
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 21 de Julho de 2026:
Queridos amigos,
Já por aqui se andarilhou pelo museu, pela estação de caminhos de ferro, era imperativo visitar o teatro Eduardo Brazão que prima pela raridade e beleza arquitetónica. Há mesmo programas de visitas a importantes teatros da região oeste, recordo Nazaré e Leiria, o do Bombarral tem a singularidade de uma traça que não esconde o classicismo italiano, mas com laivos românticos e da emergente Arte Nova. Impressiona também pela qualidade do restauro e a sua primorosa manutenção, houve o extremo cuidado de não beliscar a profunda harmonia da sala e dos espaços frequentados pelo público. Enfim, se possível, não percam a visita.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (265):
Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral, uma réplica do teatro Alla Scala, de Milão
Mário Beja Santos
O que há para ver dentro do Bombarral? É um concelho com pouco mais de 100 anos, mas que goza de um património digno de visita. Já aqui falei do museu que ocupa o Palácio Gorjão, um solar datado do século XVII, o museu está aqui desde a década de 1990, foi alvo de obras, não dececiona ninguém, alberga património cerâmico esplêndido, aqui trabalhou Júlio Pomar e deixou legado. Impossível não ver os azulejos da estação de caminhos-de-ferro, também já aqui foram mostrados, mostram cenas de vitivinicultura e do ambiente rural da região. No centro da vila, perto do museu, temos o edifício dos Paços do Concelho, foi propriedade do Alcaide de Óbidos, depois doado por D. João I a um Cavaleiro de nome Luís Henriques, depois da Batalha de Aljubarrota, houve reconstrução e a Câmara Municipal adquiriu-o na década de 1920. Da mata municipal falaremos mais adiante, hoje vamos visitar com guia autorizado o teatro Eduardo Brazão, não esconde no seu interior a lembrança dos teatros italianos, data de 1921. A primeira nota vai para um conjunto de notáveis teatros na região oeste, incluindo a Nazaré e Leiria. A questão que se põe quanto a este teatro terá sido o orgulho cívico, o Bombarral estava adstrito a Óbidos e queria provar a identidade própria, queria exibir a sua própria riqueza, que superava a do tutor, havia que exibir um dado cultural relevante, e assim aconteceu.
Perguntei ao amável guia porquê crismar o Teatro Eduardo Brazão se o grande ator nada tinha a ver com o Bombarral. O coordenador de todo o projeto do teatro fora Evaristo Judicibus que pediu autorização a Eduardo Brazão para o crisma, autorização dada, Brazão sentiu-se muito honrado. A construção não indicia um mero classicismo italiano, aflora elementos, ainda que modestos, do romantismo e do despontar da Arte Nova. A fachada é sóbria, a sala de receção é acolhedora e harmoniosa. Subimos depois aos andares e fica-se de boca à banda, dada a natureza retangular da construção, ou seja, a receção do rés-de-chão e o grande salão por cima, segue-se a sala de espetáculos e temos depois os bastidores. Obviamente que a construção se focou na sala, possui um equilíbrio notável, goza de intimidade e uma visibilidade perfeita em todos os ângulos do proscénio, as obras de conservação e restauro em nada alteraram a traça primitiva e daí o orgulho com que se pode falar desta pequena réplica do Alla Scala.
É uma bela sala de eventos, como o ensaio a que assistimos, tem os seus espetáculos de cinema, aqui se realiza anualmente um festival de música, esqueci-me de perguntar se existe no Bombarral teatro amador, mas desde já incito o leitor, quando tiver oportunidade, de pedir uma visita guiada a tão deslumbrante teatro, como as imagens pretendem ilustrar.
Nota do editor
Último post da série de 1 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28233: Os nossos seres, saberes e lazeres (743): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (264): Os jardins cada vez mais admiráveis da Quinta de Recreio dos Marqueses de Pombal, Oeiras (Mário Beja Santos)





























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