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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28407: In memoriam (591): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte VI: Recordações amargas de Gadamael (3)







Foto nº 1, 1A, 1B, 1C

Guiné > Região de Tombali > Gadamael > Maio / junho de 1973 > BCP 12 > Aquartelamento > O estado em que ficou uma "morança",  após mais um ataque do PAIGC, cuja base de fogos se situava para lá da fronteira, já na Guiné-Conacri. As estruras edificadas eram, em geral, frágeis, construídad com tigolos de adobe e cobertura de chapa de zinco.
 








Doto bto nº 2, 2A, 2B

Guiné > s/l  (Bissalanca, BA 12 ?) > Gadamael > 1973 > BCP 12 >  Rampa de lançamento de foguetões de 122mm, capturada pela CCP 122 / BCP 12  em 1 de janeiro de 1973 durante a acção “Tumarú” (Foto:  História do BCP12).

 Fotos originais, a preto e branco, publicados pelo António Dâmaso, a nº 1, do seu arquivo pessoal, a 2ª oriundas da Hstória do BCP 12.

Restauro, melhoria técnica e coloerização: LG + IA (ChaGPT / Opem AI) (2026)

1. Em 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus  homens no Cufeu, a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 jun - 17 jul 1973). 

Ele escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo doente.   

Este texto, que se segue, foi inicialmente publicado no Blogue Especialistas da Base Aérea 12,
Guiné 65/74 > segunda-feira, 11 de abril de 2011 > Voo 2244: Gadamael Porto (3).
Subtítulo: Pontualidade.

Nesses 45 dias que durou a batalha de Gadamael, também houve lugar a momentos de descontração e de bom humor...Afinal, a morte coabita sempre com a vida. E a vida, afinal, é um jogo de sorte e azar. Como o loto. (A CCP 121 foi a última a chegar, a12 de junho,  depois da CCP 122, a 2, e a CCP 123, a 5 de junho; regressaram a Bissau, a  7 de julho,  as CCP 121 e CCO 122, e a 17, a CCP 123, do cap  pqdt João Costa Cordeiro (1952-1974).

 É agora republicado o texto, com melhoria das imagens (que o acompanhavam, a preto e branco), em homenagem a este camarada do BCP 12 que há dias se depediu da Terra da Alegria e que em vida nos honrou com a sua presença, ativa e produtiva, na Tabanca Grande.  É também a nossa forma de mostrar o respeito e o apreço  que  nos merecem todos os nossos camaradas que participaram na Batalha dos 3 G (Guidaje, Guileje e Gadamael) (maio-julho de 1973).



1º srgt pqdt António Dâmaso
Recordações amargas de Gadamael (3)

por António Dâmaso 

(1940-2026)


Ao longo da minha vida sempre tenho procurado ser pontual. Estávamos no “inferno” de Gadamael Porto onde diariamente éramos brindados com várias flagelações de armas pesadas diversas. Os ataques eram tantos que já estava habituado aos seus horários. No entanto,  em virtude da sua precisão, todas as granadas caiam dentro do aquartelamento, se não queríamos lá ficar, tínhamos de ter muito cuidado.

O meu amigo e camarada Jota tinha chegado à Província quando eu estava no outro inferno chamado Guidage, tinha feito uma comissão em Moçambique em 1966/68, pelo que não estava familiarizado com o chamado ”Vietname Português”. O  Jota tinha sido Condutor Auto 
tal como eu, era do meu Curso de Primeiros Socorros, de Cabos, de Furriel, lançamento de Pessoal e Material, de Mecânica, de Técnicas de Instrução e foi parar ao meu Pelotão (3º / CCAÇ 121 / BCP 12.

Estava no seu primeiro destacamento, não tinha ainda avaliado a dimensão daquela guerra. Um dia à tarde eram perto das 17 horas, ele entre a morança de adobo com telhado de zinco que nos abrigava da chuva e a vala, tinha o pano de tenda estendido e chamou-me:

 
− Tóino, anda para aqui jogar ao loto.

Nós,  nos intervalos quando não estávamos no mato, procuravámos passar o tempo jogando às cartas, loto ou qualquer outro entretenimento. Ele naquele dia queria loto, eu olhei para a altura do Sol e depois para o relógio, disse-lhe que não porque estava na hora do ”lanche”. Uns chamavam-lhe "lanche",  outros chamavam-lhe “o chá das 5”. 

Fui buscar o capacete e a arma e dirigi-me à vala, o pessoal do Pelotão lá estava.

Ele ainda insistiu mas eu disse-lhe que não porque elas (as granadas) tinham olhos. O bom do Jota, contrariado,  acabou por seguir o meu exemplo mas não tão depressa como devia. Foi buscar o capacete e, quando se dirigia para a vala,  foi projectado para a mesma, ajudado pelo sopro provocado pelo rebentamento de uma granada de foguetão 122mm que caiu pouco mais de um metro à frente do pano de tenda,

.
Quando acabou o ataque o Jota foi ver os estragos, não me recordo se o pano de tenda estava estendido no enfiamento da morança, se esta sofreu danos, mas duma coisa tenho a certeza, do pano de tenda e do equipamento pouco restou. 

O Jota,  a chorar de raiva,  começou aos pontapés ao que restava do seu equipamento, dizendo:

− Olha o que eles me fizeram ao equipamento!

Eu, a gozar com ele,  disse-lhe:

−  Com que então querias loto?!

Afinal às vezes respeitar a pontualidade pode salvar vidas. Se tivesse ido na conversa dele tínhamos lá ficado os dois. Mais uma vez não tinha de ser. A partir dali o camarada Jota passou a respeitar o horário imposto pelos guerrilheiros do PAIGC e teve de se mentalizar que aquela guerra era a sério.

Quando encontro o Jota pergunto-lhe se vai um joguinho de loto... Ele responde:

− Tás parvo, ou quê ?!

Saudações Aeronáuticas
A. Dâmaso

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28406: Em busca de... (336): Camaradas de Júlio Lopes Santos, ex-Soldado Atirador da Companhia de Artilharia n.º 6552/72 (Cameconde, Cabedú e Cufar, 1973/74)

Foto do nosso camarada Júlio Lopes Santos, Soldado Atirador do 3.º Pelotão/3.ªSecção da CART 6552/72
Foto de antigamente de Júlio Lopes Santos
Foto actual de Júlio Lopes Santos

Fotos ©: editadas e legendadas por CV.


Júlio Lopes Santos está vivo e gostaria muito de reencontrar antigos camaradas e fotografias – CART 6552/72 – Cameconde

1. Mensagem de Lúcia Abel Varelas, enviada ao nosso Blogue em 3 de Outubro de 2026:

Exmo. Sr. Luís Graça,

Chamo-me Lúcia (namorada de David, um dos filhos de Júlio Lopes Santos) e estou a tentar reconstruir o percurso militar de Júlio Lopes Santos que é o pai de David, Manuel e Bruno, que esteve na Guiné durante a Guerra Colonial e pertenceu, segundo as informações que possuímos, à CART 6552/72 – “Honra e Dever”, no 3.º Pelotão, 3.ª Secção.

Júlio Lopes Santos nasceu a 27 de agosto de 1951, em Friões, concelho de Valpaços. É filho de Manuel dos Santos e Maria Silveira Lopes.

O seu número de identificação militar é 12445972. Foi incorporado no RI 13, em Vila Real, no dia 23 de outubro de 1972, tendo posteriormente seguido para a Guiné.

Ao pesquisar a história da CART 6552/72, descobri o vosso blogue e, em particular, os testemunhos e fotografias de Cameconde, incluindo os contributos de antigos militares desta companhia. Foi muito emocionante encontrar imagens dos locais onde Júlio terá vivido durante aquele período.

Gostaria muito de saber se algum antigo camarada da CART 6552/72, particularmente do 3.º Pelotão / 3.ª Secção, se recorda de Júlio Lopes Santos ou se possui fotografias, histórias ou outras informações sobre ele.

Junto a esta mensagem envio quatro fotografias de Júlio: uma fotografia militar da época, que consta do seu documento militar, outras fotografias quando era mais novo e uma fotografia atual. Autorizo a publicação destas quatros fotografias no blogue, caso considerem que isso possa ajudar a identificá-lo e a encontrar antigos camaradas.

Seria muito especial para nós conseguir encontrar fotografias de Júlio na Guiné, sobretudo em Cameconde, e eventualmente entrar em contacto com alguém que tenha servido com ele e ainda se recorde daqueles tempos.

Se possível, agradecia também muito a ajuda do Manuel Domingos Ribeiro, antigo camarada da CART 6552/72, que vi referido várias vezes no blogue e que parece possuir muitas memórias e fotografias da companhia.

Muito obrigada por todo o trabalho de preservação da memória dos antigos combatentes da Guiné e por qualquer ajuda que nos possam dar.

Com os melhores cumprimentos,
ABEL VARELAS Lúcia


2. Comentário do editor CV:

A CART 6552/72 tem só 8 entradas no nosso Blogue e um único confrade, o ex-Fur Mil At Art MA, Manuel Domingos Ribeiro,[1] a quem vamos dar conhecimento da petição do camarada Júlio Santos.

Esperemos que apareçam mais camaradas da 6552/72, gente ainda relativamente nova, para iniciarem contactos e relembrar memórias.

Quanto aos camaradas, Manuel Ribeiro e Júlio Santos, "guerreiros do fim do império", desejamos saúde e longa vida. Se encontrarem outros camaradas, tragam-nos até nós porque estamos sedentos de novas estórias.

Guiné 61/74 - P28405: FAP (127): O elogio dos sargentos do quadro do BCP 12 (Manuel Peredo, ex-fur mil pqdt, CCP 122/BCP 12, CTIG, 1972/74)

 


Foto nº 1, 1A, 1B 


Guiné > CCP 122 / BCP 12 >  s/l  > s /d > Da esquerda, para a direita, o fur mil pqdt  Fernandes, cabo-verdiano; ao centro, o 1º srgt pqdt Carmo Vicente ; à direita, o Manuel Peredo, fur mil---Os três sargentos do 4º Pelotão do CCP 122 estão equipados com armamento do PIAGC...O Manuel Peredo ostenta o RPG-2, o temível LGFog usado pelos guerrilheiros do PAIGC, a par do RPG-7. 

O que será feito dos restantes camaradas ? O Fernandes, o Carmo Vicente ?... Com este último ainda falei há muitos anos atrás, ao telefone, mas nunca conseguimos juntarmo-nos, para "partir mantenhas" e almoçar, na ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas, que ele frequentava. Era meu vizinho, no Lumiar, quando eu trabalhava na Escola Nacional de Saúde Pública / Universidade NOVA de Lisboa. (LG).


Foto (e legenda): ©  Manuel Peredo (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google AI)]


1.  A integração do Regimento de Caçadores Paraquedistas no exército foi um duro golpe na sua autoimagem...Estamos a falar de 1994...1 de janeiro de 1994. Claro que estes continuam a ser uma "tropa de elite", como sempre foram...E quem serviu nos "páras" continua a ter muito orgulho nessa pertença. (*)


Os "BoinasVredes" sempre pertenceram à FAP (Força Aérea Portuguesa) desde a sua criação, em 23 de maio de 1956, e foi sob este ramo das Forças Armadas que  combateram galhardamente na guerra colonial.

A  transição definitiva e irreversível foi anunciada no início dos anos 90 e concretizada no primeiro dia do ano de 1994, mantendo-se no Exército até aos dias de hoje. Atualmente, a principal unidade herdeira deste legado é o Regimento de Paraquedistas integrado na Brigada de Reação Rápida,

O Manuel Peredo, ex-fur mil pqdt (CCP 122 / BCP 12, Brá, Bissalanca, 1972/74), vive em França e deixou aqui, em tempos, um justo elogio aos sargentos do quadro do BCP 12 (*), da época da guerra colonial / guerra do ultramar (**).. Homens já esquecidos como o António Dâmaso, o Carmo Vicente, o Manuel Rebocho, e muitos outros.

(...) Se eu tivesse um décimo do talento literário de alguns bloguistas, teria uma participação mais activa. Desde que descobri o blogue, não consigo deixar passar um dia sem o consultar,o que não é muito do agrado da minha mulher e devem imaginar porquê.

Tudo o que aqui se diz sobre Gadamael me toca profundamente porque também eu vivi esses dias terríveis, mas aqueles que vieram de Guileje para Gadamael deviam ter ficado afetados psicologicamente para toda a vida.

O que o João Seabra, José Casimiro Carvalho, Manuel Reis e outros dizem sobre os paraquedistas do BCP 12 deixa-me imensamente orgulhoso de ter pertencido a essa tropa especial. O João Seabra diz que não compreende porque é que nenhum pára foi condecorado pelos serviços prestados em Gadamael. Se calhar ninguém se destacou em especial. Se o José Casimiro Carvalho não teve direito a nada, eu e outros também não merecíamos ser louvados ou condecorados.

O João Seabra faz bem em enaltecer o trabalho dos sargentos paraquedistas que pertenciam ao quadro. Todos eles já tinham uma, duas ou mais comissões no ultramar. Mesmo os oficiais e furrieis milicianos aprendiam muito com eles.

Faço aqui um reparo. Eles não eram promovidos por mérito, salvo talvez em raras exceções. Todos eles começaram como simples soldados e os melhores eram convidados a seguir a carreira militar. Os que aceitavam, tiravam o curso de sargentos, findo o qual passavam a cabos aprovados e depois iam subindo de posto em função dos anos de serviço,o mesmo acontecendo com os milicianos (que ingressavam no quadro).

O 
 Carmo Vicente  foi meu colega no quarto pelotão da CCP 122 / BCP 12 e acho que chegou a ser comandante do mesmo pelotão durante algum tempo. Quando havia falta de alferes milicianos (ou tenentes do quadro), os pelotões eram comandados pelos sargentos mais antigos, mas apenas por um tempo limitado. Raramente um sargento era operacional 24 meses.

Acalento a esperança de ainda um dia poder participar num encontro nacional para poder trocar opiniões, em especial com o João Seabra, José Casimiro Carvalho, Manuel Rebocho, Victor Tavares e outros. (...)

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
__________________

Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 2 de junho de 2023 > Guiné 61/74 - P24361: FAP (126): A que altura (quantos pés) voava a DO-27 quando fazia de PCV (Posto de Comando Volante)? (Fernando de Sousa Ribeiro)

(**) Vd. poste de  26 de abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4251: FAP (26): Em louvor dos sargentos pára-quedistas do BCP 12 (Manuel Peredo, ex-Fur Mil CCP 122, 1972/74)


Guiné 61/74 - P28404: Notas de leitura (1968): "Os Anos da Guerra, 1961/1975, Os Portugueses em África, Crónica, Ficção e História", por João de Melo; Círculo de Leitores e Publicações Dom Quixote, 1988 - 2 (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 9 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Foi bom revisitar esta obra pioneira da literatura da guerra colonial. Dos autores escolhidos, alguns irão figurar como figuras proeminentes da literatura contemporânea, caso de António Lobo Antunes, Carlos Vale Ferraz, Lídia Jorge, Álvaro Guerra ou João de Melo. Este último, o organizador da antologia, deu também voz a escritores nacionalistas que se iriam impor como nomes sonantes, caso de Luandino Vieira ou Pepetela. Ninguém ignora que de 1988 à atualidade este subgénero literário cresceu desmesuradamente, falta-nos um João de Melo para nos dar uma panorâmica atualizada da evolução desta literatura, na multiplicidade das suas vozes. Porque é indispensável ir acompanhando tudo quanto se escreveu em Angola, Guiné e Moçambique, e se os diferentes candidatos a organizadores não se sentirem com traquejo de se meterem na empreitada a uma só voz, então que façam a organização a três vozes. Precisamos de, como de pão para a boca, de tal iniciativa.

Um abraço do
Mário


Revisitar uma obra de referência sobre a história da literatura da guerra colonial – 2

Mário Beja Santos

Os levantamentos de obras literárias relacionadas com a guerra colonial são poucos e estão perfeitamente identificados. A primeira iniciativa coube ao escritor e ex-combatente João de Melo, a primeira edição de Os Anos da Guerra, 1961/1975, Os portugueses em África, Crónica, Ficção e História, data de 1988 e abarca obras que se prendem com a preparação militar, os teatros de operações da Guiné e Angola, obra em dois volumes com edição do Círculo de Leitores e Publicações Dom Quixote. Como é óbvio, a edição está completamente esgotada, mas ainda é possível através de vendedores online conseguir adquiri-la por cerca de 30€, tanto a edição do Círculo de Leitores como a de Publicações Dom Quixote.

Este segundo volume abre uma apresentação histórica da guerra em Moçambique feita por Joaquim Vieira, e desse teatro de operações vamos retirar um texto assinado por Carlos Vale Ferraz, que está inserido na obra-prima deste escritor intitulada Nó Cego, primeira edição em 1972; muda-se de direção e Joaquim Vieira contextualiza os acontecimentos da Guiné, há belas páginas de Álvaro Guerra, como também de José Martins Garcia, autor de uma obra de referência, Lugar de Massacre; de novo Joaquim Vieira apresenta uma exposição sobre as forças armadas portuguesas, irão intervir escritores como Lobo Antunes, Lídia Jorge ou João de Melo.

Carlos Vale Ferraz recenseou admiravelmente o modo como terá sido apresentada a operação Nó Górdio, parecia ser a solução mágica para acabar com a guerra de guerrilhas em Moçambique:
“Meus senhores, hoje é um dia histórico! – assim começou o general antes de prosseguir:
- Vamos dar início ao planeamento final da operação que desequilibrará decisivamente a situação sociomilitar em Cabo Delgado a nosso favor. Vamos dar a estocada de morte no coração do inimigo no planalto dos Macondes. – Sorriu a observar o efeito das palavras na assistência e continuou:
- Nome de código: Nó Cego, classificação de segurança: muito secreto. Com esta operação inauguraremos a época da guerra de grandes meios em ordem ao aniquilamento total do IN. Vamos concentrar o nosso esforço aqui!

Quando o general pronunciou ‘aqui!’, um coronel atarracado, de barba cerrada numa queixada tetraédrica a fechar uma cabeçorra demasiado grande em relação ao corpo, apontou com uma lapiseira extensível três círculos desenhados a cores sobre a mica que cobria os mapas que ele próprio destapara anteriormente, com gesto de contrarregra a correr a cortina do palco.

- Graças aos esforços conjugados das repartições de informações militares e da DGS é agora possível saber a localização exata das três grandes bases IN no planalto dos Macondes: a Gungunhana, a Moçambique e a Nampula. Graças às essenciais modificações em comandos, com a vinda do senhor brigadeiro para o setor de operações e do senhor tenente-coronel para o Batalhão de M., a situação alterou-se profundamente para melhor. – O General fez uma pausa, que o coronel aproveitou para colocar novos mapas, e prosseguiu:
- O conceito da operação é o seguinte: cerca-se esta zona – o coronel apontou -, aproveitando as estradas existentes e construindo com a engenharia as que faltam, para fechar um quadrado de cerco que será guarnecido com emboscadas permanentes realizadas por tropas normais e patrulhamentos regulares com esquadrões de reconhecimento. Quando a ratoeira estiver montada, quando ninguém puder entrar ou sair, lançaremos ao assalto das bases as nossas companhias de tropas especiais, os comandos para a base Alfa, nome de código de Gungunhana, os paraquedistas para a Bravo, a Moçambique e os fuzileiros, em segunda fase, para a Charlie, a Nampula. – Os oficiais do Estado-Maior e os civis das informações abanavam a cabeça de aprovação. – Há dúvidas? - Perguntou o general sem as esperar, continuando:
- Dentro deste quadrado tudo o que mexer é inimigo, será a guerra total! Nesta guerra, meus senhores, não existe a clássica divisão estabelecida entre povos civilizados de cultura cristã ocidental, que distingue combatentes e civis não beligerantes, nesta guerra as próprias populações, de acordo com a estratégia marxista, são o sustentáculo de subversão. Assim, todo o ser vivo encontrado é um inimigo a abater. Esta é uma luta de vida ou morte!”


Recorda-se ao leitor que João de Melo entendeu fazer esta antologia a quatro mãos, ou seja, introduziu alguns textos de escritores africanos ligados às chamadas lutas de libertação nacional.

Antes das suas publicações em livros, Álvaro Guerra publicou um conto intitulado “O Tempo Em Uane” em Antologia do Conto Ultramarino, organização de Amândio César, em 1972 e, anteriormente, em Histórias Breves de Escritores Ribatejanos, Antologia organizada por António Borga, Lisboa 1968. A obra consta neste volume de Os Anos da Guerra, mas preferi escolher um texto de um dos seus primeiros livros, intitulado O Disfarce, que teve a sua primeira edição em 1978:
“Sugeriram-lhe que deitasse fogo à aldeia antes de se irem embora e ele recusou porque a sua guerra não era a mesma em que se estava a bater, a sua ainda não tinha começado, seria uma guerra de ganhar ou perder e não aquela, se bem que duvidasse que essa outra guerra alguma vez chegasse. O mais rapidamente que puderam iniciaram a corrida desigual através das picadas traiçoeiras, corrida contra a surpresa que estaria montada algures no seu caminho (…) Foi logo a seguir. Caiu em cima deles a surpresa, uma chuva de ferro, estampidos e silvos de ar vergastado e quedas e ramos partidos e pragas e explosões e o gargalhar fantasmagórico das rajadas matadoras e o homem ao lado dele com o sangue no ventre e nas mãos que disse ‘Ai, mãe!’ e morreu.

Atrás da sua árvore levou a mão ao bolso e tirou-a, a reluzente granada com quem os seus dedos andavam calhados de amor e vício, puxou a argola amarela num repente de furor e ficou um momento a mirá-la, a cavilha apenas presa pelos dedos brancos de força enquanto, desfocado, o cadáver do ventre sangrento o olhava fixa e friamente; jogou-se para a luz, para lá do escudo eleito, e atirou-a para de onde vinha a morte sonora e invisível que semeava surpresas de sangue. Por um momento foi a rainha da metralha e da luz ondulante de calor e do inacessível outro lado da estrada e foi esperança também, soturna esperança subindo numa nuvem de pó castanho após deflagrar e se desfazer como um velho astro em meteoritos escaldantes. Mas já não estava sobre o coração, nem à cintura, nem no bolso, e ele ficou terrivelmente tranquilo, monstruosamente tranquilo e sozinho, a pensar na mulher de quem gostava, na adolescência provinciana e em certos lugares seus preferidos e em como eles seriam se e quando lá voltassem, enquanto, tranquilamente, disparava a metralhadora. Tudo estava aviado, até o esquecimento.”


Outro autor que se impôs nas décadas de 1970 e 1980 foi um ex-oficial que teve comissão na Guiné, José Martins Garcia, irá ter obra extensa e variada, mas houve um livro que então ganhou notoriedade e ainda hoje é motivo de estudo académico, intitulado Lugar de Massacre, com primeira edição em 1975, distingue-se por uma inteira rebeldia, quadros de regabofe, com tiradas delirantes, atmosferas surreais, fica aqui uma amostra dessa trama que oscila entre a sátira e o truculento:
“Eram sete, na camarata, todos por conta da Neuropsiquiatria, no Hospital Militar de Bissau, no mês de maio de 1968, gozando os benefícios do ar condicionado e da desintegração psíquica. O maior falador chamava-se Barnabé e fora enlouquecido por problemas alimentares. Contava as suas desventuras várias vezes por dia, amaldiçoando o ex-comandante do batalhão, um diabético insuportável, cujo ódio aos saudáveis atingira a demência, a ponto de punir com alguns dias de prisão todo aquele que ousasse levar para a mesa qualquer iguaria além da ementa.

- Estou vingado! – rematava o Barnabé.

Vingado pelo novo Governador, de quem já circulavam notícias contraditórias: para alguns tratava-se de mais um louco; para outros, de um justiceiro. Chegara ao batalhão do comandante diabético, vira o descalabro da unidade e prevenira: ‘Faça as malas’. Dez dias de prisão. Justiça.
- Há um mês que estou aqui, nos malucos – disse Barnabé. – Ao fim ao cabo, não se está mal. Vais ver como te habituas…

Desciam para a consulta, empijamados. Mostravam-se atulhados os corredores do hospital. Desde as pernas partidas às chagas repugnantes, desde as bochechas inchadas por abcessos dentários até às vítimas trémulas do paludismo. E havia os que, de muletas, entravam para a grande lista das vítimas das minas, sem pés, às vezes sem pernas. Um bafio monstruoso, agora acentuado pela chuva (…) – Não tenho nada contra o seu riso – disse o psiquiatra. – O riso liberta. Mas, quando puder, fale.

Voltou à camarata, ao entardecer, e reconheceu que os helicópteros eram reais. Foi até à varanda e pôde certificar-se da existência de um grande inseto acionado por hélices. Do bojo eram retirados os feridos envoltos em ligaduras. Depunham esses montes de carne humana em macas de cabos luzidios de tanto serem percorridos por mãos suadas de maqueiros. O hospital absorvia toneladas de carne esfacelada, múmias recentes, arrobas de membros partidos, porque a estação das chuvas trazia o aumento dos desastres bélicos.

Mas quem não perdia uma só de tais cenas ensanguentadas era o alferes Jardim, um novato que, antecipando-se à sorte, chegara à Guiné já absolutamente desequilibrado. Tinha amado a tal ponto os estudos de Engenharia que não lhe escapava manivela, maquineta, alavanca ou válvula sem verificação das possibilidades funcionais. Adorava a eficiência do helicóptero. Mal lhe ouvia o rumor, corria para a varanda, envergando o pijama mais porco de todo o hospital, porque a paixão pela técnica o levava a oleosos sítios, onde chafurdava, feliz, em porcaria de toda a sorte, limpando em seguida mãos sumárias ao pijama já de cor indefinida. Ficava fascinado pela máquina. Assistia, soprando entusiasticamente, à descolagem. Seguia com olhos piscos até à confusão da máquina com a bruma. E suspirava, saudoso, na despedida, todo entregue à esperança da próxima carnificina.”


Assim se põe termo a uma importante obra que se revisita com prazer, obra pioneira, com enquadramento histórico de Joaquim Vieira e uma antologia variegada de onde emergiram vultos literários como João de Melo, Álvaro Guerra, Carlos Vale Ferraz ou José Martins Garcia.

João de Melo
Carlos Vale Ferraz (1946-2025)
José Martins Garcia (1941-2002)
Álvaro Guerra (1936-2002), imagem dos Arquivos da RTP, com a devida vénia
Duas imagens retiradas do livro "Os Anos da Guerra", organização de João de Melo
Capa da edição de Os Anos da Guerra, Publicações Dom Quixote
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Notas do editor:

Vd. poste de 28 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28382: Notas de leitura (1966): "Os Anos da Guerra, 1961/1975, Os Portugueses em África, Crónica, Ficção e História", por João de Melo; Círculo de Leitores e Publicações Dom Quixote, 1988 - 1 (Mário Beja Santos)

Último post da série de 2 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28394: Notas de leitura (1967): O espólio fotográfico de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975) - 2 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28403: In memoriam (590): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte V: Recordações amargas de Gadamael (2)




Foto nº 1A, 1B, 1




Foto nº 1, 1A




Foto nº 3A, 3B, 3


Legendas: 

Foto nº 1 > Gadamael Porto no tempo dos BCP 12, junho/julho de 1973,
Foto nº 2 > Vista parcial, desoladora,  do quartel de Gadamael Porto: em primeiro plano o Obus 14; o fundo, o reordenamento.
Foto nº 3 > Gadamael Material capturado pela CCP 121 / NCP 12  na acção “Cobra Ondulante” em 23 de junho de 1973
 
Guiné > Região de Tombali > Gadamael > junho / julho de 1973 > BCP 12 >
Fotos originais, a preto e branco, publicados pelo António Dâmaso, oriundas da Hstória do BCP 12 (que julgamos não ser de livre acesso na Net)

Restauro, melhoria técnica e colorização: LG + IA (Gemini / Google) (2026)



1. Em 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus homens no Cufeu, de má memória, a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 jun - 17 jul 1973). A CCP 121 chegou a Gadamael, pelo rio, em em LFG e depois em LDM, a 12 de junho de 1973. Foi juntar-se às restantes subuniddaes do BCP 12: CCP 122 e CCP 123.

Ele escreveu, na primeira pessoa do singular, como viveu e sobreviveu à dura batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo doente. (À mesma CCP 121/BCP, 2º Gr Comb, pertenceu o nosso amigo e camarada Victor Tavares. ex-1º cabo pqdt,  do 2º Gr Comb, apontador de MG42, natural de Águeda.)  

Este segundo texto, sobre as recordações amargas de Gadamael, foi inicialmente publicado no Bogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > sábado, 12 de março de 2011 Voo 2197: Gadamael Porto (2)

É agora republicado, com melhoria das imagens (que o acompanhavam, a preto e branco), em homenagem a este camarada do BCP 12 que em vida nos honrou com a sua presença, ativa e produtiva, na Tabanca Grande, bem como em homenagem a todos os nossos camaradas que participaram na Batalha dos 3 G (Guidaje, Guileje e Gadamael) (maio-julho de 1973). Foram, sem dúvida,  os melhores soldados de Portugal durante toda a guerra colonial / guerra do Ultramar. Infelizmente, eram poucos, um batalhão em cada TO. No presente caso, foram eles que aguentaram e salvaram Gadamael, em maio, junho de julho de 1973.

Dâmaso, herói de Guidaje (pela sua atuação sob intenso fogo IN, na emboscada à CCP 121, no Cufeu, em 23 de maio de 1973) rompeu, em vida, 40 anos depois, uma cultura de silêncio, pudor ou  reserva que parecia impedir que certos comportamentos internos dos paraquedistas chegassem ao conhecimento público. E fê-lo sem transformar o seu testemunho numa denúncia genérica dos paraquedistas: fala de situações concretas, de pessoas e sobretudo de uma experiência pessoal  numa situação-limite.

Este excerto é particularmente importante porque não é uma acusação feita hoje por terceiros: é o testemunho, na primeira pessoa, de António Dâmaso, publicado em 2011, sobre acontecimentos que viveu em Gadamael em 1973 (entre 12 de junho e 17 de julho). Não é um testemunho contra os paraquedistas, é, precisamente, o testemunho de um paraquedista.

 Não queremos fazer uma acusão gratuita aos nossos camaradas paraquedistas do BCP 12, e muito menis um "provocação",  falando ostensivamente em  “pacto de silêncio”: nunca ouvimos, vimos  ou lemos um  paraquedista utilizar essa expressão. O que o testemunho do Dâmaso permite constatar é que  ele  quebrou o silêncio sobre aspetos negativos (ou menos positivos) da vida operacional e disciplinar do BCP 12 (problemas disciplinares, conflitos, fragilidades do comando, recusas em ir para o mato, doença, stress físico e psicológico, tratamento das praças, situações de privilégio ou outrasque pudes sem atingir a imagem de coesão e de eficácia do Corpo de Tropas Paraquedistas).

Teremos ocasião de voltar a este tema sempre delicado, mas que náo pdoe ser tabu: afinak, a guerra j+a acabou há mais de meio-século e quem a fez está a desaparecer lenta mas inexoravelmente.


1º srgt pqdt António Dâmaso, CCP 121 / BCP 12, CTIG, 1973

Recordações amargas de Gadamael (2)

por António Dâmaso (1940-2026)


Depois de municiados foi dada ordem à minha Companhia, CCP 121, de preparar para sair. O meu pelotão estava completo de graduados pelo que eu não fazia falta. Sabia que mais um homem,  ainda que debilitado, poderia ser uma mais-valia, mas tinha consciência que a minha capacidade estava muito diminuída e que em vez de mais-valia podia tornar-me num empecilho. 

Devido ao meu estado de saúde, pedi ao Comandante de pelotão para me dispensar, para ir ao médico. Disse que não era com ele,  que era com o comandante de Companhia. Este apontou para o segundo Comandante do batalhão, este por sua vez mandou-me para o primeiro Comandante. 

Aquilo caiu-me mal, até ali tinha dado tudo o que tinha, passei-me e,  numa folha de bloco de carta, fiz um requerimento a pedir para ser submetido a uma junta médica, uma vez que me queriam obrigar a ir para o mato sem estar em condições de saúde para o fazer. Não queria que os homens,  que sabe Deus como se arrastavam, tivessem de andar comigo às costas. 

Enquanto andava nestas andanças,a Companhia saiu sem mim.

Não saí e assumi a responsabilidade. Mais tarde fui chamado ao segundo Comandante para me devolver o requerimento que eu tinha entregado a pedir a junta médica. 

Fiquei à espera e só me deixaram ir ao médico no dia em que a Companhia foi descansar em Cacine. Nessa altura já o meu estado de saúde se tinha agravado mais.  Enquanto estive à espera,  fui-me aguentando como pude. Levavam-me comida que já era difícil de tragar para quem tinha saúde e apetite. 

Como não dispunha dos dois,  fui bebendo umas cervejas bem “quentinhas”,  duma caixa que tinha comprado quando lá cheguei. Cerveja mesmo quente já era um luxo, mas o instinto de sobrevivência lá me ia dando forças para me deslocar para a vala,  sempre que haviam flagelações. 

Neste espaço de tempo em que estive sem assistência, tive conhecimento de dois alferes e de um ou dois furriéis que se negaram a ir para o mato, mas não por motivos de saúde.

Algumas praças de outra Companhia,  por estarem muito debilitadas, ao não acompanharem os seus pelotões na saída para o mato, foram selvaticamente agredidas pelo Comandante de Companhia, que gostava de sovar praças indefesas e “turras” com as mãos atadas atrás das costas.
 
No Quadro do Batalhão havia um médico, mas este ficou no Posto de Socorros de Bissalanca. 
Havia um médico do Exército em Cacine, um alferes miliciano.  Só fui presente ao médico em Cacine no dia 19 de junho de 1973, puseram-me a soro e lá fiquei enquanto o soro corria. Estive a ouvir as queixas dos militares da minha Companhia, pareciam tiradas a papel químico: “Cansaço, falta de apetite, insónias, dores de cabeça, os nervos arrasados, etc.” 

De repente chegou uma catrefada de feridos da CCP 122, uns mais outros menos grave. tinham caído numa emboscada, os ferimentos era quase todos por estilhaços de granadas RPG 2. Lembro-me que um deles era sargento e ficou incapacitado. Com a chegada dos feridos as consultas foram interrompidas até fazer as evacuações para Bissau e tratar dos mais ligeiros, Depois fui medicado e fiquei em convalescença até 27 de junho de 1973.

Entretanto a Companhia acabou o curto período de descanso e regressou novamente a Gadamael Porto, eu ainda estava de convalescença, mesmo assim gostavam tanto de mim que queriam que fosse com eles. Só não fui porque o Comandante da Companhia não me encontrou, mas fui quando esta acabou.

Saudações Aeronáuticas

A. Dâmaso

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
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Nota do editor LG

Último poste da série > 1 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28393: In memoriam (589): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte IV: Recordações amargas de Gadamael (1)

domingo, 4 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28402: Humor de caserna (295): A culpa toda foi de um 'sacana' de Sintra, chamado Diogo Gomes, o primeiro "tuga" a "beber a água do Geba" em 1456...




 


















Prompt original e orientação editorial: Luís Graça.
Fotos: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné |  José Torres Neves (2026)
Geração gráfica assistida por IA (ChatGPT/OpenA | Gemini  / Google)


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Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P28401: Agenda cultural (933): Convite para a sessão de apresentação do livro "La Bohème, Vasco de Castro, Conversas havidas com Mário Beja Santos", a levar a efeito no próximo dia 15 de Outubro, pelas 18h30, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Campo Grande, 382, Lisboa (Mário Beja Santos)

Convite de Mário Beja Santos

Sessão de apresentação do livro La Bohème

Museu Rafael Bordalo Pinheiro, 15 de outubro, pelas 18:30h


Dois desenhadores de imprensa portugueses consagraram-se em França, no século XX: Leal da Câmara e Vasco de Castro. O primeiro era um fugitivo da polícia real, em Paris teve acesso às mais notáveis publicações do seu tempo. O segundo partiu para Paris em 1961 e regressou a Portugal em 30 de abril de 1974, viveu quase sempre em Montparnasse e foram-lhe franqueadas as portas da grande imprensa: Le Monde, Figaro, Canard Enchaîné, Harakiri/Charlie Hebdo, entre outras. Colaborou, lado a lado, com os maiores desenhadores que trabalhavam na grande imprensa parisiense. Além disso, fez cinema, foi ativista político, andou nas barricadas do maio de 68.

É este Vasco que será o motor do livro que ora se oferece ao leitor.

Mantivemos uma amizade de quatro décadas, aí por 2011, insisti teimosamente que era tempo de um dos mais importantes desenhadores portugueses de imprensa deixar documentado o seu itinerário, não bastava as lembranças e páginas de memória que espalhara pelos jornais. Não sem relutância, acedeu à iniciativa, acordámos na metodologia. 

Durante cerca de ano e meio, tomava o comboio em Roma-Areeiro até à Portela de Sintra e daqui um autocarro até Fontanelas. Sete horas de conversa com direito a uma pausa para amesendarmos com sandes e fruta e água. Uma conversa perfeitamente diacrónica: dados do nascimento, a infância, o colégio em Vila Real, as passagens por Coimbra e Lisboa, as lembranças de Lisboa noturna e do grupo coral, as peripécias da tropa, a viagem para Paris, e um nunca mais acabar de estúrdia, a revolução do desenho de humor, uma vida de boémia, os muitos amores, a militância esquerdista. Dirá um dia, em jeito de confissão, falando desses inesquecíveis anos parisienses: “Daqui nunca devia ter saído”.

La Bohème será apresentado por António Valdemar, escritor e decano dos jornalistas portugueses, que trabalhou em projetos com o Vasco, e Rui Cardoso Martins, professor universitário e escritor, que teve durante anos uma rúbrica no jornal Público com ilustrações do Vasco.

Pode, pois, perceber a natureza deste convite e a alegria que me dará pela sua presença. Para chegar ao Museu Rafael Bordalo Pinheiro (Campo Grande 382, 1700-097 Lisboa) autocarros não faltam com paragem à porta, o metro é a Estação do Campo Grande e há parqueamento na Lusófona, com entrada antes do edifício da universidade, como se fosse para o cinema Fernando Lopes.

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Nota do editor

Último post da série de 22 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28367: Agenda cultural (932): Feira do Livro de Fafe, Biblioteca Municipal, 24/9/2026, 5ª feira, 16h00: apresentação do livro do Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não Esquecemos os Jovens Militares do Concelho da Lourinhã Mortos na Guerra Colonial"

Guiné 61/74 - P28400: Parabéns a você (2531): Artur António da Conceição, ex-Soldado TRMS Inf / Condutor Auto da CART 730 / BART 733 (Bissorã, Jumbembem e Farim, 1964/66

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Nota do editor

Último post da série de 3 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28396: Parabéns a você (2530): Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS / STM (Piche e Bissau, 1970/72)