Foto nº 1 e 1A > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Bambadinca > BART 2917 (1970/729 > Março de 1972 > Carreira de tiro > Da direita para a esquerda:
(i) na primeira fila: o Comandante do CAOP 2, o General Spínola, e o ten cor Polidoro Monteiro (comandante do BART 2917);
(ii) atrás, na segunda fila, o Paulo Santiago (,de bigode e óculos escuros), o ten-cor Tiago Martins (comandante do BART 3873,que foi render o BART 2917). e o antigo administrador do oncelho de Bafatá, o então intendente Guerra Ribeira (de seu nome completo, Manuel da Trindade Guerra Ribeiro. natural de Chaves) (*).(vd. Foto nº1-A).
Foto nº 2 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > BART 2917 (1970/729 > Março de 1972 > Carreira de tiro > Em primeiro plano, dois civis, da administração ultramarina sendo o segundo o intendente Guerra Ribeiro (o primeiro pode ser talvez o chefe de posto de Bambadinca) no meio de militares, com o gen Spínola ao centro; ao fundo, à direita o nosso grã-tabanqueiro Paulo Santiago, na altura instrutor e comandante de companhia de milícias.
Fotos (e legendas): © Paulo Santiago (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Vd. também na RTP Arquivos o vídeo (5'14') (sem som, a preto e branco) , "General António de Spínola, Governador Geral da Guiné Bissau, visita campo de instrução de milícias em Bambadinca, na Guiné Bissau" (passou na RTP, no noticiário nacional, em 24/10/1971).
Resumo Analítico (revisto e melhorado, RTP/LG):
(i) lápides e monumentos em memória de soldados mortos em combate colocados junto ao pau da bandeira e em frente ao edifício da escola local, pertencentes a várias unidades e subunidades que passaram por Bambadinca: CCAV 678 (1964/66), BCAÇ 1888 (1966/68), Pel Mort 1192 (1967/69), BCAÇ 2852 (1968/70), Pel Mort 2106 (1969/70), CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (0'-23'');
(ii) helicóptero aterra; general Spínola (com o seu ajudante de campo, cap cav Lourenço Fernandes Tomás), desce do helicóptero e cumprimenta militares (24''-30'');
(iii) população local assiste à chegada do Governador e acompanha-o, saudando-o efusivcamente (31''- 38'');
(iv) Spínola dirige-se às milícias formados em parada; é acompanhado pelo cmdt do BART 2917, ten cor Polidoro Monteiro e pelo intendente Guerra Ribeiro; milícias apresentam armas; Com-chefe em continência perante a parada e a passar revista às tropas; população aplaude (39'' - 1' 04'');
(v) general Spínola e individualidades militares na tribuna de honra; desfile militar; militares realizam exercícios físicos com arma e exercícios de obstáculos (1' 05'' - 1' 32'')
(vi) comitiva dirige-se à carreira de tiro (perto do destacamento da ponte do rio Udunduma, na estrada Xime-Bambadinca (alcatroada); milícias desmontam e montam a G3; General Spínola observa os militares durante o exercício; militares praticam tiro ao alvo e fazem fogo com morteiro 60 e LGFog; vista do campo de tiro (pareço reconhecer o José Luís Vacas de Carvalho, junto aos milícias que operam a bazuca, ele seria, na altura, o oficial de tiro) (1' 33 - 2' 03'');
(vii) visita as obras de construção da nova ponte do rio Udunduma; milícias simulam operação de guerra com progressão no mato (2' 04'' - 2' 50'');
(viii) regresso a Bambadinbca; Spínola e demais individualidades, militares (ten cor Polidoro Monteiro, major Carlos Fabião, cmdt do CAOP2 / Bafatá, ajudante de campo de Spínola...) e civis (intendente Guerra Ribeiro) percorrem o recinto e entregam ofertas aos mílicias; alguns são graduados; vista geral do recinto (2' 51'' - 3' 40'');
(ix) General Spínola e individualidades locais, apoiantes da "causa nacional" (incluindo o régulo de Badora) discursam (sem som) (3'41'' - 4' 13''):
(x) parte final: desfile militar; General Spínola conversa com militares, dirige-se para o helicóptero e despede-se; helicóptero descola (4'14'' - 5' 14'').

Guiné > Região do Cacheu > Outubro de 1964 > Tabanca de Caboiana > O chefe de posto do Cacheu, mais duas senhoras: (i) a esposa do chefe de posto; e (ii) a esposa do tenente [que o autor não diz quem é; seria o comandante do Pel Caç Ind 953, a quem o 1º cabo António Paulo Bastos pertencia?]
Foto (e legenda): © António Bastos (2015). Todos os direitios reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Acrescente-se que esta gente tem sido ignorada por nós, aqui no blogue, e sobretudo pelos historiadores académicos. Temos falado pouco destes homens que, de resto, conviviam pouco ou nada connosco, militares. Mesmo sendo nossos vizinhos... E, temos que o reconhecer, foram "maltratados" depois da descolonização. Como sendo os "maus da fita", a começar pelos cabo-verdianos, que levaram com o "rótulo" de "turras"; outros, os régulos, os cipaios, os milícias, etc. , "cães dos colonialistas".
Mais de meio século depois, está na altura de rever o discurso da "diabolização colonial" e da "hagiografia revolucionária". Por exemplo, Amílcar Cabral tinha um ódio de estimação ao António Carreira que foi administrador colonial, funcionário da Casa Gouveia e grande etnógrafo, estudioso da história e da sociedade tanto da Guiné como da sua terra, Cabo Verde...
Na Guiné (tal como em Angola ou em Moçambique), o administrador de circunscrição e o chefe de posto não eram apenas burocratas (nem muito menos pequenos déspotas). Em vastas regiões do interior eram simultaneamente representantes do governo, gestores de conflitos, magistrados, coordenadores de obras públicas, recrutadores de mão-de-obra, coletores de impostos, responsáveis pelo recenseamento, interlocutores dos régulos e, por vezes, a autoridade mais visível do Estado (embora, com a guerra, suplantados pela tropa).
Além disso, não eram todos "maus, racistas e colonialistas"...
Essa dimensão, prática, quotiana, de "interface", ajuda a compreender porque tantas memórias locais (leia-se o nosso António Rosinha, o nosso Cherno Baldé...) ainda hoje recordam "o administrador" ou "o chefe de posto" pelo nome próprio. Por boas ou más razões... Guerra Ribeiro e António Carreira, por exemplo, são dois nomes que nos vêm à memória. O primeiro transmontano, o segundo cabo-verdiano.
E ainda há dias falámos aqui do caso do Agnelo Macedo (1925-1972), chefe de posto de Catió, vítima de perseguição política, preso pela PIDE em 1962/63, detido na Ilha das Galinhas e transferido compulsivamente para Moçambique.
No ultramar português, os administradores de circunscrição (ou de concelho) e os chefes ( ou administradores) de posto pertenciam a uma carreira específica da Administração Civil Ultramarina, integrada no funcionalismo público do Ministério do Ultramar e, portanto, distinta das carreiras da função pública na metrópole.
O recrutamento, a progressão e as atribuições destes funcionários eram regulados por legislação própria, nomeadamente pelo Estatuto do Funcionalismo Ultramarino e pelos diplomas orgânicos dos Serviços de Administração Civil.
A hierarquia administrativa estruturava-se, de forma simplificada, da seguinte maneira:
Ao longo do século XX, o acesso à carreira passou a estar fortemente associado à formação ministrada pela:
O recrutamento, a progressão e as atribuições destes funcionários eram regulados por legislação própria, nomeadamente pelo Estatuto do Funcionalismo Ultramarino e pelos diplomas orgânicos dos Serviços de Administração Civil.
A hierarquia administrativa estruturava-se, de forma simplificada, da seguinte maneira:
- Aspirante administrativo; categoria de ingresso na carreira, destinada aos candidatos em fase de formação e aprendizagem prática;
- Administrador de posto ( tradicionalmente designado por chefe de posto): responsável pela unidade administrativa básica, assegurando o contacto direto com as populações, as autoridades tradicionais e os serviços locais do Estado;
- Administrador de circunscrição ou de concelho: encarregado da administração de uma área territorial mais vasta, coordenando vários postos administrativos e exercendo amplas funções de governo local;
- Intendente de distrito e inspector administrativo: categorias superiores, responsáveis pela coordenação, fiscalização e orientação dos serviços administrativos;
- Inspector superior de administração ultramarina: um dos patamares mais elevados da carreira.
Ao longo do século XX, o acesso à carreira passou a estar fortemente associado à formação ministrada pela:
- Escola Colonial (criada em 1906 e instalada na sede da Sociedade de Geografia de Lisboa);
- posteriormente Escola Superior Colonial (a partir de 1926/27) (em 1933 passa a ocupar o Palacete dos Anjos, no Príncipe Real, ficou mais diretamente dependente do Ministério das Colónias);
- Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (ISEU) (a partir de 1954, integrando-se na Universidade Técnica de Lisboa com o início da guerra colonial em 1961);
- e, mais tarde, Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (ISCSPU) (1962-1974 (quando passa a ocupar o Palácio Burnay, na Rua da Junqueira);
- e finalmnete, com o 25 de Abril, ISCSP - Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP / UL).(em 2001 mudou-se para o Campus da Ajuda).
Claro que hoje não é mais a escola de quadros da administerçáo colonial, já que Portugal "liquidou" o seu velho império... A instituição, que comemora 120 anos, nasceu por decreto de 18 de janeiro de 1906, durante a monarquia constitucional, no reinado de Dom Carlos, inserindo-.se a sua criação no movimento europeu de profissionalização da administração colonial, semelhante ao que existia, de resto, em países como a França, a Bélgica ou o Reino Unido.
O curso de Administração Colonial (e depois ultramarina) procurava preparar os futuros administradores para lidar com as realidades políticas, jurídicas, económicas, sociais e culturais dos territórios do Ultramar, muito diferentes das da Metrópole.
Entre as disciplinas lecionadas nesta escola de quadros da admistração colonial (e, depois, de 1951, ultramarina) encontravam-se o Direito Administrativo e Colonial, a Administração Colonial, a Antropologia, a Etnografia, a Geografia Económica, a História da Expansão Portuguesa, a Higiene Tropical, Línguas Africanas e Orientais, e outras matérias ligadas às sociedades africanas e asiáticas.
O curso de Administração Colonial (e depois ultramarina) procurava preparar os futuros administradores para lidar com as realidades políticas, jurídicas, económicas, sociais e culturais dos territórios do Ultramar, muito diferentes das da Metrópole.
Entre as disciplinas lecionadas nesta escola de quadros da admistração colonial (e, depois, de 1951, ultramarina) encontravam-se o Direito Administrativo e Colonial, a Administração Colonial, a Antropologia, a Etnografia, a Geografia Económica, a História da Expansão Portuguesa, a Higiene Tropical, Línguas Africanas e Orientais, e outras matérias ligadas às sociedades africanas e asiáticas.
Diferentemente de um funcionário administrativo da metrópole, o administrador ultramarino acumulava frequentemente funções de:
- representação do Estado;
- administração local;
- polícia administrativa;
- recolha de impostos;
- recenseamenmto da população;
- coordenação de serviços públicos;
- relacionamento com as autoridades tradicionais, etc.
2. Outro tema a explorar no nosso bloguye seria o desenvolvimento da etnografia / antropologia coloniais já no séc. XX... Vários administradores coloniais portugueses atuaram também como antropólogos ou etnógrafos.
Durante o século XX, a própria administração ultramarina incentivava estes funcionários a recolher dados culturais e físicos para melhorar o controlo e a governação das populações locais.
A partir de 1945, por exemplo, o concurso para administrador de circunscrição passou a exigir obrigatoriamente a apresentação de uma "monografia etnográfica original".
Um dos momes mais conhecido é o do cabo-verdiano António Carreira (que tem mais de 45 referências no nosso blogue). Foi mais tarde funcionário da Casa Gouveia e, ao que parede, injustiçado (e até diabolizado) na história do 3 de Agosto de 1959 (o chamado massacre do Pidjiguiti).
António Barbosa Carreira nasceu na Ilha do Fogo, em 1905. Morreu em Lisboa, aos 82 anos, em 1988.
3. Fontes a consultar (legislação e regulamentação) | Sitografia:
Decreto n.º 44 241, de 19 de março de 1962: Orgânica dos Serviços de Administração Civil do Ultramar > Define a hierarquia do quadro administrativo (inspectores, intendentes, administradores de circunscrição e de posto).
Decreto n.º 46 982, de 27 de abril de 1966: Aprova o novo Estatuto do Funcionalismo Ultramarino.
Decreto n.º 48 792, de 24 de dezembro de 1968: Reorganização dos serviços de administração civil e atualização das categorias administrativas.
História institucional do atual ISCSP, herdeiro da Escola Colonial (1906), Escola Superior Colonial, ISEU e ISCSPU. A ligação da escola à formação dos quadros administrativos ultramarinos está bem documentada.
______________
Nota do editor LG:
(*) Vd. poste de 21 de março de 2013 > Guiné 63/74 - P11288: (De) caras (13): Guerra Ribeiro, natural de Bragança: de administrador colonial no tempo do Schulz a intendente no tempo de Spínola (Paulo Santiago / Cherno Baldé / António Rosinha)
(...) No poste P11281 (...) fala-se do Guerra Ribeiro, Administrador de Bafatá. Conheci a pessoa num dia em que apareceu no Saltinho,e lá pernoitou.
Mais tarde, apareceu em Bambadinca na cerimónia de encerramento do curso de Milícias. Nesta altura, já não era Administrador, era Intendente, e penso que estava em Bissau, mas sei muito pouco sobre estes cargos da Administração Civil.
(...) Voltei a Bambadinca em Janeiro de 72 e, durante o novo curso de milícias, tive duas visitas do Com-Chefe, uma aí pelo meio e a outra no final tendo, desta vez, sido cumprido todo o programa de encerramento, que incluiu uma deslocação de viatura à carreira de tiro, que ficava para lá do destacamento da Ponte de Udunduma, a caminho do Xime. (...)
Nas fotos juntas, Março de 72, aparece o então Intendente Guerra Ribeiro. Na primeira, é a pessoa de farda amarela, atrás do Polidoro Monteiro e do Spínola. Na segunda, está a olhar para o lado esquerdo, e vê-se, também fardado,um outro elemento da Administração Civil que não sei quem é. (...)
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Nota do editor LG:
(*) Vd. poste de 21 de março de 2013 > Guiné 63/74 - P11288: (De) caras (13): Guerra Ribeiro, natural de Bragança: de administrador colonial no tempo do Schulz a intendente no tempo de Spínola (Paulo Santiago / Cherno Baldé / António Rosinha)
(...) No poste P11281 (...) fala-se do Guerra Ribeiro, Administrador de Bafatá. Conheci a pessoa num dia em que apareceu no Saltinho,e lá pernoitou.
Mais tarde, apareceu em Bambadinca na cerimónia de encerramento do curso de Milícias. Nesta altura, já não era Administrador, era Intendente, e penso que estava em Bissau, mas sei muito pouco sobre estes cargos da Administração Civil.
(...) Voltei a Bambadinca em Janeiro de 72 e, durante o novo curso de milícias, tive duas visitas do Com-Chefe, uma aí pelo meio e a outra no final tendo, desta vez, sido cumprido todo o programa de encerramento, que incluiu uma deslocação de viatura à carreira de tiro, que ficava para lá do destacamento da Ponte de Udunduma, a caminho do Xime. (...)
Nas fotos juntas, Março de 72, aparece o então Intendente Guerra Ribeiro. Na primeira, é a pessoa de farda amarela, atrás do Polidoro Monteiro e do Spínola. Na segunda, está a olhar para o lado esquerdo, e vê-se, também fardado,um outro elemento da Administração Civil que não sei quem é. (...)
(**) Último poste da série > 19 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28114: Documentos (64): A Última Operação: Retirada Final – Ordem nº 1/74: Retirada da Guiné em 15 de outubro de 1974 (Luís Gonçalves Vaz, filho do Cor Cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (Barcelos, 1922- Braga, 2001), último Chefe do Estado-Maior do CTIG, 1973/74)


6 comentários:
O portal RTP Arquivos é um dos maiores e mais ricos repositórios da memória coletiva e do património audiovisual em Portugal.
É difícil de dizer, com precisão, qual o volume do acervo hsitórico da RTP. Sabe-se que o arquivo físico e digital total da RTP compreende centenas de milhares de documentos acumulados desde o início das emissões regulares da rádio (1936) e da televisão (1957). incluindo uma coleção fílmica de cerca de 310 mil documentos depositada no ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento).
O portal público "online" funciona através de uma disponibilização progressiva. Atualmente, a plataforma "online" (e a respetiva aplicação) disponibiliza cerca de 40 a 50 mil registos integrados e validados. Mas todos os meses são adicionados novos conteúdos.
O acervo aberto à consulta divide-se de forma transversal entre: (i) vídeos (programas, telejornais, documentários): (ii) áudios (registos radiofónicos históricos); (iii) fotografias e textos de enquadramento (incluindo o "resumo analítico" dos vídeos).
Não estão em "Open Access" (Acesso Aberto). Mas a RTP Arquivos permite a sua consulta pública e gratuita, sob o regime jurídicos de "Direitos Limitados".
No caso do presente vídeo (sem som, como muitos outros da época...), limitamo-nos a pôr o respetivo link, náo podemos incorporar o ficheiro... Depois de visualizado, melhorámos substancialmente o chamado "resumo analítico". Quem esteve na Guiné, durante a guerra colonial, pode ajudar a rever e melhorar as sinopses que são disponiblizadas, identificando os lugares, as personalidades, os acontecimentos, etc. Dá trabalho, mas também é serviço público!...Os antigos combatentes têm o direito e o dever de memória.
Pensava ter "reconhecido" o Paulo Santiago, neste vídeo de 24/10/1971, mas não, era era nem podia ser ele (garante-me ele ao telefone)...
Eis o que ele aqui já escreveu sobre os seus encontros com o gen Spínola no CIM de Bambadinca e no Saltinho:
(...) Quando da minha estadia em Bambadinca, estive três vezes com o Gen Spínola.
Em 24 de Dezembro de 1971, houve o encerramento do primeiro curso de Milícias em que fui comandante da companhia, havia um longo programa que foi reduzido à formatura e ao discurso.
Este discurso, frente à companhia, formada no campo de futebol, e com população a toda a volta, era um espectáculo bem encenado... o General proferia uma frase, parava, e o intérpete balanta reproduzi-a, seguia-se o fula, e por último o mandinga.
Neste dia 24 de Dezembro tive a sorte de uma das visitas de Natal programadas ser ao Saltinho, e assim apanhei uma boleia inesperada.
Voltei a Bambadinca em Janeiro de 72 e, durante o novo curso de milícias, tive duas visitas do Com-Chefe, uma aí pelo meio e a outra no final tendo, desta vez, sido cumprido todo o programa de encerramento, que incluiu uma deslocação de viatura à carreira de tiro, que ficava para lá do destacamento da Ponte de Udunduma, a caminho do Xime.
Na visita que o General fez a meio do curso, lembro-me que uma das coisas que queria saber era o comportamento do Fafe Nkumba, um ex-chefe de bigrupo [do PAIGC], que fora ferido e capturado, e que estava destinado a ser comandante do pelotão que iria ser colocado na Ponte Luís Dias.
O Fafe era maneta, ficara sem a mão e antebraço direitos, devido aos ferimentos.
Voltei ao Saltinho, já com a CCAÇ 3490, de má memória, e um dia pela manhã, aparece por lá o Caco.
Além de mim, que era do Pel Caç Nat 53, no quartel só se encontrava um oficial daquela companhia, um Alferes que queria apanhar uma hepatite e começava o dia a beber uma bazuca acompanhada por uma banana.
Naquele dia a causa da visita era uma carta de um soldado a queixar-se do rancho, no que tinha toda a razão, acrescento.
No fim da visita o vaguemestre tinha deixado de o ser, e o Cap Ayala Botto [, ajudante de campo do Spínola,] levava um apontamento para convocar o Cap Lourenço, mal este chegasse de férias da Metrópole.
A mês e meio de acabar a comissão, recusei-me a cumprir uma ordem estapafúrdia do Lourenço. Ameaçou-me com uma porrada, e arranjei uma consulta de urgência na psiquiatria. Claro que nem sequer entrei no hospital, fiz uns contactos, livrei-me da porrada.
Terminando, gostei do MILITAR que foi meu Comandante-Chefe, e está tudo dito.(...)
Paulo, não haverá para aqui uma confusão de datas ? Este vídeo (de 24/10/1971) diz respeito, não há dúvida, ao encerramento de um curso de milícias...Terá sido o primeiro ?Ou o que anteceu o "teu" primeiro, como instrutor e cmdt de companhia que, esse, simn, terminou na véspera de Natal (24/10/1971).
As fotos que em tempos me mandaste na carreira de tiro são de março de 1972, fim do "teu" 2º curso... É isso ?
Ainda não encontrei nenhum vídeo no portal da RTP Arquivos com o tal vídeo deste final de curso (março de 1972), e que o teu pai terá visto na altura, na RPT.
Revendo com mais atenção o vídeo de 23/10/1971, o alferes que aparece aos 57'', a passar revista à formatura, atrás do Spínola, não és tu, embora esse alferes (possivelmente o comandante da companhia de mílicias, também usasse bigode). Quem seria = Le,mbras-te do nome do teu antecessor ?
As fotos tuas que tenho com o Spínola no CIM de Bambadinca são de 24/12/1971 e depois em março de 1972, na carreira de tiro. Bate certo com o que tu contas. Estiveste no CIM de Bambadinca no último trimestre de 1971 (mas não no 3º) e no primeiro de 1972.
Não se vive sem memória.
E em Bissau esse administrador Guerra aqui mencionado era muito relembrado em Bissau por brancos e pretos de todas as cores no tempo de Luís Cabral presidente em 1980.
Como conheci ou vi junto a mim muitas dezenas de Chefes de Posto e Aspirantes em Angola, tanto em cidades como em cus de judas, fiquei com uma ideia muito optimizada sobre essa classe de "colonialistas", a partir dessa minha estadia em Bissau ao ouvir falar constantemente desse Guerra em Bissau em 1980 com Luis Cabral no comando.
Como o povo em Bissau nesse tempo vivia muito desiludido com tudo, ((além de desemprego geral, era a cidade muito suja, a câmara não limpava, falha de água, de luz,...desordem geral) era constante ouvir que fazia falta esse tal Administrador Guerra.
E Luís Cabral teve atitudes que nem a qualquer Guerra do tempo colonial lembraria de tomar.
Por exemplo, mobilizar camiões da tropa e outros, e com força policial enche-los de centenas de jovens que deambulavam pelas ruas de Bissau, saídos das suas tabancas de norte sul este e oeste, sem perspectivas de vida e recambiá-los para a tabanca com umas "palmadinhas" nas costas.
Luís Graça, a colonização nossa era feita praticamente apenas por essa gente Administrativa espalhada pelos cus de judas, os Chefes de posto, isolados com dois cipaios (2), um deles levava e trazia a pé a correspondência até o Administrador de circunscrição respectivo, era a tarefa principal desses guardas.
Anexo à residência havia uma minúscula prisão com uma porta e sem janela, para um dois ou três indígenas se fosse necessário.
Havia a opção da palmatória em vez da prisão, igual à das nossas escolas de aldeia, conforme a opinião dos sobas.
Estou a falar de coisas de antes da guerra e sem civilização europeia e pós pacificação, e de coisas depois da guerra e já com a civilização não africana nem do Estado Novo.
Rosinha, gosto da tua franqueza, falas bruto e feio, à boa moda de quem andou na escola da vida... O que contas, não vem no "Diário do Governo", agora "Diário da República"...nem visão idílica das histórias de vida dos "africanistas"...
Sem dúvida, foram estes homens (não havia mulheres lá nos "cu de Judas"...), que durante séculos exerciam a soberania, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o mesmo é dizer, mandavam em nome da lei e da grei...E tinham de traduzir os decretos e regulamentos escritos no Terreiro do Paço para o crioulo, o patoá, o tétum, o concanim, o fula, o balanta, o quimbundo, o ronga, e os demais dialetos (centenas...) que se falavam do Minho a Timor...
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