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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

1. Faleceu,  no passado dia 28 de maio, o major-general paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026), oficial de Cavalaria e uma das figuras mais marcantes da história das Tropas Paraquedistas portuguesas. Tinha 93 anos. Com ele desaparece toda uma geração de grandes combatentes portugueses.

Nascido em Zoio, concelho de Bragança, em 18 de dezembro de 1932, integrou a geração de militares que construiu e consolidou a arma paraquedista portuguesa, distinguindo-se tanto em campanha como em funções de comando. 

Tem uma brilhante carreira militar (fez cinco comissões de serviço no ultramar, incluindo Timor, Angola, Guiné e Moçambique).

Fexuma comussão no CTIG (julho de 1966 / maio de 1968).

Na 2ª comissão  em Angola, foi 2.º comandante e depois comandante do BCP 21 (Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21), tendo participado em numerosas operações no norte e leste do território. 

 Os louvores e condecorações que recebeu testemunham as qualidades de coragem, liderança e capacidade operacional que lhe eram reconhecidas pelos seus superiores e subordinados (como foi o caso do nosso amigo e camarada, e membro da nossa Tabanca Grande, ex-alf mil pqdt Jaime Bomifácio Marques da Silva,  que serviu sobre as suas ordens em Angola, em 1970/72). A antiga enfermeira paraquedista Rosa Serra também conheceu e conviveu, em Luanda, com o ilustre militar. Foi, de resto, ela que nos fez chegar a triste notícia do seu falecimento. 

Após o 25 de Abril, desempenhou funções de elevada responsabilidade militar, comandando a Escola e o Corpo de Tropas Paraquedistas, e teve papel relevante nos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975. 

A sua carreira culminaria com o posto de major-general, deixando uma forte memória entre várias gerações de paraquedistas.

Segundo nota do sítio oficial da Presidência da República, "o Major-General Almendra foi o primeiro Oficial-General Paraquedista e goza de enorme prestígio no seio nas Forças Armadas, em especial junto das tropas paraquedistas. Ao longo da sua ilustre carreira militar recebeu inúmeras condecorações, destacando-se o grau de oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e duas medalhas de valor militar com palma, uma grau ouro e outra grau prata".

As cerimónias fúnebres completam-se hoje, com missa de corpo presente às 13h00, na Igreja da Força Aérea (antigo convento de São Domingos de Benfica, Pupilos do Exército, Lisboa), seguindo o funeral às 14h00 para o Crematório dos Olivais.

Os votos de pesar da Tabanca Grande para a família enlutada e os antigos camaradas de armas.

2 comentários:

ManuelLluís Lomba disse...

Curvo-me à memória do Major-general Heitor Hamilton Almendra, um dos últimos grandes Soldados do Portugal de antigamente.
Sentidos pêsames à família.
Manuel Luís Lomba

Barroca Monteiro disse...

Evidente que sem espaço, Expresso ou Diabo...no Face e replicado pelo Mor Serrano Rosa...Heitor Almendra, o general da Luanda 75
«o papel do indivíduo no grupo--no caos ou no fazer fazer»

Heitor Hamilton Almendra, brigadeiro-general antigo comandante do Corpo de Tropas Paraquedistas, uma lenda viva dos cinquenta mil militares formados no Regimento de Paras em Tancos, faleceu dia 28 de maio em casa.
O seu CV surgiu de imediato nas redes sociais, com idêntica nota do Exército. Lembrado na missa de corpo presente na igreja da sua FA em 1 de julho com familiares e amigos de sempre, um herói entre os seus militares, um leão que partiu!
Com o general Lemos Ferreira CEMFA a desenvolver do quase nada de 1975/76 a Brigada de Paraquedistas Ligeira, inovação com alguns registos exemplares: cooperações anuais com países aliados com relevo para a Brigada Paracaidista espanhola, com idênticas presenças em Portugal; novas qualificações militares e capacidades em armamento e equipamentos modernos; presença ne exercício Shinderhannes na RFA, com o primeiro lugar por tres anos seguidos em patrulhas de longo raio de ação no âmbito da NATO, de seis países aliados incluso americanos; em 1995, com a sua Tropa no Exército com dois mil efetivos. Com o Exército pausado no resto do SMO e início de militares contratados, para sustentar o primeiro ano de presença na Bósnia com um batalhão de sete centena e meia de militares acrescido de centena e meia de apoio logístico, no gelado inverno de janeiro de 96-a fibra dos paras lusos, a herdar a das forças no Ultramar até 1975, os últimos a sair.
Numa breve resenha de Angola 1974/5, com as forças em África em debacle pós Abril, o batalhão de paras em Luanda-BCP21 e alguma presença de tropa comandos, com o afastamento de generais no Exército, um coronel graduado em brigadeiro para Luanda a ferro e fogo; a reação a ataque de forças do MPLA sobre militares lusos na cidade, sem apresentação dos responsáveis até hora pedida, a destruição da Vila Alice a tiro com membros do movimento ali presentes. A força que o pivot de uma TV em Lisboa aludia se excessiva; no retraimento militar do leste, uma ameaça da UNITA sobre a grossa coluna do exército para Luanda-um oficial superior que os avisa, vem aí o Almendra, a chefia local da UNITA de recuo imediato; um jeep que atravessa a cidade, uns disparos na zona- o brigadeiro que sai e ao lado de pé.
No convite para governador de Cabinda, a escusa do militar de sempre, e o regresso de navio a Lisboa com a sua gente, fundamental no processo de travagem ao desvario do PREC com a classe de sargentos paraquedistas a dias do 25 de novembro até que travados com Jaime Neves, e a FA na base de Cortegaça.
Atleta universitário exemplar, bom observador dos seus quadros e tropas, olhar de águia, atento e decidido, capaz de violência breve, elevada proximidade com os seus, com o fruto maduro em 1996 no caos da Jugoslávia, na reduzida capacidade militar do país. Com um pequeno estado-maior chefiado por um tenente-coronel, Moura Calheiros-licenciado em economia, a levantar do vazio pós Nov 75, a força militar de 1995/96 para a Bósnia. De pequena violência humana em Luanda, da qual o Alto Comissário e Governador-Geral responde a dúvida do ministro da Coordenação Interterritorial…«esteja descansado Sr Ministro, que o Almendra vale por um pelotão»; ou entre os seus, quando entre o grupo algum oficial purista a exagerar no registo, o raro berro e muro na mesa, logo ultrapassado.
Na organização Defesa e chefia militar, o líder nato, que com Lemos Ferreira produziram nas FFAA, pós África, a moderna FA e as Tropas Pára-quedistas.
PS: em tempo de autocracias ou poderes fortes, com o Sr Brigadeiro Almendra na criação do Pára-clube Nacional “Os Boinas Verdes”, à proposta dos membros de atribuição do Cartão Nº1-vote-se os números com o sorteio dos nomes. O cartão nº1 para este observador participante.

Barroca Monteiro
Coronel paraquedista, ref