sexta-feira, 20 de junho de 2014

Guiné 63/74 - P13311: Convívios (607): Recordando os 1.º e 2.º Convívios da BAC 1 (Guiné, 1968/70), realizados em 1989 e 1991 (José Diniz de Souza)

1. Mensagem do nosso camarada José Diniz de Souza e Faro, ex-Fur Mil Art do 7.º Pel Art (CamecondePichePelundo e Binar, 1968/70), com data de 21 de Maio de 2014:

Caros Carlos/Luís,
Com as minhas saudações, começo por transcrever as palavras do meu camarada artilheiro, Vasco Pires: "Éramos poucos e dispersos, e dispersos continuamos, talvez por isso a nossa história seja tão pouco conhecida, digamos mesmo, quase esquecida." 

Felizmente realizamos dois encontros de Artilheiros, graças ao esforço do camarada, Jacinto Rocha, que consegui contactar-nos quase vinte anos depois.
O primeiro encontro foi realizado em Coimbra conforme a convocatória e ao todo compareceram cerca de 35 artilheiros, alguns com família.

O segundo encontro organizado pelo Coronel Moura Soares, na altura comandante do Quartel de Oeiras, onde foi realizado uma missa em memória dos camaradas mortos em combate e descerrada uma placa com os nomes dos mesmos que está salva erro na parada principal do quartel.
O almoço com a presença dos familiares, foi oferecido pelo o Comandante da Unidade Coronel MOURA SOARES sendo realizado nas instalações de Parede com cerca de 53 Artilheiros.

Com esta achega nós os artilheiros passaremos a ser mais conhecidos na Tabanca Grande e com a divulgação das fotos possamos ser reconhecidos pelos nossos camaradas das companhias por onde passamos de norte a sul da GUINÉ.

Com a ajuda do Coronel Moura Soares que foi um dos comandantes da BAC 1, então capitão, vou ver se consigo o mais breve possível divulgar a história da Artilharia na Guiné.

Caso concordarem, agradeço a publicação depois do devido tratamento editorial, da convocatória e as fotos em anexo.
Caso necessário algum esclarecimento estou ao vosso dispor.

E SIGA A ARTILHARIA que a Stª Bárbara nos proteja.

Com os meus sinceros agradecimentos e abraços
José Diniz Sousa e Faro
Artilheiro Veterano


Convocatória para o 1.º Encontro dos Artilheiros da BAC 1 (Guiné, 1968/70), realizado no dia 29 de Abril de 1989

Foto de família do 1.º Encontro dos Artilheiros da BAC 1 (Guiné, 1968/70) realizado no dia 29 de Abril de 1989

Em primeiro plano, à esquerda J. Mendes e à direita Mendes de Almeida. Em segundo plano: Diniz S. Faro e A. Glória

A partir da esquerda: A. Glória, Diniz S. Faro e J. Mendes




Segundo Encontro dos Artilheiros da BAC 1 (Guiné, 1968/70), realizado no dia 20 de Abril de 1991

Foto de família

Sentado à esquerda o Cor Moura Soares


Quartel de  Oeiras - A partir da esquerda: M. Almeida; Robalo (de costas) Cor M. Soares; Diniz S. Faro e Caetano.
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Nota do editor

Último poste da série de 8 DE JUNHO DE 2014 > Guiné 63/74 - P13259: Convívios (606): X Encontro do pessoal da CART 1742 (Os Panteras) levado a efeito no passado dia 13 de Junho em Leça da Palmeira e Perafita - Matosinhos (Abel Santos)

Guiné 63/74 - P13310: Páginas Negras com Salpicos Cor-de-Rosa (Rui Silva) (28): O dia em que o Trovoada caiu ao poço

1. Mensagem do nosso camarada Rui Silva (ex-Fur Mil da CCAÇ 816, Bissorã, Olossato, Mansoa, 1965/67), com data de 3 de Junho de 2014:

Caros amigos e ilustres editores do Blogue:
Aqui vai mais um “salpico” que espero os vá encontrar de boa saúde, harmonia e bem-estar. 

Abração.
Rui Silva



Como sempre as minhas primeiras palavras são de saudação para todos os camaradas ex-Combatentes da Guiné, mais ainda para aqueles que de algum modo ainda sofrem de sequelas daquela maldita guerra.

Do meu livro de memórias “Páginas Negras com Salpicos cor-de-rosa”

28 - O Trovoada no fundo do poço! Os morcegos alvoraçados e o Grilo a gritar!

É verdade, o “Trovoada” (Zé) caiu ao poço, bem fundinho, ali a uns escassos quilómetros do Olossato, para os lados de Maqué, e em pleno terreno da guerrilha.
Esta, como se sabia, era já ali, era só passar o arame farpado do aquartelamento.
Foi um grupo constituído por cerca de trinta homens, à lenha e, como era habitual e necessário: a lenha e o efetivo militar.
Desta feita foram então para os lados de Maqué, aí a uns 3-4 quilómetros e o local era o de uma Tabanca abandonada e, assim, provavelmente, um bom sítio para encontrar alguma lenha.

Eu, no entroncamento do carreiro para Maqué com a estrada Bissorã-Olossato e no “intervalo” (se é que haviam intervalos) de uma operação. Na foto, vê-se, em segundo plano, se não é o celebre poilão de Maqué, é outro lá perto. Toda a Companhia (e pelo que as conheci) tinham o seu fotógrafo. Na minha era o Correia radiotelegrafista. Ainda hoje nos Convívios lá anda ele a fotografar a tudo que mexe.

Uma parte do grupo procedia à recolha daquilo que podia então servir de lenha e a outra parte fazia a necessária segurança.
O “Trovoada”, elemento dos que garantiam a segurança aos esgravatadores da lenha, com tão redobrada atenção, acabou por vislumbrar uma bananeira e então há que ir buscar um cacho que tanto jeito fazia para tirar a barriga de misérias.
Pensou e melhor o fez; foi buscar um cacho e trouxe-o para junto do “Grilo” a quem se propunha dividir as bananas, mas o “Grilo”: - “Dividir o quê? Vou é lá buscar um cacho também pr’a mim”.

E assim, com a companhia do amigo do batedor “Trovoada” foi lá arrancar um cacho, só que o “Trovoada”, que ia à frente, pois sabia onde elas estavam, pisou capim de raiz falsa, que, para grande azar dele, cobria um poço que outrora abastecia, com certeza, a referida tabanca, agora, e como disse, abandonada.

Pamba!!... tchoc, tchoc… 

O “Grilo” gritou logo, ante o desaparecimento relâmpago do seu companheiro de safra e do consequente estoiro, o qual também surpreendeu toda a gente que logo constatou que alguém tinha caído a um poço, provavelmente.

- “É o Trovoada, é o Trovoada”, grita o “Grilo”

O “Trovoada” qual voz do outro mundo, e passados uns segundos, diz lá de baixo e para sossego do alvoraçado “Grilo”.
- “Oh Grilo, eu estou bem!!”

Pois, não estava muito mal, depois de tirar a medida à altura da água, segurou-se como pôde e ficou à tona, contou ele depois, cá em cima e já algo refeito do susto.

O preto, o padeiro civil, que era também parte interessada na recolha da lenha, como já se vê, propôs-se a ir lá baixo buscar o “Trovoada”. Mas como? E com quê?


Já bastava um no fundo do poço. Uma outra versão do Black and White, podia acontecer.
Alguém se lembrou de que só com uma corda é que ele saía dali e então um pequeno grupo foi buscá-la ao aquartelamento do Olossato.

O Pinto (paz à sua alma – faleceu há meia dúzia de anos-) condutor da Unimog que iria trazer a lenha, mais 2 ou 3 elementos voaram para o aquartelamento. É verdade, por ali havia uma corda aí com 30 metros. Vá lá, vá lá…
Para lamento do “Trovoada” o Pinto, que até voou, demorou tempos infinitos.

Chegados ao local da tragédia, há que içar o “Trovoada” que apesar de tudo até nem era dos mais nervosos.

- Cara-ho (!) lá em baixo andavam morcegos que voavam à frente do meu nariz”.

O “Trovoada” a sacudir-se todo de alto abaixo, e alguém pergunta :
- “Oh carago (carago é favor) e a G3?… e as cartucheiras?”
- “ Ficaram lá no fundo!”, diz o “Trovoada” com ares de “eu é que já me safei!! Que se f… o resto…”

Bom, aí é que o preto padeiro, que estava ansioso por mostrar serviço (de coragem), com a ajuda da dita corda, amanda-se pelo poço abaixo e no regresso surge ele do poço com a arma e as ditas cartucheiras do “Trovoada”, sorridente e a mostrar toda a sua cremalheira branca encaixilhada por grossos lábios à boa maneira da natureza nativa, e com cara de quem acabou de fazer qual truque de magia.
E ele que ansiava ser protagonista.

Tudo acabou em bem, afinal, e para o Olossato veio a lenha e também vieram os cachos de bananas do “Trovoada” e do “Grilo“, que tanto custaram a apanhar, principalmente ao primeiro. Este quase que arranjou foi lenha para se queimar (afogar).

O preto padeiro, esse, nunca mais deixou de arreganhar a tacha.

Eu e o meu amigo Zé “Trovoada”, passados 48 (!) anos de o Zé ter caído ao poço, ou, (soa melhor), ter saído do poço, algures na Guiné. (foto tirada agora no último Convívio da 816 (10/5/2014)

Rui Silva
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Nota do editor

Último poste da série de 18 DE JANEIRO DE 2014 > Guiné 63/74 - P12601: Páginas Negras com Salpicos Cor-de-Rosa (Rui Silva) (27): Operações Vacas

Guiné 63/74 - P13309: In Memoriam (191): José Henriques Mateus (1944-1966): O discurso do nosso camarada, ex-alferes paraquedista (BCP 21, Angola, 1970/72), Jaime Bonifácio Marques da Silva, na cerimónia de homenagem realizada na Areia Branca, Lourinhã, em 11/5/2014




Vídeo 2' 01'' (Luís Graça, 2014). Alojado em You Tube > Nhabijoes

Lourinhã, Areia Branca, 11 de maio de 2014. Homenagem ao José Henriques Mateus (1944-1966), desaparecido em combate em 10/9/1966, no sul da Guiné, durante a guerra colonial. Discurso de Narciso Cruz, empresário agricola, em nome da comissão organizadora local. 



Vídeo 0' 30'' (Lu+ís Graça, 2014). Alojado em You Tube > Nhabijoes.


Lourinhã, Areia Branca, 11 de maio de 2014. Homenagem ao José Henriques Mateus (1944-1966), desaparecido em combate em 10/9/1966, no sul da Guiné, durante a guerra colonial.  Toque militar,  a cargo de um  terno de clarins da banda do exército, Serra da Carregueira.



Discurso do nosso camarada Jaime Bonifácio Marques da Silva na cerimónia de homenagem ao sold at cav, José Henriques Mateus (1944-1966), que pertenceu á CCAV 1484 (Nhacra e Catió, 1965/67), e que desapareceu em combate  em 10/9/1966, no rio Tompar, setor de Catió, região de Tombali, sul daq Guiné (*)... 

O Jaime Bonifácio Marques da Silva é natural de Seixal, Lourinhã, foi colega de escola do Mateus, vive em Fafe (, onde foi professor de educação física e autarca, com o pelouro da cultura, e onde é mais conhecido como Jaime Silva). Fez a guerra colonial em Angola, como alf mil paraquedista, BCP 21 (1970/72). É membro da nossa Tabanca Grande. (**)


Parte1

1. Saudações [...]

2. Nota introdutória

Fará no próximo dia 10 de setembro 48 anos que o Lourinhanense José Henriques Mateus, nosso conterrâneo, desapareceu na sequência de uma operação de combate, denominada “Operação Pirilampo”, durante a travessia do rio Tompar na Guiné.

Em 1966, Portugal confrontava-se, já há cinco anos, com uma Guerra que se desenrolava em África em três teatros de operações diferentes: Angola (1961), Guiné (1963) e Moçambique (1964).

3 .Poderemos interrogar-nos hoje, cinquenta e três anos depois do início da Guerra em Angola e quarenta após o seu final da oportunidade de resgatar, sob o ponto de vista da evocação da História da Guerra Colonial, a memória daqueles que foram obrigados a fazer a guerra, sacrificando, muitos deles, a sua própria vida em nome de Portugal, como foi o caso do José Henriques Mateus, nosso conterrâneo e, cuja memória hoje evocamos.

A Comissão Organizadora, acredita que esta evocação histórica da memória dos que tombaram em nome de Portugal em África tem todo o sentido e justifica-se, sobretudo perante as novas gerações.

Acreditamos que o resgate da memória das causas, consequências e incidências vividas pelos combatentes durante esta Guerra, e neste caso particular, pelos ex-combatentes naturais do concelho da Lourinhã, é um ato de cidadania e deve ser uma obrigação, não só das instituições governamentais e militares a nível nacional, regional e local, bem como da sociedade civil.

É, em nosso entender, um exemplo de cidadania a homenagem prestada hoje pelo povo da Areia Branca perante o sacrífico de um dos seus “filhos da terra”, o Soldado  nº 711/65 José Henriques Mateus.

4. A propósito da evocação da memória e da necessidade e obrigação da sociedade lutar contra o esquecimento daqueles que serviram e tombaram em nome de Portugal nas várias frentes de combate ao longo da nossa História, escreveu Jorge Espinha, no Jornal “Público” em 18 de outubro de 2013:

“No próximo mês de agosto fará cem anos que começou uma das maiores tragédias que se abateu sobre o continente europeu. Morreram nessa guerra milhares de portugueses (10 mil).

Devíamos refletir um pouco na maneira despiciente como comemoramos o imenso sacrifício humano das guerras em que Portugal participou.

Aqui, comemorar significa, relembrar, estudar, tentar perceber o que aconteceu e como o que aconteceu moldou o nosso país. (…) A Guerra Colonial continua mal lembrada (…), ao lembrarmos as vítimas civis e militares não estamos a branquear a história (…). Deixar esses grandes eventos no escuro nunca dá bons resultados. “



5. Será este, também, o propósito desta Comissão: contribuir para que a sociedade atual não esqueça as consequências do flagelo da Guerra Colonial e lute contra a cultura do esquecimento que se instalou em Portugal após o seu final contra “aqueles a quem Portugal tudo exigiu”.

Portugal, simplesmente, exigiu a vida do soldado Mateus e de muitos dos seus camaradas, sem que o Mateus e os seus camaradas, que nunca se recusaram a defender a sua Pátria, pudessem, sequer, quando chegados a África e confrontados com a dura realidade da guerra e do terreno pudessem questionar os seus superiores hierárquicos, confrontando-os com o facto de não os terem treinado e dado as condições técnicas em equipamento e material de guerra necessários e adequados para poderem enfrentar o inimigo e desempenhar com segurança as missões a que iriam ser submetido no terreno das operações de combate.

Na verdade, e de acordo com os documentos, entretanto, publicados, alguns deles da autoria de militares que cumpriram várias Comissões de Serviço em África exercendo as suas funções no topo da hierarquia militar, este foi um dos dramas enfrentados pelos jovens, como o Mateus, que serviram nas forças Armadas Portuguesas em Angola, Moçambique ou Guiné: Foram mal treinados, mal equipados, mal apoiados, mal alimentados e desconhecedores do tipo de terreno onde iriam operar.

Se naquela operação, a Operação Pirilampo, o Alferes, seu comandante de Pelotão, tivesse o apoio dos helicópteros da Força Aérea ou dos barcos da Marinha portuguesa para atravessas o rio Tompar e, seguramente, o Mateus ainda hoje seria vivo, tal como dezenas de seus camaradas em circunstâncias idênticas.

Quando no dia 13 de abril de 1961, Salazar ordenou aos portugueses: “Para Angola rapidamente e em força”, tomou uma decisão que, de acordo com especialistas, foi errada e fora do tempo. Primeiro, não se preocupou em avaliar se o país tinha ou não condições económicas para adequar as suas tropas às exigências daquela Guerra, depois, alheou-se do contexto histórico no qual Portugal estava inserido na Europa e no resto do mundo, da contestação da sociedade portuguesa em relação ao estado de pobreza e subdesenvolvimento do nosso país e, sobretudo, ignorando a falta de condições fundamentais para a complexa preparação de todos os fatores logísticos inerentes ao suporte do início, desenrolar e manutenção da Guerra.

A partir daqui, por incúria dos seus governantes e interesses pessoais de tantos outros, a desgraça abateu-se sobre as famílias portuguesas.

Parte 2

1. Ao lembramos, hoje, a morte do soldado José Henriques Mateus no contexto da evocação
 histórica da Guerra Colonial, não podemos esquecer as consequências dessa Guerra para as famílias portuguesas:

Para África os Governos de Salazar e Caetano mobilizaram durante os treze anos do conflito (1961 – 1974) cerca de um milhão de jovens.

Destes, mais de 8 mil tombaram na frente de combate ou em acidentes, cerca de 120 mil foram feridos, 4 mil ficaram estropiados e, estima-se, que cerca de 100 mil ficaram a sofrer de “Stress Pós Traumático de Guerra”.

Para as famílias do concelho da Lourinhã as consequências da guerra traduziu-se na morte de 20 dos seus filhos: 9 em angola, 5 em moçambique e 6 na guiné.

Na Guiné, onde o Mateus cumpria a sua Comissão de Serviço e de acordo com os dados disponibilizados pelo Arquivo Geral do Exército, tombaram seis (6) militares (Lourinhã, Areia Branca, Ribamar, Toxofal, Toledo e Reguengo Grande).

O primeiro militar da Lourinhã a tombar na Guiné foi o soldado José António Canôa Nogueira em 23.1.1965, natural da Vila,  e o último foi o 1.º Cabo José João Marques Agostinho em 5.5.1973, natural de Reguengo Grande.

2. Sobre a vida militar e as circunstâncias da morte do Mateus a Comissão Organizadora decidiu preparar uma pequena exposição documental constituída por cinco painéis que serão expostos hoje na sede do Clube, no final desta cerimónia. A exposição tem como objetivo enquadrar e contextualizar o seu percurso militar durante a Comissão de Serviço na Guiné até ao fatídico fim de tarde do dia 10 de setembro de 1966 que lhe levou a vida, quando o seu Pelotão regressava de mais uma operação no mato .

Nos painéis transcrevemos alguns excertos de documentos oficiais que recolhi no Arquivo Geral do Exército, pertencentes ao seu Processo Individual, por cortesia do seu Irmão Abel Mateus, bem como no seu espólio pessoal cedido, também, pelo irmão que , publicamente lhe agradeço. Outros documentos foram cedidos por ex-combatentes pertencentes ao seu Batalhão, Companhia ou Pelotão enviados através do “Blogue Luís Graça e Camaradas da Guiné” ou por contacto pessoal através do correio ou testemunho pessoal.

2.1 Em síntese,

Podemos lembrar que o Mateus nasceu a 17.10.1944. Assentou praça no RI 7 em Leiria no dia 4 de maio de 1965 com a idade de 21 anos e, numa altura em que, como me disse o seu irmão Abel, era o “homem da casa” e o “braço direito da mãe”, uma vez que o pai já tinha falecido e tinha, ainda, mais duas irmãs e um irmão para ajudar a criar. Sobre as dificuldades das famílias em criar os seus filhos naquela época em que os trabalhadores do campo labutavam de “sol a sol” para ganharem uma “côdea”, são contas de outros rosário. A mãe do Mateus não escapava a estas dificuldades. Nem nestas circunstâncias o Governo de Portugal tinha alguma consideração: Ala para a guerra. Quem fica, que se amanhe!

O Mateus embarca para a Guiné a bordo do Navio Niassa no dia 20 de outubro de 1965, desembarcando em Bissau a 27 do mesmo mês.

Pertenceu ao Batalhão de Caçadores n.º 1858 e foi integrado na Companhia de Cavalaria n.º 1484 sediado na região de Timbali – Catió.

Sobre as características da região e do terreno onde estava sediada e atuava a companhia do Mateus, disse Benito Neves ex- Furriel da sua Companhia:

“Quando se olha aquele pedaço de mapa... nada se vê. Quem por lá passou sabe bem o que sofreu” (Benito Neves)

E Luís Graça, também, ex-furriel que cumpriu uma comissão de serviço na mesma região, afirma:

“Quando se olha para aquele pedaço de mapa de Bedanda, à esquerda e á direita do Rio Cumbijã, está-se perante o inferno na terra!... Aquilo é só bolanhas, lalas, lianas, tarrafo, lodo, água, rios, riachos, floresta-galeria"...

2.2. Operação Pirilampo

Foi num terreno com estas características que no dia 10 de setembro de 1966 o José Henriques Mateus será destacado para participar na Operação de Combate, denominada “Operação Pirilampo”, vindo a desaparecer no decorrer da mesma quando atravessava o rio Tompar.

Sabemos que, de acordo com os documentos oficiais disponíveis, nesta operação participaram duas Companhias:

A Companhia de Cavalaria nº.º 1484, à qual pertencia o Pelotão do Mateus comandado pelo Alferes Fernando Pereira da Silva Miguel e sendo o Furriel Egídio Ornelas Teles o seu comandante de secção.

Alguns dos textos que inserimos nos painéis a expor no Clube [da Areia Branca]  relatam-nos as circunstâncias e sobretudo, realço, o desespero de todos os seus camaradas na busca do Mateus.

Só quem esteve lá e viu morrer ou ficar estropiados nas minas os seus camaradas e amigos poderá avaliar o desespero e o sofrimento dos camaradas do Mateus!

Eu estive lá, na guerra, em Angola e comandei um pelotão. Sei, por isso, avaliar a responsabilidade, o desespero e a impotência de nada mais poder fazer do Alferes Miguel e do Furriel Egídio, perante a tragédia de ver desaparecer um seu camarada.

Termino lembrando uma frase tão atual nos tempos que correm:

“Só existe uma coisa mais terrível do que uma guerra, fazer de conta que ela nunca aconteceu”.

Por tudo isto e porque Portugal comemora neste ano de 2014 os quarenta anos da Revolução de 25 de Abril de 1974 que colocou um ponto final na Guerra em África,  estamos certos que, ao homenagear e evocar a memória de um dos seus filhos da terra, o Povo do Lugar da Areia Branca, com a família do Mateus, a Comissão da Igreja, a Associação de Desporto e Proteção da População do Lugar da Areia Branca, aos quais se associaram em boa hora a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, alguns dos seus camaradas de Pelotão e companhia, seus companheiros na Guiné (aqui presentes), amigos e as Associações ligadas à causa dos Combatentes , também, aqui presentes (ADF, AVECO, LCP) , cumprem um dever cívico e de cidadania, não só, perante a memória dos que tombaram em nome de Portugal, mas também, dando um exemplo de solidariedade às gerações mais jovens.

Tenho dito.

Lugar da Areia Branca, 11 de maio de 2014

Jaime Bonifácio Marques da Silva

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Notas do editor:

(*) Vd.  12 de maio de 2014 >  Guiné 63/74 - P13129: In Memoriam (189): José Henriques Mateus (1944-1966): uma singela e tocante homenagem das gentes da sua terra, Areia Branca, Lourinhã, na manhã de domingo, 11 de maio... Um exemplo a ser seguido por outras terras deste país.

(**) Último poste desta série > 11 de junho de  2014 >  Guiné 63/74 - P13268: In Memoriam (190): António Rebelo (1950-2014), ex-fur mil, 3ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74)... Estava inscrito no nosso IX Encontro Nacional, a realizar em Monte Real, no próximo dia 14... Faleceu ontem, de morte súbita... O seu corpo será velado na igreja de Massamá e cremado amanhã em Barcarena... Vamos recordá-lo, doravante, sob o poilão da nossa Tabanca Grande (Jorge Pinto / Luís Graça)

Guiné 63/74 - P13308: Parabéns a você (751): Cherno Baldé, Amigo Grã-Tabanqueiro guineense, Engenheiro e Gestor de Projectos

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Nota do editor

Último poste da série de 19 DE JUNHO DE 2014 > Guiné 63/74 - P13304: Parabéns a você (750): Henrique Cerqueira, ex-Fur Mil Inf do BCAÇ 4610/72 (Guiné, 1972/74) e Leopoldo Amado, Amigo Grã-Tabanqueiro guineense, Professor Universitário

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Guiné 63/74 - P13307: Notas de leitura (602): "Onde se fala de Bissau", do princípio dos anos 50, da UDIB... Um excerto do próximo livro de Lucinda Aranha dedicado a seu pai Manuel Joaquim, empresário e caçador em Cabo Verde e Guiné (Lucinda Aranha)

1. Mensagem da nossa amiga tertuliana Lucinda Aranha, filha de Manuel Joaquim, empresário e caçador em Cabo Verde (1929/1943) e Guiné (1943/1973), com data de 20 de Maio de 2014:

Caros amigos:
Envio-lhes para publicação, caso estejam interessados, um texto composto a partir de um excerto do meu próximo livro.

Os meus cumprimentos,
Lucinda


Onde se fala de Bissau

Ao avistar Bissau, vindo de Bolama, já no estuário de águas lodosas do Geba, Manuel Joaquim, o homem do cinema, pensava em como fizera bem em optar pelo mato ao invés de se ficar por Bissau onde a vida era mais cosmopolita mas onde por isso mesmo a concorrência era maior a começar pela UDIB, ponto de encontro da elite de Bissau, que era preciso ter estatuto social para lá entrar. Tudo o que era político, músico, comerciante de nota, futebolista, senhora respeitável desfilava pelo clube.

Sucediam-se os torneios desportivos, os bailes, os filmes ao fim de semana, até os chás dançantes como o que a mulher do governador organizara, em 52, com fins beneficentes. Apesar dos 25 pesos da entrada fora muito concorrido e animado com verbenas e sorteios no terraço.

É certo que tinha boas relações com o clube e até colaborara, no primeiro de Janeiro de 46, na sessão cinematográfica que a UDIB realizara. Enfim, como o não havia de fazer se se tratava das comemorações dos quinhentos anos da Guiné as quais tinham culminado, no final do ano, na Exposição de Bissau que condensara em 20 salas toda a vida e a história da Guiné? A finalizar essa sessão solene de abertura houvera, ainda retinha com nitidez na memória, desfile das forças militares, corporações, colectividades e numerosos indígenas, com uma marcha luminosa bem pitoresca e surpreendente a que se sucedera um grande batuque no Cupilon.

Guiné-Bissau > Bissau > UDIB  (...Com a devida vénia a Bissau Architecture )


Guiné-Bissau > Bissau > s/d > O emblemático edifício da sede da UDIB - União Desportiva Internacional de Bissau onde jogou à bola o pai do Nelson Herbert, Armando Duarte Lopes, de origem cabo-verdiana, nascido em 1920, e que fez parte da seleção de futebol da Guiné Portuguesa.  Imagem: Cortesia de Nelson Herbert (2009)., jornalista da VOA - Voz da América.

Foto: ©  Nelson Herbert  / Blogue Luís Graça &  Camaradas da Guiné (2009). Todos os direitos reservados.


Guiné > Bissau > UDIB  > c. 1962/64,  foto  do nosso camarada açoriano Durval Faria (ex-fur mil da CCAÇ 274, Fulacunda,  jan 1962/ jan 64)

Foto: © Durval Faria / Blogue Luís Graça > Camaradas da Guiné (2011). Todos os direitos reservados.

Lembrava-se dos concertos do 1º e 3º domingos de cada mês que no coreto dos Combatentes da Grande Guerra a Banda da Câmara Municipal animava, nos anos 50, com música.

Recordava os Salões de Arte que as senhoras organizavam, as exposições de bordados e trabalhos manuais das educandas de Bór, as palestras com sessões de poesia e morna e as conferências que os cabo-verdianos e a Casa dos Estudantes do Império dinamizavam.

Muitas eram festas de beneficência que se sucediam ao longo do ano, ora auxiliando o Asilo-Escola de Bór ora os velhos e inválidos da colónia. Mas a beneficência não se ficava por aí que também organizavam rifas a favor da Liga Portuguesa contra o Cancro com prémios chorudos, um carro, uma motocicleta como a que saíra ao irmão de um seu rapaz, o Calabouça que ganhou o 2º prémio em 53.

Voltava atrás, ao ano anterior, e sorria. A loucura que fora o torneio de futebol da África Ocidental. Até o Conselho de Desporto aprovara o fretamento de um avião da Air France para a deslocação a Dacar dos apoiantes da Selecção de Bissau. Só que os 1.100$00 do bilhete inviabilizaram o projecto.


A raiva enfurecia-o quando recordava a barbárie que chegara a Bissau: a festa brava. Tardara mais dez anos a chegar que na Praia mas não havia como fugir-lhe. Em 43, ano da sua ida para Bolama ainda tivera tempo de assistir ao seu triunfo na Praia e agora lá tinha na cidade capital ao mesmo triste espectáculo. Onde estava a festa, perguntava-se. Matar animais com tortura e por simples diversão alguma vez pode ser festa? Pensar que se construiu uma praça, se mandaram vir bandarilheiros e mesmo touros bravos da metrópole e se foram buscar animais bravios às manadas bravas dos Bijagós fazia-lhe crescer instintos justiceiros e simultaneamente assassinos.

Lucinda
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Nota do editor

Último poste da série de 9 DE MAIO DE 2014 > Guiné 63/74 - P13120: Notas de leitura (588): "Julinha", um excerto do próximo livro de Lucinda Aranha dedicado a seu pai Manuel Joaquim, empresário e caçador em Cabo Verde e Guiné (Lucinda Aranha)

Guiné 63/74 - P13306: Lembrete (4): Lançamento do livro "QUEBO - Nos confins da Guiné", de Rui Alexandrino Ferreira, dia 21 de Junho de 2014, pelas 10h30, nas instalações do Regimento de Infantaria 14, em Viseu

1. Convite do nosso camarada Rui Alexandrino Ferreira, TCor Reformado (ex-Alf Mil na CCAÇ 1420, Fulacunda, 1965/67 e ex-Cap Mil, CMDT da CCAÇ 18, Aldeia Formosa, 1970/72), para assistir ao lançamento do seu livro "QUEBO - Nos confins da Guiné", que se reporta à comissão de serviço por si cumprida na naquela ex-Província Ultramarina como Capitão Miliciano e Comandante da CCAÇ 18.

O evento realiza-se no próximo dia 21 de Junho de 2014, sábado, às 10h30, nas instalações do Regimento de Infantaria 14, em Viseu, seguido de almoço para quem se inscreveu previamente.

Aqui fica a notícia, especialmente para aqueles que morando na zona centro do país e se possam deslocar a Viseu, o façam para abrilhantar este momento de alegria do nosso camarada e amigo Rui e para lhe dar um abraço. Como ele próprio afirma na sua carta aberta, está a atravessar um período menos bom da sua saúde pelo que a presença dos amigos será algo que o reconfortará. 



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Nota do editor

Último poste da série de 21 DE MAIO DE 2014 > Guiné 63/74 - P13175: Lembrete (3): Lançamento do livro "O Corredor da Morte", de Mário Vitorino Gaspar, 22 de maio, às 17h30, no Forte do Bom Sucesso, Belém, Lisboa, com apoio da Liga dos Combatentes e da associação APOIAR

Guiné 63/74 - P13305: IX Encontro Nacional da Tabanca Grande (38): "Caras novas" em Monte Real... E algumas de camaradas que ainda não se sentam à sombra do nosso poilão


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 >  O Joaquim da Silva Jorge e a esposa Esmeralda (Ferrel / Peniche)... Garantiu-me que vai mandar as fotos da praxe para entrar na nossa Tabanca Grande...É "velhinho" na guerra (ex-alf mil, CCAÇ 616, Empada, 1964/66, companhia que também comandou)   e "pira" em Monte Real... Foi em Empada que a guerra começou, não foi em Tite... Estivemos a falar de episódios (ainda mal conhecidos)  desses tempos e lugares... A  CCAÇ 616 foi substituir malta açoriana.


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > A minha /nossa amiga Tucha (é a segunda vez que vem a este convívio anual, com o seu companheiro Manuel dos Santos Gonçalves)... O casal vivce em Carcavelos, Caiscais, Ao lado da Tucha,  a Alice Carneiro.


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > O Manuel dos Santos Gonçalves (ex-alf mil mec manut, que passou por Aldeia Formosa, no início da década de 1970) e a Maria de Fátima  (Tucha) (Carcavelos / Cascais). O Manel prometeu-nos que ia "tratar dos papéis!" para se poder  semtar, "de jure et de facto", à sombra do poilão da Tabanca Grande,.,



IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 >  O Francisco Baptista e a esposa Fátima Anjos, em conversa com o Hélder Sousa.  É um transmontano de boa cepa que vive no Porto. É "cara nova"  em Monte Real..  Foi alf mil inf da CCAÇ 2616/BCAÇ 2892 (Buba, 1970/71) e CART 2732 (Mansabá, 1971/72),


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 >  Da direita para a esquerda, Francisco Baptista  (Porto) e Joaquim Luís Fernandes (Maceira / Leiria)


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 >  O Mário Gaspar ao lado do João Martins..  Dois camaradas que passaram por Gadamael. O Mário é "estreante" nestas lides e trouxe o seu livro "O corredor da morte" (edição de autor, 2014).


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > Outra "cara nova" em Monte Real, o nosso grã-tabanqueiro Ricardo Figueiredo (Porto), aqui ao centro ladeado do José Saúde  e o Fernando Súcio (Via Real). Foi fur mil Fur Mil da 2.ª CART/BART 6523,Cabuca, 1973/74.


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > Fernando Roque (Sesimbra)... Sei que é um homem da arma de transmissões, TSF... Vive no Meco e é amigo do Hélder Sousa, além admirador do nosso blogue... Há uma fotografia dele com o Hélder e o Nelson Batalha no "Pelicano", em Bissau c. 1970/72... Espero também que aceite o nosso convite para se sentar  à sombra do poilão da Tabanca Grande...


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > Rui Pedro Silva (Lisboa)...  Um rapaz de Angola, que veio para estudar aso 14 anos... É do Lobito, se a memória ne não falha. É informatico e já teve uma página ou um blogue sobre a guerra da Guiné. Acompmha-nos há muito, mas ainda não se quis sentar à sombra do nosso poilão...  Garantilhe que khe reservava o lugar nº (cabalístico) 666...  Foi  cap Mil e comandante da CCAV 8352 (Caboxanque, 1972/74)...

Fotos (e legendas) : © Luís Graça (2014). Todos os direitos reservados.




IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > À direirta, o Rogé Guerreiro, uma "rapaz da linha" (leia-se; Tabanca da Linha),.,, É primeira vez que vem aos nossos encontros da Tabanca Grande... Recorde.se que foi 1.º Cabo Op Cripto da CCAÇ 4743 (Gadamael e Tite, 1972/74) e  está no nosso blogue desde 6 de maio de 2012. É um "periquito" em relação à malta que vem atrás. o Manuel Joaquim, o Rui Silva e o Jorge Rosales... Mora em Cascais,

Foto: © Manuel Resende  (2014). Todos os direitos reservados.

Guiné 63/74 - P13304: Parabéns a você (750): Henrique Cerqueira, ex-Fur Mil Inf do BCAÇ 4610/72 (Guiné, 1972/74) e Leopoldo Amado, Amigo Grã-Tabanqueiro guineense, Professor Universitário


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Nota do editor

Último poste da série de 17 de Junho de 2014 > Guiné 63/74 - P13297: Parabéns a você (749): Juvenal Amado, ex-1.º Cabo Condutor Auto do BART 3872 (Guiné, 1971/73)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Guiné 63/74 - P13303: Agenda cultural (325): JERO e o "Verão Total" da RTP 1, amanhã, 19 de Junho de 2014, em Alcobaça (Miguel Pessoa)

1. Com a devida vénia à Tabanca do Centro, reproduzimos, para conhecimento da tertúlia, a notícia da participação do nosso camarada José Eduardo Oliveira no programa "Verão Total", emitido pela RTP 1, a partir de Alcobaça, amanhã dia 19 de Junho.



Miguel Pessoa
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Nota do editor

Último poste da série de 14 DE JUNHO DE 2014 > Guiné 63/74 - P13281: Agenda cultural (324): José Ceitil, autor de "Dona Brerta de Bissau", vai estar na Feira do Livro em Lisboa, hoje, sábado, 14, às 17h, no stand da editora Âncora

Guiné 63/74 - P13302: Furriel Enfermeiro, ribatejano e fadista (Armando Pires) (15): Fadista e locutor, para cumprir o destino

1. Mensagem, de 11 do corrente, do Armando Pires
[ex-Fur Mil Enf,  CCS/BCAÇ 2861,Bula e Bissorã, 1969/70], [, foto à esquerda, Monte Real, 14/6/2014]

Meu Caro Luís Graça.
Camarada e Amigo.

Faz tempo que esta história te estava prometida. Mas o tempo não é coisa que se comande. Se eu fosse supersticioso diria que foi por ter chegado ao número 13 da série "Furriel enfermeiro, ribatejano e fadista", que a veia secou.

Mas não sendo supersticioso, porque é coisa que dá muito azar, limito-me a dizer que mais vale tarde do que nunca. Aqui tens, com o titulo de "Fadista e locutor, para cumprir o destino", o número 14 de uma série que, espero eu, passe a fluir com melhor ritmo.
Um abraço para ti, para os nossos editores, e para todos os camarigos.

2.  Furriel Enfermeiro, ribatejano e fadista (Armando Pires) (14)  Fadista e locutor, para cumprir o destino 

Portanto, o João Rebola mais o Vilas Boas foram para Binar e o fado acabou em Bissorã.

Isto foi em Junho de 70, altura em que a companhia a que eles pertenciam, a CCAÇ 2444, foi rendida por uma outra companhia de intervenção, a CCAÇ 13.

Desculpem os camaradas se os faço recuar ao P12905 para melhor compreenderem este antes e o que vem já depois, mas a vida de “escritor-amador” é muitas vezes atapetada de escolhos tais, que nem a sua muito boa vontade consegue derrubar às primeiras.

Prosseguindo.

Foram-se embora os meus violas e, oh coincidência, também partiu o capitão Luís Barros, que ali foi terminar o seu tempo de serviço no comando da CCS, grande impulsionador e animador daquelas noites sábado, com cantos ao fado e às bolas do bingo onde sempre se sorteava uma garrafa de whisky Haig, vá lá saber-se porquê, escolha pessoal do cap Barros, facto que acabou por lhe granjear, entre a sargentada, a alcunha do “capitão Haíg”, lido assim, com assento agudo e tudo, alcunha que vai certamente surpreender o hoje coronel reformado Luís Andrade Barros, fugaz leitor do nosso blog, meu recém correspondente em troca de emails, num dos quais, sobre estas noites que lhe lembrei, escreveu:

“Caríssimo Armando Pires, furriel enfermeiro, ribatejano, fadista e companheiro da guerra .
Recebi com muito agrado as suas notícias de Bissorã, nomeadamente recordando as sessões de bingo com uma afluência capaz de fazer inveja às melhores casas da especialidade. Lembro o entusiasmo que tal iniciativa despertou, a preparação - decoração da sala com pinturas alusivas e os convites para o evento, incluindo a amigos do IN, isto na certeza de então não sermos atacados.”
– P13065

O fim das sessões de bingo, e das grandes noites de fado, poderiam ter sido uma forte machadada nos relatórios da acção psico-social, não se desse o caso de nas cabeças do major Alcino e do Alferes Vinagre, ter nascido a ideia de sacar umas massas que o comandante Polidoro Monteiro tinha para a psico, para com elas comprarem uma aparelhagem sonora que o Alfredo, o libanês, mandara vir da África do Sul. A aparelhagem foi ligada a uma corneta sonora, o 1º cabo sapador Marques Catarré emprestou a sua substancial discografia, e assim nasceu a “Rádio Bissorã-70”, com emissões diárias das sete às nove da noite.

Todos estes pormenores vieram à luz do dia graças à prodigiosa memória do Furriel Sousa, uma espécie de “secretário-confidente” do comandante Polidoro. É que todos os da companhia, eu incluído, nos lembramos da “rádio”, mas de como ela nasceu é que… já lá vão 44 anos.

É preciso dizer que o major Alcino era o oficial de operações, e o João Vinagre, alferes miliciano de informações, para que se percebam os objectivos propagandísticos da coisa.

“A rádio” foi instalada no vão de escada de um edifício em
cujo rés-do-chão funcionava a secretaria do
batalhão. O 1º andar fora reservado para quartos dos oficiais. O edifício era conhecido, e ainda o é, por Casa Gardete, família guineense de grande prestigio social, na qual sobressaiu o Dr. Manuel Gardete Correia [, foto à direita], já falecido, licenciado em medicina pela Universidade de Coimbra no ano de 1959, e que se tornou numa das figuras africanas, e mesmo mundiais, mais prestigiadas na luta contra a doença do sono e a malária. (**)

A família Gardete rumou a Bissau logo nos alvores da guerra, deixando de aluguer a vários comerciantes a loja, até à chegada a Bissorã do comando do meu batalhão, que tomou de arrendamento todo o edifício.



A Casa Gardete.  Foto de 2006, cedida pelo camarada Carlos Fortunato, ex-fur mil. da  CCAÇ 13, e tirada aquando de uma das suas deslocações a Bissorã ao serviço da ONG Ajuda Amiga, de que é presidente.  Actualmente o edifício funciona como tribunal civil. A escadaria dava acesso aos quartos dos oficiais. Entre o vão de escada e a porta onde se lê “Secretaria Judicial”, funcionava “a rádio”. A corneta sonora era montada sobre aquela grande coluna que suportava um portão de ferro de entrada para o edifício. 

Foto: © Carlos Fortunato  (2006).  Todos os direitos reservados.


E à noite, aquela rua enchia-se de militares e povo, povo das tabancas, já se vê, que “a sociedade” local, o Alfredo Khalil, o senhor Rachid Aral, o velho Michel… de tão perto que moravam nem precisavam de sair de casa para ouvirem as canções do Nelson Ned, da Rita Pavoni, do Roberto Carlos, do Nico Fidenco…, em forma de discos pedidos deste para aquele, dedicados pelo soldado tal para a sua lavadeira que tinha direito a nome e tudo, e muitas vezes, num extravasar de saudade, querendo que o som da corneta chegasse lá longe, até se dedicavam canções às queridas mães e às namoradas que ficaram à espera.

E havia um concurso. Perguntas sobre história e geografia, que as fazia o furriel Sousa, professor na vida civil, sobre desporto, em que era perito o 1º cabo Santos, da messe dos oficiais, ou ainda perguntas acerca dos valores pátrios, trazidas pelo alferes Vinagre, que fora para isso que “a rádio” nascera.

Quem acertasse nas perguntinhas tinha direito a prémios de que não me lembro quais.

Lembro-me dos locutores. Sim, que “a rádio”, como não podia deixar de ser, tinha locutores. O Filipe, furriel vagomestre, o Basso, furriel cripto, e o furriel Bonito, da secretaria do batalhão.
–  Ó Pires – disse-me o Filipe – tu também podias ir para lá fazer locução.

Chamem-lhe destino, digam que era o Senhor a escrever direito por linhas tortas, ou, mesmo, que estava escrito nas estrelas, a verdade é que ser locutor era uma das possibilidades que me acompanharam até à Guiné.

Eu explico.

Quando desembarquei em Bissau levava mais recomendações do que medalhas um general tem ao peito. (Passe o exagero, se faz favor)

Desde logo para o dono do “Solar do Dez”. Um cartão, daqueles com nome ao meio, que tanto serviam para enviar boas festas como para expressar sentidos pesamos, onde o Carlos Lisboa, fadista da minha terra que em Bissau servira na policia militar, garantia que eu era apaz para repetir os êxitos que ele próprio alcançara nas grandes noites de fado que realizara naquele restaurante.

Sentados à mesa, no centro da qual estava uma coisa chamada lagosta que nunca, até ali, me passara pelo estreito, eu e o dono do “Solar do Dez”, cujo nome, esteja ele onde estiver, vai perdoar que me tenha esquecido, rapidamente começámos a falar nas hipóteses de eu ficar no Hospital Militar de Bissau, garantia de umas sessões de fado aos sábados à noite lá no Solar, com um dinheirinho extra, está claro, tudo coisas que umas pessoas que ele bem conhecia tratariam de facilitar num abrir e fechar de olhos.
– Venha cá jantar logo à noite que estará cá gente para tratarmos logo do assunto.

O pior é que por volta daquela hora encontrei o Vitor “Cascais”, rapaz que eu conhecia das noites no “Galitos”, casa de fado vadio no Estoril, junto da cosmopolita praia do Tamariz, que me quis logo apresentar a umas amigas e uns amigos, gin para um lado conversa para o outro, “está aqui um gajo que toca bem guitarra, queres ouvir?”, uns camarões para entreter a cerveja, “é pá, dá aí o tom para o mouraria”, e qual jantar no “Solar do Dez” qual quê, saí dali já era outra vez dia, e sem modo de explicar a minha ausência, só voltei ao Solar muito mais tarde, quando vim numa coluna a Bissau.

E havia o célebre “PIFAS”, o Programa das Forças Armadas.

Embora ainda não de forma profissional, antes de ser mobilizado eu já fazia locução de vários programas na rádio da minha terra. Era a Rádio Ribatejo, propriedade do capitão Jaime Varela Santos, homem que vale uma nota antes de prosseguir o relato.

O capitão Varela pertencia à arma de cavalaria. Em finais dos anos 40 inicio dos anos 50, mandaram-no comandar a força da GNR de segurança ao Forte de Peniche.
– Não aceito! Eu sou oficial de cavalaria, não sou carcereiro.

Valeu-lhe a afronta ao regime a sua passagem à reserva, por incapacidade física, que foi o melhor que se arranjou para evitar escândalo maior no meio social em que se movimentava.

Pois mal fui mobilizado, em Outubro de 68, o capitão Varela mandou que eu à chegada à Guiné, me apresentasse a um brigadeiro seu amigo que trataria de me levar para a rádio das forças armadas.

E até o meu primo Carlos Fernandes, que tal como eu iniciou a sua profissão na Rádio Ribatejo, e que estava em Madina do Boé, de furriel miliciano atirador da CCAV 1662, quando foi chamada para o “PIFAS”, ao chegar a Portugal, em Dezembro de 68, tratou de escrever uma carta que eu levaria em mão a José Vale de Figueiredo, o director do Programa das Forças Armadas, dando-lhe nota de como eu podia ser “útil à rádio”.

Pois foi. Só que com aquela cena das amigas e dos amigos do “Cascais”, mais dos copos e dos fados até de madrugada, quando dei por mim estava a marchar em direcção a Bula, com a carta do meu primo dentro do bolso, sem conhecer o tal brigadeiro amigo do capitão Varela, e sem ter ido ao tal jantar no “Solar do Dez”.

E eu, que tudo tinha para fazer a guerra de fato e gravata em Bissau, fui cantar fados para Bula e, em Bissorã, ao microfone de uma “rádio” manhosa, apresentar o Gianni Morandi a cantar o “Non son degno di te”.

Mas, porra! Também não tinha feito os amigos que fiz e que me têm dado um jeito do caraças.

(E querem saber mais? O que eu queria mesmo era andar com a minha malta.)


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 > Em primeiro plano, o Armando Pires: em segundo plano, o Rui Silva, o Jorge Rosales, o Manuel Joaquim (de perfil) e o Francisco Palma. No decorrer do almoço, tive oportunidade de apresentar o Armando Pires ao António Gracez Costa que foi locutor do PFA, em 1970/72. Ficaram os dois à conversa

Foto: © Manuel Resende  (2014).  Todos os direitos reservados.
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Notas do editor:

(*) Vd, postes anteriores e da série>

(...) Urge proceder à reformulação da divisa desta Tabanca Grande. De facto, onde ela proclama que “o mundo é pequeno e a nossa Tabanca … é grande”, já não é sem tempo que se aumente o grau ao adjectivo, passando então a escrever-se que, “o mundo é pequeno e a nossa tabanca… é muito grande”.

Ocorreu-me isto após as incidências que resultaram do meu post anterior (P12905*), no qual, desastradamente, troquei o nome a um capitão. A correcção chegou num comentário do nosso camarada Grantabanqueiro, coronel Hilário Peixeiro, feito nos termos que aqui recordo. (...)

(...) Tirando uns mal entendidos com a rapaziada do Morés, os dias corriam pachorrentos em Bissorã. Desde logo porque o Rodrigues, quando à chegada lhe fui oferecer os meus préstimos, ficou-me muito agradecido mas respondeu que “a malta cá se arranja”. A malta era a CCAÇ 2444, mais conhecida pelos “Coriscos”, companhia da qual o Rodrigues, Felizardo Rodrigues, era furriel miliciano enfermeiro. O felizardo neste caso era eu, melhor dito, até, era a minha equipa, porque com uma companhia operacional a prescindir do nosso apoio, passámo-nos a ocupar, a tempo inteiro, das micoses, paludismos e gonorreias entre os nossos, e da saúde de toda a população em geral, coisa que caía muito bem dentro dos relatórios da “psico-social”. (...)


(...) Queiramos ou não, a primeira imagem, a primeira impressão que causamos, acompanha-nos vida fora, cola-se-nos à pele como lapa. Podemos melhorá-la, ou piorá-la, “vê lá tu, pá, quem diria que aquele gajo se transformava no que é hoje”, mas a primeira impressão fica para sempre. À primeira, eu vi o Polidoro assim. Emproado, como um pavão. Escreva-se, por ser verdade, ele fez tudo menos querer causar uma primeira boa impressão. (...)


(...) Aquelas primeiras horas em Bissorã não foram fáceis. Desde logo, como já escrevi, o não me sentir dentro de um quartel. Era assim a modos como que um exército que tivesse ocupado uma cidade e “vamos lá instalar-nos”. Não quero com isto dizer que fossem más aquelas acomodações. Antes pelo contrário. Mas num quartel está ali tudo próximo, estamos ali todos juntos, tipo ó militar chegue aqui, e em Bissorã não, era mais ó furriel dê um salto à enfermaria e lá ia eu, no jeep, rua acima. E depois, o que também me fez confusão, abrigos "cá tem". (...)


(...) Portanto, o DO aterrou em Bissorã eram nove da manhã. Nem fanfarra nem guarda de honra à minha espera. Apenas um Unimog para me levar a mim, mais ao correio e outras mercadorias que o avião transportara. Sem esquecer, evidentemente, o Machado, o meu cabo enfermeiro, que viera receber-me, dar-me as boas vindas, e levar-me ao comando onde era devida a minha apresentação ao comandante da companhia. (...)


(...) Mais um reencontro para agasalhar a idade. Estava eu posto em sossego e chama-me o João Rebola para perguntar:
- Ó Pires, sabes quem está aqui?

A pergunta foi feita através desse prodígio da comunicação chamado Skype. Sabem os que sabem, quem não sabe fica a saber que é um software que podemos instalar no computador, e que nos permite falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, e, o melhor de tudo, estar a vê-la do outro lado. (...)


(...) Tal como prometera, envio um conjunto de 12 (doze) fotografias de Bula. Tenho dúvidas quanto à forma de as editar. Por essa razão permito-me enviar duas versões. Como podes ver, a que tem o titulo de Bula 2 ocupa menos espaço no blog, mas algumas das fotos perdem em qualidade. Deixo ao teu critério, ou ao critério do "Editor de Dia", escolher qual das duas versões publicar. Do mesmo modo, também fica ao vosso critério decidir em que série as inscrever. Se na série "furriel enfermeiro,ribatejano e fadista", se em "Álbum fotográfico..." do que for. (...)


 (...) A oito de agosto, deixei Bula com um nó na garganta e sem saber que não mais lá voltava. Tinha férias marcadas para Portugal e pedi ao comandante que me permitisse ir uns dias mais cedo para Bissau, de forma a poder visitar o Daniel no Hospital Militar. (...)


(...) Raios te partam, Manel Jaquim, que as tuas Cartas de Amor e Guerra incendeiam-me a memória na razão directa do respeito que me provocam. Começo pelo fim, em que sou mais breve, para dizer de quanta admiração sinto por essa cumplicidade entre ti e a Dionilde, tua mulher, nascida no tempo do amor e dos segredos, trazida pela vida fora, chegando hoje à comum aceitação da partilha dessas palavras escritas, tão intensas de paixão e raiva, que só os amantes sabem dizer. (...)


(...) A coluna estava pronta para se pôr em marcha. À frente o rebenta minas, logo atrás uma das Panhard’s do EREC 2454, depois um Unimog com munições para o Óbus 14 e as restantes viaturas. Eram seis camionetas civis que, vindas de Bissau, tinham sido cambadas, uma a uma, através do Rio Mansoa para João Landim e daí escoltadas até Bula, onde foi organizado o comboio militar que iria levar os reabastecimentos ao aquartelamento de Binar. (...)


(...) Eu tinha dois doutores. Era para ter três, mas perdi um mesmo à saída da escada de portaló. Era um oftalmologista em quem alguém descobriu, logo ali, insuspeitadas capacidades para ver fundo na raiz dos dentes, razão porque ficou em Bissau para uma especialização de três meses em medicina dentária, findos os quais percorreu todos os quadrantes dessa Guiné, em socorro de algum militar carente dos seus serviços. (...)


(...) Já era noite fechada em Bula quando o Teixeira, meu soldado maqueiro, veio ao bar dizer-me:
– Furriel, está uma mulher à porta de armas a pedir para tratarmos o filho.
– Já lá vou.
– Mas, ó furriel, olhe que o miúdo se não está morto, parece.
– Leva-a para a enfermaria que eu é só acabar o café. (...)


(...) - Então doutor, o puto safa-se?
Não me respondeu. Limitou-se a olhar-me assim como quem diz “vamos ver”, e a dizer-me com um sorriso benevolente:
- Vá lá dormir que você está com cara de quem precisa de descansar. (...)


(...) Bula, 15 de Abril de 1969, depois das oito da noite.

Ofegantes, os noventa cavalos da velha GMC galgaram a cancela do aquartelamento e estacaram às dez rodas em frente ao bar. Ao lado do condutor ergueu-se o Caeiro e gritou-me:
– Salta práqui, ó pira, que esta noite vai haver espectáculo no Esquadrão. (...)

(**) Manuel Gardete Correia (1928-19_?)



Fonte: Assembleia da República > Deputados à Assembleia Nacional (1935-1974)

Guiné 63/74 - P13301: IX Encontro Nacional da Tabanca Grande (37): O ano em que tivemos mais camaradas da diáspora lusitana: EUA, França, Holanda e Luxemburgo


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande - Palace Hotel Monte Real - 14 de junho de 2014 - . O Júlio Costa Abreu e o seu filho Richard. Vivem em Amesterdão, Holanda. O Júlio é natural de Alenquer. Emigrou há mais de 40 anos. Está reformado da KLM. 


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande > Palace Hotel Monte Real - 14 de junho de 2014 - O Mateus Oliveira e a Florinda (Boston / EUA)... O casal é natural da Lourinhã, ele do Casal Novo e ela do Toxofal. O Mateus foi paraquedista, durante 3 anos (CCP 122/BCP 12, BA 12, Bissalamca, 1972/74).


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande - Palace Hotel Monte Real > 14 de junho de 2014 - Mais dois companheiros da diáspora. À esquerda Manuel da Conceição Neves, emigrado em França, que se fez acompanhar de sua esposa Maria da Estrela, e à direita José Nunes Francisco, emigrado no Luxemburgo, que se fez acompanhar de sua esposa Deolinda, filha, genro e netos.


IX Encontro Nacional da Tabanca Grande - Palace Hotel Monte Real - 14 de junho de 2014 - Graça Nunes e Paulo Monteiro, filha e o genro do camarada José Nunes Francisco (Luxemburgo). Segundo percebi, o Francisco é natural de Vieira de Leiria, mas a filha vive na Batalha.

Fotos: © Luís Graça (2014) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.



IX Encontro Nacional da Tabanca Grande - Palace Hotel Monte Real - 14 de junho de 2014 - O Carlos Vinhal, da comissão organizadora, recebe os nossos novos amigos José Nunes Francisco e esposa (Luxemburgo), mais a filha, o genro e netos.

Foi o ano que tivemos mais camaradas oriundos da diáspora lusitana (EUA, Holanda, França e Luxemburgo).  (LG)

Foto: © Manuel Resende (2014) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.
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Nota do editor.