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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28332: Retalhos da vida militar (9): Couves para a Ceia de Consoada (Artur Conceição, CART 730, Jumbembem, 1965/67)


Guiné > Região do Oio > Jumbembém > CART 730 (1965/67) > Artur Conceição, o hortelão na sua horta onde se gabava de cultivar os melhores tomates e alfaces do CTIG.


1.
Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 30 de Agosto de 2026:



Couves para a Ceia  de Consoada


Numa cerimónia de divulgação de um livro, escrito por um dos nossos camaradas, que teve lugar no Bairro Grandela em Benfica, ouvi uma frase daquelas que nunca mais se esquecem.

Um dos presentes afirmou, para quem quis escutar, de que nos Natais da Guiné nunca faltaram couves para acompanhar o bacalhau e as batatas na Ceia de Natal. Ele próprio teria passado a véspera de Natal dentro de uma avioneta a distribuir couves por todos os aquartelamentos da Guiné.

No Natal do ano de 1965 passado em Jumbembem, penso que ninguém se terá preocupado muito com a existência ou não das couves para a ceia da consoada.

Tomate e alface eram a minha especialidade e também a minha praia e penso nunca ter deixado créditos em mãos alheias. Batatas eu sei que não valia a pena semear/plantar porque elas trepavam pelas árvores acima procurando um lugar para colocar os frutos.

Em elação às couves, percebi no Natal de 1966 a razão porque não tinha comido couves no Natal do ano anterior, e a resposta é muito simples. Não houve couves porque ninguém as plantou, nem alguém as lá foi levar.

Jumbembem era terra fértil, onde numa pequena bolanha se produzia arroz. Na zona mais enxuta era produzido com grande êxito milho, abóboras e amendoim.

Do lado direito da estrada que ligava o Quartel General ao Hospital Militar 241, ficava sediada a Granja Agrícola de Bissau, onde eram produzidas couves portuguesas de muito elevada categoria. Fui convidado para uma visita e fiquei admirado com aquilo que vi.

Não nasci no Alentejo, mas também me serve a carapuça mencionada nesta anedota.

No meio de uma grande herdade alentejana estava um grupo de trabalhadores agrícolas, aos quais dois regentes agrícolas perguntaram:

- Este terreno é bom para milho?
- Não, não dá nada!
- E é bom para trigo?
- Não, não dá nada!
- E é bom para girassol?
- Não, não dá nada!
- Mas já semearam?
- Não, isso ainda não fizemos!

Quando o Artur pediu semente de alface e semente de tomateiro, porque não pediu também sementes de muitos outros produtos hortícolas? E o nosso camarada piloto que andou a distribuir couves na véspera de Natal pelos aquartelamentos da Guiné, porque não foi dois meses antes distribuir “pranta” e cada Companhia, que as plantasse e regasse para ter couves com fartura para a noite de consoada.

Não morro de amores por couves, preferindo antes admirar uma boa horta cheia de novidades fresquinhas.

Tanto os alentejanos como os beirões só percebiam de alface e tomate.

Os meus saberes em termos de agricultura e culinária são bastante limitados, embora tenha alguns muito especiais como descrevo nos exemplos a seguir:

Saberes (e sabores):

- Deem-me uma tonelada de azeitona e digam-me onde fica o lagar de fazer azeite e eu devolvo todo o azeite que a azeitona der;

- Deem-me uma cabeça de porco, uma ou duas chouriças, um bocadinho de presunto, uma malga de feijão de luar, uma ou duas cenouras, uma couve lombarda ou coração de boi e eu devolvo uma feijoada como nunca se viu;

- Deem-me um alqueire de milho, digam-me onde fica o moinho, parado e à espera que eu chegue, e eu prometo que devolvo um alqueire de farinha;

- Deem-me 60 metros quadrados de terra fértil e uma malga de linhaça e prometo que coordeno todas as tarefas até a toalha de Linho chegar ao altar;

- Mas se me derem dez metros de tecido de lã para levar ao Pisão, então podem ficar com a certeza de que serão entregues os dez metros de tecido tal como foram recebidos. Nunca vi tal coisa a trabalhar. Só sei, que tal como o moinho também é movido a água.

Artur Conceição
SPM 2578

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Nota do editor

Último post da série de 25 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28291: Retalhos da vida militar (8): Prémios de especialidade (Artur Conceição)

Guiné 71/74 - P28331: Manuscrito(s) (Luís Graça) (294): Parabéns, Zé, ao km 78 da tua picada da vida, que também tem tido minas e armadilhas como a de todos nós...



José Ferreira Carneiro, n. 8/9/1948.
Candoz, Paredes de Viadores,
Marco de Canaveses


Região do Vinho Verde,  
Subregião de Amarante,
Quinta de Candoz


Começou a trabalhar cedo, 
aprendiz de ramadeiro, com o pai,
construtor de ramadas


Mobilizado para Angola, em rendição individual, em 1970/72, numa companhia, que guardava os cafezais,  em Camabatela, no norte de Angola, perto de Negage e de Quitexe (CCAÇ 313, do BCAÇ 13, sedeado em Vila Salazar)


Reformado, dedica dois dias por semana 
à Quinta de Candoz


Casada, em segundas núpcias, com a Teresa,
vive em Matosinhos, Padrão da Légua


As cubas para o vinho há muito que são de inox, 
mas ainda há velhos depósitos de cimento armado...


No outono adora apanhar cogumelos


Velha foto estilizada da família: pais (José Carneiro e Maria Ferreira, já falecidos) e irmãos, segundi a ordem de idade  (António, Rosa, Manuel; Nita, Zé e Alice)... O António esteve no Brasil, foi mobiizado para Moçambique, em 1964, onde foi gravemente ferido... A Nita, faleceu em 2023.


Sócia da Quinta de Candoz, com mais 3 irmãos (Rosa, Alice e Zé), a Nita foi em vida a alma da "casa"

A Quinta de Candoz tem  página na Net

A Alice ("Chita") sempre gostou muito deste maninho...


Na festa dos seus 70 anos, pai e filho (a mãe, a Carmen, morreu cedo)


A família também um blogue, A Nossa Quinta de Candoz



Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Luís Graça (2026)
Imagens: Arquivo dos Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné e A Nossa Quinta de Candoz
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


 
Ao Zé, no seu 78º aniversário


Nascido em Candoz, em Entre-Douro-e-Minho,
De empresa de seguros foi tesoureiro,
Mas começou por aprendiz de ramadeiro,
E agora engarrafador-produtor de vinho.

Técnico de gás, profissional liberal...
Homem dos sete ofícios, é um jeitosinho,
José Ferreira Carneiro, nosso maninho,
Também foi parar à guerra... colonial.

E esquecidas, do trabalho, as mazelas,
Setenta e oito anos já foram passados,
Nunca se queixando da perna nem das costelas.

... E tudo fazes por amor, a todos nós,
Os pais e a mana Nita sempre lembrados,
Mas  hoje, Zé, é tua a festa  em Candoz.

Quinta de Candoz,
8 de setembro de 2026, 
dia da festa de Nossa Senhora da Natividade do Castelinho,
Padroeira do concelho de Marco de Canaveses.


A família de Candoz, Porto, Matosinhos, Lourinhã e Lisboa




1. Não fala da guerra colonial. Não fala com emoção desse tempo. Passou, passou, o tempo da tropa e da guerra. Nunca se encontrou com nenhum camarada daquele tempo. Perdeu todos os contactos. Era de rendição inidvidual. Mas gostou de Camabatela e de Luanda.

Era 1º cabo de transmissões de infantaria, Andou na região do café, com a sua companhia mista de metropolitanos e angolanos (CCAÇ 313 / BCAÇ 13) a guardar as costas dos grandes fazendeiros do café. 

Nunca veio de férias. Pelo SPM, a mãe mandava-lhe os salpicões com que matava saudades de casa, a 8 mil quilómetros de distância.  

Mas não ficou na terra, Candoz, Paredes de Viadores, o apelo da cidade grande era maior. Mudou-se para o Porto. Lá podia estudar e fazer-se homem. Nunca gostou da escola. A professor estava alojada na casa dos pais. E batia-lhe à frente deles, e com a cumplicidade deles. Como é que ele haveria de gostar da escola ? Só depois da "peluda" é que fez o segundo ano da escola comercial (regime noturno).

Hoje já tem gmail, como qualquer português que se preze. Mas não faz parte da Tabanca Grande, até porque não esteve na Guiné. Por sorte, é cunhado do editor do blogue (e seu sócio... por estar casado com a Alice).

E é legalmente o produtor-engarrafador do nosso vinho "Nita".  Ele é o mais novo de seis. O caçula.

É trabalhador, é leal, é alegre, é efusivo, é generoso.  É uma "besta de trabalho". Tem às vezes azar com o "esqueleto". Já foi operado à coluna. Já partiu uma perna. E já teve uma ameaçozinho de AVC. 

Aqui vai, com todo o carinho que temos por ele,  eu, a Alice e demais família, um soneto para o nosso Zé, que só amanhã vai ter direito a festa e a rancho melhorado. Mesmo em dia de anos, há imprevistos.  E Candoz fica a 70 km do Padrão da Légua, já nio limte do distrito do Porto. 

Amanhã, é quarta feira, é dia de trabalho. É preciso preparar tudo para as vindimas, marcadas para os dois próximos fins-de-semana.  Mas vou ler-lhe, comn todo o gosto, este soneto e beber comn ele uma "champanha".

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 18 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28268: Manuscrito(s) (Luís Graça) (293): À Alice, oferta do livro "Luuanda: estórias", do José Luandino Vieira, com dedicatória, dactilografada, em francês, e datada de 17 de maio de 1975

Guiné 61/74 - P28330: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIV: semana de 5 a 11 de maio


Prompt e orientaçáo editorial: Luís Graça
Texto: "Luta de galos, euforia masculina e sofrimento dos animais", 
por Nicodemos do Espírito Santo (Diligente, 13 de outubro de 2023)
Ilustração em estilo banda desenhada
gerada por IA (Gemini / Google) (2026)









Gente linda da ASTIL:

 Da esquerda para a direita:

Rui Chamusco, 
João Crisóstomo 
e Eustáquio (irmão do Gaspar Sobral, e em cuja casa, em Ailok Laran, nos arredores de Díli, o Rui costuma ficar alojado nas suas estadias em Timor-Leste). 


1. Prosseguimos a publicação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Chamusco, professor de música reformado, natural da Malcata, Sabugal, a viver na Lourinhã.

Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (exceto na pandemia, 2020, 21 e 22). Ele é um exemplo vivo do que é a solidariedade e o amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar (a ASTIL).

Essa história de dedicação às crianças das montanhas de Liquiçá (onde está funcionar, em Manatti / Boebau, a Escola de São Francisco de Assis) merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. Bem como outros aspetos da geografia, história e cultura de Timor-Leste, membro da CPLP, que as crónicas do Rui também ajudam a conhecer melhor.

E, a propósito, é bom recordar a efeméride de 11 de setembro de 1945, data em que o Japão se rendeu formalmente, em Timor-Leste, aos Aliados, depois de uma dolorosa ocupação do território desde a madrugada de 19 de fevereiro de 1942 (que terá custado muitas dezenas de milhares de vidas, de timorenses, mas também de portugueses, australianos, holandeses e outros: a estimativa aponta para 40 mil a 70 mil, vítimas diretas e indiretas da guerra, ou seja 10% a 15% da população que lá vivia, estimada em 450 mil no início da década de 1940. Enfim, foi um dos capítulos mais trágicos e esquecidos na na guerra do Pacífico.

Mas mais brutal ainda foi a invasão e a ocupação do território, em 1975-1992, pelos indonésios. Numa população que em 1975 rondava os 650 mil a 680 mil habitantes, a perda de mais de 100 mil a 150 mil vidas entre 1975 e 1992 representou, uma vez mais na história de Timor-Leste, a perda de cerca de 20% da sua população em menos de duas décadas.



III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIV: semana de 5 a 11  de maio (*)


06.05.2019, segunda feira- “ O gato e o rato ...”


É uma história sobejamente conhecida de todos nós: o gato que persegue o rato...e o rato que se esconde do gato. Um jogo da vida com aplicação em muitas situações reais.

O Amali e a Adobe são os dois irmãos mais novos do casal Aurora e Eustáquio (irmão do Gaspar Sobral, dirigente e cofundador da ASTIL, juntamente com o Rui Chamusco).

Várias vezes ao dia ouvimos os “berros” de um para o outro, as provocações, as corridas de um atrás do outro, o agarra, bate e foge, os choros da Adobe, os risos e as gargalhadas - uma panóplia de gestos e atitudes mais próprias do “ jogo do gato e dorato.” E não venham os “katuas” (os mais velhos)  repreender ou afligir-se com a situação, porque isto é “o pão nosso de cada dia”. Eu até ouso dizer que, dia em que isto não aconteça, algo vai mal cá na casa.

No entanto, a relação de irmãos, incluindo a Eza e o Zinon, é invejável. Faz lembraras famílias mais antigas em que cada irmão mais velho tinha o cuidado dos irmãos mais novos. A fratria está bem guardada. É impossível quebrar esta relação, esta união, este amor em família.

E nós a pensar em tantas crianças que, sendo filhos únicos, estão privados deste amor familiar: os manos. Por mais que nos justifiquemos, nunca saberemos dar o verdadeiro valor a este dom da vida partilhada entre irmãos. Pena é que depois, por imperativo da vida de cada um, a gente se separe. Muitas vezes até separações definitivas, por dá cá aquela palha, por questões de herança, ou por outras coisas inexplicáveis.

Por mim, quero continuar a ouvir esta algazarra, a presenciar este jogo, a ser testemunha desta verdadeira amizade. Adobe e Amali, continuai a brincar como bem sabeis fazer...


07.05.2019, terça feira  - “ As aparências ...iludem. “


Tantas vezes pensamos que a rama viçosa que cobre a sementeira é sinal de abundante colheita, e enganamo-nos. Quando abrimos o rêgo das batatas dsecobrimos que, afinal,nos enganamos. E poucas apanhamos. A ilusão seguida do seu contrário. Tantas vezes pensamos em projetos mirabolantes, capazes de revolucionarem o mundo, e nunca chegamos a vê-los realizados. Tantas vezes construímos “castelos no ar”,  e nunca essas construções foram habitáculos de reis, raínhas ou vassalos.

Vem tudo isto a propósito do que vemos e ouvimos neste recanto do mundo. É frequente encontrarmos crianças e jovens de telemóvel ne mão, servindo-se dele para diversos fins: telefonar, ouvir música, mandar mensagens, etc, como em qualquer parte do mundo. Uma interrogação ressalta logo à nossa mente: então esta gente que dizem ter tantas carências, sobretudo económicas, ostenta e utiliza estes objetos sofisticados tão caros? Donde lhes vem este poder de compra?

Pois é!... Felizmente que também os pobres têm acesso a alguns benefícios dos ricos. Enquanto que os ricos dispendem quatrocentos, quinhentos ou mais euros por um telemóvel, outros mais não gastam que dez a vinte dólares por um aparelho com as mesmas funções. Aqui pouco importa a marca, nem se é de primeira ou segunda mão.

O que interessa é que funcione bem. Graças a acordos bilaterais entre os governos da Coreia do Sul e de Timor-Leste, e porque a maioria destes utilizadores até nem são esquisitos, podem assim usufruir destes bens, destes meios de comunicação.

 A perícia com que eles manejam estes objetos é notável. Fazem inveja a quem, como eu, tem dificuldades em “mexer” em tais artificios, por falta de competência ou por pouca destreza.

Esta gente sabe muito. Nem sempre o “doutor” bem vestido e de pasta na mão sabe mais que um destes jovens ou crianças. Até porque porque parece que os meninos e asmeninas de de hoje já nascem ensinados.

09.05.2019, quinta feira  - Conversa de gagos


Mateus e Alula (Félix) são dois irmãos, os dois gagos, filhos do Álvaro Sobral. Por sinal, os dois são meus conhecidos - são sobrinhos do Gaspar e do Eustáquio - e, de vez em quando, veem visitar-nos a Ailok Laran.

Ontem o Eustáquio fez-nos rir à gargalhada, ao contar o que se passou entre os manos.

O “motor” de família teve um furo no pneu, e entre eles decidiram repará-lo. Já no processo de enchimento, enquanto um segurava a roda o outro dava à bomba. Foi quando o Alula sentiu que estava no ponto, e disse para o Mateus: “Pára!” Só que demorou tanto tempo a dizer “ra” que o mano continuou a dar à bomba até que o pneu rebentou. 

Isto contado por eles até tem mais graça. E fica mais ou menos assim: “pá pá pá pá pá pá pá... e PUM!...” Ou seja, em menos palavras que nós relatam o que aconteceu.

Este episódio faz-me questionar mais uma vez sobre a importância da linguagem não-verbal, ou pelo menos na economia das palavras. Para nós é caricato, faz-nos rir o que só nos faz bem, mas quem é privado ou tem deficiência em articular as palavras lá tem outros meios para se fazer entender. Mais pneu ou menos pneu pouco importa. O mais importante é fazer-se entender, comunicar, seja de que forma for.

Como todos nós sabemos, há uma excelente forma de não gaguejar: falar a cantar. Portanto, se for este o seu caso, cante. Cante porque, quem canta “seu mal espanta”...


09.05.2019 - Língua portuguesa e... religião


Há quem diga que Timor-Leste deve a sua independência à língua portuguesa e à religião. 

Dezasseis anos já passados, e damo-nos conta, aqui no terreno, que a religião (sobretudo a religião católica) continua a exercer a sua influência na mentalidade e modo de ser deste povo. 

O mesmo não direi da língua portuguesa pois, apesar de todos os esforços que se têm feito, não se vêm grandes resultados práticos. O tetum e o bahasa continuam de longe a dominar a língua falada desta gente. E ainda que a maioria dos timorenses manifestem a sua afeição pelo povo e pela língua portuguesa, a verdade é que têm grandes dificuldades em aprender e em falar o nosso idioma.

Dizem que a gramática é muito complicada. É mais fácil aprenderem as línguas mais simples, e que utilizam a mesma palavra e os símbolos para várias situações.

Mas vem isto a propósito de quê? É que, durante este mês de Maio, quase todas as noites ouço cantorias pela noite fora.

Quis saber o que se passava, e alguém me explicou: “ um grupo de pessoas foram pedir autorização ao pároco para irem de casa em casa, à noite, a fim de rezarem o terço.” 

Ora já sabemos que aqui em Timor, e particularmente na região de Dili, qualquer motivo serve para fazer festa pela noite fora, que envolve rezar, cantar, comer e beber, e até jogar as cartas. Do nascer ao morrer, vários são os momentos festivos. Parece-me que só o ato de nascer não é festejado tão abundantemente.

Então estão justificadas todas estas interrupções do sono noturno que ao longo da noite vão acontecendo. Às vezes até sabe bem acordar ao som de alegres melodias, normalmente muito bem cantadas porque esta gente tem uma queda natural para a música.

 É muito mais agradável ouvir cantar assim, do que acordar sarapantado pela algazarra dos grupos que, a partir das quatro horas da manhã locais, gritam desalmados quando o seu clube predileto marca golos ou constrói jogadas de perigo.

Estas cantorias noturnas fazem-me lembrar as serenatas ao som do acordeão que, enquanto menino, se faziam ouvir durante a madrugada pelos balcões e ruas da minha aldeia, Malcata. 

Por isso, se a língua portuguesa ou a religião puderem ajudar uma aldeia ou uma nação a crescer e a sermos nós próprios tornando-nos independentes por que não? Quem sabe se assim não seremos mais felizes!...

10.05.2019, sexta feira  - ”Ay flores del...” Aituri!...


Aituri é uma planta que aqui encontramos, a dois ou três metros do aposento onde estou instalado, e que se afirma entre o árvoredo pelas suas flores cor de púrpura com recetáculos e estames esbranquiçados. São de uma beleza invulgar.

A flor de Aituri é comestível em salada, a sós ou acompanhada de temperos. Sabebem ao paladar e à vista, e já não será a primeira vez que aqui a comemos.

Hoje de manhã prontifiquei-me para a apanha destas flores que, juntamente com a Adobe, recolhemos e desfolhamos, pois só as pétalas são comestíveis. A Eza e a mãe Aurora é que as vão preparar para logo ao jantar. Hum!...!...

Este aproveitamento faz-me pensar na mãe natureza, que tudo nos dá e governa. E, já que estamos em Timor Leste, quero recordar que a sobrevivência dos guerrilheiros (Xanana, Matan Ruah e companheiros) na guerra que durante anos travaram contra os invasores indonésios se deveu em grande parte ao conhecimento e utilização dos recursos naturais que a montanha lhes oferecia: raízes, flores e frutos.

Há tempos encontrei e publiquei no facebook uma notícia sobre “43 plantas que podemos utilizar na nossa alimentação.” Claro que haverá muitas mais. Importa por isso conhecê-las bem e, se for o caso, tirar proveito da sua utilização na nossa alimentação, sem ofender ou prejudicar o meio ambiente e agradecendo sempre à mãe natureza.

E já agora, em atalho de foice, congratular-me com o evento que a AMCF (Associação Malcata Com Futuro) irá organizar pela segunda vez em Malcata, no próximo dia 18 sobre “ Flores Comestíveis”.

Saibamos ser gratos à natureza que tanto nos dá.


11.05.2019, sábado  - As mulheres não se medem aos palmos


Pois então!.. A Umbelina. uma moça da montanha, franzina e de baixa estatura, mostrou esta tarde quanto vale. Qual Maria da Fonte, resgatou um senhor galo numabrir e fechar de olhos,

Então foi assim. A meio da tarde ouviu-se um grande burburinho aqui em casa. O Amali e a irmã Eza corriam desalmados pelo caminho que nos leva à mikrolete, ao mesmo tempo que chamavam por alguém. Eu, que estava no quarto e me dei conta do alvoroço, acudi também na intenção de saber o que se passava e de ajudar. 

Foi então que vimos a Umbelina a chegar, toda ofegante, com um lindo galo ao colo, e nos contou o que se tinha passado. Ela regressava da universidade, em mickrolete, e quando desceu avistou um rapaz que triunfante transportava o lindo bicho, roubado há instantes aqui na casa, ninguém sabe como, pois o galo estava preso e havia aqui bastantes pessoas. 

Diz a Umbelina que mal o viu reconheceu logo que era o galo do Painino (Eustáquio). O que disse ao ladrão pouco sabemos. Contou-nos sim o que fez: “dei-lhe um par de chapadas e tirei-lhe o animal.” Toma lá que já as levaste!..

Todos ficamos estupefatos pela coragem da rapariga. Em jeito de graça até diziamos: “a Umbe merece um prémio, pois salvou um atleta...” É que este galo está destinado para a luta de galos, que aqui também se pratica. Até já tem comprador. (**)

E quanto aos perseguidores do larápio,  o que dizer? Não lhe puseram a vista em cima, mas diz o Amali que, pelas características que lho descreveram, sabe quem ele é. Que se cuide!...

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Ultimo pposte da série > 31 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28308: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIII: semana de 28 de abril a 1 de maio

(**) Vd. artigo de Nicodemos do Espírito Santo > Luta de galos, euforia masculina e sofrimento dos animais > Diligente, 13 de Outubro, 2023

Sinopse: Historicamente associada à resolução pacífica de conflitos, a rituais comunitários e à troca de informações durante a resistência, a luta de galos (Manu Futu) em Timor-Leste converteu-se, após a independência, num motor de entretenimento e apostas informais predominantemente masculino. O artigo analisa a transição desta tradição sociocultural para um negócio rentável, sublinhando o impacto da hegemonia patriarcal que afasta as mulheres e a crueldade imposta aos animais perante a ausência de proteção jurídica no país.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28329: Notas de leitura (1958): “Pai, tiveste medo? A guerra contada é muito diferente da que foi vivida”, por Catarina Gomes; Matéria Prima Edições, 2014 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Creio de ser muito de salutar esta emergência de novas dimensões da literatura da guerra colonial, temos um acervo de décadas com romances, novelas, contos, poesia (incluindo a popular), as obras memorialísticas, a historiografia; gradualmente, foram aparecendo narrativas sobre as mulheres que acompanharam os seus maridos nas comissões militares, as enfermeiras paraquedistas, os retornos de ex-combatentes aos locais onde tinham vivido; mais recentemente, entram em cena os filhos desses ex-combatentes e episódios colaterais, como Catarina Gomes nos conta neste seu magnífico trabalho de investigação em que há filhos que vêm depor sobre o stress pós-traumático dos pais, histórias mirabolantes de correspondência com muitas madrinhas de guerra, até chegarmos à tocante adoção de Pedro Luqueia de Santarém, uma criança encontrada numa operação no norte de Angola, em outubro de 1962 e que foi adotada por um Esquadrão de Cavalaria. É uma nova forma de rever o passado em que os atores são os filhos que se debruçam com o que há de fascinante sobre tais comissões militares que tiveram a virtualidade de mexer com a vida das famílias, para todo o sempre.

Um abraço do
Mário



Pode um filho ter memórias de uma guerra que nunca viveu? - 3

Mário Beja Santos

Multiplicam-se os casos em que a literatura da Guerra Colonial revela uma nova dimensão: são os filhos a visitar os locais onde os pais combateram, os filhos de uma relação entre ex-combatentes e mulheres de Angola, Guiné e Moçambique à procura dos pais e de uma identidade; memórias e testemunhos de mulheres e filhos, e sobretudo estes que querem entender o que o pai viveu na guerra, fazem perguntas depois de ler as cartas que eles trocaram com as suas mulheres ou namoradas, isto sem já falar em recordações de infância marcadas pela violência da guerra. Catarina Gomes é hoje um nome firmado neste tipo de investigações, o que vem conferir uma abordagem diferente àquela literatura em que a memória ou a ficção do ex-combatente estava no primeiro plano.

O livro de que estamos a falar intitula-se Pai, tiveste medo? A guerra contada é muito diferente da que foi vivida, Matéria-Prima Edições, 2014. Em textos anteriores já foram expostas situações do stress de guerra e violência familiar, doença que dá pelo nome de Perturbação Pós-Stress Traumático de Guerra, de um militar que dedicava o seu tempo livre a escrever às madrinhas de Guerra, de uma menina nascida na Guiné cujo pai, à viva força a trouxe para Portugal e foi educada pela avó, falou-se de heróis de militares que refizeram a sua vida em ambiente colonial, de um aviador desaparecido em combate em Moçambique que levou uma viúva ao desespero, sempre na esperança de reencontrar o seu marido.

Hoje mudamos de azimute. Tiago Teixeira, nascido em 1978, é médico voluntário no hospital de Cumura, tenta salvar doentes com tuberculose e VIH/Sida. “Tiago andou por esse país na infância, numa sala de estar no Porto, aos sábados de manhã, sentado ao colo do pai, a olhar aquelas fotos a preto e branco que vinham acompanhadas de nomes de sítios estranhos, como Empada, Mampatá, Bolama.” O filho pensa que o pai nunca lhe escondeu nada, que lhe contava tudo, ele acha que era mais por ele do que pelo filho. Em adolescente, começou a atender telefonemas dos colegas do pai, iam estar presentes com a família nos convívios dos ex-combatentes. Em 2005, o pai e dois colegas seguiram num jipe para a Guiné, anos depois, com um grupo de ex-combatentes criou uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, a Tabanca Pequena Grupo de Amigos da Guiné-Bissau.

Apareceram melhoramentos na vida dos guineenses, poços de água, canoas a motor. Tiago conta que aquele álbum da infância foi também ganhando vida na mão de pessoas que o pai visitava nas suas idas à Guiné. Uma noite Tiago escreveu, depois de regressar do hospital de Cumura: “Acho que é um regresso em nome do meu pai, da sua fidelidade a esta terra e a esta gente, que o marcaram para a vida, que me marcaram para a vida… É como se um fio me unisse à história do meu pai com este povo há muitas décadas, e eu viesse para aqui para continuar essa história.” O pai de Tiago Teixeira é o nosso confrade José Teixeira.

João Fernandes Saido Jaló lembra o seu pai, o Capitão João Bakar Jaló, um herói militar guineense que combateu do lado português, condecorado com a Torre e Espada. João tem plena consciência das mudanças que ocorreram com a morte do pai, tinha ele oito anos, morto o herói, cresceram as dificuldades, conheceu os calções rotos, andou com os pés descalços, passou a ir buscar lenha ao mato. Com o fim da colónia, seguiram-se os ajustes de contas, os fuzilamentos, o tio, por ser irmão do pai, foi torturado. Em 1976, ele e a família foram expulsos da casa em Catió, as medalhas e as fotos do pai foram confiscadas. João pediu a um professor que lhe redigisse uma carta em português, a pedir para ir para Portugal estudar, entregou-a na Embaixada de Portugal em Bissau, seguiram-se as tentativas de correspondência para Portugal, em 2002 João aterrou em Lisboa a primeira vez; em 2009 foi-lhe concedida a nacionalidade portuguesa. Estuda, acabou o décimo segundo ano, é vigilante na zona de Torres Novas, sonha licenciar-se em Direito.

Trinta e três anos depois de ter voltado da guerra colonial em Moçambique, 29 anos depois de Joana ter nascido, ela e a irmã receberam do pai, como prenda de Natal, um volume cuidadosamente encadernado, mas que devia ser de fabrico caseiro, tinha como título Cacimbo. Sabia que o pai tinha estado na guerra, tinha pisado uma mina, ficou a saber como tudo se tinha passado. O volume tem sublinhados da Joana, há desabafos do pai, tais como: “estarei condenado a ser um limitado descrente onde não cabe a transcendência divina.” E “o mundo não tem poesia nenhuma. Estética nenhuma. O mundo é um acumulado de ocorrências avulso.” Há lembranças da enfermeira-paraquedista que o socorreu depois da explosão da mina; mas para Joana o livro e o blog onde o pai colabora ajudam-na a descodificar o que o pai é por causa da guerra.

“Apesar de uma experiência tão longínqua, num continente onde Joana nunca esteve, há pontes que consegue fazer com ele, como quando o pai se transporta no livro, do chão do pó da picada, onde pisou a mina, para o chão de pó do Largo do Sobreirinho, onde jogava futebol na infância, na aldeia de Aguim. É nesse sítio onde a infância do pai se cruza com a sua que foi implantado um memorial, ‘um paralelepípedo em homenagem aos da aldeia que combateram na guerra colonial’, erigido por iniciativa dos próprios. Para não ferir suscetibilidades, o pai contribuiu. Joana sabe que para o pai não faz sentido que sejam as próprias pessoas a ergueram estátuas às suas memórias. Na escola, Joana não se lembra de ter aprendido sobre a guerra colonial; o que sabe é o que lhe vem do pai e é tudo quanto quer saber sobre o tema.”

Era inevitável, Miguel fala da sua mãe a então furriel enfermeira paraquedista Maria Emília Carvalhinho, seu nome de casada. Os pais do Miguel conheceram-se na base de Tancos. O álbum da mãe fala por milhentas palavras, está ali a referência explícita àquela geração de mulheres que teve a experiência única da emancipação. “Olho para a minha mãe como uma pessoa corajosa, que trocou um percurso previsível por um percurso novo, de algum modo assustador. O facto de ter tido esta mãe abriu-me a mente. Há muita coisa na sociedade atual em que não avançámos. As mulheres sacrificam carreiras para ter família, as mulheres grávidas são discriminadas e podem perder o emprego.” Para Miguel aquela história da mãe pioneira como enfermeira paraquedista ensinou-lhe que as mulheres podem fazer o que bem entenderem com as suas vidas.

Temos por último a história de Pedro Luqueia de Santarém. Tudo começou com a Operação Golpe Baixo, a 16 de outubro de 1962, na povoação de Bembe, no norte de Angola, esteve envolvido o Esquadrão de Cavalaria 122. No regresso, vem uma criança a quem se pôs o nome de Pedro Luqueia de Santarém, porque era o que tinham em comum os homens que o adotaram. Passou a ter identidade e foi batizado. Foi encontrado na operação todo nu, teria cerca de 4 anos. Tornou-se na mascote da companhia, aprendeu a falar português, passou a fazer parte da vida dos militares, veio com eles para Portugal, foi acolhido pela mãe do alferes Sá, numa vilinha no norte de Portugal.

Pedro ingressou como interno nos Pupilos do Exército, entrou depois no Instituto Superior Técnico, onde se formou em Engenharia Eletrotécnica. “Há uns anos Pedro foi a um almoço-convívio do Esquadrão de Cavalaria 122, com a sua mulher e os dois filhos, e esteve tempos infinitos só a cumprimentar familiares de militares.” Mas a história não fica só por aqui. “Pedro tem de Angola, de África, o nome do local de nascimento que lhe vem escrito no bilhete de identidade, o nome do rio angolano que é o seu apelido do meio e a cor preta que é só a da pele, o que ele diz que em Portugal foi ficando branco. Gostava muito de ter a nacionalidade angolana, mas é preciso provar que nasceu lá. Já foi à Embaixada, mas teria de ir ao registo em Angola. Acha que nunca vai conhecer ninguém da família que o ajude a interpretar o que a sua memória entendeu reter, mas continua a colher indícios que o ajudem a perceber quem é, a preencher os vazios de um filme de que só conhece pedaços. Tenta não pensar no que podia ter sido a sua vida.” E conclui com um pensamento positivo: “Estás aqui, não vale a pena. És feliz, apesar de tudo, não há outra hipótese de ser feliz.”

Assim se põe termo a este belíssimo trabalho de investigação de Catarina Gomes.
Catarina Gomes, imagem do Público, com a devida vénia
_____________

Notas do editor

Vd. post anterior de 31 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28309: Notas de leitura (1956): “Pai, tiveste medo? A guerra contada é muito diferente da que foi vivida”, por Catarina Gomes; Matéria Prima Edições, 2014 (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 4 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28320: Notas de leitura (1957): "Origem: África", pelo jornalista, escritor e académico Howard W. French; Bertrand Editora, 2022 (4) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28328: O Nosso Livro de Visitas (233): Ana Vaz, neta do sr. José Caeiro, comerciante, dono da Casa Caeiro, Nova Lamego: português, natural da Figueira da Foz



 

Guiné > Região de Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > Setembro / outubro de 1967 > "A melhor casa comercial, a Casa Caeiro, na rua principal. Foto tirada do 1º andar das instalações do Conselho Administrativo do batalhão (que esteve ali, de setembro de 67 a fevereiro de 68)."



Guiné > Região de Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) >  c. Set / Out 1967 >  Comando do Batalhão... Instalações  protegidas por bidões com areia, ao nível térreo. Era aqui que funcionava  também o CA – Conselho Administrativo, do batalhão, de que o Virgílio Teixeira era o presidente. Em cima, no 1º andar do edifício do, o autor e mais 2 elementos do CA, furriel mil Pinto Rebolo e o 1º Cabo Seixas. Foto captada em Nova Lamego, a partir da Rua Principal, das instalações do CA, no mês de Janeiro de 68.


Guiné > Região de Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 4º trimestre de 1967 > "Edifício do comando e do Conselho Administrativo, de estilo colonial, tal como o encontrámos, com paliçadas e bidões de protecção, ruas esburacadas e em terra batida, com pó ou lama. Foto tirada a partir do edifício dos CTT,  na outra esquina." 
 
Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Região de Gabu > Nova Lamego > c. jan / fev 1967 > A rua principal de Nova Lamego (5).. Do lado esquerdo vê-se a Casa Caeiro (2) e o edifício que era o comando dos batalhões que passaram por aqui ao longo da guerra (já era protegido por bidões cheios de terra) (1)

No outro lado da rua, no lado direito da foto, um edifício não identificado (parece-nos ser o Cine-Clube local) (4) e depois a estação dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) (3).

Foto do álbum de Manuel Caldeira Coelho (ex- fur mil trms, CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894, Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68)


Foto: © Manuel Caldeira Coelho (2011). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]



1. O nosso amigo e camarada Virgílio Teixeira, natural do Porto, a viver em Vila do Conde, reformado (foi economista e gestor de empresas), é, dos nossos grão-tabanqueiros, que tem mais fotos de Nova Lamego: cerca de 2 a 3 centenas (*). Apesar disso,  não chegou a vver seis meses no Gabu. Sobre a família e a casa Caeiro, escreveu ele:

(...) "De todas as lojas, a que mais se destacava era a famosa Casa Caeiro, mesmo no centro da cidade. Ali vendia-se de tudo o que precisávamos e mais o que não era preciso para nada. 

"O senhor Caeiro, dono da referida casa comercial, tinha uma bela filha, branca, (...) coisa a não desperdiçar, em terra de pouca mulher branca, a qual era acompanhada por várias vezes com outra rapariga branca, que não sei qual a relação com eles.

"A Casa Caeiro localizava-se mesmo do outro lado da rua, frente a frente, onde estava o gabinete do Conselho Administrativo, e do respectivo Comando do Batalhão. Era um edifício tipo colonial, e ficávamos no 1º andar desse edifício, e logo se poderia ver todo o andamento e movimento da loja, a Casa Caeiro, que não era nada pequeno, e que era frequentado pelas variadas etnias locais.

"De tal modo que era um passatempo vir para o varandim, e ver as pessoas, locais e outras pessoas europeias ou não, com os seus negócios, e acima de tudo, quando a filha do Caeiro saía à rua, logo era alertado por alguém com  o grito de Ipiranga, para irmos todos ver a beldade de mulher a sair à rua, com o seu corpo formoso para aquelas paragens.

"Posto isto, a Casa Caeiro era visitada quase diariamente pela ‘malta’ nem que fosse para comprar uma caixa de fósforos, ou um abano para o calor.

"Era gente simpática, o que está escrito é que eles apenas se dedicavam ao comércio, não alinhavam a sua actuação nem de um lado nem de outro, eram independentes, o que já seria uma tarefa difícil numa zona de guerra, como era aquela.

"Quanto à filha do Caeiro, apenas falei com ela na Loja, cruzávamo.nos  na rua, no café ou no pequeno cinema semanal, não sei a vida que eles levavam fora das horas de serviço." (...)

Outros camaradas nossos como Manuel Coelho, Valdemar Queiroz (1945-2025) e o Tino Neves tanbém fazem referência este comereciante, que era portuguesa, e não libanês, bem como à sua casa e à sua família (***)





Guiné > Região de Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 21 Fevereiro de 68 > Não, não era o sr. José Caeiro, o comerciante, português, dono da Casa Caeiro,  mais a sua filha, na sala de cinema do Gabu, nas últimas filas. 

 A família era portuguesa da metrópole. (Detalhe: a filha do sr. Caeiro ostenta, na foto, a capa de uma revista humorística brasileira, popular na época, "Vamos Rir!", de periodicidade mensal, da "Rádio Editora Lda.). Ao seu lado esquerdo, está o seu tio, Jorge Caeiro, que era muito parecido com o irmão José. A seu lado direito, uma amiga. Na ponta, o Vifrgíloiuo Teixeira.

Esta informação é da nossa leitora Ana Vaz, neta do sr. Caeiro, cujo mail reproduzidos a seguir.

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] (**)


1. Mensagem da nossa leitora Ana Vaz, neta do comreciante José Caeiro, de Nova Lamego:


Data - quinta, 23/07/2026, 21:37

Assunto - Casa Caeiro; neta e filha do Sr. Caeiro

Boa noite, Sr. Luís Graça,

Depois de ler o seu Blog, encontrei algumas informações que não estão coerentes.

O meu avô José Caeiro era da Figueira da Foz onde também lá tinha casa.

A Bela é minha prima, mas filha do irmão da minha mãe, Mário, que também teve uma empresa de pescas durante muitos anos na Guiné-Bissau.

A minha mãe, a filha do Sr. Caeiro, é de 1945 e está feliz por ter encontrado quem fala das suas raízes, lembrando-lhe o seu adorado pai, o meu avô José Caeiro. Um homem muito inteligente, um homem de letras.

Ninguém na família é ou era libanês, somos todos portugueses.
 
Ao lado da minha mãe está uma amiga e o seu tio Jorge, irmão do Sr. Caeiro! Eram muito parecidos.

Estamos em Oeiras (a filha do Sr. Caeiro) e em São João do Estoril (a minha prima Bela).

Obrigada por nos relembrar tão boas recordações

Ana Vaz (****)


2. Mensagem de Virgílio Teixeira (para quem reencaminhei o mail da Ana Vaz, que imnfelizmente foi parar ao SPAM;  só  demos conta disso  conta disso em 20/8/2026)

Data - 22/08/2026, 16:38
Assunto . Família Caieiro, Nova Lamego

A Ana Vaz pelos cálculos que fiz deve andar pelos 60 anos!

Ontem estive a falar longamente desta família e fotos no Poste que mandaste. Quando acabei, depois da meia noite,  toquei onde não devia e apagou tudo. Claro que fiquei com um grande melão!

Agora e resumindo:  era uma família que eu considerava, mas gostava mais de estar com a filha e pelos vistos outra mais nova filha de um português radicado na Guiné.

Tudo isto me passou ao lado. E todos os dias da minha varanda em frente tinha a casa Caeiro e suas belas meninas.

Não me apercebi de serem portugueses. Sempre pensei, e era falado, que eram  como libaneses.

Fico contente por saber isso. E mais ainda por haver esta Ana Vaz, que será filha da outra menina mais nova nas fotos, que nem sei o nome delas.

Já agora gostaria que a Ana nos contasse tudo, como era antes. Depois e agora.

Os meus 5 meses lá, não chegaram para conhecer tudo. E quando começo a escrever aqui no blogue tudo era ainda muito ofuscado e muita asneira foi escrita sem nenhuma segunda intenção.

Devo ao blogue a minha ligação mais estreita à Guiné que eu não conhecia! Hoje faria tudo muito diferente
´
Manda o feedback da Ana e o que faz, pois parece gostar muito da sua família e eu também.

Abraço a todos

Virgílio Teixeira

3. Comentário do editor LG:

Obrigado, Ana, pelo seu contacto.  Ficamos felizes por nos descobrirem. Como vê, o Mundo é Pequeno e a Nossa Tabanca ... é Grande. E tem lugar, à sombra do nosso poilão,  para  a família Caeira se alguém de vocês, primos e tidos, quiserem partilhar fotos e outras memórias da Guiné do vosso tempo (e nosso tempo). Presumo que a Ana seja mais nova (não deve ter a idade que o  Virgílio Teixeira lhe dá) e tenha nascida já em Portugal, depois do 25 de Abril. 

Tem aqui o nosso contacto, por email:


Já em tempos, há cerca de 16 anos, em 22/11/2010, apareceu  um comentário ao poste do Tino Neves (*****), que é assinado por uma neta do seu avô Caeiro, a Bela... Vejo, pois, que é  sua prima. Pena não ter deixado um contacto (telefone, email...). 

Mas ficamos a saber que a família mora na Linha do Estoril. Pode ser que um dia alguém queiram vir almoçar connosco, na Tabanca da Linha, que tem sede no Restaurante Caravela de Ouro, em Algés, e que se reune regularmente (vd. página no Facebook). É uma tertúlia de antigos combatentes da Guiné, residentes na área da Grande Lisboa.

"Anónimo disse..

Olá, Sr. Luís Graça! No seu artigo sobre a sua viagem em 2005, fala na loja do Sr. Caeiro. Não chegou a tirar fotos actuais? Após a morte dele, uns anos mais tarde, o meu pai manteve lá a farmácia até aos anos 80/90.

"Teve de desistir, por mais que se preocupasse em manter o nome do seu pai, a vida não o permitiu. Falo do sr. Caeiro, meu Avô! O Padrinho, como todos o chamávamos, meu pai, mãe, irmão e eu. O Homem mais bondoso que conheci, infelizmente só até aos meus 5 anos.

"Um abraço a quem o conheceu e um bem haja. Bela.

"22 de novembro de 2010 às 23:57".


Em conclusão, a loja do sr. Caeiro deu origem a uma farmácia, no Gabu, na nova Guiné-Bissau, e que se terá mantido aberta até aos anos 1980/90, sob a gerência do filho Mário, que também teve uma empresa de pescas... 

Na altura respondi à prima Bela:

(i)  as fotos do Gabu não são minhas, mas de um camarada e amigo do Tino Neves, o José Couto, que lá esteve, na Guiné-Bisssau e foi ao Gabu, em fevereiro de 2005...

(ii) o Tino Neves e outros camaradas, que aqui têm escrito, conheceram o seu avô Caeiro, ou a Casa Caeiro, por volta de 1966/68 (Manuel Coelho), 1967/68 (o Virgílio Teixeira) e 1969/71 (o Valdemar Queiroz, o Constantino Neves...), e gostariam de saber algo mais sobre o resto da sua vida;

(iii) pena que o avô tenha morrido cedo;. 

(iv) o Tino Neves (*****) também falou nos vizinhos do avô, esses, de origem libanesa, os Danif. 

(v) sobre  a família Danif, de origem libanesa, em Bafatá, ver aqui.

(vi) vd. também fotos do Gabu, tiradas pelo nosso grã-tabanqueiro João Graça, em finais de 2009: a "rainha do Gabu" de ontem parece ter passado a perna à "princesa do Geba", Bafatá, hoje em decadência.

Peço à Ana para "partir mantenhas" com a sua mãe e com a Bela, e demais família. Os nossos respeitosos cumprimentos.  Gostaríamos, entretanto,  de saber algo mais sobre a história de vida do avô, e nomeadamente na Guiné (e de quem afinal não temos nenhuma foto).
 
(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)
___________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 5 de novembro de 2024 >Guiné 61/74 - P26118: As nossas geografias emocionais (29): A antiga Nova Lamego ou Gabu Sara, em set 67/fev 68, ao tempo do Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)

(**) Vd. também poste de 16 de janeiro de 2019 > Guiné 61/74 - P19407: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LX: A Casa Caeiro e os comerciantes libaneses de Nova Lamego


(...) Passava-se junto da Administração do Gabu, de que também junto foto actual (fevereiro de 2005) [Foto nº 2], passava-se então pelo cruzamento (onde estou eu na foto à civil, no dia 8/2/1970). Sei que foi tirada nesse dia, porque foi dos poucos dias em que eu me vesti à civil, em Nova Lamego. E porquê? Porque no BCaç 2893, quem fizesse anos tinha como prenda a folga de quaisquer serviços e autorização para se vestir à civil, portanto essa foto [nº3] foi-me tirada no dia em que fiz 22 Invernos, no cruzamento, entre os CTT, correios civis (que junto 2 fotos, antiga e actual) [Foto nº 4], o Cine Gabú e a loja do sr. Caeiro.

O sr. Caeiro (...)  era um português de raça branca. A Casa Caeiro era uma loja essencialmente de electrodomésticos, mas não só, e na ponta que falta, a do meu lado direito, um dos edifícios civis utilizados para o quartel velho.

Por falar da loja do sr. Caeiro, o telhado da referida loja era simplesmente uma placa de cimento, não sendo muito grande, talvez pudesse lá pousar um helicóptero, mas foi utilizado para outra coisa diferente. Estando lá um capitão paraquedista que estava a preparar-se para uma competição no estrangeiro, de salto em queda livre, resolveu fazer uma aposta em como iria saltar e pousar no telhado da loja do sr. Caeiro. Assim fez, saltando de um helicóptero que subiu em espiral, tão alto, até deixar de se ver. (...)


16 de janeiro de 2019 > Guiné 61/74 - P19407: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LX: A Casa Caeiro e os comerciantes libaneses de Nova Lamego


(****) 23 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28286: O Nosso Livro de Visitas (232): João Bonifácio, a viver no Canadá desde 1974, ex-Fur Mil Sam da CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)


(****) Vd. poste de 9 de fevereiro de 2009 > Guiné 63/74 - P3861: Memória dos lugares (17): Nova Lamego, a raínha do Gabu (Tino Neves)

Guiné 61/74 - P28327: Humor de caserna (269 ): A propósito da "Assinatura Ilegível", de Alberto Branquinho... Uma paródia aos "básicos" que, afinal, fomos todos nós, e que mereceu 39 comentários no blogue há 16 anos

 

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Alberto Branquinho  (2010)

Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


1. Afinal, onde estava a graça ?, perguntarão alguns leitores mais sisudos.

O título, "Assinatura Ilegível", convenhamos, não prometia grande coisa. Era apenas mais um texto da série “Contraponto”, do nosso camarada Alberto Branquinho. Notável, de resto, essa série.

Mas o título escondia um pequeno exercício de humor de caserna, escrito na pele de um imaginário “soldado básico”, ordenança de um oficial, com uma ortografia deliberadamente desfigurada, que trocava os "vês" pelos "bês", e que metia uma "estória" de oficiais  "apanhados do clima", cuecas, lavadeiras, comprimidos, leite com milho (que afinal era a o leite achocolatado MILO)  e outras pequenas misérias e grandezas da nossa vida militar na Guiné.

Mas o que aconteceu depois é que é interessante. O texto caiu no goto dos leitores. Afinal,era a"guerra", vista da caserna, de baixo para cima...Invertendo a hieratquia.  

O texto, publicado na segunda feira, 18 de outubro de 2010, às 13h38,  desencadeou uma verdadeira tertúlia "ad-hoc". Sucederam-se os comentários em menos de 48  horas, trinta e nove  no total, até quarta feira,  20 de outubro de 2010, às 21h15.

Vieram os que: 

  • reconheceram naquele “básico” personagens que tinham conhecido; 
  • se reconheceram a si próprios como "básicos" ; 
  •  começaram a investigar quem seria o misterioso oficial cujas  cuecas apareceram a tapar as "partes pudengas"  da lavadeira; 
  • discutiram se a personagem era realmente "básica", analfabeta ou semianalfabeta, ou se estava  apenas a fazer teatro;
  • recordaram os “básicos” das suas (sub)unidades; 
  •  pegaram nas cuecas e fizeram delas matéria de direito, moral, estética,  anatomia, etc. 
Ee houve até quem recuasse aos tempos do PREC e do Conselho da Revolução!

E, naturalmente, vieram os nortenhos, os sulistas, os ilhéus, os milicianos, os do QP, os desterrrados, os combatentes da Guiné e até quem nunca tinha posto os pés na Guiné. Vieram tabanqueiros de várias tabancas, e origens geográficss, de Portugal Continental, das Américas, da Lapónia sueca... 

A certa altura, já ninguém estava propriamente a comentar o texto do Branquinho. Estavam a b"reinar" uns com os outros. É talvez seja aí que esteja o segredo daquela caixinha de comentários. E o lado mais saudavelmente louco deste blogue.  

Foi há  16 anos, camaradas. E alguns já não estão cá entre nós...  Infelizmente. Uma ocasião também para evocar  os seus nomes e os seus exemplos de vida: Carlos Cordeiro, Jorge Cabral, José Manuel Matos Dinis, Torcato Mendonça. Com direito a fotografia. E talvez a uma  BD. Se a Nossa Senhora da Inteligência Artificial nos quiser e  puder valer. (Ela não troca os V pelos B,   troca os nomes e as fotos.,,)


Comentários ao poste P7144 (*), republicado (Poste P28325) (**)

(i) Carlos Vinhal, coeditor

Não costumo comentar os postes que edito e publico, porque felizmente a esmagadora maioria dos nossos camaradas e amigos tertulianos escrevem bem melhor do que eu.

Desta vez achei por bem vir aqui porque o texto publicado pode levar a interpretações de gozo para com os nossos camaradas militares menos habilitados em termos escolares, principalmente os nossos Básicos, que para tudo serviam, até ir para irem para o mato, quando nem para isso estavam habilitados.

Não levemos à letra o texto do camarada António Branquinho, mas encaremo-lo como uma diversão utilizando a língua portuguesa, traiçoeira e tão mal tratada. (...)
 
(ii) Anónimo

Presumo que era...Nortenho. Ou? O B(V)ossemecê confunde-me!  (...)

 

(iii) António Graça de Abreu


Essa do oficial que vestia as suas cuecas nas deliciosas (para homens que gostam de mulheres!) partes baixas da sua lavadeira é de antologia.

Todo o texto é brilhante, meu caro Branquinho, temos a gente do Norte à deriva pela Guiné, a melhor gente de todas, meu querido Porto, carago!

Mas esse oficial é quem? Aceitam-se prognósticos..., só no fim, e dão-se alvíssaras.

Acho que sei quem é esse nosso brilhante camarada, ou talvez seja a minha mente distorcida a fazer juízos injustos. Ou então são uns tantos camaradas, no plural.

Mas leio: "Bossemessê num creia em tudo o qum ufissial da nossa Cumpanhia escrébe prái. Ele num é de cunfiar de todo. Não era má pessua mas aí faz muntas inbenções."

 A carapuça serve a quem a quiser enfiar mas, sem personalizar quem quer que seja, há um ou dois camaradas no nosso blogue a que a gorra encaixa magnificamente. (...)

 segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 15:04:00 WEST 


(iv) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

Bom, se vamos por esses caminhos... Cito o Camarada Graça de Abreu: "Essa do oficial que vestia as cuecas nas deliciosas (para homens que gostam de mulheres!) partes baixas da sua lavadeira é de antologia".

Mas, o  que se escreve textualmengte quanto ao desaparecimento das cuecas, (e acentua-se: deaparecimento!) é:  "Porqueu um dia puchei o pano pra baicho à labadeira e a gaija tinha umas cuécas dele bestidas."

Em que possível tribunal de costumes poderia o Sr. G .de Abreu, sequer... sequer, insinuar que as cuecas ali tinham sido colocadas pelo Sr .Oficial referido? ( E, para mais,como do texto se näo infere se o referido Exmo. Sr. Oficial é, ou não, do Quadro Permanente,  o que, como é óbvio, tornaria a coisa muito mais séria, e complicada, dentro dos parâmetros proeminentes entre estas reservas morais da Nação); pergunto-me: Não teräo sido as referidas cuecas abusivamente desviadas, e utilizadas, pela Exma. Srª  Lavadeira? 

A assim ser, a perversidade evidente, a amoralidade decadente, a falta de um mínimo de educação religiosa desta "mulher" (e espero que esta tirada chegue para satisfazer alguns Srs. Séniores), näo poderá de modo algum ser imputada (!) ao Sr. Oficial, tão levianamente responsabilizado pelo Sr. Camarada G. de Abreu. 

Espero que este mal-entendido tenha sido originado por leitura demasiado rápida por parte d' este, e não por um qualquer lapso freudiano !!! É claro que estes sérios problemas  reputacionais (!), quando fora das áreas dominadas pelos nossos geniais políticos, acabam por corromper toda a textura moral de uma Civilizacäo como a nossa.

(v) Torcato Mendonca [ 1944-2021]


Caro Branquinho: 

Devia haver alguns desses. Até os encontravas (ou encontras?) na vida civil. Na minha companhia os oficiais, sargentos e praças, excepto o capitão e o 1º sargento, dormiam cada qual em sua cama mas em camarata-abrigo.Não havia diferenças em comida, dormida e roupa lavada...heim...

De um modo geral as cuecas eram para dormir, assim pijama aligeirado...e, devido a micoses, no dia a dia andava tudo "ao pendurão" entre o corpo e calças ou calção. Na cidade, prevendo erecção e etc. convinha o uso das ditas.

Os básicos da minha CART eram gente feliz sem lágrimas. Tanto assim que, mesmo depois de entrar na peluda pensava: porque não fui básico? Se calhar até fui mas com outro nome.

Gostei e continua a glozar com "a guerra e os guerreiros"... Tirar do sério é preciso. ) (...
 
segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 15:59:00 WEST 



(vi) Fernando Gouveia 


Considero o Alberto Branquinho, juntamente com mais dois ou três escribas do Blog, um dos que mais bem interpreta, passados quarenta anos sublinhe-se, o espírito com que se deve ver a nossa vivência na Guiné, repito, passados quarenta anos.

Adoro estórias deste género. (...)



(vii) Alma  [ Jorge Cabral, 1944-2021]

No meu Destacamento as Mulheres não usavam cuecas, tal como o Oficial..

E sempre existiu um Básico,o "cozinheiro" que Bambadinca nos mandava.

Todos excelentes rapazes,dos quais já falei... 

As condições de vida eram iguais para todos,comíamos o mesmo, à mesma mesa...e se alguém tinha vantagens era o "cozinheiro" pois, além de não ir para o Mato,tirava proveito de poder "partir" géneros alimentícios com as mulheres. Um deles foi aliás uma vez,por mim surpreendido, amando com furor, em cima da mesa das nossas refeições, entre cascas de batata... 
Que romântico! Bela vida, a de Básico!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 17:02:00 WEST 

(viii) Alma   [ Jorge Cabral, 1944-2021]

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Jorge Cabral, Alfero (Básico)



(ix) José Manuel Corceiro


Caro Alberto Branquinho

Espirituoso…este teu desanuviar e imprimir humor à guerra!

Estas recreações são económicas, para a Nação e para o cidadão comum, produzem mais eficácia que uma caixa de Valium 10 (Diazepam).

De onde podemos inferir, que o nosso Blogue está a poupar dinheiro ao Estado, ao contribuir para a salutar saúde do cidadão e sã economia do País… Parabéns e um abaraço. 


segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 17:56:00 WEST 

(x) Carlos Cordeiro  [1946 - 2018]



Cá está o José Belo com a sua veia legalista, disciplinadora e moralista (mas não belicista).

Na minha modesta e humilde opinião - e não pretendendo ser polémico (ou controverso, como prefere o Luís) - o oficial referido era do QP [Quadro Permanenete].

O Básico é (quase) claro: "ele num é de cunfiar de todo". (...)



(xi) Vitor Junqueira
 

Este texto do Branquinho devolve-me a vontade de ler e reler cada frase, palavra a palavra, vírgula por vírgula de tudo quanto se escreve neste Blog. 

Não pode ser ofensivo para ninguém porque a verdade e o rigor podem doer mas não ofendem.

 Quem assim falava era um Português, do Norte sem dúvida, mas trouxa é que ele não era. E o ufissial a quem se referia era eu. Ou podia muito bem sê-lo.

Mantenhas para a tertúlia.



(xii) Torcato Mendonca [ 1944-2021]


Eu gostei do escrito do Branquinho. Faz falta prosa assim. Mas: lendo um ou mesmo outro comentário sinto-me, digamos, curioso.

Vossa(s) Excelência(s) preocupa(m)-se com as cuecas de um Senhor Oficial. Mais preocupados se afirmam se o Senhor Oficial é Miliciano ou QP (leia-se do Quadro Permanente) donde se pode presumir que,as ditas, seriam diferentes pois,certamente uma gaita e apêndices de um Senhor Oficial do QP e um Miliciano, diferentes seriam. Será? 

Disso, de gaitas e apêndices pouco percebo, e, menos ainda, essas diferenças estabelecer. Penso contudo que estariam bem entregues na protecção do órgão vaginal da citada lavadeira. Melhor função desempenhariam se não fossem abertas á frente. Talvez não fosse despiciente, contudo, para facilitar certo acto.Talvez. Acto esse a praticar mais, creio eu, por, no máximo, um Senhor Oficial subalterno e Miliciano e nunca um do QP. 

Mais informo que, por informações recolhidas, eram mais usuais as de perna e não as apelidadas de "slip" .

Se me é permitido, sugiro a Vossa(s) Excelência(s) que se averigúe profundamente este melindroso assunto e se recorra a peritos em gaita, não esquecer os apêndices, e cuecas de formas e feitios diversos. 

Mais proponho que seja louvado o soldado básico. Quiça levar este assunto ao Orgão de Ordens e Afins.

Atentamente,
José Simplesmente José


(xiii) José Casimiro Carvalho

Soue um gaijo cum sorte, carago, na minha cumpanhia num abia básics, mas o Zé Belo tirou  cá do meue âmago a resposta ao comentário  ao camarada Graça de Abreu, pois é, já estaba a insinuare coisas do carago, mas não, o que o Básico disse foi isso mesmo, puxou os panmos à labadeira e lá estabam as cuecas (...)

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 20:22:00 WEST 

(xiv)  José Casimiro Carvalho  

Este comentário foi removido por um gestor do blogue ]

(xv) Zé Carlos 

Bocês estou m' a vincar, mas num sei se bão a argum lado. A labadeira era esperta, e o sordado tamém era.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 21:15:00 WEST 


(xvi) José Manuel Matos Dinis  [ 1948-2021]

Este Branquinho, tá uma rica pinga.


E pelos bistos, o estilo que pode cumparar-xe ao daquele nubél que já morreu, e não debia de ter a escola primária, está a agradar.

Eu acredito nicho tudo, inda hoje na Guiné andam lá muitos assim, cos homens num mudam do pé prá mão, e eu bi muito com estes ca terra háde comer.

Axino JD que esquexime xe o meu nome é com z u com s.



(xvii) Jose Marcelino Martins.


O Básico a Primeiro (ministro, claro), já!!!!!!!!!!

Este pelo menos é observador das necessidades

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 22:04:00 WEST 

(xviii) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]


Antes de mais,ao Alberto Branquinho,um sincero obrigado por uns momentos de nostálgica alegria.

Voltando agora aos tão sérios caminhos "reputacionais": não me venhas dizer, meu Caro simplesmente José, que na recruta que te foi servida em Mafra, não foste obrigado a fazer provas escritas, (e de campo!) sobre o importante capítulo operacional relativo às cuecas dos srs. oficiais? 

José Belo


 A colaboração das meninas transportadas em certa furgoneta vermelha,vinda da Malveira, eestacionada, convenientemente, junto à porta da Tapada,era fundamental para o arejamento das citadas cuecas modelo-Cooperativa Militar.(E por muito que me não creiam, mas História é História, havia, entäo,um Sr. Instrutor, que se preocupava muito por não existir roupa interior em tecido camuflado, referindo sempre o problema grave que surgiria, na selva, em situacöes de combate, caso as calças  se rasgassem e algo nos poderia referenciar ao inimigo! ...

Mafra, 1968! Com comandantes operacionais como este, especialista da Tapada, ainda hoje me custa a compreender näo ter a guerra nos corrido bem melhor, pelo menos na Guiné! 

Lamentavelmente, aparenta não ser bem claro para todos os ex-militares que, (citando) ,"a gaita e os apêndices" de um Senhor Oficial Profissional teriam sempre de ser, regularmente, diferentes de os "apëndices" de um miliciano qualquer! 

Säo estas insinuantes ignorâncias subversivas que me fazem hoje compreender com que facilidade a tal quinta coluna actuava no nosso seio ingénuo. Mas, e mais uma vez, näo vamos cair aqui em sectarismos dignos do saudoso PREC.  

Estas diferenças regulamentadas existiam, obviamente,entre Srs. Oficiais Generais, Oficiais dos Estados Maiores e...outros. Isto para näo referir o caso täo particular da Arma de Cavalaria. E..."aos costumes disse nada"! (...)


(xix) Carlos Nabeiro  [ Moçambique]

Estimados Camaradas.Desculpai a este vosso visitante assíduo e admirador, ao dar a minha "colherada",  visto não ser combatente da Guiné.

A mim não me parece "linguajar"de Básico. Um Básico não tem(tinha) tanto "parlapié", para escrever assim. A mim parece-me mais um "monólogo" uma Sátira Revisteira, dirigida a alguém em estilo Parque Mayer. 

No meu entender, é alguém bem vosso conhecido, a fazer-vos "o ninho atrás da orelha".

Este vosso camarada da guerra nas terras de Moçambique,1968/70.


(xx) Anónimo

Caro Amigo Carlos Nabeiro. Eu conheci um Básico com bastante,(e cito),"parlapié". Chegou mesmo a fazer parte do Conselho da Revolucäo.


(xxi) Anónimo

Ou foram mais?


(xxii) Carlos Nabeiro

Estimado Camarada J. Belo:

Plenamente de acordo, eu também penso que são e foram mais. Na minha Companhia tínhamos dois ou três, aos quais ajudei a dar aulas Regimentais e não eram assim tão Bimbos.Um deles ainda me lembro do nome,o Castro, eu por trocadilho, lhe chamava Crasto, alusivo ás Caves Monte Crasto, devido ao facto ele ter um rosto bonacheirão e avermelhado, como quem gosta da pinga. 

Passados quarenta anos, não acredito que um indivíduo daqueles, não evoluiu nada, ao ponto de escrever conforme falava.Levo mais para o lado de alguém que,  ao vos escrever, quis desabafar, sabendo muito bem o que escrevia, mas para que não o "apanhassem", trocou os bês elos vês.

O texto faz-me lembrar a seríe humorista da RTP, "Tele-rural", transmitida da fictícia "Curral de Moinas" com os pivôs Quim Roscas e Zé Estacionâncio. Aquilo é que era com cada calinada e uns bons pifos. Ou então o Diácono Remédios  do Herman José, "meuzami_ goezz-eze, não habia nexexidade-ezzz". (...)


(xxiii) Artur Conceição


Esta brincadeira do Alberto Branquinho parece um toque de alvorada. O texto está uma maravilha e não será tão irreal assim. Os comentários também estão com muito interesse. Não me parece que alguém se possa sentir visado, porque na verdade não passa de um pedacinho de humor.

Queria apenas deixar uma sugestão ao Alberto Branquinho: Não me leves a mal, mas quando enviares coisas com humor manda também uma foto diferente da que tens no blogue, porque senão a malta fica na dúvida....! (...)
 
terça-feira, 19 de outubro de 2010 às 14:57:00 WEST 


(xxiv) Joaquim Mexia Alves 

Pois é meus camarigos, nesta questão dos básicos, o básico fui eu!!!

Passo a explicar. Na instrução do meu Pelotão da CART 3492, no RAP2, um soldado se distinguiu pela sua fraca participação e entendimento do que lhe era pedido, quer ao nível físico, quer ao nível intelectual.

Claro que lhe disse que não se safava à Guiné, mas que iria como básico!

No Xitole fazia diversos trabalhos, nos quais obviamente não estava incluída a parte operacional.
Julgo que só saiu uma vez para a mata a seu pedido, mas que a partir daí nunca mais lá colocou os pés!

Ora bem,  o básico sou eu, porque passados largos anos, quando nos reencontrámos num qualquer almoço de combatentes, ou talvez lembro-me agora, em Monte Real num qualquer dia, vim a saber que o “básico” era, e é, um empresário de sucesso, com uma vida desafogada e boa.

Quando o confrontei com a discrepância entre os seus “feitos” na tropa e a sua vida de empresário, riu-se com gosto na minha cara, com amizade, dizendo que me tinha enganado bem!

Não o identifico, embora muitos saibam quem é. É um bom amigo, a quem muito prezo, e que também muito bem me enganou!!!

Por isso digo que o básico fui eu!!! (...)

terça-feira, 19 de outubro de 2010 às 15:55:00 WEST 

(xxv) Hélder Valério de Sousa

Caríssimo Branquinho

Confesso que, tendo-me habituado a que não falasses de 'ti nem do teu umbigo', percebi logo que este teu 'reenvio' não tinha nada a ver contigo e seria mesmo uma coisa inocente.

Por outro lado, depois daquele soberbo texto/trabalho sobre a(s) água(s), confesso que estava à espera dum sucedâneo, chamemos-lhe assim, a puxar para o esotérico, ou alquímico, sei lá, qualquer coisa sobre a terra (os diferentes chãos), ou o ar (o clima, o frio, o calor) ou então ainda o fogo (os nossos, os do IN, as queimadas). Não veio agora, mas vou aguardar pacientemente.

A avaliar pelas inúmeras reacções e pelo tipo e teor delas (quase, quase, na linha das que ocorreram a propósito duma namorada do António Graça de Abreu), este teu texto (reenviado...) vem provar que o pessoal não perdeu o sentido do humor (embora isto não seja totalmente verdade, em todas as circunstâncias e para todos os 'observadores') e que sabe bem, pelo menos de vez em quando, 'guardar as G3' e contar, relatar, estas histórias/situações pitorescas.

A prova do que digo está no facto de ter visto, quase depois de um ano passado (ou talvez mais..), ter visto, dizia, uma intervenção de um dos homens deste Blogue que foi para mim um dos primeiros (senão mesmo o primeiro 'audível') com que contactei e que dá pelo nome de de Vitor Junqueira, a quem aproveito para saudar.

Vamos continuar, pois para nos tornar cinzentões já chega o que dia-a-dia nos é imposto... (...)
 



(xxvi) Anónimo 

Básico para futuro Primeiro Ministro! Básico para Ministro da Economia! Básicos em defuntos Conselhos da dita Revolucäo!U m Básico a escrever estes comentários!...Näo vamos estar aqui,sistematicamente, a ofender  os nossos Camaradas Básicos!


(xxvii) José Ferreira da Silva     Silva da Cart 1689]


Camaradas Vinhal e Branquinho:

Curioso com a missiva anónima que chegou até vós, resolvi ir esmiuçá-la com o meu vizinho, Inspector da PJ, um mouro infiltrado aqui mesmo junto à "Escola Superior do Vaticano", de Olival/Crestuma, dadas as suas elevadas credenciais, alcançadas como colaborador de M. J. Morgado, na Operação "Apito Domesticado" da guerra santa contra os fiéis e, muito particularmente contra o nosso "Papa", e agora investido na luta pela "Vaidade Desportiva". Acreditei logo em resultados inequívocos. 

Eis as conclusões evidentes:

1 - O Oficial era o mais branco do grupo, já que os outros, excluindo o Capitão, eram ilhéus ou negros;
2 - Quem andava a comer a lavadeira era o Oficial porque sempre que ela se apresentava em serviço, sem as respectivas cuecas, aproveitava o momento em que ele se ia lavar, para enfiar as cuecas abandonadas;
3- O Básico, chatedo com os protestos e acusações do Oficial, oportunamente, aproveitou a presença dos ilhéus e da lavadeira para demonstrar a sua inocência, descompondo a referida profissional;
4 - Um dos ilhéus disse logo "Boa coma milho",  mas ficou-se à espera de ser servido;
5 - Outro fez movimento repulsivo, afastando-se de cu;
6 - O outro desapertava os calções e logo perdia a tusa.

Mais se concluiu que este Básico não era burro e que não é analfabeto. Aliás,é muito possível que:

a)- Tenha feito grande evolução através do ensino nas "Novas Oportunidades";
b) - A sua escrita seja perfeitamente enquadrada na normalização do português, através do "Acordo Ortográfico";
c) - Um dia destes apareça nalgum Ministério Governamental (já com diploma) ocupando um lugar de destaque e vendendo a pomada para a salvação do desgraçado País.

Um grande abraço do Silva para todos, especialmente para os ilhéus, nortenhos, alentejanos, guineenses, palestinianos, etc. e outos ilustres desfavorecidos.



(xxviii) Alberto Branquinho


Disse:

Agora, que parece que não há mais:

1º- Um obrigado a todos, mesmo não sendo "obrigado" a isso, incluindo (sem reserva mental) o Carlos Nabeiro que "enfiou" texto e contexto no "Curral das Moinas", pois sendo eu do interior norte (não de junto do "Puerto", mas onde se diz "Vijeu"), esse programa televisivo me diverte bastante (descontando um ou outro exagero).

2º. Em especal e acima de tudpo, as boas vindas ao Vitor Junqueira (Helder Valério "dixit") e... venha de lá essa frontalidade!

3º. Ao Artur Conceição, que sugere uma outra foto "diferente", reenvio o recado para o Carlos Vinhal, que, apesar de ter só três fotos - uma é menos "carrancuda".

3º. Ao Silva da nossa CART 1689 direi que, quanto ao "ufissial" andou lá perto, mas não identificou a personagem. (Se o vir, será segredo nosso). (...)


(xxix) Alberto Branquinho

Meus senhores, desculpem voltar ao "palco". É que me esqueci de agradecer ao meu advogado José Belo e, além disso, esclarecê-lo sobre essa coisa do "vossemessê". Salvo melhor opinião, esta expressão, ainda muito usada pelo menos no Alto Douro e em Trás-os-Montes, é o resultado da contracção do tratamento mdieval "vossa mercê", devendo, portanto escrever-se "vossemecê". Está correcto?


(xxx) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

É sempre uma honra para mim, quando, em humilde obscuridade,vou tendo oportunidade de zelar pela verdade,e muito principalmente pela Moral. 

No caso presente "as cuecas do Sr.oficial", creio ter ficado provado que leituras apressadas por parte de alguns (e de modo algum lapsos freudianos!!!) fizeram surgir perversidades evidentes, e não menos, amoralidades decadentes. 

Creio ter ficado bem demonstrada a inculpabilidade do Sr. Of. quanto a quem colocou as cuecas onde as testemunhas as vieram a encontrar.E cito:"Nas deliciosas partes baixas da lavadeira". Houve uma busca evidente de misturar "vacas sagradas"(pertencentes a outras paragens geográficas), neste caso sórdido. Para tal,foram retiradas,literalmente ,do ego do nosso Camarada Básico as seguintes palavras quando se refere ao Sr. Of.: "Ele num é de confiar de todo".

A partir daqui,e como o Dr. Lobo Antunes täo bem aprendeu,procurou-se apoucar a honestidade do camarada Básico,quando alguns despeitados insinuaram possível participacäo desta honrada Especialidade Militar em traiçoeiros, e felizmente defuntos, Conselhos de uma tal Revolucão (?) e outros anarquismos semelhantes.(Só faltou dá-lo como ordenança de um certo Sr. Oficial do COPCON,mas felizmente que para tudo há limites nisto de destruições de gente honesta...que o digam os nossos geniais governantes!). 

Outros ainda,tomando caminhos do demo,vieram apresentar imagens lúdicas destes honrados camaradas Básicos "amando com furor", como se de alimárias se tratassem, sobre a mesa das sagradas refeições compartilhadas pelos quadros de uma guarnição que, perdida algures na selva africana,defendia com armas na mão a civilizacäo ocidental...e näo só! 

Outros procuraram encaminhar as atenções gerais para drogas e narcóticos,criando uma imagem do nosso Camarada Básico digna das Docas de Lisboa à noite.Alguns,em despudores pagãs atreveram-se a sugerir a intervenção de..."Peritos da Gaita", para esclarecer detalhes impassíveis de serem aqui referidos! 

Depois disto tudo,e tendo procurado defender de alma e coracäo o Sr. Oficial,  proprietário das cuecas,tomo a liberdade de lhe dar um pequeno conselho-lapão:

"Caro Camara!. Não volte a usar  (!!!) as cuequinhas cor-de-rosa com rendinhas que nunca resiste a comprar quando passa por Paris!. As pobres das lavdeiras também são "femeninas'!"

PS - Caro Amigo Alberto Branquinho, segue por correio registado a carta com o recibo dos custos do julgamento para assinares.


(xxxi) Alberto Branquinho

Senhor meu advogado José Belo

Vossemecê desculpe, mas quem não sabe é como quem não vê.

Gostei muito das suas "alegações finais", mas como não sei nada de direito lapão, não percebi se fui absolvido ou se fui condenado ou se foi condenado o outro que tirou ilações precipitadas sobre as cuecas na entreperna da lavadeira.

Se entendi bem, as tais "cuecas cor-de-rosa com rendinhas" são assim a modos como as nossas "pulseiras electrónicas" a serem usadas pelo condenado. Portanto, sou eu ou o outro camarada que está condenado a usá-las ?

O seu cliente, atentamente
Alberto Branquinho


(xxxii) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

Será que estes meus mais de 34 anos longe da Pátria...? Estamos os dois a falar de A-D-V-O-G-A-D-O-S ? "Perceber-se" se foi condenado ou absolvido? Haverão diferenças tão mesquinhas no nosso querido Portugal de hoje ? 

Mas,francamente! Näo é para isso que me paga! Para mais,não sendo V.Exª o Oficial proprietário das cuecas de renda....(por amor de Deus näo me venha agora dizer outra coisa!) e tendo o seu amigo sido ilibado das insinuacöes vergonhosas, sim...vergonhosas,do tal leitor freudianamente apressado...a haver justica (ah!)...terá que ser ele a enfrentar o problema das "cuecas-electrónicas" por si referidas. Mas, como ele há cada perverso....será mesmo um "castigo"? Sejamos modernos...Tá?

(xxxiv) Alberto Branquinho  

Senhor meu advogado José Belo

Prontos. Está tudo esclarecido e acabado. Mande a conta, faz favor, pela Aurora Boreal, ao cuidado da D. Alzira, que é a minha porteira, que também é do Norte e que diz que ainda é prima da Aurora.
Obrigados. (...)


(xxxv) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

(PERANTE A ÂNSIA DOS EDITORES DO BLOGUE!....Que Deus lhes pague!). 

Caríssimo Alberto Branquinho.

Sendo a tua(salvo seja), D. Alzira, do Norte,e o nosso Camarada que "estraçalhou" por toda a Cibernética este problema relacionado com as C.C.R.(E isto em linguagem de Estado-Maior quer dizer....cuecas cor de rosa)...também ser do Norte...haverá a mínima possibilidade de ambos serem coniventes nestas bestialidades inarráveis (tipo relacionamento dominatrix/escravo?).

Eu sei...eu sei...eu sei!Esta hipótese seria muito mais lógica pelos Estoril,Cascais,ou outras localidades da "Linha" da minha juventude distante.(Atenção!Nada a ver com a rapaziada da Tabanca da Linha!T'ARRENEGO!). Mas no Norte? O Norte de Guimaräes?dos nossos "Máiores"? Aí, deve haver alguma calúnia por ti(involuntariamente...espero) levantada.Eu sei que no Registo consta ser o Pai da Alzirinha um tal Jorge com profissäo de pescador do bacalhau na Guiné-Equatorial.A ser assim,que faria o Algarvio que andava lá sempre metido em casa? É que,como muito bem se sabe,isto de Algarvios...principalmente aqueles que se mudam para serranias...a norte...e se chamam José...tem o que se diga!(atencäo! eu sou José mas lisboêta e aos costumes disse nada!).De qualquer modo,näo é nada que uma boa,e atenta leitura dos Arquivos do Estado Maior General das Forcas Armadas/2-Reparticäo/ näo acabe por esclarecer. Sempre ao dispor com toda a Estima &Consideracäo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 13:09:00 WEST 


(xxxvi)  Torcato Mendonca


Abri agora isto. Andando ao rolar do rato ...e zás - 34 comentários por umas cuecas e que já estão com renda e cor de rosa. Diacho??!!! Que raio de cor...nos tempos que correm cada um consome do que gosta. Mas fala-se de um algarvio com o nome José...terá a ver com o Simplesmente José?? Esse tipo lá não usava cuecas. Bem de quando em vez sim.

Se roupa ofertava á lavadeira era soutien (nº 36,38??? sem memória numeral)e panos, lindos panos de África deles...e, quanto a direito, bem, bem mais outrora que hoje mas pronto para cooperação e há cada uma...

José Simplesmente José

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 15:55:00 WEST 

(xxxvii) Torcato Mendonca 

Não está em causa o escrito. Gostei e assim comentei. O Alberto Branquinho escreve assim e bem.
Felizmente para ele e para nós.

Não retiro nada ao que anteriormente disse sobre "básicos,cuecas,  gaitas e anexos, lavadeiras...e oficiais.

Só tem a ver com sulista e nortenho...fez-me lembrar a barraca de um politico ainda no activo... (...)



(xxxvii) José Càmara

Mejo amigos,

Isto de botar opinião é cá cagente!

Todos nós chó shabemos ibentar berdades. Achim é qué bom! Shomos todos igalinhos.

Um amigo nócho diche aqui que as labadeiras tinham chido todas comidas com as cascas das chabolhas em chima da meja. Portanto as labadeiras tinham chido comidas.

Vamos aplaudir o nosso bajico ibentado por ter uma memória tão boa. Ochalá que a nocha estiveche tão rota.

Como os burackos que nós ujáavamos chó cherviam para recheber a bijita dos nochos amigos que moravam do outro lado da bolanha, icho shignifica que nós tinhamos que labar as nossas (chó as nochas) coijinhas à mão.

Aquilo às vejes dava muito trabalho a labar pois estavam muito duras. Para ficarem bem labadinhas tinhamos que esfregar aquilo muitas vejes. Ficavamos chempre chatiche feitchos com o nocho trabalho.

Eu já não me lembro da cor das minhas cuecas mas chei que tinham chido rompitas na frente.
E hoje eu não pocho mais. Já estou miuto eschanchado de olhar para ver se ainda ujo cuecas rotas na frente. Agora quem as lava é a minha madrinha de guerra. Ela às vejes pergunta quem é que lava melhor. Se ela ou as labadeiras da Guiné. Eu digo que não chei pois as da Guiné tinham chido todas comidas antes de eu chegar lá.

Antão ela fica muto contente, porque quer ser a única que chabe lavar a minha roupinha.
Por icho eu mando um abraço muito estrechado para o meu amigo basico iventado, e para os outros que me fijeram estar muito cotente com as bochas opiniões.

Shempre she aprende qualquer couja nova no nocho blogue que já é muto grande. E agente para mandar cartas aos nochos amigos já nem prejijamos de por stampas nem comprar envelopes. É c'ma che foche um aragrama do nocho tempo.

Eu não chei c'ma aprender mais uma tonga. Já falava duas e agora chão três.Mas não chei qual delas eu usar melhor.

Che for prejijo eu tradujir mandem-me um aragrama por via bate-estradas. Da terra das caboiadas
Jé Câmara

PS - Daqui faço homenagem sentida aos básicos da minha companhia. Para além de serem excelentes pessoas e militares conscientes (tive a oportunidade de os abraçar no nosso último convite da CCaç 3327) também tiveram bastante sucesso na sua vida profissional.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 17:49:00 WEST 

(xxxviii) Anónimo

A barraca de UM (!) político?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 18:00:00 WEST 

(xxxix) José Marcelino Martins

Meus caros camaradas e amigos e em especial ao Branquinho.

Tenho evitado de me pronunciar sobre este tema porque, de básico não tem nada. Isto deve ser cultura de alto gabarito que, para mim, se torna dificil de entender, já que ainda estou na primeira fase das Novas Oportunidades, depois irei à segunda fase e, espero, usar o acordo de Bolonha, para me instruir.

Concluo no entanto que, nesta matéria, estamos muito mais atrasados hoje que na Guiné em 1974.
A CCaç 5, unidade formada por tropas da província,  não tem, nos mais de 400 nomes que compilei relativos de Agosto/61 a Agosto/74, não encontrei nenhum Básico.

Será que já havia uma Outra Oportunidade que só cá chegou agora?

Nota: este texto não foi elaborado ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, pelo que se tiver erros, são mesmo erros

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 21:15:00 WEST

(Seleção, revisão / fixaºção de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG: