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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28189: E as nossas palmas vão para... (36): O Jaime Bonifácio Marques da Silva, natural do Seixal da Lourinhã e filho adotivo de Fafe, ex-alf mil pqdt, BCP 21 (Angola, 1970/72), que celebra hoje o seu 80º aniversário









A promessa da mãe, se o filho viesse são e salvo





Lourinhã, Seixal, 17 de julho de 2017, na festa dos 71 anos do Jaime. Aldina Silva (Fafe, 1946-Lourinhã, 2022). Foto: LG





Hoje, no 80º aniversário, a família e os amigos da Lourinhã, Peniche e Bombarral (Luís Graça, Joaquim Pinto de Carvalho, Rogério Ferreira, Laurentino Marteleira, João Pereira, Paulo,  Xico Manel, João Miguel, João Batista, entre outros, além do Fernando Castro, antigo dirugente da AVECO), vão-lhe fazer uma pequena homenagem, no jantar (reservado) a realizar na Associação Cultural, Recreativa e Desportiva do Lugar das Matas, servido pelo "chef" Inocêncio (ex-Café Nicola,Lourinhã).


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné | Portal UTW  - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 13 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27731: E as nossas palmas vão para... (35): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16.º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte VII

Guiné 61/74 - P28188: Parabéns a você (2505): Jaime Bonifácio Marques da Silva, ex-Alf Mil Paraquedista da 1.ª CCP /BCP 21 (Angola, 1970/72)

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Nota do editor

Último post da série de 13 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28178: Parabéns a você (2504): António Tavares, ex-Fur Mil SAM da CCS/BCAÇ 2912 (Galomaro, 1970/72)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28187: Retalhos da vida militar (6): História da Pista de aterragem de Jumbembem (Artur Conceição, ex-Soldado TRMS)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS da CART 730/BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 13 de Julho de 2026:

Boa tarde amigos e Camaradas Editores.

Como não tenho Quintal, nem Horta, nem Apiário tenho de contentar-me com os meus hábitos matinais de ligar o computador, consultar a meteorologia, ver as gordas do dia, dar uma espreitada ao blogue e verificar com vai a conta bancária, não vá o diabo tecê-las… Gato escaldado da água fria tem medo.

Escrevi algumas linhas sobre a famosa pista para aeronaves em Jumbembem que envio em anexo.
Escrevi também algumas linhas sobre um tema que serviu de mote para o primeiro.
Estou por cá a tentar cumprir com as indicações do Luís Graça. Vamos correr com o Alemão.

O meu Grande Abraço
Muita saúde para todos
Artur António da Connceição



História da Pista de aterragem de Jumbembem

Sendo a Guiné uma região plana tem e sempre teve excelentes condições para a criação de pistas de aterragem para qualquer tipo de aeronaves.
Jumbembem não fugia à regra e tinha condições excelentes para a criação de uma pista de aterragem.

A CART 730, enquanto sediada em Jumbembem, sempre recebeu a sua correspondência largada do Céu, a partir de uma avioneta, por não haver uma pista para aterragem.
As condições geográficas eram boas, havia tempo até de sobra, mas faltou sempre a boa vontade para levar a obra para diante.

Chegou a estar em Jumbembem uma máquina de terraplanagem para proceder à criação da tão almejada pista de aterragem. Essa máquina era manobrada por um 1.º Cabo pertencente à Engenharia sediada em Brá na cidade de Bissau.

A CART 730 enquanto esteve em Jumbembem dispunha de Messe para Oficiais, Messe para Sargentos e Rancho Geral. O 1.º Cabo, Operador de Máquinas considerando que como tinha de trabalhar oito horas por dia, pediu para que as suas refeições tivessem lugar na Messe de Sargentos. Tal não lhe foi concedido, mas logo na primeira oportunidade o nosso 1.º Cabo montou-se na máquina foi embora.

A dada altura o Senhor Comandante da CART 730, Capitão Amaro Rodrigues Garcia não comprou uma “cabritinha”, mas sim uma cabra adulta, que trazia consigo dois filhotes. O objectivo era passar a haver leite para o pequeno almoço na Messe de Oficiais. A cabra mãe e os filhotes pernoitavam em espaços separados e só tinham direito a mama depois de a cabra ser mugida para tirar o leite para a Messe de Oficiais. O cozinheiro da Messe, que era quem mugia a cabra logo pela manhã, quando foi para buscar os filhotes verificou que um deles havia desaparecido durante a noite.

O cozinheiro da Messe teve de dar conhecimento ao Senhor Capitão. Iniciadas as primeiras averiguações para saber o que se tinha passado, verificou-se ao fim de algumas horas de que tinha havido furto. Havia na Companhia um grupo de Alentejanos especialistas em petiscadas muito boas que logo se tornou suspeito. Feita uma minuciosa pesquisa na caserna foi encontrado, já sem vida, o cabritinho dentro de um caixote de guardar farda, mas que tinha ficado com o rabo de fora. Descoberto o crime e os criminosos, procedeu-se ao julgamento e leitura da sentença.

A sentença foi a seguinte: Tinham direito a comer o cabrito, mas como castigo teriam de derrubar 12 árvores na zona onde iria ser construída a futura pista de aterragem.

Pela manhã o grupo dos “condenados”, munidos de machados, pás e picaretas dirigiam-se ao local para cumprimento da pena que lhes havia sido aplicada. Para controlar o stresse iam também munidos de uns baralhos de cartas e algumas bebidas.

Volvidas duas semanas, o senhor Capitão resolveu ir verificar o ponto da situação em relação à execução da pena aplicada. Verificou de que todas as árvores sinalizadas para serem abatidas continuavam de pé.

Chamado o grupo, foi-lhes transmitido de que a sentença passava a ter a seguinte redacção: se no prazo de duas semanas todas as árvores não estiverem tombadas a sentença será revertida e substituída por 15 dias de detenção para cada um.

A sentença foi cumprida, mas as árvores permaneceram tombadas no mesmo local até à retirada de Jumbembem da CART 730.

O helicóptero que procedeu à evacuação do Senhor Capitão Rui Romero entrou pelo lado da futura pista e poisou ao fundo da parada junto aos abrigos subterrâneos.

Esta era a situação, em termos de pista de aterragem para aeronaves, quando da retirada da CART 730.
Eu sei, eu vi, eu estava lá.

Tudo o que se passou posteriormente a 17 de julho de 1966.
Eu não sei, eu não vi, eu não mais lá voltei.


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Posição relativa de Jumbembem na estrada Farim-Colina do Norte. © Infogravura Luís Graça & Camaradas da Guiné


Mote para a Pista

Primeiro interveniente

Deves estar a fazer uma grande confusão... Jumbembem com Iemberem ou outra terriola qualquer terminada em "em" desculpem a cacafonia provocada.

O Artur Conceição é que diz que no tempo dele 1965 em Jumbembem não havia pista e os editores vão na onda e fazem o descritivo da legenda nesse sentido.

Pois segundo reza a História do BArt 733 no dia 2/08/1965 1 GComb/CArt 730 continuou a construção da pista de aterragem e executou melhoramentos diversos no aquartelamento.

Portanto, talvez quando se verificou a morte do Cap Romero 10/07/66 quase um ano depois, talvez a pista já estivesse concluída. Não sei.


Segundo interveniente

O Luís é que escreve o seguinte:

"Segundo a última conversa que tive com o Artur, em Jumbembem não havia pista de aviação. O correio era largado às quintas-feiras, de avioneta. Acabada de chegar a Jumbembem, a CCÇ 1556 [1565] só recebeu o primeiro correio, no domingo, 10 de julho de 1966. Veio diretamente de Farim, por coluna auto."

Atenta no que acima escrevo invocando a História do BArt 733, não sei se a pista estava concluída ou não em 10/07/1966 um ano depois do início da sua construção, mas quase posso afirmar categoricamente que a evacuação que se vê na foto não é da parada de Jumbembem. É isso sim da pista ou do campo de futebol que ficava/fica paralelo à picada Cuntima>Jumbembem>Lamel>Farim e Jumbembem>Canjambari.
Pois a parada estava envolvida pela tabanca antiga que ainda é do meu tempo e fomos nós que a demolimos para construir uma tabanca nova a norte do aquartelamento e paralela à pista.

Donde da parada não se viam as árvores ao fundo nem em 1966 e nem quando fui para lá e só depois da demolição da tabanca velha é que se passou a ver, como se vê na minha foto a preto.

Em 2014


O SITREP era uma mensagem diária de classificação R (Rotina) transmitida ao fim da tarde e que tinha como objectivo enviar o ponto da situação. De um modo geral era transmitida pelo Artur porque o seu envio era sempre por volta da hora do jantar.

Todas as mensagens enviadas a partir de Jumbembem eram emitidas em fonia. Pelo fim da tarde as condições eram mais difíceis. Como o Artur tinha uma das melhores gargantas. Lá teria de ser, o que não significa que a mensagem onde veio este conteúdo tenha sido enviada pelo Artur.

São referidas neste retalho de SITREP 3 acções de elevado significado:

1. Patrulhamentos diários nas imediações da povoação e patrulhas de reabastecimento a FARIM, CANJAMBARI E CUNTIMA.

2. Melhoramentos e construção de edifícios e instalações para a criação de condições de vida e higiene em JUMBEMBEM e CANJAMBARI.

3. Construção da pista de aterragem de JUMBEMBEM e conservação da existente em CANJAMBARI

O terceiro ponto já foi censurado pelo 1.º Cabo António Bastos do Pelotão 953 que esteve em Canjambari.


Agora as mesmas 3 acções, mas com alguma mistura de verdade.

1. Logo pela manhã teve lugar banhinho matinal porque o pessoal da companhia admira a boa higiene, seguido de uma visita à tabanca para apalpar as bajudas.

2. Antes do almoço ainda houve tempo para uma suecada e para uma visita aos arredores para se possível apanhar alguma presa mais distraída.

3. Depois do almoço e após uma merecida sesta e depois de uma suecada, teve lugar um jogo de futebol entre as equipas, Alentejanos e não Alentejanos, que os não Alentejanos ganharam por 3 a zero.

Acreditar naquilo que está escrito nas actividades de Companhias e Batalhões é como acreditar no que está escrito na História de Portugal sobre a Padeira de Aljubarrota, Dona Brites de Almeida que terá matado com a pá de meter o pão no forno sete Castelhanos que se teriam escondido no forno onde Dona Brites cozia o seu pão. Isto para não falar daqueles que ainda acreditam no Pai Natal.

Esta é uma segunda imagem das várias que foram tiradas. Talvez nesta foto dê para identificar melhor a diferença entre o chão da parada e o chão do campo de futebol. De pista de aterragem nem vale a pena falar.

Partindo da “Porta de Armas” do acampamento de Jumbembem e seguindo sempre em linha recta até ao arame farpado entrava-se no espaço previsto para a tal pista.

Para lá do arame farpado do lado esquerdo ficava uma árvore de grande porte que dava frutos pequenos parecidos com figos e que em determinada época foi invadida por bandos de pombos bravos que vieram colher esses mesmos frutos. O Senhor Capitão tinha uma caçadeira que entregou ao Gamito que abateu umas quantas dezenas. Só não comeu pombo de churrasco quem teve preguiça de os depenar.

Do lado direito logo a seguir ao arame farpado ficavam as latrinas da Companhia. Uns 20 ou 30 metros mais adiante ficava uma cova onde eram testadas algumas munições.

Num desses ensaios já na presença do 1.º Sargento da Companhia 1565, aconteceu que uma granada de bazuca foi percutida, mas não saiu. O Primeiro Sargento da CART 730, Maurício Martins Clemente, quando se apercebeu do sucedido arremessou a bazuca para a maior distância que conseguiu, mas não conseguiu evitar ferimentos, não muito graves, mas que o forçaram a regressar a Bissau alguns dias mais cedo.

Entre o posto de rádio e o arame farpado e daí para diante apenas foi construída uma peanha para colocação de uma Metralhadora Antiaérea.

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Nota do editor


Último post da série de 10 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28169: Retalhos da vida militar (5): Faz hoje 60 anos que ocorreu a trágica morte do Cap Mil Inf Rui António Nuno Romero, Comandante da CCAÇ 1565 (Artur Conceição, ex-Sold TRMS)

Guiné 61/74 - P28186: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (71): Bubaque, Bijana: 11 de julho de 2026: chuva e mais chuva...


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4

Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Bijana > Sábado, 11 de julho de 2026 > Dia de chuva

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Fotos enviadas pelo Patrício Ribeiro, que chegou a Bubaque, no dia 10, por volta das 13:55. Apanhou muita chuva. Devido à lentidão da Net, manda-nos sempre uma foto de cada vez. Estas foram tiradas a 11 do corrente, por volta das 14h00. 

A tabanca de Bidjana (ou Bijana) é das  comunidades que beneficia da instalação de painéis solares. Projeto Tanka Mas, da ASAD (Asociación  Solidaria Andaluza de Desarollo) (ONGD, criada em 2005, com sede em Granada). Segundo o censo de 2009, Bijana tinha 94 habitantes (49 homens,  45 mulheres).


Data - 12/7/2026, c. 19:19

Assunto - Chuva

Luís:  A canseira é tanta que dá para tirar uma sesta à chuva... na varanda de uma casa, na tabanca de Bidjana.

Mantenhas
Patrício Ribeiro

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28185: Historiografia da presença portuguesa em África (535): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (3): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 28 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Encontro aspetos surpreendentes nesta viagem do chefe da missão francesa à primeira demarcação das fronteiras da recém-criada província da Guiné. Considero esta narrativa da melhor utilidade e sugiro a sua comparação com a do Tenente da Armada Real Costa Oliveira, chefe da missão portuguesa, já aqui publicada. Brosselard saiu de Bolama, que descreveu com detalhe, promete encontrar-se com Costa Oliveira em Kandiafara, no dia 12 de fevereiro, entretanto encontra-se com o rei dos Nalus, uma narrativa espantosa, e irá dar-nos seguidamente um retrato da visita que faz ao rio Nuno, dizendo erradamente que foi descoberto por Nuno Tristão em 1447 (Nuno Tristão foi assassinado no rio Gâmbia, norte da Grande Senegâmbia, nunca chegou a terras da Guiné e por conseguinte não podia ter chegado ao rio Nuno).

Um abraço do
Mário



A Guiné vista por estrangeiros - 1:
A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (3)
Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette


Mário Beja Santos

A narrativa do Capitão Henri Brosselard é relevante na medida em que exprime o ponto de vista do chefe da missão francesa à primeira demarcação das fronteiras da recém-criada Guiné portuguesa, uma narrativa que deve ser aferida com a do Tenente da Armada-Real Costa Oliveira, chefe da missão portuguesa, esta aqui já publicada no blogue e que irá reaparecer no meu livro Guiné Bilhete de Identidade Tomo II.

Henri Brosselard descreveu Bolama, onde se veio a encontrar com Costa Oliveira, procurou organizar os aprovisionamentos para a expedição, irão ser expedidos para Bissau, combinou com Costa Oliveira encontro em Kandiafara em 12 de fevereiro, por se supor estar situada na vizinhança da linha fronteiriça. É aqui que recomeço o texto de Brosselard.

Entretanto o Aviso Dakar veio fundear diante de Bolama, em 4 de fevereiro. A comissão francesa tomou mediatamente as suas posições para o embarque de pessoal e bagagens. No dia seguinte partimos para o rio Nuno.

Depois dos trâmites alfandegários, o Dakar passou o entreposto de Bel-Air e acabou por fundear no entreposto de Samiah. Desembarcámos e instalámo-nos na feitoria que pertence à Casa Blanchard, fomos amavelmente recebidos nesta propriedade fortificada.

Informado da nossa chega ao rio Nuno, o rei dos Nalus veio fazer-nos uma visita em Samiah. No dia seguinte, acompanhado dos meus oficiais, visitei o rei Dinah na sua residência. O palácio real é uma residência notável, situa-se à beira do rio, a povoação terá 600 habitantes. Desembarcámos sem dificuldade, havia maré-alta. O rei sabia fazer as honras da hospitalidade, revelava uma compostura europeia.

Atravessámos três filas de paliçadas e postigos de vigia bem defendidos, caminhámos à direita e à esquerda por muros altos que envolvem as casas das pessoas importantes do círculo real e penetrámos no reduto onde se encontram as cinco habitações reais, quatro das quais tinham a forma aproximada de casas europeias, as paredes são em adobe e a cobertura em palha, muito espessa; uma casa maior tinha forma circular, era o salão de receção, contiguo estava o quarto onde o rei dorme e toma as suas refeições. Ficámos na varanda onde os músicos manejavam os balafons e cantavam em homenagem aos hospedes do rei.

Após um compasso de espera, passámos ao salão, tinha uma mesa e cadeiras, um certo conforto europeu, e uma limpeza admirável, serviam cerveja e limonada como refresco. O quarto do rei Dinah, contiguo ao salão de receção, estava mobilado com um conforto que nos surpreendeu. Amplo, coberto com um teto, as paredes forradas com esteiras, uma grande cama no meio, coberta com mosquiteiro, aqui e ali cadeiras estofadas; nas paredes, havia gravuras francesas e inglesas, espelhos deslumbrantes e garridos, um relógio de cuco e a dar horas! No toucador, todo o necessário em porcelana e cristal; ali perto um cofre-forte contendo o tesouro e os arquivos do reino; é ali que está preciosamente guardado o Tratado passado em nome da França com o predecessor de Dinah. Uma outra habitação está reservada a morada das mulheres. Dinah apresentou-as com orgulho, se bem que elas sejam pouco prendadas pela beleza.

No pátio desta casa os escravos pilam o milho miúdo. Inútil dizer que estes escravos são mulheres, porque em África um indígena sentir-se-ia desonrado se fosse condenado a este género de trabalho. A quarta casa continha os abastecimentos de arroz e milho, bem como o local reservado aos estábulos. Dinah tem um cavalo, aliás possante e raro, e quase desconhecido nesta costa de África. Enfim, a quinta casa composta pela sala da Justiça e as prisões. Atravessando o pátio, o rei mostra-nos os poços onde o seu pessoal se abastece de água; vemos seguidamente a cisterna. É Dinah quem guarda a chave do cadeado da cisterna para se precatar de qualquer tentativa de envenenamento.

Na sua imaginação bárbara, Youra, o predecessor de Dinah, tinha inventado suplícios que inspiravam terror a todo o povo. Um desses suplícios, que ainda se praticava há pouco tempo, consistia em prender o supliciado no momento da maré-baixa a um porte no rio; quando subiam as águas, o infeliz via pouco a pouco a água chegar à boca que ele se esforçava por fechar, o nível da água, entretanto subia, invadia as narinas provocando uma asfixia lenta.

Dinah Salifou tinha sucedido ao seu tio Youra, conforme o costume que rege os direitos da sucessão. O filho mais velho de um irmão de Youra, um certo Tocha, primo direto de Dinah procura contrabalançar o prestígio do rei e ganhou adeptos que parecem ser em grande número entre os chefes Nalus. A influência moral de Tocha supõe-se ser mais forte que a do primo e Dinah, sem o apoio que lhe dá França, estaria provavelmente há muito tempo destronado. Os dois primos detestam-se, admite-se que pode haver atentados de um contra o outro (e o Capitão Brosselard conta duas histórias de tentativas dos primos em matarem-se).

Voltando ao relato na primeira pessoa, o Capitão Brosselard, que tinha curiosidade em ver frente-a-frente os dois, convidou-os a almoçar no mesmo dia em Samiah. No dia aprazado, perto das dez horas os cânticos barulhentos dos músicos que marcam a cadência aos remadores anunciaram a chegada da embarcação real, no mastro flutuavam as cores francesas. Dinah veste com aparato, traz uma espécie de estola de veludo coberta de bordados a fio de ouro; avança com passadas comedidas, com a gravidade que convém a um grande rei. Tocha chega por sua vez; o seu primo apresenta-o e expõe os laços de parentesco existentes.

Na sala de jantar cada um toma o lugar à mesa. Dinah senta-se no lugar de honra, à sua frente senta-se o Tenente Clerc, com o qual Dinah conversa em inglês. O rei tem boa figura, tem o aspeto de um europeu bem-educado, maneja com facilidade a faca e o garfo. Tocha é mais hesitante, antes de levar a comida à boca observa os seus vizinhos para os imitar. Na conversação, Dinah, por cortesia com o chefe da missão, recorda factos agradáveis sobre o General Faidherbe quando ele foi Governador do Senegal; são lhe dadas notícias do general, o rei mostra satisfação em voltar a vê-lo se puder visitar a exposição em 1889.

Durante este período em que a minha coluna está imobilizada em Samiah para recrutar carregadores, tive o prazer de percorrer o rio Nuno e de recolher informações sobre a situação presente e o passado deste rio.

É com esta descrição que iniciaremos o texto seguinte.


Praia de Bolama: Porto Beaver, desenho de Th. Weber, segundo uma fotografia
Territórios franceses da Senegâmbia e do Sudão, com destaque para a Guiné Portuguesa
Capitão Henri Brosselard, gravura de Thiriat, segundo uma fotografia
Carregadores e guias, desenho de E. Ronjat, segundo uma fotografia
Ataque de abelhas, desenho de Th. Weber, segundo uma fotografia
O rio Grande do Geba, desenho de P. Langlois, segundo uma fotografia
Interior do estabelecimento comercial Maurel e Prom em Bolama, desenho de Taylor, segundo uma fotografia
Carta do território francês do Casamansa e distrito do Cacheu, feita pelo Capitão Henri Brosselard, dá perfeitamente para ver a região do Casamansa que detinha presença portuguesa, com sede em Ziguinchor, e que nos foi surripiada pela Convenção Luso-Francesa de 12 de maio de 1886. A República do Senegal vive em permanência a rebelião do Casamansa, por razões fortemente étnicas, os povos do Casamansa, Djolas, não querem pertencer ao Senegal.
Uma das muitas imagens da Exposição Universal de Paris de 1889, referida na conversa entre o rei dos Nalus e o Capitão Henri Brosselard

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 8 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28164: Historiografia da presença portuguesa em África (534): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (2): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28184: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (70): A "Mona Lisa" de Ancamona, Bubaque, Bijagós

 




Foto nº 1 , 1A, 1B






Foto nº 2, 2A e 2B






Foto nº 3, 3A, 3B


Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Tabanca de Ancamona > Sábado, 11 de julho de 2026 > c. 14:43 > A responsável da associação local


Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]



1. Fotos enviadas pelo Patrício Ribeiro, que chegou a Bubaque, no dia 10, por volta das 13:55. Apanhou muita chuva. Devido à lentidão da Net, manda-nos sempre uma foto de cada vez.


Data - 12/7/2026, c. 19:34

Assunto - Tabanca de Ancamona


Luís: Na casa onde me recolhi da chuva. A responsável da associação local. Foto que merece uma pintura. Um Picasso. Escolhe a que entenderes

Mantenhas
Patrício RibeiroImpar Lda


2. Comentário do editor LG:


Bendito dia de chuva, Patrício. 
Bendita chuva.
Há momentos felizes para um fotógrafo, 
ambulante, errante, vagabundo, como tu. 
As três fotos da "Madona" de Ancamona são de antologia. 
Podiam ser um Picasso, um Vermeer, um Da Vinci. 
É, doravante, a tua "Mona Lisa" de Ancamona. 
Tira uma cópia em papel, 
e para a próxima vez entrega-lhe, à senhora. 
É um pedido meu. 
É uma mulher bijagó de uma beleza serena mas enignática. 
Uma matriarca, uma  mulher de fibra, quiçá, descendente te de rainha. 
A beleza humana tem mistérios 
que não se decifram logo a um primeiro olhar... 
Não sei o que mais admirar:
se o seu rosto,
os seus olhos, 
os seus lábios, 
a sua pose, 
as suas mãos cruzadas sobre o ventre,
o seu peito liso, 
os seus braços possantes, 
a sua saia tradicional, 
a sua t-shirt molhada, colada ao corpo, 
a sua postura serena de camponesa face à chuva 
que cai com força no tempo dela... 
e que a obriga a ficar em casa...  

Mil e uma legendas se podiam acrescentar. 
Mas há fotos que valem por mil palavras.
Confesso que fiquei literalmente fascinado, 
ao ponto de há duas horas, desde as cinco e meia, 
que estou aqui a editar as tuas fotos para este poste... 
É a tua (e a minha, a nossa) homenagem às mulheres bijagós, guineenses. 
(Nunca fui aos Bijagós,
 tens de tirar mais fotos por mim 
e por aqueles de nós que nunca foram a Bubaque.)

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terça-feira, 14 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28183: Tabanca Grande (583): Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo, ex-Alf Mil Inf do GA 7, 1973/74, grão-tabanqueiro n.º 917

1. Mensagem enviada ao editor Luís Graça em 25 de Junho de 2026, pelo camarada e novo amigo da Tabanca Grande, Eduardo Manuel Vieira de Brito Azevedo, ex-Alf Mil Inf, que fez a sua comissão de serviço no GA 7 entre Dezembro de 1973 e Setembro de 1974:

Caro camarada Luís Graça,
Na sequência da troca de mensagens sobre o assunto com o meu ex-cunhado Luís Vaz, e agradecendo desde já a disponibilidade que me concedes para integrar o Blogue que criaste e diriges, seguem abaixo e em anexo os elementos solicitados.

Desde já, o meu muito obrigado e uma saudação muito especial aos camaradas da Tabanca.
Eduardo


Alf Mil Inf Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo

Nota biográfica:

- Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo;
- Alf. Mil. de Inf. (Nº Mecº. 05074273);
- Nascido a 15 de junho de 1952 em Angra do Heroísmo, onde reside;
- Cumpriu serviço militar no GA7, Guiné-Bissau, de dezembro de 1973 a setembro de 1974;
- É doutorado em Ciências Atmosféricas e Prof. Jubilado da Univ. dos Açores;
- É Project Manager e investigador na “Eastern North Atlantic (ENA) Atmospheric Observatory”, uma infraestrutura científica financiada pelo DOE dos EUA e operada pelo Los Álamos National Laboratory;
- É membro da Academia de Marinha, Director do Observatório do Ambiente dos Açores e Comendador da Ordem da Instrução Pública.

Foto actual do nosso amigo Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo

2. Comentário do editor CV:

Caro Eduardo Azevedo,
Em nome do editor Luís Graça, demais colaboradores permanentes e tertúlia em geral, estou a receber-te e a dar-te as boas-vindas à tertúlia. Vais ocupar o simbólico lugar 917 da nossa tertúlia, equivalente ao número de camaradas (mortos e vivos) constantes nas nossa listagem.

A maioria da tertúlia deste blogue é composta por antigos combatentes da Guiné, militares do Quadro Permanente, amigos da Guiné-Bissau e combatentes de outros TOs, como foi o caso do Carlos Cordeiro, Furriel Miliciano em Angola nos anos de 1969/70/71, infelizmente já falecido, também ele professor na Universidade dos Açores.

Como tinha uma filha residente na cidade do Porto, vinha aqui muitas vezes pelo que acabei por conhecê-lo pessoalmente. Sempre que era possível combinávamos um encontro. Nas comemorações do Dia 10 de Junho, comemorado aqui em 2017, quis desfilar a meu lado. Sendo irmão do malogrado Capitão Paraquedista João Costa Cordeiro, falecido num estúpido acidente durante um salto de treino na Guiné, quis fazer parte da nossa tertúlia onde tem participação activa. Infelizmente uma doença grave levou-o prematuramente.

É da praxe pedirmos aos novos elementos da tertúlia a sua colaboração para a feitura da nossa memória colectiva, aquela que queremos escrita na primeira pessoa, nós próprios.

A tua permanência na Guiné coincidiu com o fim do império e a entrega das então províncias ultramarinas aos respectivos povos, pelo que nós, os mais velhos, temos uma particular curiosidade em saber como cada um de vós viveu esse período. Aceitamos memórias escritas e fotografadas. Contamos contigo.

Pessoalmente tenho uma admiração particular pelos compatriotas insulares, nem melhores nem piores, mas diferentes, porque o mar nunca foi um obstáculo para poderem alcançar uma vida melhor, em qualquer ponto de Portugal ou na diáspora. Tenho contacto permanente com o camarada José da Câmara, um compatriota das Flores emigrado nos Estados Unidos. Também o conheço pessoalmente apesar da distância que nos separa. Fez de mim seu mano e da sua família nossa família adoptiva.

Fui para a Guiné integrado numa companhia madeirense, a CART 2732, e curiosamente fomos substituídos em Mansabá por uma companhia açoriana, a CCAÇ 2753. O Estado português proporcionou-me umas férias pagas, com tudo incluído, na Madeira, antes da ida para a Guiné. Posso dizer que estou grato à vida por me ter proporcionado bons amigos medeirenses e açorianos, que apesar de longe estão tão perto de mim.

Despeço-me, deixando-te um abraço e os votos de saúde.
O camarada e novo amigo
Carlos Vinhal

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Nota do editor

Último post da série de 14 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28097: Tabanca Grande (582): Isaías Teles, superintendente da PSP, na situação da reforma, grão-tabanqueiro nº 915: uma viagem em 2018 para ir "partir mantenhas" com o régulo e as gentes do Saltinho

Guiné 61/74 - P28182: Notas de leitura (1939): Prefácio de António Vilar ao livro "3x44: Abel e Caim em Contrapé", de António Carvalho (Porto: eVida, 2026, 287 pp.)




O lançamento do livro do António Carvalho, em Medas, Gondomar, foi uma das primeias atividades da recém-criada Fundação Hermínia Vilar Ribeiro (FHVR).


1. O António Vilar, presidente do conselho de administração da Fundação HVR, fez questão de escrever e assinar o prefácio da obra. Eis o texto que nos chegou, por mão do nosso camarada António Carvalho:

Apresentação

Só duas palavras…

ou três, talvez, no sentido de, além de agradecer o honroso convite do Autor deste livro, o Sr. António Carvalho, amigo e vizinho de há décadas, para prefaciar este seu livro dizer também, o quão valioso é este seu novo escrito para divulgar o passado recente desta terra, Medas (Gondomar), debruçada sobre o majestoso rio Douro, a cerca de 20 kms do Porto, mas tão esquecida nas suas generosas gentes e no seu contributo sacrificado para o bem-estar de outros (as minas , a carqueja…).

António Carvalho é alguém do povo, de vida simples, mas com um coração voltado profundamente para a sua terra, os seus costumes, dramas e as histórias que a marcaram no passado recente, com o que vai contribuindo para a pôr no mapa de uma região e de um país que, tantas vezes, começa e acaba na Capital, nas capitais deste mundo onde o Poder e o dinheiro são os deuses de serviço. Medas também é Portugal e não tem medo de existir. 

Obrigado, António Carvalho, por nos legar as memórias desta terra e dos seus cidadãos e sobre como eles caminharam entre as maiores dificuldades sociais e societais e…a Esperança, num tempo que é, hoje, não de transição, mas de rutura, mas em que não podemos deixar de lutar por um Mundo melhor.

O livro que singelamente ora prefacio, nasceu, creio bem, de uma curiosidade inabalável do seu Autor, da sua vontade indomável de serviço aos outros e, inequivocamente, da sua necessidade de deixar escrita a voz dos seus antepassados (e contemporâneos), nas suas aspirações e desventuras, para que o tempo não se cale para sempre.

O tema do livro, que também bebe da rica imaginação do Autor, não é apenas o passado, antes, se entrelaça com o presente (e o futuro?) no que revela da natureza humana. “O que é já foi e o que há-de ser também já foi” (Ecclesiastes. 3:15).

Na aparente simplicidade (culta) da narrativa, encontramos a Vida a pulsar, feita de alegrias e de tristezas, de entrelinhas , de silêncios, de partidas e de regressos infindos. Com a devida vénia direi que, às vezes, me veio à ideia, o grande Camilo Castelo Branco, enquanto parava, na leitura, de algumas passagens da escrita de António Carvalho. Terei razão?

Não sei, mas os conflitos humanos, os dilemas morais, as emoções e paixões do quotidiano humano não são muito diferentes. É a Vida.

Com este seu novo livro, António Carvalho deixa uma herança que há-de preservar Medas na história do país profundo, a qual há-de continuar a falar quando o tempo já não se lembrar de nós. (**)

António Vilar, Julho 2026

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)

2. Comentário do editor LG:

António Vilar é uma figura de referência da advocacia portuguesa e europeia. Nasceu no Porto em 1952. Exerce a profissão em regime liberal desde 1978 com escritório no Porto. Formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. É igualmente uma figura de referência na social-democracia portuguesa, com intervenção pública e intelectual marcante. Discreto, mas frontal,  tem, também, um notável percurso académico e obra publicada.

Instituiu recentemente a Fundação Hermínia Vilar Ribeiro com sede na Quinta do Carreiro, Estivada, Medas, Gondomar,  com o o objetivo de promover a solidariedade social, com especial atenção para: (i) longevidade e envelhecimento ativo; (ii) diálogo intergeracional; (iii) atividades culturais e de lazer que entrelaçam memórias, costumes e contemporaneidade

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Nota do editor LG:

(*) Poste anterior da série > 13 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28180: Notas de leitura (1938): "Furriel não é Nome de Pai, Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes; Tinta da China, 2016 (4) (Mário Beja Santos)

(**) Vd. postes anteriores: 
 

12 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28176: Notas de leitura (1936): "3x44: Abel e Caim em Contrapé", de António Carvalho (Porto: eVida, 2026, 287 pp.): dois continentes, dois destinos (Luís Graça)

Guiné 61/74 - P28181: Ser solidário (298): Nô Sidadi, Nô Futuru: sistemas fotovoltaicos instalados nos furos de Bala e de Doubala, trazem a milagrosa água ao Gabú: notícias da Impar Lda e do IMVF - Instituto Marquês de Valle Flôr


Foto nº 1 > Obras de instalação de sistemas de energia solar no furo de Doubala na cidade de Gabú, a cargo da Impar Lda  (Parece-nos descortinar uma trabalhadora, guineense, em segundo lugar, a contar da esquerda para a direita.)


Foto nº 2 > A equipa (incluindo o pessoal da Impar Lda) envolvido nas obras de instalação de sistemas de energia solar no furo de Doubala na cidade de Gabú. Todos usam vestuário de trabalho (menos as botas de biqueira de aço...). Só o "patrão" (o segundo a contar da esquerda) não usa capacete protetor...


Foto nº 3 > Grupo técnico (o Patrício Ribeiro é o primeiro da direita) junto ao novo sistema fotovoltaico no furo de Bada


Foto nº 4 > O Patrício Ribeiro, em segundo plano, em reunião de trabalho com a sua equipa  


Foto nº 5 > O principal depósito de água da cidade



Foto nº  5 > A alegria dos "djubis", refrescando-se com a água que cai do depósito

Guiné- Bissau > Região  de Gabu > Gabu > c. Junho / julho de 2026


1. Excertos (texto e fotos), reproduzidos com a devida vénia, da página da fundação para o desenvolvimento e cooperação,  portuguesa, o IMVF - Instituto Marquês  de Valle Flor.

 Desta vez foi possível apanhar o nosso amigo e camarada Patrício Ribeiro em ação, ele que é habitualmente discreto (para não dizer avesso a mostrar-se), nunca de resto nos falando diretamente das obras a cargo da sua empresa, a Impar Lda, de que foi fundador e diretor técnico. À beira de fazer 80 anos, praticamente quase todos passados em África (Angola e Guiné-Bissau), é ele um exemplo extraordinário de vida ativa, proativa e saudável. Que os bons irãs o protejam.


Quanto ao  IMVF - Instituto Marquês  de Valle Flor, é de referir a sua origem e o seu currículo na área da cooperação e desenvolvimento:


(i) foi fundado em 1951 como instituição privada de utilidade pública, por Maria do Carmo Dias Constantino Ferreira Pinto, Marquesa de Valle Flôr (1872-1952), para perpetuar a memória do marido e do filho (1.º e 2.º Marqueses de Valle Flôr);

(ii) a fortuna da família foi construída em São Tomé e Príncipe , onde José Luís Constantino Dias (1.º Marquês) se tornou um grande empresário de cacau (nasceu em Murça, 1855 e morreu em Bad Nauheim, Alemanha, em 1932): foi nobilitado pelo rei Dom Carlos I; visconde (1890), conde e  marquês (1907);

(iii) o objetivo inicial era apoiar e promover a investigação científica e o desenvolvimento, com foco em doenças tropicais e assistência social em São Tomé e Príncipe;

(iv) a transição para ONGD ocorreu em 1988, com o início formal da sua atividade em São Tomé e Príncipe;

(v)  expandiu-se nos anos 90 para outros países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor-Leste) e, mais recentemente, para África e América Latina;

(vi) atua em 10 áreas-chave (saúde, educação, água e saneamento, desenvolvimento rural, segurança alimentar, agricultura, igualdade de género, ecoturismo, comércio justo, etc.);

(vii) já implementou mais de 160 projetos em 10 países desde 1988, com destaque para a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)

(viii) o projeto "Nô Sidadi, Nô futuro"  (a nossa cidade, o nosso futuro) insere-se no âmbito da "Requalificação de Infraestruturas Sociais nas Cidades de Bafatá e Gabú": (...) partindo de um contexto governamental, administrativo e estrutural frágil, a Guiné-Bissau enfrenta diversos desafios de desenvolvimento, particularmente no que se refere às infraestruturas e serviços básicos 'inadequados, insuficientes ou inexistentes' "; este projeto, financiado pelo Fundo para a Estabilização e o Desenvolvimento Regional nas Regiões Frágeis da CEDEAO (FRSD), "vem dar resposta a problemas específicos da Guiné-Bissau: o acesso limitado a água potável, a degradação das infraestruturas dos Hospitais Regionais de Bafatá e Gabú e e as dificuldades na governação local das regiões".



26 Jun 2026


Depois de mais de dois meses sem abastecimento de água, milhares de habitantes da cidade de Gabú voltaram a ter acesso a este serviço essencial. A retoma do fornecimento foi possível graças à entrada em funcionamento do novo sistema fotovoltaico instalado no furo de Bada, no âmbito do projeto Nô Sidadi, Nô Futuru.

Com a instalação de um sistema de energia solar, o abastecimento de água passou a ser assegurado através de uma solução mais sustentável, eficiente e resiliente, eliminando a dependência de combustível e reduzindo significativamente o risco de interrupção da água.

Com capacidade para bombear cerca de 13 metros cúbicos de água por hora utilizando exclusivamente energia solar, a nova infraestrutura alimenta o principal reservatório da cidade, contribuindo para uma maior regularidade no abastecimento e para a redução dos custos operacionais do sistema.

Antes da entrada em funcionamento, a coordenação do projeto validou a conformidade técnica da instalação e autorizou o início da operação. Este momento assinalou a conclusão de uma intervenção considerada determinante para reforçar o acesso à água numa das principais cidades do leste da Guiné-Bissau.

O regresso da água foi celebrado pela comunidade num momento carregado de simbolismo. Numa cerimónia realizada junto às infraestruturas do sistema, procedeu-se assim à abertura solene da válvula de água, assinalando o restabelecimento do abastecimento à população.

Paralelamente, mantém-se os trabalhos de instalação de um segundo sistema fotovoltaico no furo de Doubala, que permitirá reforçar a capacidade de produção e distribuição de água para a cidade.

No âmbito do Plano de Envolvimento das Partes Interessadas (PEPI), foram organizadas visitas comunitárias às duas infraestruturas, envolvendo representantes das comunidades locais, autoridades regionais, instituições dos setores da água e energia, organizações da sociedade civil e outros atores relevantes.

Estas visitas permitiram aos participantes:

  • conhecer de perto os investimentos realizados, 
  • compreender o funcionamento dos sistemas solares instalados
  •  e acompanhar a evolução das obras. 

As equipas técnicas apresentaram as diferentes componentes das infraestruturas, explicaram os benefícios esperados para o abastecimento de água e responderam às questões colocadas.

As visitas incluíram ainda momentos de diálogo e partilha, durante os quais foram recolhidas preocupações, sugestões e expectativas das comunidades relativamente aos investimentos em curso. Esta abordagem participativa procura reforçar o envolvimento das populações e promover a apropriação local das infraestruturas, contribuindo para a sua sustentabilidade a longo prazo.

As intervenções integram-se no projeto Nô Sidadi, Nô Futuru, financiado pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), através do BMZ (Bundesministerium für wirtschaftliche Zusammenarbeit und Entwicklung) e do KfW Development Bank, e implementado pelo IMVF, com assistência técnica do GFA Consulting Group.

 (Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 9 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28167: Ser solidário (297): Bilhete-postal que vai dando notícias sobre a "viagem" da campanha de recolha de fundos para construir uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau (22): Modelo educatico tradicional (Renato Brito)