Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28254: Manuscrito(s) (Luís Graça) (292): talvez um dia


Lourinhã > Praia da Areia Branca - GAPAB - Grupo dos Amigos da Praia da Areia Branca > Varanda do Vigia > 9 de agosto de 2026, 20:26 > Pôr do sol. Ao fundo, do lado direito as Berlengas e o cabo Carvoeiro.

Foto (e legenda) © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & camaradas da Guine]


Talvez um dia

por Luís Graça


talvez um dia o sol 
volte a girar à volta da terra

talvez um dia a gente não aguente
a fé inabalável na ciência

talvez um dia tu percas a fé 
e a decência 
e o controlo dos esfíncteres 

talvez um dia Galileu Galilei jure que não 
e o Ptolomeu diga que sim, 
muito simplesmente

talvez um dia tu caias na armadilha, 
antipessoal, 
de querer viver (e)ternamente 

talvez um dia se descarte, 
afinal, 
a dúvida metódica de Descartes 

talvez um dia a gente se desidrate 
até à útima gota 
d'água 

talvez um dia o sol 
caia
a pique 
sobre
a tua
cabeça 

talvez um dia,
com mágoa, 
tu deixes de pensar
e de ter um sitio para onde  ir,

e logo desistas  de existir

praia da areia branca | vigia
7 de agosto de 2026
(no 50º aniversário de casados do Luís & Alice)

_________________

Nota do editor LG:

Último poset da série > 29 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28225: Manuscrito(s) (Luís Graça) (291): As minhas geografias emocionais: Ainda o conventinho da Arrábida... Salazar gostava de lá ir... E eu também gosto.

3 comentários:

Alberto Branquinho disse...

Talvez, Luís, talvez...
Tem dias que dói.

Abraço

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Pois é, camarada, há dias que doem. Quem disse que a vida é bela ? O triste palhaço do circo. Ou então os gajos do marketing que te querem vender, não a felicidade, mas o seu embrulho.

Obrigado pela pista que abriste para a leitura do poema. Tu que és contista e poeta, sabes bem que o escritor nunca tem a chave de leitura do que escreve. Nada teria graça, emoção, "pica", desafio intelectual, se fosse do tipo poema, conto ou.romance "de chave na mão"..

Boa noite. Vou dormir. Luís.





Alberto Branquinho disse...

Essa do escrito "de chave na mão", é boa!
Assim, como nas agências de venda de imobiliário - pago o preço (isto é, terminada a leitura), entregam a chave e aí está o "espaço" arrematado totalmente exposto, pronto a usar e a devassar...