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domingo, 4 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28402: Humor de caserna (295): A culpa toda foi de um 'sacana' de Sintra, chamado Diogo Gomes, o primeiro "tuga" a "beber a água do Geba" em 1456...




 


















Prompt original e orientação editorial: Luís Graça.
Fotos: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné |  José Torres Neves (2026)
Geração gráfica assistida por IA (ChatGPT/OpenA | Gemini  / Google)


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Nota do editor LG:

15 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Citando o nosso próprio blogue, onde a expressão é amplamente usada, aIA (ChatGPT) explica ao leitor o que quer dizer "beber água do Geba":

(...) A expressão «beber a água do Geba» (ou beber água do Geba) é uma metáfora popular associada à Guiné-Bissau e à memória da guerra colonial (1961–1974). Significa apaixonar-se pela Guiné-Bissau, ser fascinado ou marcado profundamente pela terra, pelas suas gentes e pela sua cultura, ao ponto de criar um vínculo afetivo duradouro e sentir saudades de lá voltar.

Origem e Sentido da Expressão:

(i) O Rio Geba como símbolo:

O rio Geba é uma das principais vias fluviais e artérias vitais da Guiné-Bissau, banhando regiões históricas e a capital, Bissau. Sendo o rio emblemático da geografia guineense, "beber da sua água" simboliza a absorção da essência da própria terra.

(ii) O mito da ligação à terra:

É uma variação de uma crença popular presente em várias culturas e regiões do mundo (segundo a qual "quem bebe da água de determinado rio ou terra fica para sempre ligado a esse lugar ou lá voltará").

(iii) Uso no Contexto do Ultramar:

Durante a Guerra Colonial, a expressão era frequentemente usada entre os militares portugueses (e os poucos colonos que lá existima) para descrever aqueles que, apesar do contexto de conflito e da dureza da experiência, ficavam irremediavelmente rendidos e encantados com o país e a sua população.

Em resumo: Dizer que alguém "bebeu a água do Geba" é dizer que essa pessoa ficou contagiada pela magia da Guiné e pela hospitalidade do seu povo, guardando para sempre uma ligação afetiva ao país.(...)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Muito por culpa da apropriação abusiva, pelo Estado Novo, da "epopeia dos Descobrimentos", acabámos por deitar fora a criança com a água do banho...a seguir ao 25 de Abril, confundindo de maneira primária e tosca a nossa história dos séc. XV e XVI com o "colonialismo" tout court"... Faz-me pena a nossa ignorância... que nem sequer é santa.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Os historiadores dividem-se sobre a chegada de Diogo Gomes até perto da Foz do Corubal. E mais exatamente ao sítio a que hoje chamamos Porto Gole, A tradição histórica local atribui a Diogo Gomes a chegada a Porto Gole em 1456; há inclusive o monumento nosso conhecido, de 1946, que assinalava essa passagem (V Centenário do Descobrimento da Guiné).

Temos de ser cautelosos, e não "embaracar na caravela da propapaganda" do Estado Novo...

Mas dávamo.nos jeito que assim fosse... Honestamente temos admitir que não há "priova documental" de que o "sintrense" Diogo Gomes tenha navegado até ao actual Porto Gole. Seguramente que não navegou no Geba Estreito, do Xime até Bambadinca... Seria um "suicídio"...

E há uma razão náutica muito forte para sermos cautelosos: é difícil de imaginar uma caravela de meados do século XV a subir o Geba até muito para montante: com a falta de vento, o macaréu, as margens cobertas de mangais, etc.

O relato de Diogo Gomes diz que encontrou fortes correntes e que acabou por voltar para trás. A tradição historiográfica situa o seu limite no Rio Grande/Canal do Geba... O que parece ser verdade factual é a chegada do nosso antepassado, em 1456, pelo menos até ao Rio Grande, identificado hoje pelos historiadores com o canal/estuário do Geba. (Há uma confusão com o Rio Grande de Buba...).

Portanto, Porto Gole pode ser apresentado como o local tradicionalmente associado à sua passagem, mas com a indicação de que a identificação não é documentalmente segura.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Mas quem é "barra" nestas matérias (leia-se: catedrático) é o nosso crítico literário, escritior e amigo do Teixeira da Mota, o Mário Beja Santos. Infelizmente, ele é raro descer à "cave" do blogue, ou seja, à "caixa de comentários" onde os "básicos" como nós "amandamos" as nossas postas de pescada, os nossos "bitaites"...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Proposta ao Manuel Resende, o "mansa" da Tabanca da Linha: (i) o Diogo Gomes era da "linha", isto é, nasceu em Sintra; (ii) foi o primeiro de nós a "beber água do Geba"; (iii) embora já tenha morrido (no início do séc. XVI), deve ser lembrado e honrado como o primeiro "magníco" da nossa Tabanca; (iv) foi o primeiro a perceber, muito antes do Amílcar Cabral e do Spínola, e de todos nós, amigos e camaradas da Guiné, que as "guerras" se ganham, mais do que pela força das armas, pela "conquista dos corações"...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Manel. a proposta é minha, Luís Graça, que não sou "mansa" de coisa nenhuma, mas que gosto de brincar com coisas sérias...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Se não fora o Diogo Gomes, o Amílcar Cabral nunca teria existido...

Não existem registos teóricos ou discursos, que eu eu saiba, onde o Amílcar Cabral faça uma crítica textual direta ou prolongada à figura individual do navegador português Diogo Gomes, historicamente associado ao "achamento" ou exploração da Guiné e de Cabo Verde no século XV.

É pena. Mas não é difícil de imaginar que o nosso agrõnomo, a escrever sobre o "saloio de Sintra", perfilhado por (e protegido de) o "escravocrata" Infante Dom Henrique, ele teria dito raios e coriscos...

Enfim, sabe-se qual era a perspetiva de Cabral sobre Diogo Gomes e outros navegadores da época, para não falar de "lacaios do colonialismo" como o Honório Barreto, o António Carreira, o Sarmento Rodrigues, o Spínola: enquadra-se inteiramente na sua crítica profunda ao modelo historiográfico colonial. Para Cabral e para a "ideologia de libertação nacional" do PAIGC, os pontos fundamentais sobre este tema são:

(i) Desmistificação do "achamento": Cabral rejeitava a narrativa eurocêntrica e colonial de que a Guiné ou Cabo Verde tinham sido "descobertos" ou "achados" como se a sua história tivesse começado apenas com a chegada dos europeus. Ele defendia a recuperação da identidade e a "descolonização da mente", afirmando que os povos africanos já tinham a sua própria história, cultura e estruturas sociais muito antes do século XV (o que o próprio Diogo Gomes constatou com os seus próprios olhos)...

(ii) A História como "instrumento de opressão": na visão (redutora) do líder anticolonial, exaltar figuras como Diogo Gomes (que inclusive mereceu monumentos erguidos pelo regime colonial em Bissau e na Praia, por pocasião do V Centenário do Descobrimento da Guiné...) servia apenas aos propósitos políticos da metrópole "colonial e fascista", para justificar a dominação, o comércio de escravos e a suposta "missão civilizadora" portuguesa.

(iii) O eco contemporâneo da relação entre os dois "pais da Pátria"

Embora Cabral não tenha escrito especificamente sobre Diogo Gomes (até por "dor de corno", permitam-me a expressão: ele queria ser, como "libertador". o primeiro e único "pai da Pátria"), a oposição simbólica entre as duas figuras tornou-se um marco cultural (e sobretudo uma arma de arremesso político-ideológico e até estética e artística) no pós-independência:

• Na música: na canção "Diogo e Cabral" (do álbum Badyo, 2007), o músico cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa ironiza a geografia monumental da cidade da Praia: ele realça que a estátua de Diogo Gomes ficou colocada no topo do Plateau (junto à Presidência, a olhar para o Parlamento), enquanto a de Amílcar Cabral foi colocada numa zona mais baixa (Várzea), virada para o cemitério, simbolizando as contradições na forma como a memória histórica é tratada.

• No debate político: a tensão entre o "passado colonial" (representado por Diogo Gomes) e a "libertação nacional" (representada por Cabral) mantém-se viva, tendo já motivado petições no Parlamento cabo-verdiano para a substituição de monumentos históricos da era colonial por memoriais ao "Pai da Nação" africana.

Ai o raio da visão maniqueista da história, a preto e branco... Felizmente os cabo-verdianos foram mais sábios, inteligentes e sobretudo sensatros: não caíram na visão maniqueísta e iconoclasta da história... Não foi por terem derrubado a estátua do "odiado" Diogo Gomes, que os guineenses, levados pela demagogia do PAIGC, são "melhores"do que os cabo-verdianos...

ManuelLluís Lomba disse...

A História e as suas ironia.
já ousei escrever que Cabo Verde deve a fundação da sua nacionalidade não a Amílcar Cabral, mas ao MFA, e, não fosse a intervenção de Almeida Santos, então ministro da Coordenação Interterritorial e gestor do "saco azul" do Fundo da Defesa do Ultramar, os caboverdianos continuariam portugueses - a sua gente, as personalidades do PAIGGCV, almejavam uma autonomia idêntica às da Madeira e dos Açores.
Os bissauguineenses não consagraram aeroporto internacional de Bissau a Amílcar Cabral, mas ao nosso ex-camarada Osvaldo Vieira, que terá sido o autor moral do seu assassinato...
E os caboverdianos independentes consagraram o aeroporto de Santiago, a sua capital, a Francisco Mendes, guineense de Tite, que, como primeiro-ministro da G-Bissau, recusava os diktats de Pedro Pires e Aristides Pereira....

Antº Rosinha disse...

As estátuas só foram para o forte de Cacheu após 1980 pós Luís Cabral.
Luís Cabral ficou sem ideias do que havia de fazer com aquilo, ficaram amontoadas para os lados de Santa Luzia, mesmo junto às instalações da minha empresa laboral a TCNIL.
Curioso que o povo guineense olhava para aquilo amontoado com indiferença, e hoje não sei bem se muita gente não sentiria que fazia ali falta uma determinada estátua.
Afinal essa estátua a que me refiro não foi para Cacheu, mas tambem não ficou em Bissau.
Ficou a 7 Klm do centro de Bissau em Bissalanca, numa rotunda com 50 metros de diâmetro que eu próprio implantei com «carinho».

Anónimo disse...

Patricio Ribeiro (by email)
quarta, 23/09/2026, 22:04

Assunto - Planta do Forte de Cacheu


Boa noite Luís,

Será que não temos a "Planta" do Forte de Cacheu, no blog ?

Procurei, mas não encontro.

Como te informei anteriormente, ainda não perdemos a esperança, de dignificar o Forte e as respectivas estatuas.

Estou no Baixo Vouga, a terminar os trabalhos agrícolas, para ir para Lisboa, fazer a inspeção medica anual, para depois, mais uma comissão de uns meses, pela Guiné.

Abraço

Patricio Ribeiro

Patricio Ribeiro disse...

Luís, obrigado pela dica sobre a planta do forte de Cacheu.

Ontem andei a visitar outros fortes em Belém, como turista que saiu do mato... a Torre de Belém de cara lavada.
Ou seu lado, visitei pela 1a vez, o nosso museu dos combatentes.
onde li alguns dos muitos nomes, que estavam gravados na parede exterior do forte.
Chamou-me a atenção, de 2 placas 1974, onde havia mais de 50 nome de naturais da Guiné a quem terei uma foto.
Alguém pode explicar o porquê, em um só ano, e todos juntos ?

Abraço

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Não sei se o nosso bravo antepassado, Diogo Gomes (e os seus camaradas de "aventura"), chegou mesmo a ir "mijar" a Porto Gole para "marcar o território"...Puseram lhe lá, em 1958, um marco a assinalar o feito ("V Centenário da Descoberta da Guiné")...

Descontemos a propaganda, bacoca, saloia, do Salazar, que nunca soube sequer onde ficxava o Rio Geba, e Porto Gole, no mapa... Simbólico, ou não, aproveitamento político ou não do Estdao Novo, não me interessa. O Diogo Gomes andou por ali, é um facto. E falou com as gentes daquela terra, que há muito era habitada e estava sob a influência política do Império do Mali...Quando os mandingas eram os "mansas"...

O que é importante é o sintrense "bebeu água do Geba", como eu bebi e todos nós que fomos bater com os quadros costados naquela "terra maldita", de febres palúdicas, de desterro, de mil e um perigos para um europeu quinhentista... ou novecentista.

E, convenhamos, é preciso ser muito masoquista para continuar a gostar da nossa "Guinezinha"... E "perder" 22 anos de vida a alimentar este blogue...

De qualquer modo, era preciso também ser "doido", "completamemte varrido dos cornos", para um gajo se meter numa casca de nós, em meados do séc. XV, dobrar o temível, aterrorizante, fantasmagórico cabo do Bojador e andar "à vela" (ou"surfar"...) no estuário de rios como o Geba, o Grande de Buba, o Cacheu, o Gâmbia, etc...

Sem qualquer "cordão umbilical" com a terra-mãe, a millhares de milhas náuticas de distância, sem "rede se segurança", sem plano B, sem certezas claras de que havia "ir e voltar"... Eram homens de fé, é verdade, mas também já de ciência... Sobrou a fé e faltou a ciência aos coveiros do Império...a desgraçada elite político-militar do Estado Novo.

Tiro o quico ao "Sintra"... Não lhe chamo herói, porque, segundo a zoologia, só há homens na terra, não há deuses nem semideuses...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Rosinha, afinal qual é essa estatua que não foi para o forte do Cacheu ?

Antº Rosinha disse...

Luís vou responder-te por mail, e depois verás se é de publicar ou não. Tens liberdade para fazer o que entendas, como com os muitos que tenho enviado.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Fico â espero. E com certeza que vou publicar. Nunca te "censurei" ou "cortei" nada...Mantenhas. Luis