
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Agosto de 2026:
Queridos amigos,
O facto da Catedral de Mainz possuir um interior que não me enche as medidas de modo algum garantindo o peso patrimonial que possui, a começar pela arte funerária, peças belíssimas dos túmulos daqueles bispos que coroavam o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, acresce os retábulos, o esplendor do púlpito, o podermos observar as etapas da evolução do gótico, do barroco, as múltiplas adições introduzidas no século XIX, até chegarmos aos importantes trabalhos de conservação e restauro depois da Segunda Guerra Mundial, e concluídos em 1975. No dia seguinte apanhei o comboio de Idstein para Frankfurt, depois o metro e sair na praça principal, onde se avista soberbos arranha-céus, são a prova eloquente desta cidade que é uma praça financeira de muito peso, sede do Banco Central Europeu e possuidora de um património histórico-artístico de valor incalculável. Por razões de saúde, vou palmiando lentamente à procura de novidades arquitetónicas, sempre na esperança de ganhar coragem de atravessar o Reno para visitar o mais importante museu da Alemanha, tal não acontecerá, mas deixarei provas do meu registo.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268):
Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3
Mário Beja Santos
Pretendo acrescentar umas notas sobre a visita que fiz à catedral de Mainz. Trata-se de uma basílica com mais de mil anos de história, onde relevam as marcas do românico, de diferentes fases do gótico, do barroco, de sucessivas adições do século XIX e alterações provocadas por bombardeamentos em 1942 e 1944, tudo conjugado as imagens que temos datam do acabamento das obras em 1975. Um templo de cinco naves, duas absides, torres magníficas. Se bem que este volumoso interior muito pouco me impressiona, há que reconhecer a considerável importância da Catedral no plano histórico em termos arquitetónicos, talvez nenhuma outra catedral alemã conserve tanta arte funerária, os túmulos dos arcebispos, dado que o arcebispo de Mainz fazia parte dos príncipes eleitores do Sacro Império Romano-Germânico, era mesmo a sede religiosa do Império. Mais de mil anos, porque foi catedral carolíngia, a planta que hoje disfrutamos arrancou na Idade Média, diga-se de passagem, que o património medieval melhor conservado é o do claustro, como aqui se mostra.
Pormenor do claustro medieval da Catedral de Mainz
Madona dos Peregrinos da Palestina, obra do final do século XV
Imagem tirada no claustro mostrando a torre mais elevada, passeando no jardim são bem visíveis as marcas dos estilhaços dos bombardeamentosUm dos corredores do claustro com marcas funerárias de alguns dos arcebispos
Outra perspetiva da torre tirada do claustro medieval
O altar de Maria, século XVI, Catedral de Mainz
Portal do Mercado (séc. XII) da Catedral. As portas de bronze são da época de Willigis (c. 1000)
Duas perspetivas de uma das fachadas laterais da catedral tiradas da praça onde, no lado oposto, está o museu Gutenberg, que, infelizmente, não tive oportunidade de visitar. Juntei as duas imagens só para se ver o conjunto de adições que se embebem nas paredes da primitiva catedralUm só exemplo do esmero arquitetónico que rodeia a praça da catedral. Aqui termina a visita a Mainz, regresso a Idstein, amanhã nova viagem de comboio para matar saudades de Frankfurt
Já no Guide Bleu de 1972 se falava da importância comercial industrial e de feiras desta vetusta cidade, posicionada na encruzilhada das principais rotas europeias, com bolsa desde o século XVI, também dessa época um importante centro bancário, depois da Segunda Guerra Mundial sede de feiras prestigiosas à escala mundial abarcando o livro, a química, o automóvel, a indústria farmacêutica, a aparelhagem elétrica e as ferramentas. Num bombardeamento em 1944 desapareceu a velha Frankfurt, era um dos maiores conjuntos medievais alemães. Há lugares fundamentais a visitar, dadas as dificuldades da minha saúde, tomei o metro à saída da gare principal de Frankfurt e encaminhei-me para a Catedral de São Bartolomeu. Pelo caminho vou encontrando recordações de famílias judaicas que habitaram pela cidade e que acabaram em fornos crematórios, em dado passo passei perto do cemitério judaico de cuja parede tem lembrança dos falecidos devido às perseguições nazis, ali perto do cemitério está o museu judaico, dado como historicamente muito importante, ficará para a próxima visita.
Esta imagem não é minha, é da Wikipédia, mostra claramente como a catedral está completamente afogada pelos edifícios circundantes, a foto foi tirada da outra margem do rio Reno
O novo órgão da Catedral de São Bartolomeu, impressionante até pelo seu aparato cénico. Entra-se na catedral pela porta lateral onde está um belo calvário, obra do início do século XVI. A catedral tem também uma grande importância histórica, era peça indispensável para a cerimónia da coroação imperial, tendo a nave a normalmente curta tem um transepto que permitia aos dignatários agrupar-se à volta do imperador e participar diretamente nas cerimónias, pois era no cruzamento do transepto que o bispo eleitor de Mainz coroava o novo imperador.
Retábulo gótico esculpido chamado Altar da Despedida dos Apóstolos, datado do século XVI
Capela onde se elegia o imperador do Sacro Império Romano-Germânico
O Geógrafo, quadro de Vermeer, Museu Städel
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Nota do editor
Último post da série de 22 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28281: Os nossos seres, saberes e lazeres (746): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267): De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2 (Mário Beja Santos)


















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