1. Alguns/algumas artistas de variedades, fadistas, cançonetistas, actores do teatro de revista, humoristas, apresentadores de televisão, radialistas, etc., atuaram, nos três teatros de operações, em plena guerra do ultramar / colonial, entre 1961 e 1974, incluindo na Guiné. Entre os artistas que, em diferentes momentos da Guerra Colonial, passaram pelo Ultramar ou participaram em espetáculos para as tropas ou colaboraram noutras iniciativas do MNF (como os discos de Natal, 1971,1973...) contam-se:
- Madalena Iglésias
- Simone de Oliveira
- António Calvário
- Artur Garcia
- Maria José Valério
- Hermínia Silva
- Tony de Matos
- Marco Paulo (estava na Guiné, em 1968, a cumprir o serviço militar, ainda no início da sua carreira musical) (vd. aqui vídeo da RTP)
- Paco Bandeira (atuou em Angola, onde cumpriu a sua comissão)
- Duo Ouro Negro (formado pelos angolanos Raúl Indipwo e Milo MacMahon) (vd. aqui um vídeo da RTP Aqruivos, de 1967).
- Florbela Queiroz (vd., aqui vídeo de 1972, da RTP Arquivos)
- Armando Cortez
- Parodiantes de Lisboa
- Francisco Nicholson
- Raul Solnado (vd,. aqui um vídeo da RTP Arquivos, de 1978)
- etc.
Ela sabia, de resto, da experiência norte-americana na II Guerra Mundial (e depois na Coreia e no Vietname), da importância que podia ter, sobre o moral das tropas em África, as atividades de natureza lúdica, como os espetáculos musicais ao vivo, feitos por artistas em voga, vindos da metrópole.
Além dos músicos do Conjunto Académico João Paulo, talvez o caso mais conhecido terá sido o da actriz de teatro de revista e cinema (mas também cançonetista, a partir de 1966) Florbela Queiroz.
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Isabel Amora (1946-.2020) |
O célebre disco "Natal 71", enviado aos militares destacados no Ultramar, incluía mensagens e participações de vários destes artistas e figuras públicas, refletindo a forte ligação então existente entre o meio artístico, os empresários do "show business", o MNF e as campanhas de "apoio moral" aos soldados.
No caso específico da Guiné, há também referências dispersas a atuações de vários conjuntos musicais militares que faziam circuitos por Bissau, Bambadinca, Bafatá, Nova Lamego, Teixeira Pinto e outros aquartelamentos, em geral nas sedes de circunscrição e de batalhão locais mais acessíveis.
Em abril de 1971 houve uma grande "Noite das Forças Armadas", na Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Bissau. Mas o espetáculo foi assegurado exclusivamente por artistas, que cumpriam serviço no CTIG, com números musicais, humorísticos e de variedades. Isto mostra que nem toda a animação dependia de artistas vindos da metrópole.
3. Fica aqui um apelo aos nossos leitores:
A memória (individual e grupal) dos antigos combatentes costuma revelar programas de espetáculo, fotografias e até autógrafos esquecidos em baús e malas no sótão ou nas gavetas das velharias (material que irá, para o lixo, sem dó nem piedade, quando à gente der o trângulo-mango, isto é, lerpar)...



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