Guiné > Zona Leste > Setor L1 > Bambadinca > CCAÇ 12 (1969/71) > c. 1969 > Bar de sargentos: o fur mil armas pesadas inf, Luís Manuel da Graça Henrique, lendo um dos livros que trouxe consigo, da metrópole. Também assinava duas revistas, o "Comércio do Funchal" e, se não erro, o "Notícias da Amadora" ou "O Tempo e o Modo"...
Há anos que eu não revia esta foto dos meus tempos de Bambadinca... Ainda tinha uma vaga esperança de que este armário, atrás de mim, pudesse ser uma estante com livros... Mas, não: revendo-a, e analisando-a agora com mais atenção, verifico, desapontado, que se tratava de móvel de apoio ao bar... A parte de cima servia para guardar a parte mais preciosa da garrafeira do bar de sargentos: garrafas de uísque velho, conhaques... Livros, revistas e jornais, só os havia nos nossos quartos... Neste bar, passávamos uma boa parte dos nossos tempos livres: uns jogavam às cartas (king e lerpa, geralmente a dinheiro); outros preferiam, como eu, ficar nas horas mortas da noite a tocar e/ou a ouvir música, cantar, conversar, conviver, beber uns copos... As paredes deste bar, se falassem, teriam muitas histórias para contar... Era também a nossa sala de visitas... (LG)
Há anos que eu não revia esta foto dos meus tempos de Bambadinca... Ainda tinha uma vaga esperança de que este armário, atrás de mim, pudesse ser uma estante com livros... Mas, não: revendo-a, e analisando-a agora com mais atenção, verifico, desapontado, que se tratava de móvel de apoio ao bar... A parte de cima servia para guardar a parte mais preciosa da garrafeira do bar de sargentos: garrafas de uísque velho, conhaques... Livros, revistas e jornais, só os havia nos nossos quartos... Neste bar, passávamos uma boa parte dos nossos tempos livres: uns jogavam às cartas (king e lerpa, geralmente a dinheiro); outros preferiam, como eu, ficar nas horas mortas da noite a tocar e/ou a ouvir música, cantar, conversar, conviver, beber uns copos... As paredes deste bar, se falassem, teriam muitas histórias para contar... Era também a nossa sala de visitas... (LG)
Foto: © Luís Graça (2005). Todos os direitos reservados.
1. Resultados finais da sondagem sobre a ocupação dos tempos livres no mato (*), que decorreu de 18 a 24 de dezembro, e teve um total de 90 (noventa respostas). A pergunta admitia mais do que uma resposta: aliás, havia 20 hipóteses de resposta.
SONDAGEM > NO QUE DIZ RESPEITO À OCUPAÇÃO DOS 'TEMPOS LIVRES', NO(S) AQUARTELAMENTO(S) ONDE ESTIVE, LEMBRO-ME QUE... (PODES DAR MAIS DO QUE UMA RESPOSTA)
SONDAGEM > NO QUE DIZ RESPEITO À OCUPAÇÃO DOS 'TEMPOS LIVRES', NO(S) AQUARTELAMENTO(S) ONDE ESTIVE, LEMBRO-ME QUE... (PODES DAR MAIS DO QUE UMA RESPOSTA)
Formas de ocupação dos tempos livres no mato (n=90)...
Mais frequentes...
Lia e escrevia cartas e aerogramas > 50 (55%)
De preferência convivia com os meus amigos > 46 (51%)
De preferência petiscava e/ou bebia uns copos > 42 (46%)
Eu lia livros com alguma regularidade > 40 (44%)
De preferência ouvia música > 39 (43%)
Eu lia jornais/revistas com alguma regularidade > 37 (41%)
De preferência jogava às cartas > 36 (40%)
Levei livros para a Guiné > 29 (32%)
Assinava revistas/jornais > 16 (17%)
Não tinha nada para ler > 9 (10%)
Não sei / não me lembro > 1 (1%)
__________________
Nota do editor:
Levei livros para a Guiné > 29 (32%)
De preferência jogava à bola > 27 (30%)
De preferência convivia com a população da tabanca > 27 (30%)
Menos frequentes (n=90)...
Assinava revistas/jornais > 16 (17%)
Não tinha disposição para ler > 13 (14%)
Tinha um diário onde escrevia > 13 (14%)
De preferência dormia (por ex., a sesta) > 12 (13%)
Não tinha nada para ler > 9 (10%)
Fazia trabalho comunitário (escola, saúde, igreja...) > 9 (10%)
Não tinha tempo para ler > 7 (7%)
De preferência ia à pesca ou caça > 6 (6%)
Havia uma pequena biblioteca com livros > 5 (5%)
__________________
Nota do editor:
Vd. postes de:
10 comentários:
Caros camaradas
Parece não haver grandes surpresas.
Desde que foi possível dar respostas múltiplas ficou para mim natural que a questão do 'ler e escrever cartas e aerogramas' seria uma das actividades principais a par das 'petiscadas' e dos 'convívios'.
No entanto foi possível verificar que, ainda assim, houve um bom caminhar no sentido da leitura reflectiva e da formação.
Isso é perfeitamente perceptível não nas respostas ao inquérito mas mais nos depoimentos escritos que foram sendo enviados.
Abraços
Hélder S.
Fernando Costa
18/12/2013
Como era músico, participava em todas as festas de comes e bebes.
Carlos Nery
18/12/2013
Aí vai a minha resposta. Claro, já o disse, encenei, em Bissau, a peça A Cantora Careca, de Ionesco, antes de regressar, em 1970.
Abraços e Óptimo Natal!
CNery
António Estácio
19/12/2013
Caro Amigo Luís Graça.
Estimo-te bem, assim como a tua esposa, aos quais desejo, os votos de um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de prosperidades.
Sobre esta história de alojamento, com ou sem biblioteca, com dezenas de escapadelas e não sei mais o quê, vou deixar para quem teve a "sorte" de por lá andar, naqueles matos diferentes.
Olha amigo, vi à dias um site vosso, em que o Camarada José Martins se refere à Operação militar de XURO, que se desenvolveu na Guiné em 1914. Achei interessante e pedia-te, se me dizias de quem eram as fotos que lá vinham e em que todos elas, tinham a marca de:
@ José Henrique de Mello
Dado o interesse de pensar, que tem o seu modo de ser, gostaria de saber se posso recorrer a essas fotos, por forma a colocar no trabalho intitulado "Bolama - a saudosa ...", que há-de sair em breve (2014).
Sem mais me despeço desejando-te as melhores felicidades
António J. Estácio
Francisco Baptista
18/12/2013
Camarada Luís Graça
Era assim a minha vida, vida triste, vida pobre. Lia os rótulos das garrafas de cerveja e de whisky e lia a sorte nas cartas de jogar.
Um grande abraço
Francisco Baptista
Em Missirá eu e os meus Soldados líamos muito...principalmente Filosofia..
Abraço.
J.Cabral
... Na realidade, ao fim de seis vezes de intensa atividade operacional, senti que a minha capacidade de ler, escrever e pensar diminuiu consideravelmente...
Levei uma mala de livros para a Guiné, seria desonesto se vos dissesse que os li todos...
Caro Luís
Permite que brinque aqui contigo. Sabes quanto luto contra as tuas gralhas.
Vem a propósito do que escreveste no teu comentário:
Na realidade, ao fim de seis vezes de intensa atividade operacional, senti que a minha capacidade de ler, escrever e pensar diminuiu consideravelmente...
Achaste intensa a tua actividade operacional ao fim de seis vezes?
Julguei-te mais apto para a função.
Abraço
Carlos
Caro Luís
Permite que brinque aqui contigo. Sabes quanto luto contra as tuas gralhas.
Vem a propósito do que escreveste no teu comentário:
Na realidade, ao fim de seis vezes de intensa atividade operacional, senti que a minha capacidade de ler, escrever e pensar diminuiu consideravelmente...
Achaste intensa a tua actividade operacional ao fim de seis vezes?
Julguei-te mais apto para a função.
Abraço
Carlos
Carlos: ès danado para apanhar "gralhas" e eu soiu perito em cometê-las...
Sai uma(Er)rata contra a gralha: eu queria dizer "seis meses" e não "seis vezes", meu caro amigo e camarada Carlos... Boa continuação das festas... Luis
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