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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28313: (De) Caras (253): Manuel Joaquim (ex-fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissorã e Mansabá, 1965/67): escreveu-nos o último mail há 4 anos, por razões de saúde do foro oftalmológico deixou de poder ler o blogue... Temos de arranjar outra maneira de o blogue chegar até ele...

 

Manuel Joaquim > Maio de 2022> 
"Vivinho da costa!"


Foto (e legenda): © Manuel Joaquim (2022). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]




1. Mensagem do Manuel Joaquim, que vamos publicar com... 4 anos de atraso.

Foi o último mail que recebemos dele, mas escrito por um dos seus netos. Por ser muito pessoal, não o publicámos na altura. Nele fazia confidências sobre o seu estado de saúde, justificando-se por não poder mais acompanhar regularmente o nosso blogue. Ontem voltámos a falar com o Manel. Nems equer falámos deste mail "esquecido na caixa do correio". Mas por ele continua connosco, e fez 85 anos,  achámos que era a altura certa para a publicar.

Recorde-se que o Manuel Joaquim:

(i) é professor primário reformado;

(ii)  foi fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419 / BCAÇ 1857 (Bissorã e Mansabá, 1965/67));

(iii)  é membro da Tabanca Grande desde 1/8/2009;

(iv) tem 114 referências no blogue;

(v) é  autor das séries "Memórias de Manuel Joaquim" e  "Cartas de Amor e Guerra";

(vi) é pai de duas amorosas filhas e avô babado de netos;

(vii) é padrinho do "menino Adilan" (hoje, o nosso amigo José Manuel  Sarrico Conté, uma infeliz história de guerra com um final feliz; também desembarcou no T/T Uíge, no Cais da Rocha Conde d'Óbidos, em 9/5/1967; e partiu com o padrinho no mesmo comboio; foi criado com a família do Manuel Joaquim) (*).

Ontem, ele fez anos (85), falei com ele ao telemóvel: estava a almoçar, feliz, com a família (esposa, filhos, netos). Está relativamente otimista: o seu problema de saúde do foro oftalmológico está  estável, ao fim de 4 anos, estando a ser medicamente acompanhado... Está  fazer tudo para "salvar" a sua vista direita.

Enfim, metaforicamente falando, el ainda consegue "ver luz ao fundo do túnel":  tem autonomia para andar na rua, mas infelizmente não consegue seguir o n0sso blogue. Não pode ler...nem sequer  letras garrafais... Depende dos filhos e dos netos, para ler e escrever. E não me pareceu psiquicamente me baixo: incentiva-nos a continuar a editar o nosso blogue...  

Fiquei feliz por saber dele, apesar dos seus problemas de saúde. Falámos de camaradas que vieram totalmente cegos da guerra como o Arruda (Moçambique) (já falecido) e o Patuleia (Angola),  ambos dirigentes  da ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas. Camaradas que ele conheceu. Eu referi o caso mais concreto do nosso grão-tabanqueiro nº 870,  o Manuel Seleiro, natural de Serpa (**).

O Seleiro, por explosão de uma mina, ficou completamente cego, sem uma mão, só tem dois dedos na outra... Aprendeu a recorrer a um leitor de ecrã, um programa de computador que os deficientes visuais usam para ter mais autonomia no computador, e de modo a facilitar o acesso às aplicações mais populares da Internet.  Com software de síntese de voz e a placa de som do PC, a informação do ecrã é lida,  permitindo o acesso a uma variedade de aplicações de trabalho, educacionais e de lazer, e o envio de informações para uma linha (em braille). Ele não sabe braille, mas tem competências informáticas que lhe permitiram criar e editar um blogue e uma página pessoal. É casado, tem um filho, só pode andar de transportes públicos, a esposa esposa também é deficiente visual (não tem visão lateral).
 
Transmiti-lhe, em meu nome pessoal e em nome da Tabanca Grande, o nosso grande apreço por ele, amizade, camaradagem, solidariedade. E deixo-lhe mais à frente um comentário, mais pessoal,  na sequência da nossa conversa ao telefone. LG
____________________

Data - 19 set 2022, 19:53
Assunto - Manuel Joaquim


Olá, Luís, boa tarde

Aqui estou eu, vivinho da costa!

Em vez de novas palavras, junto um texto e anexo mais duas  fotos da minha chegada da Guiné, as únicas que até hoje vi retratando uma partida de comboio de um cais de Lisboa (*).

 (...) Como vês estou vivo. Pediste-me um sinal de vida e aqui estou eu com a corda ao pescoço, qual Egas Moniz, perante ti e de mais editores pedindo desculpa pelo meu silêncio que mesmo me parecendo inadmissível aconteceu. Estou aqui hoje a dar notícias, já o fiz na página do Facebook da Tabanca da Linha.

Há uns dois anos comecei a ter problemas oftalmológicos cuja causa foi posteriormente diagnosticada como Degenerescência Macular (DM). Em resultado disso, hoje estou sem visão frontal no olho esquerdo e a lutar para que não me aconteça o mesmo no olho direito, onde já há sinais de DM. 

Para “ajudar” , no dia 1 de maio de 2021 sofri um enfarte agudo do miocárdio a que se seguiu um edema pulmonar. Parece-me que a minha recuperação do enfarte vai bem. Vi-me obrigado a emagrecer (15 quilos até agora), sinto-me muito bem assim mais leve e aqui estou dando notícias.

Na prática o meu grande problema é a leitura e a escrita; não consigo fazê-las sozinho. Perdi a assiduidade de leitura deste blogue. A situação está melhor agora com a aplicação de “leitura em voz alta” do computador; o problema é não conseguir ler documentos digitalizados. Para escrever é que é mais difícil, só me valendo da visita de algum dos netos como acontece agora.

Anexo uma foto de hoje para veres como estou rijo (na aparência)!

Termino com votos de saúde para todos vocês meus queridos amigos, que sejam muito felizes! (**)

Um grande abraço

Manuel Joaquim

(Revisão / fixação de texto: LG)

2. Comentário do editor LG: 

Manel, ontem, ao falar contigo pelo telefone, fiquei muito feliz por te ouvir e por saber que estavas aí, à mesa, rodeado pela tua família, a festejar os teus 85 anos.

E fiquei a pensar numa coisa: tu dizes que já não consegues acompanhar o nosso blogue porque não podes ler, devido à DM. Pois então teremos de arranjar outra maneira de o blogue chegar até ti.

Porque há uma coisa que quero que saibas: tu não deixaste a Tabanca Grande. Continuas a ser um dos nossos. O teu lugar à sombra do nosso poilão, é vitalício,  está lá, mesmo que os teus olhos já não consigam ler o que escrevemos.

Temos 114 referências tuas no blogue, temos as  “Memórias de Manuel Joaquim”, temos as tuas “Cartas de Amor e Guerra”, temos a fabulosa saga  do teu "minino Zé Manel": tudo isso faz parte da memória colectiva dos camaradas da Guiné. E tens, sobretudo, muitos amigos que não te esquecem nem te esquecerão, na Tabanca Grande, na Tabanca da Linha, na Ajuda Amiga... 

Tu foste professor. Tem hábitos de aprendizagem, disciplina, curiosidade e capacidade de comunicar. Aos 85 anos, não há nenhuma razão para considerar encerrada a sua aprendizagem tecnológica. Sabes melhor do que nós que nunca é tarde para aprender. E aos 85 anos, não há nenhuma razão para considerar encerrada a tua aprendizagem tecnológica.  

Hoje há leitores de ecrã e síntese de voz muito mais capazes do que em 2022. O neto que te ajuda poderá configurar-lhe o computador ou, talvez ainda melhor, o telemóvel/tablet para ouvires os novos postes do blogue e os comentários dos leitores, em vez de os oleres, como também ditares respostas por voz, em vez de as escreveres. Não precisamos  sequer de recorrer a tecnologia sofisticada. Um áudio de WhatsApp, enviado por uma das tuas  filhas ou por um neto, pode devolver-te uma pequena janela para o mundo da Tabanca Grande.

Repara: se eu te falei do Manuel Seleiro não foi para comparar, relativizar ou atenuar a tua desgraça e o teu sofrimento, mas para te mostrar que a perda da visão não significa necessariamente a perda da autonomia intelectual nem da possibilidade de comunicar.

E, de facxto,  se não conseguires escrever, há uma solução ainda mais simples: falas e nós escrevemos. Tu contas-me uma história da Guiné, ou uma lembrança, ou uma coisa que te venha à memória. Um neto grava. Eu trato do resto, dentro das limitações que também temos. E depois fazemos chegar-te o texto em voz, para que o possas ouvir.  

Não queremos que voltes ao blogue por obrigação. Queremos apenas que saibas que o blogue continua a ser também teu.

E quando me disseres outra vez “Aqui estou eu, vivinho da costa!”, eu fico feliz.

Um grande abraço do teu amigo e camarada,

Luís

(Revisão / fixação de texto, negritos, links: LG)

__________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de  2 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28312: O cruzeiro das nossas vidas (32): A partida de comboio, do Cais da Rocha Conde d' Óbidos para Abrantes, do pessoal do BCAÇ 1857, que desembarcou do T/T Uíge em 9 de maio de 1967 (Manuel Joaquim, ex-fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissorã e Mansabá, 1965/67)

Guiné 61/74 - P28312: O cruzeiro das nossas vidas (32): A partida de comboio, do Cais da Rocha Conde d' Óbidos para Abrantes, do pessoal do BCAÇ 1857, que desembarcou do T/T Uíge em 9 de maio de 1967 (Manuel Joaquim, ex-fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissorã e Mansabá, 1965/67)


Foto nº 1


Foto nº 1A


Foto nº 1B


Foto nº 1C


Foto nº 1D




Foto nº 1E


Foto nº 2


Foto nº  2A


Foto nº 2B


Foto nº 2C

Lisboa > 9 de maio de 1967 > "Saída do Cais da Rocha Conde de Óbidos de um comboio,  transportando o BCaç 1857, acabado de chegar da Guiné, a caminho de Abrantes. Há a curiosidade de o trânsito estar a ser dirigido por um polícia sinaleiro, popularmente chamado “
' cabeça de giz' ”.

Fotos (e legenda): © Manuel Joaquim (2022). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]



1. Mensagem do Manuel Joaquim, que ontem celebrou o seu 85º aniversário,  e que nos chegou com atraso de... quatro anos (!). 

Foi o último mail que recebemos dele, mas não já não escrito por ele, por razões de saúde (que ele nos explicou, em texto anexo, a publicar em próximo poste), mas por um dos netos. A segunda parte será publicada em próximo poste: aí ele faz o ponto da situação do seu estado de saúde. Sendo um mail muito pessoal, não o publicámos na altura.  

Mas junto vinham estas duas fotos, de grande interesse documental, e até agora inéditas. São uma verdadeira viagem no tempo! Uma autêntica "cápsula do tempo" de Lisboa e das nossas vidas de antigos combatentes da Guiné. Têm já 6 décadas!

Merecem ser publicadas na série "O Cruzeiro das Nossas Vidas". Todos temos imagens imperecíveis da nossa partida para a Guiné (incluindo a viagem em..."comboio-fantasma", de noite, como eu, que vim justamente de Abrantes para o cais da Rocha Conde de Óbidos), mas poucos já têm, na memória, os detalhes da chegada, de barco,  muito menos da última viagem de comboio até à unidade mobilizadora (no meu caso, também o RI 2, Abrantes).

A partir daquele dia, com o regresso à "peluda", todos queríamos esquecer os 3 anos de vida que  a Pátria nos roubou...

O Manuel Joaquim foi fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419 / BCAÇ 1857 (Bissorã e Mansabá, 1965/67). Tem 114 referências no blogue. É membro da Tabanca Grande desde 1/8/2009. É autor das séries "Memórias de Manuel Joaquim" e  "Cartas de Amor e Guerra". E padrinho do "menino Adilan" (hoje, o nosso amigo José Manuel  Sarrico Conté, uma infeliz história de guerra com um final feliz; também veio no mesmo T/T Uíge, e partiu com o padrinho no mesmo comboio; foi criado com a família do Manuel Joaquim).

Data - 19 set 2022, 19:53
Assunto - Manuel Joaquim

Olá, Luís, boa tarde.

Aqui estou eu, vivinho da costa!

Em vez de novas palavras, junto um texto e anexo mais duas  fotos da minha chegada da Guiné, as únicas que até hoje vi retratando uma partida de comboio de um cais de Lisboa.

 Aqui trata-se da saída do Cais da Rocha Conde de Óbidos de um comboio transportando o BCaç. 1857 a caminho de Abrantes, no dia 9 de Maio de 1967. Há a curiosidade de o trânsito estar a ser dirigido por um polícia sinaleiro, popularmente chamado “cabeça de giz”.

Um grande e afetuoso abraço do Manuel Joaquim
Viva, meu caro Luís!

2. Comentário do editor LG:
Com a ajuda da IA (Gemini / Google) e pesquisas adicionais (no nosso blogue e na Net), bem como do conhecimento pessoal do local,  melhorámos a legendagem destas duas fotografias históricas, perdidas na nossa caixa de correio. Mas esperamos o concurso dos nossos leitores (e em especial dos lisboetas) para corrirgir ou complementar as legendas.

Lisboa, Alcântara, Cais da Rocha Conde d'Obidos, 9 de maio de 1967.

 Estas imagens (fotos nºs 1 e 2)  captam o momento histórico da saída do Cais da Rocha Conde de Óbidos de um comboio militar. A bordo segue o pessoal do Batalhão de Caçadores 1857 (BCaç 1857). 

Estas imagens imortalizam o momento da partida  do comboio a caminho de Abrantes (onde ficava o RI 2, a unidade mobilizadora do BCAÇ 1857). Também mostram a envolvente de Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Alcântara, Lisboa.

O BCAÇ 1857 acabava de desembarcar do T/T Uíge, da Companhia Colonial de Navegação (CCN) , no Cais da Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos.  Era nesta gare marítima  que atracavam habitualmente os grandes paquetes e navios de transporte de carga e passageiros do Ultramar. Era o "cais colonial".
O comboio, repleto de soldados nas janelas, seguia rumo a Abrantes. Na foto nº 1A, em primeiro plano (na  foto nº 2A, já de costas), é possível ver o trânsito a ser dirigido por um polícia sinaleiro, figura icónica da época popularmente conhecida como “cabeça de giz” devido ao seu capacete branco. É uma popular figura do passado. Foi a primeira grande vítima da automatização, neste caso com a introdução dos  primeiros semáforo automáticos em 1971, em Lisboa.  
Nas fotos do Manuel Joaquim, o comboio já está em marcha, vindo da Rocha do Conde de Óbidos (a leste) e a avançar para oeste ao longo da linha de cintura do porto, cruzando a artéria rodoviária na zona do cruzamento de Alcântara/Avenida de Ceuta.

O comboio iniciou a sua marcha nas próprias linhas do cais, porto de Lisboa,  junto à Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos , onde as composições encostavam diretamente para receber os militares recém-desembarcados e as suas bagagens.

A composição circulava pelo Ramal de Alcântara (ramal ferroviário que ligava a zona ribeirinha e o Porto de Lisboa à rede ferroviária nacional), prosseguindo em direção à Estação de Alcântara-Terra   (através do Ramal de Alcântara), de onde engatava na Linha de Cintura para rumar ao interior do país, neste caso, com destino a Abrantes (onde ficava o RI 2, a unidade mobilizadora do batalhão) para o posterior licenciamento das tropas. 

Análise mais detalhada dos elementos e locais identificados nas duas fotografias.

Cruzamento Alcântara / Av 24 de Julho 
 
A composição está a atravessar o entroncamento/cruzamento rodoviário na zona de Alcântara que articulava o tráfego vindo da Avenida 24 de Julho, da zona ribeira e do acesso à tancada de subida para a Ponte 25 de Abril (à data, Ponte Salazar) e Avenida de Ceuta.

Sinalização Direcional (Visível na Foto nº 2): a placa rodoviária em primeiro plano indica explicitamente as direções estratégicas criadas na altura da inauguração da ponte (1966):

  • "Ponte" (com seta a apontar para a rampa de acesso à Ponte Salazar (hoje, 25 de Abril); 
  • "Av de Ceuta" (com seta a indicar a ligação no sentido norte/Avenida de Ceuta).

Na foto nº 1, destaca-se ao fundo o viaduto metálico de acesso à Ponte 25 de Abril (inaugurada escassos meses antes, em agosto de 1966) (diz a IA,mas eu, confesso,  não o consigo ver).

Estação ferroviária de Alcântara-Terra


Na Foto nº 1, temos a Avenida de Ceuta, em Lisboa, vista a partir do cruzamento em direção a Alcântara. 

A estação que vemos à direita é a Estação Ferroviária de Alcântara-Terra. Na imagem, os carris ainda circulavam à superfície à face da estrada, antes de o canal ferroviário ter sido rebaixado e protegido como se encontra hoje em dia. (Não confundir com a estação de Alcântara-Mar, que fica mais abaixo, mais próxima do rio Tejo e junto à Linha de Cascais.)

O vale de Alcântara passou por uma transformação radical a partir da década de 1940 com a cobertura da antiga ribeira para a construção da Avenida de Ceuta, uma obra fundamental desenhada pelo urbanista Groer para ligar o centro e as zonas norte à margem do rio.
 

Polícia sinaleiro (“Cabeça de giz”) / Posto de trânsito

Na Foto 1 (no canto inferior direito) e na foto 2 (ao centro da via, junto a um pequeno estrado circular ou "talude" ou "peanha"), vê-se o polícia sinaleiro da Polícia de Segurança Pública (PSP) (O "Corpo de Policias Sinaleiros" foi criado em 1927, e chegou a ter  270 efetivos. )

A presença desse polícia sinaleiro no meio do cruzamento é um dos pormenores mais fantásticos e autênticos destas duas fotografias de 1967.

Em meados da década de 1960, a figura do sinaleiro era absolutamente vital para gerir o trânsito de Lisboa. O cruzamento da Avenida de Ceuta com a zona ferroviária de Alcântara era um ponto extremamente crítico e perigoso, onde o tráfego rodoviário em crescimento constante se cruzava diretamente com as linhas de comboio à superfície.

O polícia sinaleiro tinha um papel exigente neste local: 

(i) fardamento rigoroso: vestia o clássico uniforme com o capacete branco (perfeitamente visível na imagem), luvas brancas para destacar os gestos e uma farda impecável;  

(ii) coreografia de trânsito: controlava os automóveis através de movimentos de braços muito precisos e elegantes, em cima de um pequeno palanqute; 

(iii) coordenação ferroviária: quando um comboio como este vinha do cais a caminho de Abrantes, o sinaleiro tinha de mandar parar imediatamente todos os carros na avenida para dar prioridade absoluta à composição ferroviária, já que não existiam os automatismos e as barreiras modernas de hoje em dia.

Estes profissionais eram autênticas figuras castiças da capital, muito respeitados pelos condutores e pelos peões, que até lhes costumavam oferecer presentes e "boas-festas" na época do Natal (uma iniciativa do Automóvel Club de Portugal).

Viaturas automóveis e envolvente urbana de Alcântara

Na Foto 1, no lado esquerdo da via, sobressaem dois automóveis ligeiros característicos da época estacionados ou a aguardar sinalização: 

  • À esquerda, um Ford Cortina (Mark I) escuro (com a placa de matrícula da época EI-40-49).
  • Ao centro/esquerda, um Austin Cambridge / Morris Oxford (série Farina) de cor clara (com a matrícula LP-68-41).

Ao fundo e na lateral esquerda, observam-se os edifícios de traça industrial do Porto de Lisboa e dos armazéns de Alcântara, para além das colinas de Alcântara/Prazeres  (ao fundo, o Cemitério dos Prazeres)

Cemitério dos Prazeres / "Cerca de ciprestes"

Na crista da colina que se ergue ao fundo da Foto nº 1  (alinhada com o eixo da Avenida de Ceuta   e a encosta de Alcântara), sobressai uma mancha densa e escura de árvores perfeitamente alinhadas.

Trata-se da emblemática e monumental muralha/cerca vegetal de ciprestes do Cemitério dos Prazeres. Fundado em 1833 no topo do outeiro, o cemitério alberga uma das maiores e mais antigas concentrações de ciprestes (Cupressus sempervirens) da Península Ibérica, funcionando como um verdadeiro marco na paisagem urbana visto a partir do vale de Alcântara e do rio Tejo.

 Comando Local da Polícia Marítima de Lisboa / Capitania do Porto de Lisboa

O edifício em primeiro plano (lado esquerdo) (Foto nº 1), de tom claro/rosado com dois pisos, telhado de telha tradicional e janelas em fiada, situado logo atrás dos automóveis estacionados (o Ford Cortina e o Austin Farina), corresponde a instalações históricas ligadas à autoridade marítima/portuária na zona de Alcântara-Mar / Cais da Rocha.

Era (é ?)  a sede do Capitania do Porto de Lisboa  (área de Alcântara-Norte), responsável pela jurisdição do Porto de Lisboa e pela fiscalização das operações de acostagem e desembarque no Cais da Rocha Conde de Óbidos e Doca de Alcântara.

Ponte sobre o Tejo / Travessia ferroviária

Recorde-se que o comboio, operado pela Fertagus, na Ponte 25 de Abril (ex-Salazar) só  começou a circular a partir de 29 de julho de 1999. 
 
A ponte em si foi inaugurada muito antes, a 6 de agosto de 1966, mas a plataforma inferior foi projetada de raiz com espaço para receber a ferrovia dupla, que só viria a ser instalada décadas mais tarde.

Pesquisa: LG + IA (Gemini / Google IA) + Blogue
(Condensação, revisão / fixação de texto, links, negritos: LG)
   
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 19 de novembro de 2021 > Guiné 61/74 - P22731: O cruzeiro das nossas vidas (31): a minha viagem (pacífica) no N/M Ambrizete, de 3 a 9 de novembro de 1970, com partida (atribulada) oito dias depois do programado (Hélder Sousa, ex-fur mil trms, TSF, Piche e Bissau, 1970/72)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27731: E as nossas palmas vão para... (35): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16.º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte VII

Foto nº 53 > Esta a mesa do Jorge Ferreira, o "calmeirão", à direita de telenóvel em punho... A seu lado, o António Graça de Abreu, com o microfone, anunciando que se vai cantar os parabéns a você, à menina Tabanca da Linha que fazia 16 anos, nesse dia, 14 de janeiro de 2026.


Foto nº 54 > à esquerda, em segundo plano o Manuel Joaquim (e esposa), em animada discussão com os seus companheiros de mesa... Reconheço o Paraíso Pinto (Lisboa) e o Jorge Ferreira à direita


Foto nº 55 >  O  Manuel Joaquim (e esposa)

 Foi uma grande alegria para todos nós (e para mim e a Alice, em especial) poder abraçar o Manuel Joaquim e a esposa... Problemas de saúde (do foro oftalmológico) tem-no impedido, há muito, de comparecer aos nossos convívios. Tem 110 referências no nosso blogue.

É autor, como se lembram, de uma das mais belas histórias, com fim feliz, contadas no nosso blogue. Foi fur mil armas pesadas inf da CCAÇ 1419 (Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67), hoje professor do ensino básico reformado: trouxe para a sua casa e educou, como padrinho, o "nosso minino Adilan", o Zé Manel, o José Manuel Sarrico Cunté...


Foto nº 56 > Paraíso Pinto, Jorge FerreirCe António Oliveira Pena (Caxias), mais um 'pira".


Foto nº  57 > Um "periquito",a partir de agora Um"Magnífico"Não me parece, já o tenho visto noutros convívios... Há sempre uns mais assíduos do que outros... Peço desculpa se não reconheço de imediato as caras... Até porque às vezes vêm com um novo visual...


Foto nº 58 >  Alguns dos pais-fundadores" da Tabanca da Linha, em 14 de janeiro de 2010, há 16 anos: ao fundo, o Zé Carioca, o Mário Fitas e o António F. Marques. Na mesa estão sentados dois camaradas da mesa do Manuel Joaquim... O do meio é o José Iná Ribeiro (Linda-a-Velha). À sua direita, o Victor Jesus Carvalho (Linda a Velha)


Foto nº 59> Da esquerda para a direita,  um outro camarada cuja identidade me escapa e o Paraíso Pinto 

Magnífica Tabanca da Linha > Restaurante Caravela d'Ouro > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63.º almoço-convívio > 16.º aniversário

Fotos (e legendas) © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.


1. Continuação da fotorreportagem do último almoço-convívio da Tabanca da Linha, Algés, 16 de janeiro de 2026, em que participaram 73 "magníficos" dos 76 inscritos. Fotos do Manuel Resende, régulo da Tabanca da Linha. 

Já chegámos à foto n.º 59...  E já falámos de 7 mesas. Cada mesa em geral leva 9/10 convivas. Deve faltar mais uma mesa, que fica para o próxim o poste  (*). O melhor é pedir a ajuda do Manuel Resende, que tem a preocupção de fotografar esta gente toda, logo no início do almoço. E não falha nenhum.

Bom, começámos no dia 17 de janeiro. E comprometemo-nos a pôr  a fotografia e o nome de toda malta que foi à festa dos 16 anos da Magnífica Tabanca da Linha. Missão quase cumprida. E, mais uma vez, palmas para o nosso régulo.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27705: E as nossas palmas vão para... (35): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte VI

Postes anteriores:

30 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27686: E as nossas palmas vão para... (34): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte V

24 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27668: E as nossas palmas vão para... (33): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte IV 

21 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27657: E as nossas palmas vão para... (32): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte III

19 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27648: E as nossas palmas vão para... (31): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte II

18 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27647: E as nossas palmas vão para... (30): António Brito Ribeiro: loriguense a viver a em São João do Estoril, Cascais, benemérito da Magnífica Tabanca da Linha, fornecedor não-oficial de... "old bottles" para as ocasiões especiais

Vd, poste de 17 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P26744: E as nossas palmas vão para... (29): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convívivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte I

sábado, 31 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26867: Convívios (1035): Fotorreportagem do 61º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, Algés, 29 de maio de 2025 (Manuel Resende / Luís Graça ) - Parte I

 

Foto nº 1 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  O régulo Manuel Resende visivelmente bem disposto por tudo ter corrido bem: ds 87 inscritos faltaram 4, por razões de força maior... 

E neste convívio tinhamos um "magnífico" que veio de longe: o João Crisóstomo, nosso camarada, que vive em Nova Iorque. 

Na foto, de pé à esquerda, o Luís Graça  (Lourinhã) e à direita,a sentado, o Joaquim Pinto de Carvalho (Cadaval) (fez ntem anos, uma capicua, 77...). Quatro régulos, ao fim e ao cabo: da Tabanca Grande, da Tabanca da Diáspora Lusófona, da Tabanca da Linha e, por último, da Tabanca do Atira-te ao Mar e Não Tenhas... Medo!

Foto nº 2 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  Aspeto parcial do 2º (e último) piso do restaurante que estava cheio (11 meses de 8 convivas)... Já há muito, desde antes da pandemia, que não se atingia praticamente a lotação máxima.


Foto nº 3 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > As "nossas mulheres grandes" (sempre "bajudas"!) desta vez responderam à chamada do nosso régulo: a sala estava muito bem composta... 

Aqui o António Duque Marques, com a esposa... O casal viva na Amadora. ("António, como é que ? És "magnífico" desde  18 de maio de 2017, mas ainda não és membro da Tabanca Grande ? Ainda por cima, meu vizinho!... Temos estado distraídos os dois, tu e eu!... Estás 'convocado' para te sentares à sombra do nosso poilão, no lugar nº 906!")... 


Foto nº 4 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Outro casal amoroso, simpatiquíssimo, fotogénico, apanhado pelo nosso fotógrafo com um sorriso lindo: o José Diniz Souza Faro e a esposa (S. Domingos de Rana, Cascais)... (Foi fur mil art, 7.º Pel Art / BAC , Cameconde, Piche, Pelundo e Binar, 1968/70, tem 14 referências no nosso blogue, e é membro da nossa Tabanca Grande desde 23/05: é "magnífico" desde 15/5/2015).


Foto nº 5 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Outro "menino da Linha", o Mário Fitas, com a sua Helena.

 É um dos "pais-fundadores" da Tabanca da Linha, em 2010 (está no livro de baptismo com a data de 19/2/2015, o que não bate certo). Ofereceu-nos, com uma bela dedicatória, o seu ultimo  livro (Mário Vicente - "Do Alentejo à Guiné: Putos, Gandulos e Guerra", ed. autor, maio de 2025, 162 pp.)



Foto nº 6 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Já não nos víamos há muito tempo, desde os bons tempos antes da pandemia!... Teve um grande susto, quase a patinar, disse-me ele...Refiro-me ao António Alves Alves (Carregado, Alenquer), que é "magnífico"  desde 15/11/2015...(Também não és "grão-tabanqueiro", temos de ver isso, camarada!)


Foto nº 7 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Manuel Gonçalves e Tucha, mais dois meninos (Carcavelos, Cascais)... São transmontanos de Bragança... O Manuel Gonçalves, ex-alf mil Manutenção,  CCS/BCAÇ 3852 (Aldeia Formosa, 1971/73),  é "magnífico há "dois anos"... E "grão.tabanqueiro" desde 2 de agosto de 2018 (nº 776); foi alunos dos Pupilos do Exército...


Foto nº 8 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Foi uma grande alegria para todos nós (e para mim e a Alice, em especial) poder abraçar o Manuel Joaquim e a esposa... Problemas de saúde (do foro oftalmológico) tem-no impedido, há muito, de comparecer aos nossos convívios. Tem 110 referências no nosso blogue.

É autor, como se lembram, de uma das mais belas histórias, com fim feliz, contadas no nosso blogue.  Foi fur mil armas pesadas inf da CCAÇ 1419 (Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67), hoje professor do ensino básico reformado: trouxe para a sua casa e educou, como padrinho, o "nosso minino Adilan", o Zé Manel, o José Manuel Sarrico Cunté...

Falámos do Adilan, à mesa, com muita emoção (!)... Agora já avô, e feliz por viver em Portugal, o Zé Manel!... Camaradas: é um grande lição de portuguesismo e de humanidade, a do Manuel Joaquim e do Adilan, aliás, Zé Manel, dois membros da Tabanca Grande (onde raça, etnia, cor de pele, religião, partido, clube, classe social, etc., ficam lá fora).. Dois grandes seres humanos que muito nos honram e a quem desejemos o melhor da vida...


Foto nº 9 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Mais dois meninos (e uma menina) da Linha... Não precisam de apresentação... São veteraníssimos nestas andanças!... São "magníficos" da primeira hora e também membros da Tabanca Grande: António Marques e Gina (Cascais) e Armando Pires (Oeiras)...

Fotos: © Manuel Resende (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Escreveu o Manuel Resende na página do Facebook da Magnífica Tabanca da Linha, quinta feira, 29 de maio, às 21:56:


Mais um convívio se realizou hoje no Restaurante Caravela de Ouro, foi o nº 61. As cadeiras ocupadas foram 83. Creio que fizemos uma boa manifestação de gratidão ao nosso camarada João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque  e que fizemos coincidir com as suas férias cá. Quem não souber quem é o Crisóstomo vá ao Blog Luis Graça e procure. Está lá tudo.

Como de costume, e para que fique registado, tirei algumas fotos que junto, clicando neste link.

2. Vamos selecionar algumas das mais de 6 dezenas de fotos do Manuel Resende, editá-las e legendá-las. Este é o primeiro poste.  

Fica aqui também a minha / nossa gratidão ao "magnífico-mor". 

Foi mais um almoço-convívio cuja organização esteve impecável e foi do agrado geral. 

Sempre discreto, o Manuel Resende está em "todas" as funções que cabem a um "régulo":  depois de ter convocado as "tropas", sempre com música suave ao ouvido (não precisa de berrar, vai atualizando o Facebook...), e de ter orientado as coisas com o restaurante,  lá esteve ele, de novo,  para nos nos receber,  dar as boas vindas aos "piras" (7 desta vez vez!), receber a "guita", fazer as contas, pagar,  etc. 

Nunca tem tempo, coitado, para provar os aperitivos e come à pressa... Lá pega na máquina fotográfica e percorre as 11 mesas, tirando 61 chapas... em tempo recorde... E ainda por cima posando, com calma e pachorra, para os "telemóveis" que querem ficar com uma "selfie"...

Tudo começa antes das 12h30 para acabar mais ou menos às 15h00... Vamos ter saudades do nosso "régulo" quando ele se reformar (mas, felizmente, ainda falta muito...). Deus lhe dê muita saúde e longa vida,  que ele merece as duas coisas... (LG)

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Nota do editor:

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Guiné 61/74 - P24586: Fotos à procura de... uma legenda (177): Foto do Abílio Duarte, tirada talvez pelo Cândido Cunha, em Fasse, Paunca: (i) "Furriel com um bebé ao colo"; (ii) "O capitão pode ser o chefão disto tudo, mas é o furriel que me dá a pica cá no sitio"; (iii) "Os furríeis podem ser os mais garbosos, mas quem me trazia as sobras eram os da ferrugem", etc. (Valdemar Queiroz / Chernmo Baldé / Carlos Vinhal / Eduardo Estrela / Luís Graça)


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Paunca > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > "Eu, dentro do possível, fazendo psico"...


Fotos (e legendas): © Abílio Duarte (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1. Seleção de comentários a propósito da foto acima, inserida no poste P24579 (*). Oportunidade para os nossos leitores acrescentarem algo mais â(s) legenda(s) possível(eis) (**):


(i) Valdemar Queiroz:

Como lisboetas, eu nem tanto, mas nem se notava os vincos da escorregadela na tábua, e o Duarte andávamos muitas vezes juntos, e grande parte das fotografias a ele próprio são tiradas por mim. Julgo que a da messe é uma delas.

Há muito poucas fotos tiradas em operações, ninguém se lembraria de levar ou nem sequer haver máquina.

Lembro-me daquela foto tirada no mato, o meu Pelotão também foi naquela Operação e eu estou numa imagem na distribuição de rações de combate.

Havia a moda dos slides com belas fotografias que ficaram por ser reveladas para papel. O Duarte tinha um slide extraordinário dum fim de tarde quente e poeirento em Canquelifá, ao vê-lo só falta ouvir algumas palavras em panjadinca que com este calor de agora até isso estamos a sentir.

Uma rectificação, uma das máquinas de fotografias existentes era do 1º. Cabo Pais de transmissões, já falecido, e não fur mil Pais de Sousa, mecânico.

Na bela fotografia do Duarte com uma criança ao colo, parece ser una menina (brincos e roncos) nas nossas acções de psico 'por uma Guiné melhor', talvez na pequena tabanca de Fasse (Paunca).

Esta menina devia ter sido uma bonita bajuda e agora mais de cinquenta anos deve ser uma bela avó que está numa fotografia ao colo de um tuga nos tempos da guerra.

Saúde da boa (,,,)

23 de agosto de 2023 às 14:50


(ii) Cherno Baldé:

Se algum dia tivesse que falar ou escrever sobre uma determinada tipologia ou classe do soldado português que nós admirávamos, essa seria a dos Furrieis, não porque os tivesse conhecido ou convivido de perto, mas porque, no ambiente que conhecemos, na altura, no seio de uma companhia de quadrícula, eles se destacavam por certas características (juventude, empatia, boa disposição, garbo militar, sobriedade, entre outros) que os faziam parecer distintos e, certamente, mais simpáticos que o resto da Malta, era como se tivessem sido especialmente escolhidos a dedo.

É verdade que não se pode generalizar, mas era a impressão com que, na altura, nós ficávamos e, assim como no futebol todos queriam ser o Eusébio e do Benfica, também o Furriel era o nosso modelo preferencial nos momentos das brincadeiras a imitar os adultos.

Em contrapartida, ninguém queria fazer o papel do velho e "rabugento" Sargento da companhia, cuja figura se situava nas antípodas dos Furríeis. Se calhar era o resultado dos conflitos próprios inerentes às suas funções no seio das corporações que fazia com que não fosse muito apreciado dos restantes soldados da companhia.

No entanto, ainda me lembro da parte de uma canção que as bajudas da minha terra, mais discretas e criativas, inventaram para fazer eco destas imagens recriadas a partir das observações sobre os soldados metropolitanos, mostrando o quão a nossa comunidade apreciava os nossos jovens e irrequietos soldados portugueses durante a guerra na Guiné (traduzido da língua fula):

"O Capitão bem que pode ser o chefão cá do sítio, mas é o Furriel que me dá a picadela (injecção) no sitio".

Confesso que, ainda hoje, não consigo vislumbrar o significado desta estrofe da canção, mas nunca mais desapareceram do meu espírito as vozes ritmadas das meninas a cantar nas nascentes e lagoas, enquanto batiam com toda a sua força os pesados camuflados nas pedras de lavar a roupa, tendo como fundo o espaço verde e límpido da nossa bolanha no rio Suncujuma, em Fajonquito.

Mas, colocando à parte o imaginário infantil que nos habitava, na altura, os meus verdadeiros amigos eram os condutores e mecânicos auto entre os quais fiz amizades que perduraram no tempo. Infelizmente, pela lei da vida, estão a partir pouco a pouco para a outra dimensão. No ano passado partiu o Elsa (Oliveira) que, pela primeira vez na vida me entregou o volante do seu Unimog para uma experiência única inesquecível.

Assim, também, apetece dizer que "os Furríeis podem ser os mais garbosos, mas quem me trazia as sobras eram os da Ferrugem".

23 de agosto de 2023 às 20:24


(iii) Carlos Vinhal:

Caro amigo Cherno, o "furriel" Vinhal agradece a tua apreciação sobre a sua classe.

Dizes muito bem, os nossos homens da "ferrugem" eram diferentes para melhor. Lembro-me de o pequeno Salifo, cuja mãe tinha sido morta num golpe de mão a uma tabanca "inimiga", ter sido trazido para o quartel e ficar ao cuidado dos nossos mecânicos. 

Dormia nas suas instalações e eram eles que também lhe proporcionavam roupa e comida, além de lhe ensinarem português em troca de ele ensinar crioulo. Era muito pequenino, teria uns 5 anos.

Às vezes era nosso convidado na messe, onde lhe dávamos-lhe lições de "etiqueta", ensinando-o a comer com talheres, o que para ele era muito difícil. De vez em quando, fazíamos de conta, olhávamos para o lado para ele comer como lhe dava mais jeito, com as suas mãozitas.

Um dia o avô, que vivia na tabanca, exigiu o menino de volta,  o que foi para nós um desgosto. Mas compreendemos.

Pessoalmente, não convivi muito com a população de Mansabá, apesar dos 22 meses de quadrícula: primeiro por me sentir um "invasor" e me achar porventura mal recebido; segundo porque tinha muito trabalho no quartel, além da actividade operacional;  e terceiro ser pouco sociável, fruto talvez do facto de ser filho único e estar habituado a estar só e a não sentir necessidade de conversar.

No entanto, nos momentos de contacto social, fui sempre cortês e respeitador para com aquelas pessoas que eram diferentes de mim porque eram diferentes os seus usos e costumes. Não sendo os africanos, nem mais nem menos do que nós europeus, porque carga de água haviam de ser "convertidos" ao cristianismo? (...)

23 de agosto de 2023 às 22:13

(iv) Valdemar Queiroz:

Tens razão, Cherno Baldé, os Furriéis milicianos eram uns bacanas. Poderia haver um ou outro palerma mais a maioria eram uns gajos porreiros.

Repara como o ex-Furriel miliciano Abílio Duarte pega ao colo a criança-bebé, repara no seu braço esquerdo que a envolve, a segura com todo o cuidado para não cair e aconchegando ao mesmo tempo para não chorar com um "chiu" sorridente para não a assustar.

Esta fotografia é uma obra d'arte, repare-se no braço que segura a menina.
Como não sabemos a patente do militar fotografado,  podemos catalogá-la : "Furriel com um bebé ao colo".

Julgo que a fotografia foi tirada pelo furriel mil Càndido Cunha que era do Pelotão do Abílio Duarte.

Saúde da boa (...)
 
23 de agosto de 2023 às 23:56

(v) Eduardo Estrela:

Subscrevo por inteiro os vossos comentários mas retenho o do Carlos que diz...." Aquelas pessoas que eram diferentes de mim por serem diferentes os seus usos e costumes ".

Em suma, a sua cultura que era tão ou mais valiosa do que a nossa.

Os furriéis milicianos tinham que gramar com os seus superiores e ouvir e conciliar os seus subordinados.

Para além de que, duma forma menos direta, contribuíram para que o 25
de Abril fosse em 1974 e não em data posterior.

Abraço fraterno. (...)

24 de agosto de 2023 às 13:16

(vi) Luís Graça:

Querem história mais linda do que a do nosso camarada e amigo Manuel Joaquim, ex-fur mil armas pesadas inf da CCAÇ 1419 (Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67), hoje professor do ensino básico reformado, que trouxe para a sua casa e educou, como padrinho, o "nosso minino Adilan", o Zé Manel, o José Manuel Sarrico Cunté...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2015/12/guine-6374-p15500-decaras-26-os-homens.html

Mais do que ser furriel, sargento, alferes ou capitão, miliciano ou do quadro, é(era) a formação humana e moral de cada um de nós que conta(va)... no trato com a população da Guiné... E, claro, a liderança, a orientação superior, o exemplo que vem de cima...

Eu posso dizer que, no geral, tive orgulho nos camaradas que me couberam em sorte (praças, graduados, especialistas, europeus e africanos). Claro, como em todos os rebanhos, há sempre uma "ovelha ranhosa"...

24 de agosto de 2023 às 15:15

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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 23 de agosto de 2023 > Guiné 61/74 - P24579: Por onde andam os nossos fotógrafos ? - Parte IIB: Abílio Duarte, ex-fur mil art, CART 2479 / CART 11, “Os Lacraus” (Contuboel, Nova Lamego, Piche e Paunca, 1969/70)

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Guiné 61/74 - P23785: Prova de vida (6): Nem todos os balantas eram... "turras" (Manuel Joaquim, ex-fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67)






Manuel Joaquim, ex-fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, 
Bissau, Bissorã e Mansabá (1965/67). Tem uma coleção de cerca de 175 cartas, 
das que escreveu a (e recebeu de) sua companheira, hoje mãe dos seus filhos 
e avó dos seus netos. 



Manuel Joaquim (c. 2019).
Foto:  Cortesia de Manuel Resende
1. O nosso camarada  e amigo Manuel Joaquim, ex-fur mil armas pesadas inf da CCAÇ 1419 (Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67), hoje professor do ensino básico reformado,  além de sócio da ONGD Ajuda Amiga, tem 105 referências no nosso blogue,  Está connosco, como membro,  de pleno direito,  da Tabanca Grande, desde 3 de agosto de 2009. 

 É autor da notável série "Cartas de amor e guerra", de que se publicaram duas dezenas de postes, entre janeiro de 2013 e maio de 2015. O último poste da série foi o P14577 (*). 

Também é autor da série "Memórias de Manuel Joaquim" (de que se  publicaram dez postes, o último foi o P11263) (**).

Razões de saúde (sofre de problemas do foro oftalmológico) levaram-no a condicionar e a limitar a sua colaboração no blogue.  Conheci-o pessoalmente há 11 anos atrás, em 4 de junho de 2011, no VI Encontro Nacional da Tabanca Grande, em Monte Real,  Temo-nos enocntrado por aí, desde então. Tive o  grato prazer de o rever, mais recentemente,  no último  encontro da Tabanca da Linha, no passado dia 22 de setembro. Abracei-o com emoção.

Não posso esquecer que ele aceitou partilhar, no nosso blogue, parte da sua correspondência do tempo da sua "comissão de serviço militar" na Guiné (1965/67). Escrevi eu, em 8 de janeiro de 2013, no poste P10910, o seguinte: 

(...) O teu gesto - partilhar a tua correspondência íntima - é de uma grande nobreza, e eu espero que seja recebido com apreço e gratidão por todos os leitores do blogue (só este ano, vamos ultrapassar o milhão e 200 mil visitas!). É um serviço que prestas à Pátria, a tua terra, aos teus filhos e netos, aos teus camaradas, ao tempo e ao lugar em que nos coube nascer. Poucos de nós terão um acervo tão rico como o teu, em matéria de correspondência íntima, ao fim deste século!... Além disso, eras professor, já trabalhavas, tinhas namorada, tinhas outra maturidade que muitos não tinham quando foram para a tropa (, nomeadamente os milicianos).(...)

2. O Manuel Joaquim não precisa de fazer "prova de vida" (***)...  Felizmente está vivo e continua con ganas de viver, apesar das suas limitações de saúde, o que é cada vez mais frequente, infelizmente, no caso de todos nós, antigos combatentes... (Quem é que não se queixa ?!... "Até aos quarenta, bem eu passo, depois dos quarento, ai a minha perna, ai o meu braço")...

Mas eu (e muitos leitores) tenho saudades da sua escrita. Lembrei-me de ir respescar a primeira história que ela aqui publicou, o "Balanta Furtador" (***)... Uma belíssima história, que nos faz pensar e traz-nos outras lembranças parecidas... 

E até vem a propósito, porque de tempos a tempos fomos confrontados com um arreigado estereótipo social do nosso tempo, a falsa dicotomia Fula  (aliado dos "tugas" - bravo - leal) "versus" Balanta ("turra" . homem do mato - "cabra macho" - "carne para canhão" das tropas do Amílcar Cabral)... 

Ora nem todos os balantas estiveram do mesmo lado da "barricada"... Nem todos os balantas foram "turras"...

Além disso, o Manuel Joaquim é  o "padrinho" do nosso "minino Adilan" (nome balanta), o José Manuel Sarrico Cunté, igualmente membro da nossa Tabanca Grande.  A história  destes dois grandes seres humanos (que a guerra juntou) merece ser lida ou relida pelos amigos e camaradas da Guiné.



Leiria > Monte Real > Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > O "nosso minino Adilan", o Zé Manel,  o José Manuel Sarrico Cunté, na altura com 50 anos, com o seu padrinho, o Manuel Joaquim... 

Foram duas das muitas estrelas que fizeram do nosso grande encontro mais um grande ronco, o da camaradagem, da amizade e da solidariedade... Adorei conhecê-lo,  ao Zé Manel: desenvolto, portuga dos sete costados, casado com uma angolana, crítica em relação ao rumo que tomou o seu país de origem (infelizmente, os seus pais biológicos já morreram; a sua verdadeira família hoje está aqui em Portugal)...O Manuel Joaquim, que também conheci pela primeira vez, em carne e osso, era um homem feliz, orgulhoso do seu "minino"...


Foto (e legenda): © Luis Graça (2011). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


BALANTA FURTADOR

por Manuel Joaquim


Bissorã, 1966. Os balantas dedicavam-se quase só à agricultura e actividades afins, labutando na área que rodeava o quartel. Um dos poucos balantas da tabanca que fugiam à regra era Fafé. Trabalho agrícola não era com ele. Na bolanha ninguém o apanhava. Não precisava de trabalhar a terra para ter arroz. Este nascia, descascado e tudo, no quartel.

Frequente era vê-lo a acamaradar com tropa, bebendo e gesticulando para melhor se fazer entender. Era o caminho ideal para soldado chegar a algumas balantas mais dispostas a amenizar a sua difícil situação. Qual marginal da tabanca, prometia-as por dá cá aquela palha ou, às vezes, exigindo coisas substanciais... alguns cobertores da caserna ganharam asas!

Fafé alardeava coragem. Era vaidoso.Vaidade bem alimentada por outros para aproveitarem o espírito de aventura que revelava. A roubar vacas era excepcional. E com que orgulho contava os seus feitos! A tropa escutava-o e servia-se. Impedia-lhe o furto na área próxima da vila mas dava-lhe pé leve para se embrenhar no mato, à procura das vacas dos «turras».

Cada vaca que trazia não era só redução alimentar no PAIGC e mais carne na tabanca. Vinha também informação para o quartel. E bem valiosa. E assim se tornou numa peça importante. Importância que não sentia. Apresentar vaca na tabanca, dar barriga cheia à sua gente, reconhecerem a sua coragem e esperteza, verem nele um balanta exemplar, eis o que lhe interessava.

Nem todos os do quartel lhe davam palmadinhas nas costas e gostavam dos seus actos. Não dava por isso, era campeão da esperteza, da coragem, do furto perfeito. E era louvado pelos "homens grandes" da tropa. Mas as suas façanhas faziam perder o apetite a muitos.

Eram informações que levavam aos donos das vacas, à caminhada dolorosa pela mata, ao medo que pesava quilos no estômago, aos vómitos secos, ao combate, à dor, à morte. E, alguns, viam nele um símbolo da utilização abusiva que a guerra faz do indivíduo.

Naquela madrugada Fafé não chegou, mesmo sem vaca. As balas da PPSH fizeram das suas, não matavam só tropa mas também pessoal "amigo" de tropa. Ele sabia-o, mas balanta é artista no roubo de vacas. Quantas histórias, sobre este tema, devem ter ouvido aos velhos balantas! Fafé não teve sorte e, daquela vez, voltou arrastado por camarada de furto com a morte e não a vaca por companheira.

E na manhã quente de Dezembro foi «choro» na tabanca. No terreiro, família de balanta grita e rebola no chão. Família de balanta mata vaca para todo o pessoal: choros, lamentos, gritos, gemidos, rufar de tambores, danças, suor, poeira. É o «choro» em honra de Fafé. São horas a passar, em estonteante mistura de dor e prazer, de arroz e lágrimas, de carne e dança, de álcool e pó. Cumpre-se a tradição.

Mais tarde: Cortejo em marcha acelerada, gritos e cânticos, tantãs rufando, pancadas surdas e ritmadas no chão poeirento, à frente corpo de balanta em esquife de esteira baloiçando sobre altivas cabeças de amigos, Fafé foi a sepultar. Enrodilhado nesta onda lá vai o soldado branco, confuso e inseguro, seguindo não sabe quê.

Pó e mais pó solta-se do chão e sobe, sobe por sobre a tabanca. Entorpece o Sol. Soldado branco pára. A multidão acotovela-o. Redemoinha no pó. Tenta limpar os lábios e os olhos. Incapaz de continuar, vê afastar-se a esteira de palma que envolve corpo de Fafé. Soldado branco é turista em funeral de balanta.

Baixa a cabeça, dá meia volta, tenta regressar por onde vê menos pó... repara que mulher balanta, idosa, ainda chora e dá cambalhotas. Mulher balanta não defende lábios nem olhos do pó e da terra que irá cobrir corpo de seu balanta furtador.

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(****) Vd. poste de 27 de novembro de  2009 > Guiné 63/74 - P5358: Memórias de Manuel Joaquim (1): O Balanta furtador