sábado, 24 de outubro de 2020

Guiné 61/74 - P21479: Memória dos lugares (414): Região de Gabu, setor de Boé, Colinas do Boé: Montanha Cabral... Alguém sabe onde fica, exatamente, essa "montanha" (fello, em fula), que faz parte das "lendas e narrativas" do PAIGC ?


Guiné > Região de Gabu > Setor de Boé > Colinas do Boé > s/d> Catarina Marcelino, com o "homem grande" de Dandum (?), na "Montanha Cabral", junto a marco de cimento que ostenta uma data gravada: 1958.  (Reproduzido, com a devida vénia, da página do Facebook de Catarina Marcelino)



Guiné-Bissau > Região de Gabu > Setor de Boé > 30 de junho de 2018 > Dandum (?) > "Montanha Cabral" : memorial > Foto reproduzida, com a devida vénia, da página do Facebook da ONGD Afectos com Letras


1. Na página do Facebook da ONGD Afectos com Letras, que tem sede em Pombal, criada em 2009 e  liderada pela Joana Benzinho, pode ler-se em poste de 19 de maio último:

(...) Apesar da pandemia, a vontade de fazer acontecer não esmorece. E os nossos projetos vão avançando na medida do possível.

Na montanha Cabral, em Boé, está praticamente terminado o bangaló que vai acolher um pouco da história da luta pela independência da Guiné-Bissau, relatada por quem a viveu. 

Assim que possível iremos ali instalar um painel informativo, forrar o telhado com palha e um painel solar que irá permitir ter som e imagem a recordar os tempos em que esta montanha marcou a história da luta de libertação. (...)
 


2. Pergunta o nosso editor LG:

Onde fica essa "Montanha Cabral" ?...Só pode ser nas "Colinas do Boé" onde, na realidade, não há "montanhas" [ que, segundo o dicionário, são montes elevados e de cumes extensos], mas tão só algumas elevações de terreno que atingem cotas entre os 100 e os 300 metros, no máximo (, em português, colinas, outeiros, cabeços...).

Parece que o ponto mais alto, nas Colinas do Boé, situa-se a 361 metros acima do nível do mar... Ainda não descobrimos onde fica exatamente... O setor do Boé terá hoje mais de 12 mil pessoas, de maioria fula,  distribuidas por mais de 8 dezenas de tabancas... Era uma zona desertificada no tempo da guerra.  

A  paisagem das Colinas de Boé, que domina o setor, é uma  extensão do maciço de Futa Jalom,  situado na Guiné-Conacri, a sudeste.  Por aqui correm os  rios Corubal, Fefine e Mael Bane. No setor situa-se o Parque Nacional do Boé, com mais de 1300 km2. É uma zona sensível, do ponto de vista ecológico, rica em fauna e flora. Ver aqui um vídeo do Daribó, o projeto de conservação, de base comunitária, do chimpanzé.

Já agora que acrescente-se que o ponto mais alto do Futa Jalom, na Guiné-Conacri,  é o Monte Loura [, Fello Loura, em fula], com mais de 1.500 m. A altitde média, no maciço do Futa Jalom, são os 900 metros..

Um dos "tags" (marcadores) usados no poste acima  é Dandum, uma tabanca fronteiriça, já visitada em 2018 pelo nosso amigo e camarada Patrício Ribeiro (*). A "Montanha de Cabral", que faz parte das "lendas e narrativas" do PAIGC, está, pois, associada a este topónimo.

Ora Dandum, atualmemte, deve ficar a sul de Madina do Boé, próximo da frinteira, a sul [vd. infografia].

Esta é uma região pouco ou nada conhecida pela maior parte de nós e que, devido aos maus acessos, também é pouco ou nada procurada pelos ex-combatentes portugueses,   "turistas de saudade"... De Madina do Boé, de Beli, de Cheche, do rio Corubal,,, também não ficaram boas recordações, bem pelo contrário... 

Daí termo-nos lembrado de reconstituir e documentar o percurso do Patrício Ribeiro, nesse início da estação das chuvas de 2018. Publicamos, em próximo poste,  alguns excertos das  crónicas dessa viagem,  com  algumas das fotos, reeditadas e renumeradas (*).


Carta da Província da Guiné (1961) > Escala 1/500 mil > Detalhe: a região do Boé
Posições relativas de Canjadude, Ché-Ché (ou Cheche), Madina do Boé, Diquel, Dandum, Lugajole e Vendu Leid


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2018)

3. Na página do Facebook da conhecida ativista e deputada à Assembleia da República, Catarina Marcelino, com data de 26 de fevereiro de 2020, encontramos mais informação sobre a tal "Montanha Cabral":

(...) Nasce um projeto de reconhecimento histórico nas colinas do Boé. A Associação Afetos com Letras está a construir um pequeno espaço de memória na Montanha Cabral, junto ao marco ali colocado por Amílcar Cabral em 1958 e que mais tarde se torna o local de encontro com os seus homens e onde muita da estratégia militar era definida. 

Para lá chegarmos fomos até Gabu {, antiga Nova Lamego], depois para Tchetche onde atravessámos o rio Corubal, rio que guarda a memória da morte de muitos portugueses na retirada da Madina do Boe [, em 6 de fevereiro de 1969], e por fim fizemos uma picada dificil com muitas pedras até ao local onde nos encontrámos com o Homem Grande da Tabanca que nos falou desses tempos passados, mas também do presente e do futuro. (...)

De qualquer modo, vamos perguntar ao Patrício Ribeiro (, que está agora no "Puto", na sua "ponta", em Águeda, junto ao rio Vouga, a resguardar-se das investidas do SARS-Cov-2), se, nas últinas andanças lá pelas Colinas do Boé, em 30 de junho e 1 de julho de 2018 (*), ele deu com a tal "Montanha Cabral" (**)...
____________

Notas do editor:

21 de julho de 2018 > Guiné 61/74 - P18861: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (7): Os meus passeios pelo Boé - Parte I: 30 de junho de 2018: a travessia do Rio Corubal, de jangada, em Ché Ché

(**) Último poste da série > 28 de setembro de  2020 > Guiné 61/74 - P21401: Memória dos lugares (413): O meu Seiko 5 (five), comprado na Casa Costa Pinheiro, parou ao fim se 50 anos... (Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS Op Mensagens)

23 comentários:

Cherno Baldé disse...

Caros amigos,

Se a memória não me falha, a tal montanha está situada a meio caminho entre as localidades de Madina e Dandum, do lado direito para quem vai. Lembro-me vagamente de me terem falado dela, mas francamente, o caminho era tão mau e tantos os solavancos que não me apetecia falar de turismo, mesmo se a região, com as suas mil colinas, é simplesmente, a região mais bonita do pais.

Quanto ao marco geodésico de 1958, não acredito que tenha sido o Cabral a colocá-lo lá. Deve ser mais um mito popular a juntar-se a muitos outros. Sabemos que ele desenvolveu um amplo trabalho de recenseamento agrícola e, talvez estudo dos solos, mas não vejo em que isso estaria relacionado com a colocação de marcos geodésicos. Curiosamente, já tinha ouvido a mesma coisa sobre um marco do mesmo ano que tinha sido colocado a entrada da m8nha aldeia, no Leste. A verdade é que a esta data, salvo erro, o Cabral devia estar a trabalhar fora da Guiné.

Com um abraço amigo,

Cherno Baldé

Anónimo disse...

Manuel Coelho
24 out 2020 19:09

caro Luis Graça, lamento mas não posso ajudar [, no que respeita à tal "Montanha Cabral"].

Nós em Madina apenas víamos a colina donde o IN por vezes atacava designadamente um sniper que por pouco não me acertou, mas foi eliminado pela CCAÇ 1790 depois de nós sairmos.

Essa colina não tem mais de 200 metros de altura.

Ouvíamos também falar da povoação de Dandum, que ficava a sul, ainda mais perto da fronteira.

Talvez esses nomes terão sido dados pelo PAIGC.
abraço
manuel coelho

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Obrigado, Manel...

Primeiro, não temos falado aqui dos "snippers" (franco-atiradores) do PAIGC e das suas vítimas. Que as terá havido...

Segundo, esquecemo-nos que, em 1968, antes da retirada de Madina do Boé, houve uma espécide de ensaio de batalha de Madina do Boé...

Caros leitores, releiam, com atenção, e comentem o poste de:

30 DE ABRIL DE 2018
Guiné 61/74 - P18585: FAP (103): Pedaços das nossas vidas (3): Madina do Boé "O Algarve na Guiné", por TGeneral PilAv José Nico (José Nico / Mário Santos)


Manuel Luís Lomba disse...

Quando fiz investigação para o m/livro: "Guerra da Guine: a Batalha de Cufar Nalu" (o Mário Beja Santos fez aqui a sua recensão), convenci-me que a Montanha Cabral ficava do lado da GConacry, dado Amílcar ter tido lá uma roulote onde passava temporadas, no planeamento e da abertura da Frente Leste, e depois da retirada da tropa da quadrícula de Madina do Boé.
Salvo erro ou melhor opinião, o marco será delimitativo da fronteira. O de Buruntuma, com outro desenho, foi levantado pelo nosso camarada José Ferreira, quando comandante do destacamento.
Abr.
Manuel Luís Lomba

Anónimo disse...

TUDO ISTO É TRISTE TUDO ISTO É FADO.

Há uma necessidade premente de criar mitos e heroísmos, falseando de forma grotesca a história

Lamentável é que portugueses alinhem nestas "historietas".

Como ex-combatente considero-me pessoalmente ofendido.

É MENTIRA que a proclamação da independência tenha sido feita em lugadjole.

Não existia nenhum monte chamado Cabral.

Amilcar Cabral quando não estava em viagem ao estrangeiro, residia em Konacry.

Quando foi morto há mais de 2 anos que não se deslocava ao interior da Guiné.

Isto mais parece aquela "historieta" da Coreia do Norte.



AB

C.Martins

Valdemar Silva disse...

C. Martins, como diria o outro 'o que é que tem a ver "historieta" da Coreia do Norte com guerra da Guiné?'
Isso ser mentira ou não mentira é do caraças.
Sobre a proclamação da independência, o jornal "Le Monde", de 27-09-1973, traduzindo '....inicialmente a cerimónia...seria em Cubuceré.....passou para a mata, na colina sobranceira à tabanca Lugadjole..'
Agora, dizes que é mentira e consideras-te pessoalmente ofendido, processa o "Le Monde" e os portugueses que alinham nestas "historietas", ou, então, para não chegares a tanto, publica aqui no blogue as provas, que não deixam duvidas, terem sido "historietas" a proclamação da independência pelo PAIGC.

Valdemar Queiroz

Valdemar Silva disse...

Queria dizer Cubucaré

Valdemar Queiroz

antonio graça de abreu disse...

Já foi mais do que desmacarado, e demonstrado,neste blogue, há uns três ou quatro anos atrás, que a declaração de independência não foi em Madina do Boé, mas já dentro da Guiné Conacry. São as "lendas e narrativas" do PAIGC, ou as mentiras e mentirolas que continuam a falsear e envenenar a nossa história comum. E que tem os seus apaniguados e defensores, chamemos-lhes assim, neste blogue, na Assembleia da República, nos historiadores da treta. Obrigado, C. Martins, pela tua lucidez.
Abraço,

António Graça de Abreu

Anónimo disse...

Caro Valdemar Silva

Tenho provas sim, mas não as posso revelar publicamente.

Os dirigentes do PAIGC não eram estúpidos que fossem fazer a cerimónia em lugadjole, porque aquele sitio onde está ou estava o dito monumento de comemoração, que quando lá estive estava completamente abandonado e degradado, não tinha o mínimo de condições de segurança e de logística para se fazer tal cerimónia, porque implicava levar altos quadros não só do paigc como de delegações estrangeiras, segundo as próprias reportagens efetuadas.
Não havia nem há mata nenhuma em todo o planalto do Boé, que na realidade não é nenhum planalto, mas sim uma sequencia de pequenos vales com ligeiras elevações e que é quase deserto na estação seca.

Que me interessam as reportagens de orgãos de comunicação social supostamente independentes.
Sabes qual era a orientação politica do "Le Monde"?
Nunca ouviste falar em contra-informação ? Nunca ouviste a "maria turra"?

Na coreia do norte o avô do atual ditador também tem um monte com o seu nome, onde nasceu e desceu o dito montado num cavalo branco para salvar o povo coreano do imperalismo yanque...não sabias !!!

A cerimónia da proclamação unilateral da independência foi realizada ,sim, mas no interior da Guiné-Conakry.~

AB
C.Martins

António J. P. Costa disse...

Olá Camaradas

Mais uma vez os mestrados, doutorados e quejandos vêm dar a versão que lhes impingiram. Agora até um deputada da AR anda nesta vida...
O PAIGC têm que ir construindo os seus mitos, porque na altura própria faltava à verdade nos seus relatórios, como temos vindo a ver na análise da documentação da "Casa Comum". Aquela do marco 1958 colocado ali pelo Amílcar é uma piada bem montada. Será que ele alguma vez ali foi com marco e se dedicou a enterrá-lo? Como diria o Brecht e "não tinha seqeur rum pedreiro ao seu serviço?". O PAIGC assinalou o local onde declarou a independência (unilateralmente) de uma forma tardia e depois perdeu-lhe o Norte. Pudera não foi ali...
Agora com um monumento assistido a painel solar é que vai ser bom!
A tecnologia é uma coisa muito boa.
O que vale é que a memória é curta e um destes dias nem sequer se sabe onde anda o fio que conduziu a electricidade e tal painel explicativo.
Enfim, estamos perante uma actividade ATL para entreter as crianças...

Um Ab. e bom domingo
António J. P. Costa

Anónimo disse...

Amigo Luís Graça,

Fello Loura (ler Fello Lura), na língua fula (variante Futa-fula) significa montanha da dissensão. Na variante fulacunda (fulas da GBissau) seria Ferlo lural.

Cherno AB

Anónimo disse...

Pois é António José P. Costa o pior é que a verdade desta gente atrás da capa de intelectuais e das ongs bem como o digital, são dados como os detentores da verdade.

De facto a tua expressão ATL diz tudo e é real perante aquilo que assistimos.

Abraço Carlos Gaspar

Antº Rosinha disse...

O PAIGC teria obrigação de anualmente pelo 24 de Setembro, fazer uma romaria ao lugar de culto para festejar o aniversário da sua independência, e acabar de vez com muitas perguntas.

Houve uma tentativa no 15º aniversário (1980) de mobilizar uma grande excursão a esse lugar de culto.

Ainda o Nino vieira era primeiro ministro e Luís Cabral presidente, e a maioria dos herois ainda vivos e de perfeita saúde, e logo de manhã cedo as estradas reservadas para as entidades e suas escoltas, e lá partiram, volvos, jeepes, e candongas e camionetas militares.

"Eis senão quando", a meio da tarde, já estavam regressando, e sem grandes explicações, veio-se a saber que não chegaram a passar a jangada de Tche-tche.

Ao nosso Dom Afonso Henriques também apareceu Cristo, ao vivo e a cores.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Caros/as leitores/as:

Parece-nos ter "descoberto" o mistério do "marco" atribuído a Amílcar Cabral e à passagem pela colina, que hoje teria o seu nome, "Montanha Cabral", segundo a "crença popular"...

Há tempos publicámos aqui um poste com fotos de marcos semelhantes para os quais a antropóloga Lúcia Bayan procurava uma explicação...Vd. o poste:


22 DE JANEIRO DE 2020
Guiné 61/74 - P20584: Antropologia (36): As insígnias de autoridade dos Felupe e Marcos no Chão Felupe, por Lúcia Bayan (Mário Beja Santos)



Só o nosso "mais velho" António Rosinhe lhe repondeu, fazendo uso da sua grande sabedoria, experiência e inteligência emocional... Os nossos "mais velhos" veem muito mais longe, sentados na base do poilão, do que os "djubis", os putos, dependurados lá no cocuruto!...

O Rosinha, com o seu apurado "olhar clínico", não teve dúvidas: ná, esses marcos não podem ser "marcos geodésicos"... Afinal, ele foi um experiente top+ografo em Angola e depois na Guiné-Bissau... Foi ele que nos deu uma "ista preciosa" que, juntando à informação da antropóloga. nos levou à MGHG - Missão Geo-Hidrográfica da Guiné... E não MCOG, senhora doutora!... Veja com mais atenção as fostos dos marcos que tirou bo chão fula...

Escreveu o nosso querido amigo e camarada, o "cólon" António Rosinha:

(...) Um vértice (ou Marco) geodésico é um sinal que indica uma posição cartográfica exacta e que forma parte de uma rede de triângulos com outros vértices ..

Aqui na "Metrópole" os marcos geodésicos são normalmente troncos de cone e em Angola, eram troncos de pirâmede em geral.

Normalmente todos com alturas de mais de metro e meio em locais altos e se possível intervisíveis com outros vértices directamente, caso contrário usando torres metálicas centradas sobre esses marcos.

Também nas minhas andanças guinenses, junto de um canal, (que já nao me consigo recordar aonde)encontrei um marco de cimento igual aos das fotos.

Não é possível que esses marcos da foto e o tal que eu também encontrei há mais de 25 anos, pertencessem a uma rede geodésica principal.

Para mim, foram marcos coordenados por oficiais da marinha, em levantamentos geográficos parciais, para posterior ligação a uma futura rede geodésica.

Nem compreendo para que outra coisa serviria construir uns marcos com fundações tão frágeis.

Era muito caro e muito custoso fazer cartografia na Guiné, havia a MGA, Missão Geográfica de Angola, mas aí, terra muito rica, eram enormes marcos para toda a vida.

Guiné, cuitada!

23 de janeiro de 2020 às 18:38


... O povo, sempre a crendices, criou o mito do "marco do Amílcar Cabral!... e as nossas amigas da ONGD Afectos com Letras acharam bonito, solidário e romântico dar um ajudinha, criando um "nicho" de devoção ao São Amilcar Cabral...


Isto não significa negar ou desvalorizar as"!boas intenções" desta ONGD, "Afectos com Letras" que, ao que parece, tem feito um bom trabalho na Gune...

De qualquer modo, nenhum de nós, nem o Cherno Baldé, nunca tinha ouvido falar da tal mágica e sagrada "Montanha Cabral"...

Mas também, e como escrevemos ao Cherni, é improtante associar o território à memória das gentes... Também nós, portugueses, temos as nossas "lendas e narrativas", desde Ourique a Alcácer Quibir... Afinal, um povo que as não tenha, é um povo morto ou moribundo...

Faremos a seguir um poste sobre este caso... da "Montanha Cabral", que achamos delicioso. (Afinal, estamos aqui, numa boa, não para "fazer história", que é uam coisa chata e enfadonha, que deixamos aos senhores historiadores dilonadeos, mas oara nos divertirmo-nos e cuidadar da nossa boa saúde mental... Mal de nós, antigos combatentes, quando um dia viermos aqui dizer: "Já não me lembro do que esqueci!...).





Tabanca Grande Luís Graça disse...

Escreveu a Cristina Marcelino:

(...) "Nasce um projeto de reconhecimento histórico nas colinas do Boé. A Associação Afetos com Letras está a construir um pequeno espaço de memória na Montanha Cabral, junto ao marco ali colocado por Amílcar Cabral em 1958 e que mais tarde se torna o local de encontro com os seus homens e onde muita da estratégia militar era definida." (...)

A Cristina Marcelino, sendo uma mulher inteligente, e seguramente com formação científica iu , pelo menos , académica, devia ter tido mais preocupação com o rigor factual: eu sei que não é antropóloga, nem socióloga, nem historiadora, mas devia ser mais cautelosa em relação à "lenda da Montanha Cabral"...

Ninguém está a ver o senhor engenheiro agrónonomo Amílcar Cabral a carregar, na clandestinidade, em 1958, um pedregulho de cimento com uma inscrição, monte acima, só para os vindouros poderem dizer, sessenta e tal anos depois: "Aqui, na colina Dongol Dandum, à cota 171, colocou, para a eternidade, um marco, aquele que prometeu, para a hstória, ser o pai-fudnador da Nação Guineense"...

A Cristina, que não lê o nosso blogue, não tem que saber que os cartógrafos portugueses andaram nesta região, e que a carta de Madina do Boé é jusamente do ano de 1958 ?

https://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial28_mapa_madinaboe.htm

Já aqui, e há muito, deixámos nossa homenagem aos valorosos cartógrafos militares portugueses. Esta e outras cartas da Guiné resultaram do levantamento efectuado, neste caso, em 1958 pela Missão Geo-H (MGHG)idrográfica da Guiné, Comandante e oficiais do N.H. Pedro Nunes.

A fotografia aérea, essa, era da aviação naval (Abril de 1956). Restituição dos Serviços Cartográficos do Exército. Fotolitografia e impressão: Papelaria Fernandes (1962) A edição é do da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar, do antigo Ministério do Ultramar, s/d. Digitalização efectuada na Rank Xerox (2006). Cópia gentilmente cedida pelo nosso camarada Humberto Reis, a quem carinhosaemente chamamos o "cartógrafo-mor" da Tabanca Grande...


Valdemar Silva disse...

Ó C. Martins, 'tenho provas sim, mas não as posso revelar publicamente', então isso diz-se?
Começa por entrar "oficialmente" no nosso blogue e depois atira lá essas provas, mas não valem as da pide, ou melhor dizendo as da dgs-polícia politica do regime.
Eu quero lá saber do cavalo branco do avô do actual líder da Coreia do Norte que há uns meses andou aos apertos de mão com o líder dos EUA.
Quanto as tendências políticas editoriais dos jornais, em relação a verdade/mentira são todos supostamente independentes e não vale a pena falar do assunto, pois tanto o Le Monde, como o Le Figaro, France-Soir e outros todos deram a notícia referindo 'zonas libertadas'.
Eu, também, não estou totalmente convencido que toda aquela gente tenha estado, na proclamação da independência, na mata próximo da tabanca de Lugadjole, mas é um facto indesmentível que a partir da retirada/abandono da NT de Madina do Boé, Che-Che e Beli, toda aquela zona a leste do Rio Corubal pode ser considerada pelo PAIGC como zona libertada.
Não me lembro e gostava de saber, depois da retirada (estratégica para não ofender ninguém) de toda aquela zona, se continuaram as operações militares no terreno ou em acções da FA para manter o território sob o domínio português.
Será que, também, tens provas de algum plano secreto para voltar a povoar toda aquela região?
Bem ou nem, por parecer à la mode, espero não aparecer um "movimento patriótico", a sério e não de troca tintas, para avançar na recuperação do território da Guiné que não se sabe ao certo se houve uma proclamação de independência. Bora pá.

Valdemar Queiroz

Tabanca Grande Luís Graça disse...

O nosso querido amigo e camarada C. Martins (, que oficialmente não pertence à Tabanca Grande, por razões que ele invocou e que nós respeitamos, mas que tem mais de 3 dezenas de referências no nosso blogue, e foi um bravo artilheiro, ou comandante de artilheiros, em Gadaamel, em 1972/74), há muito que utiliza esse "alibi": eu tenho provas disto e daquilo, mas não as posso exibir em público, para não compremeter a segurança de terceiros...

O C. Martins tem informações, de "fontes privilegiadas", do tempo em que foi cooperante, médico, na Guiné-Bissau...mas está sempre a brincar connosco ao jogo do gato e do rato: "Eu sei mas nao posso dizer"...

Querido Martins, eu só quero saber quando é que vai ser "o grande dia em que abres o livro", antes de eu poder marcar a hora da minha +rórpia morte... e dizer, para o resto da Tabanca Grande: "Camaradas, já posso morrer descansado, o nosso C.Martins já pôs a boca no trombone"...

Eu,quando morrer, não quero levar o trombone para o inferno... Um chicoraçã fraterno para os dpis, C. Martins e Valdemar Queiroz.


Anónimo disse...


Manuel Coelho
25 out 2020 17:20

Boa tarde Luís Graça.

Não me lembro de em 2018 ter lido esta descrição.

Óptima achega para a história daquela zona.

Outro assunto: tive hoje a notícia do falecimento em 8 de Fevereiro do então capitão Brandão
e ora coronel (R), comandante da minha companhia CC1589.

Já vamos sendo poucos
abraço

Anónimo disse...

APRESENTAR PROVAS....SEENNNN...OOOOPPPP ??'"""""!!1!

Caro Luis Graça

Credo não é preciso seres tal radical, desejo-te longa vida.
Terei todo o gosto em esclarecer-te pessoalmente de todas as dúvidas depois de passar esta maldita pandemia.
Eu nem provas tenho de ter estado na Guiné e até de ter feito o serviço militar, como já tive oportunidade de te dizer, pelo simples facto de ter destruído todos os documentos após o regresso da Guiné.
Quando alguém discorda do nosso ponto de vista é fácil argumentar no "apresenta provas".
Tenho muita honra em manter a promessa de confidencialidade até porque ainda estão em perigo familiares do meu confidente, porque este infelizmente já faleceu.

AB
C.Martins

Anónimo disse...

Caro SR. Valdemar Queiroz

O Sr. não me conhece de lado nenhum, não tenho que lhe dar satisfações e não respondo a insolências e provocações.
Passe bem

C.Martins

Valdemar Silva disse...

Caro C. Martins, então?
Com aquele 'Caro Valdemar Silva', até pensei termos sidos camaradas na guerra da Guiné.
Agora com o 'Sr.' pia ou fia mais fino.
Lá terá que ser feito o habitual, para não criar problemas destruir as provas deste primeiro contacto.

Em todo o caso, saúde da boa
Valdemar Queiroz

António J. P. Costa disse...

Olá Camaradas

Aquela da Montanha Cabral está giríssima!
E ainda por cima naquele local que evoca o Massacre do Pidjiguiti, ocorrido em 1958.
Daí vem a data inscrita no marco. Só falta o dia e a hora, mas lá iremos. Pode ser que a ONG Afectos, Palavras, Similares & Correlativos as descubra.
Talvez haja também uma montanha na Guiné com o nome Nino. É questão de procurar...
Fica a ideia.

PS: Lembro-me de que, em Cacine, o chefe da tabanca, que era meu amigo, propôs-me um dia, que uma bolanha que ele conhecia, se passasse a chamar Bolanha de Alfero António. Só não aceitei por modéstia... Mas a placa toponinímica chegou a estar encomendada.
Também é verdade, mas não posso apresentar provas... Os documentos perderam-se.

Um Ab.
António J. P. Costa

Tabanca Grande Luís Graça disse...

C. Martins, tudo numa boa!...A gente só que tem que respeitar os teus "silêncios", mesmo que possa não compreendê-los...

Quando é que nos encontramos ? Infelizmente, este ano já passou a "grande caldeirada de Ribamar", não houve festa, a santa ficou confinada na igreja... E se é uma semana inteira de arromba, à conta da Nossa Senhora de Monserrate!...

São as maiores festas do concelho da Lurinhã, a par da Atalaia, que tem outra santa poderosa, a de Nossa Senhora da Guia... Os pescadores da Lourinhã, em terra ou no mar, no brincam em serviço...

Pode ser, mano Martins, que a gente ainda consiga encontrar-se na próxima primavera, em Monte Real, para celebrar a nossa amizade e camaradagem e o fim do pesadelo da pandemia de Covid-19... Ainda é cedo para fazer prognósticos e puxar da agenda...

Saúde e boa reforma. Luís