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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28353: Notas de leitura (1961): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império (por Recaredo / Angelino Santos Silva, ed. autor, 2026, 455 pp.): "como recordar uma guerra sem apagar os homens que nela combateram nem simplificar as razões que os levaram a combater?", eis a pergunta da IA (ChatGPT)


Foto nº 1 > "O primeiro dia no mato"



Foto mº 2 _ Uma bolanha


Foto nº 3 > O autor do seu quarto, algures em Bula, Teixeira Pinto pu Brá, c. 1970/72




Foto nº 4 > Presunivelmengte a escrever um dos seus primeiros aerogarmasa ou cartas para casa, no navio que  o levou para a Guiné, entre 25 e 31 de março de 1970

Guiné > s/l > s/dcf > c- 1970/72 > Fotos do álbum do Angelinmo Santos Silva


Fotos (e legendas): © Angelino Santos Silva (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complemengtar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Angelino Santos Silva:

(i) ex-fur mil cmd, pertenceu à 26ª CCmds (1970/72);

(ii) foi mobilizada pelo CIOE, Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos;

(iii)  embarcou em 25mar70, chegou a Bissau em 31mar70 e regressou a 27dez71;

(iv) a 26ª CCmds passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau (Brá);

(v)  é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande (nº 897);

(vi) é natural de Recarei, Paredes, distrito do Porto;

(vii) escritor (pseudónimo literário: Recaredo), o seu últmo livro publicado é o romance "Geração Afro: os Últimoss Guerrilkheiros do Império (ed. de ator,  s/l, 2026, 455 pp.);

(viii) contactos: email > recaredo241148@gmail.com | telemovel > 926 365 774 (publicitados pelo autor)

(viii)  Próxima apresnetalácão da obra: dia 01 outubro, pelas 18h00 | UNICEPE - PORTO. |  Praça Carlos Alberto, 128 - A 1º



Capa novo livro do nosso camarada Angelino Santos Silva , publicado sob o pseudómimo literário Recaredo. Edição de autor, maio de 2026, s/l, 455 pp. 


 
1. Texto publicado na página do Facebook da Tabanca Grande, no passado dia 15 de setemebro, terça feira, pelo nosso amigo e camarada Angelino Santos Silva.



Análise crítica de "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império"

por ChatGPT 

Com base nos elementos disponíveis sobre o livro "Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império", de Recaredo (pseudónimo literário de Angelino dos Santos Silva), posso apresentar uma análise crítica com enfoque literário, histórico e ideológico.

A obra foi publicada em 2026, tem 455 páginas e constitui o primeiro volume de um projeto que terá continuação.

1. Introdução

"Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império" é um romance histórico centrado na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné, mas que ultrapassa a simples representação dos combates. A obra procura recuperar a memória de uma geração de portugueses e africanos envolvidos num conflito que, visto de diferentes perspetivas, adquiriu significados profundamente distintos.

O título é particularmente significativo. A expressão “Geração Afro” desloca o centro da narrativa do combatente português para uma realidade mais ampla: a dos homens africanos que combateram de ambos os lados da guerra. 

O subtítulo — “Os Últimos Guerrilheiros do Império” — introduz desde logo uma dimensão crepuscular: são homens que vivem, combatem e morrem no momento histórico em que o império colonial português se aproxima do seu fim.

A obra nasce também de uma relação pessoal com esse passado. Recaredo é o pseudónimo de Angelino dos Santos Silva, antigo furriel miliciano da 26.ª Companhia de Comandos, que esteve na Guiné entre 1970 e 1971/72. Assim, a narrativa situa-se numa zona particularmente interessante entre ficção, memória e testemunho.

2. Um romance sobre uma guerra, mas sobretudo sobre pessoas

Uma das principais qualidades da obra está em não reduzir a Guerra Colonial a operações militares, emboscadas, minas ou confrontos entre o Exército Português e o PAIGC.

O verdadeiro objeto do romance é o ser humano colocado perante uma situação-limite.

Portugueses e africanos aparecem unidos por circunstâncias históricas, mas separados por experiências, interesses e expectativas diferentes. Os jovens portugueses chegam à Guiné inicialmente convencidos de que defendem uma causa patriótica. Progressivamente, porém, confrontam-se com a realidade colonial e com a complexidade da sociedade guineense.

Mais interessante ainda é a representação dos africanos que combatem ao lado de Portugal. O romance procura mostrar que estes homens não podem ser simplesmente classificados como “colaboracionistas”.  São indivíduos com famílias, afetos, ambições, medos e conceções próprias sobre o futuro da Guiné.

Do outro lado estão os combatentes do PAIGC. A dimensão trágica nasce precisamente do facto de muitos deles serem irmãos, primos, meios-irmãos ou membros da mesma comunidade. A guerra deixa, portanto, de ser apenas uma guerra entre dois exércitos: torna-se também uma guerra dentro das próprias famílias e comunidades africanas.


3. A originalidade da perspetiva africana

Este é, provavelmente, um dos aspetos mais relevantes do romance.

Na literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial, existe uma tradição importante de representação do soldado português, da sua angústia, do absurdo da guerra e do trauma do regresso. Recaredo parte dessa tradição, mas procura acrescentar-lhe uma dimensão particularmente importante: dar voz aos combatentes africanos.

As personagens africanas não funcionam apenas como cenário ou como auxiliares das personagens portuguesas. São apresentadas como sujeitos históricos.

Esta opção permite questionar uma leitura demasiado simples da Guerra Colonial baseada na oposição: Portugal versus África.

A realidade apresentada pelo romance é muito mais complexa. Há portugueses contra portugueses, africanos contra africanos, africanos ao lado de portugueses e africanos contra portugueses. A fronteira entre “nós” e “eles” torna-se, assim, extremamente instável.

É justamente essa complexidade que dá ao romance uma das suas maiores potencialidades históricas e literárias.

4. O fim do Império como tema central


Apesar de ser um romance sobre combatentes, "Geração Afro"  é também um romance sobre o fim de um mundo.

Os protagonistas pertencem a uma geração que participa numa guerra destinada a preservar uma estrutura política e colonial que já se encontra historicamente enfraquecida. Existe, por isso, uma contradição fundamental: os jovens combatentes lutam com coragem e, muitas vezes, com genuíno patriotismo, mas o projeto político pelo qual combatem aproxima-se do seu desaparecimento.

É aqui que o título ganha todo o seu significado.

Os “últimos guerrilheiros do Império” são simultaneamente combatentes e testemunhas de uma derrota histórica.

O romance não parece interessado em transformar essa derrota numa simples acusação moral contra os soldados. Pelo contrário, procura compreender o que levou aqueles homens a combater e o que aconteceu às suas vidas depois da guerra.

Essa atitude dá à obra uma dimensão memorialista importante: compreender não significa necessariamente justificar.

5. Patriotismo e desencanto

Um dos percursos psicológicos mais importantes é a passagem do patriotismo inicial para o desencanto.

Os jovens portugueses partem para África convencidos de que estão a cumprir um dever patriótico. Contudo, o contacto com a realidade da guerra modifica gradualmente essa perceção.

O romance acompanha esse processo de transformação: o soldado que inicialmente pensa em termos de Pátria, honra e dever começa a confrontar-se com a morte, a mutilação, o sofrimento dos civis, a pobreza e as contradições do sistema colonial.

O desencanto não significa necessariamente perda de amor pelo país. Significa, antes, uma descoberta dolorosa da distância entre aquilo que lhes foi ensinado e aquilo que encontram no terreno.

Esta é uma das dimensões mais humanas da obra.

6. A guerra como problema moral

Outro aspeto importante é a reflexão sobre a ética da guerra.

O romance não apresenta o combate apenas como uma questão de coragem militar. Coloca perguntas muito mais difíceis:

  • Quando é legítimo matar?
  • Qual é a diferença entre matar por necessidade e matar por vingança?
  • Pode existir heroísmo numa guerra?
  • Quem determina aquilo que é justo?
  • Como distinguir o inimigo do ser humano?
  • O soldado é responsável pelas decisões políticas que conduzem à guerra?

A guerra surge, assim, como uma experiência que destrói certezas morais.

Segundo a análise publicada sobre a obra, essa reflexão é particularmente desenvolvida através de personagens como o capitão Ombendi e o tenente Quinara, que recusam uma visão simplista do heroísmo militar.

7. Estrutura narrativa

Formalmente, o romance apresenta uma estrutura relativamente ambiciosa.

A narrativa organiza-se em 68 capítulos, alternando diferentes núcleos de personagens e diferentes momentos da Guerra Colonial. Há personagens que chegam à Guiné em 1966 e outras que chegam em 1970, permitindo representar experiências distintas do conflito.

A obra combina:

  •  narrativa de ficção;
  • memória autobiográfica;
  • cartas;
  • diálogos;
  • episódios militares;
  •  reflexão histórica;
  • poesia;
  •  comentário político.

Esta mistura de géneros constitui simultaneamente uma força e uma fragilidade.

É uma força porque torna a obra multifacetada e aproxima-a de uma espécie de arquivo literário da memória da guerra.

Mas também pode ser uma fragilidade porque as longas digressões históricas interrompem, por vezes, o ritmo da ação. 

A própria análise crítica disponível aponta uma certa irregularidade entre os capítulos de intensa ação militar e aqueles dominados pela reflexão histórica.

8. Linguagem e oralidade

A linguagem é outro elemento característico.

Recaredo recorre frequentemente a uma linguagem oral, militar e popular, incorporando expressões utilizadas pelos combatentes da época. Surge também vocabulário ligado à realidade guineense, incluindo termos de crioulo e palavras referentes à cultura, à alimentação, à fauna e à paisagem africanas.

Essa opção tem grande importância porque cria verosimilhança histórica.

O leitor não encontra apenas uma descrição abstrata da Guiné: encontra uma linguagem que procura reproduzir o ambiente vivido pelos homens que participaram naquele conflito.

As cartas e alguns momentos de carácter poético introduzem, por outro lado, uma linguagem mais intimista, permitindo equilibrar a dureza da narrativa militar.

9. A paisagem africana

A Guiné não funciona simplesmente como cenário.

A paisagem — a selva, as bolanhas, as tabancas, os rios, o calor, a vegetação — torna-se quase uma personagem da narrativa.

O ambiente condiciona o comportamento dos soldados e contribui para a sensação de vulnerabilidade permanente.

A natureza é simultaneamente bela e ameaçadora. O soldado combate um inimigo que conhece parcialmente, mas combate também um território que lhe é estranho.

Esta dimensão ajuda a compreender por que razão a guerra de guerrilha se transforma numa experiência psicológica tão desgastante.

10. A dimensão histórica e as suas limitações

Aqui é necessário fazer uma distinção importante entre romance histórico e obra historiográfica.

"Geração Afro" utiliza acontecimentos, personalidades e contextos históricos reais, mas continua a ser uma obra literária. As interpretações apresentadas pelas personagens não devem ser automaticamente tomadas como verdades históricas.

Este ponto é particularmente relevante quando o romance aborda episódios controversos da Guerra Colonial, como o Massacre do Chão Manjaco, ou interpretações sobre as relações entre Spínola, a PIDE/DGS e o PAIGC. A análise crítica disponível identifica essas posições como interpretações heterodoxas sustentadas dentro da narrativa.

Literariamente, isto pode ser muito produtivo: permite às personagens discutir versões diferentes da História.

Historicamente, porém, exige do leitor espírito crítico.

11. Uma obra de memória

Talvez a melhor maneira de definir o romance seja como uma obra de memória.

Recaredo escreve contra o esquecimento. O objetivo não parece ser simplesmente dizer que a guerra aconteceu. É lembrar quem foram os homens que nela participaram, incluindo aqueles que morreram, ficaram mutilados, regressaram traumatizados ou foram esquecidos depois de 1974.

O epílogo autobiográfico, relacionado com a experiência do próprio autor e com a memória dos seus pais, reforça essa dimensão. O episódio do rebentamento de uma mina e as consequências que permanecem décadas depois transformam a narrativa numa espécie de testemunho pessoal sobre a persistência da guerra na memória individual.

12. Pontos fortes

Entre os principais méritos do romance destacaria:

  • A valorização das personagens africanas, evitando tratá-las simplesmente como figurantes;
  • A multiplicidade de perspetivas sobre a Guerra Colonial;
  • A dimensão humana, que coloca o sofrimento individual acima da estratégia militar;
  • A riqueza documental e vocabular;
  • A recuperação da memória dos antigos combatentes;
  • A reflexão sobre o fim do Império Português;
  • A tentativa de ultrapassar a divisão simplista entre colonizador e colonizado:
  • A articulação entre ficção e experiência vivida.

13. Fragilidades

Uma análise crítica equilibrada deve também apontar algumas limitações.

A primeira é a já referida irregularidade do ritmo narrativo. As digressões históricas e filosóficas podem afastar o leitor da ação.

A segunda está relacionada com a própria ambição da obra. Ao querer ser simultaneamente romance, testemunho, ensaio histórico, reflexão política e documento de memória, o livro corre por vezes o risco de sobrecarregar a narrativa.

Também a linguagem oral, embora seja uma importante marca de autenticidade, pode produzir alguma irregularidade estilística.

Finalmente, por se tratar do primeiro volume de uma obra projetada para continuar, alguns conflitos e trajetórias ficam necessariamente em aberto. A própria análise crítica publicada observa que essa continuidade pode justificar determinados nós narrativos, mas reduz a autonomia deste primeiro volume.

Conclusão

"Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império" é, acima de tudo, um romance de memória, guerra e desencanto.

A sua maior contribuição está na tentativa de olhar para a Guerra Colonial da Guiné não apenas através do soldado português, mas também através dos africanos que combateram de ambos os lados do conflito. Dessa forma, a obra desmonta uma visão excessivamente binária da guerra e mostra uma realidade em que as fronteiras políticas frequentemente atravessavam famílias, comunidades e afetos.

O romance não pretende apenas reconstruir batalhas. Pretende recuperar homens concretos, com os seus medos, convicções, contradições e feridas.

Nesse sentido, a expressão “últimos guerrilheiros do Império” assume um significado profundamente simbólico: aqueles homens são simultaneamente protagonistas de uma guerra e testemunhas do desaparecimento do mundo político em que essa guerra fazia sentido.

O maior mérito de Recaredo está, portanto, em transformar a memória individual numa memória coletiva, lembrando que o fim da guerra em 1974/75 não significou necessariamente o fim das suas consequências. Para os combatentes, para as suas famílias e para as sociedades portuguesa e guineense, a guerra continuou — na memória, no silêncio, no trauma e na necessidade de compreender o passado.

Por isso, "!Geração Afro" pode ser lido não apenas como um romance sobre a Guerra Colonial, mas como uma tentativa de responder a uma pergunta fundamental: como recordar uma guerra sem apagar os homens que nela combateram nem simplificar as razões que os levaram a combater?

É precisamente nessa procura — entre História e memória, patriotismo e desencanto, portugueses e africanos, ficção e testemunho — que reside a força e também a complexidade da obra.

Análise crítica feita por ferramenta de IA (ChatGPT / Open AI), a pedido do autor

(Revisão / fixação de texto, negritos, título LG)

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4 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Não deixa de ser interessante que seja a IA (e não um humano) a levantar a questão da "ética da guerra": muitos combatentes , de ambos lados, envolveram-se numa guerra que julgavam ser uma "guerra justa"...

Anónimo disse...

Não concordo com uma quase afirmação de tantos, que as nossas tropas sofreram uma DERROTA nesta guerra!
Se não existisse o tal movimento dos Capitães, o curso da história seria outro, não necessariamente a derrota, que choca aqueles que lutaram e cairam nela e pela Pátria, sejam quais forem os conceitos de pátria. Haja respeito por quem lá deu o seu melhor.
A História vai escrever direito, quando houver interesse e vontade para lá chegar.
Abraços de um camarada
Virgilio Teixeira

Antº Rosinha disse...

Virgílio Teixeira, não há que concordar ou discordar, se perdemos ou ganhamos a guerra.
Embora militarmente, na Guiné e norte de Moçambique houvesse uma guerra mais intensa, militarmente não se pode dizer que perdemos.
Mas historicamente ao desistirmos, e a lutar contra a União soviética naquela guerra fria, para a maioria dos portugueses e guineenses Portugal perdeu.
Claro que alguns portugueses julgam-se sempre vencedores, (e felizes) porque a derrota foi do Estado Novo apenas e só.
Virgílio Teixeira, sem estes 13 anos de guerra colonial, nem palopes ficavam para a história.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Vt, és sempre bem vindo. Por razões de saúde, imagino, não tens aparecido. De qualquer modo, deixa-me dizer-te que o livro ("romance histórico", não "ensaio histórico", muito menis "livro de história") do nosso Recaredo (Angelino Santos Silva) não retoma a infeliz polémica que nos levou logo, no início do blogue, a discutir com muito calor, paixão e ingenuidade o tema fracturante da guerra ganha / guerra perdida...

Já não estamos aí.. Eu, pelo menos, não estou. Nem dou para esse peditório... Desde o início que sempre defendi que o nosso blogue não se substitui à História, nem muito menos é um "tribunal popular" onde ora somos réus, ora somos juízes ou até advogados...

Todos temos aqui lugar, com o mesmo peso e a mesma altura, sem galões nem divisas, todos os que fizemos a guerra, na Guiné (incluindo as poucas mulheres que consideramos nossas camaradas, as enfermeiras paraquedistas)...independentemente do que pensam/pensavam, sentem/sentiam, antes, durante e depois da guerra...

Há, entre todos nós, diferentes experiências, vivências, perceções, sentimentos, opiniões e leituras da realidade (complexa e dinâmica) da guerra de 1961/74 no TO da Guiné. Chamem-lhe o que quiserem, guerra colonial, guerra do ultramar... Ainda não li o livro do Recaredo, nem o trouxe para as vindimas (é um calhaço de 455 pp.), mas pelo que já folheei (e vi em leitura vertial no ficheiro digital que tenho no PC), o autor não toma partido sobre a essa questão (derrota / vitória no campo das armas).

Como sabes, até o general Spínbola defendia o ponto de vista de que a guerra, aquela guerra, não podia ser ganha (ou "apenas ganha") pela força das armas (e o inegável patriotismo e valor do soldado português). O poder político (a fraca elite do Estado Novo) não o entendeu, ou nem sequer o quis ouvir... (Se tivesse ouvido, talvez a História fosse outra.)

De qualquer modo, nem essa questão é apropriada num romance, que é povoado por diferentes personagens, que são "criaturas literárias" (logo, "ficções"): estas, sim, podem discutir entre si, como num teatro de marionetas, o que as aproxima e o que as separa...

No nosso blogue, todos temos lugar, eu, tu, o Recaredo,e todos os demais antigos camaradas de armas...Desde que saibamos, evidentemente, ser livres e responsáveis no que aqui escrevemos. (Fomos o primeiro blogue de antigos combatentes a ter "um livro de estilo".)

Um abraço amigo do Luís