Foto nº 8 e 8A
Foto nº 9
Fotos nº 11, 11A e 11B
Foto nº 13 E 13A
Foto nº 14, 14A e 14B
Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.
Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Continuação da publicação de um lote de 14 fotos ("slides" digitalizados) do alferes graduado
capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pretenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)
De um modo geral, estas imagens são muito interessantes (embora já comuns no nosso blogue), quer do ponto de vista etnográfico, quer histórico. O padre José Torres Neves revela aqui a sua empatia, capacidade de observação participante, espírito ecuménico e sensibilidade sociocultural.
Em 1970, Mansoa encontrava-se relativamente segura, embora a guerra estivesse bastante próxima. Estamos na região Oio. Mas ia-se, com relativa segurança, de Bissau a Mansoa (c. 60 km). E nunca houve, praticamenmet, nenhuns casos muito graves de terrorsimo urnavo (com exceção de Farim enm 1965 e depois em Bissau, já no fim da guerra).
É significativo que uma festa muçulmana pudesse decorrer com esta dimensão pública, e sem nenhum dispositivo militar de segurança. Estas imagens podiam ser usadas pelas NT contra a propaganda do PAIGC...
Também mostram, pro outro lado, que as autoridades portuguesas, incluindo os capelães militares como o padre José Torres Neves, assistiam frequentemente às festividades religiosas das populações locais, num espírito de convivência e observação que muitos deles registaram em fotografia (como é o caso dos nossos camaradas Abílio Duarte, António Marreiros, Armando Fonseca, Armando Oliveira, Arménio Estorinho, Jorge Pinto, José Carvalho, Luís Mourato Oliveira, Vasco da Gama) e/ou em cmentários e observações como os nossos amigos Cherno Baldé e Cataraina Meireles. entre outros.
2. Sobre algumas destas fotos pode acrescentar-se o seguinte:
Fotos nº 8 e 10: As mulheres e crianças participam, mas à parte. Os "tugas", curiosos, misturam-se também com os crentes. A Fotio nº 8 mostra um pequeno grupo de mulheres muçulmanas, quase todas envoltas em grandes panos brancos.
2. Sobre algumas destas fotos pode acrescentar-se o seguinte:
Fotos nº 8 e 10: As mulheres e crianças participam, mas à parte. Os "tugas", curiosos, misturam-se também com os crentes. A Fotio nº 8 mostra um pequeno grupo de mulheres muçulmanas, quase todas envoltas em grandes panos brancos.
Esse branco (nas vestes de mulheres e homens) tem um significado simbólico importante: é a cor da pureza, da alegria religiosa e da festa. Muitos terão vestido a sua melhor roupa para o Korité (ou Eid al-Fitr), assinalando o fim do Ramadão. Sob o pano branco veem-se vestidos coloridos, como o da mulher em primeiro plano, revelando o gosto africano pelos tecidos estampados.
É interessante notar que os rostos permanecem descobertos. Isso corresponde aos costumes locais da Guiné-Bissau, onde, mesmo entre Mandingas e Fulas muçulmanos, nunca foi habitual o uso do véu integral como noutras regiões do mundo islâmico.(Mas já vemos hoje no Gabu sinais do regersso do fundamentalismo religioso, pelo menos a nível do vestuário feminino.)
Já na foto nº 1 e 2 do poste anterior (*),a separação dos grupos é ainda mais evidente. Essa disposição não significa propriamente uma segregação socioespacial rígida, mas antes o respeito pelas normas sociais e religiosas da época. Nas cerimónias públicas, sobretudo depois da oração, homens e mulheres tendiam naturalmente a formar grupos distintos, embora todos participassem na mesma festividade.
Esta parte é a mais importante, mas também é a mais monótona e menos interessante para a rapaziada que já está com os sentidos voltados para as comidinhas que, entretanto, estariam a preparar em casa de maneiras que, não raras vezes, só ficam os mais velhos a acompanhar esta longa narrativa prenhe de recomendações dogmáticas sobre a religião, a vida em comum e a necessidade e fundamentos da preservação dos ensinamentos e da tradição islámicas, a bem da comunidade" (...). (**)
É interessante notar que os rostos permanecem descobertos. Isso corresponde aos costumes locais da Guiné-Bissau, onde, mesmo entre Mandingas e Fulas muçulmanos, nunca foi habitual o uso do véu integral como noutras regiões do mundo islâmico.(Mas já vemos hoje no Gabu sinais do regersso do fundamentalismo religioso, pelo menos a nível do vestuário feminino.)
Já na foto nº 1 e 2 do poste anterior (*),a separação dos grupos é ainda mais evidente. Essa disposição não significa propriamente uma segregação socioespacial rígida, mas antes o respeito pelas normas sociais e religiosas da época. Nas cerimónias públicas, sobretudo depois da oração, homens e mulheres tendiam naturalmente a formar grupos distintos, embora todos participassem na mesma festividade.
Vejam-se tambéma as res stantes fotos nº 9, 10, 11, 12, 13 e 14:
É um pormenor curioso, a atitude dos "tugas"... Não há ali qualquer sinal de tensão. Pelo contrário, parecem simples espectadores, quase "turistas". Alguns usam camisa de manga curta, outros óculos de sol, e misturam-se com naturalidade entre a população. Em Mansoa, em 1970, isso era ainda possível. Apesar da guerra estar presente na região, o núcleo urbano continuava a manter uma vida social relativamente aberta, permitindo este tipo de contacto.
Também a arquitetura merece referência. As casas circulares de cobertura de colmo coexistem com edifícios de planta retangular e cobertura metálica, mostrando uma Mansoa em transição entre a construção tradicional e a influência urbana trazida pela administração colonial.
Destaque para a foto nº 14, e os comentários já aqui produzidos pelo Cherno Baldé, em 2023 (ao poste P24207)(**):
- homens sentados ou reunidos, muitos vestidos de branco;
- mulheres agrupadas um pouco mais atrás, formando um conjunto próprio;
- crianças circulando livremente entre os adultos;
- e, ao fundo, alguns militares e civis portugueses observando discretamente ou fotografando (fotos nº 10, 11, 13).
Também a arquitetura merece referência. As casas circulares de cobertura de colmo coexistem com edifícios de planta retangular e cobertura metálica, mostrando uma Mansoa em transição entre a construção tradicional e a influência urbana trazida pela administração colonial.
Destaque para a foto nº 14, e os comentários já aqui produzidos pelo Cherno Baldé, em 2023 (ao poste P24207)(**):
(...) "Na parte final da reza tem lugar o que chamam de 'Cutuba' ou Sermão com a participação de um grupo seleto de discíplos e pessoas dedicadas a causa da religião na comunidade, todos do sexo masculino, durante o qual é revisitada a longa história do Islão dos primórdios a actualidade, incluindo partes do período Judaico e dos textos do antigo testamento do Cristianismo com particular destaque as peripécias do antes, durante e após a fuga dos Hebreus do Egipto e a épica ou mitológica travessia do Mar Vermelho com o Profeta Moisés (Mussa, para os Árabes) a frente da nação rumo ao deserto do Sinaí e que culmina com a vida e obra do Profeta Muahammad.
Esta parte é a mais importante, mas também é a mais monótona e menos interessante para a rapaziada que já está com os sentidos voltados para as comidinhas que, entretanto, estariam a preparar em casa de maneiras que, não raras vezes, só ficam os mais velhos a acompanhar esta longa narrativa prenhe de recomendações dogmáticas sobre a religião, a vida em comum e a necessidade e fundamentos da preservação dos ensinamentos e da tradição islámicas, a bem da comunidade" (...). (**)
No conjunto, estas imagens têm um valor documental notável. Não retratam apenas uma cerimónia religiosa: mostram a convivência, durante a guerra, entre uma população maioritariamente muçulmana e militares portugueses que assistem, como vizinhos, convidados ou curiosos, sem interferirem na celebração. São um testemunho raro de um quotidiano que a historiografia militar nem sempre regista, mas que ajuda a compreender a complexidade das relações humanas na Guiné daqueles anos. E mais: têm um valor ecuménico, numa época em que crescem os sinais de islamofobia.
Obrigado, Padre José Torres Neves! Obriagado, Ernestino Caniço!
(*) Último poste da série > 30 de junho de 2026 > Guiné 61774 - P28145: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVi: Ramadão de 1970: celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe), o fim do jejum ritual (fotos de 1 a 7)
(**) Vd. poste de 7 de abril de 2023 > Guiné 61/74 - P24207: Fotos à procura de... uma legenda (173): O Ramadão de 1971 na tabanca de Saliquinhedim (K3) (José Carvalho, ex-Alf Mil Inf)
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 30 de junho de 2026 > Guiné 61774 - P28145: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVi: Ramadão de 1970: celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe), o fim do jejum ritual (fotos de 1 a 7)
(**) Vd. poste de 7 de abril de 2023 > Guiné 61/74 - P24207: Fotos à procura de... uma legenda (173): O Ramadão de 1971 na tabanca de Saliquinhedim (K3) (José Carvalho, ex-Alf Mil Inf)

















4 comentários:
Nas fotos 10,10A e 10C (de frente com camisa clara e óculos escuros) reconheço o camarada e amigo César Dias
Abraço,
Ernestino Caniço
Então, e ele .ao diz nada, não dá sinais de vida?! É um rapaz do meu tempo, e vizinho, embora não pudesse ir visitá-lo, a estrada Bafatá -Bambadinca - Porto Gole - Jugudul - Mansoa estava interdita...Passei lá em 2008, na estrada nova ( já toda esburacada...). Um abraço para os dois. Luis
É ele, não há dúvida, todo "boneco", impecável, de camisinha branca e óculos escuros (que não são "Ray-ban" de contrafacção")...
Tens olho clínico, Ernestino, o que não admira, és médico.
Outro pormenor: o César tirou fotografias nesse dia mas a gente ainda não as viu aqui... Levar fotos da Guiné para o céu é um crime de lesa-memória terrena.
Olá companheiros, nessa mesma foto está o Américo Caetano furriel da 87, e não é verdade que eu não tenha dito nada, acho que fiz um comentário no face. Um forte abraço.
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