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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27943: Armamento (31): Armalite AR 10, que foi a espingarda automática usada pelo BCP 21 em Angola (1961/75)

 

Angola > Leste > O alf mil paraquedista Jaime Silva, do BCP 21 (1970/72), em 1970, a norte do Rio Cassai, empunhando uma espingarda automática Armalite AR-10.

Foto do álbum de Jaime Silva (ex-alf mil pqdt, cmdt 3ª Pel /1ª CCP / BCP 21, Angola, 1970/72, membro da nossa Tabanca Grande, nº 643, desde 31/1/2014, tendo já 130 de referências, no nosso blogue; reside na Lourinhã, é professor de educação física, reformado, foi autarca em Fafe, com o pelouro de "Desporto e Cultura"; residiu lá durante cerca de 4 décadas; tem página pessoal no Facebook).

Foto (e legenda): © Jaime Bonifácio Marques da Silva (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



ArmaLite AR-10, modelo português. Fonte: Wikipedia (com a devida vénia...)



1. A G3 foi a arma-padrão do Exército Português durante a guerra do ultramar / guerra colonial. Mas, em Angola, o BCP 21 usou, desde o início (1961) e até ao fim, a Armalite AR 10, uma espingarda automática, de assalto, de origem norte-americana, que teve uma vida efémera e uma história atribulada.

 Principais características técnicas:

Criador  > Eugene Stoner
Data de criação >  1955/56
Fabricante(s) >  ArmaLite  | Artillerie Inrichtingen (AI) | Colt's Manufacturing Company
Período de produção > 1956-presente
Quantidade produzida >  9.900

Especificações:

Peso >  3,29–4,05 kg c/carregador
Comprimento >  1050 mm
Cartucho  > 7,62×51mm NATO
Ação > Operado a gás, parafuso giratório
Cadência de tiro >  700 tpm
Velocidade de saída 820 m/s
Alcance efetivo >  630 m
Sistema de suprimento 20 tiros carregador de caixa destacável
Mira > Mira traseiro com abertura ajustável, mira frontal fixa. 

 O design final da empresa Artillerie Inrichtingen (um fabricante dos Países Baixos) ficou conhecido como o modelo português AR-10. 

 Esta versão final incorporou uma série de inovações e melhorias técnicas. Foram produzidas cerca de 4 a 5 mil exemplares do "modelo português" e quase todos foram vendidos ao Ministério da Defesa Nacional de Portugal pelo negociador de armas com sede em Bruxelas, SIDEM International, em 1960. 

 A AR-10 foi oficialmente adotada pelos batalhões de caçadores paraquedistas portugueses, e entrou na guerra de contrassubversão em Angola, logo em 1961, ao serviço do BCP 21.

 Tornou-se uma "arma de culto" devido às suas características inovadoras para a época: era mais leve que as concorrentes, graças ao uso de ligas de alumínio, e destacava-se pela precisão e confiabilidade em combate, mesmo em condições adversas de selva e savana. A variante portuguesa incluía melhorias como um regulador de gás simplificado e um extrator mais robusto. 

Os paraquedistas portugueses consideravam o AR-10 uma arma precisa e fiável, mas o seu uso acabou por ser limitado a algumas unidades aerotransportadas, mantendo-se em serviço até 1975, inclusive durante a descolonização de Timor Português. 

 A AR-10 foi preterida pela Heckler & Koch G3 por razões principalmente políticas e logísticas, e não tanto técnicas. 

A AR-10 era uma arma concebida nos EUA e produzida na Holanda, países críticos da política colonial portuguesa, o que dificultou a sua adoção generalizada. 

Além disso, a Holanda acabou por embargar novas remessas para Portugal, impedindo a expansão do seu uso. 

 Por outro lado, a G3, de origem alemã, beneficiou de um contexto de maior facilidade de aquisição e de produção sob licença em Portugal, além de se enquadrar na tendência de padronização de calibres dentro da NATO (7,62x51mm). 

 A G3 também se revelou mais robusta em condições de combate prolongado e permitia uma maior interoperabilidade com outros países da aliança. 

Estes factores, combinaddos, foram decisivos para a sua adoção pelas Forças Armadas Portuguesas como arma-padrão.

2 comentários:

Luís Dias disse...

A Espingarda automática AR-10, veio para Portugal com a designação de Espingarda de Assalto 7,62mm m/961 AR-10 (também conhecida como AR-10-no modelo português). A origem da arma é, como já referiram, de origem norte-americana e é uma invenção de Eugene Stoner, quando trabalhava na firma "Armalite"(uma divisão da "Fairchild Engine and Airplane Corporation"), entre 1954 e 1959. A AR-10 surgiu numa altura em que já se falava nos projécteis intermediários, como eram os da então URSS, e nenhum grande país opta por a adquirir. Então, em 1957, a firma “Artilerie-Inrichtingen Arsenal”, da Holanda, aceita fabricar a arma da Armalite em pequena série (algumas fontes referem 5 000, outras 10 000). Portugal decide adquirir armas onde elas estivessem disponíveis para enfrentar a guerra em Angola, em 1961. Umas fontes dizem que vieram para o nosso país um lote de 1 500 armas, outras dizem que foram muitas mais. Como foi já referido no blogue, a arma foi entregue às forças pára-quedistas que operavam em Angola, mas não foi adoptada como a futura arma do exército português, porque era original dos EUA e fabricada na Holanda, que eram dos países que mais estavam contra a nossa política africana.
A arma tinha um configuração em que usava o alumínio forjado, de modo a reduzir o peso e tinha um inovador projecto de cano em linha recta/coronha e operava por meio de gás de impacto directo, com o calibre o 7,62x51mmNATO, conseguindo, segundo os que operaram com ela, um tiro automático muito preciso e podia o atirador, em caso de necessidade, operá-la apenas com uma mão.
O projecto da AR-10 evoluiria para a AR-15, já no calibre 5,56mmNATO, que seria adquirida, em 1962, pela firma “Colt Firearms Company”, vindo a ser adoptada pelos EUA como a Colt M16, entrando em produção em 1964(muito utilizada na Guerra do Vietname). Os modelos iriam evoluir para a M16A1, A2, A3, A4. Esta mesma plataforma seria responsável pela “Colt M4 Carbine”(uma arma mais compacta, leve e modular para tropas especiais, tripulações de veículos e pára-quedistas, sem perder o poder de fogo de uma espingarda de assalto).
A plataforma da AR-15 veio a dar origem a muitas outras armas quer nos EUA, quer em outros países, aliás como também a plataforma da Kalashnikov, deu origem a larga dezena de modelos baseados nela.
Luís Dias

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Obrigado, Luís, "isto das armas é um mundo!"...