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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27607: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte II: A escola primária e a comunhão solene


Francisco Caboz, "alter ego" de Horácio Fernandes
(Ribamar, Lourinhã, 1935 - Porto, 2025)


António Fernandes (Maçarico), avô paterno do Horácio. Era filho de Maria da Anunciação (Maçarico) e de Manuel Fernandes. Deve ter nascido em finais do séc. XIX e emigrado para a América nos anos 20. O Horácio nunca o chegou a conhecer. Foi o avô materno, o Ti João das Velas de Santa Bárbara, sacristão, quem marcou a sua infància, e o apoiou na sua decisão de ir para a escola primária e depois para o seminário, única forma de escapar à pobreza naquele tempo. (Ediçãp da foto e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


Fonte: Américo Teodoro Maçarico Moreira Remédio - Vila de Ribamar e as famílias mais antigas: Família Maçarico: Árvore genealógica: 500 anos de história. Ribamar, Lourinhã: ed. autor. 2002, pag.132. 



1. Estamos a reproduzir excertos da dissertação de mestrado em ciências da educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências das Educação da Universidade do Porto (1995), da autoria do Horácio Fernandes.

No capº 4º, ele narra e comenta em 3 dezenas de páginas a sua história de vida.  No poste anterior,  ele apresentou-nos. sucintamente,   a sua terra, "Arribas do Mar" [leia-se Ribamar, da Lourinhã], bem como as 3 figuras da família que o marcaram: o pai (José Fernandes Nazaré), a mãe (Elvira Neto) e  o avô materno  (nascido por volta de 1875/80, o sacristão da freguesai, o Ti João das Velas de Santa Bárbara)... 

O avô paterno, Fernandes (Maçarico),  nunca o chegaria a conhecer: quando disse a Missa Nova, em 1959, ele já tinha morrido na América.

É uma história de vida, bem dura, em tempos muito difíceis, que merece ser conhecida dos nossos leitores. O Horácio nasceu em 1935. Em 1945/46,  cpmpletou a 4ª classe e seguiu para o seminário dos franciscanos (em Montariol, Braga). A maior parte de nós, que nasceu já 10 ou mais anos depois do Horácio, ainda se reconhece nesta narrativa autobiográfica  

Foi a partir deste trabalho académico que, 14 anos depois, ele publicaria o seu livro de memórias "Francisco Caboz: a construção e a desconstrução de um padre" [ Porto: Papiro Editora, 2009, 185, (7) pp. ISBN 978-989-636-446-5].

Francisco Caboz é o "alter ego" do Horácio Fermandes, entretanto falecido, recentemente, em novembro de 2025, aos 90 anos). (O livro está esgotado.)

O Horácio Fernandes  seria ordenado padre em 1959. Foi capelão  no exército e na marinha mercante. Deixou o sacerdócio em 1972. Casou, passou a viver no Porto. Teve 3 filhos. Estava reformado da Inspeção Geral de Educação onde trabalhou 25 anos na zona norte. Em 2006 doutorou-se em ciências da educação pela Universidade de Salamanca, Espanha. Reencontrei-o por volta de 2015, na Tabanca de Porto Dinheiro. Ainda somos parentes, pelo lado paterno: as nossas bisavóis. Maria Augusta e Maria da Anunciação (nascidas na década de 1860) eram irmãs, e pertenciam ao clã Maçaricos.


História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte II:  A escola primária e a comunhão solene (1942-1946)

por Horácio Fernandes


3. Quando fiz sete anos    entrei para a escola, porque, não obstante fazer falta para tomar conta de minha irmã, doente cardíaca, esse o desejo de meu avô. Alimentava a esperança de ter um neto padre e insistiu com o meu pai.

 Aliás, eu não tinha sido habituado às lides do campo nem do mar, porque, como mais velho, tinha de tomar conta dos irmãos: aos dias de semana, paira a minha mãe trabalhar no campo e ao domingo ir à missa.

Na terceira [1944/45] e quarta classe [1945/46] , as coisas mudaram. Veio uma professora oficial de Lisboa e foi morar na residência anexa à escola, construída pelo povo. Vivia sozinha com sua mãe e um cãozinho de luxo.

 Meu pai, quando matava o porco, ou trazia um peixe melhor, mandava-me levá-lo ao Senhor Prior e à professora, cuja mãe me mimoseava com um pacotinho de bolachas.

Uma vez, faltou dinheiro da Gaixa Escolar, que era para ajudar os alunos mais pobres a comprarem o material escolar, e a professora interrompeu imediatamente as aulas. 

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Como dissemos no 2° capítulo, e em síntese, o sistema educativo salazarista não tinha preocupações de qualidade. Na sua lógica de privilegiar a doutrinação sobre a qualificação pedagógica (...), arregimentou pessoas de «bons costumes», a quem não exigia habilitação escolar para além da 4ª classe, a quem deu o estatuto de «regentes». (1)

Interessado apenas na alfabetização e não na escolarização, o regime investiu nestas figuras, a quem pagava pouco, mantendo-as mais facilmente na subordinação. 

Em Arribas do Mar, numa escola construída pelo povo, em 1932, houve apenas «regentes» até 1944, que ministravam a 1ª, 2 e 3ª classe. 

Quem quisesse tirar a 4ª  classe tinha de andar todos os dias 16 quilómetros [Lourinhã, ir e vir] , sem estradas nem meios de comunicação.

(1) Decreto n° 20604, de 30 de novembro de 1931.

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Os alunos ficaram aterrados e todos se interrogavam de quem seria o culpado. Como ninguém se acusasse, a professora usou o seguinte estratagema: deu meia hora de intervalo para que o culpado fosse buscar o dinheiro e depois obrigou os alunos a desfilarem, um de cada vez, com as janelas fechadas, para que o culpado repusesse a importância subtraída na respectiva Caixa. 

No fim desta operação, felizmente para todos, a importância estava reposta. Reuniu os alunos e disse-lhes:

«O que tirou o dinheiro e o repôs, até agora só reparou metade do pecado que cometeu. Agora tem de se ir confessar ao Senhor Prior, para que Deus lhe perdoe.» 

A tarde, levou todos os alunos à confissão.

A vingança dos que abandonavam a escola, também não se fez esperar. Passado um ano, começou a ir lá aos fins de semana outro professor de Lisboa namorá-la. Como era de baixa estatura, os 'rapazes vingavam-se nele, chamando-lhe «rapazeco» e correndo atrás dele e gritando, como faziam os maiores aos mais pequenos: «capa-se ! capa-se!».

À quarta feira, tínhamos catequese na escola e, ao sábado, aulas de Mocidade Portuguesa. A professora passava revista às nossas cabeças e às mãos. Se não estivessem limpas, ela própria fazia a limpeza.

Não se importava que fôssemos descalços, ou remendados, mas tínhamos de ir limpos. Se não fôssemos, não nos deixava entrar, e não se contentava com as desculpas da mãe do aluno e obrigava o pai, ao outro dia, justificar a falta. Na terceira e quarta classe, ao fim do dia, levava-nos para casa e dava-nos aulas até ao entardecer e de Inverno pela noite dentro.

Nas revisões para os exames, dava um pacote de 5 bolachas a quem lhe fizesse 5 problemas certos e quem não desse erros, dava reguadas aos outros. Eu combinava com o meu primo, que era bom a problemas, mas fraco a ditados.Por isso, eu, que não dava tantos erros, batia-lhe com pouca força e ele dava-me bolachas.

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A  primeira e segunda classe de Francisco foram atribuladas. Estava-se em 1942. As professoras «regentes» faltavam muito e ensinavam pouco. Com o mísero vencimento que auferiam (2) tinham de prover à subsistência da sua família e dar aulas de manhã aos rapazes e de tarde às raparigas da 1ª, 2ª e 3* classe.

Quem valeu a Francisco foi a «Menina Luísa», que tinha sido governanta do Senhor Prior e levava as crianças para casa para as ensinar. Como morava perto da sua casa, ia para lá todas as tardes fazer cópias e contas, pagando o seu pai com o melhor peixe do seu quinhão.

No ano lectivo 1944/45, Arribas do Mar passou de Posto Escolar para escola oficial e foi criado um lugar do quadro para uma professora. Chamava «paraquedista» à «regente» escolar que a antecedeu e assumiu-se como o 'alter ego' do Senhor Prior (3). Autêntica «missionária», a escola com ela era a fiel reprodutora do 'construtum' salazarista.

Cada lição do compêndio era reforçada com um sermão, sobre as obrigações de cada um para com Deus e seus representantes: pais, professores, padres e autoridades. Às quartas feiras à tarde, não obstante o atraso no programa, ministrava aos alunos a catequese para a comunhão solene. A escola era complemento da catequese.


 (2) «Se os regentes escolares que recebem 250$00 mensais, exceptuando as férias grandes, recebessem todo o ano, seriam equiparados a auxiliares de limpeza e guardas das sentinas da Ex.ma Câmara do Porto e ficariam abaixo dos varredores de 3ª lasse que auferem uns 330$00» (Dr. Pires de Lima, 1942,/« SAMPAIO, 1976: 200).

(3)  Ver Pinto, "Professor da Escola do Magistério do Porto", s.d.

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Começava com muitos alunos da terceira e quarta e no meio do ano já nem estavam metade. Os outros iam-se espontaneamente embora, mas ela também não fazia nada para os reter, porque dizia: «não quero cá os burros». 

À custa da régua, cana e bater com a cabeça no quadro decorávamos todos os caminhos de ferro, rios e serras do Continente Ilhas e Colónias, mesmo sem saber onde se localizavam. 

Todos os dias esperávamos por ela no alpendre da escola, às 9 horas em ponto, e saudávamo-la em silêncio, estendendo o braço à lusito, com um «Bom dia Senhora Professora !». Depois, em fila militar, entrávamos no átrio coberto, que antecedia a sala de aula, cantando em coro o hino da Mocidade Portuguesa: «lá vamos cantando e rindo, levados, levados sim (...)».

Ficávamos de cabeça baixa e olhos no chão, quando, depois das orações, chamava alguém ao quadro. O silêncio era de morte. Quando ela dava um sorriso, o que era raro, parecia que era dia de festa. O sinal exterior de que algo estava a correr mal era uma veia saliente que tinha junto aos olhos. Quando crescia, era sinal de tempestade.

Das poucas vezes que a vi sorrir, foi quando foram anunciados os resultados do exame da 4`ª classe, realizados na Lourinhã e passaram os cinco alunos que levou a exame, dos 8 que tinham começado a 4ª classe. 

Mas foi sol de pouca dura, porque ainda faltava o exame para a Comunhão Solene que ia ser feito pelo senhor Prior e ela dava-lhe tanta ou mais importância, que ao da quarta classe.

Perguntava, muitas vezes, quem queria ser padre e tinha uma devoção especial por Santo António de Lisboa. Quando tinha algum tempo livre, lia-nos as vidas dos santos da sua devoção.

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Entregou-se totalmente à escola e aos alunos. Exigente, cumpridora, católica devota, tomou sobre os seus ombros civilizar aquela gente ainda rude. 

No primeiro ano em que entrou, para conseguir mais um lugar de «regente», matriculou 88 alunos, da 1ª à 4* classe (4). Contudo, efectivamente começaram as aulas apenas 43 alunos: 26 da primeira e segunda classe e 17 da segunda e terceira classe. 

Os rapazes eram obrigados a vestir bata castanha e as raparigas bata branca.

No ano seguinte foi criado, mas não preenchido, mais um lugar de «regente» em Arribas do Mar. A professora ficou novamente sobrecarregada com 65 alunos, dos quais 17 fizeram exame: 12 do primeiro grau e 5 do segundo grau. 

Toda a gente a temia, mais que ao Regedor ou ao Cabo de Ordens, naturais de Arribas do Mar.

Muito reservada, dava-se apenas com duas ou três famílias, sendo intransigente quanto ao que chamava as «obrigações».

A escola elitista do regime seleccionava os «melhores», prefigurando uma sociedade, em que os pobres, submissos e dependentes,  eram alimentados dos valores simbólicos que os «eleitos» administravam. Para isso, recrutava dos meios rurais matéria-prima, que depois de estruturada pelo 'habitus' (cap. 3º ) e com o patrocínio dos «melhores»,  os benfeitores, iriam reproduzir os valores do sistema. Em contrapartida, adquiriam novo status social. 

Dos 4 rapazes e uma rapariga, que com Francisco fizeram o exame da 4ª classe, três foram para o Seminário e um para pescador. A única rapariga foi para costureira.


(4) Números retirados do Registo da Vida Oficial do Professor Primário, organizado por Manuel Pinto de Sousa, 1930. Porto (documento preenchido pela professora).

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Fonte: Excertos da dissertação de mestrado do Horácio Neto Fernandes, "Francisco Caboz: do angélico ao trânsfuga, uma autobiografia". Porto:  Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. 1995, pp. 106-108  (A dissertação, orientada pelo Prof Doutor Stephen R. Stoer, já falecido, está aqui disponível em formato pdf).

(Seleção, revisão / fixação de texto, paraènteses retos, bold, itálicos, título: LG)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 3 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27598: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte I: Arribas do Mar (Ribamar, Lourinhã), a família (o pai, a mãe, o avô materno)

Guiné 61/74 - P27606: Notas de leitura (1881): "Quatro Personagens à Procura de Abril", por Luís Reis Torgal; História e Memória, Temas e Debates, 2025 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 29 de Abril de 2025:

Queridos amigos,
O professor Reis Torgal foi oficial de Transmissões na Guiné, vem agora lembrar quatro personagens que ele associa aos tempos da ditadura, aos combates pela liberdade. Conviveu com o padre Mário e com Carlos Fabião. Sobre o padre Mário já aqui se fez a recensão do seu livro Como Eu Fui Expulso de Capelão Militar, acho que foi o momento azado para falar de Carlos Fabião. Ainda recentemente fui convidado a perorar na Faculdade de Letras quanto às encruzilhadas dos antigos combatentes, apareceu lá uma senhora doutora que entrou de pé em riste pelo crime praticado quanto ao abandono de comandos e milícias guineenses que tiveram de fugir ou que foram fuzilados. Deu-me uma coisa má e perguntei à dita senhora doutora se a História passou a ser por decreto uma História do depois, se não existe o antes e o durante. E falei em Carlos Fabião que se reuniu vezes sem conta com os comandos e os fuzileiros pedindo-lhes insistentemente que mesmo que fosse uma fase transitória que viessem até Portugal, na generalidade não aceitaram, diziam igualmente que o PAIGC os iriam tratar com dignidade. Mas Carlos Fabião que fez da Guiné nesse período que começou em maio de 1974 e findou em outubro não conta para a historiografia do pós-colonial.

Um abraço do
Mário



Um historiador de referência homenageia um capitão de abril, talvez o oficial que melhor conheceu a Guiné e as suas gentes

Mário Beja Santos

Luís Reis Torgal, professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com currículo invejável no ensino e na ciência da História, cumpriu o serviço militar obrigatório na Guiné em 1968-69, uma das razões pelas quais escreveu Quatro Personagens à Procura de Abril, História e Memória, Temas e Debates, 2025. Vai discorrer longamente do Estado Novo ao 25 de Abril, mas por dever de memória selecionou quatro personagens com provas dadas dos combates pela liberdade e pela democracia: Luís de Sttau Monteiro, autor teatral e jornalista, Joaquim Santos Simões, ativista cultural, Mário de Oliveira, o Padre Mário ou o Padre de Macieira da Lixa, com quem o autor conviveu em Mansoa, e Carlos Fabião, um infortunado capitão de abril, derradeiro governador da Guiné, a quem a historiografia tem sido madrasta, ignorando praticamente o seu labor ao longo de um número inusitado de comissões que teve na Guiné. Justifica-se plenamente que se foque em exclusivo a nossa atenção em Carlos Alberto Idães Soares Fabião (1930-2006).

Reis Torgal era oficial de Transmissões em Mansoa, aí conheceu o Major Fabião, este esteve em comissão de serviço na Guiné 1955-1961, assistiu ao chamado Massacre do Pidjiquiti que considerou que foi pouco mais do que “uma guerra entre os polícias Papéis e os estivadores Manjacos”; com o início da guerra em Angola foi mobilizado como capitão, no BCAÇ 132, voltou à Guiné em 1965, aqui é condecorado em 1967 e promovido a Major por distinção; em março de 1968 apresentou-se no Comando de Agrupamento 2952, cobria o vasto Setor Oeste, abarcava os batalhões de Mansoa, Bula, Teixeira Pinto, Mansabá, Farim e S. Domingos, era o oficial de operações. Em julho de 1968, Fabião e Torgal serão transferidos para o Comando de Bissau (COMBIS), Fabião tornou-se auxiliar de Spínola. Finda esta comissão, voltou à Guiné em 1971-1973, estando à frente do Comando Geral das Milícias, regressa a Lisboa e é colocado no Centro de Estudos Psicotécnicos do Exército. Reis Torgal repertoria um conjunto epistolar trocado neste período, algumas destas cartas serão discretamente vigiadas pela PIDE/DGS.

Carlos Fabião ganha notoriedade quando denuncia no curso do Estado-Maior do Instituto dos Altos Estudos Militares, em 17 de dezembro de 1973 que estava no ar um golpe de direita contra o regime que se dizia ser promovido pelo General Kaúlza de Arriaga, foi transferido para Braga, para o Distrito de Recrutamento Militar. Depois do 25 de Abril regressa à Guiné como encarregado do Governo e da Junta de Salvação Nacional, equiparado a Governador, e só começou por ser muito espinhosa dado os sonhos mirabolantes de Spínola que desejava voltar à Guiné e com a estranhíssima missão de vir consagrar os propósitos de uma autodeterminação, isto quando o PAIGC já tinha proclamado unilateralmente a independência em 24 de setembro de 1973 com o reconhecimento de um número impressionante de Estados da ONU; a historiografia não lhe faz a devida justiça por ter procurado trazer para Portugal fundamentalmente os elementos guineenses das tropas especiais, é neste período que se encetam conversações com as forças do PAIGC no interior do território, Fabião estará sujeito a um tremendo desgaste e com elevados custos a nível psicológico nesta estadia que ocorreu entre 7 de maio de 15 de outubro de 1974, graduado em Brigadeiro. Isto quando tudo parecia facilitado pelos acordos de Argel onde o PAIGC até assegurava a plena integração dos militares que tinham colaborado com as Forças Armadas portuguesas num corpo único de Exército, o que se veio a revelar um dramático sanguinolento embuste.


Fabião regressa a Portugal depois da demissão de Spínola, é nomeado para substituir Jaime Silvério Marques na Junta de Salvação Nacional, no Conselho de Estado e no Conselho dos Vinte e toma posse do alto posto do Chefe de Estado-Maior do Exército, graduado em General de quatro estrelas. Vinha esgotado e foi apanhado no vórtice do PREC, é neste período que irão ocorrer acontecimentos para ele infaustos – o juramento de bandeira no RALIS, incidentes no RASP, entregas de armas de Beirolas aos paraquedistas sublevados – que irão ditar a sua não promoção a Coronel, mais tarde. Na previsão da queda do Governo de Vasco Gonçalves, terá sido convidado para vir a ser Primeiro-Ministro. Ao sair da cena política, dar-lhe-ão um novo Distrito no Recrutamento Militar. Irá contestar vivamente a decisão do Conselho da Arma de Infantaria que considerou não vir a ser coronel. Então sai de cena, dedica-se a produzir o “Guia do Terceiro Mundo”, colaborará com o Centro de Documentação 25 de Abril, foi Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano. A justiça virá tarde, o Presidente Jorge Sampaio concede-lhe em 2004 o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.

Reis Torgal recorda-o pela camaradagem, pelo profundo conhecimento que tinha da realidade guineense, pelo esforço que foi o de estar à frente, na Guiné, quase sempre no fio da lâmina, e o seu sentido de dever, como capitão de abril, de aceitar incumbências no turbilhão do PREC, certamente num estado psicológico fragilizado e, conforme rezam as cartas que enviou a Reis Torgal, entristecido, amarfanhado por tanta crispação. Dirá numa dessas cartas:
“Sobre o seu comentário acerca do Poder e das intrigas, quero confessar-lhe que o que mais me choca é o estalinismo de todos os nossos partidos políticos. Jogam com as pessoas, ‘cortam’ cabeças, levantam calúnias sobre os adversários sem o menor pudor. Exigem, é o termo, o ámen, ámen para todas as decisões, mesmo as mais absurdas. Eu só acredito no diálogo e nos consensos que se obtêm por cedências recíprocas. O resto é matar a liberdade e a criatividade que dela emana. O povo descrê, desinteressa-se da política e fica à espera, cada vez com mais ansiedade. E se há coisas que eu tema, são os Messias que aparecem quando se criaram as condições para que eles apareçam.”
Há muita Guiné, muitas memórias do Padre Mário e de Carlos Fabião.


Dirá Reis Torgal das quatro personagens referidas: “São personalidades por vezes esquecidas ou só episodicamente lembradas, porque acompanharam a vitória de abril, mas também forma, de modo diferente em cada caso, vencidas, pelos princípios que assumiram, pelo seu caráter e temperamento, pelas circunstâncias e pelo tempo.”
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Nota do editor

Último post da série de 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27596: Notas de leitura (1880): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (7) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27605: In Memoriam (566): Nuno Dempster, poeta, escritor (Ponta Delgada, 1944 - Viseu, 2026), pseudónimo literário de Manuel Gusmão Rodrigues, ex-fur mil SAM, CCAÇ 1792 / BCAÇ 1933 (Farim, Saliquinhedim/K3, Mampatá, Colibuía, Aldeia Formosa, 1967/69);

1. O poeta, de origem açoriana, Nuno Dempster, nome literário de Manuel Gusmão Rodrigues, morreu na sexta-feira passada, dia 2 de janeiro de 2026,  na sua casa em Viseu. A notícia dada foi comunicação social. (*)

O Nuno Dempster era membro da nossa Tabanca Grande desde 9/2/2011 (**). Tinha página no Facebook. Era também amigo do Facebook da Tabanca Grande.

Nasceu em 1944, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel Açores (donde era originária a família paterna, sendo a  família materna de Amarante). 

Foi fur mil SAM, ou seja, vagomestre, da CCAÇ 1792, a companhia dos lenços azuis, que andou por Farim, Saliquinhedim/K3, a norte, mas também, Mampatá, Colibuía e Aldeia Formosa, a sul... 

Além de poesia, Nuno Dempster cultivou o conto e o romance. Obras mais recentes do autor, publicadas pela Companhia das Ilhas, sediada nas Lajes do Pico,  
  • “Seis histórias paralelas” (contos, 2023), 
  • “Limbo, inferno e paraíso” (poesia, 2022), 
  • “Variações da perda” (poesia, 2020), 
  • “Há rios que não desaguam a jusante” (romance, 2018) 
  • e “Na luz inclinada” (poesia, 2014).

Em 2021, Nuno Dempster organizou, com Anabela Almeida, a antologia de poemas do seu avô, Armando Côrtes-Rodrigues (1881-1971), “Um poeta rodeado de mar” (Companhia das Ihas,  2021).

Além de poesia, Nuno Dempster cultivou o conto e o romance. Outras obras do escritor:
  • “Uma paisagem na Web” (poesia, editado pela & etc, 2013), 
  • “Elogia de Cronos” (poesia, Artefacto Edições, 2012), 
  • “O papel de prata, o reflexo e outros contos pelo meio” (Companhia das Ilhas, 2012), 
  • “Pedro e Inês. Dolce Stil Nuovo” (poesia, Edições Sempre-em-Pé, 2011),
  •  “K3” (poesia em que faz uma incursão no tema da guerra colonial, & etc, 2011);
  • “Uma flor de chuva (poesia, Escola Portuguesa de Moçambique, Maputo, 2011),
  •  “Londres” (poesia, & etc, 2010) 
  • e “Dispersão – Poesia reunida” (Edições sempre-em-pé, 2008) 
Tinha também um blogue, que mantevce de 2007 a 2021, A Esquerda da Vírgula, dedicada aos livros, aos seus e aos dos outros.

Vivia em Viseu (cidade, onde vivo exilado por força dos meus erros e suas consequências", escreveu ele algures, no seu blogue).


Capa do livro com o longo poema K3 (& Etc., 2011, 64 pp.) (Autoria da capa: Maria João Lopes Fernandes)

Sinopse: Nuno Dempster (autor de "Londres, ed. & etc) revisita o Horror. Felizmente para elas, as jovens gerações (também de poetas) desconhecem esse Horror que foi, para quem o sofreu nos ossos e no que houvesse de alma, a Guerra Colonial. Algures na Guiné e algures num quartel subterrâneo: o K 3. Nossa palavra: não conhecemos, na literatura sobre o tema, tão fundo, tão magistral testemunho desse Horror. Elegia, catarse, contrição, K3 combate o esquecimento. (Fonte: Wook)



Dedicatória do autor à nossa Tabanca Grande:

 "Para o Luís Graça & Camaradas da Guiné, todos meus companheiros nesta guerra que em muitos ainda está por digerir, com o afecto e a camaradagem do Nuno Dempster. 3/2/2011. Na Guiné, de [1967-1969,], no K3, Mampatá, Colibuía e Quebo (Aldeia Formosa), por esta ordem".


2.  Comentário do editor LG:

Morreu mais um poeta da nossa terra. Morreu mais um canarada nosso. Morreu mais um grão-tabanqueiro. É uma tripla perda. Os meus votos de pesar para a família e os amigos mais íntimos, sem esquecer a companhia dos lenços azuis, a CCAÇ 1792 / BCAÇ 1933 (1967/69).

Não conheci pessoalmente o Nuno Dempster. Trocámos apenas alguns emails. Li com grande emoção, e de um só fôlego, o seu extenso poema K3. Ele teve a gentileza de mandar uma cópia, autografada, do livro, com dedicatória a todos os camaradas da Guiné.

A CCAÇ 1792 tem 14 referências no no blogue. E o Nuno apenas meia dúzia. A companhia dos lenços azuis andou por Farim, Saliquinhedim/K3, a norte, mas também, Mampatá, Colibuía e Aldeia Formosa, a sul... 

Pertencia ao BCAÇ 1933 (Nova Lamego, Bissau, S. Domingos). Teve  3 comandantes:  
  • Cap Mil Art Antóno Manuel Conceição Henriques (que ficaria sem as pernas numa mina A/C); 
  • Cap Art Ricardo António Tavares Antunes Rei, 
  • Cap Inf Rui Manuel Gomes Mendonça. 
A companhia foi mobilizada pelo RI 15, tendo partido para a Guiné em 28 de Outubro de 1967 e regressado à Metrópole em 20/8/1969.

Sobre estes comandantes, o Nuno Demspster escreveu o seguinte, em mails que trocámos em 2011:

(...) Recordei, no link que enviaste, o capitão Rei, de carreira, que teve a ideia dos lenços [azuis] e que substituiu o capitão miliciano, cujo nome já não recordo, um homem lúcido, vítima de um fornilho, na estrada de Farim, uma das passagens mais intensas do poema [Cap Mil Art António Manuel Conceição Henriques]. (***)

Isso sucedeu dentro dos seis primeiros meses do início, quando estávamos no K3. Até sairmos de lá, o aquartelamento ficou entregue ao alferes miliciano, segundo comandante, bem como em Mampatá e Colibuia, penso. O Cap [Art Ricardo António Tavares Antunes] Rei chegou já no tempo de Quebo. (...)

O Nuno Dempters, ou melhor, o Manuel Gusmão Rodrigues era engenheiro técnico agrícola (trabalhou em cooperativas) e empresário. 
 
3. Comentário de Nuno Dempster, quinta, 1/07/2010, 21:51, ao poste P4782, do Cherno Baldé (****);

(...) "A vontade de suplantar o outro, o dominador, e de ocupar o seu lugar mas no sentido de que tudo continue na mesma, apenas mudando a sua posição de baixo para cima, afastando para isso o outro, o estranho que o impedia de usufruir de privilégios e de ser o epicentro das atenções das imaculadas bajudas."

A propósito do escrito acima, para Cherno Baldé, de quem estou a ler aqui, interessadíssimo, as suas crónicas, um trecho de um muito longo poema que acabei há dois dias e que se publicará como livro, julgo, em 2011. O poema intitula-se K3, onde em 1968 estive enterrado.

(...) Não fazemos história,
a História não regista
a sina dos anti-heróis
que pululam em toda a parte,

o mundo sublevado em armas,
o mundo velho que noutro se transforma,

mas a essência do mundo
não é tornar-se novo,
é afinar o modo de fazer
que o novo permaneça antigo,

anti-heróis
que não chegam a ser anti-heróis,

são uma chapa com número
no fio ao peito, à prova de fogo,
o corpo esturricado,
a medalha de Fátima, fundida,

mas não o número,
útil aos funerais anónimos
dos que «morreram pela pátria»,
dizia-se em Lisboa.(...)


Nuno Dempster
quinta-feira, 1 de julho de 2010 às 21:51:35 WEST

(***) Vd. poste de 12 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9028: Blogpoesia (167): K3, de Nuno Dempster: excerto: "Capitão, meu capitão, não nos deixes sós!"

Guiné 61/74 - P27604: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (11): o guerrilheiro do MPLA, morto a norte do rio Cassai, no leste de Angola, que era também alfabetizador





Cópia da capa e índice do documento "Guia do Alfabetizador", editado pelo MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, s/l, 1968, 68 pp. Fonte: Cortesia de Jaime Silva (2026)




Tabanca de Porto Dinheiro / Lourinhã:
4 de agosto de 2012 > Jaime Silva


Jaime Silva (ex-alf mil pqdt, cmdt 3º Pel /1ª CCP / BCP 21, Angola, 1970/72, membro da nossa Tabanca Grande, nº 643, desde 31/1/2014, tendo já 130 de referências, no nosso blogue; nascido em 1946, em Seixal, Lourinhã, onde reside hoje; é professor de educação física, reformado, foi autarca em Fafe, com o pelouro de "Desporto e Cultura": viveu lá durante cerca de 4 décadas; tem página pessoal do Facebook).


Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci (11): o guerrilheiro do MPLA, morto a norte do rio Cassai, no leste de Angola, que era também alfabetizador

por Jaime Silva

Não esqueci que, no decorrer de mais uma operação no Leste, a Norte do Rio Cassai, o meu pelotão foi surpreendido com progressão de um grupo de guerrilheiros do MPLA. Em consequência do confronto entre os dois grupos ficaram tombados alguns corpos (o trivial, durante a guerra!...).

Encontrámos um deles com uma mochila contendo, para além de mantimentos e munições, um manual de economia em língua francesa e dois manuais escolares: a Cartilha do Alfabetizador e o Livro do aluno.

Fiquei surpreendido! Desconhecia este trabalho educativo dos guerrilheiros! Eles ensinavam por uma cartilha que era muito parecida, na metodologia de ensino, com a Cartilha de João de Deus – o meu livro de 1.ª classe! Aí aprendi as primeiras letras, na escola da minha aldeia!

Surpreendido também com os conteúdos, que eram deste género: a 1.ª lição do livro do aluno iniciava com a frase  “Angola é a nossa terra”; a 2.ª lição tinha três frases com objetivo de consciencialização política do povo e das razões por que lutavam:

“O colonialismo é inimigo do povo. O colonialismo português domina a nossa terra. O povo unido luta contra o colonialismo”.

Também, essa Cartilha do Alfabetizador, nas páginas 5/6, tinha uma carta dirigida ao “Camarada Alfabetizador. No seu início dizia:

“Camarada Alfabetizador,

Tu sabes ler e escrever

Nós, no nosso país, em cada cem pessoas, noventa e nove não o sabem.

(…) Ajudando os outros companheiros a ler e a escrever tu estás a cumprir uma tarefa de patriota e de revolucionário.”

Lembro, não posso esquecer que, naquele dia, reforcei ainda mais, a minha convicção de que travávamos uma guerra injusta e sem sentido.


Fonte: excerto de Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1), pp. 92/93

(Revisão / fixação de texto, título: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 1 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27591: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (10): o Flecha que nos conduziu à sua antiga base (do MPLA) e rejubilou de alegria perante o espetáculo dos seus antigos camaradas mortos, no mesmo dia e hora em que o meu soldado Santos se casava por procuração numa igreja de Torres Vedras, perto da minha terra

Guiné 61/74 - P27603: O nosso blogue em números (108): Portugal, Brasil e Guiné-Bissau representam mais de 40% do total de visualizações de página ("visitas"), por país (n=16 milhões) (2010-2025)


Infografias (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, 2026)


1. Continuamos a publicar alguns números sobre a nossa atividade bloguística em 2025.

O nosso blogue atingiu, no final do último ano, cerca de 17,8 milhões de visualizações de páginas (grosso modo, de "visitas", o que não é exatamente igual a "visitantes", que podem ser regulares ou ocasionais...) (Gráfico n.º 2). 

Já temos explicado como esta  contagem é apurada:   

(i) 1,8 milhões desde o início do blogue, em 23/4/2004 até final de maio de 2010 (de acordo com o nosso primeiro contador, o  Bravenet);

e (ii) c. 16  milhões, desde então e até 31/12/2025 (segundo o contador do Blogger).

 
De acordo com o gráfico nº 2.
  • em 10 anos, de 2004 a 2013,  tivemos uma média anual de meio milhão de visualizações de página  ou "visitas"; 
  • nos últimos 12 anos, de 2014 a 2025, a média anual ultrapassa já o milhão (mínimo: 600 mil, em 2022; máximo: 2 milhões, em 2025)

2.  Em relação ao período que vai de final de maio de 2010 ao final de dezembro de 2025,  há a destacar o seguinte no que diz respeito à distribuição do nº de páginas visualizadas por país (Figuras nº 1 e nº 2 e Gráfico nº 3):

  • os nossos visitantes continuam a ser oriundos sobretudo (mais de 60%) de Portugal (35,6%) e dos EUA  (25%);
  • no topo 10, o Brasil aparece em 4º lugar (4,4%),  a seguir à Alemanha (5%) e antecedido pela França (4%) (dois países da União Europeia onde também há importantes comunidades lusófonas de incluindo muitos antigos combatentes);
  • no top 20 apraz-nos registar que  a pequena Guiné-Bissau aparece em 17º lugar, com um total acumulado de 68,6 mil visualizações, a seguir à Espanha (n=98,9 mil), mas à frente da Itália (n=67,5 mil) e da China (n=67,4 mil) e Outros   (o resto do mundo) (n=2 milhões);
  • Portugal (35,6%), Brasil (4,4%) e Guiné-Bissau (0,4%) representam, só por si, mais de 40% dos nossos "visitantes";
  • Suécia está agora em 9º lugar, mas à frente da Rússia que é o 10º;
  • estava em 6º o ano passado:  será que a saída (mesmo que temporária), para os States, do nosso querido José Belo e das suas renas..., ajuda a explicar esta descida ?

Figura n.º 1 - Mapa-múndi com a distribuição do número de visualizações de páginas, do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné desde maio de 2010 a final de 2025 (n=16 milhões),  Madeira e Açores  (Portugal) e Guiné-Bissau estão também assinalados (embora por pontos minúsculos). Sobre Cabo Verde e outros países lusófonos não temos dados (devem estar incluídos nos "Outros").

Fonte: Blogger (2026)





Figura 2 -  Distribuição do número de visualizações de página do nosso blogue,  por país, desde final de maio de 2010 a final de dezembro de 2025 (Números absolutos) (n=16 milhões). Três países lusófonos ( Portugal, Brasil e Guiné-Bissau) aparecem no top20.

Fonte: Adapt. de Blogger (2026) 

 (Continua)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27594: O nosso blogue em números (107): Ao longo do ano de 2025, tivemos um número de visualizações de páginas superior a 2,09 milhões (e 4,51 mil comentários)

domingo, 4 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27602: Agenda cultural (909): Lisboa, Panteão Nacional, Concerto de Ano Novo, domingo, 4 de janeiro de 2026, 18h00: Kimi Djabaté (balafon e voz) e Iaia Galissá (cora)


1. Eventos > Concerto de Ano Novo no Panteão Nacional

Comece o ano com sons diferentes. Concerto de Ano Novo no Panteão Nacional, domingo, dia 4 de janeiro, às 18 horas,  Kimi Djabaté e Iaia Galissa, balafon e kora. 

Entrada livre, limitada à capacidade da sala. Acesso por ordem de chegada.

Fonte: Panteão Nacional > Eventos (com a devida vénia)


2. Comentário do editor LG:

Kimi Djabaté tem 11 referências no nosso blogue. É seguramente o músico e intérprete da música da Guiné-Bissau com uma carreira internacional mais conhecida e consolidada. Fez agora 25 anos de músico profissional. É um dos raros que se pode dar ao luxo de viver apenas da sua arte. É natural de Tabatô, perto de Bafatá. A nossa Tabanca Grande acolhe e apoia os artistas da Guiné-Bissau.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 14 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27422: Agenda cultural (908): Sessão de lançamento da biografia de Eugénia Sousa (1935-2025). "Coragem, Altruísmo eFé", da autoria de Rosalina Coelho Vaqueiro: Biblioteca Municipal de Sesimbra, sábado, 15, às 15h00

Guiné 61/74 - P27601: O Nosso Livro de Estilo (19): Política editorial do blogue

Gravura digital > People (Luís Graça, c. 1999)


Gravura digital > Vidas (Luís Graça, c. 1999)


Gravura digital  > Redes (Luís Graça, c. 1999)


BLOGUE LUÍS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ > 

POLÍTICA EDITORIAL

As opiniões aqui expressas, sob a forma de postes ou de comentários, assinados, são da única e exclusiva responsabilidade dos seus autores, não podendo vincular o proprietário e editor do blogue, bem como os seus coeditores e demais colaboradores permanentes.

Todos os postes têm editor. E os comentários não assinados terão que ser eliminados. Mas antes o autor anónimo terá uma oportunidade para corrigir o lapso

O nosso blogue é também uma Tabanca Grande. Originalmente, chamámos-lhe Tertúlia. Tabanca é um termo mais apropriado: nela cabem todos os amigos e camaradas da Guiné, e essencialmente os antigos combatentes.

Neste espaço, de informação e de conhecimento, mas também de partilha e de convívio, decidimos pautar o nosso comportamento (bloguístico) de acordo com algumas regras ou valores, sobretudo de natureza ética:

(i) respeito uns pelos outros, pelas vivências, valores, sentimentos, memórias e opiniões uns dos outros (hoje e ontem);

(ii) manifestação serena mas franca dos nossos pontos de vista, mesmo quando discordamos, saudavelmente, uns dos outros,  o mesmo é dizer que evitaremos:
  • as picardias, 
  • as polémicas acaloradas, 
  • os insultos, 
  • a insinuação torpe,
  • a maledicência, 
  • a violência verbal, 
  • a difamação, 
  • os juízos de intenção,
  • o bullying, a intimidação, o assédio, etc.) (comportamentos, de resto, criminalizados pela lei portuguesa).

(iii) socialização/partilha da informação e do conhecimento sobre a história da guerra do Ultramar, guerra colonial, guerra de África ou luta de libertação (como cada um preferir);

(iv) não há limites temporais para os temas a abordar no blogue, direta ou indiretamente relacionados com a guerra da Guiné (1961/74), mas idealmente vão da época colonial ao 25 de Abril de 1974 e a á  descolonização;

(v) não trazemos a atualidade para o blogue (nomeadamente em matéria político-partidária); em termos mais sintéticos, "não falamos de política, religião e futebol";

(vi) carinho e amizade pelos nossos três povos, o povo português, o povo guineense e o povo cabo-verdiano (e, por extensão, os demais povos com quem queremos manter laços de amizade e cooperação: os são-tomenses, os angolanos, os moçambicanos, os goeses, os macaenses, os timorenses...);

(vii) respeito pelos adversários do passado, por um lado, e as Forças Armadas Portuguesas, por outro (que estão acima dos regimes políticos);

(viii) recusa da responsabilidade colectiva (dos portugueses, dos guineenses, dos cabo-verdianos, dos fulas, dos balantas, etc.) (um conceito jurídico que não existe nem aceitamos);

(ix) recusa também da tentação de julgar (e muito menos de criminalizar) os comportamentos dos combatentes, de um lado e de outro; não diabolizamos nem santificados ninguém;

(x) não-intromissão na vida política interna dos 3 países (Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde), salvaguardando sempre o direito de opinião de cada um de nós, como seres livres e cidadãos  a viver em Portugal, na diáspora lusófona, na Guiné-Bissau, em Cabo Verde, etc.

(xii) respeito acima de tudo pela verdade dos factos (devendo, em contrapartida, dar tempo e espaço ao "contraditório");

(xiii) liberdade de expressão (entre nós não há dogmas nem tabus; pode haver temas fracturantes, como o dos "desertores", por exemplo, que devemos evitar abordar num blogue que é essencialmente de antigos combatentes);

(xiv) direito ao bom nome e à privacidade (evitamos publicar nomes completos, endereços postais, nºs de telefone endereços de email, etc., contra a vontade dos interessados);

(xv) respeito pela propriedade intelectual, pelos direitos de autor... mas também pela língua (portuguesa) que nos serve de traço de união, a todos nós, lusófonos.

PS1- Defendemos e garantimos a propriedade intelectual dos conteúdos inseridos (texto, imagem, vídeo, áudio...).

PS2 - Uma vez editados, os postes não poderão ser eliminados, tanto por decisão do autor como dos editores do blogue, mesmo que o autor decida deixar de fazer parte da Tabanca Grande (poderão, no entanto, ser suspensos por decisão do Blogger, o nosso "senhorio", se este entender que um dado poste viola as "regras da comunidade" e a "política de conteúdos".

PS3 - Qualquer outra utilização dos nossos conteúdos, fora do âmbito e do propósito do blogue, necessita de autorização prévia dos editores e dos autores (por ex., publicação em livro, programa de televisão, reportagem jornalística, documentário, filme).

PS4 - Os autores e comentadores  que aqui escrevem têm total liberdade para seguir ou não o Novo Acordo Ortográfico. O editor Luís Graça segue o Novo Acordo Ortográfico.

Luís Graça & Camaradas da Guiné
31 de Maio de 2006, revisto em 3 de janeiro de 2026
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27593: O Nosso Livro de Estilo (18): Periodicamente convém lembrar o que (não) somos e as nossas regras de conduta enquanto blogue da Tabanca Grande - Parte I: "Não somos bandeira de ninguém, somos memória de todos"

sábado, 3 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27600: S(C)em Comentários (85): O que é que o PAIGC entendia por "zonas libertadas"? (Zeca Macedo, ten DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74, a viver nos EUA desde 1977)

José Macedo, em 1971,
quando frequentava 0 1º ano da 
Escola Naval (que não completou).
Foi 2ten RN, DFE 21 (Cacheu e Bolama,
1973/74); vive nos EUA desde 1977.

1. Comentário do Zeca Macedo, ao poste P27583 (*):

Camaradas parece que existe muita confusão sofre o que queria o PAIGC dizer que controlava 2/3 do território da Guine Bissau. 

Estava o PAIGC a afirmar que nessas zonas Portugal não exercia soberania efectiva (exemplo da Coboiana), o PAIGC governava na prática, a população vivia sob instituições criadas pelo PAIGC (armazéns do povo, hospitais, escolas) e a guerrilha tinha superioridade operacional. 

Quando o PAIGC afirmava controlar 2/3 do território e chamava a essa parte de "área libertada" estava a usar o termo com um sentido politico, militar e simbólico. 

As "zonas libertadas" (ZL) eram espaços onde o PAIGC instalava estruturas de "Estado Paralelo", organizando escolas, postos de saúde, tribunais populares, sistema de recolha de impostos e comités locais de administração. 

Nas chamadas ZL o PAIGC tinha liberdade de movimento militar. Os guerrilheiros circulavam, recrutavam e treinavam combatentes. Montavam bases, depósitos de armamentos, fardas e munições.

Era território fora do controlo efectivo da administração colonial portuguesa. Eram zonas onde Portugal não conseguia manter presença permanente excepto em operações pontuais (Ilha do Como, Bachile, Madina e outros) e a autoridade prática era exercida pelo PAIGC.

Espero que este pequeno texto que estou a submeter, com a ajuda da IA/Gemini, possa esclarecer o significado de "zonas libertadas". (**)

Feliz Ano Novo

Zeca Macedo, tenente DFE 21
Vila Cacheu, Bolama
Guine Bissau 1973-74

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025 às 18:03:00 WET 
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Notas do editor LG:


(**) Último poste da série > 14 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27527: S(C)em Comentários (84): O povo Balanta / Brassa foi empurrado para os braços do PAIGC pelo comportamento inicial, pouco prudente, das chefias militares portuguesas... Claro, pagou um preço muito alto: foi a "carne para canhão" do Amílcar Cabral (Cherno Baldé, Bissau)

Guiné 61/74 - P27599: Os nossos seres, saberes e lazeres (716): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237): Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhambra - 4 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 18 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Quando se pega num guia tipo Michelin e se pesquisa em Granada, encontramos três estrelas, o topo da excelência. Podemos ficar a saber o elementar sobre o alojamento, a restauração, os entretenimentos, os diferentes pontos do comércio. Os guias remetem para a Capela Real e para a Catedral, o que encontrar no casco histórico, as igrejas, privilegia-se no centro da cidade a Carrera del Darro que vai da Porta de Santana e acaba no Passeio dos Tristes. Passeamos por aqui deixando para trás a cidade moderna e o panorama muda por completo, parece que estamos num povoado antigo, vemos pontes de pedra e depois começam a aparecer edifícios de referência como o Museu Arqueológico, a Igreja de S. Pedro e S. Paulo, os banhos árabes e também a Igreja de Santa Ana e S. Gil. Mas é no guia tipo Michelin que vemos as três estrelas dadas à Alhambra e ao Generalife, e depois chegamos ao Palácio de Carlos V que é contemplado com duas estrelas.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237):
Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhambra - 4

Mário Beja Santos

Antes de entrar propriamente na Carrera del Darro, um dos lugares icónicos de Granada, e mesmo antes de caminhar para o monumento individual mais visitado do mundo, a Alhambra, importa explicar que esta rua de Granada, a Carrera del Darro é de uma indizível beleza. Granada situa-se nas férteis margens do Rio Genil, o Darro é seu afluente, divide as colinas do Sacromonte e Albaicín de Alhambra. Percorremos a rua e sentimos a história, há para aqui uma reminiscência do período da prosperidade económica de Granada, no tempo da dinastia Nasrid, talvez o ponto mais alto da cultura islâmica em solo espanhol. Teve comunidade judaica, era local de refúgio para os mouros expulsos da pátria.
Viveu séculos de declínio, nos séculos XVII e XVIII. Foi muito importante para a descoberta não só europeia de Granada quando o jornalista Washington Irving publicou os seus Contos de Alhambra, em 1832, e os pintores românticos descobriram os motivos orientais do castelo vermelho.

Despeço-me da Carrera del Darro falando da Igreja de S. Pedro e S. Paulo e dos banhos árabes, situados ali perto. A primeira imagem que vos mostro foi tirada ainda no passeio em Albaicín, sei perfeitamente que não há nada nela de espetacular, mas está ali o protótipo do modo de viver andaluz, as persianas protetoras do imenso calor e aquele branco, uma genuína herança árabe, para repelir os raios solares.

Ali à saída do Museu Arqueológico temos a Igreja de S. Pedro e S. Paulo em estilo mudéjar (é um estilo que se aplica a edifícios cristãos que tem influências da arte hispano-árabe) edifício do século XVI. O seu interior é claramente maneirista e barroco, é de planta de cruz latina com seis capelas. A nave central tem nas suas paredes uma coleção de magníficas cornucópias com emblema da irmandade dedicada à adoração de Cristo no sacramento da eucaristia; todas as suas seis capelas estão devidamente ornamentadas. Da sua torre, que, confesso subi um tanto amedrontado, uma escadaria íngreme que prossegue numa torre com a escada em caracol com precária proteção, tem-se uma vista soberba sobre a colina da Alhambra.


O protótipo da casa andaluza
A Igreja de S. Pedro e S. Paulo, perto do Museu Arqueológico de Granada, é visível uma torre da Alhambra, estamos na Carrera del Darro.
Vista do Altar-Mor da Igreja de S. Pedro e S. Paulo
Púlpito e pormenor do interior na Igreja de S. Pedro e S. Paulo
O assombroso teto em caixotão da Igreja de S. Pedro e S. Paulo
Os banhos árabes de Granada são os mais importantes de toda a Espanha. O nome espanhol é El Bañuelo, situam-se perto do que resta da Ponte de Cadí, têm a típica estrutura árabe, remontam aos séculos XI e XII, estão muito bem conservados. Estão formados por várias salas que têm a ver com o vestuário, os pontos de reunião e massagem e banho. Têm belas abóbadas onde não faltam capitéis romanos, visigodos e do período do califado. Cá fora veem-se perfeitamente as torres e as muralhas da Alhambra.
O que resta da Ponte de Cadí, fez parte da época de ouro árabe de Granada, era conhecida como Porta Ponte, resta este poderoso pilar e um tramo do arco em ferradura.
Procuro com estas três imagens mostrar o que há de fascinante nesta caminhada, o Rio Darro no fundo, o casario em paralelo à rua, parece que está pendurado, e as pontes que funcionam ligam sinuosamente a rua à monumentalidade da Alhambra.
Uma rua tipicamente árabe no casco histórico de Granada, na vizinhança da Carrera del Darro
Praça de Bib-Rambla com a fonte barroca chamada de Neptuno
Entrada na Alhambra pela Porta da Justiça
A Porta da Justiça vista com mais pormenor. A “Puerta de la Justicia” foi construída em 1348, sob o reinado do Sultão Yusuf I, o que faz dela uma das entradas mais antigas de. A Porta da Justiça também era conhecido por outros nomes, como Bib Axarea ou Portão dos Exames, devido à sua localização perto de tribunais e escritórios administrativos.
O desenho e os pormenores de construção refletem a arte Nasrida no seu período mais refinado. Este arco maciço em forma de ferradura ergue-se alto com entalhes intrincados que o adornam de cima a baixo. O arco mais exterior está adornado com inscrições que louvam Alá e versículos do Alcorão, enquanto uma moldura quadrada interior ostenta belos padrões de arabescos que significam o paraíso na terra. A parte superior alberga um balcão ao ar livre – “balcão do carcereiro” – que era utilizado para fazer anúncios públicos.

Porque agora o passeio prossegue para a inexcedível beleza da Alhambra. Recorde-se que os árabes chegaram a este ponto da Andaluzia no século VIII, o lugar tinha o nome de Castilia, eles mudaram o nome para Medina Elvira, a capital do território granadino. Fez-se anteriormente uma breve súmula do Califado de Córdova, referindo que é no tempo dos Almóadas e dos Almorávidas que Granada ganha imponência. De facto, a época mais gloriosa da Granada árabe inicia-se no ano de 1236 quando Granada passa a ser de facto e de direito a capital da Espanha muçulmana. Foi precisamente durante este esplendoroso período que a Alhambra se tornou no monumento único que é.
Não sendo possível visitar o seu interior, atrelei-me a uma visita guiada; há quem diga que o nome da Alhambra resulta de pôr em castelhano, palavras árabes que significam castelo vermelho. Pois precisamente é na harmonia arquitetónica do arco em ferradura da Porta da Justiça que a visita guiada vai começar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 27 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27577: Os nossos seres, saberes e lazeres (715): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (236): A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: Granada, ainda com a Alhambra à distância - 3 (Mário Beja Santos