Foto: © Artur Conceição
1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 9 de Setembro de 2026:
As galinhas que eram tão poucas que quase provocavam uma indigestão
Tendo em conta vários factores, este episódio terá acontecido em novembro de 1965 em Jumbembem. A CART 730 chegou à Guiné em outubro do ano de 1964. Era prática ao fim de um ano de Guiné vir de férias à Metrópole. Esta prática não era uma prática geral, mas era prática para Oficiais e Sargentos. Para as praças era muito rara, era quase exclusiva para os contemplados com o chamado Prémio do Governador Geral da Guiné, atribuído por actos valorosos de alguns militares.
O comandante da CART 730, Amaro Rodrigues Garcia, encontrava-se de férias na Metrópole e o comando da CART 730 estava entregue ao Alferes Francisco Miranda Ferreira, que penso que tal como o Alferes Orlando Valdez já terá falecido, por ser o mais antigo dos oficiais presentes. Tinha sido o dia mensal da ida a Farim para buscar os mantimentos para o mês. Acontece que, por acaso, naquele mês vinham algumas galinhas que não ultrapassariam a dúzia. Perante quantidade tão reduzida não faria muito sentindo irem para o rancho geral das praças.
Assim foi decidido por quem tinha poderes para o acto, de que as galinhas iriam ser consumidas nas Messes dos Oficiais e dos Sargentos.
Quando as Praças tiveram conhecimento da decisão que havia sido tomada, resolveram apresentar o seu protesto.
Ao final da tarde, já depois de todas as galinhas terem regressado ao seu poleiro, resolveram saltar para cima dos Unimogs e durante mais de uma hora fizeram uma serenata junto das Messes. Para o efeito foi utilizada a música e letra de uma canção muito usada ao tempo e que era cantada pelo Conjunto de António Mafra.
Ho senhora Marquinhas olhe que suas galinhas fugiram do capoeiro.
Ho senhora Marquinhas cuidado com as suas galinhas porque o meu galo é solteiro
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O Alferes Francisco Ferreira, sobre quem caía toda a contestação, refugiou-se no Posto de Rádio e aguardou que os ânimos se acalmassem.
O Alferes Ferreira era uma excelente joia de pessoa e toda a Companhia gostava muito dele. No dia seguinte tudo tinha passado e as galinhas foram consumidas de forma pacífica.
Toda a Companhia tinha muita consideração pelo Alferes Chico Ferreira, mas confesso que tive pena dele quando o vi perante uma situação que não era de perto nem de longe invejável.
Quero deixar aqui mais uma memória que eu encontrei.
O nome do criador deste espaço tem a afinidade com o meu nome. Senão vejamos:
O nome Luís Henriques Graça, filho do Henrique e da Graça tem alguma afinidade com:
O nome Artur António da Conceição, filho do António e da Conceição.
O meu padrinho, Hipólito Fernandes Nogueira, que já vai a caminho dos 95, que esteve prisioneiro na Índia, ainda hoje quando vê o seu primeiro afilhado que adquiriu logo aos 10 anos, ainda exclama, olha o Artur do António e da Conceição!
Artur António da Conceição
STICA 2712/63
SPM 2578
Diácono das praças da CART 730
Em 7-9-2026
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Nota do editor
Último post da série de 8 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28332: Retalhos da vida militar (9): Couves para a Ceia de Consoada (Artur Conceição, CART 730, Jumbembem, 1965/67)

6 comentários:
Ó Artur do António e da Conceição!...Daqui fala o teu vizinho da Amadora (e que agora também passa temporadas na Lourinhã, sua morada fiscal e oficial), Liz Manel (sic) do Henriques e da Graça...O meu nome completo é Luís Manuel da Graça Henriques, filho do Luís Henriques e da Maria da Graça... (Os meus pais tinham nome curto: Henriques, do avô paterno, e Graça, da Nossa Senhora da Graça, já a minha mãe nasceu em 6 de agosto de 1922, dia da festa da sua terra, Nadrupe... O pai dela era Barbosa, ela ficou com o apelido da santa...).
Um quebra-costelas, Luís Graça.
Artur, há tempos contaram-me uma história parecida com as tuas/vossas galinhas (vivas!|)...Mas passada já em 1972 ou 1973...A DO-27 dos "frescos" traz uns frangos congelados (!) para um dado quartel, no sul da Guiné (não vou citar o nome)...
Decisão do capitão miliciano (pouco cristã para um ex-seminarista): faça-se uma charruscada para mim, e demais comensais da messe de alferes e sargentos (nobreza e clero); e, com o que sobrar, o cozinheiro que faça uma tachada de arroz com estilhaços de frango para o rancho das praças (o terceiro estado, o povo)...
Não sei se o povo se revoltou... Mas houve graduados que puseram os pontos nos ii!...Afinal, somos "unidos" para a porrada, e "desunidos" nos comes & bebes ?!... Os frangos não chegam para todos ?!... Pois bem, então, coma o "nosso capitão" (que é o suserano do feudo) o seu frango grelhado com muito piripiri (e que lhe faça sempre bom proveito!); e, à vez, dê-se a "iguaria" a provar, a cada um dos quatro pelotões: hoje come o 1º pelotão, no mês seguinte o 2ª e por aí fora...
Não sei qual foi a solução final... Mas quem defendeu esta ideia, sabia o que era a equidade, a igualdade de oportunidades...Foi por estas e por outras, que o "moral" das NT sofreu muitos arrombos...Na realidade, não basta ter os melhores soldados do mundo para se ganhar as guerras...
A propósito de comidas e bebidas. Nas proximidades da minha tabanca de Mampatá havia a de Nhala. Lá, segundo se dizia, ganhou fama o capitão Braga da Cruz, por dois motivos, um encarado, ao tempo, como muito negativo, para não dizer gravíssimo, o outro considerado ontem, hoje e sempre, muito positivo. Dizia-se que todos, todos, todos comiam e bebiam democraticamente.
Um grande abraço
Carvalho de Mampatá
Bom dia Vizinho Luís Graça,
A minha mãe era mais velha que a tua 1 dia. Nasceu em 5 de agosto de 1922.
Dia 5 de agosto é dedicado a Nossa Senhora das Neves.
O pai da minha mãe era o José Luís Teixeira, mais conhecido por Zé das Cortinhas.
Um abraço
Artur Conceição
Parabéns ao Hipolito, ex prisioneiro no Estado Português da India..
O mau pai, foi para a India em finais de 1955 e voltou passados 3 anos em 1958. Apanhou com as revoltas dos Satiagrás em Nagar e
Virgilio Teixeira
Mais uma vez me
fugiu a mensagem, queria dizer em Dadra e Nargaraveli!!!
Fez muitas amizades em Goa. Serviram mais tarde para saber do paradeiro do meu irmão, prisioneiro., quando este também ficou prisioneiro em 18dez1961. Esteve no campo de concentração de Pondá - Nova Goa.
Era nessa época um moço de 20 anos, com o curso de Radio Montador, da Escola Militar de Paço d' Arcos.
Esteve num pelotão de fuzilamento, que não aconteceu por milagre.
Se o amigo Hipolito souber mais alguma coisa, não é fácil com esta idade, podia contar algo que o meu irmão pouco falava desse tempo.
Tinha o posto de 1º cabo, tinha sido alistado como voluntário aos 18 anos.
Depois de aparecer en casa sem ninguém saber, pouco falava desse periodo, onde fez alguns bons amigos.
Ainda fez Angola 63-64, em Cabinda já como 2º sargento.
Depois de saber que foi mobilizado para a Guiné, fez um percurso complicado para sair do exército, pois não lhe agradavam muito as minhas conversas sobre o ambiente, quando eu estava na Guiné em 67-69.
Saiu reformado, com boa pensão, e ainda mais tarde beneficiado com uma pensão choruda dos prisioneiros de guerra.
Morreu em 9 de Maio de 2021, de doença prolongada. Hoje teria 85 anos.
A Viúva ainda ficou com a a pensão de reforma e de prisioneiro.
Paz à sua alma,
Escrevi no ramo de flores,
'Meu irmão, meu herói, meu amigo'
Era mais que um pai para mim.
VConde, 23-09-2026
VT/.
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