segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Guiné 63/74 - P11954: Notas de leitura (512): Uma Breve História de África, por Gordon Kerr (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 2 de Maio de 2013:

Queridos amigos,
Por uso e costume, as recensões para o blogue versam primordialmente a Guiné de todos os tempos. Acontece que “Uma breve história de África” é um ensaio digno de nota na medida em que em escassas 180 páginas aborda o berço da civilização, as eras antiga e medieval, a chegada dos europeus, a ascensão e queda de Estados como o império do Gana, detalha o comércio de escravos e refere as conquistas europeias e a “Corrida por África” que conduziu à ocupação efetiva e, mais adiante, a descolonização e a África depois da independência.
É sem dúvida um ensaio que traça uma panorâmica e ajuda a compreender as vicissitudes históricas do segundo maior continente.

Um abraço do
Mário


Uma breve história de África

Beja Santos

O título atrai imediatamente, como é que é possível de escrever em 170 páginas a história do segundo maior continente, o berço da civilização, até aos acontecimentos da Primavera Árabe: “Uma breve história de África”, por Gordon Kerr, Bertrand Editora, 2013. Se é facto que foi sobretudo a partir do século XIX que passou a chamar a atenção dos países colonizadores, a África do Vale do Nilo, África Bantu, a presença árabe, as caravanas transportando o ouro e atravessando desertos, impérios como o Gana, o Mali, o Kanem-Bornu e o Songhai, o reino do Congo, a presença de europeus a partir do século XV e o comércio dos escravos, são factos e acontecimentos de uma importância que transcende a própria África. É certo que a documentação é bastante omissa quanto às civilizações do continente, desde a pré-história até ao fim da Idade Média. Como também é verdade que o olhar dos europeus que aqui chegaram também subtraia o estudo do passado, tudo parecia condenado ao vazio. E só muito lentamente se vieram a juntar as pedras do mosaico para hoje se dispor, mesmo com grandes lacunas, de uma certa ideia do que foi o passado de toda a África.

A partir do século XVIII, a historiografia melhorou consideravelmente. Hoje já se sabe com consistência o que foi o Império Songhai e como se desmoronou, o Império Lunda, o Império Rozwi e mesmo o sul de África. Com o século XIX, passa-se a dispor de uma mais ampla informação sobre os Fulas e como irromperam na Guiné, como os Mandingas fundaram um império que se estendia pela África Ocidental, hoje dispõe-se de informação abundante sobre o comércio de escravos, um pouco por todo o continente. O que os europeus conheciam de África cingia-se ao litoral. E em meados do século XIX os exploradores europeus começaram a penetrar no interior da África Ocidental, foram seguidos pelos missionários que procuravam conversões e travar a fé islâmica. O movimento para a abolição do comércio de escravos reavivou o interesse por África. Os exploradores estavam envolvidos em investigações científicas e cresceu a presença de aventureiros que andavam à procura de fama e fortuna.

O autor pormenoriza as atividades destes exploradores naquilo que se chamou a “corrida a África” que se tornou possível pelos desenvolvimentos tecnológicos europeus como os barcos a vapor, os caminhos-de-ferro e o telégrafo, e as armas de fogo modernas. A presença dos europeus era justificada como um dever de civilização, como é óbvio havia outro tipo de ambições, potências como a Alemanha e a Itália desenvolveram a crença de que também mereciam ter o seu próprio império ultramarino. A Grã-Bretanha não podia perder o controlo no Canal de Suez, e por isso ocupou o Egito. A “Corrida a África” foi o principal resultado da Conferência de Berlim (1884-1885), o objetivo era chegar a um entendimento acerca da partilha do continente africano, foi assim que se desenharam esferas de influência. Os franceses que já estavam no rio Senegal estenderam a sua área de influência até às fronteiras dos atuais Gana e Costa do Marfim; os ingleses começaram a constituir o protetorado britânico ao longo da Costa do Ouro (recorde-se que na Conferência de Berlim a Grã-Bretanha declarou o Delta do Níger como seu protetorado). O autor refere igualmente os britânicos e alemães na costa oriental de África, os portugueses em Moçambique, os alemães na Namíbia e a revolução mineira que tomou conta da África do Sul.

No final do século XIX, não havia margem para dúvidas sobre a preponderância do domínio colonial em África. Os africanos opunham-se tenazmente aos povoamentos brancos. O autor descreve vários Estados sobre o Governo colonial, realçando o Congo e a África Oriental alemã. A I Guerra Mundial refletiu-se em África, a Grã-Bretanha invadiu as colónias alemãs da África Ocidental, Togo e Camarões, as tropas sul-africanas ocuparam o Sudoeste Africano Alemão. É facto que os anos entre as guerras marcaram o apogeu do governo colonial em África. Mas os africanos foram encorajados a desenvolver-se num modo “africano”, as potências coloniais permitiam que os chefes mediassem disputas locais, reconheceram os líderes tradicionais mas sempre com o espírito de que os africanos e a cultura africana eram inferiores aos seus equivalentes europeus. Os governadores europeus estavam convictos de que os africanos e a cultura africana eram inferiores aos seus equivalentes europeus. “Ao mesmo tempo que encorajavam os africanos a desenvolver as suas instituições de um modo africano, os europeus insistiam em impor a adoção de estilos e técnicas dos governos ocidentais (…) Para permitir aos governadores africanos funcionar na língua da sua potência colonial, estes tinham de ser instruídos. Foi disponibilizada uma educação ao estilo ocidental, mas com restrições frequentes. Por exemplo, no Congo as autoridades belgas forneciam uma boa educação ao nível do ensino secundário, mas os africanos estavam proibidos de frequentar a universidade”.

A II Guerra Mundial preparou um colapso do domínio colonial. O norte de África conheceu as batalhas e viu a derrota de italianos e alemães; os africanos conheceram o trabalho forçado mas iram igualmente desenvolverem-se infraestruturas em vários locais. Os africanos aperceberam-se que as potências coloniais não eram invencíveis. O autor sintetiza as etapas do movimento pan-africano e a emergência de negritude. A Grã-Bretanha e a França resignaram-se com a independência das suas colónias africanas. O Gana deu o sinal, seguiram-se as independências na África Ocidental e Equatorial Francesa, mudou o mapa do Norte de África (Egito, Sudão, Eritreia e Somália tornaram-se independentes). Dos anos 1950 para os anos 1960, tudo mudou na África Oriental e Central Britânica e no Congo Belga. A África portuguesa ficou independente a partir de 1974 e a independência de Angola e Moçambique influíram decisivamente nos acontecimentos da África do Sul.

O quadro traçado pelo autor da África depois da independência não é muito lisonjeiro. A maior parte dos líderes políticos revelou-se ineficiente na governação. O marxismo tornou-se a filosofia política de muitos dos novos governos nacionais, sucederam-se desastres em cadeia, os políticos sentiram maior lealdade para com o seu grupo étnico e geraram descontentamentos profundos: “A gestão estatal da agricultura era reminiscente da forma como as autoridades coloniais tinham governado e gerou dissensão. Muitos aspetos da vida eram controlados a partir do centro e foram desenvolvidos sistemas de patronato, nos quais os amigos e os parentes dos governantes beneficiavam de novos projetos. Os que se encontravam no poder controlavam todo o dinheiro, quer se tratassem de recursos provenientes de outros países, de organizações humanitárias ou do comércio internacional. As instituições do Estado encontravam-se em desordem e só o suborno, a corrupção e a intimidação funcionavam”. Nos anos 1980, África encontrava-se tolhida pela dívida externa. O autor elenca os principais conflitos, descreve a Primavera Árabe e a nova “corrida por África” em que as empresas dos EUA, da Grã-Bretanha, da França e da China competem pelos favores de regimes caóticos para ter acesso ao gás, ao petróleo e aos diamantes. No essencial, o povo africano continua a viver na pobreza e no desespero.
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Nota do editor

Último poste da série de 16 DE AGOSTO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11944: Notas de leitura (511): Gentes de Catió na Revista Geographica de 1972 (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P11953: Efemérides (137): 8º aniversário do Monumento aos Antigos Combatentes, Lourinhã, domingo, 25 de agosto de 2013 (AVECO - Associação de Veteranos Combatentes do Oeste, com sede na Lourinhã)










Notícia do evento na página da AVECO - Associação de Veteranos Combatentes do Oeste.


1. A AVECO - Associação dos Veteranos Combatentes do Oeste, com o NIPC 510 083 617, tem  a sua  sede na Lourinhã,. na Rua dos Bombeiros Voluntários, Edificio do Centro Coordenador de Transportes, Piso 1, Sala 2.

É  uma Instituição Particular de Carácter Cultural e Social. Foi constituida por escritura pública de 16 de Dezembro de 2011. Agrega antigos combatentes (Veteranos) da Guerra Colonial e das Missões de Paz, de todos os Ramos das Forças Armadas;  Requereu a inscrição como pessoa colectiva de utilidade pública.

Objetivos a AVECO: (i)  O apoio social, médico e jurídico, a defesa de direitos e das justas reivindicações de todos os associados, e a obtenção de assistência específica aos ex-Combatentes e seus familiares portadores de deficiência por perturbação pós-stress traumática de guerra (PTSD); (ii) Promoção de actividades lúdicas e culturais para os seus associados e familiares.

De acordo com os seus estatutos, a AVECO "não tem fins lucrativos e é independente de ideologias políticas, étnicas, religiosas e económicas".

A página da AVECO ainda está em contsrução. De entre os seus links de inteeresse,  inclui-se o Blogue   Luís Graça & Camaradas da Guiné, gentileza que agradecemos.


2. Foi nestes termos, que o nosso blogue deu a notícia da inauguração do Monumento, há 8 anos atrás (*)
(..) Em 26 de Junho passado, a Lourinhã, através da autarquia local, prestou a devida homenagem aos seus mortos no Ultramar: vinte ao todo, nove em Angola, seis na Guiné, cinco em Moçambique. Nesse dia foi inaugurado um "monumento aos lourinhanenses mortos na guerra do Ultramar”, obra do arquitecto Augusto Silva e da escultora Andreia Couto.

Fizeram parte da comissão organizadora, entre outros ex-combatentes, os meus amigos e conterrâneos João Delgado, Jaime Bonifácio [Marques da Silva] e José Picão de Oliveira: este último, foi furriel miliciano na zona leste da Guiné, mesmo na ponta nordeste, em Canquelifá, tendo regressado já em Setembro de 1974, enquanto o Jaime foi alferes milicano paraquedista em Angola, sensivelmente na mesma época em que eu fui mobilizado para a Guiné (1969/71).

Vinte mortos (seis dos quais na Guiné, entre 1965 e 1973) foi o contributo da minha terra, o imposto de sangue que os lourinhanenses pagaram na defesa dum império e de um regime em agonia. Registo aqui, porque muito apropriadas, as palavras do presidente da Câmara Municipal da Lourinhã, José Manuel Custódio, na homenagem aos nossos mortos: "Pior do que uma guerra é fazer de conta que ela nunca existiu, e a guerra de África existiu".

Não estive na cerimónia nem tive conhecimento conhecimento antecipado dela. Sou um lourinhanense da diáspora. Mas leio no jornal da terra, o mesmo de há quarenta anos, o Alvorada, a notícia a dizer que "numa cerimónia simples, a altura da chamada dos mortos em combate foi a mais sentida por todos os presentes" e que as honras militares foram feitas por um pelotão da Escola Prática de Infantaria (EPI) de Mafra, e a sua fanfarra. A mesma unidade que quarenta anos antes tinha prestado as honras fúnebres ao meu primo Nogueira, se a memória não me atraiçoa.

Registo ainda a presença do (i) Tenente General Jorge Silvério, um homem do MFA, natural de Ribamar onde tenho inúmeros parentes, do lado da minha visavó paterna (a família Maçarico); do (ii) Patuleia, o meu amigo Patuleia, natural do concelho vizinho do Bombarral, o Manuel Patuleia Mendes, presidente da Associação Portuguesa dos Deficientes das Forças Armadas, ele próprio talvez o mais dramático exemplo do horror, estampado no rosto, do que foi esta guerra para os jovens da nossa geração; e, por fim, do (iii) António Basto, Presidente da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra. (...)

O nosso blogue, na pessoa do seu fundador, foi convidado para estar presente nesta singela cerimónia, que é também uma homenagem a todos os combatentes da guerra colonial.(**)

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Notas do editor:

(*) Vd. I Série, poste de 24 de julho de 2005 > Guiné 63/74 - CXXV: Homenagem aos mortos da minha terra (Lourinhã, 2005)

(**) Último poste da série > 14 de agosto de 2013 > Guiné 63/74 - P11940: Efemérides (136): No próximo dia 1 de Setembro, Monte Real, com o apoio do Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, vai homenagear os seus Combatentes da Guerra do Ultramar (Joaquim Mexia Alves / Tabanca do Centro)

Guiné 63/74 - P11952: Parabéns a você (612): Mário Fitas, ex-Fur Mil Op Esp da CCAÇ 763 (Guiné, 1965/66)

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Nota do editor

Último poste da série de 17 DE AGOSTO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11947: Parabéns a você (611): José Manuel Cancela, ex-Soldado Apontador de Metralhadora da CCAÇ 2382 (Guiné, 1968/70)

domingo, 18 de agosto de 2013

Guiné 63/74 - P11951: O pós-Guiné (Veríssimo Ferreira) (3): O bi-fascista da cicatriz

1. Em mensagem do dia 12 de Agosto de 2013, o nosso camarada Veríssimo Ferreira (ex-Fur Mil, CCAÇ 1422 / BCAÇ 1858, Farim, Mansabá, K3, 1965/67) enviou-nos o terceiro episódio do seu Pós-Guiné: 


O PÓS-GUINÉ 65/67

3 - O BI-FASCITA DA CICATRIZ 

FOI UMA VEZ, num dia de Setembro de 1965.

A CCAÇ 1422, é "convidada" a ir até Mansabá, para ir "aprender" com uma das últimas Companhia dos "ÁGUIAS NEGRAS" que usavam, então e ainda, a farda amarela.
Partiriam para a Metrópole dentro de pouco tempo, mas a heroicidade permanecia latente e não se escusavam a manter-se operacionais aguerridos.

Vista aérea de Mansabá

A minha Secção de Morteiros 60 é destacada para acompanhar um dos seus pelotões, numa operação marcada para essa noite e claro que desejosos de entrar em acção, contentíssimos ficámos por finalmente irmos saber como era aquela coisa da guerra e ganhá-la pois então... e até comprámos dois sacos de adrenalina, na loja dum Libanês.

Chovia tão torrencialmente como eu nunca houvera visto, a selva, pareceu-me e era, escura. a progressão demorada, cheia de silêncios e sem fumar, (o que muito me custou) mas lá chegámos ao objectivo, que rodeámos sem termos sido detectados.
Foi-me determinado que incendiasse as moranças frente do local onde estávamos emboscados, logo após a ordem que receberia depois da fogaracha que iria acontecer e aconteceu e também que disparasse ao ver algum elemento armado o que também fiz. Entretido, dei a determinada altura, que estava só, com os meus oito homens, porque os outros que viera coadjuvar, já por ali não estavam.

Sem guia, sem saber por onde ir, mas temente a granadas que começavam a cair, enviadas pelo IN, decidi organizar a defesa possível, enquanto esperava que alguém desse pela nossa falta e nos resgatasse. Meia hora depois tal aconteceu, vieram o Senhor Alferes, Cmdt do grupo, um guia e o "Manel" de Mora, com quem convivo uma vez por ano e também a recriminação suavizada por ser a minha 1ª vez:
- É pá, f...-se, podias ter sido comido vivo, aquilo era para destruir e abandonar em passo de corrida.


FOI OUTRA VEZ EM SETEMBRO, MAS DE 1974

Depois, veio o não reconhecimento pelo facto de ter cumprido o serviço militar obrigatório e ter cumprido o meu Dever: Um grupo de pobres gentes, manifestavam-se (falo da época das ocupações, lembram-se?) numa estrada em frente a um Hospital e a quem buzinei para passar no meu bólide de 40 contos novo em folha, mas essas gentes resolveram atirar-me pedrinhas o que me desagradou sobretudo.

Claro que saí, e perguntei do porquê, pois que eu nem pertencia à administração, nem enfermeiro era. A resposta veio pela voz de duas mulheres presentes ali na turba, por sinal até ainda ligadas à família, e fascista me chamaram e mais disseram porquê:
- Foste combatente na Guiné, colaboraste com os fascistas, és fascista.

Outra proferiu o seguinte:
- Tens um carro, és fascista.

Pois bem, segundo a maldade que imperava então, só os desertores eram considerados e recebidos com pompa. Foi o tempo da gritaria do "acabemos com os ricos" ao contrário do que hoje acontece em que estão, sem gritar, a acabar com os pobres.

No fundo nada mudou, nem o tratamento que continua a ser dado aos Combatentes, que lá longe no "paraíso" onde estivemos, muito do pior presenciámos. E se então fui vilipendiado, e agora continuo esquecido, é lá com esses, que também morrem.

Por mim, não esquecerei e se por acaso nos encontrarmos no purgatório, garanto-lhes uma recepção digna.

(continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 11 DE AGOSTO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11931: O pós-Guiné (Veríssimo Ferreira) (2): A minha cicatriz, resultante do corte do cordão umbilical

Guiné 63/74 - P11950: Manuscrito(s) (Luís Graça) (8): Périplo amoroso pelas praias da Lourinhã, no nosso querido mês de agosto de todos os aniversários...



Lourinhã, Praia do Caniçal, 9 de agosto de 2013 > Praia do Caniçal uma das praias mais belas e mais selvagens da região... Ao fundo a enseada e o forte de Paimogo (séc. XVII) .



Lourinhã, Praia de Paimogo, 3 de agosto de 2011 >  Enseada e porto de Paimogo, com o forte ao fundo.



Lourinhã > Vimeiro > 8 de agosto de 2011 > Monumento comemorativo e centro de interpretação da Batalha do Vimeiro > Azulejo alusivo ao desembarque das tropas luso-britânicas, na Praia de Paimogo, em 19 de Agosto de 1808... A batalha do Vimeiro desenrolou-se em 21 de Agosto de 1808. Azulejo desenhado e pintado à mão por Salvador (2000).



Lourinhã, Praia de Vale de Frades, 14 de agostod e 2013 >  Caprichos da erosão do mar...


Lourinhã, Praia de Vale de Frades, 14 de agosto de 2013 >  Efeitos, nas rochas, da ersoão do mar e do vento... Verdadeiras esculturas antropomórficas (1)...



Lourinhã, Praia de Vale de Frades, 3 de agosto de 2011 >  Efeitos, nas rochas, da ersoão do mar e do vento... Verdadeiras esculturas antropomórficas (2)...


Lourinhã, Praia de Vale de Frades, 3 de agosto de 2011 >  Efeitos, nas rochas, da ersoão do mar e do vento... Verdadeiras esculturas antropomórficas (3)...


Lourinhã, Praia de Vale de Frades, 14 de agosto de 2013 > Rocha com imensos vestígios de floresta fossilizada... São da época dos dinossauros do Jurássico Superior... C. 150/200 milhões de anos (1)...


Lourinhã, Praia de Vale de Frades, 3 de agosto de 2011 > Rocha com imensos vestígios de floresta fossilizada... São da época dos dinossauros do Jurássico Superior... C. 150/200 milhões de anos (2)...


Kourinhã, Pria da Peralta , 14 de junho de 2013 > Bar do Victor, o mestre do petisco... Panelão de lagostas... O Victor faz o melhor choco frito da costa...


Lourinhã, Praia da Areia Branca > 14 de agosto de 2013 > A Alice e a magia do pôr do sol numa esplanada à beira mar, a Solmar...


Lourinhã, Praia da Areia Branca > 14 de agosto de 2013 > Miradouro, com vista para a praia do Areal (a sul) e a Praia da Areia Branca (a norte).



Lourinhã, Praia do Areal > > 15 de junho de 2013 > Pintura de parede, junto à ciclovia Lourinhã-Praia do Areal, já no final.



Lisboa > Estuário do Tejo > 5 de Fevereiro de 2011 > 19h00 > Pôr do sol no Atlântico... Podia ser numa das minhas praias preferidas, na Lourinhã, a 70 km , a norte, no mês de agosto... Podia ser no Paimogo, no Porto Dinheiro, na Peralta... "Não há farol na Peralta, / Para eu poder avisar a malta. / Enquanto o teu país arde / Ou o que resta dele. / Aqui passam navios ao largo. /Como manadas de elefantes, / Tapando o sol, vermelho."

Foto: © Luís Graça (2013). Todos os direitos reservados.


O mar, amor, em Agosto (*)


Para a Alice Carneiro, em dia de aniversário natalício. 
("Parabéns, Chita, minha companheira de uma vida; 
muita saúde e longa vida, porque tu mereces tudo");
Aos nosos amorosos filhos Joana e  João;  e também ao nosso casamento que faz 37 anos este mês... 
("Trinta e sete de casado / São muitos anos, querida. / Mais um. de namorado,/ São uma história de vida.");
As nossas praias favoritas, ao nosso querido mês de agosto 
e a todos os velhos amigos que neste mês reencontramos;
À malta da tertúlia do Tasse Bem e dos Cinco Paus, na Praia da Areia Branca:
Glória e Laurentino, Elisabete e Arcílio, Leonor e Rogério, Dina e Jaime, Emília  e Soares,
(E o Lino,às vezes; e ainda ao Joaquim Pinto Carvalho (um bravo de Bedanda, da CCAÇ 6) e à Maria do Céu, agora atarefados e bem sucedidos gestores do Artvilla, turismo rural, Vilar, Cadaval);
Aos nossos bons amigos da Praia da Areia Branca Helena e Orlando (que amanhã faz anos; um especial kandandu para a Lena, que está a precisar de miminhos dos amigos por estes dias);
Aos queridos amigos do Porto que todos (ou quase todos) os anos nos visitam na Lourinhã,  em agosto, em especial a Laura, a Nitas, o Gusto, mas também a Susana e o Flávio que este ano nos fizeram uma surpresa;
Ao Pepito que este ano não nos franqueou as portas da Tabanca de São Martinho do Porto, como previsto para o dia 17, porque a sua mãezinha, com 98 anos, pregou-lhe, pregou-nos a todos, um susto, ao cair na casa de praia ("felizmente agora está tudo bem"!);
À dona Clara Schwarz, nossa decana, para que tenha um resto de agosto, tranquilo,  com a sua adorável família lusoguineense,  em São Martinho do Porto;
Ao Álvaro Carvalho, meu amigo de infãncia, que também acaba de fazer anos;
À Ana Jorge, para quem temos um eterno dever de gratidão como pediatra dos nossos filhos; e também querida amiga com quem, neste mês, pomos a conversa em dia;
À minha querida afilhada e sobrinha Cristina Calado, que amanhã faz anos, tal como a mana da Alice e minha querida cunhada Rosa;
Ao meu saudoso pai, meu velho, meu camarada Luís  Henriques (1920-2012) que amanhã faria 93  anos; 
E, por fim,  à Sophia, cujo "Livro Sexto" eu levei para as bolanhas da Guiné, em maio de 1969:
como ela, também eu, "quando morrer, voltarei para buscar / os instantes que não vivi junto ao mar".



Praia de Paimogo.
Estas pedras estão aqui
Há milhões de anos.
E eu não sei dizer-te
Por que é que estas pedras estão aqui
Há milhões de anos.

Uma enseada, uma cratera, um lago.
A Praia de Paimogo foi talhada
A ferro e fogo.
Mas se eu fosse deus, o deus Vulcão,
Todo poderoso senhor,
Ou até simples rei mago,
Tê-la-ia desenhado,
Com muita ternura,
Sob a forma de ferradura ou de coração.
Só para ti, meu amor.

Estas pedras estão aqui
Muito antes dos dinossauros
Evoluírem e dominarem o planeta azul,
Que afinal não era assim tão azul
Quanto o pintavam.

Visto da janela do teu quarto,
Em Candoz,
O vale era o mundo e era verde,
Na aguarela do Eça de Queiroz,
A Cidade e as Serras,
Muito antes de descobrires o mar,
E o pôr do sol sobre o mar,
Muito antes de saberes
Onde ficava a praia da minha infância.

Nem vale, nem pombas, nem praia.
Na Praia do Vale de Pombas,
Procuro uma outra errância, 
Sinais de antigas guerras.
Mas aqui nunca te trouxe.


À maré cheia, à praia-mar,
Há apenas um fio de água doce,

Correndo entre juncos e canaviais,
Que mantêm os cordões umbilicais
Do infinitamente pequeno da vida
Ligados ao infinitamente grande
Dos corpos celestiais.

Praia de Vale de Frades.
Mas que sei eu de cronogeologia
Para te dizer que estas pedras estão aqui
Há tantos milhões de anos ?!
Sei apenas que, de acordo com a teoria 

Das probabilidades,
Estas pedras vão ficar aqui,
Muito depois da minha morte,
Muito depois da extinção da minha espécie.

Praia da Peralta.
O melhor do mês de Agosto, amor,
É enterrar a cabeça na areia
E escutar. O mar. 
A voz rouca do mar.
Que chegou até aqui,
Muito antes de mim e de ti,
E que vai ficar aqui
Muito depois de mim e de ti.

Não há farol na Peralta,
Para eu poder avisar a malta.
Enquanto o teu país arde
Ou o que resta dele.
Aqui passam navios ao largo.
Como manadas de elefantes,

Tapando o sol, vermelho.

Na malhada grande,
Eu poderia ter sido feliz
Entre apanhadores de lapas e de ouriços.
Mesmo sabendo
Que estas pedras estão aqui muito antes,
De ti e de mim, há milhões de anos.

Porto Dinheiro.
Um espesso nevoeiro
Cobre as falésias
Até aqui chegavam as galés dos romanos.
E os barcos dos piratas.
Não sei se o sítio tem padroeiro
Ou orago.
Nem sei se por aqui passava
O teu caminho de Santiago.
Aqui deito contas à vida.
Aqui conto as marcas do tempo.
Aqui lanço a âncora.
Aqui fui carpinteiro de naus.
Aqui, Plínio, o Velho,
Poderia ter fundado a paleontologia.
Mas, não: morreu em 69 a observar
A erupção do Vesúvio.

Praia do Valmitão.

Ou do Vale do Ermitão.
Podia ter sido ilha de corsário
Ou baía de tubarão.
A ter bandeira, só a preta, com caveira.


Praia do Zimbral.
Aqui caiu uma chuva de estrelas e meteoritos.
Hei-de levar-te lá um dia
Na hora mortal do nevoeiro matinal.


No Porto das Barcas
Não há ciência, apenas sapiência,
Que é a mais antiga das virtudes.

Um navio fantasmagórico
Entra pela terra adentro.
Daqui avistamos as Berlengas.
E a Nau Catrineta
Que já nada tem para nos contar.

Praia do Caniçal.

Aqui gostaria de deixar a minha caixa preta,
Antes de trepar
Pela tua árvore genealógica, como o salmão,
Até ao paleolítico superior.
Pelo leito dos rios que sobem, secos,
Até às grandes fossas marinhas.

Praia da Areia Branca:
Não te conseguiram amar
Sem te possuir e violar.
Livro Sexto, de Sophia.

Praia do Areal:
Há uma seta
Que indica o sol, o sul. 

A zona dos chapéus.
A bandeira azul.
O espaço rigorosamente vigiado
Dos amantes.
O risco de cancro da pele.
A rota da seda. A sede.
Os amores de verão.
A morte. 

 O coração que bate forte.
Saio noutra estação.

Praia de Vale de Frades.
À volta de um prato de sardinhas,
A vida pode não ter
Metafísica nenhuma
E mesmo assim ser
Pura, emoção pura,
E simples, prazer simples.
Mandei pôr mais um prato
Na mesa, sem toalha,
Virada para o sul, para o Mar do Serro.
Não me esqueci do pão,
Das sardinhas, das batatas,
Dos pimentos, da salada e do vinho...
Esperava por ti,
Que eras a oficiante da vida.

Volto à Peralta,

Dando o dito por não dito, 
O mar do Serro em frente,
Para partilhar contigo, como sempre,
A magia do sol posto
No Atlântico norte,
O amor em Agosto.

E, com sorte,
Um prato de choco frito


(*) Publicado originalmente em 18/8/2005. Revisto nesta data, 18/8/2013, para inclusão em antologia de poemas, a publicar em 2014..

Guiné 64/74 – P11949: Documentos (26): PAIGC Actualités (António Barbosa) (1): O nº 40, Abril de 1972, dedicado em parte ao ataque à B.A.12, localizada em Bissalanca, acerca de 9 km de Bissau



1. O nosso Camarada António Barbosa (ex-Alf Mil Op Esp/RANGER do 1º Pelotão da 2.ª CART do BART 6523, Cabuca, 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem. 


PAIGC Actualités nº 40 de Abril de 1972 

Camaradas, 

No meu arquivo particular tenho alguns documentos propagandísticos do PAIGC que haviam sido apreendidos pela PIDE, em Cabuca (cadernos e panfletos desdobráveis), e iam ficar abandonados no quartel em 1974, aquando da nossa saída definitiva daquele território.

Hoje envio-vos a primeira digitalização referente ao panfleto PAIGC Actualités nº 40, datado de Abril de 1972, com 4 páginas, dedicado em parte ao “ataque” à B.A.12, localizada em Bissalanca, acerca de 9 km de Bissau. 

Brevemente enviarei mais algumas digitalizações para publicação, caso achem interessante este tipo de “material”. 






Cumprimentos,
António Barbosa
Alf Mil Op Esp/RANGER do 1º Pel da 2ª CART/BART 6523,

Imagens: © António Barbosa (2013). Direitos reservados.
Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
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sábado, 17 de agosto de 2013

Guiné 63/74 - P11948: Bom ou mau tempo na bolanha (27): A velha diligência (Tony Borié)

Vigésimo sétimo episódio da série Bom ou mau tempo na bolanha, do nosso camarada Tony Borié, ex-1.º Cabo Operador Cripto do Cmd Agru 16, Mansoa, 1964/66.



No velho Oeste Americano, passava a célebre diligência, puxada por três parelhas de cavalos, conduzida por um homem com umas grandes botas, um casaco feito de peles, grandes barbas e um grande chicote, que além do seu assobio, fazia esse mesmo chicote estalar no ar umas tantas vezes, servindo de meio de comunicação com os cavalos, que ao ouvirem o assobio e o estalo do chicote, aceleravam a sua marcha, ou única e simplesmente paravam. Eram o meio de comunicação entre diversas localidades, às vezes isoladas. Havia a “West Fargo”, a “Ponny Express”, a “Stage Coach Company”, a “Overland West Line” e muitas mais.

Enquanto o Cifra prestou serviço militar, na nossa então província da Guiné Portuguesa, havia alguns meios de transporte que poderiam ser: canoa, que os naturais moviam com um enorme remo, que quase sempre viajava a favor da maré, barco movido a diesel e outros combustíveis, da marinha portuguesa, uns barcos construídos em madeira e pintados com cores garridas, que quase sempre viajavam à vela, a favor do vento, alguns também tinham um pequeno motor fora de borda que, entre outros locais, faziam a ligação às ilhas dos Bijagós, de helicóptero e avioneta do correio, da força aérea, e a célebre “Coluna Militar”, do exército de Portugal, que era a mais popular, pelo menos para os naturais.




Uns dias antes perguntavam no aquartelamento quando havia transporte para o norte, ou para o sul, davam o nome, dizendo o que queriam levar, nunca em dia certo, pois a data alterava-se sempre por causa das possíveis surpresas dos guerrilheiros, e avisados com algumas horas de antecedência, lá se apresentavam, com galinhas, gaiolas, animais, trouxas de roupa, balaios de arroz, bicicletas, caixotes, mulheres com filhos amarrados com um grande pano às costas, já falámos em animais, mas alguns levavam o seu cão, preso com uma corda muito bonita feita de tiras da casca de uns arbustos que o referido cão, às vezes coberto de moscas e outros insectos, se entretinha a roer durante a viajem, de o “homem grande”, com uma bengala feita de um pau muito grande, que parecia que era para bater em alguém, e mais um amalganhado de coisas sem fim.


Quando a coluna chegava ou partia, era uma azáfama com o transbordo de pessoas e bens, tal e qual como num posto avançado da fronteira. Nessa ocasião, o Pastilhas, que era o cabo enfermeiro, que às vezes fazia de doutor, aparecia sempre com uma mala à tiracolo, para ver se alguém precisava de curativos, e era uma boa oportunidade para se lhe roubar o frasco do álcool, que quando via o grupo do Cifra a aproximar-se, logo dizia:
- Queres o frasco do álcool, toma lá uma “pica”! - Que era uma injecção, com dose de cavalo, com que às vezes injectava o Cifra, quando este estava com uma simples constipação e andava com o ranho no nariz.

Os militares, aceitavam toda esta companhia, de pessoas e bens, de bom humor, pois era uma espécie de protecção durante o percurso, pensando que os guerrilheiros não iriam atacar os seus próprios conterrâneos, até se fazendo amizades durante a viagem. Só houve notícia de um ataque a uma coluna militar que transportava pessoas naturais, portanto quando apareciam no aquartelamento, procurando transporte, todos eram bem-vindos, e às vezes até se aproveitava para se fazer viagens que não estavam programadas, mas que havendo pessoal civil para transportar, os militares faziam deslocações de pessoal militar e abastecimento de unidades, tudo dentro de zona de combate que, de outra maneira, seria mais difícil.

Eram os chamados “escudos humanos”, passe o termo, claro.

Tony Borie,
Setembro de 2012
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Nota do editor

Último poste da série de 13 DE AGOSTO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11936: Bom ou mau tempo na bolanha (26): Os amigos regressados do Vietname (Toni Borié)

Guiné 63/74 - P11947: Parabéns a você (611): José Manuel Cancela, ex-Soldado Apontador de Metralhadora da CCAÇ 2382 (Guiné, 1968/70)

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Nota do editor

Último poste da série de 16 de Agosto de 2013 > Guiné 63/74 - P11943: Parabéns a você (610): Armando Faria, ex-Fur Mil da CCAÇ 4740 (Guiné, 1972/74)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Guiné 63/74 - P11946: Resumo dos Factos e Feitos Mais Importantes da CCAÇ 3476 - "Bebés de Canjambari" (1): Capítulo I (Manuel Lima Santos)




Capítulo I do Resumo dos Factos e Feitos Mais Importantes da CCAÇ 3476 - "Bebés de Cajambari", enviado pelo nosso camarada Manuel Lima Santos (ex-Fur Mil Inf.ª nesta Companhia açoriana que esteve em Canjambari e Dugal, nos anos de 1971 a 1973.





CCAÇ 3476
BEBÉS DE CANJAMBARI

RESUMO DOS FACTOS E FEITOS MAIS IMPORTANTES

CAPÍTULO I

A – UNIDADE MOBILIZADORA E NATURALIDADE DO PESSOAL

A Companhia constituída na sua grande maioria por Soldados naturais das várias ilhas dos Açores, com predominância para as de S. Miguel e Terceira, teve como Unidade Mobilizadora o Batalhão Independente de Infantaria Nº 18, na Ilha de S. Miguel.
A maior parte das Praças especialistas, assim como os Oficiais e Sargentos são de quase todos os distritos do Continente, nomeadamente Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Faro, Guarda, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila real e Viseu, sendo o Comandante de Companhia natural da Província de Macau.


B – CERIMÓNIA DE DESPEDIDA, PARTIDA PARA LISBOA E CONCENTRAÇÃO 

Efectuou-se no dia 6 de Setembro de 1971, no Quartel do BII18, a cerimónia de despedida, presidida por Sua Exa. o Governador Militar Interino dos Açores. Foi entregue à Companhia o seu Guião, oferta da Câmara Municipal de Ponta Delgada, tendo a Comissão de Apoio ao Soldado Açoriano oferecido na mesma cerimónia um Oratório do Senhor Santo Cristo dos Milagres para ser colocado no futuro Aquartelamento da Companhia.
 
Ao mesmo tempo que desembarcavam em Ponta Delgada, debaixo de chuva copiosa, duas Companhias que haviam cumprido a sua Missão na Guiné – as CCaç 2636 e 2637, no dia 13 de Setembro de 1971 a CCaç 3476 embarcava juntamente com a CCaç 3477, no navio “Uíge”, a caminho de Lisboa.
A chegada à Capital verificou-se a 16 do mesmo mês, tendo a Companhia seguido logo, em viaturas Militares, atravessando a ponte Salazar, para o RI 11 em Setúbal, que serviu de Unidade de Concentração, até à partida para a Guiné. Aí juntaram-se à Companhia um Oficial, todos os Sargentos Especialistas e as Praças Especialistas formadas nas Unidades do Continente.
 
Aproveitaram-se os dias de permanência em Setúbal para continuar a instrução do pessoal, a qual incidiu então mais em aspectos relacionados com “acção psicológica” e informações.


C – PARTIDA DE LISBOA E ACTIVIDADE NO DECORRER DA VIAGEM

A partida para a Guiné foi aprazada para 25 de Setembro no navio “Angra do Heroísmo” onde embarcaram também a CCaç 3477 e o BCav 3864, com o mesmo destino.
Um Oficial Superior, em representação de Sua Exa. o Ministro do Exército, apresentou a bordo do navio os cumprimentos de despedida às tropas embarcadas.
 
Aproveitaram-se os poucos dias de viagem para actividades recreativas (jogos de sala, piscina, campeonatos de ténis de mesa e outros), tendo a Companhia conquistado vários primeiros e segundos lugares nos torneios realizados.
 
Organizou-se também uma festa de variedades que contou com a activa participação de elementos da Companhia.
 
Mau grado as muito deficientes instalações para praças, a viagem foi agradável, em mar quase sempre calmo e com vento bonançoso.


D – DESEMBARQUE E INSTALAÇÃO INICIAL

Na tarde de 30 de Setembro, já se avistava terra e um navio-patrulha que começou a escoltar o navio à medida que se aproximava do Rio Geba. Fundeado pouco depois diante do Cais de Bissau, tiveram início as operações de desembarque em lancha, após rápida reunião com Oficiais de várias Repartições do Quartel General. Já noite efectuou-se o deslocamento de todo o pessoal e respectiva bagagem em viaturas civis, para o Campo Militar de Instrução no Cumeré onde se realizaria o IAO.

(Continua)

Guiné 63/74 - P11945: Conversas à mesa com camaradas ausentes - Estórias da História da Guerra Colonial – Guiné-Bissau (José Martins Rodrigues) (3): Da chegada a Bissau ao aquartelamento no Xitole

1. Terceiro episódio da série "Conversas à mesa com camaradas ausentes", pelo nosso camarada José Martins Rodrigues, ex-1.º Cabo Aux Enf.º da CART 2716/BART 2917, Xitole, 1970/72:

A todos os ex-combatentes da Guiné
Só peço ao meu futuro que respeite o meu passado

No baú das memórias de cada um de nós existem inúmeras “Estórias da Guerra” por contar.
O convívio semanal na Tabanca de Matosinhos e o nascimento da ONG Tabanca Pequena-Amigos da Guiné a que me honro pertencer, despertaram-me para o desafio de retirar do baú as minhas “estórias da guerra”. Para ultrapassar a minha manifesta falta de jeito para a escrita, socorro-me de um método narrativo baseado na descrição cronológica de episódios, a que chamarei “Conversas à mesa com camaradas ausentes”. Do outro lado da mesa estará sentada a esperança de encontrar alguém que se reveja nas “estórias” relatadas e sinta a emoção do reencontro com realidades da nossa vivência na Guiné.


CONVERSAS À MESA COM CAMARADAS AUSENTES

ESTÓRIAS DA HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL - GUINÉ-BISSAU

3 - DA CHEGADA A BISSAU AO AQUARTELAMENTO NO XITOLE

O velho “Carvalho Araújo” atracava em Bissau. Lembras-te camarada da minha reacção após o impacto das primeiras imagens de Bissau? Isto não parece tão mau quanto nos pintavam, dizia eu. Como esta primeira impressão terá sido tão enganosa para muitos de nós. Chegada a hora, saltamos para cima das “Berliets”, misturados com os sacos da nossa “fortuna” e iniciamos a marcha com destino ao Depósito de Adidos. Percorríamos a avenida principal de Bissau e, do cimo das viaturas, os nossos olhares absorviam e registavam imagens de cada esquina e os nossos pensamentos fervilhavam de interrogações. Para nosso espanto a pequenada guineense esforçava-se por acompanhar (saltitando) a marcha das viaturas e, com o dedo indicador direito na horizontal, cantarolavam um refrão repetitivo que nos primeiros momentos não conseguimos decifrar. “Salta Periquito Salta” e “Periquito Vai Para o Mato” vindo da pequenada, parecia-nos um ritual de boas-vindas, mas na verdade era uma vulgarizada lengalenga a mostrar-nos que estávamos na 1º ano do curso “VAIS VER COMO ELAS TE MORDEM”. Chegados à rotunda ao fim da Avenida deparamo-nos com um bem cuidado e bonito palacete que era a residência do Governador e Comandante-Chefe, General António de Spínola e, cuja Guarda de Honra se colocou em posição de sentido à passagem da nossa coluna. Sendo um ritual militar, significou para muitos de nós como que um silencioso discurso de boas-vindas que respeitosamente aceitamos.

E a marcha prosseguiu até ao Depósito de Adidos, sendo de assinalar no percurso, pelo seu significado, o Hospital Militar. Uma unidade de referência, de boa memória para tantos de nós que nela encontraram a solução dos seus problemas físicos e mentais em resultado da permanência no cenário de guerra.

Chegados ao Depósito de Adidos, local em que iríamos aguardar transporte para o Xitole e que nos permitiu alguns dias de permanência em Bissau, logo me dirigi à enfermaria na procura de apoio para debelar um persistente e incómodo desarranjo intestinal, em resultado do excessivo consumo de citrinos devido aos enjoos na viagem de barco.

- Então rapaz, como é que te deixaste chegar a este ponto?

Quem me dirigia estas palavras era o Primeiro Sargento Enfermeiro, de trato muito afável, que me acompanhou como se dos seus eu fizesse parte. O nosso Cabo vai ter que ficar aqui uns dias, dizia-me ele, quase como que pedindo. Fiquei marcado pela dedicação e profissionalismo deste Homem maduro de quem não recordo o nome mas, de quem guardo uma saudosa recordação. Enquanto me recuperava nos Adidos, recebia manifestações do vosso apoio. Enquanto se aguardava transporte para o interior, a “malta” entusiasmava-se com as idas a Bissau. Começaram a fazer parte do vocabulário expressões como: “Vamos ao Pilão" e “Vamos ao café Bento”. Eram os primeiros sinais de envolvência dos encantos africanos.

Já recomposto, chega o dia do transporte em LDG para o Xime, primeira etapa do nosso destino. Enquanto navegávamos no Geba Largo, não se notavam cuidados especiais de segurança e os semblantes eram descontraídos. Mas, quando as suas margens começaram a ficar bem menos largas, aí por alturas da confluência com o Rio Corubal, passamos a ser sobrevoados por helis e aviões e, percebendo-se que as coisas podiam ficar feias, os semblantes passaram a ficar carregados. Instintivamente o pessoal embarcado procurou abrigo na estrutura da embarcação e, quando deitava um olho de fora, sentia as margens demasiado próximas e entendia o porquê do apoio aéreo para além das armas da LDG prontas a disparar. Entre o pessoal da Marinha falava-se da Ponta do Inglês com se do inferno se tratasse mas chegamos ao Xime sem qualquer contratempo. A Força Aérea, a Marinha e porventura o nosso pessoal colocado ao longo das margens tinham garantido a nossa segurança.

Todos percebemos, ao pisarmos a plataforma de desembarque no Xime, que estávamos já no temível MATO. Nesta zona iria ficar aquartelada a CART 2715, uma das Companhias que integravam o nosso BART 2917. O quartel ficava ao alcance visual talvez aí a dois quilómetros, “montado” numa pequena elevação e colado de um dos lados a uma floresta e do outro espraiava-se uma grande bolanha que se estendia até perto do cais em que nos encontravamos.

Como se devem recordar camaradas, uma razoável coluna de viatura, entre militares e civis, iria fazer a segunda etapa do nosso percurso com passagem por Bambadinca. Iria acontecer neste trajecto o nosso primeiro contacto com uma “picadas, com as incómodas das nuvens de pó e, com os violentos balanços das viaturas em resultado das cavernas no piso provocadas por antigos rebentamentos de “MINAS”. Era assim que passariam a ser as nossas deslocações qualquer que fosse o destino envolvente do Xitole. Neste trajecto, conhecemos também as “bolanhas” que, passariam a ser “companheiras” do nosso quotidiano e que, quando ficavam mais alagadas, na época das chuvas, provocavam o isolamento de muitas localidades, incluindo o Xitole.

Chegados a Bambadinca, povoação de razoável dimensão e que funciona como entroncamento para vários destinos no interior da Guiné, ficamos com a convicção de ser um local seguro e em que fervilhavam muitas crianças de sorriso aberto, não sei se pela nossa presença ou porque seria assim a sua postura cultural e de vida.

Aqui iria ficar aquartelada a CCS do nosso Batalhão e aqui ficavas tu camarada. Um forte e sentido abraço e o desejo de boa sorte mútuos selou a nossa separação mas não secou na nossa amizade.

Retomamos a marcha a caminho do Xitole.

Neste percurso, sentimos o abraço fechado da floresta sobre a picada, fomos atravessando o que seriam pequenos riachos secos, com pontes algo improvisadas e, aqui e ali, pequenas bolanhas com alguma água acumulada e muita verdura, povoadas de aves brancas e elegantes a que chamavam “enfermeiros” pela semelhança das roupagens. Esta era a visão da beleza natural da geografia do percurso entre Bambadinca e o Xitole, com passagem, sensivelmente a meio por Mansambo, local em que ficaria aquartelada a CART 2714. Esta localidade fica num desvio à direita, algo afastada da estrada, o que não me permitiu vislumbrar pormenores do quartel. Foi possível assinalar, anichados na floresta, a presença das nossas tropas a fazer a segurança da coluna em praticamente todo o trajecto, pois a zona era propícia a emboscadas.

E continuamos o caminho.

A paisagem do restante trajecto não se alteraria até ao aparecimento de uma grande bolanha, rematada por uma ponte, um fortim e outras infra-estruturas que indiciavam que estávamos perante um aquartelamento militar.

Será o Xitole? Terá sido a pergunta que todos se faziam. Não o era ainda, mas o destacamento de um pelotão de protecção à ponte que garantia a travessia do Rio Pulon e a chegada ao Xitole. O Rio Pulon é um pequeno curso de água, afluente do Corubal, que se mantém vivo mesmo na época seca e onde é possível encontrar alguns pequenos crocodilos na proximidade da Ponte dos Fulas como é conhecida. Estamos a um passo do Xitole, a cerca de três quilómetros conforme nos informaram os militares aí aquartelados que não escondiam, estampada nos seus rostos, a satisfação pela nossa presença.

Chegados enfim ao Xitole onde fomos entusiasticamente recebidos pelos militares residentes e, com manifestações de regozijo especialmente pela pequenada que não escondia a curiosidade pelos “Piriquitos” e que pareciam ter pressa em fazer novas amizades. Quando levantamos o olhar e “miramos” o quartel, sentimos um misto de alívio e admiração. A nossa primeira impressão é de que chegamos a uma casa arrumada e que as infra-estruturas inspiravam alguma tranquilidade. Uma parada comprida, ladeada de edifícios e com abrigos abaixo do nível do solo, em que se destaca logo à entrada do lado esquerdo a oficina mecânica e, mais ao fundo à direita, uma casa com aspecto europeu que mais tarde identificamos como sendo a sede da Autoridade Administrativa - “Chefe de Posto”.

No centro da parada, uma grande árvore e, num pequeno espaço com arranjo ajardinado encontram-se o mastro em que está hasteada a Bandeira Nacional e o monumento à memória dos que haviam tombado da companhia que íamos render.

E lançamos aqui a âncora do nosso destino por tempos de esperança.

Posto de sentinela e arame farpado

Vista do quartel a partir do posto de socorros

Hora de hastear a Bandeira e Memorial da CART 2413

 Ponte dos Fulas

Ponte dos Fulas e picada Xitole/Bambadinca

(Continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 10 DE AGOSTO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11927: Conversas à mesa com camaradas ausentes - Estórias da História da Guerra Colonial – Guiné Bissau (José Martins Rodrigues) (2): A viagem para a Guiné

Guiné 63/74 - P11944: Notas de leitura (511): Gentes de Catió na Revista Geographica de 1972 (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 30 de Abril de 2013:

Queridos amigos,
O trabalho etno-antropológico nada traz de novo, o seu autor revelou estudo aprofundado, ruminou sobre matérias consabidas e fez súmulas quanto baste.
As fotografias são excelentes, o inventário étnico é detalhado e correto.
Como andou em trabalho de campo durante dois anos nesta zona a ferro e fogo, faz-se silêncio. Na verdade, há ali descrições fora de tempo como as tabancas no Cubisseco ou no Cantanhez, ele redige imperturbavelmente, só em dois ou três momentos é que o autor fala na situação anormal que ele atribui ao terrorismo.

Um abraço do
Mário


Gentes de Catió, na revista Geographica, 1972

Beja Santos

O tenente-coronel António José de Mello Machado, do Centro de Estudos Vasco da Gama e do Centro de Estudos de Etnologia, publicou um trabalho sobre as gentes de Catió, subsidiado pelo Projeto de Investigação Científica “Mudança Social em Portugal (Metrópole e Ultramar) do Instituto de Alta Cultura”. O investigador dá provas de um bom conhecimento geral nas áreas da etnologia e antropologia, apresenta um bom resumo da história da Guiné à luz dos conhecimentos da época e espraia-se sobre as etnias predominantes.

O território de Catió, escreve, é chão antigo de Nalus, outrora seus povoadores. Sofreram a expressão expansionista dos Balantas que se assenhorearam das planícies baixas e alagadiças, esta foi e é a etnia predominante de Catió. Ao tempo, os Nalus eram a segunda etnia da região, posicionavam-se em ambas as margens do rio Cacine, ocupando o Tombali, o Como e o Cubucaré, estando em acentuada fase de assimilação pelos Sossos. Refugiaram-se na floresta, deixando as bolonhas aos Balantas, habitavam as clareiras escondidas no arvoredo. Apareciam superficialmente islamizados, conservavam as suas práticas de magia, ao que parece ligado a práticas canibais. Acresce que a expansão dos Beafadas absorveu muitos Nalus na região de Cubisseco. Recorde-se que os Nalus conservavam talvez a mais notável tradição escultórica da Guiné.

Os Balantas foram-se gradualmente expandido pela região, estabeleceram-se no Tombali, irradiando depois pelo Como e Cubucaré (matas do Cantanhez), trouxeram o arroz. Segundo o investigador, fizeram um longo itinerário, saíram do Enxalé e Porto Gole, atravessaram o Geba, subiram o Corubal, atingiram Buba e depois passaram a Quínera e daqui prosseguiram, no princípio do século XX até chegar a Catió. Os Balantas devem a sua relativa prosperidade à cultura do arroz. Segundo a tradição, foram dois degredados macaístas para aqui deportados que introduziram o arroz na região, mas o investigador considera esta suposição destituída de fundamento. Depois o autor espraia-se sobre os usos e costumes dos balantas, a sua rusticidade e estoicismo, a organização social e vida comunitária. Após referir detalhadamente o fanado, o casamento e as práticas de justiça, a economia familiar e os ritos funerários, o investigador conclui: “Povo rural, muito trabalhador, de cultura primitiva, de temperamento ingénuo e destemido, foi muito explorado pelas etnias de cultura mais adiantada. Os esbulhos que sofreram, por um lado, e a sua fraca coesão política, paradoxalmente aliada ao seu elevado sentido comunitário, por outro lado, foram fatores sagazmente explorados pelos mentores do terrorismo, conseguindo aliciar numerosos Balantas a partir de movimentações fáceis de aceitar por estas boas gentes, ingénuas e primitivas. Mas não foi desdenhado pelos aliciadores o espírito destemido dos Balantas, a sua admiração pelos feitos arrojados e a sedução da aventura guerreira a que os convidavam. Pobres Balantas cuja ingenuidade, capacidade de sacrifício, valentia, espírito de renúncia, foram virtudes de novo exploradas em benefício alheio numa proporção que a não sofreu alguma outra etnia".

A terceira etnia considerada no estudo são os Fulas e o investigador faz o respetivo histórico da presença dos Fulas em toda a Guiné. No final, expende a seguinte opinião: “A intranquilidade, nascida do terrorismo que atingiu a província, fê-los abandonar muitas das posições isoladas, afluindo aos centros mais seguros, onde aumentaram em número. A sua fidelidade contribuiu para a constituição das primeiras forças de voluntários nativos na luta contra o terrorismo. Surgiram, assim, no concelho de Catió, as principais núcleos de Fulas, resultantes da reunião de quantos se dispersavam por toda a área. Estes diversos núcleos, totalizados devem comportar cerca de 10 % da população do concelho”. A presença Fula seria considerável em Catió, Bedanda, Cacine, Guileje e Mejo.

A quarta etnia considerada é a dos Beafadas que no século XV estavam bem estabelecidos na Guiné e que, sujeito a pressões, atravessaram o Corubal, cruzaram o rio Buba e instalaram-se no Forreá, tornaram-se importantes na região de Fulacunda, mas também em Empada e Tite. Foram os Beafadas no reino de Guínala (hoje Quínara) que detiveram e desbarataram as hostes Fulas que assolaram o chão Mandinga do Gabu. Os Beafadas foram vassalos durante longo tempo dos Mandingas. Fixaram-se também no Tombali. Escreve o autor que também se fixaram em Gadamael indo até à região de Kandiafara, na república da Guiné Conacri. Ao longo de séculos os Beafadas mandinguizaram-se.

A quinta etnia respeita aos Mandingas. É longa a exposição do autor sobre o histórico dos Mandingas em toda a Guiné, vê-se que leu muito e que sabe resumir. Alerta-nos para o povoado Mandinga de Príame, fundada por um antigo cipaio, Dandan, chefe ao tempo em que o artigo foi publicado. Príame tinha mesquita e aqui também fixaram residência numerosas famílias Fulas.

Falando das minorias, refere Papéis, Bijagós, Manjacos, Sossos, Landumãs. Quanto às razões do seu estudo, recorda que tem o propósito de transmitir elementos escolhidos através do íntimo convício com populações nativas, ao longo de dois anos. Houve o cuidado de confrontar esses elementos com estudos publicados, assim terminando: “Acima de tudo, houve o escrúpulo de escutar o que disseram os anciãos, e respeitar a tradição que conservam do passado da sua gente. Com a publicação deste estudo mais não pretendemos que contribuir para a compreensão e conhecimento do povo nativo da província da Guiné".
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Nota do editor

Último poste da série de 12 DE AGOSTO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11933: Notas de leitura (510): Djarama PAIGC, uma reportagem fotográfica de Koen Wessing (Mário Beja Santos)