Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 13 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27818: Notas de leitura (1904): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (6) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Não será excessivo o rótulo que dou a este livro, como assombroso? Confesso que não. Com a sua redação concluída em 1934, publicado em 1936 pela Agência Geral das Colónias, dá-nos o estado das colónias portuguesas de África em 1851, é uma narrativa de tal crueza, e bem documentada, que ficamos a saber, ao contrário do que se vai repetir obsessivamente a partir de 1961, que até ao último quartel do século XIX tínhamos um punhado de entrepostos nas orlas costeiras e uma presença limitadíssima no interior das colónias (com exceção de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe); tece-se um tratamento às questões diplomáticas com o recurso privilegiado que o autor teve ao Arquivo Lavradio, e logo se torna claro, tanto na questão de Bolama como na questão do Zaire que o imperialismo britânico tudo fazia para nos cercear os direitos à posse das colónias africanas; deixa-se clarificado, logo na questão do Zaire, que havia um conjunto de potências coloniais que se arrogavam à decisão de escolher as fatias de território na consonância dos seus interesses, basta pensar na África ocidental francesa e na linha britânica do Cairo ao Cabo; e o autor dá-nos uma excelente lista da nossa participação entre os séculos XVI e XIX de viagens e travessias africanas; o Zambeze, bem como a baía de Lourenço Marques serão outro pomo de discórdia com o imperialismo britânico, ao mesmo tempo que o Governo de Napoleão III intimidava o Governo português a libertar um escravocrata que tinha sido apanhado com a boca na botija; e caminhamos agora para os antecedentes do Ultimatum e as suas consequências. Bom seria que uma instituição científica reeditasse obra de tal qualidade.

Um abraço do
Mário



Um livro assombroso, o Império Colonial Português no microscópio, na década de 1930, pelo punho do Marquês do Lavradio – 6

Mário Beja Santos

Portugal em África depois de 1851, subsídios para a História, pelo Marquês do Lavradio, foi ditado pela Agência Geral das Colónias em 1936, trabalho que terá sido concluído em 1934. Goza da singularidade deste aio do Rei D. Manuel II ter tido acesso aos arquivos britânicos e possuir um repositório intitulado o Arquivo Lavradio, o seu pai, diplomata em Londres, correspondeu-se com diferentes governos britânicos, expediu notas para Lisboa e deixou relatórios da maior pertinência.

A questão do Casamansa tem vindo a ser tratada aqui com bastante detalhe, pelo que se procurará, e nada mais, fazer um resumo dos pontos mais salientes do grave conflito político-diplomático. A França procurava alargar as suas possessões e começou a espraiar-se na região do que é hoje o Senegal, evitando conflitos com a Grã-Bretanha no tocante à Gâmbia. Em 1828, em pleno período da nossa guerra civil, fundaram um estabelecimento na parte setentrional na foz do Casamansa, rio onde fazíamos largamente comércio e onde estava implantado o estabelecimento de Ziguinchor. Começaram os litígios e as violências no rio, comerciantes franceses foram estabelecer uma feitoria em Selho, a cerca de 30 milhas de Ziguinchor. O Governo francês, face aos nossos protestos, alegava falsidades como a de que o rei Luís XV concedera a diversas companhias o privilégio exclusivo de comércio desde Cabo Branco até à Serra Leoa. Honório Pereira Barreto tudo contestava.

Diplomacia francesa insistia que os franceses podiam comerciar e navegar pelo Casamansa. Mais reclamações dos portugueses, mais feitorias francesas no Casamansa. E a partir de 1882 os atentados e as hostilidades cresceram de tom, já se arriava a bandeira portuguesa em vários lugares, é nessa altura que o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, António de Serpa, propôs ao embaixador francês em Lisboa a nomeação de delegados para se fixar definitivamente os limites franco-portugueses na Guiné. A reunião dos delegados terá lugar em outubro de 1885 e levará à celebração da Convenção luso-francesa de 12 de maio de 1886.

A questão Charles e Georges resulta do apresamento da barca francesa do mesmo nome na costa de Moçambique, tudo acabará com uma espécie de ultimato em que vasos de guerra de Napoleão III virão ao Tejo numa franca atitude de declaração de guerra. Tudo começou em 1854 quando o Governador da Guiana francesa pediu ao Governo português, por intermédio do nosso embaixador em Paris, licença para contratarem em Inhambane, por um prazo de cinco anos, um certo número de pretos livres para a ilha da Reunião. Havia o compromisso de se provar que os negros seriam desembarcados na ilha da Reunião e que usariam do tratamento de homens livres (na ilha a emancipação dos escravos foram proclamada em 1848). O Governo português interferiu no pedido, não era permitida a saída de negros senão na conformidade das leis em vigor. O engajamento dos chamados trabalhadores livres não era mais do que um expediente para fazer o tráfico negreiro.

O Governador-geral de Moçambique, contrariando as ordens do seu Governo, autorizou alguns navios da ilha da Reunião a contratarem negros na Província de Moçambique. O Marquês Sá da Bandeira, logo que disto teve conhecimento demitiu o Governador-geral. O representante francês em Lisboa instava para que fosse revogada a ordem de proibição, Sá da Bandeira recusou.

Apesar das recusas, fundeou na baía de Condúcia uma barca que se supunha estar a carregar escravos. O Governador-geral mandou um barco de guerra português capturar a barca francesa Charles e Georges que tinha a bordo 110 chamados trabalhadores livres, tudo gente raptada. O capitão da barca Charles e Georges foi condenado de trabalhos públicos e a pagar uma pesada multa. O Governo de Napoleão III apressou-se a reclamar a soltura do barco com os fundamentos de que o navio saíra da ilha de Reunião para recrutar trabalhadores noutras paragens, que só uma força maior o obrigara a ir a um porto de Moçambique e que a presença a bordo de uma autoridade francesa atestava que o navio não se dedicava ao tráfico de escravos. Foi demorada a discussão entre os dois Governos, a barca foi conduzida para Portugal e com a bandeira portuguesa.

Novos protestos franceses, o Governo português ordenou ao seu representante em Paris que propusesse a mediação de uma terceira potência, proposta recusada. Não tendo Portugal força suficiente para sustentar o seu direito contra as ameaças francesas esperava auxílio do Governo britânico, mas este esquivou-se. E das ameaças passou-se ao confronto. Em 3 outubro de 1856 entravam no Tejo duas naus francesas. O Ministro dos Negócios Estrangeiros comunicava ao embaixador português em Paris por nota, que se o capitão da Charles e Georges não fosse libertado nas próximas 48 horas, o embaixador francês abandonava o país e custasse o que custasse o comandante da Charles e Georges reembarcaria com as forças francesas sediadas no Tejo.

Houve cedência, mais uma vez a Grã-Bretanha, por diferentes razões de conveniência, abandonava Portugal. Indo mais adiante já estamos no Tratado dos limites com a França quanto à Guiné. Portugal reclamava como fronteira o norte do rio Casamansa, ficaríamos na margem esquerda, renunciando ao domínio na margem direita; em contrapartida no Congo queríamos que a ocupação dos territórios compreendidos entre o Chiloango e Massabi nos fosse reconhecida. A França pretendia que Ziguinchor e os territórios portugueses de Casamansa colocados entre os portos de Carabane e Selho, pertencentes à França, lhe fossem cedidos, e no sul entendia que os limites deviam ser os territórios dos Nalus, entre o rio de Bolor e Cacine; no Congo propunha que a fronteira franco-portuguesa fosse o curso do rio Chiloango.

As propostas francesas eram inaceitáveis, no entanto, e surpreendentemente, os nossos negociadores mostraram-se dispostos a abandonar o Casamansa, mas reivindicavam compensações, ceder Ziguinchor implicava um reconhecimento dos nossos direitos. Ao fim de dezasseis sessões em 12 de maio de 1886 Portugal tinha conseguido o reconhecimento no Congo dos territórios de Massabi e estendido mais para o sul a fronteira da Guiné. Vários estudiosos consideram que a cedência do Casamansa fora feita pelo aceno francês de que tudo envidaria para nos ser reconhecido o protetorado de uma longa faixa do território entre Angola e Moçambique, como aliás vem no artigo 4º do texto da Convenção:
“O Governo da República francesa reconhece a Sua Majestade Fidelíssima o direito de exercer a sua influência soberana e civilizadora nos territórios que separam as possessões portuguesas de Angola e Moçambique, sob reservas dos direitos anteriormente adquiridos por outras potências, e obriga-se pela sua parte, a abster-se ali de qualquer ocupação.”

Era a primeira vez que no mapa africano figurava uma larga faixa de terreno pintado a cor-de-rosa e ninguém suporia então que iria acabar no Ultimato.

D. José Maria do Espírito Santo de Almeida Correia de Sá, 6º Marquês do Lavradio (1874-1945)
Onde fica a região do Casamansa de que a França se apoderou pela Convenção luso-francesa de 12 de maio de 1886
Documento alusivo ao apresamento da barca Charles e Georges, 1858

(continua)
_____________

Notas do editor:

Vd. post de 6 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27800: Notas de leitura (1902): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (5) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 9 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27807: Notas de leitura (1903): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (5) (Mário Beja Santos)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27817: Humor de caserna (244): O anedotário da Spinolândia (XVI): o horror à "guerra do ar condicionado"... "Senhores, se têm calor é porque estão vivos, os mortos não transpiram"


Guiné > s/l > s/d (c. 1968/70) > O Com-chefe António Spínola, numa das viagens a bordo do helicóptero do Jorge Félix. Dizia-se que este era um dos pilotos preferidos do nosso comandante. 

Foto (e legenda): © Jorge Félix (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Quando António Spínola assumiu o comando da Guiné, em meados de 1968, ainda brigadeiro, com "carta branca" de Salazar para inverter o curso das coisas, ter-se-á criado entre os militares um ambiente muito próprio a volta da sua figura: uma auréola de heroísmo (alimentada pela sua atuação em Angola, como lendário comandante do BCAV 345, 1961/64; um mistura de disciplina rígida (que alguns temiam que descambasse para o militarismo típico da arma de cavalaria); a par da teatralidade política e da multiplicação de episódios quase caricatos. 

Nas nossas casernas, entre oficiais, sargentos e praças começaram então a circular muito rapidamente muitas anedotas sobre Spínola e a Spinolândia.

O termo tem um sentido tanto negativo (de crítica, ironia e sarcasmo) como positivo, associado a um estilo completamente novo de fazer a guerra e governar um território ultramarino, à beira do colapso em termos económicos, sociais, militares e políticos.  

Spinolândia é, antes de mais, uma expressão de cunho satírico e político que surgiu para descrever o estilo de governação e a intensa campanha de propaganda levada a cabo pelo general António de Spínola enquanto Governador e Comandante-Chefe da Guiné Portuguesa, o "consulado"  (1968-1973), como diziam alguns de nós.
 
A expressão era utilizada, frequentemente, com ironia por opositores ou observadores críticos, para designar o território da Guiné como um "laboratório" psicossocial e político-militar muito próprio do Spínola e dos spinolistas (um conjunto brilhante de oficiais que ele congregou à sua volta). O termo pode remeter para ideias como:

  • personalismo / populismo/ culto da personalidade: a ideia de que a Guiné se havia tornado um feudo pessoal onde a imagem do general (com o seu icónico monóculo e pingalim) era omnipresente, para mais reunindo os dois papéis de liderança, o de político (como governador) e o de militar (como comandante-chefe);
  • "Guiné Melhor": o slogan do General que prometia desenvolvimento social e económico para conquistar as populações ("conquistar corações e mentes"), tentando contrariar a influência do PAIGC e, decididamente, subtraí-las ao seu controlo;
  • a africanização do exército (criando a "nova força africana", incluindo companhias de base étnica, o batalhão de comandos, os destacamentos de fuzileiros especiais);
  • propaganda intensiva / mediatização do conflito: uma gestão de imagem sem precedentes na história do Estado Novo, que transformou a Guiné na montra de uma "nova política" ultramarina, completamente distinta do imobilismo da elite caquética do regime.
É difícil de dizer quando surgiu o termo Spinolândia,  mas tudo indica que se consolidou no início da década de 1970, coincidindo com o auge da visibilidade mediática de Spínola.

No início do seu "consulado", entre meados de 1968 e a Op Mar Verde (22 de novembro de 1970), o general apostou fortemente na comunicação social, nacional e estrangeira. O termo começou a circular nos corredores políticos de Lisboa e entre os militares para descrever a autonomia quase absoluta com que ele governava, à margem das diretrizes rígidas do ministro do ultramar, Silva Cunha, que ele de resto desprezava por ser um "paisano", "provinciano", que não percebia nada de tropa, de guerra e de África.

A consagração crítica vai de 1971 até meados de 1973: foi nesta fase que a expressão ganhou mais força, especialmente entre os setores que criticavam o custo astronómico das reformas de Spínola e o seu crescente protagonismo político, que muitos viam como uma ameaça ao regime de Marcello Caetano. (Aliás, no final do seu mandato acabou mesmo em ruptura com o chefe do Governo, o qual,  para salvar as jóias da coroa do império, Angola e Moçambique,  estava disposto a aceitar o sacrifício da Guiné.)

Curiosamente, enquanto que, para os seus detratores, a o termo Spinolândia era uma crítica ao egocentrismo do general, para os seus apoiantes, os spinolistas, representava a esperança de uma solução reformista, federalista, com uma dupla componente política e militar, para o beco sem saída da guerra do ultramar, que culminaria mais tarde, já em 1974, na publicação de "Portugal e o Futuro".

Deste tempo há muitas anedotas sobre Spínola e a Spinolândia, algumas recolhidas em memórias, outras transmitidas oralmente.

Seria uma pena perderem-se. Temos feito um esforço, no blogue, para as recolher e partilhar. Como em todo o anedotário associado a figuras lendárias, carismáticas e controversas como o general Spínola, torna-se difícil, senão impossível, identificar a sua autoria, origem, contexto, e muito menos ainda a sua veracidade factual. 

Temos feito uma recolha das anedotas que circulam na Net, através das ferramentas de IA. Estamos a selecionar algumas das melhores e das mais verosímeis. Algumas das versões que lemos, podem ser variantes de anedotas já conhecidas, contadas e recontadas.

Infelizmente esta é uma faceta do nosso Com-chefe (não falamos dele como político no pós-25 de Abril, mas apenas como protagonista maior da guerra em que também participámos), menos bem tratada (para não dizer mal tratada) pelo seu biógrafo, o historiador Luís Nuno Rodrigues. ( Que, de resto, não deve ter posto sequer os pés na Guiné.)

Era conhecido por diversas alcunhas, o "Velho" (já desde Angola), o "Caco",  o "Caco Baldé",  o  "Aponta Bruno",  o "Bispo",  o "Homem Grande de Bissau", o "Com-Chefe", o Governador", o "Maior deste",  o "Nosso General"

O estilo pessoal de Spínola - monóculo, luvas, farda impecável, ar teatral e presença muito física e viril nas visitas ao terreno, na cidade ou no mato - marcou profundamente quem serviu no CTIG. Isso gerou um verdadeiro folclore de anedotas de caserna,  muitas nascidas no próprio QG ou em messes de oficiais em Bissau, em Bissalanca e no mato...


2. Há anedotas para todos os gostos e oriundas das mais diversas fontes (desde os simples soldados até aos pilotos e mecânicos da FAP e aos colaboradores mais próximos do general  e do governador).

 Era sabido, por exemplo, que ele não suportava o  ar condicionado, o que era um suplício para quem tinha que participar nos briefings, no QG/CCFAG ou no palácio do governador. (Isso tem-me sido testemunhado pelo cor inf ref Mário Arada Pinheiro, que foi colaborador íntimo do nosso Com-chefe, em 1972/73.)

As ferramentas de IA, que temos consultado, confirmam que "essa história do ar condicionado aparece muitas vezes nas memórias de quem trabalhou perto de António de Spínola no quartel-general de Bissau"... 

Na realidade, "ele tinha fama de não suportar ar condicionado, o que na Guiné era quase uma forma de tortura para quem ficava horas nos briefings"...

Entre oficiais do estado-maior e pessoal da Força Aérea circulavam várias anedotas “mais picantes” ou "pícaras" (no sentido militar do termo: mais atrevidas e sarcásticas). Aqui vão algumas:

(i) O suplício do briefing tropical

Num briefing longo no QG, com o calor e a humidade típicos de Bissau, um major (que não sabia da aversão do general) aproximou-se discretamente do aparelho de ar condicionado e ligou-o.

Spínola interrompeu a exposição, levantou a cabeça e interpelou a assistência:

- Quem foi o criminoso que ligou isso?

O  pobre do major confessou a ousadia. Resposta de Spínola:

- Nosso major, na Guiné há duas coisas que matam oficiais: o ar condicionado… e o inimigo. O segundo ao menos é mais honesto.

Claro que o aparelho voltou a ficar desligado e a reunião continuou com os oficiais a suar em bica.

(ii) O mapa colado à mesa

Outra que corria no estado-maior: num briefing, em dia particularmente de calor de estufa, o suor de um capitão começou literalmente a pingar sobre o mapa operacional.

Spínola observou a cena e comentou:

- Capitão, não molhe o mapa… que depois a guerra escorre.

O capitão respondeu:

- Meu general, isto não é água… é a estratégia a evaporar-se.

A sala rebentou a rir.

(iii) A toalha no pescoço

Há quem conte que num outro briefing, em pleno mês de maio,  um oficial apareceu com uma pequena toalha branca ao pescoço.

Spínola perguntou-lhe:

- Isso é parte do novo uniforme?

Resposta:

- Não, meu general… é equipamento de sobrevivência.

(iv) A vingança da Força Aérea

Entre pilotos e mecânicos da Força Aérea havia outra pequena maldade humorística.

Dizia-se que,  quando Spínola visitava uma unidade no mato, e depois regressava ao QG, os pilotos comentavam:

— O nosso general não gosta de ar condicionado… por isso voamos sempre com as portas abertas.

E os mecânicos respondiam:

— Assim ele tem sempre  ar.... natural!.

(v) A frase mais repetida

A frase que muitos veteranos dizem ter ouvido (ou ouvido contar) em reuniões longas no QG era:

— Senhores, se têm calor é porque estão vivos. Os mortos não transpiram.

(Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / OpenAI, Le Chat /Mistral AI) | Condensação,  introdução, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

___________________

Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P27816 Em bom português nos entendemos (29): "Partir o coco a rir", uma expressão idiomática cuja origem remonta ao período em que os nossos avoengos andaram a construir a primeira autoestrada da globalização



Fontes e Créditos

Texto Principal: Consulta ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (11/03/2026); Vale, Andreia, "Puxar a Brasa à Nossa Sardinha" (2015).

Ilustração e Notas Complementares: Conteúdo e imagem gerados por Inteligência Artificial (Google Gemini, modelo Gemini 3 Flash), em 12 de março de 2026, com base no prompt do autor LG.


1.  Em bom português nos entendemos... É verdade ? De Lisboa a Dili, da Praia ao Rio de Janeiro, de Luanda a Macau, do Maputo a Bissau  ? (*)

A expressão “partir o coco a rir” (ou “de partir o coco a rir”, falando-se de algo ou de alguém que  é muito cómico, pândego ou divertido, faz rir imenso...) (**) é uma variante popular de outras expressões portuguesas que significam rir muito, até doer, como:  “partir a rir”, “rebentar a rir”, “morrer a rir”, "fartar-se de rir", “partir o bandulho a rir”, "mijar-se a rir", "cair para o lado a rir", "rir que nem um perdido"... Também se diz, por ex, de uma anedota "de partir o coco a rir"...

Aqui “partir” tem valor hiperbólico: sugere que o riso é tão forte que quase “parte” alguma coisa no nosso corpo: o "coco" (=cabeça), o bandulho (=barriga). São hipérboles mais antigas e universais. Aparecem em muitos textos do século XVIII e XIX e tem paralelo noutras línguas: francês: mourir de rire (francês); morirse de risa (espanhol); to die laughing (inglês);

É uma metáfora corporal exagerada, típica do humor popular, desbragado, brejeiro, pícarlo.

Na tradição portuguesa, tanto literária como popular,  há uma grande família de expressões hiperbólicas para “rir muito”, quase sempre baseadas na ideia de o riso provocar uma ruptura física (rebentar, partir, morrer, cair, etc.). Muitas aparecem já em textos dos séculos XVIII e XIX, e algumas são ainda mais antigas (crónicas humorísticas, teatro, etc.)

Outras expressões populares, variantes regionais ou antigas: rir às bandeiras despregadas; rir até às lágrimas; desmanchar-se a rir; cagar-se a rir... E, já agora, expressões equivalentes nas nossas línguas latinas (ou românicas) que são faladas por 1,35 a 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo:

Português (Brasil)

  • "Rir até doer a barriga"
  • "Rir até chorar"
  • "Rir que nem um louco"
  • "Rir à beça"
  • "Rir até não aguentar mais"
  • "Rir até o chão"
  • "Rir pra caramba"
  • "Rir como um bêbado" (mais informal)

Espanhol

  • "Reírse a carcajadas" (o clássico, como "rebentar a rir")
  • "Reírse a mandíbula batiente" (literalmente, rir até a mandíbula tremer)
  • "Reírse como una hiena" (para um riso exagerado e quase animalesco)
  • "Reírse hasta llorar" (rir até chorar)
  • "Reírse hasta que duela" (rir até doer)
  • "Reírse como un loco" (rir como um louco)
  • "Partirse de risa" (equivalente ao "partir a rir")
  • "Mearse de risa" (sim, tão físico quanto "mijar-se a rir")

Francês

  • "Rire aux éclats" (rir em gargalhadas)
  • "Rire à gorge déployée" (rir com toda a garganta)
  • "Rire comme un bossu" (rir como um corcunda, expressão antiga e pitoresca)
  • "Rire comme une baleine" (rir como uma baleia, pela intensidade)
  • "Rire jusqu’aux larmes" (rir até às lágrimas)
  • "Se tordre de rire" (contorcer-se de rir)
  • "Pisser de rire" (sim, tão cru quanto "mijar-se a rir")
  • "Mourir de rir" (morrer de rir)

Italiano

  • "Ridere a crepapelle" (rir até a pele estalar)
  • "Ridere come un matto" (rir como um louco)
  • "Ridere fino alle lacrime" (rir até às lágrimas)
  • "Ridere sgangheratamente" (rir de forma descontrolada)
  • "Ridere come una iena" (rir como uma hiena)
  • "Sbellicarsi dalle risate" (literalmente, "rebentar de rir")

Catalão

  • "Riure a mandíbula batent" (rir até a mandíbula tremer)
  • "Riure com ganes" (rir com vontade)
  • "Riure fins que faça mal" (rir até doer)

Galego

  • "Rir a bandullos" (equivalente ao "partir o bandulho a rir")
  • "Rir ata chorar" (rir até chorar)
  • "Rir como un tolo" (rir como um louco)

Romeno

  • "A râde cu lacrimi" (rir com lágrimas)
  • "A râde până îți doare burta" (rir até doer a barriga)
  • "A râde ca un nebun" (rir como um louco)(

Fonte: Le Chat Mistral AI)

Crioulo  de Cabo Verde

  • "Ri ti bu boka di stomagu doi" (Rir até a boca do estômago doer)
  • "Ri ti bu bariga matxa" (Rir até a barriga ficar moída/magoada)
  •  "Ri ti k'bu bariga ka pode mas" (Rir até a tua barriga não poder mais)
Fonte: ChatGPT/OpenAI

_________________________________________________________________


Muitas destas expressões têm origem em imagens corporais (dores, lágrimas, contorções) ou em comparações com animais (hienas, baleias). O que mostra omo o riso é uma experiência física e universal. 

E, claro, há sempre aquelas expressões mais "terrenas" (como "mijar-se a rir" ou "pisser de rire"), que revelam como o riso pode ser tão intenso que nos faz perder o controlo até das funções mais básicas!

Em suma, rir faz bem à saúde e...à democracia. 


 
2. Consulta ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa;

Perguntámos a origem da expressão "Partir o Coco a Rir" ao Ciberdúvidas,  remeteu-nos a resposta para um excerto do livro Puxar a Brasa à Nossa Sardinha, de Andreia Vale (Queluz de Baixo, Barcarena, Oeiras: Manuscrito Editora, 2015, 220 pp.)

(...) «No período das Descobertas, os portugueses chamaram coco a um novo fruto que encontraram porque, visto de um certo ângulo, parecia a cara de um monstro imaginário com que se assustava as crianças, uma espécie de bicho-papão - ao qual também se dava o nome de coco. 

É o que conta o historiador João de Barros nas 'Décadas da Ásia': 

'[...] por razão da qual figura, sem ser figura, os nossos lhe chamaram coco, nome imposto pelas mulheres a qualquer coisa, com que querem fazer medo às crianças, o qual nome assim lhe ficou, que ninguém lhe sabe outro [...].'

 Se o fruto fosse usado para representar o monstro, percebe-se a alegria das crianças quando o coco era partido. Entre as várias interpretações, assim como o coco assustava, a lenda conta que a representação feminina, a coca, ficava atenta às crianças mais desobedientes, à espera que se portassem mal... ficava por isso 'à coca'. "

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/rir-a-bandeiras-despregadas--partir-o-coco-a-rir/19275 [consultado em 11-03-2026]

(Pesquisa: LG + Net + IA (Google Gemini /Le Chat Mistral AI)  | Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, título: LG)
_____________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 12 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27522: Em bom português nos entendemos (28): B'ráassa, Brasa, Brassa ou Birassu (como os balantas se autodenominam) ( Cherno Baldé, Bissau)

Guiné 61/74 - P27815: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (16): apesar da guerra, não valia tudo


Aerogramas - Arquivo do Jaime Silva

Foto (e legenda): © Jaime Bonifácio Marques da Silva (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Jaime Silva (foto ao lado):

(i) cumpriu o serviço militar obrigatório (jan 1969 / jul 1972);

(ii) ex-alf mil pqdt, cmdt 3º Pel /1ª CCP / BCP 21, Angola, fev 1970 /jul 72;

(iii) foi condecorado com a medalha de  Cruz de Guerra de 3ª Classe;

(iv) licenciado  em Educação Física (ISEF / UTL, 1978);

(v) foi autarca em Fafe, com o pelouro de "Desporto e Cultura": viveu lá durante cerca de 4 décadas;

(vi) é professor de educação física, reformado (Escola Secundária e Escola Superior de Educação de Fafe);

(vii) nascido em 1946, em Seixal, Lourinhã, onde reside hoje;

(viii) membro da nossa Tabanca Grande, nº 643, desde 31/1/2014;

(ix) tem c. 140 de referências, no nosso blogue;

(x) tem página pessoal do Facebook;

(xi) é autor do livro "Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1), de que temos estado a reproduzir alguns excertos (*).



Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci (16): apesar da guerra, não valia tudo

por Jaime Silva

Durante os dois anos e meio da minha Comissão de Serviço, ao comando do 3.º Pelotão da 1ª CCP do BCP21 (Angola, 1970/72), nenhum paraquedista, sob o meu comando, cometeu, alguma vez, qualquer atrocidade perante a população civil capturada ou matou qualquer guerrilheiro gratuitamente, à exceção, evidentemente, das situações de confronto direto entre nós, em que sobrevive quem dispara primeiro!

Mas eu vi. Eu presenciei. Para alguns, não foi sempre assim!

Eu, não esqueci… a violência gratuita em contexto de guerra!

Para terminar este ponto de memória gostaria de o fazer destacando duas componentes da guerra que se continuam a misturar nas minhas memórias e recordações da experiência vivida na guerra.

Por um lado, quero salientar que, apesar das marcas mais pesadas da guerra como as que descrevi, não esqueço um único momento do meu percurso na guerra, integrado numa unidade militar, cujo clima se caracterizava pelo rigor militar e pela responsabilidade exigida e assumida por todos na concretização das missões a executar. 

Desse tempo, guardo na memória, o espírito de camaradagem e interajuda que unia todos os jovens do 3.º pelotão que, sob o meu comando, calcorreámos as matas do Norte e Leste de Angola: “ninguém fica para trás” - era o nosso lema. 

Tal, como tenho presente, também, os dois homens sob os quais eu respondia hierarquicamente: o comandante de companhia [csp cap pqdt  Ferreira Pinto] e os comandante de batalhão [cor pqdt Rafael Durão e cor pqdt Urbano Seixas] - militares rigorosos e intransigentes no cumprimento de cada uma das missões. 

 Apesar das circunstâncias, é justo realçar que foram homens, sempre preocupados com o bem-estar de cada um dos militares sob o seu comando.

Por outro lado, e, para encerrar a lente dos retalhos e dores das minhas memórias de guerra, relembro do  texto de Diogo Picão, meu sobrinho, músico, compositor e letrista (foto à esquerda),  já aqui reproduzido em 2 de agosto de 2020 (**),  por me parecer que contém um olhar acutilante sobre a escuta “inacabada” das minhas estórias. 

Na verdade, são as estórias que “demoram a morrer” nas pessoas que as viveram.

_____________

Fonte: excertos de Jaime Bonifácio Marques da Silva -"Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1), pp. 95/96.

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)
________________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 10 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27723: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (15): a minha decisão de não atacar mulheres e crianças

(**) Vd. poste de 2 de agosto de 2020 > Guiné 61/74 - P21216: Blogues da nossa blogosfera (134): Diogo Picão: "A guerra do meu tio"

O Diogo Pião tem dois tios que foram à guerra, o tio materno, o Jaime Silva,  ex-alferes paraquedista (BCP 21, Angola, 1970/72); e o  tio paterno, o José F. Picão Oliveira, ex-fur mil inf,  que esteve no leste da Guiné, em especial na zona fronteiriça, a ferro e fogo, em 1973/74 (CCAÇ 3545 / BCC 3883, Canquelifá, 1972/74).

Guiné 61/74 - P27814: O armamento do PAIGC (11): A mina anticarro russa TMD, reforçada com granadas de Pancerovka P27, um LGFog, de origem checa, a que o "Zé Turra" chamava "pau de pila" e só estorvava...


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026): Transcrição e esquema técnico elaborados com apoio de ChatGPT, modelo de linguagem da OpenAI (11 de março de 2026)


Guiné > Região de Cacheu > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) > Estrada S. Domingos - Susana, a meio caminho para Nhambalã > 10 de agosto de 1968 > Mina soviética anticarro, reforçada com 2 granadas de Pancerovka P-27, um LGFog, de origem checa, uma arma antitanque desenhada em 1946-1949 e produzida pela Skoda. (Lapso do Eduardo: não é Pankerovsky mas Pancerovka que em checo quer "panzer", "tanque", "blindado").

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia). (*)

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


O LGFog Pancerovka P-27, de fabrico checo.
Cortesia de Wikimedia Commons.
Infografia: Blogue Luís Graça
& Camaradas da Guiné (2026)

1. Sobre este LGFog / RPG / bazuca, sabemos que equipou os exércitos da Checoslováquia e da Polónia nas décadas de 1950-60 até ser substituído pelo RPG-7 soviético e pelo RPG-75 checo.  Já "sucata", foi parar às matas da Guiné nos primeiros anos da guerra colonial (55 unidades, entre 1964 e 1968).


Não devia ser uma arma muito portátil e "maneirinha" (tal como a nossa bazuca)... No mato, não dava jeito, com aquele capim, aquelas lianas, aquele tarrafe... Mas a besta de carga do balanta  aguentava tudo....

Quando a longa metragem da guerra ia a meio, sem direito a intervalo para o cigarro e o chichi, o "Zé Turra" acabou por trocar a panzer" pelo RPG-2 e pelo RPG-7. E, pelos vistos, foi "semeando" granadas pelas picadas da Guiné, reforçando as minas TMD russas,
anticarro, de armação em madeira.

Ficha técnica:
  • Peso da arma: 6,4 kg (não carregada)
  • Peso da granada: 3,75 kg 
  • Calibre: 45 mm o tubo, 110 mm a granada;
  • Comprimento da arma: 1030 mm;
  • Comprimento da granada: 720 mm;
  • Alcance efetivo: 200 m
  • Operação: 2 homens (atirador e municiador):
  • Cadência de tiro: 4 tiros por minuto.
Em checo, Pancéřovky quer dizer "panzer", "tanque", "veículo blindado"... 

O Pancerovka P-27  foi uma arma antitanque checoslovaca utilizada nas décadas de 1950 e 1960, sendo posteriormente substituída pelo RPG-7 soviético (introduzido em 1963) e pelo RPG-75 checoslovaco  (a partir de 1975). 

2.  História da Pancerovka P27:

Após a Segunda Guerra Mundial, um grande número de armas antitanque alemãs foi capturado na Checoslováquia, especialmente o Panzerfaust 60 (no exército checoslovaco do pós-guerra, referido como Panzer N) e o Panzerschreck. 

Daí, e logicamente, a Checoslováquia ter  começado a desenvolver a sua própria arma antitanque, capaz de penetrar qualquer blindagem com espessura, na época, até 200 mm (20 cm).

O desenvolvimento deste LGFog foi encomendado em dezembro de 1947, com a designação de projeto PPZ. A condição era um peso de até 5 kg e um alcance efetivo de 100 metros, com possibilidade de disparos repetidos. A pólvora utilizada deveria sem fumo.

O desenvolvimento foi realizado pela Konstrukta Brno (Praga) e liderado por Ladislav Urban. A partir de 1950, este LGFog foi projetado como uma arma de cano liso e grosso calibre. Em maio de 1950, a comissão de armamento concordou em introduzir a arma sob a designação Pancerovka 75, sendo o número indicativo do alcance de tiro em alvos móveis.

A produção começou na fábrica Zbrojovka Vsetín. Diversas outras modificações se seguiram e a arma foi rebaixada como Pancerovka 27.

O preço da arma em 1955 era de 1.800 CZK. O Exército Popular Checoslovaco possuía um total de 18.400 unidades desta arma nos seus arsenais, em 1958.

(...) Entre 1951 e 1953, 2600 unidades foram exportadas para a Polónia. A Albânia encomendou 1000 unidades em 1954. 

No primeiro semestre de 1957, o Pancéřovky (em checo) foi exportado para o Iémen (1000 unidades). A Frente de Libertação Nacional da Argélia recebeu um total de 48 unidades entre 1957 e 1959, e outras 100 unidades em 1961. Outra ex-colónia francesa, a Guiné-Conacri, recebeu 150 unidades entre 1958 e 1960. Entre 1967 e 1970, o Pancéřovky 27 foi exportado também para a Nigéria e o Biafra.

O número exato exportado destas armas não é claro: por exemplo, em 1967, 75 unidades foram exportadas para a Nigéria. Em 1967, também foram aprovadas vendas de armas para o Egito e a Síria, e, no mesmo ano, 10 unidades foram entregues á Frelimo, Moçambique. Entre 1964 e 1968, 55 unidades foram entregues à Guiné Portuguesa (atual Guiné-Bissau).(...) (**)

Fonte: Wikipedia > Pancéřovka 27 (em checo) (traduzido do Google Tradutor, adapt. LG)


3. Comentário do editor LG:

Na gíria do PAIGC, as armas tinham alcunhas. Este Lança Granadas-Foguete Pancerovka P-27 , tinha várias, segundo o nosso saudoso A. Marques Lopes (1945-2025) (***);
  • Bazuca Bichan,
  • Lança Grande, 
  • Pau de Pila,
  • Bazuca Chinês.
Pau de Pila é uma alcunha bem pícara!... Mas Bazuca Chinês?!... Porque carga de água? O arsenal do Amílcar Cabral, que andava de mão estendida por todo o mundo, à cata de sucata militar para expulsar os "tugas", era uma verdadeira "Torre de Babel"... Um bico de obra para o pobre do quarteleiro das "barracas" do PAIGC, que tinha armas e munições de todos os fabricantes, modelos e calibres... 

Mas o "Zé Turra", balanta, biafada, mandinga, nalu...,  não sabia nada de geografia, é natural que confundisse a Checoslováquia e a China... Que importa, começavam os dois por C ou "Tch"...

Que merda de guerra, amigos e camaradas da Guiné!... As armas são como as p*tas, que não precisam de licença para f*der. 

(Pesquisa: LG | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

Guiné 61/74 - P27813: Parabéns a você (2466): Manuel Luís Rodrigues de Sousa, SAj da GNR Reformado, ex-Soldado At Inf da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4512/72 (Jumbembém, 1972/74)

_____________

Nota do editor

Último post da série de 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27797: Parabéns a você (2465): Gil Moutinho, ex-Fur Mil Piloto DO e T-6 da FAP (Bissalanca, 1972/73)

quarta-feira, 11 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27812: Historiografia da presença portuguesa em África (520): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1963, 2.º semestre (78) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 22 de Setembro de 2025:

Queridos amigos,
Torna-se claro que no Boletim Oficial da Guiné de 1963 nada está como dantes, há dificuldades nos concursos públicos para administradores de circunscrição devido às dificuldades de deslocação, por razões que não se explicam, importa-se arroz, o administrador de posto de Xitole tem a referência no louvor recebido que enfrentou bandoleiros na época das chuvas de 1962... a par destas menções vemos disposições rotineiras deste nomeações, exonerações, transferências, reforça-se a PSP, chegam radiotelegrafistas para os serviços da PIDE, e não se pode deixar de ficar estupefacto com a criação de postos administrativos no Como, em Cabedu, em Guileje e Darsalame, dá-se a ilusão que naqueles pontos de alto conflito vai funcionar uma administração.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1963, 2º semestre (77)


Mário Beja Santos

Este 2.º semestre de 1963 não ilude a chegada de imprevistas dificuldades socioeconómicas, aparecer insistentemente aberturas de créditos e reforços de verbas. E a legislação nacional que o Boletim acolhe também não ilude que há uma guerra em andamento. O Decreto-Lei n.º 45221 refere explicitamente: “Aos agentes vítimas de ferimento grave recebido em combate ou por acto de terrorismo é aplicável, quanto a vencimentos e período de tratamento o disposto na legislação quanto a vencimentos dos militares dos três ramos das Forças Armadas em serviço nas províncias ultramarinas.” O corpo da Polícia de Segurança Pública da Guiné é reforçado com uma companhia móvel que ficará dependente do respetivo comandante.

Outra notícia que nos permite ver como a guerra exige novas respostas para o funcionamento dos serviços, veja-se a Portaria n.º 1588, publicada no Boletim Oficial n.º 42, de 19 de outubro:
“Atendendo a que os acontecimentos que registam na província não permitem aos funcionários administrativos ausentarem-se dos locais onde prestam serviço, nem tão pouco lhes deixam tempo livre e sossegado para se prepararem para as provas a prestar em concurso, são tomadas extensivas aos candidatos à promoção a administrador de circunscrição a prestação de provas, as promoções far-se-ão de acordo com a classificação que os candidatos obtiverem em face da apreciação das respetivas folhas de serviço, com as classificações de MB, Bons e Regulares.”

Faz-se o anúncio da chegada de radiotelegrafistas incorporados na PIDE. O Boletim Oficial n.º 49, de 7 de dezembro, transcreve o Decreto-Lei n.º 45308, da Presidência do Conselho: “Serão punidos como em tempo de guerra crimes previstos na legislação penal militar praticados nas províncias ultramarinas enquanto nelas decorram operações militares ou de polícia destinadas a combater as perturbações ou ameaças dirigidas contra: a ordem, a segurança e a tranquilidade públicas; a integridade do território nacional.”

O mesmo Boletim Oficial publica o novo Estatuto Político-Administrativo da Província da Guiné. O Boletim Oficial n.º 52, de 28 de dezembro, anuncia a criação de postos administrativos em: Tombali, no concelho de Catió; no Como, em Cabedu e em Guileje; em Fulacunda, no Forreá e Darsalame.

Procurando dar uma suculência cronológica a outros acontecimentos, recuo até julho, Boletim Oficial n.º 28, de 13 de julho. É louvado o Administrador de Posto interino António Augusto de Figueiredo Guerra, pela competência, dedicação e zelo revelados durante o tempo em que chefiou o posto de Xitole, não se poupando a esforços para estar sempre a par do que se passava naquela área administrativa, sobretudo em momentos particularmente difíceis como na época das chuvas do ano findo, em que parte da mesma área esteve infestada de bandoleiros e onde, pela sua atuação meritória, granjeou o respeito e a confiança das populações.

O Boletim Oficial n.º 29, de 20 de julho, publica para vigorar na Guiné, o Decreto-Lei n.º 41204, de 24 de julho de 1957, trata-se do diploma das infrações contra a saúde pública e das infracções antieconómicas. Porventura fruto das dificuldades emergentes no quadro da luta armada, pelo Boletim Oficial n.º 30, de 29 de julho, é prorrogado por um período de cinco anos, a contar do fim do ano de 1963, o período de duração para os Inquéritos Agrícolas no Ultramar. O Boletim Oficial n.º 30, de 29 de julho, refere a necessidade de importação de arroz em virtude de a produção local não ter sido suficiente, e por isso é autorizada a isenção de direitos de importação e a isenção de taxas da acostagem.

No Boletim Oficial n.º 46, de 16 de novembro, publica-se a Portaria n.º 1597, nela se diz que se encontram desatualizados os salários mínimos dos tripulantes das embarcações de tráfego local.

Folheando com o mínimo de cautelas todo este acervo legislativo nacional e oriundo do Governo da Guiné, há uma certa sensação de que a todo o transe se procura dar um quadro de normalidade e rotina, e ao mesmo tempo veem-se surgir novos meios militares, novos créditos, dificuldades de movimentação no território, não escondendo nos louvores, como é o caso daquele administrador de posto interino do Xitole que teve de se confrontar com bandoleiros ou terroristas. Importa-se arroz para ocorrer ao abastecimento público e ao mesmo tempo diz-se que a UDIB tem novos estatutos, é uma coletividade de utilidade pública com desporto, cinema, teatro e caixa destinada a auxiliar os seus jogadores por motivo de acidente ocorrido em campo, caso venham a sofrer perda de vencimentos ou necessitem de transportes.

É aquela estranha sensação de que há teatros de subversão, mas que se procura tranquilizar as populações, dando-lhes a crer de que toda aquela instabilidade é transitória.

Visita de Silva Cunha, o Subsecretário de Estado de Administração Ultramarina, à Guiné, em agosto de 1963.
Capitão-de-Fragata Vasco António Martins Rodrigues, Governador da Guiné, 1963-1964
Celeiro Mancanha para milho
Felupe com os seus instrumentos de caça
Dança de rapazes balantas
Dançarino Papel

Estas quatro imagens foram retiradas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, ano de 1963

(continua)

_____________

Nota do editor

Último post da série de 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27792: Historiografia da presença portuguesa em África (519): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1963, 1.º semestre (77) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27811: Fotos à procura de... uma legenda (200): mina anticarro reforçada... na estrada de S. Domingos-Susana, 10/8/1968... 13 kg de trotil... Felizmente detetada e levantada em segurança, o sapador do IN era um trolha da construção civil... (Eduardo Figueiredo / José Salvado)







Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > 10 de agosto de 1968 > CCS/BCAÇ 1933 e CART 1774 > Levantamento de uma mina A/C reforçada, com duas granadas checas (de Pancerovka P-27)-. Foi detetada por picadores da CART 1744.

Transcrição do documento:

S. Domingos, 10-8-68 / Guiné

O alf Machado, sapador, rasga a terra
para retirar uma mina colocada
na estrada S.D. → Susana, a meio
caminho para Nhambalã, a cerca
de 5 Kms de S. Domingos. A mina
estava mal montada:

(i) os detonadores não tinham sido
colocados;

(ii) o tampão (? com a mola de pressão) estava paralelo à estrada
em vez de estar horizontal.

Foi detectada pelos picadores da
CART 1744. A observar o
cap  Cardoso da CCS.

Guiné, S. Domingos, 10-8-68

A mina levantada:

2 Pancerovka (checas) ou 2 granadas
de LGFog, ligadas a uma mina
TMD (russa). Os 2 detonadores
também são russos,  tipo MUV, e eram
de compressão. Não estava arma-
dilhada. A mina pesava cerca de
6 quilos, só em explosivo (trotil) e as
granadas cada uma tem 3,5 Kg só
de trotil. Total: 13 Kgs só de
explosivos. Com as partes neutras e 
armações o conjunto iria para os 20 Kgs.

No canto inferior da direita nota-se o
orifício de saída donde foi retirada.

Fotos alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Fotos (e legendas): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Estas imagens fazem parte da plataforma, alojada na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE), Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, de que é coordenador o professor Henrique Oliveira, a quem saudamos pela paixão, rigor e perseverança na criação e manutenção deste arquivo digital.

Informação complementar enviada em 15 de maio de 2010 (23:29) por José Lourenço Saraiva Salvado (foto atual à esquerda), que esteve em S. Domingos, Guiné, tendo iniciado a comissão em 25/07/1967 e terminado em 20/05/1969. (O José Salvado é membro da nossa Tabanca Grande, desde 15 de maio de 2016; tem 8 referências no blogue; é hoje advogado.)

Prestei serviço em S. Domingos e noutros locais, porque fazia parte da CART 1744, companhia de intervenção às ordens do Comando-Chefe, pelo que, para além de estar sediada em S. Domingos, esteve em intervenções em Susana, Varela, Ingoré e Cacheu, tendo combatido em Ingoré, Susana e S. Domingos. 

A mina, cuja foto foi enviada pelo camarada Eduardo Figueiredo, de quem já não me recordo, foi detectada em operação de picagem, mesmo ao meu lado, com as duas granadas incendiárias, que só por mero acaso não ocasionaram vítimas, porque o instalador se esqueceu de retirar a segurança dos detonadores. 

Pensa-se que, aquando da montagem da mina acompanhada, foi feito um ataque a uma povoação que foi socorrida em tempo recorde, pelo que as viaturas de socorro passaram por cima das minas, não sendo accionadas por erro do instalador dos artefactos. Posteriormente, numa visita de apoio psicológico para manter o ânimo das populações da povoação atacada, com trabalho de picagem, é que a mina foi descoberta. 

José Salvado, 
ex-furriel miliciano


2. O autor das fotos é o Eduardo Figueiredo, ex-alf mil op esp, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) (foto à direita).

Segundo informação do seu camarada e grão-tabanqueiro Virgílio Teixeira (Vt), o Eduardo já  terá morrido há uns anos, vítima de doença oncológica. 

Temos fotos do Vt com ele, que publicaremos em próximo poste.

(Revisão / fixação de texto, transcrição de manuscrito, título: LG)
________________

Nota do editor

(*) Último poste da série > 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau

Guiné 61/74 - P27810: Os nossos médicos (93): ten cor médico António Campos Felino de Almeida, falecido em 28/1/2011; em 24 de junho de 1969 era diretor do HM 241, em Bissau


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4

RTP Arquivos > 1994 > Reportagem sobre o antigo HM 241, em Bissau, com assinatura da jornalista Fátima Matos Lima: passou no Telejornal da RTP1, em 25 de agosto de 1994. Não são propriamente fotogramas do vídeo, mas fotografias obtidas do seu visionamento (a exibição do conteúdo está sujeito a licença da RTP Arquivos).

Na foto nº 1,  o antigo diretor Felino de Almeida, comenta, desolado, as imagens da brutal degradação por incúria e abandono do seu antigo hospital (que depois da independência ainda integrou o complexo militar "3 de agosto") (Fotos nºs 2, 3 e 4).


O que restava do antigo HM 241 foi entretanto demolido em 2025 (*).



Ministério do Exército > CTIG > Hospital Militar nº 241 > Bilhete de identidade do alf mil médico José António Pardete da Costa Ferreira, nosso grão-tabanqueiro, já falecido. O documento emitida em 24 de junho de 1969 tem a assinatura do comandante, Felino de Almeida, major médico.


1. Já tínhamos, no nosso blogue, uma ou outra referência ao médico militar Felino de Almeida  (**). Em 1969 ele era diretor do HM 241, como se comprova pela cópia do BI do alf mil médico José Pardete Ferreira (1941-2021).

Foi também pelo dr. Pardete, que vivia em Setúbal, que soubemos que este antigo diretor do HM 241 já tinha falecido em janeiro de 2011 (***)

Por pesquisa na Net, e com base nas Ordens do Exército Português, descobrimos que:

(i) morreu em 28 de janeiro de 2011;

(ii) com o posto de tenente-coronel médico;

(iii) pertencia à Secção de Apoio / RRRD;

(iv) chamava-se, de seu nome completo,  António Campos Felino de Almeida;

(v) e devia viver no Porto.

Com base numa ferramenta de IA, ficamos a saber que a sigla RRRD refere-se à Repartição de Recrutamento, Reserva e Disponibilidade.

Esta repartição está inserida na Direção de Administração de Recursos Humanos (DARH) do Exército Português e é responsável por processos administrativos relacionados com o pessoal militar, tais como: gestão de situações de licença ilimitada; processos de reserva e disponibilidade de oficiais, sargentos e praças. A secção de apoio (SecApoio/RRRD) dá suporte a estas áreas.

Diz o Virgínio Briote (*) que o Dr. Felino de Almeida (***) tinha consultório na cidade do Porto

O que foi confirmado por nós: tinha a especialidade de dermatologia e venereologia, e o agendamento de consultas, na cidade do Porto, ainda se mantém ainda hoje "on line" (!), quinze anos depois da sua morte (na plataforma Doctoralia).

2. Também o nosso camarada Manuel Freitas (ex-1º cabo escriturário, HM 241, Bissau, 1968/70,  empresário, técnico de contabiliudade e de seguros), que vive em Espinho e que há anos organiza o encontro anual do pessoal desta unidade de saúde, escrevia o seguinte, em 2011 (****), em comentário ao António Paiva (que infelizmente desapareceu há muito do nosso radar, tudo levando a crer que terá morrido em 2017/2018) (*****):

Olá,  Paiva,

Não compreendo porque andei tanto tempo sem consultar este blogue do Luís Graça & Camaradas da Guiné. Já estava desatualizado porque, organizando há já 9 anos convívios com os ex-militares do HM 241, onde já estiveram o Dr. Felino de Almeida (diretor do hospital do nosso tempo), o Dr. Diamantino, o Dr.Rui Meireles, o Dr. Ventura e outros, não consegui trazer-te para este evento que por certo vais gostar pois junta a malta de 1967 a 1971.

Das histórias que contas lembro-me do resultado desta cobiça.(**)

Lembras-te daquela africana que veio evacuada, trazendo alojada numa anca, uma granada, e foi um espetáculo a preparação no bloco para retirar sem rebentar?

Vou inscrever-me no blogue e depois conto algumas histórias que tenho registadas no meu álbum. 

Sou o Manuel Freitas e estive no HM 241 de 1968 a 1970,  era o treinador e jogador da nossa equipa de futebol. (...) 
Manuel Freitas.


(*****) Vd. poste de 3 de maio de 2021 > Guiné 61/74 - P22168: Desaparecido do nosso radar (1): António Duarte de Paiva, ex-sold cond ambulâncias, HM 241, Bissau, 1968/70