sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Guiné 63/74 - P10486: Os Soldados não morrem, apenas tombam no campo de honra (2) (José Martins)

Todos fomos INFANTES: 
Infantes na Idade; 
Infantes no Esforço; 
Infantes no Combate; 
Infantes na Nobreza, 

Somos soldados mal-amados, não só depois de mortos, mas ainda em vida!

Monumento de homenagem AO VALOR DO INFANTE, em Mafra


Os que caíram pela Pátria!

Os soldados não morrem, apenas tombam no campo da honra!

Por José Martins

Terminada a invasão francesa e afastada que estava a possibilidade de nova investida estrangeira, a Família Real, acompanhada da Corte, continuava a sua estadia no Brasil, enquanto em Portugal o povo se interrogava sobre o seu destino: era uma “colónia” do Brasil e um “protectorado inglês”, já que cá quem “reinava”, em nome do monarca o oficial inglês, William Carr Beresford, depois 1.º Marquês de Campo Maior, acumulando o comando das forças do exército.

Em 1815 formou-se o "Supremo Conselho Regenerador de Portugal e do Algarve", integrando oficiais do exército e maçons, com o objectivo de “libertar Portugal do domínio inglês” e restaurar a salvação do país. Chefiados pelo General Gomes Freire de Andrade e Castro, foram denunciados em Maio de 1817, julgados e executados em 18 de Outubro. O General Gomes de Andrade no forte de São Julião da Barra e, os restantes, no Campo de Santana, hoje Campo Mártires da Pátria, em Lisboa.

Durante uma deslocação de Lord Beresford ao Brasil, onde foi solicitar ao monarca mais poderes, no regresso foi impedido de entrar no país. Em 24 de Agosto de 1820, reuniram-se no Campo de Santo Ovídio, no Porto, hoje Praça da República, grupos de militares que, depois de ouvirem missa e dar uma salva de artilharia como inicio do levantamento, reuniram-se na Câmara Municipal dando origem à “Junta Provisional do Governo Supremo do Reino”, constituída por representantes de militares, do clero, da nobreza, da magistratura, da universidade, do comercio e das várias províncias do norte, cujo objectivo primeiro era:
● O imediato retorno da Corte para Portugal, visto como forma de restaurar a dignidade da antiga Metrópole, deslocada para o Brasil; e
● A restauração da exclusividade de comércio com o Brasil.

No mês seguinte, a 15 de Setembro de 1820, um grupo de oficiais subalternos, apoiado pela burguesia e pelo povo, depõem os regentes e constituem um Governo Interino. A 28, os governos de Lisboa e Porto, unem-se numa única “Junta Provisional do Governo Supremo do Reino”, para organizarem a eleição de Cortes Constituintes. As Cortes reúnem-se em 30 de Janeiro de 1821, aprovando uma Constituição provisória e um Conselho de Regência, para governar em nome de Dom João VI.

O monarca deixa o Brasil em 26 de Abril e chega a Lisboa em 3 de Julho de 1821. O Brasil proclama a independência a 7 de Setembro de 1822 e no dia 23 desse mesmo mês, é jurada a Primeira Constituição Portuguesa.

D. João VI, quando regressou a Portugal, deixou como regente o seu filho D. Pedro, herdeiro da coroa portuguesa, que se tornou imperador de Brasil em 12 de Outubro de 1822. Entretanto o monarca, D. João, tinha nomeado a sua filha D. Isabel Maria de Bragança como regente do reino, na ausência do herdeiro e seu irmão.

Assim, à morte do monarca, a 10 de Março de 1826, D. Pedro IV assume a coroa portuguesa, mas dias depois abdica a favor da sua filha D. Maria da Glória, em 28 de Março de 1826, uma vez que, a constituição brasileira, lhe vedava a possibilidade de ser soberano de mais que um país. Para obviar a possibilidade de D. Miguel, seu irmão, reivindicar a coroa de Portugal, ficou assente que a sua filha casaria com o tio, tentando, assim, selar um armistício entre os partidos que, cada uma das figuras tutelava: liberais e absolutistas.

Independência ou Morte! do pintor paraibano Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888) © Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Independence_of_Brazil_1888.jpg

A 23 de Junho de 1828, D. Miguel é proclamado Rei pelas Cortes Gerais do Reino. O novo monarca anula a Carta Constitucional e restabelece as antigas leis. O novo monarca é reconhecido pelo Vaticano, Espanha e Estados Unidos, enquanto as outras potências se mantêm na expectativa.

É exactamente nesse ano, de 1828, em que se comemoravam os 700 anos da Batalha de São Mamede, a primeira guerra civil portuguesa, que se inicia uma fase da nossa história, ligada à sucessão da coroa, que irá terminar numa nova guerra civil, que se prolongaria por quatro anos, envolvendo não só as ilhas atlânticas, mas estendendo-se, rapidamente, a todo o território nacional.

É perante este e outros acontecimentos que D. Pedro I, do Brasil, em 7 de Abril de 1831, abdica a favor do seu filho D. Pedro II, dirigindo-se para os Açores, onde irá formar exército para defender o direito ao trono de sua filha D. Maria. Nas ilhas dos Açores trava o Combate do Pico do Seleiro, ilha Terceira (4 de Outubro de 1828); a Batalha da Praia da Vitória, ilha Terceira (11 de Agosto de 1829); o Recontro da Ladeira do Gato, ilha de São Jorge (Abril de 1831) e o Combate da Ladeira da Velha, ilha de São Miguel (3 de Agosto de 1831).

Dos Açores parte para o norte do país, desembarcando na Praia dos Ladrões, rebaptizada como Praia da Memória, dando-se o Cerco do Porto (entre Julho 1832 - Agosto 1833), seguindo-se as Batalhas da Ponte Ferreira, freguesia de Campo, concelho de Valongo (23 de Julho de 1832); Batalha do Cabo de São Vicente (5 de Julho de 1833); a Batalha de Alcácer do Sal (2 de Novembro de 1833); a Batalha de Pernes (30 de Janeiro de 1834); de Almoster (18 de Fevereiro de 1834); de Sant’ana (24 de Abril de 1834) e da Asseiceira (16 de Maio de 1834).

A paz regressou ao reino com a assinatura da Convenção de Evoramonte em 26 de Maio de 1834, determinando o regresso ao trono da rainha D. Maria II, o exílio na Alemanha de D. Miguel e o fim da Guerra Civil Portuguesa.
Porém, esta guerra civil, marcaria o final de umas centenas de anos de nacionalidade, em que, no final de cada batalha, recolhidos que eram os corpos dos oficiais caídos em combate, ficavam os corpos dos soldados tombados no campo de batalha, aguardando não só serem “encontrados” pelos familiares, ou o habitual saque, especialmente aos estrangeiros, das populações próximas ou que se movimentavam atrás dos exércitos, mas que alguém lhes desse sepultura, que mais não era que uma vala comum aberta no local.

Esta guerra, a travada entre 1831 e 1834, foi a última em que este triste espectáculo aconteceu.
A partir desta altura, o campo de batalha mudou-se para África e Ásia, já que na América do Sul, o território brasileiro não era mais possessão portuguesa.

O estranho na situação de abandono dos corpos, tratando-se de corpos de militares, que mais não são do que “povo em armas em defesa da Mãe Pátria”, contrasta com a forma como, à época, as populações reagiram à lei, datada de 21 de Setembro de 1835 e assinada por Rodrigo da Fonseca Magalhães, que impunha a construção de cemitérios em campo aberto assim como a cobrança de taxas, e de tal forma “mexeu” com as populações que, uma dezena de anos depois de publicada, ainda não tinha sido implementada.

Um novo decreto, datado de 28 de Setembro de 1844, assinada por António da Costa Cabral, que vem reforçar a lei anterior de Rodrigo da Fonseca, reforçando não só a proibição do enterramento de defuntos nas igrejas, mas impondo o registo do óbito e a obtenção de licença sanitária para o depósito dos corpos nos cemitérios construídos a céu aberto, tendo de pagar despesas pelo funeral.

Revolta da Maria da Fonte 
© in A Ilustração v. II, pagina 71 

É daqui que resulta a Revolta da Maria da Fonte, iniciada em Fontarcada, uma freguesia da zona de Póvoa do Lanhoso, no Minho, e com forte participação feminina. O rompimento com uma tradição multissecular, só podia ser “obra do diabo”.

Os políticos não conseguem conter as crescentes manifestações populares, que já envolvem cartistas e setembristas, ou mesmo liberais e miguelistas, fazendo recuar aos problemas contemporâneos das Lutas Liberais, até que os militares passam à acção e se envolvem nas “contendas”.

Estes acontecimentos iniciam-se a 10 de Outubro de 1846 e, de golpe ou golpes, de revoltas, de intentonas, de alianças feitas e desfeitas, de convenções, de juntas governativas, tumultos e ameaças de intervenção estrangeira, falando-se, também, da abdicação da Rainha D. Maria II a favor de seu filho Pedro, futuro D. Pedro V, com a nomeação de um regente face à pouca idade do príncipe.

A Quádrupla Aliança assinada em 21 de Maio de 1847, formada pela Grã-Bretanha, Espanha e França e, logicamente por Portugal, vem sossegar os ânimos e, no cumprimento do articulado da mesma, a rainha D. Maria II, anuncia uma amnistia geral e promete cumprir com as condições do protocolo assinado.

Muitos nomes, de vários quadrantes políticos e militares, correm nas bocas de governantes ou governados, vindo tudo a acabar na Convenção de Gramido, assinada na Casa Branca do lugar de Gramido, em Valbom, Gondomar, em 19 de Junho de 1847, voltando a reinar no país a calma, pelo menos, aparente.

O apetite das potências europeias, dos finais de XIX, por África, alertou para a necessidade de Portugal rever a sua posição neste universo, já que o seu vasto império espalhado pelo mundo o tornava “mais pequeno” aos olhos das nações.

Mapa cor-de-rosa, apresentado por Portugal 
© Foto Google (DR) 

Por proposta de Portugal, tendo como país anfitrião a Alemanha e como organizador o Chanceler Otto von Bismark, é convocada a Conferência de Berlim, que decorre entre 19 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885, tendo representantes da Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano, além de Portugal e da Alemanha, que não tinha territórios em África.

Foi nesta conferência que a África foi retalhada, “redesenhada a régua e esquadro, fazendo tábua rasa da história, etnias e laços familiares do povo africano”. Os portugueses, que de certa forma se estabeleciam perto da costa, sem avançarem muito para o interior dos territórios, tinham alterado o seu procedimento e iniciaram o desbravamento do interior do continente africano, de tal forma que, aos fazerem o percurso “de Angola à Contra Costa (Moçambique)” e criando o célebre Mapa Cor-de-Rosa, puseram em causa planos acarinhados pela Inglaterra, que era a ligação por via férrea, sempre assente em território britânico, da cidade do Cabo, na África do Sul, ao Cairo, no Egipto, projecto de Cecil Rhodes.

Desta “nova atitude de Portugal” levou a que a Inglaterra, aliada de Portugal de longos anos que, em forma de memorando entregue, pelo Lord Salisbury em 11 de Janeiro de 1890, um “Ultimato” exigindo a retirada da força militar que se encontrava na zona situada ente Angola e Moçambique, comandada pelo Major Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

É a partir destes acontecimentos que se iniciam as Campanhas de Ocupação ou Pacificação, em África, que levou à mobilização de muitos militares para fazerem parte do Exército Colonial, já que existia um exercito colonial e um exército metropolitano, dependentes do Ministério das Colónias, o primeiro, e do Ministério da Guerra, o segundo. Muitas foram as expedições enviadas para as possessões, a fim de submeterem à soberania portuguesa as populações revoltadas, e que se prolongaram para além do final da Grande Guerra.

Os militares que tombavam em África, já tido como dado adquirido, ficariam sepultados lá, nos cemitérios das povoações próximas, cuja manutenção era atribuída às unidades que lá se encontravam.

Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal, em 6 de Março de 1916, já há bastante tempo que as tropas portuguesas se batiam contra os alemães em África: a Sul de Angola, onde ficava a África Ocidental Alemã; e a Norte de Moçambique, separada da África Oriental Alemã pelo Rio Rovuma.

Porém, era no teatro de guerra na Europa, que os governantes deste país, eleitos nos escrutínios que se seguiram à Implantação da República de 5 de Outubro de 1910, pretendiam entrar. Várias razões eram invocadas, para tal: a já várias vezes citada Aliança com a Inglaterra; a vontade de aparecer, ao lado das potências europeias, na assinatura de rendição da Alemanha; o manter as suas possessões de além-mar, já de si ambicionadas, por acordos secretos entre a Inglaterra e a Alemanha; a vontade de se apresentar com uma postura diferente da Espanha, apresentando valores diferentes.

Os ingleses embora não inviabilizando a hipótese da nossa colaboração, adiavam sempre essa possibilidade, até que essa “oportunidade” surgiu, no mês de Fevereiro de 1916, quando os ingleses por falta de “meios navais de transporte”, solicitam o aprisionamento dos navios que se encontrassem ancorados nos portos lusitanos.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

A 9 de Março seguinte, a Alemanha, pela mão de Friedrich Von Rosen, faz a entrega ao Ministros Português dos Negócios Estrangeiros da declaração formal da declaração de guerra, apesar de já ter havido vários combates com os portugueses em África desde 1914.

A 15 de Junho seguinte, o governo britânico convida, formalmente, a entrada de Portugal na guerra, ao lado dos aliados.

As condições de combate em África, apesar de adversas para os nossos soldados, já eram bastante conhecidas. Os Oficiais e Praças do nosso exército, conheciam bem o terreno, o clima e, sobretudo, os nossos opositores, instigados ou não por intuitos e interesses estranhos à nossa politica de além-mar.

Foram necessários esforços sobre-humanos para reunir e treinar, em pouco tempo, cerca de cinquenta e sete mil homens para formar o Corpo Expedicionário Português, além de mais cerca de trinta e dois mil mobilizados para África [Imagens da I Guerra Mundial – EME 1998 – pagina 193].

Em França, os militares do CEP encontraram uma forma diferente de combate: a guerra de trincheiras. Era um sistema da valas comunicantes onde, as unidades destacadas para a linha da frente viviam em condições insalubres, até porque as condições atmosféricas eram muito mais rigorosas e onde, o frio e a chuva não davam tréguas, provocando alagamentos onde, para tornar mais fácil a vida, era necessário recorrer a bombas de escoamento de água.

Quando soava a artilharia, antecedendo um combate próximo, poucas vezes não deixava no terreno vários mortos mas, se coincidia cair dentro de alguma trincheira, os números subiam, dependendo da quantidade de militares que se encontrassem nesse espaço, apesar do “desenho” das trincheiras prever essas defesas contra explosões. Depois havia as patrulhas na “terra de ninguém” que, ao cruzarem-se patrulhas antagonistas, acabavam por deixar os seus mortos nessa zona, até que a sorte de avanços e recuos, permitisse dar sepultura condigna.

A Pátria coroando um soldado português tombado em combate – Grande Guerra 
Pintura de Veloso Salgado – 1923 
Sala da Grande Guerra – Museu Militar – Lisboa (DR) 

Quando havia “barragem de fogo de artilharia”, o cair desordenado das granadas provocava, a maior parte das vezes o “enterramento” dos corpos caídos, mas também a sua reaparição, quando o solo era revolvido com a queda das granadas. Em 9 de Abril de 1918, deu-se a Batalha do Lys, assim apelidada pelos aliados, enquanto os Alemães lhe chamaram “Operação Georgette”, onde as forças do CEP sofreram uma das maiores ofensivas registadas em toda a guerra, tendo provocando um elevado número de baixas, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, sendo certo que unidades inteiras quase desapareceram.

Em França, segundo as fontes consultadas, foram registados 2086 militares “Tombados pela Pátria”, tendo as seguintes causas: Combate – 1310; gaseados – 70; desastre – 121; doença – 529; outros motivos – 56. Deste número, só 1882 têm sepultura conhecida, repousando 1831 em Richebourg, 44 em Boulogne-sur-Mer e 7 em Antuérpia. Registaram-se, como prisioneiros, 439 Oficiais e 6840 Praças, e feridos e/ou incapacitados 12.508 militares [Imagens da I Guerra Mundial – EME 1998 – paginas 164, 180 e 193].

O primeiro militar português a tombar foi o Soldado António Gonçalves Curado, mobilizado pelo Regimento de Infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, tendo embarcado para França em 22 de Fevereiro de 1917. Tombou em combate, na Flandres, no dia 4 de Abril de 1917. Foi transladado, para a sua terra natal, onde chegou a 31 de Julho de 1929, por iniciativa do Município de Vila Nova da Barquinha, onde os seus restos mortais foram depositados no Monumento Mausoléu, erigido para o efeito.

Em África, onde Angola e Moçambique faziam fronteira com possessões alemãs, tiveram combates desde 1914, nos quais tombaram 5621 militares, sendo 810 em Angola e 4811 em Moçambique. Foram registados, também em Angola 683 feridos e/ou incapacitados, enquanto em Moçambique eram registados 1592 militares.

A Campa Rasa, o Cristo das Trincheiras e o Lampadário – Sala do Capítulo – Mosteiro da Batalha 
© Foto Google (DR) 

Para saldar a “dívida de gratidão” de Portugal para com os seus “Militares tombados pela Pátria”, e na linha seguida pela Itália, Bélgica e Estados Unidos da América, seguido no ano de 1922 pela Grécia, Jugoslávia e Polónia, o governo tomou a decisão de fazer trasladar um soldado tombado na Flandres e outro tombado em Moçambique, que seriam inumados na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha, em campa rasa, o que viria a acontecer no dia 10 de Abril de 1921.

Apesar de, desde a implantação do regime republicano em Portugal, estar a exercer o seu mandato o 7.º Presidente da República e estar no Governo o 30.º Presidente do Conselho, todos eles, Presidente e Governo, olhavam o esforço dos militares como uma dádiva à Pátria, quer tombassem em combate, na defesa directa nas possessões portuguesas, quer fosse noutro local, como em França, para onde foram defender, ainda que indirectamente, o direito à manutenção da nossa soberania. Embora a terra tenha continuado o seu percurso de rotação sobre si, e a rotação à volta do sol, o ser humano manteve-se fiel à sua decisão de dominar o seu semelhante e, por este, o próprio mundo.

Em África, na Ásia ou na Oceânia, onde quer que houvesse alguma possessão portuguesa, continuávamos a ter uma presença militar para, em colaboração com os recrutados localmente, se ir mantendo a “lei e a ordem”, missões essas atribuídas às forças armadas, além da administração desses territórios, mantendo para tal, os militares dos Quadros Coloniais ou, se necessário, o envio de forças de reforço. Foi assim que, após o eclodir da II Guerra Mundial, e em consequência da evolução das tropas do eixo no terreno, que Portugal, já em regime de Estado Novo, e a Espanha, após a guerra civil espanhola, acordam entre um Pacto de não agressão, a fim de manter a neutralidade face aos acontecimentos que, em crescendo, vai envolvendo uma parte substancial dos países do globo.

É neste conflito que os países beligerantes “descobrem” as ilhas atlânticas portuguesas, nomeadamente os Açores e Cabo Verde. Nos Açores e, por arrastamento, a Madeira, são reorganizadas e redistribuídas pelas ilhas as forças locais, que também são reforçadas com tropas mobilizadas no continente.

Cabo Verde - Ilha de São Vicente - Mindelo - Cemitério de Mindelo – 1943 
Foto do álbum de Luís Henriques (1920-2012), ex-1º Cabo nº 188/41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5. Oferecido pelo seu amigo Boaventura no dia 17-8-1943, dia em que ficou livre da junta (hospitalar). 
© Foto: Blogue Luís Graça e Camaradas da Guiné (DR)

Diferente foi em Cabo Verde. A reorganização do exército, prevista para este arquipélago, ainda não se tinha iniciado, pelo que foi necessário guarnecer este território com tropas metropolitanas que, devido à distância e falta de equipamentos, foi necessário transportá-los, via marítima e, no local, encontrar forma de desembarcá-los.

Aí ficarão, para sempre, os militares que, devido à agressividade do clima, não resistiram às doenças. Impressionantes são as imagens que nos chegaram, dos arquivos dos próprios expedicionários que, quando se preparavam para regressar à metrópole, não deixaram de desfilar “em continência” perante as campas dos seus camaradas, num adeus sentido, que só os militares sabem sentir.

A vintena de anos que marcam a transição da primeira para a segunda metade do século XX, da África à Oceânia há um “vento de revolta” que vai mudar a face daquela parte do planeta.

A 15 de Agosto de 1947, a coroa inglesa concede a independência à Índia, passando este território a ser governado por Jawaharlal Nerhu. Assim que é declarada uma Republica e aprovado o texto governamental, em 26 de Janeiro de 1950, a União Indiana passa a reivindicar a posse dos territórios que Portugal detinha naquelas paragens. Em 24 de Junho de 1954, sem qualquer aviso prévio ou sinal que o fizesse prever, invade e ocupa os territórios de Dadrá e Nagar Haveli e impede a entrada naqueles territórios de qualquer força militar não indiana. Perante esta invasão, Portugal envia mais forças militares para a região, tendo-se registado o total de cerca de 12.000 efectivos e três navios de guerra. Dada a defesa ser muito difícil, devido à dispersão dos territórios e, face ao início da revolta armada em Angola, é decidido baixar os efectivos para cerca de 3500 militares, tendo sido os excedentes distribuídos pelos outros territórios.

Estado Português da Índia em 1961

Como em 1954, e após um incidente ocorrido em 17 de Novembro de 1961, começam a notar-se alguns movimentos militares que têm o seu epílogo no dia 18 de Dezembro seguinte, quando o Estado Português da Índia é invadido por uma força militar de cerca de 45.000 efectivos. A aviação ataca as embarcações que se encontram na área e, desta forma, dá-se o último combate da Marinha Portuguesa no Índico. Em terra, dada a fraca qualidade dos armamento e pouca quantidade de munições, e sendo a proporção do ataque de 10 para 1, contra as nossas forças, foi transmitida a ordem de “alto ao fogo”, dando-se a rendição.

No rescaldo desta acção houve 31 militares tombados e 57 feridos em combate, e o aprisionamento de 3306 militares, encontrando-se entre eles o próprio governador, além de um número indeterminado de civis.

O Governo de Portugal recusa-se a negociar com a União Indiana, ficando os prisioneiros “abandonados” nos campos de concentração, até que em Maio de 1962, se iniciou a repatriação dos prisioneiros, através de uma ponte aérea para Carachi, no Paquistão, e daqui para Lisboa em três navios enviados de Lisboa, tendo chegado a Lisboa em 22, 26 e 30 desse mês de Maio de 1962.

Quando chegam a Lisboa os navios que transportam os ex-prisioneiros de guerra da Índia, os militares repatriados só saíram sob forte dispositivo de segurança militar, sendo esta atitude justificada “pela necessidade de os proteger da população, que os queria linchar pela cobardia demonstrada”.

No cais apenas alguns familiares e amigos dos regressados.
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Nota de CV:

Vd. primeiro poste da série de 4 de Outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10479: Os Soldados não morrem, apenas tombam no campo de honra (1) (José Martins)

Guiné 63/74 - P10485: Notas de leitura (414): "História da Guiné, Portugueses e Africanos na Senegâmbia, 1841-1936", por René Pélissier (3) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 8 de Agosto de 2012:

Queridos amigos,
O segundo e último volume da história da Guiné de René Pélissier abarca a última década do século XIX até à última campanha de pacificação, em 1936. Temos, pois, o período da confirmação de fronteiras, das dolorosas guerras de Bissau, das guerras luso-mandingas e de um interminável número de expedições por todo o território, ficando bem claro que mesmo com a chegada da República a vida dentro de Bissau não era segura; as campanhas de Teixeira Pinto irão revolucionar o modo de relação ente animistas e muçulmanos e a autoridade portuguesa.
A bibliografia citada por Pélissier é gigante, fica-se com a quase certeza que demorará muito tempo a aparecer um investigador como ele.

Um abraço do
Mário


A história da Guiné por René Pélissier (3)

Beja Santos

A seguir à Convenção Luso-Francesa (1886) as fronteiras do enclave conhecido poe Guiné portuguesa ficam praticamente definidas (haverá campanhas de demarcação), impunha-se uma ocupação efetiva do território, a celebração de acordos de paz com etnias recalcitrantes, a compra de vassalagens e a exploração de alguns conflitos interétnicos. No princípio, tudo se revela difícil: os Papéis à volta de Bissau andam constantemente agressivos, Mussa Molo, diretamente ou por entreposto agente, devasta até ao Geba, o que leva a que, em Janeiro de 1892, Sousa Lage vá à frente contra Mali Boiá, a expedição sobe ao regulado de Mancrosse, arrasam-se tabancas e seguem depois para Mansoná, prossegue-se para Gussará, a resistência é mínima, a coluna sairá vitoriosa e depois regressará a Geba. Mas Mussa Molo não cede, ele detém o poder real no Alto-Casamansa, é o senhor do Firdu, também no Casamansa. Em 1893, Mussa Molo pede ao comandante de Farim para atravessar o posto e o rio a fim de fazer a guerra na região do Geba, parece uma fanfarronada, de imediato vêm canhoneiras defender Farim e travar as ambições de Mussa Molo. As autoridades portuguesas pedem às autoridades francesas para porem cobro às ameaças de Mussa Molo. O torno luso-francês está em marcha para esmagar este dirigente insubmisso, incómodo para as duas partes. Prosseguem as guerras em Bissau, dispendiosas e em que as populações dentro da fortaleza estão permanentemente inseguras. A autoridade portuguesa alarga-se no final do século. Em 1896, há postos militares em Geba, São Belchior, Sambel-Nhanta, Contabane, Cacine, Bolola, Cacheu, Farim e Buba. Com êxito, procede-se contra os manjacos de Caió. Em 1897, parece que se pôde obter a paz contra os Mandingas e os Soninquês. É o exato momento em que Infali Soncó, régulo do Cuor, ganha posições e pretende fechar o Geba ao comércio dos portugueses. Infali Soncó será uma permanente dor de cabeça até 1908, altura em que uma expedição militar de grande envergadura porá o régulo em fuga.

As campanhas militares serão uma constante até 1936: o governador Júdice Biker lança-se no Oio contra os Soninquês e consegue impor o imposto de palhota (1902), o Oio fica aparentemente domesticado; haverá frequentes expedições contra os Papéis e de repente surge um aventureiro senegalês ao serviço dos portugueses, Abdul Indjai, irá revelar-se um fiel apoiante de Teixeira Pinto mas mais tarde será deportado devido aos seus excessos; o governador Muzanty fará uma expedição aos bijagós e depois ao Cuor, segue-se a campanha de Badora contra o Beafadas e também contra os Beafadas do Quinara, por fim contra os Felupes de Varela. René Pélissier traça o quadro dfe Adbul Indjai esse mercenário tão complexo: inicialmente foi um comerciante ambulante que passou por Ziguinchor; terá entrado na Guiné em 1894, ao serviço de uma casa francesa e depois apresenta-se ao lado do governador Sousa Lage; parece ter-se ficado em Geba no início dos anos 1900, encarregando-se de fazer com que o imposto fosse pago pelos Soninquês; teria um bando de senegaleses ao seu serviço e ter-se-ia instalado no Ganadu de onde pilhava aldeias de Mandingas e Fulas; em 1906 foi deportado durante ano e meio para São Tomé pelo governador Muzanty; perdoado, teria regressado à região de Geba, onde foi alistado na campanha de Muzanty contra os Beafadas de Badora e do Cuor; corajoso condutor de homens, era um senhor da guerra em toda a acepção do termo; com os sucessos do Oio e a fuga de Infali Sonco, Muzanty nomeou-o régulo do Oio e do Cuor.

É neste contexto de campanhas intermináveis, de embaraçantes guerras fiscais, de operações contra os balantas, e tendo ocorrido a queda da monarquia e o aparecimento da República, que René Pélissier elenca um conjunto de factos de importância indiscutível: a criação da liga guineense, formada por notabilidades, comerciantes que reclamavam uma maior autonomia, atraindo para a sua causa funcionários e profissões liberais; com a República e o reconhecimento do direito à greve, ocorrem greves logo em Junho de 1911, em Bolama; persistindo as sublevações, repensa-se um plano de conquista e o capitão João Teixeira Pinto (1913-1915) entrou em ação. René Pélissier diz a seu respeito: “Não veremos em Teixeira Pinto um brilhante produto de uma escola de guerra pois que, sem grande diferença, retoma os métodos de todos aqueles que tiveram de se bater com a ajuda de irregulares na Guiné, desde Marques Geraldes em 1886, Sousa Lage, em 1891-1892, Graça Falcão em 1897 e, em certa medida, Júdice Biker, em 1902, no Oio. Onde a sua superioridade se anuncia com mais clareza é na sua minúcia e na sua perseverança. Além disso, beneficia de 3 circunstâncias favoráveis e de um trunfo inestimável: a) o seu teatro de operações está inteiramente circunscrito entre os rios Cacheu e Geba, de onde uma centralidade colonial que lhe evita fricções com os Franceses e encurta singularmente as suas linhas de abastecimento; b) chefe de um Estado-maior de um governador pacífico (Carlos de Almeida Pereira) a quem tem de forçar a mão; c) tem muito poucas tropas, mas alguns bons oficiais e, sobretudo, sabe encontrar e utilizar chefes de mercenários à altura das suas aspirações. A esse respeito, um Abdul Indjai ou um Mamadu Sissé vão compensar pela sua coragem e pelo seu ascendente a fraqueza dos efetivos portugueses; d) obsidiado por uma ideia fixa: ser o liquidador das bolsas animistas, não tem naturalmente muitos escrúpulos em utilizar os islamizados contra esse reduto insubmisso”. Segue-se a descrição das diferentes campanhas de Teixeira Pinto que culminam com a pacificação da Península de Bissau, tudo termina com a rendição de Biombo em 20 de Julho de 1915.

Teixeira Pinto é chamado à metrópole e inicia-se um período que vai levar à prisão de Abdul Indjai, ocorrem novos focos de revoltas, em 1915 Calvet de Magalhães manda construir a primeira pista rodoviária de Bafatá a Bambadinca e em 1921 surge um governador que deixará rasto, Velez Caroço. O autor designa-o por um verdadeiro mouro de trabalho e obnubilado pelo exemplo do general Norton de Matos em Angola. Será ele quem transformará a Guiné fluvial numa Guiné terrestre: rasgam-se caminhos para Farim, Bafatá, Cacheu e destas para além fronteiras. É um tempo febril de construções no sertão, Velez Caroço é um homem de estradas e pontes. Não obstante, no seu tempo ocorre uma sublevação dos balantas de Nhacra, prontamente sufocada. Velez Caroço adverte que não contemporizará com quaisquer sublevações. Em 1925 obriga à submissão os Bijagós rebeldes.

Chegou o período da Ditadura Nacional, o sucessor de Velez Caroço é Leite de Magalhães, antigo governador do Cuanza Norte, as últimas rebeliões serão sufocadas, com destaque para a dos Felupes de Susana. Parece que se chegou a um clima de aceitação do poder português: cobram-se impostos, criam-se estradas e pontes, e em 1936 o autor regista um problema de fundo, o relacionamento entre os portugueses metropolitanos na Guiné e os cabo-verdianos, os brancos dizem abertamente que estes cabo-verdianos instruídos têm uma mentalidade de guarda de forçados das galés em relação aos negros. A tal propósito escreve o autor: “A Guiné volta a ser uma colónia de Cabo Verde, ou melhor, de certos cabo-verdianos, bem mais claramente que durante o período de 1879-1909. Em 1936, metade dos funcionários de craveira média são cabo-verdianos. Nos 6 mil civilizados e assimilados da Guiné, em 1933, avalia-se que mais de metade são cabo-verdianos”.

Em 1936, com a 4ª e última campanha de Canhabaque, nos Bijagós, chegou oficialmente a pacificação. A Guiné irá ficar ordeira até à luta armada, em 1963. Entretanto, com o pós-guerra, a Guiné irá conhecer uma fase de franco desenvolvimento graças a um governador de exceção, Sarmento Rodrigues. Mais adiante, recorrendo ao trabalho de António Duarte Silva, iremos falar desse tempo.
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Nota de CV:

Vd. postes da série de:

28 de Setembro de 2012 > Guiné 63/74 - P10447: Notas de leitura (412): "História da Guiné, Portugueses e Africanos na Senegâmbia, 1841-1936", por René Pélissier (1) (Mário Beja Santos)
e
1 de Outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10462: Notas de leitura (413): "História da Guiné, Portugueses e Africanos na Senegâmbia, 1841-1936", por René Pélissier (2) (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P10484: Controvérsias (128): Contemos as nossas experiências e deixemos as especulações para quem não esteve lá... Parte II (Carlos Vinhal / Luís Graça)

1.  Na sequência da manutenção periódica ou ocasional que fazemos do nosso blogue (em geral, eu ou o Carlos Vinhal) podem ocorrer "erros técnicos": basta carregar na tecla errada... 

Foi o que me aconteceu hoje com o poste P6207, de 2 de maio de 2010 (!), da autoria do Carlos Vinhal (*)... Ao fazer a sua atualização (automática), ele ficou com a data de hoje, e não com data  original (2/5/2010)... 

Como continha "material  explosivo, logo polémico", e para mais incluído numa série que se chama "Controvérsias", o poste P6207 foi logo alvo de comentários de leitores madrugadores... 

De manhã dei conta do meu lapso, mas não reparei na existência de novos comentários... Voltei a editar o poste e arrumei-o, direitinho, no sítio a que ele pertence, 2 de maio de 2010, entre o poste P6206 e o poste P6207.... 

Há um bocado, antes da hora do almoço, estava eu para sair de casa, telefona-me o nosso AGA a perguntar pelo poste, pelo comentário que tinha inserido, enfim, intrigado com o seu desaparecimento de "cena"... Lá lhe dei amavelmente, como sempre, as explicações técnicas que lhe tinha a dar... E que ele aceitou plenamente. 

No regresso a casa, decidi fazer um poste, na mesma série,  com o material dos comentários datados de hoje, de modo a permitir que a discussão prossiga entre bons camaradas e melhores amigos que todos nós somos...  Com esta história, ainda não almocei, mas é bem feito: para a próxima, terei mais cuidado de modo a não tocar na tecla errada...

As minhas desculpas a todos, a começar pelo Carlos Vinhal. com quem ainda não consegui falar ao telefone (fixo), e que não sei se chegou a ter tido o privilégio de ver o seu poste de novo reeditado,  dois anos e meio depois... LG

2. O poste original (*)  começava assim: 

"Comentário de Carlos Vinhal*, ex-Fur Mil, CART 2732 (Madeirense), Mansabá, 1970/72, na qualidade de tertuliano:

"Alguns considerandos em relação ao poste 6292** de hoje, 2 de Maio de 2010
"Camaradas
"Este blogue está a deixar-me deprimido.

"Julgava eu que nós, os portugueses, somos um povo de brandos costumes, hospitaleiros, afáveis, amantes da paz, amigos dos vizinhos, etc., e afinal somos (ou fomos) um bando de assassinos na guerra colonial. Posso excluir-me? Muito obrigado". (.-..)

3. Comentários com data de hoje, 5 de outubro de 2012, (último) feriado do dia da República, por ordem cronológica:

(i) Antº Rosinha

Em geral todos os massacres (Wiriamu, Pijiquiti, baixa de Cassange...) abusos e quaisquer maus tratos a civis ou guerrilheiros foram ou estão relatados, esmiuçados e sobredimensionados, caso do Pijiquiti que ficou para a história como 50 mortos arredondados e desmultiplicados.

Mas,  juntando às gabarolices e fanfarronices, muitas vezes de militares que nem tiros deram, havia a desinformação, ou contra informação organizada por gente de "muitas cores" que se encarregava de enviar tudo bem cozinhado para Brazaville, Argélia, Rádio Praga, Rádio Moscovo, Rádio Tirana...e à volta do mundo.

Sem falar nos comícios justificativos do 25 de Abril nas diversas cidades lusas e tropicais, em que se ia buscar até a escravatura para o Brasil.

Sou retornado, imaginem o que ouvi, e retive quando passei cá o verão de 1974.

Nos muito falados massacres de Luanda (da reacção dos brancos) em que até se fala em valas comuns, nem o MPLA e o FNLA, já organizados,  os mencionavam; no entanto ficou principalmente pela boca de muitos que nem um tiro sabiam dar, como tendo sido grandes massacres.

Individualmente e em reacções inesperadas não terá havido talvez companhias e unidades em que não tenha havido abusos, a que eu próprio assisti, mas  o colectivo em geral reage contra o ou os abusadores.

Ninguém tenha dúvidas que o IN estava devidamente organizado para que se fizesse qualquer abuso em segredo.

Está tudo bem denunciado e em geral por excesso, nos vários campos de guerra.

Sexta-feira, Outubro 05, 2012 12:42:00 a.m. 

(ii) jpscandeias 

Só quem lá não esteve é que não sabe as histórias normalmente, com um pequeno fundo de verdade, que davam azo a que se fizessem as mais mirabolantes fábulas que depois circulavam pela província, tinham, normalmente, origem em Bissau, placa giratória, depois seguiam para o mato e eram divulgadas de boca em boca.

Como é apanágio do nosso povo, cada um acrescentava um ponto. Se alguma vez, penso que nunca será feito, alguém de der ao trabalho de contabilizar os IN abatidos pelas nossas tropas, excluindo as tropas da província da Guiné, companhias de comandos africanos, companhia de caçadores africanos e milícias, devemos encontrar um número superior a população da Guiné da época. 

Por outro lado o número de baixas, em combate, ou para ser correto, em campanha, também não vai coincidir com os números oficiais e por uma diferença abismal. É com espanto e admiração quando por vezes, felizmente poucas, sou confrontado em conversas informais sobre as experiências de ex-combatentes da Guiné, o que conheço, e é a mais “mediática”, penso: ´Foram eles que lá não estiveram ou fui eu?'...

 Até os que cumpriram o serviço em Bissau no QG, a controlar os passaportes, tem histórias de guerra de uma violência atroz. Passados 38 anos do arrear da bandeira ainda não conseguimos descer à terra e, provavelmente, enquanto houver gente viva, dos que por lá passaram, iremos continuar a ouvir estórias. 

Aos historiadores cabe, com o distanciamento que só o tempo permite, repor a verdade. Como, todos ouvimos, enquanto por lá andamos, todos querem fazer “manga de ronco”, mas a verdade é que poucos o fizeram. Poucos estiveram debaixo de fogo na mata. Muitos foram flagelados nos aquartelamentos. Outros sofreram ataques aos quartéis mas só o souberam depois e por exclusão de partes. Mas devo dizer que Bissau, Bolama, Gabu ( Nova Lamego), Bafatá, ou mesmo Cabuca eram uma coisa. Xime, Guileje, Buruntuma, etc, etc, etc. era outra coisa. 

E, já agora, as companhias africanas, nos anos de 1970 a 1974, também era outra música, e por lá passaram poucos. Termino com uma máxima utilizada no exército português: 'O boato fere mais que uma lâmina'.
jc

Sexta-feira, Outubro 05, 2012 1:12:00 a.m. 

(iii) António Graça de Abreu

Não tenho vontade de alinhar comentários, mas tem de ser. 

Ainda há dois dias chamaram-me "ultracolonialista, super herói e vencedor" e logo algumas almas boas do blogue assinaram por baixo e bateram palmas. Bofetadas bem dadas, de luva branca, segundo escreveu o Manuel Reis.

"Assassinos coloniais", lembrou e bem o Mexia Alves, foi uma das muitas frases com que nos insultavam logo depois do 25 de Abril. Qual Shelltox? Nós éramos uma espécie de malfeitores e facínoras de guerra. Eram as orelhas dos africanos em frascos de álcool, os massacres quotidianos de homens, mulheres e crianças,etc. Nós havíamos sido os agentes militares do regime colonial fascista, ainda por cima vergonhosamente "derrotados militarmente" na Guiné. Éramos ou não éramos as tropas capazes de todos as carnificinas ao serviço da política criminosa de Salazar e
Caetano?

O historiador francês Pélissier, o tal que tem tantos admiradores no blogue, afirmou em 2007 (e recordo outra vez porque isto anda tudo ligado):

"Para a história colonial portuguesa basta consultar os autores de língua inglesa. Há séculos que a maior parte a denuncia como negreira, arcaica, brutal e incapaz: a quinta essência do ultracolonialismo sob os trópicos".

Todos nós, ex-combatentes em África somos agentes e fautores da história colonial portuguesa, na sua fase final. Segundo o ilustre francês fomos ou não fomos gente "negreira, arcaica, brutal e incapaz"? Qual a surpresa de nos chamarem criminosos e "assassinos coloniais"?

O Carlos Vinhal tem toda a razão. Vamos contar as nossas experiências e mandar as especulações de quem não esteve lá, como o Pélissier que nunca foi sequer à Guiné, para o caixote do lixo da História. E estou a ser brando, às vezes apetece escrever um palavrão.

Fico por aqui. Somos pessoas dignas, merecemos todo o respeito como ex-militares e como homens, o respeito das gerações mais novas, o respeito da História.

Abraço do "ultracolonialista, super herói e vencedor",

António Graça de Abreu
Sexta-feira, Outubro 05, 2012 3:11:00 a.m.

(iv) C. Martins

Mas que descriminaxão é esta.
Nos beirões ninguém fala.
Nós ca té xomos comó granito "bem rigios e morenos".
Donde é que era o xenhor Viriáto ? ...oh cambada.
Fiquem xabendo que não xomos nada inferiores a voxezes..a matar..claro.
Cais madeirenxes cais carapuxa.
Um beirão ofendidiximo.

C.Martins

Sexta-feira, Outubro 05, 2012 5:29:00 a.m. 

(v) Jorge Cabral [ alma ]:

Humildade! Humildade! Humildade!

A nível individual, mas também e  talvez principalmente, a nível colectivo.

Distinguir o relato da ficção! Não olhar o ontem apenas com os olhos de hoje! Não transformar Alferes em Coronéis!

E ter a consciência que milhares e milhares de ex-combatentes nunca ouviram falar do Senhor Pélissier.. nem nunca pensaram se a Guerra foi ganha ou perdida..

Um Micro-Tabanqueiro, que foi uma espécie de Alfero-Básico.

JCabral

Sexta-feira, Outubro 05, 2012 10:04:00 a.m. 

(vi) Cherno Baldé

Caros amigos,

Não queria comentar, mas tem que ser.

Depois da confusão que, para mim, representou o acordo ortográfico que, parafraseando J. Cabral, nos retirou os nossos "afectos" e já agora, os nossos factos com "c"; agora é o AGA que impõe, sem reservas e sem qualquer acordo, que "ultranacionalista" é, também, sinónimo de "ultracolonialista". Uma manobra de vitimização?

Eh. Eh... A gente está sempre a aprender..., mas atenção!, antigos combatentes, o Pélissier, no caso da Guiné, que eu saiba, não se debruçou sobre a guerra colonial. O seu livro estabelece claramente os marcos (1841-1936).

Vamos acompanhar a recensão do MBS para podermos fazer o nosso próprio juízo, nacionalismos à parte.

Um abraço amigo para todos e um especial ao C. Vinhal que tem todo o meu apoio.

Cherno Baldé

Sexta-feira, Outubro 05, 2012 11:08:00 a.m. (***)


Guiné 63/74 - P10483: In Memoriam (129): José Aires da Silva, ex-Soldado da CART 2732, falecido no dia 3 de Outubro de 2012 no Funchal (Carlos Vinhal)

Faleceu o Aires da CART 2732

1. Fomos apanhados de surpresa. O nosso camarada Juvenal Pereira fez-nos chegar a infausta notícia do falecimento, na passada quarta-feira, de forma repentina e inesperada, do nosso camarada José AIRES da Silva da CART 2732.

Conceituado empresário do Funchal, que se dedicava ao restauro e comércio de antiguidades, era também proprietário do Madeira Bright Star Hotel, onde ficaram instalados alguns dos camaradas continentais que se deslocaram ao Funchal, aquando do Encontro da CART 2732, em Abril de 2010.

Militar com um sentido de responsabilidade acima da média, foi-lhe confiada a gestão do Bar dos Praças do quartel de Mansabá, assim como do armazém geral, onde eram guardados os artigos destinados ao abastecimento dos bares de Oficiais, Sargentos e Praças da CART 2732.

Aqui fica a nossa singela, mas sentida, homenagem a este camarada que agora nos deixa.


Funchal, Abril de 2010 - Convívio dos 40 anos do embarque para a Guiné - Visita ao antigo BAG2, a nossa Unidade mobilizadora - O Aires, à esquerda, em amena cavaqueira com um camarada da 2732


Funchal, 18 de Março de 2012 - No Convívio/Comemoração dos 40 anos do regresso da Guiné, o Aires, à direita, em conversa com um camarada da CART

À família enlutada, apresentamos os nossos sentidos pêsames e a certeza de que jamais esqueceremos o seu ente querido.


2. Mensagem do nosso camarada Inácio Silva deixada na página da CART 2732:

Foi com profunda tristeza e sentido de perda que recebi a notícia do falecimento do nosso camarada de guerra, José AIRES da Silva.
Sempre nutri uma grande admiração e amizade pela sua lealdade e pelo seu espírito alegre e de gargalhada espontânea cativante, bem como pela sua inteligência e perspicácia.
Sempre apreciei a sua frontalidade e firmeza de convicções e o seu dom para o negócio.
Foi um homem de trabalho, de luta e de realizações pessoais admiráveis, em busca do seu bem-estar e da sua família, com quem tive o grato prazer de privar.
Pelo homem, pelo amigo, pelo pai, pelo empresário, deixo aqui a minha perene mas profunda admiração e respeito.
À sua família, endereço as minhas sentidas condolências.
Inácio Silva

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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 4 de Outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10480: In Memoriam (128): Laranjinha, Oliveira, Barreto, Monteiro e Soares, da CCS/BCAÇ 2912, vítimas de um manuscrito no dia 01OUT71 em Duas Fontes (António Tavares)

Guiné 63/74 - P10482: Álbum fotográfico do ex-1º cabo Manuel das Neves, o "Manuel da Canada", açoriano da ilha do Pico (CCAÇ 1438, 1965/67): Guileje: "Foi aqui que eu rezava todos os dias 3 e 4 terços, o helicóptero é que nos deixava cair a ração de combate, ele não podia parar"



Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel do Canadá > Foto nº 1 > O Manuel das Neves, açoriano,   no regresso de Cacine, depois de uma operação de seis dias na Mata do Cantanhez. Na mão direita, uma ração de combate (?). E apresenta-se descalço. Em primeiro plano, espingardas G-3 (julgo tratar-se da versão original com punho e fuste de madeira, usadas ainda em 1965,  no TO da Guiné) (LG).

Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 1 > Legenda manuscrita  no verso.


Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 2 > Destacamento onde esteve o pelotão do Manuel da Canada e onde sofreu um  ataque ou flagelação... Topónimo ilegível [Nhacobá ?].


Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 2 > Legenda manuscrita no verso


Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 3 > Estrade de Guileje... Vejam-se as lianas atravessando a estrada, terraplanada, e aparentemente com bom piso...



Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel d
a Canada > Foto nº 3 > Legenda manuscrita no verso


Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 4 > Tabanca de Guileje... No verso lê-se: "Foi  aqui que eu rezava todos os dias 3 e 4 terços, o helicóptero é que nos deixava cair a ração de combate, ele não podia parar".


Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 4 > Legenda manuscrita no verso.



 Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 5 >  Bandeira nacional e galardão da companhia, com os nomes dos lugares, à esquerda, por onde o pessoal andou (mais de um dúzia) e possivelmente os nomes dos camaradas, à direita,  que morreram (cino ?) (*)... No verso, lê-se apenas a seguinte legenda: "Esta foto foi de todos os lugares [em] que nós [es]tivemos em combate".


Guiné > Região de Tombali >  CCAÇ 1438 (1965/67) >  Álbum fotográfico do Manuel da Canada > Foto nº 5 > Legenda manuscrita no verso

Fotos: © AD - Acção para o Desenvolvimento (2007). Todos os direitos reservados [Fotos editadas por L.G.]

1. A CCAÇ 1438 foi mobilizada pelo BII17 – Angra do Heroísmo, Açores. Chegou à Guiné no dia 18 de Agosto de 1965 e regressou a 18 de Abril de 1967.  Passou por Bissau, Buba, Cumbijã, Colibuía e, por  fim, Quinhamel. Em Outubro de 1966 estava em Quinhamel. Foi seu comandante o cap inf Eugénio Batptista Neves.

Não temos nenhum representante desta companhia, independente, na nossa Tabanca Grande. Estas fotos fazem parte do nosso arquivo desde 2007. Foram-nos disponibilizadas pela ONG AD - Acção para o Desenvolvimento, no âmbito do projeto Núcleo Museológico Memória de Guiledge. O ficheiro onde estão contidas, de cerca de 2,5 GB, está na seguinte pasta:  Guiledje Visual > Acervo Visual Colonial > Guerra em Guiledje >  Fotos das Companhias > G- Manuel da Canada - C[CAÇ} 1438 (1965). São cinco ao todo, numeradas de 1 a 5, com legendas manuscritas no verso.

Não temos mais quaisquer elementos que nos permitam identificar este camarada, que se assina por "Manuel da Canada" [, e não do Canadá. como inicialmente pensei].  Só o Pepito nos pode explicar como é que estas fotos foram parar a Bissau, ao bairro do Quelelé... Na lista das 11 unidades que passaram por Guileje, elaborada por Nuno Rubim (Gráfico a seguir), não consta a CCAÇ 1438. Em 1966, a unidade de quadrícula era CCAÇ 1424, de que ele próprio. Nuno Rubim, foi comandante (o 2º de três). Esta companhia, que pertencia  ao BCAÇ 1858 (Bissau, Teixeira Pinto e Catió) passou por Bolama, Cachil, Guileje, Sangonhá e Bissau.

O nosso camarada Manuel da Canada assegura que esteve em Guileje. Não diz quando nem quanto tempo... (A CCAÇ 1438 sofreu pelo menos um morto em combate, em Guileje, em 9/10/1965)(*). Se ele nos estiver a ler, ele ou alguém da sua companhia, que nos esclareça. Já agora, teríamos todo o gosto em que o Manuel da Canada entrasse para a nossa Tabanca Grande. Pode contactar-nos através do nosso endereço de email: luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com .

Desejamos-lhe muita saúde e longa vida.



Infografia: © Nuno Rubim (2008) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados

3. Correspondência recentemente trocada com o Pepito e o seu amigo açoriano Ernesto Ferreira:

(i) De Luís Graça para Pepito.

Pepito: Tens ideia de que te arranjou estas fotos ?... Esta companhia não esteve "oficialmente" em Guileje, mas teve lá pelo menos um morto em outubro de 65... Eram açorianos... Não tenho tido notícias do Nuno Rubim, estou preocupado, vou-lhe telefonar... Um abração (Por cá é feriado, o último 5 de outubro... Viva a República!)...

(ii) Do Pepito para L.G.:

Luís:  Estas fotos obtive-as quando fui aos Açores (ao Pico) e pedi a um colega e amigo meu de Agronomia que identificasse ex-militares que tivessem estado em Guiledje. Ele deu-me estas fotos com as legendas que conheces. Eu nunca estive com ele [, o Manuel do Canadá], mas quem o conhece é o tal amigo meu,  Ernesto Ferreira [...] que lá está.
abraços
pepito


(iii) Mensagem do engº agrónomo Ernesto Ferreira /que entretanto informara o Pepito de que o militar em questão já tinha falecido: "Caro amigo, tenho a comunicar-te que infelizmente esse amigo que me deu as fotos já faleceu há cerca de 5 anos de [doença][. Um abraço. Ernesto"):

Caro Luís Graça, não o conheço pessoalmente, mas teria muito gosto. Os amigos dos meus amigos, também meus serão, ainda mais sendo daqueles "do peito", como é caso!!!

Pois relembrando o Manuel da Canada (e não do Canadá), a cuja família informarei destas diligências e do vosso interesse, a seguir passo a descrever os seus dados:

Manuel Fernando Garcia das Neves, natural da freguesia da Candelária, Concelho da Madalena do Pico, Açores - Companhia 1438, 1.º pelotão, 1.º cabo n.º 415.
Aproveito para o informar que estes dados me foram facultados por outro ex-combatente da mesma companhia, por sinal meu compadre (o meu filho mais velho casou com a respetiva filha), cujos dados são: António Fernando de Oliveira Garcia, natural da freguesia da Criação Velha, Concelho da Madalena do Pico, Açores - Companhia 1438, 4.º pelotão, 1.º cabo n.º 416.
Anos- 1965 a 1967

Dado que o meu compadre estará disponível para mais alguma informação, não se coiba de me contactar.
Um abraço.
Ernesto Ferreira

(iv) De L.G, para Ernesto Ferreira: 

Meu caro engº Ernesto: 
Obrigado pelas fotos e pelas informações adicionais sobre o seu amigo e nosso camarada Manuel. Lamentamos a sua morte. E gostaríamos que a sua memória ficasse viva no nosso blogue. Seria também um homenagem aos restantes militares açorianos desta companhia, a CCAÇ 1438, de que não temos ninguém conhecido e registado. É possível saber o nome completo do Manuel da Canada ? Do seu posto, soldado, 1º cabo ? Naturalidade ?..

Fico-lhe muito grato. Luís Graça

(v) De L.G, para Ernesto Ferreira:

Meu caro Ernesto:

Aprecio muito essa franqueza e frontalidade, tipicas das gentes dos Açores!...  Temos, para já, um amigo em comum que é o Pepito. Aproveitando a sua amabilidade, peço-lhe que me explique a razão de ser do nome do Manuel Fernando... Manuel da Canada, e não do Canadá... Fui induzido em erro pelo estereótipo da emigração.. Muitos ex-militares açorianos, acabados de chegar da guerra do ultramar, emigraram para os States e para o Canadá...

Se a família nos autorizar, vamos fazer-lhe uma pequena homenagem do nosso blogue, que é um blogue de "partilha de memórias e de afetos"... É possível que eles tenham mais fotos, incluindo uma mais recente, antes do Manuel ter falecido... Já agora, em que ano terá ele nascido ?

Teríamos muito interesse, por outro lado, em acolher, no nosso blogue, o seu compadre e nosso camarada António Fernando... como um dos bravos da CCAÇ 1438... Será que ele tem um endereço de email para eu o poder contactar?

Um abração do Luís Graça
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Nota do editor:

(*) Identifiquei, através de pesquisa no nosso blogue, pelo menos 4 camaradas açorianos desta companhia, mortos em Combate, e que ficaram sepultados no cemitério de Bissau:

Manuel Correia Pedro, Soldado / CCaç 1438 / morto em 27.11.65, no Xitole, sa sequência de ferimentos em combate; era natural de Velas, S. Jorge, Açores / Cemitério de Bissau, Guiné;

Manuel Geraldo Teixeira, Soldado / CCaç 1438 / morto em 09.10.65, em Guileje, na sequência de ferimentos em combate; era natural de Santo Antão, Calheta, Açores / Cemitério de Bissau, Campa 1965, Guiné;

Manuel Silveira Reis, 1.º Cabo / CCaç 1438 / morto em 10.03.66, em Salancaur, na sequência de ferimentos em combate; era natural de Feteira, Horta, Açores / Cemitério de Bissau, Campa 277, Guiné;

Manuel Vieira Ferreira, Soldado / CCaç 1438 / morto em 11.03.66, em Salancaur, na sequência de ferimentos em combate; era natural da Praia da Vitória, Açores / Cemitério de Bissau, Campa 276, Guiné.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Guiné 63/74 - P10481: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (61): Notícias do Luís Antunes, ex-1º cabo enf, CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/70), que participou na Op Lança Afiada (Sónia Antunes / Paulo Raposo / Rui Felício)


Guiné > Região do Oio > Mansoa > 1968 > O Alf Mil Raposo, de óculos escuros, com o Furriel Ribas, à sua esquerda, e alguns soldados, observando uma "jiboia" morta pelas NT...  Na realidade, trata-se de uma pitão africana, uma "Pyton sebae", popularmemte conhecida como "irã cego". na Guiné-Bissau... Pode atingir os 6 metros de comprimentos, não é venenosa e não constitui um perigo real para os seres humanos... As jiboias só existem no Novo Mundo (América Central e do Sul). (LG)

Foto: © Paulo Raposo (2006). Todos  os direitos reservados


1. Mensagem da nossa leitora Sónia Antunes, com data de 30 de setembro último:

Assunto - Operação Lança Afiada

Caro Luís Graça,

É com muita emoção que li no seu blog, o texto (e não apenas este texto) P4484: Fauna & flora (20): Histórias de grandes serpentes: da jibóia de 7 metros.

Escrevo-lhe porque no texto do camarada Paulo Raposo há uma breve referência ao meu pai: "agarra num tronco de um ramo verde, e, pondo-se à frente dela, bate-lhe continuamente na cabeça, até a cobra se ver perdida.Uma vez perdida, morde-se a ela própria, para não se humilhar à mão do enfermeiro Luís". 

O meu pai era o 1º cabo enfermeiro Luís Antunes que pertencia à companhia de caçadores  2405, do Batalhão 2852.  Com o meu pai, estavam também os enfermeiros José Antunes Claudino (que faleceu na Operação Lança Afiada), e o enfermeiro António Sousa. 

Escrevo-lhe porque o meu pai tem inúmeras fotografias e na altura também escrevia no seu diário onde relatava detalhamente cada dia como combatente na Guiné Bissau, inclusive o terrível episódio da Operação Lança Afiada. O meu pai lembra-se perfeitamente do Paulo Raposo assim como do Furriel Ribas que,  segundo o meu pai, era de Chaves e também está na fotografia.

Se tiver algum conhecimento de colegas que também estiveram com o meu pai, na CCAÇ  2405/BCAÇ  2852, agradecia que entrasse em contacto comigo ou com o meu pai.

Obrigada.

Fico à disposição para qualquer informação.

Cumprimentos
Dra Sónia Antunes



2. Resposta de L.G. (com conhecimento ao Paulo Raposo e ao Rui Felício, ex-alf mil da CCAÇ 2405, e nossos grã-tabanqueiros da primeira hora):

Sónia:

Os filhos dos nossos camaradas nossos filhos são!... Deixe-me dizer-lhe quanto me sensibilizou o seu mail. Vou pô-la imediatamente em contacto com o Paulo Raposo, alferes da companhia do seu pai. Gostaríamos muito que o seu pai se juntasse a este grupo de bravos da Guiné: já somos mais de 580, de A a Z... 

Para isso bastam 2 fotos (digitalizadas) + 1 história!... (Uma foto do tempo da tropa e outra atual... Se o seu pai não tiver um endereço de email, podemos contactar-nos através do seu... Temos bastantes filhas de camaradas nossos a fazer essa "boa acção").

Por favor, traga-nos o seu pai até nós, com as suas fotos, com os excertos do seu diário, com a sua vontade de partilhar memórias e afetos que não se apagam mais,,, Vai fazer-lhe bem a ele e a todos nós!... Temos mais camaradas (incluindo os restantes alferes) da CCAÇ 2405 (Clque aqui)

Um Alfa Bravo (ABraço) para o seu pai, um beijinho para si. Luis Graça. (**)

PS - Sei que a Sónia mandou também um mail de igual teor ao Paulo Raposo e este já entrou em contacto com ela e  com o Luís Antunes.


3. Mensagem do Rui Felício:

Meu Caro Luis Graça,

Agradeço-te a bondade das tuas palavras elogiosas a meu respeito, especialmente no que toca ao link que incluis no teu e-mail e que remete para um texto que em tempos escrevi para o teu/nosso blog, a propósito da ida do Homem à Lua.

Sobre o assunto propriamente dito, julgo que o meu amigo Paulo Raposo é a pessoa indicada para falar da operação Lança Afiada, tanto mais que é sobretudo a soldados do seu pelotão, que a missiva que recebeste se refere.

Um grande abraço

Rui Felicio
ex-Alferes Miliciano da CCAÇ 2405
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 9 de junho de 2009 >  Guiné 63/74 - P4484: Fauna & flora (20): Histórias de grandes serpentes: da jibóia de 7 metros (Paulo Raposo) ao irã-cego (Clara Amante)


Vd. também a I Série do nosso blogue, poste de 8 de Maio de 2006 > Guiné 63/74 - DCXXXIII: O meu testemunho (Paulo Raposo, CCAÇ 2405, 1968/70) (6); Mansoa, baptismo de fogo

(...) 2. Um belo dia o meu grupo de combate estava encarregue de levar e proteger os homens que iam limpar do capim uma faixa grande de ambos os lados da estrada. Assim evitávamos que tivessemos emboscadas coladas à picada.

Dirigimo-nos para o local de trabalho em duas viaturas. Parámos precisamente no sítio aonde tínhamos terminado o trabalho no dia anterior, ou seja ainda na zona já descapinada.

Quando parámos, saltaram do capim alguns elementos IN para a estrada. Fizemos fogo, eles fugiram e não responderam. Se tivéssemos parado 50 metros mais à frente, tínhamos caído na emboscada.

Recuperados da emoção, os homens começaram o seu trabalho e eu dirijo-me para um tronco de árvore, que estava caído, para me sentar. Ao aproximar-me do tronco, este mexe-se. Era uma jiboia, com sete metros de comprido. Enfiei-lhe um carregador em cima e ela continuava bem viva. O Cabo enfermeiro Luís, agarra num tronco de um ramo verde, e, pondo-se à frente dela, bate-lhe continuamente na cabeça, até a cobra se ver perdida.

Uma vez perdida, morde-se a ela própria, para não se humilhar à mão do enfermeiro Luís. (...)

(**) Último poste da série > 23 de agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10294: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (60): Obrigado, querido blogue, pelo reencontro do Xico Coelho, ex-fur mil da CCAÇ 2466 (Bula e Encheia, 1969/70), de quem, tinha perdido o rasto... Natural de Portel, vive em Almada, e chegou até mim através do blogue (Armando Pires)

Guiné 63/74 - P10480: In Memoriam (128): Laranjinha, Oliveira, Barreto, Monteiro e Soares, da CCS/BCAÇ 2912, vítimas de um manuscrito no dia 01OUT71 em Duas Fontes (António Tavares)

Manuscrito


1. Mensagem de António Tavares (ex-Fur Mil da CCS/BCAÇ 2912, Galomaro, 1970/72), com data de 1 de Outubro de 2012:


PATRULHAMENTO AUTO POR TODAS AS A/D DA CCS/BCAÇ 2912 

O original deste “manuscrito” tem 41 anos.

Manuscrito que nada tem a ver com uma obra escrita à mão mas um assassinato escrito à mão.

Manuscrito que traduz uma das ordens dadas (1970/72) nas matas do leste do CTIGuiné.
Poderes incompetentes! Poder que receberam e foram ensinados, na Academia Militar, para praticá-lo bem.

Manuscrito que levou ao encontro da morte cinco jovens emboscados em Duas Fontes/Bangacia na noite de 01 de Outubro de 1971.

Manuscrito que no Hospital Militar 241 (Bissau) originou mais mortes dos quatro feridos graves evacuados na manhã de 02 de Outubro.

Manuscrito igual a outros anteriores em que só mudavam os nomes.

Manuscritos que levaram diariamente militares (só Praças e Furriéis) em patrulhamentos (nocturnos) auto às tabancas em A/D da CCS e no regresso traziam informações.

Recordo que certa noite numa das tabancas em A/D sentíamos e ouvíamos os rebentamentos e o Homem Grande da tabanca dizia-me:
- Vai embora… vai embora…

Chegados ao quartel confirmamos que tinha havido um ataque na ZA de Nova Lamego.

Manuscrito escrito antes ou depois de ter havido informações de que havia vestígios que o IN andava na zona de acção das nossas tropas nesse dia 01 de Outubro. Movimentação de indígenas (POP e Milícia) foram vistos dentro do quartel antes da partida da coluna auto.

Coluna auto pronta a partir (20h00) e retardada para integração do Capitão. Elemento que foi o último a subir para um dos Unimogs mas o primeiro a chegar ao quartel depois de ter ouvido o tiro (IN) de sinal de que as NT estavam debaixo da área de fogo do PAIGC. Estes (posicionados) só tiveram de aguardar as viaturas e fazer fogo, felizmente atabalhoado para as NT. Caso contrário o número de mortos seria maior.

O Oficial, a chorar e desarmado, chega ao quartel com a justificação de que vinha pedir auxílio. Entretanto (no local) os guerrilheiros do PAIGC matavam, feriam e tentavam levar um prisioneiro. Prisioneiro que foi arrastado e uns metros à frente morto (à queima-roupa) e encostado a um poilão. Sentado com as pernas e braços cruzados e uma bala na boca (a fazer de cigarro) assim o encontraram.

Tudo testemunhado e narrado por quem viu nas Duas Fontes/Bangacia e confirmado no quartel pelos camaradas que trataram dos corpos.

Manuscrito que marcou tragicamente a família do BCaç 2912 e a história da Guerra Colonial.
Manuscrito inserido na página 39 do Livro: “Guineíadas - Memórias de uma Comissão – BCaç 2912 CCS – X Encontro - Tavira”.

Os corpos de:

Alfredo Tomás LARANJINHA,
José Peralta OLIVEIRA,
Leonel José Conceição BARRETO,
José Guedes MONTEIRO e
Rogério António SOARES

depois de recolhidos em Duas Fontes/Bangacia e arranjados em Galomaro seguiram (coluna auto) para Bambandinca e acompanhados (por um camarada da CCS) até Bissau onde embarcaram no “Carvalho de Araújo” até Lisboa.  O mesmo “Carvalho Araújo” que os havia transportado há dezassete meses e uns dias ao chão do Teatro de Operações da Guiné

Foram sepultados nas suas terras. Paz às suas almas!

António Tavares
Foz do Douro, 01 Outubro 2012

OBS:
- Título do poste da responsabilidade do editor
- Uma chamada de atenção para o camarada António Tavares porque a sua caixa de correio devolve sistematicamente as nossas mensagens.
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 1 de Outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10464: In Memoriam (127): António Martins, ex-1.º Cabo Enf.º da CCAÇ 675 - Presente (José Eduardo Oliveira)

Guiné 63/74 - P10479: Os Soldados não morrem, apenas tombam no campo de honra (1) (José Martins)

Todos fomos INFANTES: 

Infantes na Idade; 
Infantes no Esforço; 
Infantes no Combate; 
Infantes na Nobreza, 

Somos soldados mal-amados, não só depois de mortos, mas ainda em vida!

Monumento de homenagem AO VALOR DO INFANTE, em Mafra


Os que caíram pela Pátria!

Os soldados não morrem, apenas tombam no campo da honra!

Por José Martins

Não tendo conhecimentos académicos em história para, com grau de fiabilidade, poder “divagar sobre o tema” não deixo, porém, de ter uma opinião própria, sabendo que o tema é polémico e que, muito provavelmente se irão levantar vozes divergentes.

A morte sempre existiu, até porque qualquer ser vivo não é eterno e, o ser humano, não é excepção à regra.

A cremação, tida nos tempos actuais como uma nova técnica/opção, já não é recente. Os Vikings honravam os seus guerreiros mortos, colocando-os num barco previamente preparado para, posto a navegar, ser atingidos com uma seta incendiária para que ardesse e ficasse, para sempre, no mar.

De forma diferente, tentando manter o corpo incorrupto para a eternidade, procedia-se à embalsamação, facto que nos recorda o antigo Egipto.

Combates, lutas e refregas sempre as houve, daí derivando feridos e mortos. É na Bíblia que nos é relatada aquele que é o primeiro incidente, no caso um fratricídio: “Caim disse a seu irmão Abel: Saiamos fora. E, quando estavam no campo, investiu Caim contra o seu irmão Abel, e matou-o (Génesis 4,8).

Para os portugueses, é a 24 de Junho de 1128 que a história regista a batalha de São Mamede, junto a Guimarães, altura em que o príncipe Afonso Henriques retira o governo do Condado a sua mãe, passando a usar o título de rei. É a primeira guerra civil portuguesa.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

Esta atitude não foi pacífica, já que Afonso Henriques queria a independência do território, que viria a ser Portugal, do reino de Leão e Castela do seu primo Afonso VIII, que se intitulava Imperador da península, mas da parte não ocupada pelos mouros. Mouros esses que, como é óbvio, não deixavam de tentar provocar as forças cristãs, não só a obstar o seu avanço, mas obrigá-los a retrair, se possível. Porém, nova data se vai impor na história deste país, o dia 25 de Julho de 1139, quando nos campos do Baixo Alentejo se dá a Batalha de Ourique entre as forças de Afonso Henriques e de Ali ibn Yusuf, Emir Almorávida, em que a sorte das armas pendeu para o lado lusitano. Para mais a coincidência de, nesse dia, ser a festa de São Tiago, não só o Patrono escolhido para Portugal, mas também ser o santo conhecido como o “mata mouros”. Com esta batalha, Afonso I de Portugal firma-se como rei dos portugueses e, com o apoio da nobreza, é aclamado rei soberano.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

Porém só a 5 de Outubro de 1143, pelo tratado de Zamora, assinado por Afonso VII, de Leão e Castela e Afonso I, de Portugal, se procede à separação dos reinos, até que pela Bula Manifestis Probatum, assinada em 23 de Maio de 1179, pelo Papa Alexandre III, confirma e reconhece a independência do país.

É neste período, da história do mundo ocidental, que vários reinos cristãos se colocavam à disposição do Papa, para irem libertar a Terra Santa ou combater, pela Fé Cristã, contra os Mouros. Numa dessas passagens por Portugal, acabado de ser reconhecido como reino independente, cruzados Flamengos, Normandos, Ingleses, Escoceses e Germanos, ajudaram o novo reino a expandir-se e a expandir a Fé que professavam e defendiam.

Pelas linhas anteriores, perpassa meio século da história nacional.

Quantas batalhas aconteceram neste período? Quantos soldados caíram no campo da honra? Quantos ficaram feridos e marcados para o resto das suas vidas, caso tenham sobrevivido aos ferimentos? Quantos prisioneiros foram restituídos à liberdade ou ficaram cativos e escravizados? Quantas famílias ficaram destroçadas? Não se sabe, não há registos. Mesmo que os houvesse, hoje, não passariam de estatísticas ou registos!

Hoje são factos. Apenas factos ou acontecimentos que servem, ou para fazer a “introdução” a qualquer artigo, com mais ou menos floreados, ou para exaltação patriótica, tão ao gosto dos governantes dos vários países, que olham para a história como justificação “lógica”, para imporem “as suas próprias lógicas”.

Os mortos foram chorados; os feridos foram curados dentro do possível; os estropiados, ocultados ou afastados; os prisioneiros, tentada a libertação ou, rapidamente, esquecidos; tudo em nome da nação, porque esta não se discute, porque a nação é eterna.

E de escaramuça em escaramuça, de combate em combate, de batalha em batalha, de guerra em guerra, o mundo avançou, os povos invadiram ou foram invadidos, escravizaram ou foram escravizados, as nações nasceram e pereceram, Portugal cresceu em território e em idade e, sempre, todo e qualquer crescimento arrasta atrás de si montes de problemas. Mas este crescimento teve problemas diversos, não só com Castela, mas também com os mouros, que originaram mais lutas, mais combates, mais batalhas, mais guerras, mais feridos, mais prisioneiros e mais mortos.

Nestes duzentos e tal anos reportados, quantos mortos originaram os combates travados? Onde ficaram? Onde os recolheram?

Em apenas dois “locais”, fundamentalmente: A nobreza, reis e cortesãos, em monumentais mausoléus, construídos em Catedrais ou nos seus palácios senhoriais; os soldados, o povo, na vala comum, no local da batalha, e depois de expostos ao saque.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

Desde sempre e até aos dias de hoje, sempre houve politicas de alianças, não só para poder aumentar o potencial dos exércitos mas, sobretudo, para haver validação desses actos e, assim, validarem alianças. Em Aljubarrota, em Agosto de 1385, estiveram cerca de 300 arqueiros ingleses, assim como o invasor, os castelhanos, tinham nas suas hostes aragoneses, italianos e franceses.

Consolidado o reino europeu, os portugueses fazem-se ao desconhecido: o norte de África, armados com a Espada e a Cruz, querendo dilatar a Fé e o Império. E novo local de sepultura surgiu, para os expedicionários portugueses: o solo africano ou, para os mais influentes e nobres, o regresso à terra mãe, quando resgatados, como foi o que sucedeu a D. Fernando de Portugal, o Infante Santo, que seu sobrinho-neto D. Afonso V, o Africano, resgatou das muralhas de Fez, e o fez trasladar para a Sala do Fundador, no Mosteiro da Batalha.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

 Depois da expedição a Ceuta, em 1415, Portugal fez-se ao mar. Melhor, regressou ao mar, já que tinha havido algumas incursões/experiência a partir do reinado de D. Dinis. Por outras palavras e para enquadrar esta fase com o tema: os navegadores/soldados encontraram uma nova forma de “cair pela Pátria”: por doença, em combate ou por naufrágio, a sua sepultura era nas profundezas do oceano.

Partindo deste “rectângulo à beira mar plantado”, navegando sob a protecção da Cruz de Cristo transportada no velame das naus, começamos por Ceuta, no Norte de África, em Agosto de 1415. Cruzamos oceanos e encontramos ilhas e arquipélagos; cruzamos o Mar Atlântico até ás terras de Vera Cruz, o Brasil; vasculhamos as costas africanas, primeiro a ocidente e depois oriente; passamos o Bojador e dobramos o Cabo das Tormentas, subjugando o Bojador e passando além da dor; chegamos à almejada Índia e navegamos no Indico e no Pacifico, até às terras de Lorosa’e (Timor) e da Malásia; e por fim, em Agosto de 1578, voltámos ao início: ao Norte de África, às terras quentes do norte africano: Alcácer Quibir.

Desde Ceuta, foram 162 anos em que “deixámos” no mar ou, uns metros acima da rebentação das ondas dos continentes tocados, em covas aberta nas matas tropicais, muitos de nós que caíram ou tombaram no campo da honra. Também houve, neste espaço de tempo, mais um combate entre forças portuguesas. A Batalha de Alfarrobeira entre D. Afonso V, com uma força de 30.000 homens, e o seu tio D. Pedro, duque de Coimbra, com cerca de 6000 homens que, apesar de não conhecidas, deve ter provocado muitas mortes entre os combatentes de um lado e outro, entre eles o Duque de Coimbra.

Mas foi em Alcácer Quibir que o português encontrou mais uma nova forma de enterramento dos seus combatentes: do Rei ao Soldado, todos mas todos, foram enterrados na bruma da saudade ou do nevoeiro, nevoeiro esse que viria a cobrir o país por seis longas décadas. E esta forma de “enterramento”, sem corpos, foi tão forte que, um dos soberanos que governaram este país nesses anos de sombra, “inventou um corpo do Desejado” que teria tumba nos Jerónimos, para assim acalmar o espírito deste povo que, qual Fénix, renasce sempre das próprias cinzas.

Foram anos sombrios para o povo, que nestas ocasiões, é sempre o primeiro a ser oprimido. A rivalidade entre países, que mais não era que rivalidades entre as famílias coroadas, transformava-se em rivalidades entre povos, aguçando a cobiça e, porque não dizê-lo, o ódio que muitas vezes era “distribuído” ao povo todo, como de pão se tratasse. O império de além-mar, longo de anos e caro em vidas, foi alvo de invasões e de moeda de troca entre os grandes da época.

Quem era aquele povo, pequeno e louco, que ousara entrar mar adentro, rasgar ondas, desafiar o desconhecido e provar, prova suprema de loucura, que o mar não era plano?

Quem eram esses pigmeus para desdenhar dos cartógrafos que “diziam” que o mar tinha fim, tinha um limite que, para além do qual só existia sombra?

“Isto é claro - diziam os navegantes -, que, depois deste Cabo, não há aí gente nem povoação alguma; a terra não é menos arenosa que os desertos da Líbia, onde não há água, nem árvore, nem erva verde; e o mar é tão baixo que, a uma légua de terra, não há de fundo mais que uma braça. As correntes são tamanhas que navio que lá passe, jamais nunca poderá tornar. E, por certo, não foi a eles o seu conhecimento de pequena escuridão quando o não soubessem assentar nas cartas por que se regem todos os mares por onde gentes podem navegar". [Gomes Eanes de Zurara, in “Crónica dos Feitos da Guiné”, capítulo VIII (Porque razão não ousavam os navios passar além do Cabo Bojador)].

E não tinha sido um português que, ao serviço do seu país, queria dar a “volta ao mundo”? E que só não o fez, porque o seu soberano tinha outras prioridades? E não tinha sido esse povo, que na sua pequenez havia desafiado “tudo e todos”? E não era esse povo que estava agora na mó de baixo, porque estava subjugado?

Que estranho cruzamento de povos e culturas. Um que não se queria subjugado e continuava a querer manter, sob a sua bandeira, os territórios “cujo achamento tinham feito”; os outros, do qual até os primeiros se tinham tornado independentes, há séculos, se ufanava que de tinham terras em todos os continentes. O mundo quase esqueceu, ou esqueceu mesmo, que Portugal existia e que, apenas, se encontrava privado da sua independência e, portanto, há que tentar conquistar pelas armas aquelas terras, que além de terem sido regadas por sangue português eram alvo de inveja, como na altura se provou, e o que futuro havia de provar, por mais vezes nos trezentos e trinta e cinco anos seguintes.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

Uma das primeiras atitudes a ter, por um invasor, é neutralizar as suas forças de defesa, pela extinção das mesmas ou o seu deslocamento para zonas estranhas aos seus elementos, de forma a ficarem “isoladas” e, portanto, a desmotiva-las a qualquer insurreição ou revolta. E isso tinha acontecido a Portugal. O seu exército havia “desaparecido” porque os seus elementos se tinham aliado ao invasor ou, porque aqueles que se opuseram foram sendo afastados ou tiveram de refugiar-se noutras terras.

A realidade não era brilhante. Portugal não tinha soldados nem armas, pelo que foi uma dura tarefa. Mais uma vez este povo enfrentou uma guerra tremenda, que durou até 1668, altura em que a diplomacia internacional, nomeadamente por parte da Inglaterra, França e Roma, conseguiram que fosse assinado o Tratado de Lisboa a 13 de Fevereiro de 1668, pondo fim a 28 anos de lutas entre Portugal e Espanha. Até a Holanda, que havia movido forte luta e ocupado parte do nosso império, quer no Brasil quer em África, mas cujas forças de ocupação foram desalojadas, se juntou à diplomacia internacional neste intento. É o velho ditado: “Se não os podes vencer, junta-te a eles”.

Apesar de haver grandes períodos em que, na história portuguesa, não se registam batalhas ou simples escaramuças, tal não quer dizer que não houvesse hostilidades, quer no reino quer nas suas possessões. Também não é intenção deste texto, nem seria local adequado, desenvolver as histórias da História, mas sim evocar o tema a que nos propusemos, “Os soldados não morrem, apenas tombam no campo da honra!”.

Nos anos de transição dos séculos XVIII para o XIX várias situações aconteceram e modificam a história, e de tal forma, que o período antecedido por estes factos, ficou na história como o Anterior Regime. A chegada de Napoleão Bonaparte ao poder em França e, as hostilidades sempre em aberto entre a França e a Inglaterra, a que se somou a derrota da esquadra francesa na Batalha de Trafalgar, em 21 de Outubro de 1805, ditaram que a França intentasse, contra a Inglaterra, o Bloqueio Continental, a que aderiram os países do Mar Báltico, e em que Portugal teria uma função muito importante, não só pela sua posição Ibérica mas, sobretudo, pela extensão dos seus territórios no Atlântico e no Índico. A intenção era não permitir a entrada dos navios ingleses nos portos dos países que aderissem ao bloqueio, asfixiando, assim, o poderio económico e comercial inglês.

A posição de Portugal era difícil. Tinha sido assinado, com a Inglaterra em 16 de Junho de 1373, o Tratado de Londres que, ao longo do tempo, veio sendo sempre revisto, ratificado e “contornado ao sabor dos interesses”. A indefinição de Portugal, ao tentar negociar com a Inglaterra secretamente, enquanto dava a entender à França a sua anuência, levou a que as tropas de Napoleão invadissem o nosso país, originando a retirada da Família Real e de muitos elementos da Corte, para o Brasil, em 27 de Novembro de 1807, ficando o governo do reino entregue a uma Junta Governativa do Reino, nomeada na véspera.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

As tropas francesas, comandadas pelo Coronel-General dos Hussardos Jean-Andoche Junot, entram pela zona de Castelo Branco, dirigem-se a Abrantes e seguem para Santarém, chegando a Lisboa em 28 de Novembro, mas a família real e a corte já se encontravam ao largo. Logo após a instalação das forças ocupantes ocorreram escaramuças, por parte da população de Lisboa e outras localidades, sempre reprimidas pelo invasor, com mais ou menos violência.

Esta invasão só termina, com a entrada em Portugal de uma força luso-britânica de cerca de 20.000 homens, sendo 6000 portugueses, sob o comando do General Artur Wellesley. Desembarcando junto à foz do Rio Mondego, dirige-se para Lisboa, recebendo reforços ao longo do percurso. Com a Convenção de Sintra, assinada em 30 de Agosto de 1808, é permitida a saída das tropas invasoras transportando, todo o que conseguiu saquear durante a sua permanência no país.

Para comandar uma segunda invasão a Portugal, é escolhido o Marechal Nicolas Jean de Dieu Suolt, cujas forças entram por Chaves em 12 de Março de 1809, seguem por Ruivães, Salamonde, Carvalho d’Este onde travam combate no dia 20, Braga e Porto, entrando na cidade em 29 de Março. Entretanto, entre o dia 18 de Abril e o dia 2 de Maio, há o combate pela defesa da Ponte de Amarante, onde os portugueses tiveram cerca de 1600 baixas entre mortos, feridos e prisioneiros.

A 12 de Maio Soult abandona o Porto dirigindo-se por Baltar, Guimarães onde se encontra com as forças comandadas por Loison, seguindo por Ruivães, Montalegre onde passa no dia 17 e retira-se para Ourense onde chega a 19 de Maio de 1809 e onde pode, finalmente, dar descanso às suas tropas. Mas Napoleão Bonaparte, o Grande Imperador, tinha uma obsessão louca por Portugal. Não só pelo apoio que estava a receber da Inglaterra, mas porque o povo enfrentou sempre, e de cabeça erguida, o invasor. Integrado nas tropas regulares ou actuando por sua conta e risco, em acções de sabotagem, pagando, muitas vezes, com a própria vida.

Por tudo isto e com o seu amor-próprio ferido, Napoleão tinha que lançar nova invasão deste pequeno reino. Nomeando o Marechal André Massena como comandante do exército invasor, confiou-lhe cerca de 65.000 homens, divididos por três corpos de exército, cargo que assume em Maio de 1810.

Painéis de azulejos. Pátio dos Canhões – Museu Militar - Lisboa 
© Foto José Martins 

Depois do cerco da praça espanhola de Ciudad Rodrigo, iniciado em 26 de Abril de 1810 e com o assalto final em 25 de Junho seguinte, a fortaleza só veio a cair no dia 9 de Julho, abrindo, assim, a entrada em Portugal. Em terras portuguesas, dá-se o Combate do Côa em 23 de Julho, sendo lançado o cerco da Praça de Almeida que durou até 28 de Agosto. Foi nesta praça que o invasor providenciou a alimentação do seu exército. Era normal o exército francês obter a sua alimentação pelo território por onde passava, mas em Portugal sempre houve o cuidado de contrariar este facto.

Massena deu ordem às suas tropas para avançar, em 15 de Setembro, fazendo-as seguir em direcção a Coimbra, mas as tropas comandadas por Arthur Wellesley estavam numa posição defensiva a norte desta cidade, na Serra do Buçaco, entre Penacova e Luso, onde se travou a Batalha do Buçaco, em 27 de Setembro de 1810, tendo as tropas invasoras cerca de 4500 baixas e as topas anglo-lusas sofreram 1252 baixas. Após a batalha as forças aliadas retrocedem em direcção a Coimbra, com o objectivo de depois atingirem posição nas Linhas de Torres Vedras.

Por onde passavam as tropas aliadas, iam aconselhando a população para retirarem, trazendo consigo o que lhes fosse possível transportar, destruindo tudo o que tivessem que abandonar e pudesse alimentar o inimigo, numa política de “terra queimada”. Os franceses contornaram por Norte, pela estrada de Mortágua e Mealhada. Ao passarem por Coimbra, os invasores encontraram bastantes víveres, mas devido ao saque desordenado, pouco lhes aproveitou.

Brigadeiro Jozé Maria das Neves Costa - Patrono do IGeoE
No ano de 1810, sob a orientação do engenheiro inglês Flether, trabalhou na construção das fortificações que constituem as Linhas de Torres Vedras.
© Foto: Instituto Geográfico do Exército

Entre Coimbra e as Linhas, ainda houve alguns combates significativos, entre a retaguarda dos aliados e a vanguarda francesa, em Pombal e Alenquer, até que a 11 de Outubro chegaram às Linhas de Torres Vedras, onde tiveram que parar, durante quatro semanas, aguardando uma hipotética ajuda em reforços.

Massena retrai as suas forças para Rio Maior e Santarém, enquanto envia um mensageiro a Napoleão, para pedir “ordens”. O mensageiro, o General Foy, foi escoltado à ida por um batalhão de infantaria e um esquadrão de cavalaria, com entre 500 a 750 elementos, mas no regresso foi escoltado por 1800 homens.

As tropas invasores passaram a retirar, tendo iniciada essa manobra na noite de 6 de Março, de acordo com a informação dada por um camponês, aos aliados. As tropas luso-britânicas vão no encalço do inimigo dando-se, em 11 de Março de 1811, o Combate da Redinha. A 22 desse mês, já o exército francês, em retirada, encontra-se entre e Guarda e Celorico. A 3 de Abril deu-se a Batalha do Sabugal e, a praça de Almeida que tinha ficado em poder dos franceses, é abandonada de 10 para 11 de Maio de 1811. As tropas invasoras seguem em direcção a Espanha.

(Continua)
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Nota de CV:

Esta é a primeira de três partes de um trabalho que o nosso camarada José Marcelino Martins (ex-Fur Mil Trms da CCAÇ 5, Gatos Pretos, Canjadude, 1968/70), nos enviou em mensagem do dia 30 de Setembro de 2012

Guin é 63/74 - P10478: Tabanca Grande (364): Júlio Madaleno, tocador de guitarra, feicebuqueiro e agora grã-tabanqueiro, nº 582, ex-fur mil, CCAÇ 1685 (Fajonquito) e CCAÇ 2317 (Gandembel) (1967/69)

1. Mensagem de ontem, enviada pelo Júlio Madaleno [, foto atual à esquerda]:

Data: 3 de Outubro de 2012 19:27

Assunto: Ex-fur mil Júlio T S Madaleno,  Guiné 1967/69

Caro Luís Graça

Desde há 1 ano que intervenho no blogue mas parece-me que ainda estou despercebido, embora não ache que isso tenha grande importância.

Localizo uma minha primeira intervenção com uma referência vossa P9104, Agenda cultural (172) (*) e outra vossa, do Luís Graça para o GG (30/11/2011) (**).

Daí em diante faço umas visitas ao blogue e como tenho conta no facebook subscrevi a vossa da Tabanca e recebo as atualizações todas.

Quando o Idálio Reis apresentou o livro sobre Gandembel, intervi e ele até dialogou comigo por e-mail, pois que não nos víamos desde a Guiné. Também já descrevi o meu percurso militar nas CCAÇ 1685 e 2317 e uma tragédia cá, uns anos após a desmobilização, que me voltou a perturbar o sono.

Se for possível torna-me também tabanqueiro. Quero continuar ligado aos meus antigos camaradas de armas.

Um abraço do Júlio Madaleno, o tal que gosta de tocar guitarra,
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(*) Comentário de Júlio Madaleno, de 29 de novembro de 2011, ao poste P9104:

 (...) Dois dos [três] F [Fátima, futebol e fado], um respeito-o, outro causa-me ansiedade clubística. Quanto ao terceiro, amigos...ah quanto nos fazia reviver o que nos era querido e estava longe. Na altura tinha lá uma viola que nos ajudava nesses bocadinhos de nostalgia. Hoje sou intérprete de guitarra portuguesa. 

Só lamento não conseguir encontrar-me com rapaziada das 2 CCAÇ por onde passei, a 1685 e a 2317. 

Abraço a todos e viva o que os 3 F  ainda hoje simbolizam.


(**) O Júlio Madaleno deixou o seguinte comentário, com data de 10 de abril de 2012, ao poste P9726 (*):

Velhos companheiros:

Certamente não vos lembrais de mim porque fiz uma efémera passagem pela [CCAÇ] 2317 quando quis o destino que fosse substituir o fur mil Alves devido à infelicidade que o vitimou.

O meu nome é Júlio Madaleno e operei o tal morteiro 120 que lá foi colocado e estava instalado na parte de trás do abrigo da Browning. Pelas frequentes consultas que faço ao blogue estou informado do livro do amigo Idálio Reis e do almoço programado para 9 de junho [, data do convívio do pessoal da CCAÇ 2317, em Paredes ], onde vou tentar estar presente para rever antigos camaradas de armas.

Um grande abraço do ex-fur mil J M
juliomadaleno@gmail.com

(No Facebook,  identificável em foto com guitarra).

2. Comentário de L.G.:

Júlio:  Que a tua vontade seja cumprida: "Se for possível torna-me também tabanqueiro. Quero continuar ligado aos meus antigos camaradas de armas"...

Sê bem vindo, camarada, mais uma e outra vez!... Já há tempos, em 12 de agosto de 2009, nos apareceu aqui a filha, Lídia Gonçalves,  de um camarada teu, e nosso, que esteve contigo na CCAÇ 1685 (Os insaciáveis), nos anos de 1967/69. O seu nome era José Manuel Costa Gonçalves, 1º cabo mecânico auto rodas. É provável que não te lembres... Havia 150 homens numa companhia...

A outra (e última) referência que temos à tua antiga companhia, a CCAÇ 1685, reza assim: 

(...) CCaç 1685, comandada pelo Cap Inf Alcino de Jesus Raiano, unidade orgânica do BCaç 1912, e mobilizada em Évora no RI 16: assumiu a responsabilidade do subsector de Fajonquito, rendendo a CCaç 1501, em 19 de Setembro de 1967, e vindo a ser substituída pela CCaç 2435 em 14 de Dezembro de 1968. (...). 

Certo ? Confirmas ? Acontece que não temos  cá ninguém desta companhia, se não erro... Tu serás pois o primeiro e digno representante dos Insaciáveis. Quanto à CCAÇ 2317, já é mais familiar aos nossos leitores, devido ao seu heróico comportamento em Gandembel e em Balana, e ao livro do Idálio Reis.

O que é que te falta para cumprir as NEP do blogue ?... Manda uma ou mais fotos do antigamente e conta um pequena história... Precisamos de saber mais umas coisas sobre as tuas andanças pelo TO da Guiné.... Quanto à guitarra, um dia destes temos que ouvi-la!,,, 

Passas a ser o grã-tabanqueiro nº 582. Parabéns!

Guiné 63/74 - P10477: Parabéns a você (477): Artur Conceição, ex-Soldado TRMS da CART 730 (Guiné, 1965/67) e Inácio Silva, ex-1.º Cabo Apont Metral da CART 2732 (Guiné, 1970/72)

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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 3 de Outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10471: Parabéns a você (476): Carlos Prata, Coronel Reformado (Guiné, 1973/74) e Hélder Sousa, ex-Fur Mil (Guiné, 1970/72)