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terça-feira, 28 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27962: Casos: a verdade sobre... (73): Kalasnikovomania - Parte VIII: Fui uma vez (e única) para o mato com uma AK 47 (que sabia manejar). Tinha um bornal para os quatro carregadores, o que era incómodo e desequilibrava o andar... O capitão, "periquito", que foi comigo, também levava uma, mas nem sequer conhecia a arma (Paulo Santiago, cmdt, Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72)


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L5 (Galomaro) > Subsetor do Saltinho > Março de 1972 >  Nas proximidades da foz do rio Cantoro > O Paulo Santiago, e junto dele duas espingradas automáticas AK 47, e numa delas o respetivo bornal (que levava 4 carregadores)

1. Texto publicado na página do Facebook da Tabanca Grande,  (sábado, 25 de abril de 2026, 00;46) pelo Paulo Santiago, ex-alf mil at inf, cmdt Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72), autor da série "Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos"(*). Tem mais de 210 referências no nosso blogue, para o qual entrou em junho de 2006.


Mais uma história em que entra a AK 47... 

por Paulo Santiago

Naquele dia, fins de março de 1072, facilitei, podia ter sido pior.


1- O capitão, comandante da CCAÇ 3490, que conhecera dias atrás, convenceu-me a ir numa operação com o objectivo de ir armadilhar um local chamado de CeloCelo.

2- Tinha o meu grupo, o meu pelotão disperso, parte em Galomaro,o restante no Saltinho. Por este facto,mostrei reticências em acompanhar os dois pelotões daquela Companhia, e também pelo mau conhecimento dos homens.

3- Em resposta ao choradinho do capitão, "que eu já conhecia a zona",  e também por ele ser miliciano, levou-me a aceitar o "convite".

4- Iria com cinco soldados do meu pelotão, Pel Caç Nat 53.

5- Quando da saída, aparece-me o capitão com duas AK 47, uma para ele e a outra para mim. (Existiam oito AK 47 e dois RPG 2 para serem utilizadas por soldados do Pel Caç Nat 53 quando saíssem com o Grupo  do Marcelino da Mata, e por mais ninguém).

Acabei por levar a arma, sabia trabalhar com ela.

6- Fizemos um alto para comer, por volta das 12.00 horas, junto da foz do rio Cantoro.

Houve militares que se puseram em tronco nu. Um dos meus soldados veio avisar-me da presença de um ninho de abelhas nas proximidades e seria melhor o  afastamento para outro local. O capitão não atendeu ao alerta.

7- Houve o ataque dos insetos, uma enorme confusão, nós os seis retirámos com calma, mas alguns dos que estavam em tronco nu ficaram cravados. Seis evacuados por helis.

8- Acabou a operação. Regressei ao quartel, com os meus cinco soldados,  por um trilho que vinha por Cansamange, não fomos esperar as viaturas ao Quirafo.

9- Nunca mais andei de AK 47. Havia uma bornal para os quatro carregadores, o que era incómodo e desequilibrava o andar.

10- Soube posteriormente que o capitão nunca disparara uma kalash. (**)

(Revisão / fixação de texto, título, links: LG)

________________

Notas do editor LG:


(**) Último poste da série > 23 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27941: Casos: a verdade sobre... (72): Kalashnikovomania - Parte VII: até o ajudante de campo do gen Bettencourt Rodrigues, um tenente 'cmd', se rendeu aos encantos da AK-47 (segundo o fotógrafo António Murta) ou da SA Vz58 (na opinião do nosso especialista em armamento, Luís Dias)

2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Paulo, perguntei a uma ferramenta de IA que arma era essa da foto, se uma AK 47, russa ou chinesa, ou uma SA Vz58, checoeslovaca. A resposta aponta para uma versão chinesa da Kalash.

(...) Boa pergunta, e a foto é bastante clara para esse tipo de identificação. A arma na imagem não é uma Vz. 58 checoslovaca. É sim da família AK, e mais especificamente parece uma AK de fabrico chinês (Tipo 56).

Eis os sinais principais: (i) carregador curvo clássico típico das AK (a Vz. 58 usa um carregador com geometria diferente e mais “reta” na base); (ii)coronha e guarda-mão em madeira com aquele tom castanho-avermelhado comum nas versões chinesas; (iii) bloco frontal e sistema de gás seguem o padrão AK, não o desenho mais compacto da Vz. 58: (iv) embora não se veja perfeitamente a ponta do cano, o conjunto geral bate certo com a Type 56, muito difundida na Guiné nessa época.

Contexto histórico (importante aqui): na Guiné, durante a guerra colonial, PAIGC recebeu grandes quantidades de armamento da China e da URSS; as AK chinesas (Tipo 56) eram extremamente comuns no teatro de operações; a Vz. 58 existia, mas era menos frequente nesse contexto específico.

Conclusão: muito provavelmente trata-se de uma AK tipo 56 chinesa, e não de uma AK-47 soviética “clássica” nem de uma Vz. 58.(...)

(Pesquisa: LG + ChaGPT / OPena AI) (Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

Paulo Santiago disse...

Reparei agora na parte superior do cano da bota. Não existindo cordões,trata-se das botas que o Comandante Rita,da Orion, me ofereceu.Eram excelentes,