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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27615: O nosso blogue em números (110): 2025, mais um "annus horribilis": tivemos 11 baixas mortais entre os nossos grão-tabanqueiros; despedimos também de mais 12 outros amigos (n=4) e camaradas (n=8)... Dos antigos combatentes, 10 morreram com 80 anos ou menos, 9 morreram com mais de 80



In Memoriam dos amigos (n=4) e camaradas da Guiné (n=19), falecidos em 2025, e que foram notícia no nosso blogue (n=23)


Horácio Neto Fernandes (Ribamar, Lourinhã, 
1935 - Porto, 2025),
ex-alf grad capelão, BART 1991 
(Catió, set 67/ mai 69)
e BCAÇ 2852 (Bambadinca, mai /dez 69)



José António Sousa (1949-2025),
 ex-sold cond auto, CCAV 3404/BCAV 3854 
(Cabuca, 1971/73); vivia no Porto; 



Mendonça da Silva (1951-2025), 
viúva do nosso camarada Torcato Mendonça; 
vivia no Fundão (*);


Manuel Lema Santos (1942 - 2025) , ex-1º tenente 
Reserva Naval, 1965-1972; 
ex-Imediato no NRP Orion, Guiné, 1966/68, 
vivia em Massamá, Sintra; 
era um dos históricos da Tabanca Grande, 
mas em dada altura desvinculou-se do blogue; (*)


Suleimane Baldé (1938-2025), régulo de Contabane, 
ex-1º cabo do Pel Caç Nat 53 (1968-1974),
 filho do régulo Sambel Baldé e de Fatumat 
(fica inumado, simbolicamente, à sombra do nosso poilão, no lugar nº 908);

filha do nosso camarada Carlos Filipe Gonçalves,
 ex-fur mil amanuense, CefInt / QG / CTIG, Bissau, 1973/74): 
vivia na Praia, Cabo Verde (*);


uma mulher pioneira em vários domínios, interditos às mulheres, 
a começar pelo paraquedismo... 
Foi a "madrinha" das enfermeiras paraquedistas (1961); vivia emLisboa; (*)



Rita Mascarenhas (1978-2025), 
filha do nosso camarada José Rodrigues (ex-fur mil trms, 
CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67;); 
vivia em Belas, Sintra: (*)


escritor, romancista, poeta, autor e ensaiador de teatro; 
cumpriu o seu serviço militar na Guiné, trabalhou na Rádio; 
 homemagem dos seus conterràneos Narciso Santos e José Câmara, 
bem como do nosso crít6ico literário Beja Santos; 
vivia em Ponta Delgada; (*)


 natural de Fermentões, Guimarães, 
antigo autarca, ex-fur mil, 2ª CART / BART 6520,
 "Os Mais de Nova Sintar", 1972/74): (*)


 (Ferreira do Alentejo, 1945 - Lisboa, 2025),
 ex-alf mil trms, CCS/BCAÇ 2852 
(Bambadinca, 1968-1970);


J. L. Pio Abreu (Santarém, 1944 - 
Coimbra, 2025): 
ex-alf médico, CCS/BCAÇ 3863 
(Teixeira Pinto, 1971/73): (*)


(1949-2025),  ex-Fur Mil Inf, 
CCAÇ 3328 (Bula, 1971/73); 
vivia em Faro (*)


2.º Ten FZE do DFE 21, Reformado, DFA (Guiné, 1972); 
vivia em Santarém:


Carlos Matos Gomes (1946-2025), 
membro do MFA no CTIG, 
cor cav 'cmd', ref, escritor e historiógrafo, 
e grande amigo da Tabanca Grande; 
vivia em Lisboa(*)


Maria Rosa Rosa Exposto, ex-alf enf pqdt 
(Bragança, c. 1940 - Portalegre, 2021), 
pertencia ao 4º curso (1964) e passou pelo CTIG: (*)



(Ribeira Grande, Santo Antão, 
Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025): 
 era do 2º curso (1962) 
e passou pelos 3 teatros de operações; (*)



Leopoldo Correia (1941-2024),
ex-fur mil, CART 564
 (Nhacra, Quinhamel, Binar, Teixeira Pinto, 
Encheia e Mansoa, 1963/65); 
vivia em Águas Santas, Maia


Mário Vitorino Gaspar (Sintra, 1943- 
Lisboa, 2025), ex-fur mil art, MA,
 CART 1659, "Zorba" (Gadamael e Ganturé, 
1967/68): 


Valdemar Queiroz (Afife, Viana do Castelo, 1945 - 
Agualva Cacém, Sintra, 2025),
 ex-Fur Mil da CART 2479 / CART 11 
(Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca 
e Guiro Iero Bocari, 1969/70)


Cap Cav Ref Alberto Bernardo Leite Rodrigues 
(1945-2025), 
ex-Alf Mil Cav da CCAV 1748 (1967/69); 
era membro da Tabanca
 de Matosimnhos (fica inumado, simbolicamente, 
à sombra do nosso poilão, no lugar nº 899)


ex-alf mil, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 
(Mansoa, Galomaro e Dulombi, 1968/70); vivia em Coi,mbra;
era um histórico da Tabanca Grande (**)


António Medina (Santo Antão, 
Cabo Verde, 1939 - 
Medford, Massachusetts, EUA, 2025), 
ex-fur mil at inf, OE, CART 527 
(Teixeira Pinto, Bachile, Calequisse, 
Cacheu, Pelundo, Jolmete e Caió 1963/65)


(*) não eram formalmemnte membro da nossaTabanca Grande

(**) notícia só recebida em 2025


2. Os grão-tabanqueiros que "da lei da morte se libertaram" em 2025 foram 11. É sempre uma exercício doloroso, mas são os vivos que têm de cuidar dos mortos e honrar a sua memória: 




Suleimane Baldé (1938-2025)

Fernando de Carvalho Taco Calado (1945-2025)


Leopoldo Correia (1941-2024)


Valdemar Queiroz (1945-2025)

Leite Rodrigues  (1945-2025)





Homenagem aos nossos mortos queridos, em 2025. Não se estranhe a bandeira dos EUA: o António Medina era luso-americano, ou cabo-verdiano -ameroicano, não tenho a certeza (era natural de Santo Antão, emigrou para os States em 1977); o Suleimane Baldé era guineense (já tinha sido português); a Eugénia era portuguesa, de origemc abo-verdiana; a Dúnia Gonçalves era cabo-verdiano, mas o pai já foi português... Afinal, pertencemos todos e todas â mesma terra que nos deu origem...É preciso dar muitas voltas para se chegar a uma ilustração como esta...

Ilustração: IA generativa (ChatGPT / OpenAI), 
composição orientada pelo editor LG


3. Há a registar nesta lista necrológica mais 8 combatentes (que estiveram na Guiné, mas que não integravam formalmente a nossa Tabanca Grande). Há ainda 4 mulheres (1 viúva e 2 filhas de grão-tabanqueiros, e ainda a "mentora" das enfermeiras paraquedistas).

Calculámos a média e a mediana dos combatentes que morreram em 2025 (n=19), a partir da idade aproximadade (=ano da morte - ano do nascimento).

  • Média=81,1 anos
  • Mediana= 80
  • Mínimo = 72
  • Máximo = 90

Interpretação (mediana): 10 camaradas morreram com 80 anos ou menos; 9 morreram com mais de 80 anos.

______________________

Guiné 61/74 - P27614: Parabéns a você (2452): António Murta, ex-Alf Mil Inf MA da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513/72 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1073/74)

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Nota do editor

Último post da série de 6 de Janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27608: Parabéns a você (2451): Paulo Santiago, ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27613: Notas de leitura (1882): "O capelão militar na guerra colonial", de Bártolo Paiva Pereira, capelão, major ref - Parte VI: "Apenas dois capelães foram expulsos do Exército"


 Capa do último livro de Bártolo Paiva Pereira, padre da diocese de Braga, capelão militar, capelão-chefe do CTIG (1965/67); nascido em 1935, em Santo Tirso,  foi ordenado sacerdote em 1959, em Braga; foi capelão militar desde 1961, em Angola, e serviu nas Forças Armadas durante 30 anos (um caso raro de dedicação á Pastoral Castrense; é hoje major do exército na situação de reforma;  também exerceu o seu múnus espiritual no seio da diáspora portuguesa na Suíça; é autor de uma dezena de livros; vive em Vila do Conde, é vizinho e amigo do nosso camarada Virgílio Teixeira.

Esta última obra é edição de autor (Vila do Conde, 2025, 120 pp.). A capa é de Joaquim António Salgado de Almeida. Depósito legal nº 548769/25. Não tem ISBN. Impressão: Gráfica São João, Fajozes, Vila do Conde. (*)



Bártolo Paiva Pereira (n. 1935)


1. "Apenas dois capelães foram expulsos do Exército, o Mário da Lixa e o Arsénio Puim" (pág. 52). O que é factualmente verdade. Menos conhecidas são as razões e as circunstâncias da sua expulsão, digo eu.


E a "grande maioria" terá recebido louvores dos seus comandantes no final da comissão de serviço, acrescenta o autor. "O teor desses louvores é público"...Também é verdade, mas são de difícil acesso, poderão ler-se, por exemplo, nas histórias das unidades, agora depositadas no Arquivo Histórico Militar. E foram averbados nas cadernetas militares de cada um. 

?Também tive um louvor, e sei que não era coisa para vir publicada no Diário do Governo  (como então se chamava o jornal oficial,  hoje  "Diário da República"). Se sim, talvez valesse a pena fazer um estudo sobre uma amostra do conteúdo desses louvores, sugiro eu.

O autor de "O capelão militar na guerra colonial" (*) terá lido muitos deles, no exercício das suas funções, presume-se, já que afirma que "nenhum [deles] realça as famosas virtudes militares que tanto enjoaram (sic) o perseguido Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (pág. 52).

E faz todo o sentido esta afirmação do padre Bártolo Paiva Pereira, major capelão reformado, com 30 anos de vida nas fileiras militares.  Ele e os seus camaradas não eram "operacionais". 

Mas nem todos os padres foram de livre e espontânea vontade para os teatros de guerra. O próprio autor reconhece que houve um período, logo no início da guerra em Angola, em que a mobilização dos padres como capelães militares começou por ser feita na "base do voluntariado". Aconteceu com ele e  "muitos outros".

"A imposição aparece com  o primeiro Curso Oficial de Capelães, em 1967. Começa a obrigatoriedade  da mobilização. Começa o conflito eclesiástico. Começa o sarilho das relações de muitos padres com os seus Superiores Religiosos. Começa o choro da consciência de alguns reverendos (sic) que não desejavam exercer a pastoral castrense em clima de guerra" (pág. 52).

É o caso do Mário da Lixa e do Arsénio Puim, acrescento eu. 

O padre Bártolo Paiva Pereira  faz questão de selecionar uns tantos nomes de capelães, alguns anteriores a 1967, outros desse ano e seguintes. Uns voluntários, outros impostos pela hierarquia da Igreja. Foram padres que, por uma razão ou outra, merecem ser melhor conhecidos:

  • Abel Gonçalves, "um capelão dado ao povo", autor do livro "Catarse". Fez uma comissão na Guiné (pp. 53/54). "Os  capelães, afirma desempenharam uma tarefa com relativa flexibilidade, porque pertenciam à família de todos: militares, população e, mesmo, uma 'proximidade distraída' (sic) com o inimigo" (pág. 53)- (Observações de LG: fez duas comissóes, no exército e depois na FAP, de 1967 a 1974;  já faleceu, em 2019, era major reformado).
  • José Rabaça Gaspar, poeta, escritor, esteve em Moçambique (pp. 54/55). Foi o mentor da famosa "capela dos bidões", feita com restos da guerra para que purificasse o monstro que ela significa". Foi uma dívida da tropa à Senhora de Miandica.+E autor, enytre outros ,.do livro de memórias:"Os lobos de Maniamba:  Moçambique 1968/70" (2005). E foi ele (com o acreónimo Joraga) criou em 2002 uma página pessoal, onde entre muitos outros temas, divulgou o "Cancioneiro do Niassa" (a página foi entretanto descontinuado, mas uma cópia está, felizmente,  disponível no Arquivo.pt: https://arquivo.pt/wayback/20160204182711/http://www.joraga.net/pags/52cancNiassa.htm
  • Joaquim Luís Cupertino, "capelão de cultura abrangente" (pág. 55). Algarvio, doutor pela Universidade Gregoriana de Roma, cónego jubilado da Sé de Faro, coronel capelão do Exército. Estiveram juntos, ele e o autor, em Bissau. Uma "inesquecível amizade". (Nasceu em 1929, foi ordenado padre em 1957.)
  • António Gata Simões (1934-2025), "capelão imolado pelo povo" (pág. 55): cõnego de Évora, fez 3 comissões na Guiné. "Muito sofreu com a guerra colonial", embora cultivasse o "bom senso da guerra", que era acabar... com ela e o mais rapidamente possível... (Observ.: faleceu em outubr4o passado, era natural de Sabugal, portanto beirão)
  • António Francisco Gonçalves Simões, "o historiador". Madeirense. Vive no Funchal. Publicou uma série de 9 livros com "subsídios para a história da Igreja em Portugal" (pág. 56). E fez a história dos cursos de capelães, e mais concretamente a biografia dos 877 que saíram desses cursos. (Nasceu em 1939, foi ordenado padre em 1964.)
  • Abel Matias, "é duro amar toda a gente e não possuir ninguém" (pág. 56). Licenciado em Histórico-Filosóficas (Universidade do Porto), monge beneditino (Singeverga), é o único capelão militar com o curso de comandos. (Natural de Lamego, nome completo Abel Matias Moreira da Silva; tem váriuos livros.)
'




(pp. 56/57)

  • Delmar Barros, capelão da Armada. "Talvez o capelão militar com mais invulgaridades fora do normal" (pág. 57).  Deixou um livro de memórias, que o define como "pessoa marítima".
  • Manuel da Costa Amorim, também capelão da armada. Chegou a vice-almirante, o "cargos mais elevado no Serviço Religioso" (pp. 57/58). Ele e o bispo D. António dos Reis  foram os únicos que "alcançaram os postos de topo de carreira, reservados às Armas, e não aos Serviços que as apoiam".
  • E aind"dois capelães paraquedistas de peso", os padres Martins e Pinho. Capelães da FAP., fizeram questão de tirar o brevê.a  "O capelão Martins era um poderoso senhor junto das Chefias da Força Aérea, o que o encostava a um relativo situacionismo" (pág. 58).

É uma pena que  o autor do livro em recensão não leia o nosso blogue, nem tenha acesso á Net. Lê o Expresso mas não, por exemplo,  o 7Margens (que é digital). 

Deve ter lido a excelente e bem documentada reportagem sobre os capelães militares e a guerra do ultramar / guerra colonial. da autoria do jornalista António Marujo (do jornal digital 7Margens), publicada na revista do semanário Expresso, edição nº 2673, de 12/5/2023. Mas com alguma desatenção ou viés., 

António Araújo é uma figura conceituada e respeitada do jornalismo religioso (área que muito poucos cultivam). O padre Bártolo devia ter lido a reportagem que o Marujo publicou no 7Margens, com 2 pequenas retificações sugeridas por mim.

Mais uma vez chamo aqui a atenção para o destaque que foi  dado à figura do açoriano  Arsénio Puim  . (E que, de resto, tem mais de 8 dezenas de referências no nosso blogue, très vezes mais do que o Mário de Oliveira, 1937-2022).

 Mas o autor, o António Marujo,  acabou por descobrir "pelo menos" mais  outros 11 padres católicos "que se opuseram à guerra colonial e não quiseram ser capelães", para além dos dois que foram expulsos do CTIG e exonerados das suas funções de capelania (Mário de Oliveira, em 1968 e Arsénio Puim, em 1971). Republicamos aqui a lista;

  • José Maria Pacheco Gonçalves, 
  • José Alves Rodrigues, 
  • Domingos Castro e Sá, 
  • Serafim Ferreira de Ascensão, 
  • Manuel Joaquim Ribeiro, 
  • António de Sousa Alves, 
  • José Domingos Moreira, 
  • José Lopes Baptista, 
  • Joaquim Sampaio Ribeiro 
  •  Carlos Manuel Valente Borges de Pinho
  • José Carlos Pinto Matos.
Curiosamemnte eram todos da diocese do Porto, com exceção do último que +pertencia à diocese de Viseu. E destes nomes eu já destaquei anteriormente o nome do que foi capelão da CCS / BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, 1973/74), no curto período de 16/3 a 16/9/73. 

O Carlos Manuel Valente Borges de Pinho Foi amigo pessoal do nosso tabanqueiro José Teixeira. que deixou de ter notícias dele. Hoje deverá ser  leigo (para saber mais ler aqui o poste P19055.). 

O padre Bártolo defende, de algum modo, a sua "dama" (ou metaforicamente falando um "rebanho" onde terá havido apenas "duas ovelhas negras", a expressão é nossa e não pretende ser ofensiva). E fá-lo, escrevendo, não sem exagero:

"Passaram pela mão da Igreja, durante a guerra colonial, um milhão de soldados, sem clamor contra a Igreka e os seus capelães. Serviram esses soldados cerca de mil sacerdotes. Apenas dois foram expulsos. embora muitos outros - todos - e não apenas 11, como afirma a citada revista do Expresso, se opuseram à guerra colonial" (pág. 57).

De facto, não foram mobilizados um milhão, mas "apenas" 800 mil, 1/3 dos quais eram soldados do recrutamento local onde se incluíam muçulmanos, cristãos (católicos e não-católicos), animistas, outros crentes e não-crentes.

Voltaremos ao Mário de Oliveira e ao Arsénio Puim, em próximo poste.

(Continua) 
________________

Notas do editor LG:

 (*) Vd. postes anteriores da série:




7 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27293: Notas de leitura (1848): "O capelão militar na guerra colonial", de Bártolo Paiva Pereira, capelão, major ref - Parte IV: "Até 1966 eram todos voluntários" (Luís Graça)

8 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27399: Notas de leitura (1861): "O capelão militar na guerra colonial", de Bártolo Paiva Pereira, capelão, major ref - Parte V: "Tenho um papel na gaveta", disse-lhe o Salazar, na véspera de partir para o CTIG, como capelão-chefe, em fevereiro de 1966... Era o papel que criava a capelania militar, a meio da guerra...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27612: In Memoriam (568): António José Mendes Matias (1949-2022), ex-Soldado At Inf da CCAÇ 3305/BCAÇ 3832; fica inumado, simbolicamente, à sombra do nosso poilão, no lugar n.º 910

IN MEMORIAM

António José Mendes Matias (Vide, Seia, 12/08/1949 - Coimbra, IPO, 22/02/2022)
Ex-Soldado At Inf da CCAÇ 3305/BCAÇ 3832
Mansoa, 1971/73

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1. Mensagem de Paulo Matias, filho do nosso camarada António José Mendes Matias, com data de 5 de Janeiro de 2026:

Chamo-me Paulo Matias e sou filho de um soldado atirador da CCaç 3305/RI2 (pertencente ao BCac 3832 que esteve em Mansoa) chamado António José Mendes Matias.

Tomei conhecimento deste website através de um amigo meu que o encontrou e me aconselhou a visitar.

Lamento informar, mas o meu pai faleceu em 2/2/2022, no IPO de Coimbra, vitima de cancro. Ele nasceu a 12 de Agosto de 1949 no lugar de Vide, concelho de Seia, onde vivia.

Gostaria de conhecer histórias desse tempo e partilhar algumas histórias que o meu pai me contava em conversas. Ele tinha muitas vezes reservas em falar destes assuntos e pouco me contava.

Em anexo junto 2 fotos antigas (não sei se foram tiradas em Mansoa ou no quartel de Abrantes antes de embarcar) e 1 atual do meu pai.

Caso pretendam contactar-me ou enviar noticias do vosso blog, utiliem o meu email

Com melhores cumprimentos,
Paulo Matias

Fotos sem data e sem indicação do local
António José Matias, o primeiro a partir da esquerda, de pé

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2. Mensagem enviada ao nosso amigo Paulo Matias no mesmo dia:

Caro Paulo Matias

Muito obrigado pelo seu contacto.
Primeiro que tudo, aceite os nossos sentimentos pela perda do senhor seu pai.
Falando do meu camarada António José Matias, ele ainda foi meu contemporâneo, eu estava cerca de 30 km mais a norte, em Mansabá.

Do batalhão do seu pai, faleceram dois furriéis sapadores em Fevereiro de 1971, pouco tempo após terem chegado à Guiné e a Mansoa. O incidente aconteceu uns quilómetros a norte de Mansabá, quando me encontrava a gozar férias em Portugal. Foi um choque para mim quando regressei e me deram a triste notícia. Mal tive tempo de os conhecer.

Uma vez que nos mandou fotografias do pai, se aceitar, gostaríamos de o receber a título póstumo na nossa Tabanca Grande, nome por que é conhecido o nosso Blogue. O seu nome ficará a constar na listagem dos nossos camaradas que já partiram. Veja aqui:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/p/tabanca-grande-lista-alfabetica-dos-897.html

No próximo contacto diga-nos se aceita a inclusão do seu pai na tertúlia.

Também queríamos que identificasse o seu pai na foto do grupo. Veja nas costas da foto se por acaso tem o local onde foi tirada.
Deixo-lhe dois links para explorar, um da CCAÇ 3305 (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/CCA%C3%87%203305) e
outro do BCAÇ 3832 (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/BCA%C3%87%203832)

Não esquecer que ao fim de cada página apresentada tem de clicar em "Mensagens antigas" até receber a mensagem para voltar à página inicial.

Ficamos na expectativa do seu contacto.
Receba um abraço dos editores e da tertúlia.

Carlos Vinhal
Coeditor


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3. Mensagem enviada ao blogue no dia 6 de Janeiro pelo Paulo Matias:

Caro sr Carlos Vinhal

Relativamente à proposta de inclusão do meu pai na tabanca, autorizo sem qualquer problema, estejam a vontade.

Agora que falou nos 2 furrieis, lembro me que o meu pai me contou uma história envolvendo uma emboscada. Que ele é que costumava levar o cinto das munições (se não for termo correto, as minhas desculpas) e que certa vez sairam para missão qualquer e um colega dele lhe disse que naquele dia ele quis levar o cinto e trocaram de lugar, passando para a frente do meu pai. 

Durante o trajeto lá no carreiro, foram atacados e esse colega dele foi atingido com uma bala e acabou por morrer. Talvez tivesse sido por este eventual trauma ele não gostasse de recordar esses tempos, digo eu. Ele dizia se tivesse ido normalmente no lugar, eu não teria nascido. Gostaria de saber mais sobre esse soldado, mas meu pai nunca me disse mais nada sobre isso.

Em relação a foto do grupo, o meu pai é o que está de pé atrás com a boina e camisa, e mãos à cintura, do lado esquerdo quem olha para a foto. Já verifiquei atrás e só tem números "25" e "11" e mais nada escrito. Talvez através dos edificios surgem atrás e comparando com outras fotos se consiga descobrir o local onte foi tirada. Mas dá ideia ser no quartel, talvez em Mansoa.

Cumprimentos,
Paulo Matias


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4. Comentário do editor CV:

Caro amigo Paulo Matias,

O seu pai vai passar a partir de hoje a figurar no nosso obituário e terá o n.º 910 da nossa tertúlia.

A história que ele contava àcerca da troca de lugar nas progressões apeadas ou em colunas auto, eram frequentes pelo que ele não teve teve culpa do infortúnio que vitimou o seu camarada, que tinha a sua morte destinada para aquele dia e naquele local.

Quanto ao transporte das munições, os pelotões normalmente eram compostos pela secção da metralhadora, que seguia à frente, pela secção da bazuca, que seguia a meio, e pela secção do morteiro 60 mm, por acaso a que eu comandava no meu pelotão, que seguia atrás. 

O pessoal de cada secção levava as respectivas munições, tais como fitas para a metralhadora e granadas para a buzuca e para o morteiro. Muitas vezes alombei com granadas de morteiro ao ombro quando em progressões apeadas no mato. Cada um ainda tinha de carregar, além da sua G3, 4 carregadores de reserva para a arma, 4 granadas ofensivas/defensivas, 1 ou 2 cantis com água e, por vezes a ração de combate para o dia.

Inclino-me para que as fotos sejam tiradas na Guiné (Mansoa?), primeiro pelo piso tão maltratado, talvez por chuvadas recentes, depois porque na Metrópole não se admitiam militares em troco nu.

Termino, deixando-lhe um abraço em nome da tertúlia e dos editores.
Ficamos à sua disposição
Carlos Vinhal

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Nota do editor

Último post da série de 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27609: In Memoriam (567): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): "Maldita pátria amada, odiada, esquecida, / e quase sempre perdoada, / que tantos filhos pariste e rejeitaste!" (Luís Graça)

Guiné 61/74 - P27611: O nosso blogue em números (109): Em 2025 entraram apenas 13 novos membros, somos agora 909





Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1. Mais dados estatísticos sobre o nosso blogue (*): em 2025 entraram  apenas 13 
 novos membros para a Tabanca Grande, dois  dos quais a título póstumo (Suleimane Baldé e Leite Rodrigues).

Passámos de 896 (em 2024)  para 909 (em 2025)  (Gráfico nº 4),  dobrando a casa dos 900 ao fim de seis anos (2020-2025). Chegar á casa dos 800 levou cinco (2015-2019). E dos 700, três anos ( 2012-2014).
 
Em relação à entrada de novos membros, chamamos  a atenção para o facto de a média anual, nos últimos cinco anos (2021-2025) estar  agora nos 10,8.
 
 Aqui vai a lista dos novos membros, entrados em 2025,  por ordem cronológica de entrada (entre parênteses o número de grão-tabanqueiro) (n=13):

  • Timóteo Santos (909)
  • Suleimane Baldé (908) (*)
  • Júlio Vieira Marques (907)
  • Jacinto Rodrigues (906)
  • Joaquim Caldeira (905)
  • José Manuel Cochofel (904)
  • António Cardoso (903)
  • Joaquim Galhós (902)
  • Armando Oliveira (901)
  • Vilma Crisóstomo (900)
  • Leite Rodrigues (899) (*)
  • Aníbal José da Silva (898)
  • Angelino dos Santos (897)
(*) a título póstumo

Já lá vai o tempo em que o  número de membros da nossa Tabanca Grande  crescia, com regularidade, a uma média de 4 por mês, ou seja, quase um por semana... Éramos:
  • 111, em junho de 2006;
  • 390 em 2009;
  • 595 em 2012;
  • 710 em 2015.
Depois o ritmo começou a abrandar (Gráfico nº 4), o que é compreensível face ao duplo processo de envelhecimento (para além da pandemia que deixou sequelas):
  • do nosso blogue (nascido em 23/4/2024) (mais de 20 anos  na Net é uma eternidade);
  • e do "público-alvo" a que se dirige, os combatentes da guerra colonial / guerra do ultramar na Guiné (1961/74)...

Uma das sequelas da pandemia foi a interrupção do Encontro Nacional da Tabanca Grande, que era também uma das vias de recrutamento de novos tabanqueiros. O último que se realizou foi justamente o XIV Encontro Nacional, em 25 de maio de 2019. E o primeiro em 2006. 

Há quem nos pergunte: será que ainda vamos ter "genica" para preparar o próximo, o XV ? 

(Continua)
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Nota do editor:

(*) Último poste da série >  

Guiné 61/74 - P27610: Convívios (1045): 63º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, quarta feira, dia 14 de janeiro de 2026, 16º aniversário do Grupo... Bom ano e força nas canetas para os Magníficos (Manuel Resende)


Até hoje, dia 6 de janeiro, há já  54 inscrições. 



O régulo Manuel Resende

1. Mensagem do Manuel Resende,  régulo da Magnífica Tabancada Linha, com data 30 de dezembro de 2025, 21:42

Caros Magníficos acabei de criar o 63º convívio deste grupo, "A Magnífica Tabanca da Linha"

Inscrevam-se a partir de agora. Já tenho vários magníficos que oportunamente manifestaram vontade de vir, não estão esquecidos, mas agora é que é a sério.

Notem que desta vez é 14 de Janeiro, quarta-feira, dia em que comemoramos 16 anos. 

Força nas canetas... cá estou para vos inscrever.

Bom 2026 para todos os Magníficos!


MAGNÍFICA TABANCA DA LINHA
63º CONVÍVIO 

Quarta feira, dia 14 de janeiro de 2026

COMEMORAÇÃO DO 16º ANIVERSÁRIO DO GRUPO


Praça 25 de Abril de 1974, 1495 Algés


I N S C R I Ç õ E S :
 
Até 12 de janeiro de 2026, segunda feira para: 
  • Manuel Resende - Tel. 91 945 82 10
  • manuel.resende8@gmail.com
  • magnificatabancadalinha2@gmail.com
  • dizendo "vou" no Facebook

+ + + + + E M E N T A + + + + +

APERITIVOS DIVERSOS

Bolinhos de bacalhau  | Croquetes de vitela  | Rissóis de camarão  |Tapas de queijo e presunto | Martini tinto e branco | Porto seco |  Moscatel.

SOPAS

Canja de galinha
Creme de marisco

PRATO PRINCIPAL

Nacos à Nortenha com grelos e batata assada (a murro)

SOBREMESA

Salada de fruta ou Pudim | Café e Bolo de Aniversário

BEBIDAS INCLUIDAS

Vinho branco e tinto “Ladeiras de Santa Comba" ou outro
Águas - Sumos - Cerveja

PREÇO POR PESSOA... 28 €
(1/2, para crianças dos 5 aos 10 anos)
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Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P27609: In Memoriam (567): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): "Maldita pátria amada, odiada, esquecida, / e quase sempre perdoada, / que tantos filhos pariste e rejeitaste!" (Luís Graça)



Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > O Horácio Fernandes e, em segundo plano, à esquerda  o Jaime Silva. (A Tabanca de Porto Dinheiro não existe mais, desde que morreu o seu régulo, o Eduardo Jorge Ferreira, 1953-2019).


Lourinhã,  Ribamar, Praia do Porto Dinheiro > 18 de agosto de 2011 > 
Vista da tasca da Ti Augusta, sobranceira à praia e ao mar 


Lourinhã,  Ribamar, Praia do Porto Dinheiro > 18 de agosto de 2011 > 
Embarcações de pesca artesanal, todas cokm nomes de... mulher


Lourinhã,  Ribamar, Praia do Porto Dinheiro > 18 de agosto de 2011 > 
A tasca da Ti Augusta,  na altura explorada por um filho, sargento da marinha reformado.


Lourinhã,  Ribamar, Praia do Porto Dinheiro > 18 de agosto de 2011 > Tasca da Ti Augusta > 
A famosa sopa de navalheiras.

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2011). Todos os direitos reservados 


Praia do Porto Dinheiro

por Luís Graça

À memória dos meus antepassados Maçaricos
marinheiros, mareantes, navegantes, mariscadores
pescadores, peixeiros, mercadores, missionários, 
construtores navais... desde Quinhentos

Ao António Fernandes (Patas, também Maçarico)
último construtor naval de Ribamar, Lourinhã,
que irá morrer na Califórnia, talvez nos anos 50.

E ao seu neto, e meu primo e camarada,
Horácio Fernandes (1935-2025).
capelão militar em Catió e Bambadinca (1967/69), 
e autor de "Francisco Caboz:  a construção 
e a desconstrução de um padre" (2009)

Porto Dinheiro:
um espesso nevoeiro cobre as falésias e os caniçais.
Até aqui 
chegavam,   à tua praia, as galés dos romanos
e os barcos dos piratas de perna de pau.
Não sei se o sítio tem padroeiro ou orago, 
mas por certo que por aqui passava o caminho atlântico 
de Santiago.

Aqui deito contas à vida,
aqui conto as marcas do tempo,
aqui lanço a âncora para escrever o meu testamento vital.
Aqui fui carpinteiro de naus,
aqui, Plínio, o Velho,
poderia ter fundado a paleontologia.
Mas, não: morreria em 69 depois de Cristo 
a observar a  erupção do Vesúvio.

À tua esquerda, a praia do Valmitão.
Ou do Vale do Ermitão.
Podia ter sido ilha de corsário ou baía de tubarão,
mas a ter bandeira, só a preta, com caveira.

Porto Dinheiro:

Horácio Fernandes
(1935-2025)
Finisterra, p
órtico do tempo, 
és gare, és algar,
porto dos portos das Atlântidas perdidas!

Foste estaleiro de vasos de guerra,
galeões, naus e caravelas
por haver ou nunca havidas,
diz o livro do almoxarife.

Hoje já não se constroem mais catedrais
nas tuas fossas submarinas
nem moinhos de vento  no teu recife de corais,
nem traineiras de grosso cavername
nas rampas das tuas arribas fósseis.

Dóceis são as ondas com que afagas
a pele e apagas
a púbis das raparigas.

Porto Dinheiro: 
o irresistível apelo das algas
que são as hormonas do mar,
espigas, chicotes, valquírias, ninfas, najas, canibais,
que vêm do fundo dos tempos imemoriais
para seduzir os filhos dos homens,
inebriar as suas almas, 
enlear os seus corpos.

Ah!, quantos dos teus não ficaram insepultos
a muitas milhas náuticas de casa!

Porto Dinheiro, Ribamar, Porto das Barcas, Atalaia, Lourinhã:
tens a tua quota-parte na história trágico-marítima de Portugal.
entre 1968 a 2000,  Hades, o rei dos infernos,
contabilizou seis naufrágios de barcos de pesca
e neles morreram três dezenas dos  teus filhos:
Deus é Pai, Certa, Altar de Deus, 
Arca de Deus, Amor de Filhos, Orca II...

Há ainda olhos que perscrutam a linha do horizonte
e rasgam a colina de neblina, por detrás das Berlengas.
O Mar do Cerro, dizia o meu velho.
É de lá que vêm piratas e corsários, 
monstros, mostrengas, adamastores,
dissauros, loucos menestréis, 
contadores de lendas, mouras encantadas, 
mercadores, invasores, conquistadores,
vikings e outros predadores... 

E os bretões com os seus barcos a vapor, 
que vinham aqui pescar lagostas entre as duas grandes guerras,
mais o Bateau ivre, do Rimbaud!

É de lá, do mar fundo,  que vêm os portadores da peste…
Mercator ergo pestiferus, de que Deus nos livre!

Deste nomes de fêmeas aos teus barcos que são machos,
máquinas fálicas de lavrar e violar
o vento, a água, o ar,
Jessica, Mafalda, Sofia,
Inês, Patrícia, Maria.

Porto Dinheiro:
formidáveis muralhas de palavras e moluscos
emparedam-me vivo
na canícula desta tarde de verão.
em que espero em vão 
os mercadores fenícios,
as legiões romanas, 
devidamente equipadas e alinhadas nas suas galeras,
ou as hordas bárbaras, teutónicas, a cavalo, blindado.
Ou, cara ou coroa, 
o simples mensageiro da paz,
o carteiro que me há-de trazer a carta a Garcia,
com a solução alquímica da vida
ou o algoritmo da felicidade
ou a password do sítio 
A gruta de Alibabá e os 40 ladrões.


Porto Dinheiro:
estou sentado na esplanada da tasca da Ti Augusta,
que eu ainda conheci em vida,
depois de saborear uma sopa de navalheiras,
e comer uma posta de arraia frita,
e beber um copo de branco, em vidro fosco e grosso,
recuando ao tempo dos meus avoengos Maçaricos
que tinham tempo e vagar para viver e morrer cedo.
E eram pescadores de moreira e safio.

E aqui penso em como a vida às vezes é tão simples,
se descartada da econometria, 
da sociometria 
e da psicometria…
e da geometria variável do poder.

Dizem que aqui reinou o rei Midas,
o mesmo que transformava lagostas e algas em barras de ouro.

Porto Dinheiro,
dos casais por detrás das tuas colinas,
onde a tua gente se escondia dos piratas e corsários,
até ao mar imenso,
por aqui andaram, Horácio,  os nossos antepassados.


Um dia há de desaparecer nas Américas

o último carpinteiro de naus, 

António Fernandes
 (c. 1890 - c. 1950)
caravelas e traineiras.
Não sobreviveu à industrialização da construção naval
nem à crise do capitalismo dos anos 20.
Já não te lembras dele.
Nem ele chegou a ver netos 
nem filhos com barba,
morreu longe, na Califórnia, 
na diáspora, no exílio, no desterro.
Nunca mais voltou nem deu notícias.
Era Patas e era Maçarico, meu parente, 
teu avô, Horácio.

Maldita pátria amada, odiada, esquecida, 
e quase sempre perdoada,
que tantos filhos pariste e rejeitaste!

Luís Graça (18/11/2011). Revisto em 5/1/026

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Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 5 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27605: In Memoriam (566): Nuno Dempster, poeta, escritor (Ponta Delgada, 1944 - Viseu, 2026), pseudónimo literário de Manuel Gusmão Rodrigues, ex-fur mil SAM, CCAÇ 1792 / BCAÇ 1933 (Farim, Saliquinhedim/K3, Mampatá, Colibuía, Aldeia Formosa, 1967/69)

Vd. poste de2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27595: In Memoriam (565): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): Do Colégio Seráfico a Capelão Militar do BART 1913 (Catió, 1967/69) (Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27608: Parabéns a você (2451): Paulo Santiago, ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72)

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Nota do editor

Último post da série de 3 de Janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27597: Parabéns a você (2450): António Ramalho, ex-Fur Mil Cav da CCAV 2639 (Binar, Bula e Capunga, 1969/71)