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domingo, 17 de junho de 2018

Guiné 61/74 - P18750: Efemérides (284): Mensagem do Presidente da República Portuguesa para o "Dia da Consciência" - Homenagem a Aristides de Sousa Mendes, Nova Iorque, 17 de junho de 2018 (João Crisóstomo)


Reprodução da mensagem do Presidente da República Portuguesa, enviada à Sousa Mendes Foundation / Fundação Sousa Mendes, com sede em Nova Iorque, por ocasião da celebração, hoje, em Nova Iorque e noutras cidades do mundo, do "Dia da Consciência". Recorde-se que o Presidente da República já tinha condecorado, a título póstumo,  Aristides Sousa Mendes (1885-1954) com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 3 de abril de 2017, no dia em que passavam 63 anos da morte do cônsul português.A Ordem da Liberdade "destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação da Pessoa Humana e à causa da Liberdade".


1. Mensagem, com data de ontem,  do nosso camarada  João Crisóstomo, coordenador do "Dia da Consciência".


[ Foto à esquerda: João Crisóstomo, ex- alf mil, na CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole, Missirá, 1965/66), nosso grã-tabanqueiro; natural de Torres Vedras, vive em Nova Iorque desde4 1975.  É um mediático ativista social, tendo estado ligado à defesa de três causas que tiveram repercussão internacional e que nos dizem muito, a nós, portugueses, os de Portugal e dos da diáspora: a defesa das gravuras de Foz Coa, a luta pela  independência de Timor Leste e a  memória de Aristides Sousa Mendes. Foi um dos fundadores do "Luso-American Movement for East Timor Autodetermination" (LAMETA); pertence ao "advisory council" da Sousa Mendes Foundation, sendo o coordenador do projeto "Dia da Consciência", que se celebra em muitas cidades onde há portugueses e luso-descendentes, a começar por Nova Iorque]


A toda a “família Aristides de Sousa Mendes”( i.e,. todos os que esforçam de qualquer meio de perpetuar a sua memória e o “legado” que nos deixou)

Segue uma mensagem recebida ontem do nosso Presidente, na ocasião do “Dia da Consciência”.

Porque a celebração de uma missa especial relacionada com o “Dia da Consciência” nem sempre é possível, especialmente durante os dias de semana, a partir deste ano vamos “copiar” o que fizemos este ano em que este dia coincidiu num domingo: Pedir a simples "inclusão” desta intenção nas missas desse domingo e que o celebrante mencione isso na homilia: deste modo o nome de ASM [Aristides Sousa Mendes]  e a mensagem que nos deixou ---a obrigação de seguirmos a nossa consciência, mesmo em momentos e situações difíceis--- vai atingir uma audiência muito maior.
É isso que nos propomos fazer daqui em diante.

Geralmente isto vai coincidir com o "Dia do Pai”. Mas mesmo aí não há conflitos: A. S. Mendes foi um pai extremoso de 14 filhos e soube e deu-lhes sempre o seu carinho e cuidado de um bom pai.

Vemho pedir a todos que me ajudem neste projeto, O mundo de hoje precisa disto: todos e cada um seguirmos a nossa consciência, mesmo em momenttos e situações difíceis.  

Se houvesse um pouco mais de consciência - políticos, homens de negócios, o mundo de espetáculos e informação, mesmo muitos que professam e fazem da religião modo de vida - o mundo não estaria como está. HELP EVERYBODY!

João Crisóstomo
Coordenador do projecto "Dia da Consciência"

Sunday, June 17, 2018 -- Advisory Council member Joao Crisóstomo has organized religious observances throughout the world to mark the "Day of Conscience" -- the day in June 1940 when Aristides de Sousa Mendes took his fateful decision. A Catholic mass will be observed in Yonkers, NY by His Excellency Don Bernardino Auza, Permanent Observer of the Vatican to the UN. Other remembrance masses will be held in San Jose, CA; New Bedford, MA; Newark and Elisabeth NJ; Farmingville and Mineola, NY; and international cities in Belgium, Brazil, France, Portugal, Russia, South Africa and Timor-Leste. A Shabbat service in the Manhattan East Side Synagogue on June 16 will also remember this hero. For more info, please click here. 

Press release da Sousa Mendes Foundation que nos mandou o João Crisóstomo.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Guiné 63/74 - P16858: O nosso querido mês de Natal de 2016 e Ano Novo de 2017 (10): Joaquim Nunes Sequeira, o "Sintra", ex-1º cabo carpinteiro, BENG 447, Bissau, 1965/67; vogal da direção e porta-estandarte do Núcleo de Sintra da Liga dos Combatentes



O porta-bandeira do Núcleo de Sintra da Liga dos Combatentes, Joaquim Nunes Sequeira, o "Sintra", a ser cumprimentado pelo Chefe Supremo das Forças Armadas Portuguesas, na igreja do mosteiro da Batalha, em 9 de abril de 2016...

Foto (e legenda): © Joaquim Sequeira  (2016). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O "Sintra", ou seja, o nosso camarada e grã-tabanqueiro Joaquim [Nunes] Sequeira, "não brinca em serviço"... Onde se mete é para valer... O seu CV é curto e grosso: 

"Comecei a Trabalhar aos 10 anos e ainda não parei em escola da vida; andei na Escola Secundária de Santa Maria - Portela de Sintra"; vive em (e é natural de) Mucifal,  Sintra; é casado; foi 1º cabo canalizador, BENG 447, Bissau, 1965/67; frequenta com assiduidade a Tabanca da Linha; é membro. nº 608,  da nossa Tabanca Grande desde 8/3/2013; é 1º vogal da direção do Núcelo de Sintra da Liga dos Combartentes, e o seu porta-estandarte...

Ao serviço do BENG 447, conheceu meia  Guiné:  Pelundo, Nhacra, Mansoa, Cutia, Mansabá, K3, Farim, Binta, Lamel, Jumbembem, Canjambari, Bambadinca, Cuntima, Bafatá, Nova Lamego, São João, Bolama, Jabadá, Tite, Enxudé, Fulacunda, Ilha das Galinhas, Ilha das Cobras, Nova Sintra, Olossato, e Bissorã...

Mandou-me há dias uma mensagem, com votos natalícios: "Luis graça, vai a foto para publicar no blogue, um abraço para toda a malta".





2. Cópia de areograma enviado pelo Joaquim Nunes Sequeira para efeitos da sua apresentação na Tabanca Grande, em 8/3/2013:  

"Primeiro uma explicação, o aerograma foi para ver se há mais companheiros que tenham outros pois até hoje só vi este que guardo religiosamente e que me foi enviado por um conterrâneo da Força Aérea que já não está entre nós. Transcrição do teor do aerograma:


"Bissalanca, 27 dez 65

Caro amigo: 

Com os meus votos de felicidades, quero-lhe participar que já tenho em meu poder a encomenda que fez o favor de trazer de Colares [, Sintra].

Terei muito prazet em conversar consigo, mas não sei onde está, pois ignoro onde é o SPM 1588, mas  se for perto [?] de Bissau, escreva-me para saber como está. Todas as 3ªs, 5ªs, sábados e domingos estou à noite no Café Universal.

Até breve, Teves Costa."





Folha de rosto do aerograma enviado ao 1º cabo Joaquim Nunes Sequeira, [BENG 447, Bissau]. SPM 1588, pelo 1º sargentyo MMA (?), Teves Costa (?), [BA 12, Bissalanca], SPM 0078 (?).

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Nota do editor:

Último poste da série > 20 de dezembro de 2016 >  Guiné 63/74 - P16857: O nosso querido mês de Natal de 2016 e Ano Novo de 2017 (9): Liga dos Combatentes - Núcleo de Torres Vedras, Delegação do Núcleo na Lourinhã

sábado, 16 de julho de 2016

Guiné 63/74 - P16310: Carta aberta a... (13): ...ao Senhor Presidente da Republica Portuguesa e Comandante Supremo das Forças Armadas (José Martins, ex-Fur Mil TRMS da CCAÇ 5)

Cemitério Militar de Bissau


1. Em mensagem do dia 14 de Julho de 2016, o nosso camarada José Marcelino Martins (ex-Fur Mil Trms da CCAÇ 5, Gatos Pretos, Canjadude, 1968/70), enviou-nos uma Carta Aberta dirigida ao Presidente da República Portuguesa e Comandante Supremo das Forças Armadas, a propósito da sua próxima deslocação à Guiné-Bissau.



CARTA ABERTA

14 de Julho de 2016

Senhor Presidente da Republica Portuguesa e Comandante Supremo das Forças Armadas 

Excelência 

Tomei conhecimento, pela comunicação social, que V. Exª em breve visitará a Republica da Guiné-Bissau que, antes de se tornar independente e reconhecida como tal, foi palco de vastas operações militares, onde tombaram soldados Metropolitanos e Africanos, julgando defender o Território Nacional, honrando o Juramento feito perante a Bandeira Nacional. 

Como antigo combatente naquele território, numa Companhia de Caçadores Africanos, encarecidamente lhe peço, e agradeço que, ao contrário do que os seus antecessores, no mesmo cargo fizeram, não deixe de colocar uma coroa de flores no Cemitério Militar de Bissau, em nome de todos os Combatentes de Portugal, que não o podem fazer pessoalmente, não só por razões materiais mas também económicas.

Nesse momento, quando colocar a coroa e se curvar perante a memória dos nossos camaradas tombados para sempre, terá, obrigatoriamente, centenas de combatentes, ainda que à distância, ao seu lado, perfilados e em continência.

Atentamente 
José Martins 
Fur. Mil. Trms. Inf. 
C.Caç 5 – Canjadude
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Nota do editor

Último poste da série de 19 de março de 2015 > Guiné 63/74 - P14388: Carta aberta a... (12): ...aos meus netos, neste Dia do Pai (José Martins)

terça-feira, 5 de julho de 2016

Guiné 63/74 - P16275: Recortes de imprensa (81): Salgueiro Maia (1944-1992) condecorado, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (Diário de Notícias, 30 de junho de 2016)


Lisboa > Av Berna > Muro da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH / NOVA)> Destaque para a figura do cap cav Salgueiro Maia (comandante da CCAV 3420, Bula, 1971/73), nosso camarada da Guiné e que eu conheci pessoalmente no ano letivo de 1975/76 no então ISCPS - Instituto Superior de Ciências Políticas e Sociais, na Rua da Junqueira, onde fomos colegas, por um ano, no curso de licenciatura em Ciências Sociais e Políticas, embora sem qualquer relacionamento pessoal.

Na altura,. estupidamente (!), nem sequer me ocorreu falarmos da Guiné onde estivemos na guerra, embora em alturas e sítios  diferentes, e eu, de 1969/71, em Bambadinca, ele de 1971/73, em Bula ... Das vezes que nos cruzámos, recordo-o como um típico militar do QP,  de cavalaria, distante, reservado, e equidistante dos diferentes grupos estudantis de esquerda e extrema-esquerda que então imperavam no ISCSP. Alguns não lhe perdoavam a sua participação no 25 de novembro, e quase ninguém tinha distância "afetiva e efetiva" para antever o seu lugar na história de Portugal, enquanto operacional do 25 de abril (e do 25 de novembro). A crispação político-ideológica era então muito grande... Por outro lado, os portugueses, têm, de há muito, uma "relação bipolar" com os seus heróis... (mas também com os seus deuses, santos, diabos e diabretes; possivelmente, essa relação "bipolar", senão mesmo "esquizofrénica", é universal, está longe de ser exclusiva dos "tugas")...

Este mural resulta de um desafio  lançado pelo Instituto de História Contemporânea (IHC), unidade de investigação da FCSH/NOVA,  a que respondeu Vhils, co-fundador da plataforma Underdogs... o qual convidou mais quatro artistas (Miguel Januário, Frederico Draw, Diogo Machado e Gonçalo Ribeiro) para, em conjunto, pintarem o muro da Faculdade.  É uma visão (artística) do passado, o presente e o futuro do 25 de Abril de 1974.  O objectivo foi “mostrar como esta nova geração de artistas interpreta o 25 de Abril e como esta data influenciou as suas vidas”, afirmou na altura, em 2014,  Vhils, também conhecido por Alexandre Farto (n. Lisboa, 1987), e hoje já mundialmente famoso como artista da chamada "street art"  (Fonte: FCSH/UNL).

Foto (e legenda): © Luís Graça (2011). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Passou despercebido, a muitos, em pleno campeonato europeu de futebol de 2016, o gesto do Presidente da República que no passado dia 30 de junho, atribuiu, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique a Salgueiro Maia, "num gesto de 'reconhecimento da pátria portuguesa', dizendo que nunca é tarde para a 'reparação históricap' " (DN - Diário de Notícias, 30 de junho de 2016).

E continua o relato do evento:

"A viúva do capitão de Abril, Natércia Salgueiro Maia, que recebeu das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa esta condecoração, disse estar 'reconfortada pela decisão do senhor Presidente' e agradeceu-lhe, emocionada.

"O filho de Salgueiro Maia, Filipe, e a neta, Daniela, também estiveram presentes nesta cerimónia, que decorreu na Sala dos Embaixadores do Palácio de Belém, em Lisboa.

"Numa curta intervenção, de cerca de cinco minutos, o chefe de Estado apontou Salgueiro Maia como 0um exemplo' e defendeu que 'Portugal não é avaro em gratidão', embora isso possa acontecer tardiamente." (...)

"Natércia Salgueiro Maia considerou 'muitíssimo justas' as palavras do Presidente da República e recordou que passou com o marido 'momentos de alguma mágoa e tristeza pela forma como era tratado' (...)  'Algumas vezes ouvi-o desabafar: tratam-me como se eu fosse um traidor à pátria, então, que me julguem. Infelizmente, o meu marido já não está entre nós. Por ele, sinto-me reconfortada pela decisão do senhor Presidente em lhe atribuir esta condecoração. Muito obrigada", acrescentou.

 (...) "O chefe de Estado disse que Salgueiro Maia 'era um símbolo daquilo que é o português, cá dentro e lá fora, na sua humildade, na sua simplicidade, na sua abnegação, na sua dedicação à pátria'. (...) 'A excelência de Salgueiro Maia justifica esta homenagem singular. Por isso, vou ter a honra de entregar à sua família, pensando naqueles que são mais futuro do que nós somos, aquilo que é um reconhecimento da pátria portuguesa', concluiu.

"Natércia Salgueiro Maia quis estender esta homenagem a todos 'os implicados no 25 de Abril', utilizando uma expressão do seu marido. 'É um ato de justiça e de gratidão para com aqueles que, num gesto de grande coragem, deram o seu contributo para que hoje possamos viver em democracia. Salgueiro Maia amava o seu país, um Portugal que queria livre, mais justo e em que todos pudessem ter uma vida digna. Foi com este sonho que ele participou no 25 de Abril de 74', afirmou.

"Depois da entrega das insígnias, Natércia Salgueiro Maia e Marcelo Rebelo de Sousa abraçaram-se. O Presidente cumprimentou também de forma calorosa o filho e a neta do capitão de Abril.

"Em seguida, a família de Salgueiro Maia recebeu os cumprimentos do ministro da Defesa Nacional, do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, do presidente da Câmara Municipal de Santarém e de representantes das associações 25 de Abril, dos Deficientes das Forças Armadas, da Liga dos Combatentes e dos três ramos militares, que assistiram a esta cerimónia." 

(Fonte: Salgueiro Maia condecorado em gesto de "reparação histórica". Diário de Notícias, 30 de junho de 2016) (Com a devida vénia...)

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Nota do editor:

Último poste da sértie > 24 de abril de 2016 > Guiné 63/74 - P16010 Recortes de imprensa (80): João Paulo Diniz (,que vai estar mais logo no Jornal da Meia Noite, da SIC Notícias, para relembrar o seu papel no 25 de abril): "As minhas melhores amizades são do tempo da Guiné, quando fui locutor do PFA - Programa das Forças Armadas, em Bissau, em 1970/72" (Excerto de entrevista, DN -Diário de Notícias, 30/8/2015)

domingo, 3 de abril de 2011

Guiné 63/74 - P8040: Carta Aberta a... (6) Sr. Presidente da República: o 10 de Junho, Dia dos Combatentes (Joaquim Mexia Alves)

1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves:


Data: 31 de Março de 2011 15:42
Assunto: Carta Aberta ao Presidente da República



Meus caros camarigos editores:

Hoje mesmo enviei via site da Presidência da República, a carta que anexo, ao Senhor Presidente da República. Esta carta surgiu das ideias ontem apresentadas pelo António Martins Matos no Encontro da Tabanca do CentroA ele enviei o primeiro esboço desta carta, tendo-me dado conselhos preciosos para chegar ao texto final, que como acima afirmo, já foi enviado pelo site da Presidência.

Já recebi aliás a informação de que tinha sido recebida. O texto da carta envolve-me obviamente a mim, mas julgo que expresso, mais coisa menos coisa, o sentir da grande maioria dos Combatentes.

Fica à vossa disposição para publicação na Tabanca Grande e quem sabe, poder posteriormente receber a assinatura de todos aqueles que nela se revejam. Poder-se-á perguntar porque não a submeti à anterior apreciação de todos? Eu respondo, pela experiência que tenho e todos vós também, que tão cedo não teríamos um texto final que pudéssemos enviar. Assim, como acima refiro, a carta envolve-me a mim, mas pode ser expressão de todos aqueles que a ela queiram a aderir.

O modo de fazer essa adesão deixo-o ao cuidado de quem sabe mais do que eu dessas coisas.

Um abraço camarigo para todos do
Joaquim Mexia Alves

2. Carta aberta ao Presidente da República

Exmo. Senhor Presidente da República
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Escrevo esta carta aberta a V. Exa., pois na sua qualidade de Presidente da República é também o Comandante Supremo das Forças Armadas de Portugal.

Aproxima-se o dia 10 de Junho, e como sempre acontecerão as respectivas celebrações e actividades, que se vão tornando no tempo e na história, cada vez mais afastadas daquilo que deveriam efectivamente ser.

Com efeito, hoje já não faz sentido o chamado “Dia de Camões e das Comunidades”, por razões tão óbvias que nem precisam ser enumeradas

O dia 10 de Junho, que deveríamos entender como o Dia de Portugal, esteve sempre ligado, na sua mais original génese, aos Combatentes de Portugal, que ao longo da História da Nação foram dando o melhor de si para a servir.

E é perfeitamente legitimo que assim seja, porque uma Nação que se honra da sua História, sempre deve homenagear os seus filhos que por essa História se entregaram com risco, e muitas vezes entrega da própria vida.

A maior parte das nações que de um modo geral Portugal considera aliadas ou amigas, têm em cada ano, um dia especialmente dedicado aos seus Combatentes, independentemente das razões ou legitimidade das guerras travadas.

Assim, em nações como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos da América, (para citar apenas estas duas), esse dia é comemorado com “pompa e circunstância” e os Combatentes são a figura principal das celebrações desse dia, sem distinção, conotações políticas, ou quaisquer outras, mas apenas respeitando e homenageando aqueles que serviram a Pátria com as suas próprias vidas.

Se o 10 de Junho não é entendido nesta dimensão, (e é óbvio pelo passado recente que o não é), duas coisas há a fazer:

- Ou fazer do 10 de Junho esse dia de homenagem e respeito aos Combatentes.

- Ou criar um novo dia específico para essa homenagem, na certeza porém, de que o 10 de Junho nos moldes em que é celebrado agora, perderá rapidamente a anuência e empenho dos Portugueses que agora, apesar de tudo, ainda minimamente tem.

Não se perguntarão as autoridades de Portugal, o porquê de, ainda havendo tantos Combatentes das guerras recentemente travadas por Portugal, ser tão diminuta a afluência às celebrações do 10 de Junho?

A resposta é sem dúvida muito fácil. É que os Combatentes não se revêem na forma como esse dia é celebrado e muito menos ainda na forma como são tratados nesse dia e em todos os dias.

Escrevo a V. Exa. por mim, mas também por muitos que ouço e pensam como eu.

Não se trata agora de subsídios, ou outras “compensações” financeiras, seja por que motivos forem, mas sim, única e exclusivamente, de respeito e consideração por aqueles que, tendo deixado tudo, (voluntária ou involuntariamente), não deixaram de servir Portugal, a maior parte das vezes em condições de terrível sobrevivência.

Foram gerações sacrificadas, mas generosas, como V. Exa. muito bem disse no seu recente discurso na “Cerimónia de Homenagem aos Combatentes no 50º Aniversário do início da Guerra em África”, e que, mesmo não tendo na sua maior parte “ido à guerra” de modo voluntário, não deixaram de cumprir até á exaustão com tudo o que lhes foi exigido, e em condições de inigualáveis dificuldades, prestigiaram Portugal e todos aqueles que pela Nação combateram desde a sua própria Fundação.

Pode parecer uma escrita épica, ou desajustada das “realidades” de hoje, mas é verdadeira para todos aqueles que se orgulham de ser Portugueses e se orgulham da sua História.

E isto, repito, nada tem a ver com política, ou formas de interpretar as guerras, mas sim como o respeito que sempre deve existir por aqueles que se deram pelos outros.

Nós, Combatentes, não queremos ser anónimos, nem envergonhados, (que o não somos), mas queremos sim, (tal como nos países acima referidos), desfilar, de pé, de cadeira de rodas, ou conduzidos por outros, seja qual for a nossa condição, acompanhados pelos estandartes e símbolos, sob os quais servimos Portugal.

Não nos movem quaisquer razões político/partidárias, nem conotações com qualquer regime, mas sim, a razão de querermos desfilar em Belém, pois queremos desfilar em homenagem e honrando aqueles que estão inscritos naquele Monumento aos Combatentes, e que deram tudo o que tinham a Portugal, ou seja, a sua própria vida.

Não queremos discursos de circunstância que ninguém ouve, nem queremos discursos de instituições mais ou menos estatizadas, queremos sim ouvir algum ou alguns de nós, que nos encham a alma, o coração, bem como o Comandante Supremo das Forças Armadas, para nos sentirmos vivos, para nos sentirmos respeitados, para sentirmos que a «Pátria nos contempla», não para nosso orgulho, mas para nosso respeito, e para que as gerações vindouras saibam que Portugal honra os seus filhos.

Senhor Presidente da República, está nas suas mãos ouvir os Combatentes!

Não, como acima refiro, as instituições mais ou menos “estatizadas” de Combatentes, mas ouvindo os Combatentes, que até pela força do seu passado, com muita facilidade se organizarão para responder a um seu convite.

Estamos, como V. Exa bem sabe, pois também fez uma comissão em Moçambique, a ficar cada vez mais velhos, já para além dos 60 anos, pelo que é tempo de se corrigir o desprezo a que foram e são votados os Combatentes de África.

E não só os de África, mas os de todos os tempos que serviram Portugal.

Desfilaremos, transportando com tanto orgulho o estandarte das nossas unidades militares da guerra em África, como com o estandarte dos nossos irmãos mais velhos da guerra na Europa, ou em qualquer parte do mundo.

Portugal precisa, mais do que nunca, de se olhar, de olhar as suas gentes, de redescobrir a generosidade com que os Portugueses sempre se deram pela sua Nação, para não corremos o risco de cada vez mais nos fecharmos em nós próprios apenas para “lambermos as nossas feridas”.

Homenageando, respeitando e enaltecendo os Combatentes, homenageamos, respeitamos e enaltecemos a vontade inabalável dos Portugueses.

Homenageando, respeitando e enaltecendo aquelas gerações, fazemos também com que as gerações de agora e as vindouras, sintam orgulho e vontade de pertencerem à Nação que «deu novos mundos ao mundo».

Está nas suas mãos, Senhor Presidente da República, marcar uma viragem importante e imprescindível nas celebrações do 10 de Junho, e assim, dar aos Portugueses e ao mundo, uma nova imagem de Portugal que honra os seus filhos, porque só por eles existe e é Nação.

Com os meus respeitosos cumprimentos

Joaquim Manuel de Magalhães Mexia Alves
Alferes Miliciano de Operações Especiais na disponibilidade.
Guiné 1971/1973

3. Nota dos editores:

Amigos/as, camaradas, camarigos/as:

Se quiserem manifestar o vosso apoio  a esta "carta aberta", podem fazê-lo directamente no sítio da Presidência da República Portuguesa... Cliquem em Escreva ao Presidente.  Têm à vossa frente um formulário que oferece uma interface gráfica para o envio da vossa mensagem, que não pode excer dos 10 mil caracteres (tomem como termo de comparaação a carta do JMA que tem cerca de 6600 caracteres com espaços).

Não se trata de nenhum abaixo assinado nem de nenhum petição pública. Trata-se apenas de informar os serviços da PRP que, a título pessoal, apoiam o conteúdo da carta do nosso camarada (sugerindo que seja repensado o tradicional formato das comemorações do 10 de Junho, em que os ex-combatentes não se revêem). Pode ser uma mensagem do seguinte teor: "Subscrevo a Carta Aberta ao Presidente da República Portuguesa, enviada em 31 de Março de 2011, por esta via, pelo cidadão e ex-combatente Joaquim Manuel de Magalhães Mexia Alves"...

Preencham os campos de resposta obrigatória, assinalados com asterisco (nome, e-mail, morada, etc.). Em relação ao motivo do envio da mensagem, podem responder o seguinte: Motivo=Informação. Temática= 10 de Junho, dia dos Combatentes.