
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 23 de Setembro de 2026:
Queridos amigos,
Não é a primeira vez que vos falo das belezas de Idstein, é aqui que moram os amigos que amavelmente me recebem em regime de cama, mesa e roupa lavada, a que posso adicionar outra dimensão da hospitalidade que passa pelo cuidado de visitas diferentes, incluindo espetáculos. Graças a eles, estou a reconciliar-me com a música de câmara de Johannes Brahms, durante décadas Brahms para mim era a música sinfónica (mas sempre quanto baste), os seus dois concertos para piano e o concerto para violino e muitas vezes o seu espantoso Requiem Alemão, as peças camerísticas sempre as tomei como uma choradeira. Precisei de vir ao Festival de Música do Reno para mudar de opinião, mas sempre com reservas. Percorrer Idstein é sempre um enlevo e aquela Igreja da União é de facto extraordinária, voto muito bom. Com muito pesar , inicio amanhã a viagem de regresso, primeiro Trier, visita com alguma desenvoltura, depois percorro o Luxemburgo de comboio, o destino é Lisboa.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (273):
Passeio por Idstein, à tarde assistirei a um concerto memorável no Festival de Música do Reno, amanhã sigo para Trier, já tenho saudades de voltar - 8
Mário Beja Santos
O passeio hoje circunscreve-se a uma pequena cidade histórica, Idstein, no Hessen, situada do Taunus, Médio Reno, foi cidade residência dos Nassau, uma das grandes famílias principescas da história alemã e europeia, foi um dos centros territoriais destes condes e soberanos e sua residência no século XVII. Só dá para visitar o castelo e residência dos Nassau pelo exterior, a sua arquitetura é de transição entre o Renascimento tardio e o Barroco. Agora é escola, não era acessível a visita ao interior, consta que tem estuques e pinturas de teto de grande beleza.
Fachada da residência dos Idstein/Nassau, também chamado castelo
O edifício central é a Câmara Municipal. A cidade velha conserva um conjunto excecional de casas com estruturas de madeira preenchidas por alvenaria, é aquilo que em português se podem chamar as casas de enxaimel. Muitas delas datam dos séculos XVI e XVII, há fachadas artisticamente elaboradas.Outra vista do centro da cidade, o que mais impressiona o visitante é a variedade de cores, o estado de conservação, não só da vista como a memória medieval e fortificada.
Uma das imagens que tirei ao teto da igreja da União, é um monumento artístico mais extraordinário de Idstein, o seu nome agrega o do Criador, sua Mãe e São Martinho, foi construído no século XIV sobre estruturas anteriores, teve importantes transformações no século XVII e mais recentemente no século XX conheceu obras de conservação e restauro. O que torna o interior absolutamente excecional são os 38 quadros a óleo, colocados nas paredes e sobretudo no teto. Os dois pintores usaram modelos e soluções provenientes da pintura flamenga e da tradição de Rubens. Algumas composições baseiam-se diretamente em obras de Rubens. Este espaço interior funciona quase como uma enorme Bíblia pintada, cenas do Novo Testamento e da vida de Cristo.
Temos aqui a escultura de Sansão como se estivesse a segurar o púlpito, uma impressionante obra que usa mármore de Lahn, aliás este mármore aparece em colunas, arcadas, altar, pia batismal e monumentos funerários, o que dá ao interior aspetos verdadeiramente cenográficos.
Falando de aspetos verdadeiramente cenográficos veja-se a ligação entre a arquitetura barroca, o mármore, a pintura do tipo flamengo, o programa bíblico e o facto de ter sido uma igreja da corte dos Nassau.
Reunimos nestas cinco imagens a associação entre aspetos da arquitetura religiosa e o fenómeno desta igreja ser de União protestante. Durante muito tempo a igreja era designada como igreja do Estado, passou a ser da União em 1917, pare recordar um acontecimento ocorrido em Idstein em 1817. Neste ano, luteranos e reformados do ducado Nassau entenderam-se para fazer a União. De algum modo, esta igreja é uma síntese de um longo processo histórico, inclusivamente é Panteão dos Idstein/Nassau. A igreja foi construída inicialmente em 1340, no fim do século XVII tornou-se igreja de predicação e da corte. Assume-se como espaço de tolerância religiosa, veja-se nas imagens a qualidade do trabalho em torno do altar-mor, veja-se o esplendor da igreja-salão, o quadro alusivo às bodas de Caná, e a torre sineira, que é o mais importante vestígio do período medieval.
(continua)
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Nota do editor
Último post da série de 26 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28378: Os nossos seres, saberes e lazeres (752): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (272): Heidelberg, do castelo para o centro histórico da cidade, amanhã vou passear em Idstein e depois assistirei a um concerto memorável no Festival de Música do Reno - 7 (Mário Beja Santos)











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