforismós significava originalmente “definição” ou “enunciado que delimita com clareza”.
Recorde-se que é do grego Hipócrates (séc. V a.C.) a obra Aforismos, um conjunto de sentenças breves sobre a saúde, a doença e a arte de curar e de cuidar (a medicina). A palavra passou a designar uma sentença curta e precisa que condensa um princípio ou verdade.
Em poesia reduz-se muitas vezes a uma metáfora ou a um curto pensamento sincrético. Os aforismos aqui selecionados não são enunciados filosóficos, não expressam um axioma, uma verdade, um conceito... Valem pela sua capacidade de operar como uma metáfora, fundindo uma ideia abstrata e uma imagem do real: "O nome desfigura as coisas" ou "Deus não sabe como se chama" ou "O mara é a carne do planeta".
Guiné 61/74 - P27261: Contactem-nos, há sempre alguém que pode ajudar ou simplesmente saber acolher (6): O Cândido Alves, da CCAÇ 1416 / BCAÇ 1856 gostava de voltar ao Gabu como turista... será que existem condições para viajar com confiança para passar uns dias para reviver das recordações daqueles lugares?
"À descoberta da Guiné-Bissau : guia turístico" > Vd. região de Gabu, pp. 97/104
Data - 23 de setembro de 2035 17:38
Estive na Guiné Bissau desde 26 de julho de 65 a 17 de abril de 67.
(v) tens aqui os contactos do Hotel: Avenida Amilcar Cabral, Bissau, Guine Bissau | email: zulupreto2015@gmail.com | telem +245 966 670 836 ;
Quanto ao resto, podes e deves marcar um consulta do viajante. Há requisitos de entrada, como vacina contra febre amarela (vão-te exigir o certificado internacional de vacinação, como me exigiram, a mim, quando lá fui em 2008).
Por outro lado, vão-te lembrar que a Guiné-Bissau também tem alguns "senãos":
- tratar do passaporte válido;
- registar-se no serviço consular / embaixada de Portugal em Bissu;
- fazer um seguro de viagem (com evacução médica);
- evitar ostentar objetos de valor durante as deslocações;
- vestir-se de maneira apropriada para um país tropical;
- beber muita água (engarrafada);
- andar com cópias dos documentos (incluindo passaporte, apólice do seguro, contactos);
- não andar com o dinheiro todo no bolso (mas ter em conta as limitações do uso de cartões);
- levar alguns medicamentos essenciais (antimalária, analgésicos, etc, conforme conselho do médico da medicina do viajante);
- levar um pequeno kit de primeiros socorros;
- informar família/contatos dos itinerários diários, etc.
(*) Vd. postes anteriores da série >
3 de janeiro de 2023 > Guiné 61/74 - P23945: Contactem-nos, há sempre alguém que pode ajudar ou simplesmente saber acolher (4): Mensagens recebidas nos últimos dois meses de 2022
14 de dezenbro de 2022 > Guiné 61/74 - P23881: Contactem-nos, há sempre alguém que pode ajudar ou simplesmente saber acolher (3): Mensagens recebidas entre janeiro e outubro de 2022, através do Formulário de Contactos do Blogger
5 de novembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23763: Contactem-nos, há sempre alguém que pode ajudar ou simplesmente saber acolher (2): amostra de mensagens recebidas entre setembro e dezembro de 2021
7 de agosto 2021 > Guiné 61/74 - P22439: Contactem-nos, há sempre alguém que pode ajudar ou simplesmente saber acolher (1): Mensagens recebidas entre 12 de julho e 6 de agosto de 2021
Guiné 61/74 - P27260: Os nossos seres, saberes e lazeres (702): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (223): Primeiro a Lousã, segue-se São Pedro do Sul - 2 (Mário Beja Santos)
Queridos amigos,
A Lousã tem boas casas brasonadas, belas pedras de armas, já se visitou esta bela vila muitas vezes, foi polo industrial, fabricou bons têxteis, no seu património consta uma antiquíssima fábrica de papel. Desta vez preencheu-se uma lacuna, conhecer o Casal da Lagartixa, casa do Mestre Carlos Reis na Lousã, muito trabalhou ele aqui nos finais da década de 1910 e por toda a década de 1920, a casa está bem conservada, guarda a atmosfera do tempo, tem para mim muito mais ganharia se houvesse um espaço com boas reproduções de obras que este magnífico pintor produziu na Lousã. Com a promessa de regressar, segue-se para São Pedro do Sul, outro recanto já conhecido, mas a que se regressa de braços abertos, era enorme a curiosidade para visitar as ruínas do balneário romano que tiveram em tempos recentes obras de requalificação. Notam-se diferenças, as margens do Vouga estão ainda mais esplendentes, os caminhos melhorados. Hoje passeia-se por aqui levados pela curiosidade de ver as mudanças, e confirma-se que elas existem. Amanhã se irá visitar a preceito o balneário romano, creio que nenhum leitor ficará insensível à hipótese de poder vir conhecer ou reconhecer tão augusto lugar.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (223):
Primeiro a Lousã, segue-se São Pedro do Sul - 2
Mário Beja Santos
Segundo dia de viagem, neste momento já sigo bem municiado de documentação, o Dr. Vítor, da Biblioteca Municipal da Lousã, foi generoso, levo uns bons quilos de literatura histórica, aqui vim pedir autorização para visitar o Casal da Lagartixa, residência do pintor Carlos Reis, uma das figuras de topo do naturalismo português, professor da Academia das Belas Artes, diretor de dois museus nacionais e um devoto das belezas paisagísticas da Lousã. A Carlos Reis se deve o espetacular quadro intitulado A Lenda de Arunce, que se pode visitar no salão nobre dos Paços do Concelho da Lousã. O pintor envolveu-se na execução de carpetes, como conselheiro de Arte, terá um papel na execução da torre da Igreja Matriz, é dele o projeto de um coreto no que é hoje a Alameda Carlos Reis. E, inequivocamente, deu parecer à construção do que é hoje o edifício das Paços do Concelho.
Carlos Reis tinha aqui ateliê e construiu a sua casa, a que denominou por Casal da Lagartixa, a Lousã aparece em grande parte das suas obras criadas entre 1919 e 1938. Os críticos diziam que o artista era um mágico da cor, como se pode verificar nos cambiantes da paisagem lousanense.
O mestre visitou pela primeira vez a Lousã em 1913, foi idílio instantâneo. Nas primeiras visitas albergava-se nas instalações hoteleiras, no fim da década de 1920, perto do seu ateliê construiu o Casal da Lagartixa, posicionada no meio de uma encosta na freguesia de Lousã e Vilarinho. Sobre Carlos Reis e a Lousã, escreveu Maria Emília Mexia Santos:
“Nas suas longas temporadas no Casal da Lagartixa, Carlos Reis, familiarizou-se totalmente com a terra que o conquistara. Não olhava às paisagens da sua janela. Saía de casa, dispersava-se pelos campos, fixando a rudeza das árvores, o ingénuo encanto dos carros de bois. Ia até ao povo, dissecava-o, procurando nele os seus mais curiosos aspetos. Não ficou indiferente à beleza cheia de mistério da lenda sobre a fundação da Lousã e dedicou-lhe um quadro magnífico, que foi a sua última tela. Tornou-se uma figura querida da Lousã. Todos pousavam para os seus quadros de bom grado. O mestre conhecia as raparigas mais lindas, as velhinhas mais doces, os homens mais expressivos.”
Vamos então visitar o Casal da Lagartixa.
Finda por ora a visita à tão amada Lousã, caminha-se para o Vale do Vouga, o fito é permanecer em São Pedro do Sul, que tem muito que ver, a estância termal, rico património arqueológico, ponte, capelas, solares e o seu inexcedível património romano, e nas redondezas não faltam aldeias típicas, e até os Cantares de Manhouce, de uma grande riqueza etnográfica e musical.
Arruma-se a viatura e começa a deambulação, logo o Palace, uma imponência hoteleira gerida pelo INATEL, vai-se caminhando, passa-se junto da Capela de São Martinho do Banho (no passado a localidade tinha o seu nome associado a Lafões e a Banho), cuja fundação recua ao século X, arquitetura pré-românica, mais adiante estão as termas romanas, construção do século I d.C., com requalificação no século seguinte, por aqui andou o nosso primeiro Rei à procura de alívio depois da queda aparatosa em Badajoz, onde se fraturou.
Prossegue a caminhada até aos balneários termais, o novo e o mais antigo, dá-se uma olhadela ao Núcleo Museológico Velho Balneário, passa-se a ponte das termas, que já foi importante ramal viário romano, ligava a via Viseu-Porto à via Viseu-Águeda, o tabuleiro assente em seis árvores, não se mencionou desenvolvidamente as melhorias de que foram objeto as ruínas do balneário romano e piscina D. Afonso Henriques, fica para o texto seguinte.
Depositam-se os trastes num alojamento em São Pedro do Sul, a escassos quilómetros da estância termal, passeia-se à volta do Vouga, houve a sorte de fazer esta viagem antes da canícula, desfruta-se a temperatura amena e os bons ares e suspira-se pela hora de amesendar, sabe-se lá se uma vitela de Lafões…
(continua)
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Nota do editor
Último post da série de 20 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27234: Os nossos seres, saberes e lazeres (701): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (222): Primeiro a Lousã, segue-se São Pedro do Sul - 1 (Mário Beja Santos)
Guiné 61/74 - P27259: Notas de leitura (1842): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có,1972/74) - Parte I: Apresentação sumária (Luís Graça)
- Serviço militar obrigatório, RI 7, Leiria (pp. 7/18)
- Coimbra: Regimento do Serviço de Saúde (pp. 18/27)
- Hospital Militar Principal (pp. 27/34)
- Penafiel: formação do BART 6521/72 e partida para o CTIG (pp. 34/45)
- Bissau e Bolama: chegada e IAO (pp. 45/59)
- Có: as primeiras impressões, o quartel e a sobreposição (pp. 59/73)
- A coluna de Teixeira Pinto: o batismo de fogo (pp. 73/85)
- A rendição da CCAÇ 3308, os "velhinhos" (pp. 86/100)
- De enfermeiro a "barman" (pp. 100/108)
- De "barman" a professor (pp. 109/126)
- Marcelino da Mata, uma referência (pp. 126/132)
- Rancho, levantamento de rancho, ataque à messe, prepotências (pp. 133/152)
- Um senhor negro vestido com uma "thobe" branco (pp. 153/156)
- O ataque à coluna de Có + diversos apontamentos (pp. 156/162)
- O 25 de Abril que veio da Metrópole (pp.162/174)
- O regresso a casa (pp. 174/179)
- 50 anos depois (pp. 180/184).
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
Guiné 61/74 - P27258: Agenda cultural (902): "Venham Mais Cinco", o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa, 1974-1975, exposição fotográfica para ver até 23 de Novembro de 2025, no Parque Tecnológico da Mutela, Almada (Mário Beja Santos)
Queridos amigos,
Para mim, é a exposição do ano, poder mergulhar nas imagens que grandes fotógrafos estrangeiros tiraram do nosso período revolucionário. Exposição inigualável, seguramente irrepetível, goza de todos os condimentos para poder percorrer o país. Impressionou-me a afluência, a alegria e a espontaneidade das observações de quem observava as chaimites, os soldados prostrados pelo cansaço, aquele memorável 1.º de maio, a maior festa que houve em Portugal. Cingi-me às muitas dezenas de imagens que falam do período libertador, voltarei para mergulhar na revolução, nos conflitos militares, na reforma agrária, no desaguar do PREC. É bom sentir-me um octogenário que vibra com imagens daquele passado transformador, estão ali as raízes da nossa democracia, e este olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa dá-nos acalento.
Um abraço do
Mário
Venham mais cinco, o olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa, 1974-1975:
De visita obrigatória, própria para a Educação para a Cidadania, oxalá que percorra o País todo
Mário Beja Santos
A exposição decorre no Parque Tecnológico da Mutela, em frente das ruínas da Lisnave, pode ser vista até 23 de novembro. Porquê "Venham mais cinco"? É o título de uma canção de José Afonso, inicialmente escolhida para ser tocada na Rádio Renascença na madrugada de 25 de abril de 1974, como senha do início do golpe militar. Mas, como esta canção estava proibida na rádio, a senha acabou por ser substituída por "Grândola, Vila Morena". Através deste título, os organizadores prestam homenagem a José Afonso.
Na folha de sala o curador da exposição, Sérgio Tréfaut, recorda in memoriam Margarida Medeiros, pelo seu papel essencial neste levantamento único de imagens:
“Venham mais cinco foi uma ideia que surgiu no verão de 1993, quando Margarida Medeiros e Ana Soromenho propuseram que se fizesse uma grande exposição com as imagens dos fotógrafos estrangeiros que haviam retratado o processo revolucionário português. No ano seguinte seria comemorado o vigésimo aniversário do 25 de abril. Margarida e eu rumámos a Paris e mergulhámos nos arquivos das grandes agências internacionais, vasculhando milhares de provas de contacto.
Três décadas depois, a expedição abre as suas portas. Entre o início da nossa pesquisa, no outono de 1993, em Paris, e o seu recente desaparecimento, Margarida Medeiros tinha-se transformado numa das maiores especialistas de fotografia em Portugal, autora de livros de referência, curadora de exposições e responsável pela formação de várias gerações de estudantes. Esta exposição nasceu da nossa amizade.”
Dá-se hoje ao leitor uma imagem muito parcelar da exposição, o nosso património histórico fica muitíssimo mais enriquecido com os olhares de grandes profissionais que por aqui passaram desde o golpe de Estado até ao fim do PREC. Procurei focar-me na primeira secção centrada nos atos libertadores, também tenho direito à comoção, a memórias que ganham eletricidade, podendo apanhar um metropolitano à porta de casa até ao Cais do Sodré, meter-me num barco Transtejo e um autocarro da Metropolitana, preferi uma visita mais cuidada, que irei continuar nas próximas semanas, esta exposição inesquecível merece que se venha e que se volte, há imagens luminescentes que vieram completar o nosso acervo e a obra dos nossos grandes fotógrafos. Prometo continuar.
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Nota do editor
Último post da série de 23 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27247: Agenda cultural (901): Convite da Liga dos Combatentes para a Festa do Livro, a decorrer entre os dias 25 e 28 de Setembro nos Jardins do Palácio de Belém, conforme o programa
Guiné 61/74 - P27257: Ocorrências em viagem nas Lanchas de Desembarque (3): Lua a bombordo/Lua a estibordo (Alberto Branquinho, ex-Alf Mil Art)
1. Em mensagem de 19 de Setembro de 2025, o nosso camarada Alberto Branquinho, (ex-Alf Mil Art da CART 1689 / BART 1913, Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69), advogado e escritor, autor de, entre outros livros, "Cambança"; "Cambança Final" e "Deixem a Guerra em Paz", enviou-nos três pequenos contos sobre "Ocorrências em viagem nas Lanchas de Desembarque (JD's). Hoje publica-se o terceiro com o título "Lua a bombordo/Lua a estibordo".OCORRÊNCAS EM VIAGEM NAS LANCHAS DE DESEMBARQUE (LD’s)
III – Lua a bombordo/Lua a estibordo
Não me recordo se seguiam um pelotão ou dois pelotões em cada LDM.
Navegávamos junto à costa, com um luar intenso e céu limpo de nuvens ou neblinas.
O meu pelotão dormitava ou dormia. No silêncio da noite e apesar do ruído surdo do motor, ouvia-se o coro e contra-coro (mais grave, menos grave) do ressonar vindo dos vários cantos da Lancha.
Tinha-me sido comunicado que o meu pelotão seria o primeiro a desembarcar, com a missão de proteger, em terra, o desembarque do restante pessoal e material. Matutava sobre a melhor forma de o fazer.
Concluí que, antes de a prancha baixar já uma secção devia estar alinhada junto à amurada esquerda da lancha e a outra junto à da direita, com os furriéis à frente. Logo que a prancha baixasse, sairia o da esquerda, correndo pela margem cerca de duzentos metros e, depois, torceria noventa graus sobre a esquerda, correndo o espaço suficiente para que ficassem suficientemente espaçados antes de se instalarem. O furriel do lado direito faria o mesmo que o primeiro, mas correndo para a direita.
Assim preveniríamos qualquer eventualidade e, quase imediatamente, tínhamos uma linha de fogo para proteger o desembarque do restante pessoal.
Quase a dormitar, imaginava a movimentação e onde me deveria colocar e ia apreciando o luar intenso que batia na água com ondulações muito pequenas, as ilhotas de um lado e do outro, os recortes da costa, os ramos das palmeiras que pareciam querer agarrar a lua, os pequenos riachos (ou canais) no recorte da costa. Tudo fortemente iluminado pelo luar.
Toda uma paisagem que empurrava a guerra para longe, muito longe. Mas estava ali tão perto!
De repente ouviu-se um barulho dentro da cabina e, a seguir, a voz do “patrão da lancha”:
- Porra! Quando me deitei, a lua estava a bombordo e, agora, está a estibordo!!! Estás a dormir?
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Nota do editor
Último post da série de 24 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27248: Ocorrências em viagem nas Lanchas de Desembarque (2): Ataque à LDG a partir da margem (Alberto Branquinho, ex-Alf Mil Art)


























































