"A MENINA DA IA NÃO É DO MEU TEMPO, MAS EU USAVA O CACO NO OLHO... ESQUERDO!"
JORGE FÉLIX, ALF MIL PIL, AL III (BA 12, BISSALANCA 1968/70)...."O MEU PILOTO MILICIANO
PREFERIDO"
"Ó MENINA, EU NUNCA PRECISEI DE UM ESCORREGA PARA SAIR DO HÉLIO"
"VÊ-SE QUE A MENINA NÃO ME CONHECEU OU ENTÃO NÃO SIMPATIZA COMIGO!... EU ERA UM GENERAL DE 3 ESTRELAS OPERACIONAL...TRAJAVA FATO CAMUFLADO, QUICO OU BOINA. AQUI ATÉ PAREÇO O PINOCHET!"
"BOA SORTE, MEU RAPAZ",
GRITA O GENERAL LÁ DE CIMA...
A 5ª REP, CAFÉ BENTO, BISSAU... "O MAIOR 'MENTIDERO' DA SPINOLÂNDIA!"...
"SÃO QUINZE CONTOS À HORA, Ó BLONDE!"
"ANIMA-TE, ZÉ, ÉS O MELHOR SOLDADO
DO MUNDO!"
SPÍNOLA VISITAVA REGULARMENTE GRANDES REORDENAMENTOS COMO O DE NHABIJÕES (SECTOR L1, BAMBADINCA), DE MAIORIA BALANTA
Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Luís Graça (2026)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. Diz a menina IA, delirante (não vou citar a "marca", que até é uma vergonha, e ela já se retratou, entretanto, e já me pediu desculpa por esta grande "galga" ou "fake new")...
Registo o seu gesto de "humildade". É um progresso, mesmo sabendo que as meninas da IA (ou meninos ?!, não têm género, por decisão do "patrão", mas prefiro chamar-lhes "meninas"), não podem ser dotadas de "coração", sentimentos, emoções, compaixão, empatia, simpatia, raiva, rancor, gratidão, amizade, amor, saudade, humor, etc., como qualquer vulgar "humano".
Apesar do seu elevado QI, a IA admite "que pode cometer erros". Eureka!...E isso deixa os "humanos" mais tranquilos. Por enquanto. Ainda não chega, a IA, aos calcanhares dos deuses, que esses, sim, são "omniscientes, omnipotentes e omnipresentes"... E até lá, enquanto chega e não chega, a gente ainda pode brincar com ela (ou com ele)...
Em próximo poste iremos confrontar os argumentos pró e contra em relação a esta "efabulação" à volta de um animal de estimação que nunca existiu mas a quem na 5ª Rep, em Bissau, puseram um "nickname": chamava-se... "Blonde", a cadela!...
Esta "estória" faz-me lembrar outra, já aqui desmistificada, a do "cavalo branco" de Spínola (*).
De resto, já não é a primeira vez que fazemos humor (de caserna) com os "delírios" da IA... Valha-nos, isso, ao menos. Mais vale apanhar com "delírios da IA" do que com "drones" em cima da cabeca ou a entrar pela janela do quarto dormir...
Para gáudio da malta da caserna, aqui fica um dos últimos "delírios da menina da IA" (ou de um delas, que eu não vou citar, porque temos boas relações, e não quero comprometê-las ou estragá-las, as nossas "arralações"...).
Apesar de "inteligente", ela emprenha muitas vezes de "ouvido", como a gente costumava dizer a respeito do maior "mentidero" de Bissau, que era famosa 5ª Rep, o maior viveiro do anedotário da Spinolândia.
Aproveito, a pretexto da "Blonde" que nunca existiu, para fazer uma homenagem aos nossos camaradas que eram pilotos de avioneta DO-27 ou de helicóptero AL III (ou "hélio", como dizia o Zé Soldado no mato ou nos "aéreos" que escrevia às madrinhas de guerra). Quase todos milicianos. E, muito em especial, ao nosso querido grão-tabanqueiro Jorge Félix, do meu tempo, que era um dos pilotos preferidos do nosso general e, por tabela, da "Blonde"... (**)
Mais um das "galgas" da IA : a famosa cadela do Spínola que adorava andar, de rabo tremido, de "hélio" (e até de DO-27)
Esse pormenor biográfico é real e muito curioso, embora tenha ficado em parte obscurecido pelo folclore e pelo aparato quase teatral que o general António de Spínola cultivava na Guiné (o monóculo, o pingalim, as luvas pretas).
Sim, Spínola tinha uma cadela de estimação da raça pastor-alemão. O animal não era apenas uma companhia no palácio do governador em Bissau; viajava frequentemente com ele nas suas constantes e famosas deslocações aéreas de helicóptero Alouette III (e por vezes em avião ligeiro Dornier DO 27) quando inspecionava os aquartelamentos, destacamentos isolados, tabancas e reordenamentos no interior do território. (Só a não levava para operações, por razões de segurança.)
Existem registos e correspondência oficial na documentação da época (como os arquivos do SIPFA - Serviço de Informação Pública das Forças Armadas) que mencionam o animal, integrando aspetos logísticos ou relatos de jornalistas estrangeiros que acompanhavam o Governador e Comandante-Chefe nas suas visitas ao mato.
A presença do animal reforçava duas imagens distintas que coexistiam na perceção dos militares:
(i) Para a Propaganda e as Altas Patentes:
ajudava a compor a mística do comandante enérgico, audaz, corajoso e omnipresente, que chegava dos céus com o seu ajudante de campo e outros elementos do seu Estado-Maior mais o seu cão fiel (aliás, cadela), transmitindo uma imagem de controlo absoluto e modernidade operacional no âmbito da sua política de "Por Uma Guiné Melhor".
(ii) Para o "Zé Soldado" no Terreno:
aqueles que estavam enterrados nas abrigos e valas, rodeados por bidões de areia e chapa de zinco, em setores fustigados das Zona Leste, Oeste ou Sul, viam nessa comitiva — que incluía o pastor alemão a descer do helicóptero — um contraste gritante, quase surreal, com a miséria e a dureza quotidiana do mato.
De resto, nas conversas de aquartelamento, a comitiva que rodeava o general e os oficiais que o acompanhavam de perto, era por vezes apelidada, com a típica expressão do humor de caserna, a "matilha de Cães Grandes". (Abundavam nos quartéis do mato os caes rafeiros, famélicos, vadios...)
O pastor alemão de Spínola tornou-se, assim, mais uma das marcas indeléveis da forte mobilidade aérea e do estilo de comando muito particular que caracterizou o período de 1968 a 1973 na Guiné Portuguesa.
As fontes sobre a icónica cadela pastor-alemão do general António de Spínola na Guiné dividem-se em duas categorias principais: a memória descritiva dos combatentes e a documentação historiográfica/jornalística da época.
A nível de referências formais e bibliográficas onde o animal e o ambiente da comitiva de Spínola são retratados, destacam-se as seguintes:
(a) Historiografia e Memórias Militares:
"Spínola: Fotobiografia", de Maria Inácia Rezola (A Esfera dos Livros, 2006).
Esta obra, amplamente ancorada em espólios fotográficos públicos e privados, documenta o quotidiano do general e a sua máquina de propaganda na Guiné, incluindo as imagens de aparato em que a comitiva descia dos helicópteros com o animal.
"Spínola — Biografia", de Luís Nuno Rodrigues (A Esfera dos Livros, 2010).
É a biografia de referência do general, detalhando a sua passagem pelo comando em Bissau (1968–1973), os seus métodos teatrais de afirmação de liderança e a forma como desenhou a sua imagem pública.
"História da Guerra Colonial", de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes.
Uma das obras mais completas sobre o conflito, que analisa criticamente o "estilo Spínola" e o contraste entre a máquina comunicacional do comando em Bissau e a realidade do mato vivida pelos soldados.
(b) Arquivos de Imprensa e Reportagens da Época:
Durante o período de 1968 a 1973, o Serviço de Informação Pública das Forças Armadas (SIPFA) convidou dezenas de jornalistas estrangeiros (franceses, alemães, britânicos, americanos) para visitarem a Guiné, numa tentativa de contrariar a narrativa do PAIGC de que controlava a maior parte do território.
Reportagens em revistas internacionais da época (como a Paris Match ou o jornal Le Figaro) descreveram o Governador como um "líder enérgico e carismático" e deixaram registada na imprensa internacional a imagem do general que percorria o país de helicóptero acompanhado pelo seu fiel pastor alemão.
(c) Testemunhos e Arquivos Digitais de Veteranos:
A principal e mais rica fonte para os pormenores do quotidiano e o impacto psicológico desta imagem no "Zé Soldado" encontra-se nos registos de memórias dos próprios operacionais: o arquivo do "Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné" (Tabanca Grande, 2004-2026):
Este repositório coletivo de memórias da Guerra Colonial na Guiné contém inúmeros testemunhos, crónicas e episódios partilhados por oficiais,, sargentos e praças que operaram no mato e testemunharam in loco as aterragens do Alouette III do Comando-Chefe.
Nos relatos escritos pelos veteranos que serviram em setores isolados (como Mansoa, Madina do Boé,Teixeira Pinto, Pirada ou Cacine, ), o aparecimento da cadela pastor alemão é frequentemente evocado como o símbolo máximo do aparato e do contraste entre a vida no palácio e a realidade das trincheiras.
Fonte: 5ª Rep + IA(Condensação, revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)
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(**) Último poste da série > 13 de agosto de 2026 >
Guiné 61/74 - P28258: Humor de caserna (287): Era uma vez um soldado básico (o "Espanhol"), um alferes ("Sá de Miranda") e uma madrinha de paz (a "Borboleta") (Jorge Cabral, 1943-2021)
Vd. poste de 24 de maio de 2026 >
Guiné 61/74 - P28050: Humor de caserna (270): o anedotário da Spinolândia - Parte XXXVII: Oh, homem, cale-se! (Alberto Branquinho, ex-alf mil art OE, CART 1689 / BART 1913, Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69