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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28072: Casos: a verdade sobre ...(73): A tragédia de Fajonquito, o "Dia Negro" de 2 de abril de 1972, domingo de Páscoa (Rui Oliveira, ex-fur mil trms, CART 2742 / BART 2920, 1970/72)




Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L2 > Fajonquito > CART 2742 > Domingo de Páscoa, 2 de abril de 1972. Os momentos dramáticos que antecederam a tragédia.

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Rui Osório Oliveira
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



1. Mensagem recebida através do  Formulário de Contacto do Blogger 

Data - 4 de junho de 2026 11:22 

Assunto - Narrativa da morte de vários elementos da CART 2742, em  02/04/1972

1.1. Era furriel de transmissões na CART 2742 e gostaria de enviar um documento com a realidade do que presenciei detalhadamente no trágico dia de 2 de Abril de 1972 onde morreram o capitão Borges de Figueiredo, o alferes Félix, o furriel Alcino Silva, e o soldado Almeida que originou o acidente.

Muito do que consta no blog sobre o trágico dia é FALSO (*)

Gostaria rectificar o evento com a minha narrativa (**).

Cumprimentos,

Rui Osório Oliveira, F.N. 07486708  | 
Endereço de email: (...)

Rui Osório  Oliveira 
IT Remote Worker
Vive na Murtosa
(Foto no Linkedin)

AC 101 517 505
ICT System Engeneering
ICT Functional Analysis
WEB.3 - Blockchain
New Business Development
UN Online Volunteer 2010 AWARD

1.2. BART 2920 – CART 2742 - O DIA NEGRO – Dia 2 de Abril de 1972, Domingo de Páscoa


Era habitual aos domingos jogarmos Poker de Dados, éramos 5 habitualmente, o capitão
 [Carlos Borges Figueiredo ], o sargento Moura, o alferes Félix, o furriel Alcino Silva e eu.

Já tinha decorrido algum tempo de jogo quando abruptamente a porta do bar foi aberta com violência. Era o já referido soldado Pedro Almeida, ex-comando, tinha sido expulso da sua unidade e colocado na nossa companhia, para seu castigo e nossa desgraça. 

Na sua mão esquerda tinha uma granada defensiva sem cavilha de segurança. De imediato nos levantámos e o Almeida só dizia: “Quero falar com o nosso capitão”, frase que repetia constantemente, sem uma palavra trocada entre nós, que estávamos a jogar. 

Fomos tentando acalmar o Almeida e instintivamente tentado nos afastar do bar e aproximar de uma saída, estávamos no meio dos corredores na posição que mostro no esquema que segue.


[ Infografia: Rui Osório Oliveira, 2026]


Quando da passagem pedonal se ouviu a voz de um soldado: "É preciso alguma coisa, meu  capitão ?". 

O Almeida, sem mover do sítio os pés, torceu o seu tronco em direcção à voz que se tinha ouvido, apontando com o seu braço esquerdo que segurava a granada e disse: "Ide embora que isto não é convosco, mas com o nosso capitão". 

Neste preciso momento, em que acabou a frase, deu-se a explosão da granada que ele, devido ao seu gesto. deve ter aliviado a alavanca de segurança provocando o seu despoletar. 

Após o primeiro impacto vi o capitão, o Félix, o Alcino e o Almeida por terra tendo tido morte instantânea, os corpos estavam completamente dilacerados, o sangue jorrava por todos os lados. 

No corpo do soldado Almeida havia um buraco em forma de semicírculo que ia da axila esquerda à anca esquerda curvando até á coluna vertebral. Foi este facto que salvou o sargento Moura, que teve unicamente escoriações, e a mim que tive escoriações também, mas em menor grau. Um estilhaço ainda permanece incrustado num osso na base esquerda da minha mão direita, outros tive no braço e na cabeça, mas desapareceram com o tempo.

Fiquei em estado catatónico, e a primeira pessoa a chegar foi o Cabrita Martins que, vendo o meu estado,  me deu um estalo e gritou: "Vai para o rádio e pede socorro". Assim fiz.

Não passou muito tempo quando chegou o general Spínola, de helicóptero, com a sua comitiva entre os quais um médico, que após uma rápida vista dos corpos, viu o sargento Moura e depois a mim, mandou-me tomar um Valium 10mg, só foi pena não me ter dito para não tomar bebidas alcoólicas, o que fiz até voltar para casa.

O general Spínola reuniu os que estavam presentes numa grande roda disse umas palavras de circunstância, alertou para o sucedido, agradeceu o nosso esforço e despediu-se, voltou para o helicóptero e foi embora com a comitiva.

Vi umas mensagens que, entretanto, tinham chegado e fui ao local do acidente onde se encontravam os enfermeiros,  ajudados por outros militares a transportarem o que restava
dos corpos para a enfermaria e posteriormente seguirem para Bissau.

Sei perfeitamente o que o soldado Pedro Almeida queria dizer ao acpitão, era que o deixasse ficar na tropa quando acabasse a comissão, por mais de uma vez o tinha feito anteriormente, mas o capitão nada podia fazer, após o que lhe tinha acontecido em Viana do Castelo, que levou o Almeida a ser expulso dos comandos e vir para a CART 2742. Com tal evento registado jamais poderia permanecer nas forças armadas.

Também sempre senti na pele que, pelo facto de dormir fora, numa moradia, com outro furriel, ter um laboratório de fotografia, e o capitão falar isoladamente comigo, criou um certo mal-estar, quanto à minha pessoa. Sentia-se constantemente algo no ar, no entanto realço que nunca senti qualquer diferença da amizade que me tinham e eu tinha por eles ou diferença de tratamento.

Ao fim da tarde desse dia fui para o bar do sr. Avelino, sentei-me numa mesa que estava num canto, virado para esse mesmo canto, pedi ao ajudante do sr. Avelino uma garrafa de whisky e bebi-a até ficar sem gota, não falei com ninguém, só me fui embora já era de madrugada e ninguém a não ser o sr. Avelino se encontrava no bar, nem na rua. 

Desde esse dia nunca mais consegui entrar à noite no quarto que partilhava com o Alcino Silva, passei a dormir em casa da Cristina, mulher de idade avançada, que me tratava da roupa, onde vivia também a Mimi, mulher linda, com quem eu ficava. 

Quando o acidente ocorreu faltavam cerca de 2 meses para o fim da comissão de serviço e regresso à metrópole. Foi um acidente que me traumatizou para toda a vida e que ainda hoje me vem frequentemente à memória e em pesadelos. 

Este acidente foi ainda mais penoso para mim, pelo simples facto de que o capitão, quando foi de férias pela primeira vez, chamou-me ao gabinete, e disse-me: "Dá-me o endereço de teus pais, porque  quero visitá-los". 

E assim fez, acompanhado de sua esposa, a dra.  Rosa Figueiredo, esta falava frequentemente com a minha mãe, dando notícias minhas, pois eu detestava escrever aerogramas, a tal ponto de alguém ter comunicado o facto ao comando militar de Bissau, tendo eu recebido uma missiva a mandarem-me escrever para a família, e continuar a fazê-lo regularmente sob pena de sanção disciplinar. 

Havia imensas hipóteses de contacto, para provocarem esta reacção, a minha família conhecia a família dos 2 majores do Batalhão  [BART 2920], e uma grande amiga de minha mãe conhecia o comandante do Batalhão, factos que só vim a constatar na altura em que vim férias, no Carnaval de 1971.

Há um hiato de tempo que permanece completamente em branco na minha mente, um período que vai desde este acidente e o já estarmos em Bissau para regressar à Metrópole.

Estava eu e o sargento Moura no Hotel que fica à esquerda de quem desce pela avenida
[da República, hoje av Amílcar Cabral], frente ao Palácio do Governador. Em dois quartos frente um ao outro, e de o Moura me ter pedido para o ajudar a conferir as contas da companhia, dado que conhecia os meus conhecimentos de contabilidade e já o tinha ajudado por diversas vezes anteriormente, dado que existia um erro no balanço final. Ajudei-o e não me lembro da continuação.

Recordo, sim, que eu me sentia mal da minha cabeça, descuidando por vezes a minha aparência. A última recordação da Guiné é de eu estar na 5ª Rep [ Café Bento]. a beber uma cerveja,  quando chegou ao meu lado um polícia militar, era periquito, notava-se pela farda e branquinho de pele, que me disse: “Meu Furriel,  peço-lhe que se recomponha e aperte os botões da camisa e endireite a gravata, senão sou obrigado a dar-lhe ordem de prisão”. 

Eu não disse nada, fiquei a olhar para ele, talvez com cara de parvo, quando vi alguém, um major do  [BART 2920] , chegar ao meu lado e dizer ao PM: “Você vai sair daqui imediatamente ou quem lhe dá ordem de prisão sou eu”. Recordo que ainda houve uma troca de palavras, mas o PM pôs-se na alheta.

O próximo facto de que me recordo, foi já no aeroporto de Figo Maduro, chegar ao pé da família e primos(as) Amaral, de Lisboa, lembro-me de ter entregado à Nanducha um ceptro
dos nativos guineenses. Fomos para um quartel junto ao aeroporto, desfardarmo-nos, vestimos a roupa civil e fui ter com a família, voltei para casa no Porto.

Passado uma prima disse-me: “Ó rapaz quando chegaste ao pé de mim, parecias um Zombie!”.

Este evento mudou completamente o meu mundo, e durante muitos anos ninguém notou, reparou ou analisou o que se passava. Quando tentava falar do que se passava comigo,
acusavam-se de ser solitário, “doido”, “maluco”, “parvo” e "deixa-te disso".

Certo dia numa visita de rotina à médica de família, a mesma notou que algo se passava comigo e perguntou-me o que se passava e o que se tinha passado na Guiné. Receitou-me
um calmante e sem me dizer nada enviou um pedido de agendamento de consulta de psiquiatria no Hospital Magalhães Lemos
 [HML].

Passadas umas semanas,  recebo um convocatória para me apresentar numa consulta no HML, estava nesse momento internado no Hospital Joaquim Urbano, nas infecto-contagiosas com um abcesso de 7 cm no fígado, tendo aí permanecido 1 mês e meio.

Levaram-me à consulta numa cadeira de rodas numa ambulância. No final da consulta receitaram-me Efexor e o psiquiatra comunicou-me que iam iniciar um processo de Stress Pós-Traumático de Guerra, e para avisar quando tivesse alta do Joaquim Urbano.

Assim fiz. Permaneci no HML em regime Ambulatório durante 11 meses e fui acompanhado durante 13 anos com consultas periódicas. 

Passados uns tempos e, após várias consultas no Hospital Militar e  Juntas Médicas, foi-me reconhecida em 29 de outubro de 2008  Deficiência de 39% das minhas capacidades de saúde mental, tendo como tal direito a uma Pensão de Deficiência do Exército via CGA  [Caixa Geral de Aposentações].

Passaram-se 10 anos e, em todas as tentativas do obter a situação do processo, sempre recebi a resposta de ainda não se encontrar finalizado. Nesta altura estava completamente
desaustinado e resolvi apresentar a minha situação no Portal da Internet do Provedor de Justiça, lembro-me do último parágrafo: “Penso que estão à espera de que eu morra para
não pagarem a Pensão a que tenho direito...”

Estávamos em outubro de 2018, no dia seguinte recebi um email do secretariado a comunicarem-me que sido iniciada a análise expedita do meu processo. Tendo na altura
recebido o conteúdo de uma cópia do processo da morte do capitão Borges de Figueiredo, alferes Félix, furriel Alcino Silva e soldado Almeida.

O que mais me custou foi ver os falsos testemunhos dados por vários elementos da companhia, nomeadamente sargento Moura, alferes Baltasar Gomes da Silva e mais um soldado de que não me recordo do nome, afirmando que eu não estava presente durante o acidente. 

Valeu o relatório efectuado por um membro da comitiva em que estava exarado que estava presente no momento acidente, tendo saído ileso unicamente com alguns estilhaços no braço direito que estava estendido, milagrosamente, devido ao facto de o corpo do soldado Almeida, dado que se tinha virado para o soldado que tinha falado, ter absorvido o impacto da granada, salvando igualmente o sargento Moura e  tendo este sofrido mais escoriações.

No dia 18 de novembro estava em Lisboa, dado que a minha irmã se tinha suicidado atirando-se para a Linha do Metro quando este ia a passar, tendo sido trucidada. Estávamos em casa de um familiar, e após os trâmites legais, identificação do corpo, levantamento dos seus pertences e cremação no cemitério de São João. 

Na viagem de regresso ao Porto no Alfa Pendular,  em determinada altura resolvi ligar o telemóvel e ver os emails recebidos, entre eles encontrava-se um da CGA, a dizer  que o processo tinha sido aprovado e que iria receber os retroactivos que tinha direito desde o início do processo até à data, passando a partir desse momento a receber a Pensão de Deficiente mensalmente via CGA.

Rui Osório Oliveira

(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, links: LG)

___________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. postes de:

16 de agosto de 2014 > Guiné 63/74 - P13505: Quem era, afinal, o cap art Carlos Borges de Figueiredo, cmdt da CART 2742 (Fajonquito, 1970/72), morto em 2/4/1972, num sangrento domingo de Páscoa? Bem como o infeliz sold Pedro José Aleixo de Almeida? (José Cortes / Luís Graça / Carlos 'Gomes' / Cherno Baldé / António Bernardo)

14 de Novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9041: Memórias do Chico, menino e moço (30): A propósito do poema K3, de Nuno Dempster: Relembrando dois malogrados capitães de Fajonquito, Carlos Borges Figueiredo (CART 2742) e José Eduardo Marques Patrocínio (CCAÇ 3549) (Cherno Baldé)


8 comentários:

carlos Ferreira disse...

Saudo o camarada que vem repor a verdade dos factos. Ainda é tempo para quem tiver correções a fazer por aqui no blog, as faça, pois tudo isto fica gravado para no futuro outros, que não viveram os acontecimentos, dissertem sobre o que se passou.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Inclino-me à memória dos nossos mortos de Fajonquito. E saúdo o Rui que, ao fim destes todos, sentiu necessidade de partilhar connosco, seus antigos camaradas de armas, a sua versão do que se passou naquele trágico domingo de Páscoa.

Tirando ele, já não deverá haver mais testemunhas oculares do ocorrido. O 1º sargento Moura já não deve estar entre nós, ou ,a ser vivo, então deve estar na casa dos noventas e tais.

Quem ainda pode estar vivo é o soldado que surgiu, inesperadamente, à porta do bar, e interpelou o capitão, acabando por ser involuntariamente o factor fortuito que distraiu a atenção do soldado Almeida.

Já convidei o Rui a sentir-se à sombra do nosso poilão. Faz-lhe bem. A ele e a nós.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Luís Graça (by email)
quinta, 4/06/2026, 15:26

Meu caro Rui, camarada: Fiquei vivamente impressionado com o seu testemunho. É o primeiro que recebo por quem esteve na hora e no sítio da tragédia, em Fajonquito, e sobreviveu. Vou publicar o seu depoimento e a recuperar alguns dos postes antigos que já aqui publicámos.

O Rui foi testemunha ocular dessa tragédia e isso dá muita força ao seu depoimento. Até agora, as versões que tínhamos recolhido no blogue (que já existe 2004!) provinham de camaradas que não estavam presentes na sala, a par de relatos transmitidos oralmente, rumores que circularam no quartel e na tabanca, etc.

O Rui afirma fazer do grupo dos cinco que jogava dados de poker no bar (incluindo o cap Borges de Figueiredo, o al Félix, o fur Alcino Silva e o 1.º srgt Moura). Os 3 primeiros morreram logo, juntamente com o sold Almeida.

E depois corrige pontos essenciais. Nas versões anteriores fala-se frequentemente em: duas granadas; invasão da secretaria; ajuste de contas premeditado, etc.

O Rui descreve outra cena: estavam no bar; o Almeida entra com uma granada na mão; quer falar com o capitão; ninguém discute; todos tentam acalmá-lo; a explosão ocorre quando Almeida roda o corpo para responder a um soldado que estava no exterior.

Esta descrição aproxima-se mais de um acidente durante uma situação de ameaça do que de uma execução fria, premeditada, deliberada. E o Rui explica bem por que é que só houve dois sobreviventes: você e o 1º srgt Moura. É uma explicação física plausível: o corpo do Almeida absorveu grande parte da projeção dos estilhaços.

E o trauma posterior parece-me autêntico. De resto, a parte que mais me impressionou, do depoimento, nem sequer é a descrição da explosão (que eu já conhecia), mas a descrição do inferno dos meses e anos seguintes.

Tudo isto forma um quadro coerente, a par da denúncia dos "falsos testemunhos" de outros camaradas (a terem ocorrido, como afirma, são graves, são a prova da cultura da mentira, do "faz-de-conta", do "nacional-porreirismo", etc., que infelizmente predominava na tropa, no nosso tempo).

Vou publicar ainda hoje ou amanhã o seu texto com uma introdução deste género: o depoimento agora recebido do ex-furriel de transmissões Rui Osório Oliveira constitui, até onde sabemos, a primeira narrativa detalhada de uma testemunha que afirma ter estado presente no momento da explosão que vitimou o capitão Carlos Borges de Figueiredo, o alferes José Fernando Rodrigues Félix, o furriel Alcino Franco Jorge da Silva e o soldado Pedro José Aleixo de Almeida. Sem pretender encerrar o debate nem substituir outras versões anteriormente publicadas, este testemunho acrescenta elementos novos e relevantes para a reconstituição de um dos episódios mais trágicos ocorridos no subsector de Fajonquito. Como sucede frequentemente com acontecimentos traumáticos, poderão coexistir memórias divergentes. O valor histórico destes testemunhos reside precisamente na sua preservação e confronto crítico.

O Rui fica desde já convidado a integrar a nossa tertúlia (a Tabanca Grande): entre vivos e mortos somos 914, a nossa única missão é partilhar memórias (e emoções) como camaradas que fomos no CTIG (entre 1961 e 1974).

Vi (e apreciei ) o seu CV no Linkedin.

Um alfabravo (ABraço), Luís Graça

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Há aqui um erro que vou ter de corrigir no "boneco": subsetor de Fajonquito não pertencia so Sector Norte, mas sim, Sector Leste, L2 (Bafatá). Incluía ainda os subsetores de Bafatá, Geba e Contuboel.

Anónimo disse...

Virgílio Teixeira
Caro Rui Oliveira
Li com muito interesse este poste da desgraça de Fajonquito.
Não sabia e choca ler estas coisas do carigo.
Felizmente alguém se safou para comentar agora na primeira pessoa.
Só posso lamentar.

Fiquei agarrado a este acontecimento, devido às voltas que o processo seguiu no HFA. Mas acabou bem.
Quase parece uma cópia do que eu passei.
O médico de família farto de me aturar, passou um modelo 1 e fui ter ao HML isto em 2006.
Após um ano de testes, psicólogo e psiquiatra, o primeiro parecer documentado no mod 2, foi dado o parecer negativo por não se provar o nexo causa-efeito.
Em parte porque como dizes a malta testemunhas ouvidas ao longo de 4 anos, pessoas que sabiam de tudo sobre a minha vivência diária acabam por se descartar não conhecendo os factos e alguns nem me conheciam e estavam todos os dias comigo!
Esta longa história de mais de 20 anos é impossível descrever por isso vou sintetizar.
Tenho centenas de documentos e pareceres, centenas de e-mails e cartas registadas, acho que escrevi desde o porteiro da centro de saúde até aí PR, passando pelas capelinhas todas. Não vou maçar ninguém.
Todos remetiam para outros, secções e médicos hospitais, juristas e não conseguia chegar onde queria.
Passados anos e como não concordava com nada, chego ste à JMR - Junta médica de recurso, fui para Lisboa no HFA lá para os ULMEIROS!
NÃO consegui tudo, a Junta era presidida por um General da FA, I. Um Coronel do exército e outro da marinha.
Após longas discussões, eu contra 3 altas personalidades, todos médicos queriam que eu tomasse conhecimento e assinasse uns papeis, que eu linearmente recusei..
Ao fim de horas de impasse, chegando a declarar alto e bom som, que não reconhecia competência aquelas pessoas, pelo facto de nenhum deles ter estado em guerra.
Bom vai seguir o resto, isto é muito longo e complicado.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Dá muito trabalho "sacar", da IA, uma boa ilustração gráfica. Só ao fim de 3 ou 4 tentativas, as coisas saiem bem. E mesmo assim há detalhes técnicos que escapam. Por exemplo, nesta "recriação artística" da cena fatal, o soldado que está de costas leva na mão uma granada defensiva, russa, de fragmentação, a F1, usada pelo PAIGC, não pelas NT.

Anónimo disse...

Regressando à história incrível, sem fim à vista.
Nessa JRFA, na Azinhaga dos Ulmeiros, combinamos, para eu assinar os papeis que teria uma desvalorização psicológica de 30 %, devia receber uma cópia da acta, que não podiam dar, mas sendo que a mencionada desvalorização não tinha o tal 'nexo de causa - efeito, por isso não seria qualificado como DFA.
Isto foi em 28JAN2016, um dia antes de completar 73 anos.
Tinham passado 10 anos de guerra em especial entre 2011 e 2016, naqueles anos da TROIKA, quando estou a iniciar o meu' livro não editado ' que chegou quase a 3000 páginas.
Aí descarreguei toda a minha raiva, nojo pelos intervenientes, a magua, a minha grande revolta que veio a culminar em aumento do PPST, a agressividade, b, descontrolo total das minhas funções, o rancor que guardei disto tudo...
Continuei a enviar reclamações para tudo o que se meche, perdi as estribeiras confesso!
Fui lutando por todos os ângulos, nunca pedi nada a ninguém, só pedia justiça.
O estado sempre respondia com uma palavra que passei a odiar 'REITERAMOS... etc.
Neste período ainda arranjei mais uns problemas de saúde e resolvi ir a uma JMAI, QUE veio a conceder me 52 % de invalidez, sendo o que pesava mais eram os 30% das FA.
MAS isto não me dava grandes benefícios, voltei no ano seguinte em Nov de 2019 com um relatório médico do Centro de saúde e a junta nem pestanejou e saí de lá com 62%, o que veio a dar benefícios razoáveis no que toca ao IRS. Foi o meu ganho com tudo isto.
Agora tenho marcada nova JMAI. Com o relatório oncológico que apareceu em 2021.
Nunca fiquei satisfeito, e assim continuei a enviar pelo menos mensalmente, mais e-mails que são dirigidos a pelo menos 10 entidades e as respostas são sempre as mesmas.
Hoje, já que estou com a mão na massa, vai seguir outro, pode ser que o novo PR tenha outro entendimento. E será assim até ter forças.
Como diz o nosso camarada Rui, eles estão à espera da morte para nada pagarem como DFA.
São incontáveis as peripécias deste escabroso caso, só porque fiz tudo sozinho sem apoio de ninguém, pelo contrário com desapoio daqueles que deveriam confirmar as minhas queixas, mas preferiram passar ao lado.
Diga se que as testemunhas chamadas não foram as melhores, não sei como foram chamadas militares que nunca estiveram comigo...
Termino com um abraço ao Rui Oliveira, também meu conterrâneo do Porto
Ab
Virgílio Teixeira

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Alegadamente por razões éticas, a IA recusou-se a satisfazer o meu pedido de ilustração da tragédia.

Negociámos uma alternativa: a cena que antecede a explosão. A interpretação da IA foi livre. Foram descurados certos pormenores. Por ex, a granada não é das nossas, e aparece na mão direita do soldado que está de costas, em primeiro plano ( quando deveria ser na esquerda, de acordo com a versão do Rui). Corrigi alguns detalhes: o soldado por exemplo trazia divisas de alferes... As fardas não são as nossas, etc. Mas dou isso de barato.