
1. Em todas as nossas terras havia uma venda, ou pelo menos uma taberna. Multifunções na aldeia: mercearia; drogaria; loja de bugigangas, tachos e panelas; carvoaria; casa de comida ou de pasto; pensão, hospedaria (de beira de estrada), etc. ... Mais especializada na vila, onde havia mais oferta e maior número de estabelecimentos comerciais. Mas, em geral, a taberna também é casa de comida, de petiscos , etc. O taberneiro não podia viver só dos " copos de três"...
No seu romance, "3 x 44: Abel e Caim en Contrapé" (Porto: Vida Económica, 2026, pp.33-36), o António Carvalho tem uma primorosa descrição da "venda da igreja", no lugar de "Emendadas" (leia-se: Medas, Gondomar), em plena II Guerra Munidal.
Para além da função comercial (estabelecimento onde os aldeões, os vilões e até os viajantes se abasteciam do que precisavam para a sua subsistência ou viagem), a venda (misto de taberna, merceria, casa de pasto e até hospedaria) era um local de socialização por excelência. E um dos raros espaço de liberdade ou de evasão, naquela época, no Portugal provinciano do Estado Novo.
Era um espaço masculino, tal como a igreja e o lavadouro público eram territórios femininos. A mulher não entrava na tasca, mandava o filho mais velho fazer alguma compra de última hora. "In extremis" , entrava na tasca para trazer para casa o homem com vinho a mais.
A minha terra, uma vilória do Oeste, teria uma meia dúzia de tabernas, quando eu era puto: umas evoluiram, outras extinguiram-se. O cheiro a sarro, a serradura no chão, a peixe frito, a vomitado e a lixivia ainda está "entranhado" nas minhas memórias de infância...
Uma das últimas, que eu frequentei, com o jornal diário ("Diário de Lisboa") ou um semanário ("Comércio do Funchal" ou " Notícias da Amadora") e um livro debaixo do braço, já depois de vir da Guiné, em 1971, era a "Taberna do Macaco".
Era uma tasca icónica, e também casa de pasto, conhecida, ironicamente, por "Sociedade de Geografia", por nela ter assento a "nata" local dos "colarinhos brancos", a pequena burguesia do funcionalismo público (câmara municipal, tribunal, finanças, conservatórias, grémios, etc.). Funcionava como tertúlia, ao fim da tarde, depois de fecharem os serviços. Também servia de escritório para os solicitadores...
A expressão, "Sociedade de Geografia", é atribuída a um poeta local, o saudoso Mariano Vicente (1917-1977), homem de fino trato, de verbo fácil, autodidata, que era contabalista da firma José Maria Carvalho, e que foi escritor, jornalista, poeta de talento, e um dos raros lourinhanenses que se assumia publicamente como figura da oposição democrática local. Seria depois autarca a seguir ao 25 de Abril. Infelizmente morreu cedo, aos 60 anos.
O topónimo, "Taberna do Macaco", advinha-lhe da existência de um pobre babuíno ("macaco-cão", no crioulo da Guiné), trazido por antigo combatente lourinhanense, no regresso da guerra de Angola, logo no início.
Do alto do seu poiso, numa trave de eucalipto, o bicho assistia a acaloradas partidas de chinquilho, jogatanas de sueca ou de bisca, e também a umas rodadas de "tinto", acompanhando os pratinhos de salada de polvo ou postas de moreia e de "arraial" fritas.
Morreu no exílio e, por certo, de saudade dos cafezais do Norte de Angola, o macaco. E sem nunca ter ouvido discussões, em voz alta, sobre a guerra do ultramar, tema que era tabu.
Sem preocupações de sermos exaustivos, nem muito menos originais, vamos continuar a procurar referências literárias à "Venda" que, no séc. XX, passa a ser sobretudo a "Taberna" (ou a "Tasca"), e que sobreviveu até ao 25 de Abril de 1974. (*)
Neorrealismo português (meados do século XX): a representação da venda e da taberna
Há aqui uma profunda viragem ideológica e estética, em relação ao romantismo e ao naturalismo do séc. XIX.
O espaço perde quase por completo a conotação pitoresca, folclórica, romântica ou até pícara do séc. XIX e as primeiras décadas do séc. XX, para se converter no foco da consciência de "classe", do desespero e da opressão social. (Para já fica de fora desta análise, a taberna dos bairros populares de Lisboa, intimamente ligada à história do fado.)
Se no séc. XIX a venda, no interior do país, era o poiso do viajante, do almocreve, etc., a par do local das bisbilhotices da aldeia mas também o sítio onde chegavam, atrasadas, as notícias da capital, é no romance neorrealista que ela assume mais nitidamente três funções fundamentais:
(i) espaço da servidão financeira: é onde o camponês, o ganhão, o jornaleiro, oo cavador de enxada, o mineiro ou o operário gasta a sua féria, jorna ou salário, vende a sua força de trabalho a eito (aos agentes da "praça da jorna", aos recrutadores de mão-de-obra), empenha a pouca terra que tem ou amanha, acumula a dívida do "fiado" na caderneta da loja, ficando, enfim, acorrentado ao comerciante ("vendeiro" ou "taberneiro" ) ou ao lavrador abastado;
(ii) "válvula de escape" do alcoolismo: o álcool (o vinho e o bagaço) surge como um anestésico amargo contra a miséria, o cansaço do trabalho esgotante e o desemprego sazonal (e nomeadamente no inverno);
(iii) fórum da solidariedade e da revolta de "classe": é na penumbra da venda ou da taberna, longe dos olhos daos patrões, das autoridades e das polícias ( a GNR, a PVDE / PIDE), que nascem os sussurros de greve, de incitações á revolta , a solidariedade entre o proletariado (urbano e rual) e a tomada de consciência política.
Três autores, entre outros, podem ser aqui citados, ligados à estética neorrealista. São hoje, injustamente, tratados como "escritores menores", sobretudo pela crítica académica. Ou, pelo menos, estão já esquecidos, apesar da existência, em Vila Franca de Xira, do Museu do Neorrealismo.
Acrescente-se, a propósito, que aescolha de Vila Franca de Xira não foi casual; a região do Ribatejo, as lezírias, o trabalho duro no campo e no Tejo, a conflitualidade social etc., serviu de cenário e inspiração direta para obras estruturantes como o romance Gaibéus (1939) de Alves Redol, ou o Cerromaior, de Manuel da Fonseca (1943), que são justamente considerados dois marcos fundadores do movimento neorrealista; o museu consolida essa ligação identitária entre o território e a criação literária.
- Manuel da Fonseca: a taberna alentejana como palco do drama social
Manuel da Fonseca, alentejano de Santiago do Cacém, foi talvez quem melhor terá captado a atmosfera densa e dramática das vendas / tabernas das vilas e montes do Alentejo. Retrata o Alentejo com um tom lírico e social, onde a venda é um símbolo da comunidade e da identidade local. A taberna é um refúgio escuro de homens de chapéu enterrado até às orelhas.
Em Seara de Vento, a mercearia é um espaço de resistência cultural, onde se preservam tradições orais.
A taberna é o centro gravitacional onde a fome e a opressão dos ceifeiros desempregados se condensam:
(...) "A taberna estava cheia de uma fumaça densa que fazia doer os olhos. Homens de braços cruzados, encostados ao balcão de madeira gasta, ouviam em silêncio. Não havia dinheiro para o vinho, nem sequer para o fiado. O taberneiro olhava de lado, com a caderneta das dívidas aberta sobre a gaveta do tinto. Ali, no escuro daquele compartimento que cheirava a aguardente e a suor antigo, a raiva dos homens não fazia barulho: crescia por dentro, devagar, como o fogo na ceifa." (...)
Cerromaior (1943) / O Fogo e as Cinzas (1951) (contos)
Nas suas narrativas curtas, as vendas de beira-estrada alentejanas são descritas com um lirismo duro: o jogo da bisca, o murmúrio dos homens sós e o olhar vigilante dos proprietários rurais (ou dos seus maiorais ou manajeiros) que controlam quem bebe, quem fuma, quem se avia quem fala...
Em Cerromaior (1943), a venda, o café e o clube são três lugares distintos, social e espacialmente segregados:
(...) " - Então, por cá Maltês ?
Maltês não respondeu, entretido em arranjar as calças em volta da corda que lhe servia de cinto, A seguir torceu as pontas do colete, que pingaram para o chão escuro da venda, e uniu-o, ajeitando-o sobre o peito arqueado.
Chegou-se ao balcão.
- Enche-me um dos grandes, Brissos.
O homem da venda olhou-o, inquisitivo. Maltês aparou-lhe o olhar, sereno, como se não temesse nem devesse. O Brissos curvou-se, encheu o copo. Maltês esvaziou-o. Pediu outro. O sol aparecia, luminoso, por entre a chuva miúda que abrandava. Voltou atrás, jogou a manta paar o ombro. Rapidamente, à laia de despedida, disse:
- Mete na conta, Brissos. " (...)
- Alves Redol: o feitor, o fiado e o trabalho duro
Em Alves Redol, o pioneiro do movimento com Gaibéus (1939), a venda e a taberna no Ribatejo e na lezíria surgem intimamente ligadas à exploração do trabalho agrícola sazonal. São espaços fundamentais no Ribatejo rural, onde se retratam as condições de vida dos trabalhadores do campo (gaibéus, ceifeiros) e do rio (avieiros).
Além dos Gaibéus, outras obras de referência são Barranco de Cegos (1961) e Avieiros (1942)
Em Avieiros, a taberna à beira do rio é um local de abrigos para os corpos cansados para os trabalhadores do Tejo.
Gaibéus (1939):
(...) "A loja do senhor Tomé era o coração faminto da aldeia. Vendia-se lá de tudo: desde o petrópio para os candeeiros ao bacalhau duro como tábua. Mas o que mais pesava na loja era o lápis do vendedor a apontar no caderno as somas do fiado dos camponeses. Cada côdea de pão levada para casa vinha carregada com os juros da miséria. Na taberna ao lado, os ceifeiros ribatejanos afogavam a mágoa do salário de fome em quartilhos de tinto carrascão." (...)
Em Fanga (1943), Redol explora a figura do pequeno comerciante da venda que, embora pertencendo ao povo, atua muitas vezes como intermediário e instrumento de pressão dos grandes latifundiários sobre os camponeses enfraquecidos pelas dívidas.
Fernmando Namora (Condeixa-A-Nova, 1919 - Lisboa, 1989)
- Fernando Namora: a taberna das Beiras vista pelo João Semana
Em Fernando Namora, particularmente nos romances de ambiente rural da Beira Baixa e Serra da Estrela, a venda e a taberna surgem vistas através do olhar do médico de aldeia, o "João Seamana", que testemunha a degradação física e moral causada pelas condições de vida.
Retalhos da Vida de um Médico (1949/1963):
(...) "A taberna do Ti Bento era um antro enfumaçado onde a gente da serra se ia encharcar em vinho roxo para esquecer a geada e a fome. O ar era irrespirável, impregnado do cheiro a sardinha assada, a sabão e a roupas encharcadas pela chuva.
Naquela penumbra, entre um gole e uma praga, viam-se os rostos chupados pela maleita e pela tuberculose. Para aquela gente, a taberna não era um vício: era o único posto de socorro contra a dor de viver." (...)
Mina de S. Francisco (1946):
Nas zonas de mineração do volfrâmio, a venda torna-se a "loja da empresa" ou o estabelecimento explorador onde o mineiro deixa o magro salário do mês antes mesmo de o receber, trocando o seu suor por víveres de péssima qualidade. (A ação do romance situa-se no Fundão.)
Síntese das diferenças estéticas sobre a venda / taberna na literatura dos séc. XIX e XX
(i) Século XIX (Camilo, Eça)
- Ambiente: pitoresco, acolhedor, idílico, pícro ou tragicómico.
- Vinho: elemento de folguedo, apetite e convívio rústico.
- Função: pousada de viajante, troca de notícias da capital.
- Protagonistas: almocreves, fidalgos, morgados e estalajadeiros/as.
(ii) Século XX (Neorrealismo) (Alves Redol, Manuel da Fonseca)
- Ambiente: denso, enfumaçado, claustrofóbico e tenso.
- Vinho: anestésico contra o desemprego, a fome, o frio e o desespero.
- Função: mecanismo de endividamento e controlo social.
- Protagonistas: ceifeiros, jornaleiros, operários, mineiros e o "fiador".
A "venda" (merceria, taberna, loja) na literatura portuguesa dos séculos XIX e XX assume múltiplas funções:
(ii) crítica social (retrato das desigualdades e conflitos de classe) (neorrealismo: Alves Redol, Manuel da Fonseca);
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8 comentários:
Ora bem, aqui está um assunto sobre o qual talvez tenha algo a dizer.
Provavelmente, será escasso mas, em todo o caso, aqui vai.
Independentemente do que a IA consegue interpretar dos textos do nosso camarada e do enquadramento que lhes dá, é preciso contextualizar um pouco, pelo menos.
De um modo geral parece haver duas ideias fortes, a taberna e a venda, nas quais a vida, entendida aqui como a vida social da comunidade, se desenvolvia.
Podem ser "quase" a mesma coisa mas têm realidades diferentes.
Na "venda" podia-se encontrar uma quantidade muito variada de artigos e produtos, para além das conversas, das notícias, das novidades. do diz-que-diz.
Claro que o que o António Carvalho retrata, embora inspirado na realidade da sua terra, acaba também por se "colar" a muitos lugares do nosso país, principalmente às datas que se referem.
Por exemplo, na minha terra, numa aldeia junto ao Cartaxo, portanto no Ribatejo, havia lugares de "venda", uns mais recheados, como a do Afonso e a do Borda d'Água, outros menos, caso de mais uns três e no Afonso, que conheci bem, por ser do meu padrinho, vendia-se tudo, desde produtos alimentares a comida para animais, tecidos, artigos de limpeza, pão, até fazia de posto de correio, etc.
As conversas mais "complicadas" eram, não nas tabernas, mas sim nos dois ou três barbeiros. Aí sim, havia quem lesse os jornais, os "explicasse", ajudasse a formar opiniões, para além das que eram vertidas nas homilias.
Quanto às tabernas, na minha aldeia também havia várias, sendo a mais notória a do "Zé da Leonor", normalmente com discussões acaloradas sobre acontecimentos desportivos (como hoje, afinal, noutras "tabernas") mas não tenho nenhuma memória de ter ouvido algo sobre a vida das pessoas, não no sentido individual mas da comunidade.
Onde cresci, numa então Vila bastante desenvolvida, ainda havia (e há) tabernas, normalmente para petiscar, o "Zé Parente", o "14 e 8", o "Cachoeiras" e tantas outras, mas eu já pertenci a outra geração, à dos "cafés".
Acho que seria interessante perceber essa evolução, desde a tasca, da taberna, do café, do "pub", da discoteca, e por aí fora, até aos dias de hoje, do isolamento, da interioridade.
O movimento a que se chama de neo-realismo tem de facto um edifício (por sinal, interessante) e nele se procura perpetuar ou, pelo menos, prolongar a memória de tantos escritores, intelectuais, artistas plásticos que deram corpo a essa corrente.
E faz sentido que esse edifício esteja ali plantado, já que vários nomes desses por ali, pela Vila, foram vivendo e dando corpo às sua prática.
Claro que os que são aqui citados o são muito justamente, mas pode-se acrescentar o Soeiro Pereira Gomes, o Aquilino, etc, que a listagem não fica a perder.
Por ter incorporado a Secção Cultural da UDV (União Desportiva Vilafranquense) com diversas e diversificadas atividades, acabei por ter mais alguma afinidade com o Alves Redol, que deu o nome à Biblioteca dessa Secção (e que ajudou a formar e a educar para a cidadania muitas pessoas) e da qual para além de ser o patrono também intervinha em algumas palestras.
E pronto, acho que já comentei....
Com este contributo, tipo adenda bem exaustiva, do nosso Helder Valério, esta tema parece prescindir de mais palavras. Mas quem quiser há de saber acrescentar mais qualquer coisa, qualquer especificidade própria do tasco da sua terra. Faltam aqui comentários de combatentes transmontanos, das aldeias mais recônditas onde a electricidade só chegou depois de Abril. Falasse o nosso Francisco Baptista...!
Carvalho de Mampatá
Helder
Gostei. Muito bom e, ao que parece, tens muito mais para dizer... "lá dentro".
Obrigado, Hélder, senhor provedor do leitor! E obrigado Carvalho de Mampatá, que tivestes a ousadia de fazer da "venda da igreja de Emendadas" uma referência liyerária... Tal como a venda do Brissos, do romance "Cerromaior", do Manuel da Fibnsneca (1943).
O extenso comentário do Hélder, que é ribatejano, ajudar-nos a perceber melhor a complexidade, a variedade e a dinâmica do fenomeno da venda, enquanto estabelecimento comercial e local de encontro e convívio.
Estive a reler o romance do Manuel da Fonseca, 'Cerromaior" (adaptado ao cinema em 1980 pelo Luis Filipe Costa), cuja ação se passa nos anos trinta, ao tempo da guerra civil espanhola (1936-1939). E o cenário é Santiago do Cacém, onde de resto o autor romance na infância e adolescência. Nao há referência à taberna, há três tipos distintos de locais de consumo, encontro e convivio, frequentados por gente diferente: (i) venda (ceifeiros, malteses...), café (povo da vila, trabalhadores de ofício, funcionalismo público, pequena burguesia), e clube (elite, presidente da câmara, grandes proprietários). E há os caixeiros que vêm de fora e abastecem a venda e outros estabelecimentos.
Falta aqui o barbeiro, muito importante da nossas terras da Estremadura e do Ribatejo, como bem refere o Hélder. Era aqui que se discutia política, enquanto se eseparava pela vez ou se cortava bnarabe cabelo; era aqui se comentavam os aconteciemntos locais e nacionaius (políticos, sociais, desportivos...); era aqui se folheavam os jornais diários ..
Cada barbeiro/berbaearia tinha a sua clientela própria. O meu, o Bernardino Anastácio, chegou a ser importunado pela PIDE/ DGS. Foi levado até ao posto de Peniche. E depois solto. A única coisa suspeita que tinha na barbearia (e em casa...) foi uma bíblia...protestante. Mas foi a sua coroa de glória. Tionha muito orgulho em ter sido preso pela PIDE/DGS... Passou a ser o grande antifascista da terra...
Na minha terra,Lourinhã, não me lembro nos anos 50 de haver vendas. Nas aldeias havia. Na vila, não. Havia, sim, mercearias ( pequenas e grandes), tabernas, cafés e, claro, o "clube", onde também funcionava o cinema local. A taberna sempre foi tambem, e até tarde, casa comidas e petiscos, "casa de pasto". Mais tarde uma ou outra evoluiu para "restaurante".. O consumo, a procura, o desenvolvimento, o turismo, a saúde pública, a fiscalização económica, a sócio demografia, etc. , e que ditaram o fim da tasca...
A taberna sempre foi combatida por dois tipos de "fascismos" : o "sanitário" e o "politico-ideológico"... E nomeadamente nas zonas industriais, nos bairros populares de Lisboa e Porto, por ser um potencial foco de infeções de corpos e almas
Havia dois tipos de vírus a combater, os biológicos e os subversivos...
Sim, Hélder, faltam mais nomes, entre os escritores (para não falar dos pintores)... E entre eles o Soeiro Pereira Gomes (1909–1949) (que conheço mal, só li os "Esteiros", que ele dedicou "aos filhos dos homens que nunca foram meninos".)... Curiosamente, nasceu em Baião, Gestaçô, a terra das bengalas e do bom vinho verde da casta Avesso, ali a escassos quilómetros de Candoz... Logo "meu vizinho", tal como o "príncipe Jacinto da Quinta de Tormes (do Eça de Queiroz, de "A Cidade e as Serras")...
O Soeiro Pereira Gomes saiu cedo de Gestaçô, aos 6 anos... Dos 6 aos 10 viveu em Espinho, onde está sepultado, Mas a sua terra de adoção e coração foi Alhandra.
São escritores, os do neorrealismo, injustamente esquecidos. E que documentaram, pela ficção (conto, novel, romance) e pela poesia um Portugal, o nosso, em que nascemos e cerscemos, os anos 30, 40, 50, que já desapareceu.
Hoje por exemplo um jovem escritor não sabe o que é uma "tasca" ou uma "venda"... Vai ao "pub", uma modernice importada da taberna inglesa e irlandesa... (Do inglês, "public house")...A IA manda-te explicar, explicar aos estrangeiros, a nossa "tasca" como sendo "the traditional Portuguese pub"...
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