Blogue colectivo, criado e editado por Luís Graça, com o objectivo de ajudar os ex-combatentes a reconstituir o puzzle da memória da guerra colonial, na Guiné. Iniciado em Abril de 2004, constitui já a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência desta guerra. Como camaradas que fomos, tratamo-nos por tu, e gostamos de dizer: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande. Co-editores: C. Vinhal, E. J. Magalhães Ribeiro, V. Briote
Terça-feira, 7 de Junho de 2011
Guiné 63/74 - P8385: Parabéns a você (270): Agradecimento de Belarmino Sardinha, aniversariante no dia 5 de Junho
Carlos,
Através das palavras que abaixo seguem, gostava de agradecer a todos os camaradas do blogue o terem-se lembrado do meu aniversário.
Igualmente agradeço aos editores terem disponibilizado o espaço para o efeito.
Com um abraço,
BSardinha
Agradecimento
Meus queridos amigos,
Que bom é fazer parte desta família. Desculpem-me aqueles que por ventura não gostem do termo família ou os que assim não considerem, não digo que nos corra nas veias o mesmo sangue, mas é com sangue que esses verdadeiros laços nos unem. Depois, tem tudo o que existe nas famílias e reconheço-lhe tudo o que necessito e tem de bom, chega-me.
Comentou José Martins haver alguma contenção, discordo vivamente, tantos foram os camaradas que, sem me conhecerem, enviaram os parabéns e tantos outros o fizeram por termos estabelecido laços de amizade só possível através deste espaço. Quantos ainda por dificuldades informáticas ou pessoais o fizeram por telefone e ainda tantos outros por mail direto.
Agradeço a todos que enviaram os parabéns e igualmente a todos que por princípio nunca o fazem, sem esquecer os que se lembraram e não enviaram, aqueles que o evitaram ou acharam não se justificar, merecer, valer a pena ou seja lá qual o motivo pelo que não o fizeram. Prometo que, por mim, estarei de volta para o ano.
Não querendo misturar aqui o que deve ser separado, respondo também à esperança, legítima, de alguns dos camaradas que comentaram, têm no novo Portugal que parecem esperar tenha despontado na véspera do meu aniversário, dia 05, como Português que sou, espero que não seja uma fornada das tão criticadas novas oportunidades…
A todos, sem exceção, agradeço reconhecidamente e envio um caloroso abraço.
BSardinha
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Nota de CV:
(*) Vd. poste de 6 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8376: Parabéns a você (269): Manuel Traquina, ex-Fur Mil da CCAÇ 2382 e Belarmino Sardinha, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do STM (Tertúlia / Editores)
Guiné 63/74 - P8384: Notas de leitura (245): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (7) (Mário Beja Santos)
1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 27 de Maio de 2011:Queridos amigos,
Graças à ajuda sempre prestimosa do Dr. António Duarte Silva, tive acesso a este documento que rasga horizontes, confirma outras fontes históricas e esclarece, dentro de limites, múltiplos silêncios africanos e, sobretudo, cumplicidades e estratégias de autodefesa que inibem importantes figurantes a omissões gravosas para interpretar os principais quadros e etapas da luta do PAIGC, as suas servidões e grandezas.
Penso que o papel do nosso confrade Leopoldo Amado foi decisivo na organização das entrevistas e do apenso documental, pelo que o felicito publicamente por mais este valioso contributo histórico que dá à compreensão da guerra da Guiné.
Com um abraço do
Mário
O testemunho de Aristides Pereira* (7)
Alguns documentos históricos de valor incalculável
Beja Santos
Não é de mais enfatizar que “O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois partidos”, de Aristides Pereira (Editorial Notícias, 2003) é, política e literariamente falando, uma narrativa insípida e incolor de um dos dirigentes históricos proeminentes do PAIGC, mas uma qualidade impressionante de informação por parte de alguns dos entrevistados e um apenso documental riquíssimo para quem quer estudar as génese da luta armada na Guiné e procurar saber, com conhecimento de causa, a trajectória deste movimento de libertação até à independência, torna a obra de leitura obrigatória. Logo à cabeça os primeiros estatutos do PAIGC, datados de 1956, falava-se então no PAI – Partido Africano da Independência que, escreve-se em tal documento “reserva-se o direito de formar com outras organizações, partidos, movimentos ou frentes de luta anticolonialista, da Guiné dita portuguesa, de Cabo Verde e de outros países sob dominação colonial portuguesa, uma Frente unida para coordenar a luta contra o colonialismo português e abreviar a sua liquidação total”. Esses estatutos incluíam uma forma de organização bastante molecular, um autêntico organograma de bases até alcançar uma teia federal.
Outro documento, datado de 14 de Julho de 1960, está já o PAIGC instalado em Conacri, com autoria de Amílcar Cabral (não se surpreendam com a pergunta: haverá algum documento de essência ideológica do PAIGC que não tenha saído do punho de Cabral?) em que se procura explicar a quem disso tivesse curiosidade o que queria o PAIGC tanto para a Guiné como para Cabo Verde, era uma autêntica carta de apresentação que se podia até ter publicado num jornal. Segue-se a criação do Movimento de Libertação da Guiné e Cabo Verde, também de 1960, e que aparece como uma tentativa de convergência dos diferentes movimentos de independência para a acção comum (nesta época, iniludivelmente, a clivagem cabo-verdiano e guineense já era bem patente). O documento seguinte prende-se com o discurso de Amílcar Cabral numa conferência realizada no Cairo, em Março de 1961, pretende dar a conhecer, no plano internacional, a luta conduzida pelo PAIGC. Uma obra-prima de comunicação.
O chefe da delegação da PIDE de Bissau, Costa Pereira, é o autor de um documento datado de Janeiro de 1963, de incontestável importância para confirmar a evolução na luta pela independência na Guiné, a partir da segunda metade dos anos 50. Explica claramente a constelação de grupos, refere a luta dos partidos nacionalistas com sede no Senegal e esmiúça os acontecimentos de Julho de 1961, no Norte, em São Domingos, Suzana e Varela. Aborda as prisões efectuadas pela PIDE, no início de 1962 e as acções desenvolvidas na subversão sobretudo em território do Sul, caso de Bedanda, Cufar, Catió, Fulacunda, Empada, etc. Em Maio desse ano, agentes do PAIGC percorriam as tabancas das áreas de Fulacunda e Catió; nesta última localidade, os rebeldes passaram a destruir jangadas, fios telefónicos e outros meios de comunicação. A subversão, escreve o delegado da PIDE, passou para a região do Xitole, havia informação de diferentes bases de apoio seja no Senegal seja na Guiné-Conacri.
Igualmente de grande importância é o auto de interrogatório da PIDE a Albino Ferreira Fortes que, tendo participado nos preparativos militares para o desencadeamento da luta armada em Cabo Verde, acabou por trair o PAIGC, informando ao pormenor os aspectos desse plano. É um documento que permite clarificar as rotas de entrada e saída quer dos aliciados para a luta quer dos agentes da subversão, após preparação em países estrangeiros. Muitas das informações que Fortes prestou à polícia política aparecem confirmados noutros depoimentos de líderes cabo-verdianos como Silvino da Luz ou Agnelo Dantas. Segundo Fortes, o principal apoio ao PAIGC, a informação, armamento e financiamento, vinha da União Soviética, a China desconfiava de Cabral e da sua linha ideológica e por isso mesmo deixara de fornecer armas. Em declarações datadas de Abril de 1969, perguntado sobre os meios marítimos e aéreos do PAIGC, declarou que este dispunha de três pequenas lanchas, embarcações muitíssimo frágeis, normalmente ancoradas em Conacri. O partido, disse Fortes, não dispunha de quaisquer meios aéreos, aviões ou helicópteros. Quanto a transportes terrestres, o PAIGC dispunha de diversos camiões (entre 15 a 20), 10 ou 12 jipes e 3 ambulâncias. Nesta época, informou ainda Fortes, o PAIGC dispunha de cerca de 200 guerrilheiros à volta de Madina de Boé. A simpatia pela causa do PAIGC no Senegal, ao tempo, era quase nula, como quase nula seria a influência do partido nos meios governamentais de Dakar. Ainda segundo Fortes, a FLING, dirigida por Benjamim Pinto Bull, tinha caído em completo descrédito, perdera todos os apoios no interior da Guiné e na esfera internacional. Em países da “cortina de ferro”, Fortes sabia que os dirigentes do PAIGC tinham contactos regulares com líderes do Partido Comunista Português.
Seguem-se outros documentos com bastante interesse, como sejam as cartas de Amílcar Cabral à estrutura clandestina do PAIGC em Cabo Verde e, na parte final do apenso documental, o estudioso ou o curioso têm à sua mercê as actas de uma série de encontros ocorridos nas matas da Guiné no período entre as negociações de Londres e de Argel (23 de Julho de 1974 a 18 de Agosto de 1974), entre o comando do Exército Português e o PAIGC. Tais encontros permitiram ajustar a situação negocial à correlação de forças no terreno, foram essas negociações que abriram as portas ao reconhecimento do estado da Guiné-Bissau pelo Governo português.
E assim chegamos às últimas peças de indiscutível valor histórico, como o relato da reunião entre o encarregado do Governo da Guiné e uma delegação do PAIGC, a 31 de Agosto de 1974, reunião que se realizou na sequência da assinatura dos Acordos de Argel, bem como a circular do comando militar do PAIGC às diferentes unidades no terreno com informações detalhadas sobre as modalidades e o plano de retracção das tropas portuguesas na Guiné.
Conclui-se deste modo a recensão de uma obra de consulta obrigatória para o estudo da guerra da Guiné, na óptica de quem militou do lado do PAIGC. É graças à leitura destes documentos que se torna perceptível quem foi o motor da consolidação da mentalidade ofensiva, dentro do PAIGC, e soube imprimir entusiasmo e consistência às formas de luta, que conduziram à independência e ao reconhecimento do Estado da Guiné-Bissau.
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Notas de CV:
Vd. último poste da série de 3 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8368: Notas de leitura (244): Guynea, de Arlinda Mártires (Mário Beja Santos)
(*) Vd. postes de:
20 de Abril de 2011 > Guiné 63/74 - P8141: Notas de leitura (230): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (1) (Mário Beja Santos)
28 de Abril de 2011 > Guiné 63/74 - P8176: Notas de leitura (234): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (2) (Mário Beja Santos)
3 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8209: Notas de leitura (235): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (3) (Mário Beja Santos)
17 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8286: Notas de leitura (239): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (4) (Mário Beja Santos)
20 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8304: Notas de leitura (240): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (5) (Mário Beja Santos)
e
27 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8335: Notas de leitura (242): O Meu Testemunho, uma luta, um partido, dois países, por Aristides Pereira (6) (Mário Beja Santos)
Guiné 63/74 - P8383: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (4): Fantástico, a todos os níveis (Mário Bravo)
Fotos: © Mário Bravo (2011) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.
1. Mensagem, com data de hoje, do nosso camarigo Mário Bravo (ou Mário Silva Bravo, médico reformado, a viver no Porto; veio ao nosso VI Encontro, acompanhado da esposa, também médica, Maria Lília; e vai dentro em breve encontrar-se com os seus ex-camaradas bendandenses, que reencontrou através do noso blogue):
Ouvi as mais diversas histórias, contadas por rapazes (de vinte e tal anos), hoje sexagenários.
Apreciei o modo simpatico e afectuoso com que me presentearam.
Não posso deixar passar o momento, sem me dirigir a uns camarigos que tiveram a seu cargo esta operação e são eles (a ordem não tem qualquer significado):
Para adornar um pouco este pequeno texto, junto umas fotos do momento.
Cumprimenta
Mário Bravo
[ Revisão / fixação de texto / edição e legendagem de fotos / título: L.G.]
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(*) Vd. último poste da série > 6 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8379: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (3): Figuras imponentes, caras bonitas, gente feliz sem lágrimas...
Guiné 63/74 - P8382: Recordações dos tempos de Bissau (Carlos Pinheiro) (2) : Pedaços históricos perdidos na Guiné
1. Mensagem de Carlos Manuel Rodrigues Pinheiro* (ex-1.º Cabo TRMS Op MSG, Centro de Mensagens do STM/QG/CTIG, 1968/70), com data de 14 de Maio de 2011:Camarigo Carlos Vinhal
Mais uma vez estou a enviar uma artigo, desta vez sobre pedaços históricos perdidos na Guiné no ano de 1969.
Se entenderes que o mesmo merece ser publicado, estás sempre à vontade.
Um grande abraço
Carlos Pinheiro
RECORDAÇÕES DOS TEMPOS DE BISSAU (2)
Pedaços históricos perdidos na Guiné em 1969
Só o facto de estarmos em guerra, só o facto de estarmos em África, mas também pelo facto das comunicações da altura não serem nada, nem de perto nem de longe, do que hoje dispomos, leva-me a relatar alguns factos, mais ou menos históricos, que não presenciámos, que não testemunhámos por estarmos forçadamente ausentes do nosso cantinho, da nossa família, dos nossos amigos, mas dos quais nunca duvidámos uma vez que, mesmo à distância, lá nos chegaram, dias mais tarde, ecos desses mesmos factos que hoje são mesmo históricos por razões diversas.
Logo no início do ano de 1969 foi lançado na RTP, a única televisão da época, um programa que foi marcante para a altura. Tratou-se do ZIP ZIP, um programa de Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz que apareceu, certamente “permitido” pela primavera Marcelista, uma vez que Salazar tinha caído da cadeira no ano anterior e Marcelo já governava. Segundo rezam as crónicas, foi um programa audaz para a época, mas a malta do meu tempo que estava na guerra, perdeu-o pura e simplesmente.
Outro facto histórico, este de nível mundial desse período, aconteceu exactamente no dia 20 de Julho de 1969**. Foi a chegada do primeiro homem à Lua que a Televisão terá transmitido em directo e a que nós não tivemos oportunidade de assistir. Ouvimos falar, lemos nos jornais com alguns dias de atraso, mas não presenciámos o facto e o feito. É caso para dizer que lemos e ouvimos, mas não vimos.
Também perdemos outro acontecimento, marcante para a história de Portugal, que ocorreu no dia 27 de Julho de 1969. Foi a morte de António de Oliveira Salazar cujo funeral nacional foi efectuado de comboio de Lisboa para a sua terra natal, Vimieiro, Santa Comba Dão, tendo o país ficado de luto durante três dias. Até na Guiné esse luto foi garantido com a bandeira nacional a meia haste. Mas não presenciámos, só ouvimos falar, mais nada, para além de sentirmos mais algum rigor nas prevenções militares naqueles dias.
Outro facto importante para a época e que a história regista e a que nós não assistimos e muito menos participámos, foram as Eleições legislativas de 1969***. As primeiras que se realizaram com Marcelo no Governo, precisamente no dia 26 de Outubro daquele ano e onde concorreram, para além da União Nacional, o partido do Governo, a CEUD Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, a CDE Comissão Democrática Eleitoral e a CEM Comissão Eleitoral Monárquica. Soubemos depois que a União Nacional elegeu todos os 120 Deputados naquela espécie de acto eleitoral, como mandavam as regras da época, a bem da nação, a bem da evolução na continuidade.
Cada um à sua maneira, foram factos perdidos devido à situação que estávamos a viver, no auge da guerra, quando os mísseis já eram uma arma dos nossos opositores no terreno.
Em contrapartida, para além do facto de estarmos na guerra, muitos sofrerem o horror dos combates e dos ataques, da fome e da sede, muitos morrerem na flor da idade e muitos outros terem ficado estropiados no corpo e no espírito, ganhámos o privilégio de podermos passar a consumir Coca-Cola, importada directamente de Inglaterra e até de Moçambique, bebida esta que na Metrópole era proibida. Aliás, já que estamos a falar de privilégios, na Guiné também podíamos beber água Perrier e Vichy vindas de França e até leite da Holanda da Twin Girls, uma vez que era difícil a entrada naquelas terras de águas ou leite da Metrópole. Vá-se lá saber porquê.Relatar estes acontecimentos passados tantos anos, denota algum saudosismo, mas também serve para lembrar que a guerra deixou marcas das mais variadas estirpes. Hoje, nada disto aconteceria. Ou melhor aconteceria, acontece tudo, mas todo o mundo, Iraque ou Afeganistão, por exemplo, estaria informado no momento, em directo, em todas as televisões.
Carlos Pinheiro
29 de Julho de 2010
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Notas de CV:
(*) Vd. poste de 20 de Abril de 2011 > Guiné 63/74 - P8138: Memória dos lugares (152): A cidade de Bissau em 1968/70: um roteiro (Carlos Pinheiro)
(**) Vd. poste de 19 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DCXL: Estórias de Dulombi (Rui Felício, CCAÇ 2405) (3): O dia em que o homem foi à lua
(***) Vd. poste de 4 de Novembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5206: Efemérides (31): as eleições de 26/10/1969, as oposições democráticas (CDE e CEUD) e a escalada da guerra (João Tunes)
Vd. primeiro poste da série de 1 de Novembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7204: Recordações dos tempos de Bissau (Carlos Pinheiro) (1) : Dia de Todos os Santos de 1968
Guiné 83/74 - P8381: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (13): 16 de Dezembro de 2009, a caminho do Gabu, passando por Contuboel, outrora um eldorado
é deslocado…
Viemos no mesmo camarote,
no T/T Niassa,
a tresandar a óleo e a vomitado…
Vou agora mais descontraído,
sem pena nem tema,
numa surpreendente estrada alcatroada,
entre Bambadinca e Bafatá…
Vais gozar as delícias do sistema,
meu safado:
- Contuboel - dizem-te - é um eldorado…
(*) Vd. último poste da série > 27 de Maio de 2011 > Guiné 83/74 - P8338: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (12): 16 de Dezembro de 2009, a despedida matinal de Tabatô, a caminho do Gabu
Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
Guiné 63/74 - P8380: Agenda Cultural (128): Lançamento do livro Dias de Coragem e de Amizade, de Nuno Tiago Pinto, editado pela Esfera dos Livros: Lisboa, sede da ADFA, Av Padre Cruz, dia 7 de Junho, 18h30

Título > Dias de Coragem e Amizade
Colecção: > História Divulgativa
Nr de páginas > 400 ilustrado
PVP c/ IVA > 23 €
ISBN > 978-989-626-316-4
Formato >16 x 23,5
Encadernação > Brochado
Ano de edição: 2011
Sinopse (Fonte: A Esfera dos Livros... Adaptação livre, com a devida vénia):
«O fundamental neste livro é que, através daquilo que os protagonistas descrevem, nós, os portugueses de hoje, temos acesso à história dos anos da guerra como ela ficou gravada naqueles que a fizeram. Não é pouca coisa.» Coronel Matos Gomes in Prefácio.
O jornalista Nuno Tiago Pinto ouviu cada um dos 50 testemunhos que fazem parte deste livro e captou o momento mais dramático da sua experiência nos três cenários da guerra colonial – Angola, Guiné e Moçambique.
(i) O médico Abílio Alves esteve um ano e meio em Nambuangongo, Angola, a tentar salvar vidas, com poucos meios e sob ataques constantes;
(ii) António Lobato foi o primeiro piloto a despenhar-se na Guiné, o chamado Vietname português, e aquele que mais tempo esteve preso nas mãos do PAIGC – sete anos;
(iii) Maria Arminda Lopes Pereira dos Santos [ membro da nossa Tabanca Grande,] pertenceu ao primeiro grupo de enfermeiras pára-quedistas e durante dez anos percorreu vários cenários da guerra colonial;
(iv) António José Freire foi atingido, em Angola, por um estilhaço que lhe arrancou uma parte do crânio; ao todo, foi operado 18 vezes à cabeça;
(v) José Vicente decidiu arriscar a vida ao volante de um Unimog para a companhia não ficar uma noite inteira sem água. Sofreu um acidente e ficou paraplégico...
São relatos impressionantes, feitos na primeira pessoa, de actos de coragem e de amizade, de medo, heroísmo, desespero, de soldados, médicos, enfermeiras que combateram, de diferentes formas, em nome da pátria.
Ao todo, foram mobilizados para os três teatros de guerra entre 800 mil, e um milhão de portugueses. Destes, mais de nove mil morreram em combate ou num dos muitos acidentes que, por descuido, falta de preparação ou infortúnio, acabaram por causar vítimas. Os outros milhares de portugueses regressaram a casa com marcas físicas ou psicológicas de uma guerra que os transformou e marcou para sempre. Esta é a sua história.
(i) Nasceu em 1978, em Lisboa; (ii) licenciou-se em Relações Internacionais; (iii) tirou o curso de especialização em jornalismo no CENJOR; (iv) passou pela redacção da Sic Notícias; (v) foi jornalista e editor de Internacional e de Sociedade no semanário O Independente; (vi) está desde 2006 na revista Sábado onde é sub-editor da secção Portugal.
Guiné 63/74 - P8379: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (3): Figuras imponentes, caras bonitas, gente feliz sem lágrimas...
Monte Real, Café Central > 3 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande (*) > Na véspera do encontro, houve tempo para, sentados à mesa do Café Central, bebermos uma imperial, comer uns caracóis ou umas bifanas, e sobretudo pôr a conversa em dia... Nós, ou alguns de nós, que pernoitámos no Palace Hotel (gozando as delícias do sistema, pois claro...).
Na foto, o nosso imponente Miguel Pessoa, da Comissão Organizadora, mais a esposa do Hélder Sousa, a Natividade (que veio ao nosso encontro pela primeira vez)...No outro lado da mesa, e que o fotógrafo não apanhou, a Giselda, o Humberto Reis (que veio pela primeira vez sozinho, sem a sua saudosa Teresa), o Carlos, a Dina, o Hélder, a Alice e... o fotógrafo... Também por lá passaram o Jaime Brandão (que vive em Monte Real) e o António Graça de Abreu (sem a sua elegantíssima Wang, que preferiu ficar a descansar no hotel)...
Monte Real, Termas > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > A Alice (de costas), a Helena (esposa do Mário Fitas) e a Dina Vinhal (com o seu inseparável leque)... Depois de um passeio matinal, até às instalações das termas que ainda distam umas centenas de metros do hotel, se+paradas por uma larga avenida empedrada e ladeada de seculares eucaliptos...
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Uma das muitas caras bonitas que alegraram o nosso convívio: a Maria de Lurdes, uma alentejana de olhos verdes, companheira do nosso camarigo Jorge Canhão (Oeiras)...
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Sempre delicado e feliz entre as bajudas (... feliz, sem lágrimas, com cachimbo, em mangas de camisa, ligeiramente desfocado pelo momentâneo mas ligeiro embaciamento da lente da máquina, em tarde de calor e humidade)... Ele, quem é, quem é ? O nosso Alfero, o nosso impagável Alfero Cabral, o único, o verdadeiro que eu conheci no TO da Guiné, o Jorge, pois claro... E elas, quem são, quem são ? Wang Hai e Maria Helena Fitas (sentadas), Graciela Santos (de pé)...
Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Em que é que estará a pensar o nosso camarigo Vasco Ferreira (Vila Nova de Gaia) ? Na sua CCAÇ 4540 que era mais conhecida no TO da Guiné por serem mesmo "um caso sério"... Recorde-se que o Vasco foi Alf Mil e andou por Cumeré, Bigene, Cadique, Cufar e Nhacra, entre 1972 e 1974... (Julgo que o Vasco trouxe com ele a sua bajuda, Margarida)...
Postes anteriores da série > 5 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8374: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (1): As primeiras fotos
6 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8378: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (2): O dia dos Na Kontra...
Guiné 63/74 - P8378: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (2): O dia dos Na Kontra...
Monte Real, Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > (*); Dois homens do Oio: Raul Albino ( ex-Alf Mil da CCAÇ 2402/BCAÇ 2851, Có,Mansabá e Olossato, 1968/70) e Rui Silva (ex-Fur Mil da CCAÇ 816, Bissorã, Olossato, Mansoa, 1965/67). Tive finalmente a oportunidade de conhecer, em carne e osso, o Rui (e a esposa, Regina Teresa), que vive em Santa Maria da Feira... O Raul, por sua vez, é de Vila Nova de Azeitão, e também veio acompanhado da esposa, Rolina. Raul, antigo quadro técnico da IBM, falou comigo sobre a necessidade de encontrar ou explorar novas soluções informáticas para um blogue que cresceu muito, demasiado até, sobretudo nestes útimos três anos...
Monte Real, Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Não direi que são dois dinossauros da Tabanca Grande, mas são duas caras conhecidas de todos nós, dois grandes camarigos, dois nomes que já parte do nosso núcleo histórico (logo do nosso ADN): o Alfero Cabral (Lisboa) o Alfero Pimentel (Porto e Figueira da Foz)... O Pimentel veio de propósito de Amiais de Cima, mais o Hernâni Figueiredo, par nos dar um especial Alfa Bravo...
Monte Real, Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > Mais três camarigos indefectíevis: o JERO (dono do mosteiro de Alcobaça), o Jorge Rosales (Cascais, régulo da Tabanca da Linha) e o José Rocha (Penafiel)... Prometi ao Rosales ir um dia destes visitar a sua Tabanca, uma das primeiras afiliadas da nossa Tabanca Grande...
(*) Último poste da série > 5 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8374: Monte Real, 4 de Junho de 2011: O nosso VI Encontro, manga de ronco (1): As primeiras fotos
(**) Exmo. Sr. Luís Graça: Fortuitamente ao navegar pela internet deparei-me com o vosso blog, e em especial a mensagem http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2010/09/guine-6374-p6978-convivios-187-tabanca.html , onde referem um convívio com um vosso camarada proprietário da Quinta de Guilhomil, em Polvoreira - Guimarães. Seria seu nome Joaquim Carlos Rocha Peixoto e natural de Penafiel.
Como suponho ser o Sr. Joaquim Peixoto ainda meu familiar, pois também eu descendo de uns Vales Peixotos das freguesias de Canelas e de Sebolido, concelho de Penafiel, ligados à freguesia de Polvoreira, vinha pedir-lhe o favor de fornecer este meu contacto de email ao Sr. Joaquim Peixoto (se possível) para que ele entrasse em contacto comigo, ou em alternativa que me fornecesse o contacto do mesmo, o que desde já agradeço.
Isto porque venho desenvolvendo nas horas vagas um trabalho de pesquisa genealógica da familia, e poderei certamente obter mais algumas informações através do Sr. Joaquim Peixoto e/ou fornecer ao mesmo outras que já possuo se forem do seu interesse.
Desde já agradeço a disponibilidade e a amabilidade. Com os melhores cumprimentos, Eduardo de Vasconcelos Cardoso, Casa da Silveira (Lagares, Penafiel).
O Joaquim estava visivelmente feliz por ter reencontrado este elo (perdido) da família e não se cansava de repetir, em Monte Real: De facto, Luís, o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande. E eu respondi-lhe: Este é a vantagem (mas também o inconveniente) de deixarmos rastos na Net...
Guiné 63/74 – P8377: Memórias de Jolmete (Manuel Resende) (2): A Fundação nacional dos apanhados do clima

1. O nosso Camarada Manuel Resende*, ex-Alf Mil At da CCaç 2585 do BCaç 2884, que esteve em Jolmete, Pelundo e Teixeira Pinto, (1969/71), enviou-nos a seguinte mensagem:
À distância de 40 anos tenho pena que o parágrafo Nº 1 dos estatutos restringisse a adesão apenas a graduados da CCAÇ 2585, pois tivemos muitas solicitações para aderências por parte de outros que gostariam de pertencer, o que viria a valorizar no futuro (agora) os convívios. Enfim, temos de interpretar os estatutos à luz dos tempos de então, apanhados, à espera da peluda e cheios de boas intenções.
Agora perguntam os amigos leitores deste apontamento… “então e onde está a FNAC”? Boa pergunta, mas sinceramente não sei responder. Ainda tenho esperanças, com a ajuda desta publicação de nos voltarmos a reunir. Tenho contactos com o presidente, o (ex-fur) Rodrigues, que vive no Fundão e com o tesoureiro o (ex-fur) Meireles, que vive em Linda-a-Velha. Espero que o (ex-alf) Marques Pereira também apareça.
A FNAC, paralelamente ao que acontecia na parte militar, também deu alguns louvores aos organizados que mais apanhados estivessem. A mim tocou-me também esse galardão, que passo a reproduzir.
A seguir vou publicar uma cópia dos estatutos.







Com uma boa antena cedida pelo nosso furriel Gomes de transmissões, e instalada entre a minha caserna e o refeitório dos soldados, conseguia captar perfeitamente a EN em onda média e dar um pouco de música durante o jantar. Convém dizer que o som era dado por uma coluna feita pelo nosso carpinteiro, tipo corneta com um altifalante que eu levei e que me tinha custado na “Astro-Técnica” 2.200$00, com 40 W de potência.
Pesava cerca de 10 KG. Mais à noite retransmitia a EN e outras em onda curta, numa frequência que todos os pequenos receptores a pilhas com OM-OC captavam. Nesta frequência era transmitido também um programa de discos pedidos que às vezes fazíamos, no abrigo do Comando, numa pequena sala do 1º Sargento Vinagre.
Fotos: © Manuel Resende (2010). Direitos reservados.
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Nota de M.R.:
Vd. último poste desta série em:
10 de Novembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5246: Memórias de Jolmete (Manuel Resende) (1): A visita dos Deputados a Jolmete em Julho de 1970












