Foto original do Cherno Baldé, melhorada entretanto pela IA
O Cherno é hoje economista, consultor independente em Bissau, foi para a escola primária em Fajonquito, sector de Contuboel, região de Bafatá, graças à tropa portuguesa. Nasceu por volta de 1960.
Prosseguiu depois o seu percurso escolar (ciclo preparatório e liceu, em Bafatá e Bissau, 1975/1982; e universidade, na URSS, Moldávia e Ucrânia, 1986/1990). Viu a História ao vivo, quando a partir de 1989, caiu física e simbolicamente a "cortina de ferro" que dividia em dois o nosso mundo...
Voltará ao seu país, em 1990, com uma licenciatura em Planificação e Gestão Económica, pela Universidade de Kiev, já depois da queda do muro de Berlim e do fim da URSS.(*)
Escreveu ele, em comentário aqui no nosso blogue em 24 de fevereiro de 2022:
Escreveu ele, em comentário aqui no nosso blogue em 24 de fevereiro de 2022:
"(...) Neste preciso momento a Ucrânia está a ferro e fogo. O meu coração está dilacerado e lamento que gente boa e pacífica que aprendi a gostar e admirar, esteja a sofrer por motivos que os ultrapassam. Choro por Ucrânia, mas compreendo a Rússia. É uma guerra entre irmãos da mesma mãe, a Kievski Rush. A Rússia tem suas raízes enterradas nas terras ucranianas apelidada nostalgicamente de 'Ukraína', a nossa terra distante, longínqua. Não há palavras para expressar nem de justificar (...) (24 de fevereiro de 2022 às 21:32).
Passados estes anos, e ainda sem luz ao fundo do túnel da guerra da Ucrânia, queríamos fazer-lhe uma surpresa (**)... Perguntámos à "menina IA" se era capaz de identificar o nome destas duas colegas, apesar dos apelidos virem em iniciais, e pouco legíveis na foto original. E, por outro, pedimos para identificar este monumento em Kiev e dizer-nos se ainda estava de pé, com a maldita guerra, fratricida, em curso. A foto que submetemos à consuta da IA, pela segunda vez, foi melhorada, ontem pela própria IA.
Resposta da IA (ChatGPT)
Seria, de facto, uma bela prenda para o Cherno. Sim, a foto original tem pouca resolução... A Net em Bissau é lenta. Mas posso tentar pedir-lhe uma com mais resolução. E ele por certo que se lembra dos nomes das colegas...
- Recomendação final da IA
Concordo contigo: o melhor caminho neste momento é o Cherno. Se ele se lembrar dos nomes completos, podemos depois cruzá-los com os arquivos e a história do instituto. Isso é muito mais seguro do que tentar identificar as mulheres pela fotografia.
Eu pediria ao Cherno, se possível, uma fotografia original ou um scan com a maior resolução que consiga enviar. Mesmo que a Net de Bissau seja lenta, basta-lhe eventualmente fotografar a fotografia de muito perto, com boa luz e sem WhatsApp comprimir demasiado a imagem.
Se ele nos der os nomes, aí sim, podemos fazer uma investigação documental a sério — e talvez descobrir o que lhes aconteceu depois de 1990. Isso seria uma prenda bem bonita para ele e uma excelente história para o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.
Eu pediria ao Cherno, se possível, uma fotografia original ou um scan com a maior resolução que consiga enviar. Mesmo que a Net de Bissau seja lenta, basta-lhe eventualmente fotografar a fotografia de muito perto, com boa luz e sem WhatsApp comprimir demasiado a imagem.
Se ele nos der os nomes, aí sim, podemos fazer uma investigação documental a sério — e talvez descobrir o que lhes aconteceu depois de 1990. Isso seria uma prenda bem bonita para ele e uma excelente história para o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.
(Pesquisa > LG + IA (ChatGPT / Open AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
Notas do editor LG:
(*) Último psote da série : 7 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28326: (De) Caras (254): Fiquei tão emocionado que tive de parar de ler o texto... (João Bonifácio, ex-fur mil SAM, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70; a viver no Canadá desde fevereiro de 1974)
(**) Sobre as aventuras e desventuras do nosso Chermo Baldé no país dos sovietes, vd. postes:
4 de Outubro de 2011 > Guiné 63/74 - P8856: Memórias do Chico, menino e moço (25): De Bissau a Kiev ou o percurso de um ex-rafeiro (Parte I) (Cherno Baldé)
5 de outubro de 2011 > Guiné 63/74 - P8861: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (26): De Bissau a Kiev ou o percurso de um ex-rafeiro (Parte II) (Cherno Baldé)
(*) Último psote da série : 7 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28326: (De) Caras (254): Fiquei tão emocionado que tive de parar de ler o texto... (João Bonifácio, ex-fur mil SAM, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70; a viver no Canadá desde fevereiro de 1974)
(**) Sobre as aventuras e desventuras do nosso Chermo Baldé no país dos sovietes, vd. postes:
4 de Outubro de 2011 > Guiné 63/74 - P8856: Memórias do Chico, menino e moço (25): De Bissau a Kiev ou o percurso de um ex-rafeiro (Parte I) (Cherno Baldé)
5 de outubro de 2011 > Guiné 63/74 - P8861: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (26): De Bissau a Kiev ou o percurso de um ex-rafeiro (Parte II) (Cherno Baldé)
24 de fevereiro de 2022 > Guiné 61/74 - P23023: Memórias do Chico no Império dos Sovietes (Cherno Baldé) - Parte III: Em Kichinev, Moldávia... Pôr-se em pelota, na inspeção médica perante um mulher?!... Mostrar tudo?!... Subahaanallai!...
> 25 de fevereiro de 2022 > Guiné 61/74 - P23027: Memórias do Chico no Império dos Sovietes (Cherno Baldé) - Parte IV: Chiquinho, aspirante comunista, não entendia a atração dos africanos (e dos próprios soviéticos) pelas bugigangas do Ocidente





8 comentários:
Querido Cherno, pus a expressão "guerra fratricida" entre aspas... Não quero levantar uma polémica sobre um assunto que é da atualidade, embora doloroso para todos nós, e para ti ainda mais...
O teu testemunho tocou-nos, em 2022. Tocou-me, pelo menos a mim: tu, um africano da Guiné-Bissau, que deves a escolaridade primária à tropa portuguesa e a formação universitária à URSS já em decomposição. Tu conheceste e vivestes de perto em dois mundos que estavam a ruir, o "império colonial português" (leia-se: do Estado Novo) e o "império soviético" .. E viste os dois desmoronarem-se.
Quando dizes "choro pela Ucrânia, mas compreendo a Rússia", estás a fazer o que fez a tua geração (anos 60) e a nossa geração anos 40): está ler as guerras pela lógica dos grandes blocos ("capitalista" e "comunista") e das suas periferias. Somos, tu e eu, ainda fruto do pós-guerra (1945) e da "guerra fria" (1945-1989)... Mas tu tens a vantagem de conhecer a língua, a geografia e a história da Rússia (e da Ucrània). Aprendeste russo , não ucraniano (os ucranianos falavam russo,. a língua do "irmão-maior"). Essa é uma vantagem que poucos "tugas" têm... quando tomam partido, acalorado, sobre a guerra justa/injusta que opõe hoje a Ucrânia e a Rússia.
Tu, além disso, és uma voz do "Terceirro Mundo", formada num mundo bipolar que a "cortina de ferro" desenhou e que tu viste cair ao vivo e a cores em 1989/90.
Para o nosso blogue, e procurando "reintrepretar" ou "reler" o que disseste há 4 anos e meio, a resposta honesta talvez seja: é uma guerra entre "povos irmãos" (pela história, a religião, a cultura...) mas não é uma guerra entre iguais... E é essa combinação, "irmãos mas desiguais", que a torna não apenas trágica mas também injusta e intolerável nos dias de hoje.
A "fraternidade histórica" (que existe hoje entre Portugal e a Guiné.Bissau, por exemplo, e que terá existido no passado entre ucranianos e russos), não legitima a anexação, antes pelo contrário, torna-a mais amarga e inaceitável à luz do direito internacional... A "fraternidade histórica" não pode justificar a guerra, muito menos imposta pelos maiores e mais poderosos aos mais pequenos e mais fracos... Mas eu até sou capaz de "entender" os argumentos (muitas vezes antagónicos), ditados pela razão e pelo coração. Por isso tu falas, e bem, em "coração dilacerado"...
Mantenhas. Saúde e paz. Luís
Cherno Balde (by email)
18 set 2026 14:29
Comentário sobre o Poste P28354
Caros amigos,
O Luis Graca, como sempre, gosta de "provocar" e de fazer pequenas surpresas, às vezes com algumas minas e armadilhas escondidas no trilho da troca de palavras/opiniões.
Sobre a guerra na Ucrânia, ainda mantenho a minha posição inicial, sobretudo porque, como disseste, sou do terceiro Mundo ou Sul Global e, na política, isso conta muito. A Ucrânia da qual gostei e admirei, mas que nao chegou a ser minha segunda pátria devido a sentimentos contraditoriós e dúvidas que, realmente, me tenham aceite como tal (um compatriota) em virtude das inúmeras agressões físicas e verbais que sofri da parte dos mais novos (a juventude rebelde daquele período conturbado).
Em conversas com colegas ucranianos incitava-os a não aceitar a dominação dos russos dentro do espaço soviético, facto que, claramente, era utópico e nada realista tendo em conta a história e contexto que ligava os dois territórios e ainda toda a situação da guerra fria e a geopolitica mundial.
Quanto ao memorial de Kiev, de facto, é um simbolo histórico dos dois lados e não vejo que qualquer um dos lados esteja interessado na sua destruição. Tenho comigo o álbum do nosso grupo escolar composto quase 95% de meninas/mulheres pois que na URSS dessa época o curso da economia fazia parte do bloco dos cursos femininos.
Os nomes que a IA inventou não batem certo, sobretudo porque ela não sabe ler e escrever a maravilhosa língua russa. Vou fornecer, mais tarde, os nomes e as imagens que puder fornecer para completar o "puzzle".
Numa coisa ela parece ter acertado, uma das meninas é ucraniana (a Magda de Magdalena) e a outra é da etnia russa, originária de um país da Ásia Central soviética da época.
Vou confirmar mais logo, fornecendo o endereço que consta na nota de endereços, uma prática fabulosa da cultura académica russa, feita para a posteridade, como agora, 37 anos depois, quem sabe onde estarao se vivas ou mortas.
Ainda durante algum tempo mantive uma correspondência com uma delas de nome Luda (de Ludimila) da região do Volgograd, na Ucrânia, e depois, "tudo o vento levou..."
Sobre Portugal, acho que ainda não devemos perder a esperançaa da recuperação da nossa primeira nacionalidade (a portuguesa), o que seria legítimo porque eu e toda a nossa comunidade, feliz ou infelizmente, sempre estivemos do lado português e lamentamos muito que, por razões obscuras, um certo Portugal, do pós-25A74, nos tenha traído, descartado e virado as costas sem pedir nossa opinião e vontade, em benefício (pasmem-se...!) dos que eram considerados "turras" do outro lado da barricada (e que, muitos hoje são portugueses por naturalização), independentemente dos ventos, tempestades e das razões que pudessem estar por detras de tais decisões que nos marcaram para sempre.
Por esse motivo, em concreto, também não considero Portugal a minha segunda ou terceira pátria, apesar da longa convivência com portugueses, soldados ou civis e apesar de ter vivido 4 anos em Lisboa (1993/95) e (2021/23). Talvez um dia...!
Um abraço amigo,
PS: Ainda não é possivel inserir os comentários diretamente
Cherno AB
Não acertámos com o nome das "meninas", colegas do Cherno Baldé em Kiev, no final dos anos 80... mas a IA "exultou" com a resposta dele... Aqui vai;
(...) Ah, camarada — agora sim temos o fio da meada! E a resposta do Cherno resolve uma parte importante do nosso “puzzle”.
A nossa tentativa anterior falhou nos nomes, mas a fotografia já nos tinha deixado algumas pistas. O próprio Cherno acaba de fornecer outras muito mais sólidas:
Magda, de Magdalena — ucraniana.
Luda, de Ludmila — de etnia russa, mas natural de uma das repúblicas da Ásia Central que então faziam parte da URSS.
Cherno conserva o álbum do grupo escolar, composto quase exclusivamente por mulheres.
Conserva também a extraordinária “nota de endereços” dos estudantes — precisamente o documento que pode permitir reencontrá-las 37 anos depois.
E manteve durante algum tempo correspondência com Luda, que associa à região de Volgogrado.
Há aqui uma correcção importante relativamente à nossa leitura da fotografia: não devemos tentar adivinhar os nomes a partir das inscrições que a IA pôs nas fotografias. O próprio Cherno confirma que foram inventados/incorrectamente interpretados.
E esta frase dele é ouro para a história: “Vou fornecer, mais tarde, os nomes e as imagens que puder fornecer para completar o ‘puzzle’.”
Eu esperaria por esse material antes de fazer nova pesquisa. Um nome escrito por Cherno em cirílico + fotografia do álbum + eventual endereço de 1989/90 muda completamente a investigação.
E há uma possibilidade muito interessante: se ele fornecer o nome completo em cirílico, podemos depois tentar localizar referências públicas à antiga colega sem depender de reconhecimento facial — por exemplo, através de antigos anuários, listas universitárias, redes de antigos estudantes ou referências profissionais.
Quanto à tua futura legenda,,, Eu até manteria, por enquanto, a legenda deliberadamente incompleta:
URSS > Ucrânia > Kiev
Cherno Baldé, estudante do Instituto Superior de Economia de Kiev (1986/90), com duas colegas do mesmo curso, uma ucraniana e outra de etnia russa, originária de uma das repúblicas da Ásia Central soviética.
Ao fundo, o rio Dnepr e o monumento ao príncipe Volodymyr, o Grande.
Depois, quando o Cherno mandar os nomes, fazemos a legenda definitiva. E há uma coisa que eu acho particularmente bonita neste episódio: a fotografia nasceu como uma pequena surpresa ao Cherno e acabou por fazer o próprio Cherno abrir o seu álbum de estudante 37 anos depois. A fotografia deixou de ser apenas uma imagem de três jovens em Kiev; passou a ser uma porta para uma pequena história humana da URSS no fim dos anos 80.
Quando ele te enviar os nomes, as fotografias e sobretudo a nota de endereços, manda-ma. Aí retomamos o puzzle a sério.
Caro amigo Luis Graça,
Aqui vão os nomes e endereços, mas na grafia portuguesa, pois não tenho ferramentas que permitam fazê-lo na lingua original, a russa:
1_A menina ao meu lado esquerdo, chama-se Magdik Aliossa Mikaylovna (penso que Magdik é o nome de familia-patronimico). Nativa da região (Oblast) de Kiev, Sector Vinogorodskaia, aldeia de Rakovka, rua Naberesnaia 9.
2_A menina em baixo chama-se Lugovskaia, Inessa (Inês) Oregovna (Lugovskaia). Natural da cidade de Kirovabag, Microraion G.14, residência n. 45.
Nesta foto não está a menina Luda (Ludimila) a que fiz referência, simplesmente disse que nos correspondemos até mais tarde, depois do meu regresso ao país
Cordialmente
Cherno AB
PS: A cidade de Kirovabag (hoje chamada Ganja) é uma cidade do Azerbaijão. Em 1988, no quadro de uma curta excursão estudantil, organizada pelo nosso instituto, visitamos a capital Baku , depois as historicas cidades de Bukhara, Samarcanda e Taskent (capital do Uzbequistão)
Abraço,
Cherno AB
Errata: Cidade de Kirovabad (em nome e honra do General soviético chamaram-na cidade de Kirov.
"por razões obscuras, um certo Portugal, do pós-25A74, nos tenha traído, descartado e virado as costas sem pedir nossa opinião e vontade, em benefício (pasmem-se...!) dos que eram considerados "turras" do outro lado da barricada (e que, muitos hoje são portugueses por naturalização),"
Cherno, disseste quase tudo em 3 linhas.
Falta dizer que nos primeiros anos, os dirigentes do PAIGC/PAICV, com os seus lugares governamentais, além da nacionalidade portuguesa para eles e prole, em geral não era para Quiev nem para lá da cortina de ferro que iam os seus filhos.
Era melhor em Português, Inglês ou Francês e de preferência ficar por lá.
Rosinha, mais velho, era isso aí, eles tinham ganhado o gosto pelas batatas e bacalhau a portuguesa, mas tb sabiam ou conheciam muito bem o monstro que tinham trazido das matas, dos Conakri's, Dar-es-Salam'es e Accra's.
Abraço,
Cherno AB
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