quinta-feira, 14 de julho de 2011

Guiné 63/74 - P8557: Álbum fotográfico de Manuel Coelho (3): Nova Lamego e Bissau



1. Continuação da publicação do Álbum fotográfico do nosso camarada Manuel Caldeira Coelho (ex-Fur Mil TRMS da CCAÇ 1589/BCAÇ 1894, Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68) em mensagem do dia 28 de Junho de 2011.


ÁLBUM DE MANUEL COELHO (3)

Nova Lamego e Bissau


Nova Lamego > Estação dos Correios

Um DC-3 em Nova Lamego

Nova Lamego

Nova Lamego > Artífice de ferreiro

Uma rua de Nova Lamego

Tabancas de Nova Lamego

Nova Lamedo > Artífice tecelão

Vista aérea de Nova Lamego

Bissau > Amura

Avenidas de Bissau

Bissau > Beira-mar

Bissau > Bombarda

Cais de Bissau

Fotos: © Manuel Caldeira Coelho (2011). Todos os direitos reservados.
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 13 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8548: Álbum fotográfico de Manuel Coelho (2): Madina do Boé

Guiné 63/71 - P8556: Em busca de... (170): Guiões das Unidades mobilizadas para a Guerra Colonial (Manuel Botelho / Mário Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Julho de 2011:

Meus queridos confrades,
O pintor Manuel Botelho não pára, não lhe chegam as fotografias com armamento, as histórias dos aerogramas, uma instalação gigantesca com vídeos no tempo do Natal do Soldado.

Agora quero trabalhar guiões, guiões verdadeiros, em tamanho real.

Olhou para mim, surpreso, quando lhe disse que não tinha guiões e, como ele sabe por experiência própria, é coisa que não aparece na Feira da Ladra.

O melhor nestas coisas é aproximar o consumidor do produtor, o artista de quem possuiu, eventualmente, as ditas flâmulas. Peço encarecidamente a quem puder ajudar o Manuel Botelho que o contacto através do email manuelbot@netcabo.pt ou pelo telefone 967 073 648. Confesso-me antecipadamente grato por quem puder ajudar o artista plástico que, desde sempre, mais tem feito pela nossa causa.

Um abraço do
Mário


2. Mensagem de Manuel Botelho dirigida a Mário Beja Santos

Caro Mário
Agosto aproxima-se, e com ele a promessa de um breve momento de maior disponibilidade para o meu trabalho plástico. Como sabes tenho andado a fazer fotografias com miniaturas de guiões das companhias mobilizadas no ultramar; desejava agora, se possível, ter acesso a guiões verdadeiros, em tamanho real! Haverá alguém que tenha ficado com esse tipo de material e mo possa emprestar durante uns tempos para fazer o meu trabalho fotográfico?

No blogue aparece, por exemplo, a foto deste guião… onde estará? Em Abrantes, no Regimento de Infantaria?

Guião do Batalhão de Caçadores nº 2879
Regimento de Infantaria 2 - Abrantes
Foto - ex-Fur Mil Carlos Silva
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 13 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8549: Notas de leitura (256): Amílcar Cabral – Vida e morte de um revolucionário africano, por Julião Soares Sousa (2) (Mário Beja Santos)

Vd. último poste da série de 14 de Julho de 2011 > Guiné 63/71 - P8554: Em busca de... (169): Pessoal do CAOP 1, Teixeira Pinto, 1969 a 1971 (Albino Silva)

Guiné 63/74 - P8555: Os nossos médicos (39): Venham mais cinco, dez, vinte... E também os nossos queridos enfermeiros (J. Pardete Ferreira)

1. Comentário do nosso camarigo J. Pardete Ferreira, com data de 10 do corrente, ao poste P8518 (*) (Ele merece uma salva de artilharia pela sua impressionante memória de elefante!!!):

 Sim, [, camarigo Joaquim Mexia Alves,] este Dr. [Manuel] Neves e Castro é o célebre Ginecologista de Lisboa e não só. Vivendo inicialmente na mesma "república" que eu, um homem respeitável e com 7 filhos, nas primeiras chuvas veio para a rua tomar banho, em cuecas brancas, ensaboou-se e voltou para a rua para tirar o sabão... Ele não vai ficar zangado: foi uma atitude pública, mesmo nas barbas da esquadra de Polícia, na Arnaldo Schultz.

Mais Médicos e tentativa de espicaçar os Enfermeiros:

(i) [Fernando Jorge] Chiotti Tavares, que foi Oftalmologista no Hospital de Sta Maria;  [,e conceituado escritor e artista plástico...];

(ii) Messing Ribeiro, Marinheiro,  e que fazia Cirurgia;

(iii) o falecido Dr. Pedroso,  da Medicina Desportiva de Évora,  e que tem uma história gira com o Dr. Fernando Garcia;

(iv) Orlando de Almeida, Otorrino da Força Aérea, evacuado com uma hepatite;

(v) Aristides Alpendre, na Força Aérea,  e que virou pediatra;

(vi) Esteves Franco, que substituiu o Arlindo Baptista no Serviço de Sangue e que, mais tarde,  virou Ortopedista;

(vii) o Cirurgião, Dr. José Campos, que faleceu de um acidente isquémico cardíaco quando ia entrar de Serviço à Urgência do seu Hospital de Vila Real.

(viii) José Ferra, o mago de Farim, que se tornou Patologista Clínico;

(ix) o Vasconcelos Dias, da minha incorporação em Mafra, que embrulhou que nem um fartote em Piche,  a 23 de Junho de 69, se não me engano no dia - por acaso vieram "só" 23 feridos;

(x) O Malheiro, o último médico que foi a Madina do Boé e que ficou muito admirado porque do tecto do abrigo via as estrela, que trabalhou na Cirurgia e terminou Urologista em Braga;

(xi) por fim, hoje, e penso estar a repetir, o Horta e Vale, filho do Director do Sanatório do Caramulo.

Não vos chateio mais com Médicos. Enfim, não é bem verdade: meti-me o outro dia com o Trigo de Sousa, comprimindo o tórax dos anestesiados, mas eu também não fui imune ao sono das quinhentas: estávamos a fazer uma craniostomia descompressiva, eu segurava um "mosquito" que referenciava duas guitas e... acordo com uma gargalhado: o Mariano, pícnico Esfermeiro Chefe do Bloco Operatório, segurava o meu "mosquito" com uma pinça, quando o podia ter feito à mão - dizia ele, no gozo, que era para eu não acordar.

O Cavadinha Gomes ria que nem um perdido; ele é que estava a operar e eu apenas a ajudar. O Mariano foi substituído pelo José António, que eu conheci na E. P. A., em Vendas Novas.

Lancei o engodo, vamos ver se o peixe morde. Só não digo missão cumprida porque ainda não tenho o feed-back. (**)

Alfa Beta

J. Pardete Ferreira
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 Notas do editor:

(*) Vd. poste de 6 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8518: Os nossos médicos (35): Mais nomes de clínicos do HM241 do meu tempo (J. Pardete Ferreira)

(**) Último poste da série > 14 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8552: Os nossos médicos (38): O Prof Pereira Coelho, o pai do bebé-proveta em Portugal... e que esteve em Galomaro... Recordando ainda os Dr. Pinheiro Azevedo, Dr. Moreira Figueiredo e o Prof Maymone Martins (Joaquim Mexia Alves / Paulo Santiago / Luís Dias)

Guiné 63/71 - P8554: Em busca de... (169): Pessoal do CAOP 1, Teixeira Pinto, 1969 a 1971 (Albino Silva)

1. Mensagem do nosso camarada Albino Silva* (ex-Soldado Maqueiro da CCS/BCAÇ 2845, Teixeira Pinto, 1968/70), com data de 13 de Julho de 2011:

Carlos Vinhal
Desta vez é um apelo que faço através da nossa Tabanca Grande e dirigido à malta do CAOP que esteve em Teixeira Pinto de 1969 a 1971.
Desde o regresso da Guiné esta dúzia de ex-combatentes jamais se encontraram e não sabem uns dos outros. Sei que têm muito interesse em se verem, daí o meu apelo porque também eu tenho saudades desses camaradas que bem me conheciam e que certamente ainda se lembram da assistência de saúde que lhes prestava.

Entre estes camaradas na foto está um que é o Faria, que foi levado pela mão do malogrado Major Passos Ramos, para que eu lhe desse assistência, já que me encontrava de serviço à Enfermaria.
Eles estavam chegando a Teixeira Pinto depois de uma passagem por Bissau.

Envio aqui esta foto que é do Manuel Alberto Cunha Bento, entretanto já contactado, na tentativa de que alguém a reconheça e entre em contacto comigo...

Sem mais de momento, obrigado.
Um abração,
Albino Silva




APELO

Além dos nomes aqui referenciados, reconheço ainda o Zé Carlos, o Faria, o Bento, e lembro-me bem dos restantes. Oh Malta! Onde é que vós parais ?...

Lembrais-vos das petiscadas que improvisava na Enfermaria em Teixeira Pinto para depois vos convidar?... Pois é. Sou o Albino Silva e vosso “Enfermeiro”, e ando à vossa procura. Já sei de dois camaradas, mas faltam os restantes.

Se por ventura virem este apelo, liguem para Albino Silva, (telemóvel 963 297 804, mail bynisil@hotmail.com ou ainda escrevam para Rua Nª Sª de Guadalupe, 24 – Gandra – 4740-476 Esposende.

Fico desde já à vossa espera e conto com a colaboração de quem saiba de vosso paradeiro pois de certeza que algum destes camaradas já vos falou de seu passado emTeixeira Pinto, nos anos de 1969 a 1971.
Como eram cerca de uma dúzia é natural que nunca tivessem feito nenhum Convívio até hoje, não sabendo uns dos outros. Fiquem sabendo que há camaradas que se querem ver e não sabem como.

Por isso que vos procuro, porque também eu vos quero reencontrar...
Será que nenhum de vós estará aqui pela Tabanca Grande, como está o Bento?

Albino Silva
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 5 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8513: Massacre do Chão Manjaco: Guiné, 20 de Abril de 1970 - Estrada do Pelundo a Jolmete - A morte dos Majores Pereira da Silva, Passos Ramos, Magalhães Osório e Alferes Joaquim Mosca (Albino Silva)

Vd. último poste da série de 13 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8550: Em busca de... (168): Sado Baldé, major da Guarda Fiscal da RGB, e meu amigo, procura ex-Alf Mil Infante, que comandou um pelotão no Saltinho, em 1967 ou 1968 (Paulo Santiago)

Guiné 63/74 - P8553: Convívios (362): 7.º Encontro da CART 1742 (Os Panteras), dia 28 de Maio de 2011, em Leça da Palmeira (Abel Santos)

1. No passado dia 28 de Maio de 2011, realizou-se em Leça da Palmeira o 7.º Encontro da CART 1742 (Os Panteras) que esteve em Nova Lamego e Buruntuma nos anos de 1967/69. 

Foi a segunda vez que este convívio se realizou nesta localidade, com a organização do nosso camarada Abel Santos.

Do acontecimento se publicam as fotos que se seguem:



Alguns dos bravos ex-combatentes da CART 1742 junto às muralhas do Forte de Nossa Senhora das Neves, habitual ponto de encontro nestes acontecimentos.

Fotografia de família da CART 1742 a renovar no próximo Encontro

Momento da Missa em sufrágio dos camaradas da CART 1742 falecidos, celebrada na Capela dos Ruas.

Finda a Missa, o pessoal deslocou-se para o Cemitério n.º 1, anexo à Igreja Matriz, aproveitando para apreciar um paquete de passageiros atracado na Doca 1 Norte do Porto de Leixões.

Chegada ao adro da Igreja Matriz de Leça da Palmeira

Chegada ao cemitério. O guião da CART 1742 transportado pelo nosso camarada Abel Santos

Abel Santos no uso da palavra antes da homenagem aos camaradas falecidos e da deposição de uma coroa de flores na base do Memorial aos Combatentes

Coroa de flores que marcou a passagem do pessoal da CART 1742 por Leça da Palmeira

Seguiu-se o almoço de que se não publicam mais fotos pela má qualidade que apresentam

Obs1 - Fotos feitas a partir do DVD da reportagem feita ao acontecimento pela JAVIDEO, com o nosso agradecimento pela autorização expressa da respectiva publicação.

Obs2 - Sobre a  CART 1742 (que também esteve em Buruntuma e de quem gostaríamos ter cá alguém, na nossa Tabanca Grande), ver o resumo da sua actividade operacional no sítio do BART 2857, donde reproduzimos com a devida vénia os seguintes elementos informativos:

(i)  Companhia independente, foi mobilizada pelo RAL 5 (Penafiel) partiu para o CTIG em 22/7/1967, tendo chegado a  Bissau a 30;

(ii)  Esteve em Bissau, Nova Lamego e Buruntuma;

(iii) Teve um único comandante:  Cap Mil Inf Álvaro Lereno Cohen;

(iii) Em 14 de Setembro de 1967 é atribuída ao Batalhão que comanda o Sector de Nova Lamego (BART 2857)  para a missão de intervenção e reserva do Sector.

(iv) Tomou parte em Operações realizadas nas Zonas de Ganguiró, Canjadude, Cabuca e Sinchã  Jobel;

(v) Fez escoltas a colunas para Béli, Cheche e Madina do Boé;.

(vi) Não se conseguimos apurar desde quando esta CART 1742, foi deslocada para Buruntuma;

(vii) "Revelou-se prejudicial o facto de não se estabelecer uma data definitiva e única para a rendição das subunidades; assim sucedeu com a da CART 1742, levada a cabo durante vários dias, sendo afectado o moral do pessoal e o das suas famílias" (sic);

(viii) "Iniciada [a rendição] em 18 de Maio de 1969, só terminou a 29 de Maio de 1969, data em que a CART 2338, assumiu o Comando do Sub-Sector de Buruntuma".

(ix) Regressou  à Metrópole em 20 de Junho de 1969.


(...) ACTIVIDADE OPERACIONAL NO SECTOR L4 (zona Leste) na Dependência do BART 2857

A CART 1742, com sede em Buruntuma, fica também a depender, operacionalmente do Batalhão de Artilharia n.º 2857, dado o facto de estar incluída no Sector L4 (zona Leste) do mesmo.

Tem destacamentos em Ponte Caium e Camajabá e adstritos o Pel Mil  151 (Buruntuma) e Pel Mil 154 (Camajabá).

O 3.º Pel Art encontra-se em reforço a esta CART 1742. (...).
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 13 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8551: Convívios (355): 6º. Encontro da CCAÇ 1426, 9 de Julho, em Cuba (Fernando Chapouto)

Guiné 63/74 - P8552: Os nossos médicos (38): O Prof Pereira Coelho, o pai do bebé-proveta em Portugal... e que esteve em Galomaro... Recordando ainda os Dr. Pinheiro Azevedo, Dr. Moreira Figueiredo e o Prof Maymone Martins (Joaquim Mexia Alves / Paulo Santiago / Luís Dias)

1. Comentário de Joaquim Mexia Alves [ foto à esquerda,] ao poste P8495 (*) e outros relacionados:

Repito aqui o comentário que coloquei noutro lado sobre os nossos médicos.

(i) Ora bem, o Prof Doutor Pereira Coelho, para os amigos Mané Pereira Coelho, é um homem de eleição. um grande homem e um grande médico. [ Já foi aqui evocado pelo nosso camarigo Luís Dias (*)...Aliás, conheci-o no Galomaro numa "aventura" que me "obrigaram" a fazer e que um dia contarei.]


O seu trato de uma simpatia extrema, a sua dedicação á medicina e àqueles que tratava, grangearam-lhe um capital de simpatia que prevaleceu para além da tropa.


É conhecido por ser o pai do bébe-proveta em Portugal. Conheço-o bem embora já alguns anos o não veja, com grande pena minha.


(ii) O  António Alfredo [Viana Pinheiro] Azevedo não lhe fica atrás em grandeza de alma e dignidade, como homem e como médico, como aliás eu já tinha afirmado.

[E a propósito, escreveu o Paulo Santiago, foto à esquerda,  quando comandante do Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72, em comentário ao poste P8485 **]:

O Dr. Azevedo é um camarada que  eu gostaria de encontrar. Foi ele que, definitivamente, conseguiu curar-me das otites que, ciclamente, me apoquentavam,e aquilo eram dores do c... Também ele me tratou do primeiro,  e único, "ataque" de paludismo. Aquela vala da foto, utilizei-a ao ínicio da noite de 3 de Agosto de 1972...O Mexia estava lá, e o Dr. Azevedo,penso que também estava... Uma vala com uma profundidade pouco adequada ao tamanho do Joaquim]...

Também sobre estes dois médicos, escreve o Luís Dias [, foto a seguir à direita,, quando jovem Alf Mil At Inf da CCAÇ 3491/BCAÇ 3872, Dulombi e Galomaro, 1971/74]  (***):

Segundo informações colhidas junto do Professor Doutor Pereira Coelho, o Médico Pinheiro Azevedo pertencia ao BART 3873 (Bambadinca) e não ao BCAÇ 3872 (Galomaro). Ambos seguiram para a Guiné no mesmo barco (onde ia o BART3873, mas com destinos diferentes). Devido ao facto de ele se encontrar no Xitole, à data da emboscada do Saltinho [, ou melhor, Quirafo], foi ele que avançou para o terreno. A seguir chegou o Dr. Pereira Coelho por determinação do Comandante, que conversou com o colega que chegara em primeiro lugar, pois já não havia nada a fazer. Era sua convicção que quem passou as certidões de óbito foi o Dr. Pinheiro Azevedo.


(iii) E continua o Joaquim Mexia Alves:

Já agora e porque noutros postes se fala dele, o Dr. Moreira Figueiredo [, António Lebre Moreira de Figueiredo, estomatologista,] assentou a sua vida em Leiria, tendo-o eu conhecido muito bem. (****)


Para além da sua carreira médica, dedicou-se muito às artes e cultura na cidade do Liz.


(iv) Acrescento então que o Prof. Maymone Martins está, (estava?), no Hospital de Santa Cruz. Julgo que está mais dedicado à cardiologia pediátrica, pois foi quem tratou o meu filho André, quando era ainda criança, e tinha um "sopro cardiaco".


É um homem que apenas conheci nessa altura, mas de uma simpatia e competência extremas, pelo que lhe estou muito agradecido.


Foi-me indicado por um primo meu, Dr. Francisco Machado, (naquela altura chefe da hemodinâmica no Hospital de Santa Cruz, salvo o erro), e que curiosamente foi Comando em Angola. Entramos para Mafra no mesmo dia, tendo-nos separado em Lamego, pois ele foi para os Comandos e eu para os Rangers. (*****)


Um abraço a todos,
J. Mexia Alves

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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 1 de Julho de 2011 >
Guiné 63/74 - P8495: Os nossos médicos (32): Fotos do Serviço de Saúde do BCAÇ 2845 (Albino Silva)



(**) 30 de Janeiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5732: Os nossos médicos (15): Professor Doutor Pereira Coelho (ex-Alf Mil Méd do BCAÇ 3872 e Director do Hospital Civil Bafatá, 71/74

(***) Vd. poste de 29 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8485: Os nossos médicos (29): O arraial minhoto do Alf Mil Med Pinheiro Azevedo no Xitole, em 4 de Abril de 1972 (Joaquim Mexia Alves, CART 3492 / BART 3873, 1971/74)

(****) Vd. poste de 30 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8491: Os nossos médicos (31): HM241: Pessoal médico do meu tempo por especialidades (J. Pardete Ferreira)

(*****) Último poste da série > 11 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8540: Os nossos médicos (37): Dr. Fernando Garcia, chefe da equipa cirúrgica do HM241, Bissau, 1966/68 (J. Pardete Ferreira)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Guiné 63/74 - P8551: Convívios (361): 6º. Encontro da CCAÇ 1426, 9 de Julho, em Cuba (Fernando Chapouto)




1. O nosso Camarada Fernando Chapouto, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCAÇ 1426, que entre 1965 e 1967, esteve em Geba, Camamudo, Banjara e Cantacunda, enviou-nos uma pequena reportagem sobre a festa da sua Companhia.


Camaradas,

Realizou-se no passado dia 9 de Julho, em Cuba no pleno coração do Alentejo, o 6º Encontro/Convívio da minha CCAÇ 1426, que andou por terras de Geba, Camamudo, Cantacunda e Banjara, entre os anos de 1965/67.

Infelizmente a grande maioria dos ex-Combatentes da minha companhia não são muito dados a convívios, por diversos motivos, de que se adivinham alguns, tal como o estado crítico do País, os poucos recursos e os problemas de saúde

Mesmo assim, este ano, a adesão superou as melhores expectativas tendo-se verificado a presença do maior número de companheiros presentes nestes nossos convívios, apesar de terem faltado à chamada final alguns que se tinham inscrito.

Foi espantoso verificarmos que 39 combatentes (poucos mas bons) conseguiram reunir, contando com os seus familiares, um total de 114 (cento e catorze) adultos e algumas crianças.

Foi muita a alegria, abraços e natural emoção demonstrados por aqueles que apareceram pela primeira vez, pois tinham-se passado 44 anos sem sabermos nada deles.

Mais uma vez fico muito grato ao blogue, pelo trabalho e boa vontade colocada ao serviço dos ex-Combatentes da Guiné.

Um forte abraço do,
Fernando Chapouto
Fur Mil da CCAÇ 1426
Os Alferes Milicianos, após a colocação de um ramo de flores no monumento dedicado aos Combatentes do Ultramar do concelho de Cuba. Da esquerda para a direita: Almeida, Soeiro e Albardeiro.
O pessoal junto ao mesmo monumento. O último da direita, em pé, sou eu.
Aspecto do grupo que começava a engrossar. Ainda faltavam muitos. Eu estou em 1º plano, do lado esquerdo, em baixo.

O grupo e seus familiares.

Três transmontanos presentes pela 1ª vez. À esquerda estou eu, à direita o Fur Mil Vaqueiro (duas presentes habituais nos encontros) e, ao centro, o Soldado Condutor Santos de Chaves (meu condutor que apareceu pela 1ª vez).
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Nota de MR:
Vd. último poste desta série em:

Guiné 63/74 - P8550: Em busca de... (168): Sado Baldé, major da Guarda Fiscal da RGB, e meu amigo, procura ex-Alf Mil Infante, que comandou um pelotão no Saltinho, em 1967 ou 1968 (Paulo Santiago)

Guiné-Bissau > Bissalanca > Aeroporto Osvaldo Vieira > 29 de Fevereiro de 2008 > Sapa VIP > O major da Guarda Fiscal Sado Baldé e o seu grande amigo e membro da nossa Tabacanca Grande, o Paulo Santiago (que acabara de chegar na caravana automóvel que partira de Coimbra em 21 de Fevereiro).

Foto: © Luís Graça (2008). Todos os direitos reservados

 

Guiné- Bissau > Instalações da AD - Acção para o Desenvolvimento > Julho de 2007 > O Sado Baldé, quadro superior da Direcção-Geral de Alfândegas, major da Guarda Fiscal, amigo do Paulo Santiago. Tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente neste dia: foi gentilíssimo para comigo... (LG)


Foto: © Pepito/ AD - Acção para o Desenvolvimento (2007). Todos os direitos reservados




1. Mensagem, com data de ontem, do Paulo Santiago:


Boa Noite:  Esteve hoje em minha casa o Sado Baldé, um puto do meu tempo, agora major da GF [, Guarda Fiscal], lá na Guiné.


Já da última vez, que esteve em Portugal, me falou do assunto para que peço ajuda, mas esqueci-me completamente, e antes que me volte a esquecer aqui vai. (*)


O Sado gostava de encontrar (ou saber notícias de) o Alferes Infante que comandou um pelotão, pertencente à companhia do Xitole, e que esteve destacado no Saltinho no ano de 67 ou 68.


Este pelotão, única unidade na altura aquartelada no Saltinho, foi fortemente atacado, tendo, entre outros, morrido os Fur Mil Batista e Santos.


Agradecia que publicassem este desejo do Sado no blogue, poderá haver alguém que conheça o ex-Alf Mil Infante.

Abraço
P. Santiago


P.S. Existem no blogue algumas fotos onde aparece o Sado Baldé (**)


2. Mail enviado a toda a Tabanca Grande, através da nossa rede interna (cerca de 500 endereços)


Amigos e camaradas:


Alguém tem informação adicional de modo a poder ajudar o nosso camarigo Paulo Santiago e o seu (e meu conhecido) amigo Sado Baldé, um djubi do tempo dele no Saltinho e hoje quadro superior das Alfãndegas da República da Guiné-Bissau ?


O Alf Mil Infante, que o Sado procura, deve ter pertencido a uma destas companhias que estiveram no Xirole:


CCAÇ 1551 / BCAÇ 1888 (20/4/1966 - 17/1/68) ou  CART 1646 / BART 1904 (1967/68)...


A malta da CART 2339 (Mansambo, 1968/69) privou com a malta da CART 1646 (se não me engano)... A CCAÇ 1515 por sua vez esteve em Bambadinca, Fá Mandinga, Xitole e de novo Fá Mandinga. O BCAÇ 1888 esteve sediado  em Fá Mandinga e Bambadinca...


A seguir à CCAÇ 1646, esteve no Xitole a CART 2413 (1968/70), que teve quatro mortos mas nenhum dos furriéis referidos...  Fizemos operações em conjunto, eles e a minha malta da CCAÇ 12 (1969/71). No blogue Xitole, não constam companhias mais antigas que a CART 2413.


Abraço do tamanho do Corubal.
Luís Graça


3. Resposta, às 15h07, de hoje, por parte do Torcato Mendonça (CART 2339, Mansambo, 1968/69):


Luís: A Companhia do Xime era a Cart 1746, comandada pelo Cap Mil Vaz e pertencente ao Bart 1904. Os Alferes eram o Madaíl, um de Évora;  Montes? creio que não, talvez Mata;  um que foi evacuado para a metrópole em meados de 68 (estive com ele em Agosto de 68 na minha vinda de férias, acompanhado com o Cap Vaz);  e um outro que era, salvo erro, de Angola. Não recordo o nome.


O 1888 esteve antes de 68. Aliás dizes que saiu em Jan/68.


Em 68, pertencente ao BCaÇ 2852 estava a 2406 no Saltinho (Os Tigres, a Companhia do Camacho Costa);  a 2413, Cap QP Medina Ramos, era do Xitole. Não sei a que batalhão pertencia esta Companhia.


Não me recordo o nome dos alferes. Devia saber-se a Companhia e o ano. A malta do mato convivia pouco e, quando se fazia uma operação ou nos encontrávamos , o nome, para mim e muitos outros , era apêndice sem importância. Depois as décadas apagaram melhor que borracha...delete ...e tudo o vento levou!


Ab T
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Notas do editor:

Guiné 63/74 - P8549: Notas de leitura (256): "Amílcar Cabral – Vida e Morte de um Revolucionário Africano", por Julião Soares Sousa (2) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 28 de Junho de 2011:

Queridos amigos,
Não me cansarei de sugerir que leiam esta biografia política de Amílcar Cabral, as questões fundamentais da unidade entre a Guiné e Cabo Verde, as tensões entre as elites políticas e militares, a descodificação dos seus fundamentos culturais da matriz cabo-verdiana até à sua luta bem perto da oposição portuguesa mas sempre cioso da autonomia face às concepções do nacionalismo africano, aparecem aqui tratadas com indesmentível rigor. É por isso que julgo valer a pena ler na íntegra estas mais de 500 páginas, que aqui vão ser alvo de umas magras recensões.

Um abraço do
Mário


"Amílcar Cabral – Vida e Morte de um Revolucionário Africano"

Amílcar Cabral, a formação de um revolucionário

Beja Santos

“Amílcar Cabral, Vida e Morte de um Revolucionário Africano” é uma obra exaustiva de Julião Soares Sousa que começou por ser uma tese de doutoramento defendida na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É uma obra de leitura obrigatória para todos aqueles que pretendam aprofundam os seus conhecimentos sobre o envolvimento do mais talentoso de todos os militantes anticolonialistas e do seu pensamento político, não só no que respeitava à independência das colónias portuguesas como sobre a unidade africana, um sonho marcante dos anos 60 e 70, naquele continente (Nova Vega, 2011).

Estudar Amílcar Cabral é indispensável para conhecer não só a formação e a luta ao nível do PAIGC como para conhecer a formação dos diferentes dirigentes anticolonialistas, sobretudo como se formaram nos anos 50 e 60. Como prova e comprova Julião Soares Sousa, o papel do indivíduo Amílcar Cabral foi total influência que tudo o que é investigação da Guiné-Bissau, dos anos 50 à actualidade mostra que os eventos se tornam ininteligíveis sem o percurso político e o ideário de líder do PAIGC.

O estudo de Julião Soares Sousa comporta matéria polémica. Não sobre o nascimento ou os primeiros anos de vida de Amílcar Cabral na Guiné e em Cabo Verde. A infância de Cabral esteve sujeita ao meio em que viveu (os pais separaram-se cedo, ele seguiu com o pai, Juvenal Cabral para Cabo Verde, mas será educado pela mãe, também no arquipélago. Cabral nasceu em Setembro de 1924 em Bafatá, aqui viveu 2 anos, viveu depois 3 anos em Geba, 1 ano em Cabo Verde, e 1 ano ou 2 em Bissau. A mãe, Iva Pinhal Évora, foi a grande responsável pela sua formação. Alguns estudiosos da vida de Cabral apontam Juvenal Cabral como a personalidade de referência. Os testemunhos existentes abonam que Amílcar sempre se reviu nos valores da mãe, terá sido ela a responsável pela sua socialização escolar. Frequentou o liceu Gil Eanes. Cabral recordará mais tarde, a propósito da instrução que recebeu: “Gosto muito de Portugal, do povo português. Houve um tempo na minha vida em que eu estive convencido que era português. Mas depois aprendi que não, porque o meu povo, a história de África, até a cor da minha pele… Aprendi que já não era português”. S. Vicente era já ao tempo uma região com aspirações culturais, o Mindelo tinha a revista Claridade e a Academia Cultivar possuía a revista Certeza.

Amílcar Cabral tem 15 anos quando começa a II Guerra Mundial, Cabo Verde sofrerá os impactos do conflito. Mas a verdade é que neste período da sua juventude não se vislumbra nenhum sinal de crítica fora do contexto que era a lógica cabo-verdiana, um misto de orgulho pelos valores europeus e uma atmosfera de sentida africanidade. Os anos 40 foram de crise económica em Cabo Verde, marcada pelas fomes e secas. A poesia de Cabral denota preocupações sociais, é um olhar de um ilhéu, em consonância com um dos seus mais conhecidos poemas “Ilha”, escrito em 1945, quando residia na Cidade da Praia e trabalhava na Imprensa Nacional, foi a paisagem monótona de Santiago que lhe deu o mote:

Tu vives – mãe adormecida
nua e esquecida,
seca,
batida pelos ventos,
ao som da música sem música
das águas que nos prendem…

Servem estas considerações para dizer que Cabral era o produto do seu tempo, as preocupações guineenses estão totalmente omissas. Em 1945, Cabral parte para Portugal como bolseiro, ingressa em Agronomia, onde será um aluno distinto. É aqui que Cabral vai participar nas movimentações da oposição portuguesa, como dirá mais tarde: “Eu fui fiel à Pátria portuguesa lutando ao lado do povo português contra o salazarismo. Cantando nas ruas de Lisboa (na Rua Augusta), abrindo brechas entre a polícia aquando da eleição de Humberto Delgado. Lutei pela Pátria portuguesa sem ser português. Estou pronto a lutar hoje”. Colaborou activamente na Casa dos Estudantes do Império como no Centro de Estudos Africanos. Os seus ideólogos e referências culturais da época predem-se ao pan-africanismo, caso de Aimé Césaire (Martinica), Léon Damas (Guiana francesa) e Léopoldo Sédar Senghor (Senegal). Depois evoluiu para o pan-negrismo e para as vozes que anunciavam a independência colonial. Tudo isto aparece largamente documentado no trabalho de Julião Soares Sousa. Quando conclui a sua licenciatura, dá sinais de querer ir trabalhar em África. Por concurso parte para a Guiné, no início dos anos 50, quando a designação “Império Colonial” cedeu lugar à de “Províncias Ultramarinas”. Enquanto procede, acompanhado pela mulher, ao recenseamento agrícola da Guiné, a partir de 1952, Cabral já adquirira uma longa aprendizagem sobre o que faziam as organizações nacionalistas e cívicas de Angola, já se relacionara com Lúcio Lara, Mário de Alcântara Monteiro e Viriato da Cruz, entre outros. Dirá mais tarde que a sua ida para a Guiné tinha sido programada já com a ideia de fazer alguma coisa, de dar uma contribuição para levantar o povo contra os tugas. Cabral sabia muito pouco sobre a Guiné, foi o recenseamento agrícola que lhe deu a conhecer em grande profundidade a realidade local: 99.7% da população não gozava na plenitude dos direitos civis e políticos. Os seus trabalhos científicos foram elogiados. Pronuncia-se sobre o gravíssimo problema de erosão, atacou a prática da monocultura e sugeriu que se colocasse de parte a cultura do amendoim, devia-se dar prioridade à cultura do arroz e valorizar a agricultura tradicional. Data desse período a frustrada criação do Clube Desportivo, supõe-se que a ideia de Cabral era a de preparar os naturais da Guiné para assumirem eles mesmos o processo de reivindicação dos seus direitos.

O autor desmonta a tese da alegada fundação do MING por Amílcar Cabral, por motivo de doença ele e a mulher e a filha regressam a Lisboa em 1955. Ao tempo, consta de um relatório da PSP de Bissau que Cabral e a mulher se tinham comportado de maneira a levantar suspeitas de actividades contra a presença portuguesa em África, exaltando prioridades do direitos dos nativos, chegando mesmo a pretender fundar uma agremiação desportiva e recreativa.

Em Lisboa, permaneceu pouco tempo, seguiu para Angola onde acompanhou a criação do movimento independentista. Quanto à fundação do PAI/ PAIGC em 1956, o autor demonstra que tal não foi possível, ao contrário do que pretende a hagiografia oficial. Importa agora ver como se entrosou a actividade de Cabral com as organizações nacionalistas da Guiné e de Cabo Verde, a partir de 1959 e quais os fundamentos da unidade africana e da unidade Guiné e Cabo Verde.

(Continua)
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 5 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8508: Notas de leitura (253): Amílcar Cabral – Vida e morte de um revolucionário africano, por Julião Soares Sousa (1) (Mário Beja Santos)

Vd. último poste da série de 11 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8542: Notas de leitura (255): Guia Político dos Palop, por Fernando Marques da Costa e Natália Falé (Mário Beja Santos)