Local: Fundação Hermínia Vilar Ribeiro | Quinta do Carreiro, Lugar da Estivada, Rua da Bicha, nº 2, Medas, 4515-386 Gondomar |
Para mais informações consultar:
www.fundacao-hvr.pt | Email: geral@fundacao-hvr.pt | tlm: 9657 567 240. A entrada é livre.
A apresentação estará a cargo de:
- Luís Graça, sociólogo, doutor em Saúde Pública pela Universidade NOVA de Lisboa e editor do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (representado por Jorge Castro Guedes, encenador, mestre em Artes Cénicas pela Universidade Nova de Lisboa, dramaturgo, tradutor, copywritter, e que integra o Conselho de Administração da Fundação HVR, com funções de director-coordenador no Órgão Executivo);
- Angélica Lima (doutora em Ciências da Educação pela Universidade Federal de São Paulo, escritora, educadora e consultora cultural, natural de São Paulo, Brasil, a viver em Portugal há 10 anos).
António Carvalho
Sinopse: 3x44 – Abel e Caim em contrapé, de António Carvalho, é uma narrativa de memória, identidade e destino, profundamente ligada à terra de Medas/ Emendadas, em Gondomar, às margens do Douro. A obra recupera o passado recente de uma comunidade marcada pelo trabalho duro, pela emigração, pelas relações familiares, pela religiosidade popular, pelas desigualdades sociais e pelos dramas silenciosos de gente comum. O prefácio sublinha precisamente esse valor de preservação da memória local, ao apresentar o livro como um contributo para dar voz a uma terra “tão esquecida” e às suas gentes, costumes e dificuldades.
No centro da narrativa está Abel, personagem principal, cuja vida se cruza com a emigração para o Brasil, o regresso a Portugal, os negócios no Douro, a viuvez, a relação com a comunidade e o conflito latente com Caim. O próprio autor assume que a morte trágica de Abel foi a “mola impulsionadora” da escrita deste livro, construído entre personagens reais e verosímeis, memória e imaginação.
TEMAS CENTRAIS
A obra aborda, entre outros temas, a memória coletiva e familiar; a vida rural no Portugal profundo; a emigração portuguesa para o Brasil; o regresso, a saudade e o desenraizamento; o trabalho no rio Douro, nas minas, na carqueja, na lenha e no carvão; a condição social das comunidades pobres; a religiosidade e os códigos morais da época; os conflitos humanos, a inveja, o ressentimento, a culpa e a violência.
A viagem de Abel entre Emendadas e o Porto, feita pelo rio, permite retratar um mundo económico e social muito concreto: o transporte de carqueja, carvão, lenha, vinho e outros bens, bem como a ligação comercial entre a aldeia e a cidade. A narrativa integra ainda o contexto histórico da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo, mostrando como a guerra, o racionamento, a censura e a intervenção do regime afetavam a vida quotidiana e os pequenos negócios.
PORQUE DEVE LER ESTE LIVRO
Deve ler este livro porque ele é, simultaneamente, uma história de vida e um retrato de época. Através do percurso de Abel, o leitor entra num universo onde o destino individual se cruza com a história coletiva: a emigração, a pobreza, o trabalho, a família, a honra, a perda e a esperança. A obra permite compreender melhor a vida de uma comunidade ribeirinha do Douro, os seus modos de falar, trabalhar, acreditar e resistir.
PORQUE DEVE LER ESTE LIVRO
Deve ler este livro porque ele é, simultaneamente, uma história de vida e um retrato de época. Através do percurso de Abel, o leitor entra num universo onde o destino individual se cruza com a história coletiva: a emigração, a pobreza, o trabalho, a família, a honra, a perda e a esperança. A obra permite compreender melhor a vida de uma comunidade ribeirinha do Douro, os seus modos de falar, trabalhar, acreditar e resistir.
É também um livro sobre a natureza humana. Como se refere na apresentação, por detrás da aparente simplicidade da narrativa surgem “alegrias e tristezas”, “partidas e regressos”, dilemas morais, paixões e conflitos humanos.
O que distingue esta obra é a forma como cruza memória local, ficção narrativa e reconstrução histórica. António Carvalho não se limita a contar uma história individual: procura preservar uma comunidade, os seus usos, os seus medos, as suas palavras, as suas tragédias e a sua dignidade.
A obra destaca-se também pela atenção ao detalhe etnográfico e social: a casa rural, o rio, os barcos, as vendas, os negócios, a igreja, o cemitério, os pobres, os emigrantes, os trabalhadores e as mulheres que sustentavam discretamente a vida familiar. Ao mesmo tempo, a oposição simbólica entre Abel e Caim dá à narrativa uma dimensão moral e universal, aproximando-a de uma reflexão sobre o bem, o mal, a inveja, a fatalidade e a fragilidade das relações humanas.
PÚBLICO-ALVO
Este livro destina-se a leitores interessados em romance histórico e memorialístico, literatura de matriz regional, história local de Gondomar e do Douro, emigração portuguesa para o Brasil, vida rural portuguesa no século XX e narrativas centradas nas comunidades do chamado “país profundo”.
É também uma obra indicada para leitores que apreciam histórias familiares, dramas humanos, retratos sociais de época e livros que preservam a memória de lugares, pessoas e modos de vida em risco de desaparecimento. (Fonte: Vida Económica) (com a devida vénia...)
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 4 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28156: Agenda cultural (895): Na 2ª feira, dia 6 de julho, lá estaremos na tradicional batatada de peixe seco, na Festa da Marquiteira, Lourinhã... Ontem, comida dos pobres, hoje pr



7 comentários:
Pelo que já se ouviu dizer, cá por baixo, na 5ª Rep do Chefe do Estado Maior das Forças Desarmadas, há um autocarro com o Bando do Café Progresso (que as "secretas" classificam como "os bandalhos que se recusam a viver em tabanca"), com o "bandalho-mor" Jorge Teixeira à cabeça, que irá lá estar em Medas, para assistir a (e aplaudir) o lançamento do livro do "bandalho" do Carvalho de Mampatá. Amanhã, dia 11, às 15h30.
Dizem eles que:
(i) amigos são para as ocasiões: (ii) os camaradas para os grandes momentos; e (iii) os "bandalhos" para a vida inteira.
Aos que comparecerem só pelo livro, agradeço porque reconhecem que ele terá algum valor, mas aos que o fizerem só por mim, agradeço igualmente, porque reconhecerão que eu valho mais que o próprio livro. E aos que não puderem vir, agradeço a vontade de o fazerem.
Obrigado, bandalhos e não bandalhos.
Carvalho de Mampatá.
António, como e onde se pode comprar o livro ? Sei que o preço de capa é de 18 euros. O editor (Grupo Vida Económica), até ao fim do ano, faz um desconto de 10%.
Não desvalorizes o teu trabalho de dois anos!... Se fosses pago à hora, tinham que te pagar o produto do teu trabalho bem mais caro que os 5 contos que, em 11 de junho 1944, roubaram ao pobre do Abel (além da vida).
(Não consigo calcular os valor de 5 contos, em 1944, a preços de hoje, em euros... Mas posso a partir de 1948... Seria muito mais do que 3 mil euros.) (Vd. INE > IPC Atualização de Valores.
Há livros de gajos com o prémio Nobel da Literatura a serem vendidos ao quilo, a 1, 2 3, 4, 5 euros. Na feira da Ladra. Ou das velharias.
Diz a IA / Google, Wikipedia e outras fontes:
Para compreender o poder de compra desta quantia (5 contos) no Portugal da década de 1940... Dava para comprar:
(i) Propriedades: com 5.000$00 era possível adquirir um pequeno terreno agrícola, uma leira ou até uma modesta casa rústica na região de Medas/Gondomar, dadas as transações imobiliárias da época;
(ii) Alimentação: o preço dos bens de primeira necessidade era relativamente baixo, embora condicionado pelo racionamento: Pão de milho ou trigo: custava entre 1$50 e 3$50 por quilo. Com 5.000$00 poderias comprar entre 1.500 e 3.000 quilos de pão.Vinho: Um litro de vinho regional rondava os 2$50 a 4$00;
(iii) Animais: uma junta de bois, essencial para a agricultura tradicional e o trabalho nas encostas do rio Douro, poderia custar entre 2.500$00 e 4.500$00 (os lavradores de Medas mediam-se pelo nº de juntas de bois: 3, 2, 1 (abastado, remediado, pobre) (era preciso dsitinguir os proprietários e os rendeiros)...Abaixo dos lavradores (proprietários e rendeiros), havia os jornaleiros, os criados de lavoura, os cabaneiros... (Leiam o livro do António...).
(iv) Vestuário e calçado: um par de botas de couro feitas à mão por um sapateiro local custaria entre 50$00 e 100$00; um fato completo feito à medida por um alfaiate rondaria os 200$00 a 400$00.
O poder de compra na época variava, visto que se vivia em pleno período de condicionamento económico e mercado negro devido à Segunda Guerra Mundial.Claro que em Medas / Gondomar o custo de vida seria mais barato do que no Porto ou em Lisboa...
Querem saber
Pois é: ganhava-se pouco, mas a comida era muito mais cara que o trabalho. Vejamos, ainda na década de quarenta, em Medas. 1Missa custava 20$00; 1 Mulher ganhava 10$00/dia, a seco, 4$50 a demolhado; 1 Kilo de carne de vaca custava 9/13$00. Resumindo, a mulher tinha que trabalhar um dia para ganhar para um kilo de carne, já o padre ganhava numa hora o equivalente a dois quilos de carne.
Carvalho de Mampatá
Luís
Esqueci-me de te responder à questão da venda do livro. Como sabes, o livro pertence à Fundação Hermínia Vilar Ribeiro, a qual encomendou 200 exemplares. Sei que amanhã vão tê-los à venda. Depois não sei ainda onde estarão à venda. Amanhã sabê-lo-ei e darei informação, sobre o assunto.
Sem revelar o texto que escrevi para a apresentação do livro, esta tarde (num exercício, que não foi sequer ensaiado, a quatro mãos com a escritora brasileira Angélica Lima que nem eu nem o autor conhecemos, pessoalmente, ao vivo e a cores), deixem-me fazer aqui a "declaração de interesse", relativamente ao meu amigo e camarada Carvalho de Mampatá:
Gosto muito do António como pessoa, foi um autarca que lutou apaixonadamente pela sua terra e tem uma enorme tristeza (e revolta) pela reforma administrativa que juntou Medas ("Emendadas") a Melres ("Emendadores"), hoje União das Freguesias de Medas e Melres...
Ele foi em tempos um combativo, independente e apaixonado presidente da Junta de Freguesia de Medas, que tem uma identidade própria, mas Melres hoje é maior... Deixem--me ainda dizer-te que o António Carvalho (meu camarada da Guiné, foi furriel enfermeiro, um ano depois de mim, esó nos conhecemos aqui, na Tabanca Grande...) "conhece" o Brasil, esteve lá uma vez, no Rio de Janeiro e arredores, tendo visitado inclusive uma fazenda...
Medas foi terra de grande emigração para o Brasil. Ele próprio teve dois tios-avós maternos "brasileiros" e "benfeitores" de Medas...E julga inclusive ter sangue afro-brasileiro (um ascendente de meados do sec. XVIII, um de três antigos escravos, libertos no tempo do Marquês de Pombal). Ele está, como se diz em bom português, "nas suas sete quintas" a falar da sua amada terra (Medas)...
Deixem-me, por fim, revelar um outro pequeno segredo do romance. Há 3 ou 4 figuras fortes no romance, e logo mulheres: (i) a mãe de Abel; (ii) a Micas que amamentou os filhos de Abel; (iii) a afro-descendente e ativista social Chiquinha: (iv) e até a Eva, que vem do lumpen das "ilhas" do Porto, carquejeira (e amante do Abel, "pérfida" como a Eva da Bíbilia). Claro que a Chiquinha tem um lugar àparte (o leitor terá que comprar e ler o livro, para perceber porquê)
De resto, é u,m romance que nasce da memória e da história (o autor falou com os filhos de Abel, cujo caso é real, veio nos jornais de 1944, um crime cujo móbil foi o dinheiro que o madeireiro trazia consigo para um negócio em Avintes, cinco contos, o que era muito para a época).
Não vou dizer mais nada, estou só "abrir o apetite". Acrescento apenas que gostei que ele trouxesse para o livro temas fortes da nossa história comum do Velho Mundo (Europa e África) e do Novo Mundo (Américas) como o esclavagismo, os quilombas, o abolicionismo, o racismo...
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