Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27958: Humor de caserna (260): O anedotário da Spinolândia - Parte XXXII: o cheirinho a roupa lavada (Joaquim Costa, ex-fur mil Arm Pes Inf, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)



Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel > Rio Geba > 1969 > Uma belíssima foto de uma lavadeira, em contraluz. O Valdemar Queroz atribuiu os créditos fotográficos ao seu "irmão siamês" Cândido Cunha.

Foto (e legenda): © Cândido Cunha / Valdemar Queiroz (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar. Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Guiné > Região de Tombali > Aldeia Formosa > Visita do General Spínola >  "Eu (o primeiro do grupo à esquerda a seguir ao sentinela) e o meu pelotão prestando honras militares ao General (ao centro) com o seu pingalim e à direita o comandante do quartel, na altura, mais conhecido pelo “Baga Baga”  [cmdt do BCAÇ 3852 (Aldeia Formosa, 1971/73), ten cor inf  José Fernando Oliveira  Barros Basto, que sucedeu ao o ten cor  inf António Afonso Fernandes Barata].

Foto (e legenda): © Jaoquim Costa (2021). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]





Joaquim Costa, ex-fur mil Armas Pesadas Inf, CCAV 8351/72,
"Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74


A roupa do Furriel pequenina: o cheirinho a lavdo e engomado

por Joaquim Costa


 Com a nossa chegada a Aldeia Formosa as mulheres locais acorreram em grupos à procura dos “periquitos” oferecendo os seus préstimos para a lavagem da roupa.

O dia da lavadeira era o mais esperado da semana no quartel. Vinham em rancho com os seus trajes coloridos, com a trouxa de roupa à cabeça e uma alegria contagiante nos rostos. Aguardavam impacientes junto ao sentinela a autorização para entrarem no quartel, o que geralmente acontecia ao meio da tarde, e era vê-las entrar em grande algazarra, de sorrisos rasgados, dispersando-se pelo quartel como rebanho comunitário acabado de chegar, do monte, ao povoado. (...)

Cada lavadeira lavava a roupa de vários militares mas nunca trocava uma única peça que fosse. Achava extraordinário como fixavam o nome de todos os militares e suas patentes. Mais extraordinário porque de 2 em 2 anos estes eram substituídos por outros, e assim sucessivamente ao longo dos anos. (...)

Certo dia, a minha lavadeira chegou com uma grande trouxa de roupa à cabeça lavada e já separada pelos diferentes donos. Colocou-a junta à porta da caserna dos furriéis e ficou à espera que aparecesse alguém para a entregar. Como não apareceu ninguém foi à procura. Entretanto, chega um colega que pega na trouxa e começa à procura, na tentativa de encontrar as suas peças. Deixou tudo numa grande desordem e não encontrou nada seu, nem podia já que esta não era a sua lavadeira.

Quando esta chega, quase ao mesmo tempo que nós (eu e mais dois camaradas, sem certezas julgo que o Carlos Machado e o António Gouveia), a rapariga fica muito preocupada e, ao mesmo tempo, indignada com o que fizeram à sua trouxa de roupa, desfazendo-se em desculpas com receio de ser despedida por desleixo.

Começámos a separar as nossas peças, tentando acalmar a simpática e eficiente lavadeira. Ela, um pouco mais calma e já com um sorriso nos olhos, tira as nossas mãos de cima da roupa e começa ela a distribuir: esta é do Carlos, esta é do António, esta é do furriel 'Pequenina'... esta é do Carlos, esta é do António, esta é do furriel 'Pequenina'….

Nem de propósito, este foi o dia em recebemos, pela primeira vez, a visita do “grande chefe” (General Spínola) a quem prestei honras militares com o meu pelotão com a farda bem lavada e engomada e o que fez Spínola retardar o gesto da continência,  dado o cheiro agradável a roupa lavada!... (**)

(Seleção, revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)

2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Como diz o Joaquim (que faz anos) as nossas lavadeiras na Guiné eram uma "instituição"... Quem é que não era sensível ao cheirinho a roupa lavada e engomada? ... Tanto mais que vínhamos do mato a "tresansar a merda"...

Não sei se a roupa do governador e com-chefe era lavada no rio Geba como a minha. Mas que ele andava sempre "impex", andava!...

Victor Costa disse...

Gostei, Joaquim.
Um Ab.V.C.