
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 16 de Setembro de 2026:
Queridos amigos,
Não escondo que percorri alguns sítios de Heidelberg um tanto na mó de baixo, tinha o destino marcado para na semana seguinte ir fazer uma intervenção cirúrgica à hérnia inguinal, que bem se manifestava, a despeito dos comprimidos para afastar a dor. o Castelo é de visita obrigatória, tanto que já está conservado e restaurado como pelo que, pelo adiante, terá obras, tornando ainda muito mais belo esse património. Não foi possível visitar o interior dos edifícios restaurados, pelo que vi das imagens, os príncipes eleitores viviam em grande magnificência, rodeados de arte soberba, fica para a próxima visita, não me importaria de voltar amanhã a Heidelberg. Como me deslumbrei no Centro Histórico e todo o seu embelezamento, a igreja do Espírito Santo tem igualmente um gótico deslumbrante. No regresso desta visita fui fazer um passeio de despedida à terra dos meus anfitriões, Idstein, estou convicto que os leitores gostarão de ver toda esta magnífica estrutura com vigas em madeira e sobretudo da igreja protestante da cidade que possui um teto que é uma autêntica bíblia ilustrada, mostro na próxima semana.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (272):
Heidelberg, do castelo para o centro histórico da cidade, amanhã vou passear em Idstein e depois assistirei a um concerto memorável no Festival de Música do Reno - 7
Mário Beja Santos
Confesso que é a custo que me despeço do Castelo de Heidelberg, elogios e exultações sobre este património que vêm na literatura que consultei, desde expoente do romantismo ao mais pitoresco dos castelos em arenito rosa. Passeei-me por edifícios devidamente restaurados, como foram mostrados na semana anterior, mas por vezes andei por ali especado a cogitar em que dão as guerras, no caso vertente deste castelo tudo se deveu à Reforma e a razões políticas da sobrançaria francesa. Em 1622, o Marechal Tilly, da Liga Católica, devastou a cidade. Anos depois, em 1633 e 1635, dois novos assaltos. Seguem-se os jogos da ambição política. O eleitor Carlos Luís (1632 e 1680) Príncipe calvinista tolerante e pacífico, restaurou o Palatinado devastado pela guerra, procurou a aproximação com a França, fez o acordo de casamento da sua filha Elizabete Carlota com Filipe de Orleãs, irmão de Luís XIV. Esta aliança, contraída com a finalidade de proteger o Palatinado, trouxe, ao contrário, trágicas consequências. Em 1685, o único irmão da princesa morreu sem herdeiros e Luís XIV reclamou o Palatinado – começou assim a guerra (1688-1697) desastrosa para o Palatinado e particularmente funesta para Heidelberg. Em 1689 as tropas francesas pilharam a cidade e destruíram o castelo. A história não fica por aqui, seguiram-se as guerras napoleónicas, com a derrota do imperador esta região tornou-se possessão da Baviera com o nome de Palatinado. Reconstruiu-se Heidelberg, as obras de reedificação e restauro do castelo continuarão por muito tempo, a primeira fotografia que se mostra é uma pálida amostra.
Estamos perto da entrada ou saída do castelo, protegi-me por baixo daquelas belas arcadas e a olhar para as destruições que dão o fanatismo religioso e a cegueira do poder.
É a igreja do Espírito Santo, templo protestante que se apresenta como aberto ao povo de todas as religiões, culturas e nações. Situada na região nobre da praça do mercado, aqui tiveram como última morada 54 príncipes eleitores e a biblioteca da universidade. A igreja foi profundamente afetada pelas destruições de 1683. Em 1558, o então príncipe eleitor estabeleceu a fé protestante, e hoje pautou-se pelo catecismo da igreja calvinista reformada. O seu órgão é moderno, foi construído em 1983 e renovado em 1987. Mozart, Mendelssohn e Albert Schweitzer tocaram órgão nesta igreja. Existiu aqui a mais importante biblioteca do Ocidente dos tempos do Renascimento, a Biblioteca Palatina, também sofreu com a guerra religiosa, durante a Guerra dos Trinta Anos a biblioteca foi transferida para o Vaticano, aqui voltou em exposição em 1986. Deslumbrou-me pelo seu gótico final adicionado ao barroco e intervenções que se estendem a alguns vitrais.
Uma bela fachada, ali bem perto da igreja do Espírito Santo.
Era inevitável, havia que visitar o rio Neckar e contemplar a outra margem do rio, atravessa-se esta bela ponte com duas formosas torres de guarda, a ponte velha, que data de 1786 está decorada com estátuas.A torre sineira da igreja do Espírito Santo, vista assim nem dá para imaginar que lá dentro há uma igreja salão que deslumbra quem quer que seja, crente ou descrente.
Não havendo condições de visitar a universidade nem o museu do Palatinado, deu-me para bisbilhotar o centro histórico, agradou-me esta rua e a vista ao fundo da frondosa colina.
Mudamos agora de rumo, regresso a terras de Hessen, mais propriamente a Idstein, aqui pontificaram os condes de Nassau-Idstein, condes e soberanos, a cidade foi o centro da região entre finais do século XIII e do século XVIII. Tem um belo castelo de residência, mas comecei o percurso em frente da casa de Killing com esta magnífica fachada escultórica com estrutura de vigas de madeira expostas, li na brochura que me deram no turismo que é a casa mais luxuriante de Idstein.
O centro histórico está enxameado de preciosidades arquitetónicas, como é o caso desta casa inclinada, também dotada de estruturas de vigas de madeira, tem uma altura de quatro andares, teve farmácia, foi imóvel comercial e casa de habitação. A sua inclinação decorre de erros arquitetónicos. Teve restauros no final do século XX, é hoje património da edilidade.
E despeço-me por agora com esta escultura inesperada de homenagem aos varredores, uma coisa é certa não há latas, nem garrafas, nem papéis nestes pavimentos, seguramente por disciplina cívica do povo e trabalho de higiene urbana afincado. Prossegue-se o passeio em Idstein, volta-se ao Vale do Reno e depois é hora da despedida, um dia de visita em Trier, comboio para o Luxemburgo, avião para Lisboa.
(continua)
_____________
Notas do editor:
Vd. post de 19 de Setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)
Último post da série de 20 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28362: Os nossos seres, saberes e lazeres (751): Alcobaça Terra de Paixão (Juvenal Amado da CCS / BCAÇ 3872)











Sem comentários:
Enviar um comentário