quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Guiné 63/74 – P5077: Fichas de Unidades (5): História do Pelotão de Morteiros Nº 980 (José Martins)


1. Como já vem sendo habitual quando necessitamos de reconstituir alguma “Ficha de uma Unidade” recorremos aos bons préstimos do nosso Camarada José Martins, que sempre nos responde como um eficaz e prestável “municiador” de dados, nesta importante matéria.

2. Breve apresentação do nosso Camarada José Martins: Foi Furriel Miliciano de Transmissões na CCAÇ 5 - Os Gatos Pretos -, em Canjadude, entre 1968 e 1970.

3. Agradecendo, desde já, a sua amigável e prestável colaboração, apresentamos seguir os resultados da sua melhor pesquisa, devidamente adaptada e condensada, para seguinte Unidade:

PELOTÃO DE MORTEIROS Nº 980

Ao ser folheado o sétimo volume (livro I) das Resenhas Histórico-Militar das Campanhas de
África - Mortos em Campanha, logo no inicio de 1966, depara-se com o registo de oito militares que faleceram afogados no Rio Cacheu.

Por ter estado bastante próximo do acidente com a jangada na travessia do Rio Corubal, junto ao destacamento do Cheche em 6 de Janeiro de 1969, aquando da retirada da companhia que ocupava o aquartelamento de Madina do Boé, talvez tenha despertado, em mim, a curiosidade de saber o que se tinha passado.

Desta Pequena Unidade, mobilizada no Regimento de Infantaria nº 7, ao tempo aquartelada em Leiria, não encontramos referências no Arquivo Histórico Militar, mas, por um feliz acaso, ao ler o livro “Golpes de Mãos” da autoria de José Eduardo Reis de Oliveira, que conta a história da sua “675”, encontrei referências a esta Pequena Unidade.

Um pelotão de morteiros, de acordo com a informação que solicitamos ao António Santos, soldado de Transmissões que pertenceu Pelotão de Morteiros nº 4574 (1972/74), tinha autonomia administrativa. Era comandado por um oficial subalterno (Tenente ou Alferes), tendo o apoio de um 1º Sargento na área administrativa. Do pessoal operacional, armas pesadas, dispunha de dois sargentos (2ºs Sargentos ou Furriéis), cinco Primeiros-cabos e trinta Soldados. Completavam a PU - Pequena Unidade - quatro praças com a especialidade de transmissões e cinco praças com a especialidade de condutores auto.

Pelas pesquisas efectuadas, deduzimos que este pelotão terá embarcado em 8 de Maio de 1964, tendo chegado a Bissau no dia 13 seguinte. Pelos dados obtidos teriam efectuado a viagem em conjunto com as seguintes unidades:

  • Comando de Agrupamento nº 16 – mobilizado no RI 1 (Lisboa)
  • Companhia de Caçadores nº 674 e 675 – mobilizadas no RI 16 (Évora)
  • Companhia de Artilharia nº 676 – mobilizada no RAP 2 (V. N. de Gaia)
  • Companhia de Cavalaria nº 677 – mobilizada no RC 7 (Lisboa)
  • Destacamentos de Intendência nºs 706, 707, 708 e 709 – mobilizados no 2º Grupo de Companhias de Administração Militar (Póvoa do Varzim)
  • Pelotões de Morteiros nºs 978, 979 e 980 – mobilizados no RI 7 (Leiria).

O Pelotão de Morteiros nº 980, comandado pelo Alferes de Infantaria Fernando Gonçalves Foitinho, foi atribuído ao Batalhão de Cavalaria nº 490 que comandava o Sector de Farim, em cujo dispositivo ficou integrado. Entre o dia 8 e o dia 30 de Agosto de 1964, o Alferes Foitinho comandou, interinamente, a Companhia de Caçadores nº 675, por impedimento do comandante titular, Capitão de Infantaria Alípio Tomé Pinto, ferido em combate e evacuado para o Hospital Militar nº 241/Bissau.

Posteriormente assumiu o comando do pelotão o Tenente de Infantaria José Pedro Cruz, ainda durante o ano de 1964.

Para se enfrentar a guerra em África, foram efectuadas algumas alterações na estrutura das Forças Armadas e, nomeadamente, no exército. Tornou-se necessário aligeirar as forças de infantaria e torná-las mais ágeis, tendo em conta as características das acções a desenvolver, as características do terreno e a forma de actuar das forças em confronto.

A constituição de pelotões de armas pesadas – morteiros e canhões sem recuo - destinavam-se a reforçar os batalhões que se encontravam em quadrícula, sendo os seus elementos destacados para as companhias que se encontravam nas suas zonas de acção e responsabilidade operacional, atribuindo, a cada uma, secções ou esquadras, de acordo com planos de defesa de cada aquartelamento.

Porém, na história deste pelotão, aconteceu algo um pouco diferente, decerto ditado pelas necessidades operacionais do sector. Esta PU actuou como um normal grupo de combate, alinhando em diversas operações.

Uma delas, a “Operações Panóplia”, teve início no dia 5 de Janeiro, cujo objectivo era Sambuiá, uma base IN instalada na área do batalhão.

Acompanhemos o texto da página 193, do livro acima citado:
  • “Á «675» caberia a «parte de leão».
  • Apoiada pela Companhias «487» (instalada na região Simbor ao longo do rio Sambuiá) e «461» (ataca Talicó e instala-se) e ainda pelo pelotão de morteiros «980» (vem pelo rio Cacheu, desembarca e instala-se a sul de Malibolon) a tropa de Binta actuaria na «península» de Sambuiá, reforçada pela guarnição do Posto de Guidage, (1 grupo de combate da «461») devendo destruir os objectivos principais - Sambuiá – Sambuiadim – Malibolon – e já no regresso, Uália e as suas casas de mato.”
Na ordem de operações, o «grupo de combate» do Pelotão de Morteiros 980, num total de 34 homens, partindo de Farim, tinha como missão descer o rio Cacheu num bote de borracha (zebro), que seria rebocado pela LFG «Cassiopeia» [1] que, sem abrandar a marcha e mantendo o ruído dos motores, permitiria um desembarque, não denunciado, na península. Era uma operação que combinava o transporte por via fluvial de tropas, não preparadas para tal actuação, até ao local em que iniciariam a progressão no terreno. No entanto, não podemos esquecer que se tratava de uma força que, apesar de ser de infantaria, a sua preparação técnica e táctica, era para actuar em posição fixa e não de movimento.

O cabo que prendia e rebocava o bote, a determinada altura partiu, pelo que foi necessário utilizar outro “esquema” de ligação. Apesar do desnível das duas embarcações – LFG versus bote – ser de cerca de 2 metros, foi adoptado o sistema de o cabo ser segurado pelos homens que seguiam no zebro. O ângulo formado pelo cabo de reboque, puxava o bota para baixo, pelo que poucos metros depois, se virou.
  • “Soube-se no dia seguinte da tragédia acontecida ao Pelotão de Morteiros «980» que, antes do local de desembarque, sofreu um acidente de consequências gravíssimas, por se ter virado o bote de borracha em que seguiam rebocados pela Vedeta de Guerra. Caíram à água todos os ocupantes do bote, em número superior a duas dezenas, morrendo afogados 8 homens que não conseguiram livrar-se do capacete e outro material que lhes dificultou os movimentos, perdendo-se ainda as armas que transportavam.”
Foi assim que em 05 de Janeiro de 1965 faleceram, por afogamento no Rio Cacheu [2]:
  • o Soldado Apontador de Morteiro ANTÓNIO DOMINGOS FÉLIX ALBERTO, solteiro, filho de José Alberto e Maria Vitória da Conceição Félix, natural da freguesia de Ramalhal, concelho de Torres Vedras. Foi inumado no cemitério do Ramalhal.
  • o Soldado Apontador de Morteiro – ANTÓNIO FERREIRA BATISTA, solteiro, filho de Augusto Gaspar Baptista e Francisca da Conceição, natural da freguesia de Aldeia Gavina, concelho de Alenquer. Foi inumado no cemitério de Aldeia Gavina.
  • o Soldado Transmissões ANTÓNIO JOSÉ PATRONILHO FERREIRA, solteiro, filho de Luís Faca Ferreira e Gertrudes Maria Patronilho, natural da freguesia de Torrão, concelho de Alcácer do Sal. O corpo não foi recuperado.
  • o Soldado Apontador de Morteiro ANTÓNIO MARIA FERREIRA, casado com Maria de Jesus, filho de Maria de Jesus Ferreira, natural da freguesia de Santa Maria de Viseu, concelho de Viseu. Corpo não recuperado.
  • o 1º Cabo Apontador de Morteiro ARLINDO SANTOS CARDOSO, solteiro, filho de Armindo Nunes Cardoso e Carminda Ferreira dos Santos, natural da freguesia e concelho de Oliveira do Bairro. Inumado no cemitério de Vila Verde, conselho de Oliveira do Bairro.
  • o Soldado Apontador de Morteiro – JOÃO JOTA DA COSTA, solteiro, filho de José Gonçalves da Costa e Maria do Rosário, natural da freguesia de Vila do Carvalho, concelho de Covilhã. Inumado no cemitério a sul de Binta (Guiné), na margem esquerda do rio Cacheu. Foi sepultado pela tripulação da LDG Orion.
  • o 1º Cabo Apontador de Morteiro JOÃO MACHADO, solteiro, filho de Francisco de Freitas e Antónia Machado, natural da freguesia de Creixomil, concelho de Guimarães. Corpo não recuperado.
  • o Soldado Apontador de Morteiro JOAQUIM GONÇALVES MONTEIRO, solteiro, filho de Joaquim Monteiro e Guilhermina Gonçalves, natural da freguesia e concelho de Pombal. Inumado no cemitério de Pombal.
Com a substituição do Batalhão de Cavalaria n º 490 pelo Batalhão de Artilharia nº 733, em 15 de Junho de 1965, a “missão” do «980» não se alterou. Continuou a ser uma PU operacional, fazendo as colunas de reabastecimento aos destacamentos de Jumbembem e Cuntima, além de patrulhamentos de combate, até ao seu regresso à metrópole.

José Martins – 5 de Outubro de 2009

Notas:
[1] - LFG «Cassiopeia»
A classe Argos foi uma classe de lanchas de fiscalização grandes (LGF), ao serviço da Marinha Portuguesa, entre 1963 e 1975.
As lanchas foram construídas entre 1963 e 1965 no Arsenal do Alfeite, e nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
As unidades desta classe foram baptizadas com o nome de constelações.
As Argos tiveram origem no Projecto de Lancha para Timor, resultante de um requisito da Capitania do Porto de Dili, para um tipo de lancha com capacidade para ser empregue na fiscalização das águas territoriais de Timor Português. Em virtude da Guerra do Ultramar, nenhuma das lanchas acabou por ir para Timor, sendo enviadas para África, onde foram empregues em operações militares.
A maioria delas foi transferida em 1975 para a República Popular de Angola, e as restantes afundadas ao largo da Guiné-Bissau no mesmo ano.
De notar que a Marinha Portuguesa voltou a utilizar o nome de Classe Argos para denominar uma nova classe de Lanchas de Fiscalização lançadas ao mar em 1991.

Unidades

Número de amura - Nome ------- Comissão ------------------- Estado
P 372..................NRP Argos....14 de Junho de 1963........Abatida em Luanda em 28 de Maio de 1975
P 374 NRP.............Dragão .......17 de Julho de 1963 ........Abatida em Luanda em 28 de Maio de 1975
P 375 NRP.............Escorpião ....21 de Agosto de 1963 ......Abatida em Luanda em 30 de Setembro de 1975
P 373 NRP............Cassiopeia...13 de Janeiro de 1964....Abatida em 7 de Setembro de 1974 e afundada em .........................................................................21 Setembro 1974, 104 milhas a Oeste de Bissau
P 376 NRP.............Hidra.........11 de Abril de 1964..........Abatida em Luanda em 28 de Maio de 1975
P 379 NRP.............Pegaso.......16 de Outubro de 1963......Abatida em Luanda a 4 de Outubro de 1975
P 361 NRP.............Lira...........19 de Junho de 1964........Abatida em Luanda a 30 de Setembro de 1975
P 362 NRP.............Orion.........24 de Outubro de 1964......Abatida em Luanda em 30 de Setembro de 1975
P 1130 NRP...........Centauro......23 de Abril de 1965..........Abatida em Luanda em 30 Setembro de 1975
P 1131 NRP..........Sagitário.....04 de Setembro 1965.......Abatida em 7 de Setembro de 1974 e afundada em ......................................................................... 21 de Setembro 1974, 104 milhas a Oeste de Bissau

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Argos_(1963)]

[2] – Elementos retirados das paginas 103 a 105 do 8º Volume – Tomo II - Livro 1 da Resenha Histórica Militar das Campanhas de África (1961-1974) – Guiné - Mortos em Campanha.

(José Martins)
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Notas de M.R.:

Vd. último poste desta série em:

Guiné 63/74 - P5076: (Ex)citações (51): Credibilidade e humildade precisam-se! (António Matos)


1. O nosso camarada António Matos, ex-Alf Mil Minas e Armadilhas da CCAÇ 2790, Bula, 1970/72, enviou-nos em 7 de Outubro de 2009 a seguinte mensagem:

Camaradas,

Caros editores, aqui vai mais uma pequena colaboração, esta motivada pela inserção dum "testemunho de guerra" a que o Correio da Manhã, pelos vistos, está a dar visibilidade.
Credibilidade e humildade precisam-se!

Domingo,
04 de Outubro de 2009,
Suplemento Correio da Manhã,
Páginas 32 a 35,
Testemunho de Jorge Patrício: "No mato tinha de matar para não morrer".

Com o respeito que me possa merecer o camarada Patrício, as suas recordações, fantasiosas ou nem por isso, pareceram-me, eivadas de um espírito Rambo demasiado marcado e a tirar credibilidade ao discurso.

Não gostei e lamento que este ex-combatente não tenha ainda intervido no blogue para aferir das suas capacidades prosaicas e, simultaneamente, confrontá-lo com alguma crítica à sua beligerante intervenção na Guiné.

..." Foi uma coisa infernal, um tiroteio medonho. Matei muitos inimigos. Ali era assim: no mato tinha de matar para não morrer"...

... "O meu pelotão foi apanhado pelo fogo inimigo e escondemo-nos na água de um rio. Eu só tinha a cabeça de fora de água para poder respirar. As balas assobiavam por cima de mim. Vi a água a fazer salpicos e as granadas a rebentarem por perto. Pensei que ia morrer. No entanto, pedimos apoio aéreo e avançámos com toda a força que tínhamos: fizemos dezenas de mortos "...

... "Numa operação de limpeza com quatro companhias de infantaria, uma de comandos e outra de fuzileiros, matámos e destruímos tudo o que nos aparecia pela frente. Os inimigos pareciam macacos em cima das árvores. Não lhes demos hipóteses"...

Definitivamente, este discurso já não se usa e não fôra o caso de eu não conhecer o Patrício e diria que tinha sido encomendado!

Abraços à tertúlia,
António Matos
Alf Mil Minas Arm da CCAÇ 2790

Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2009). Direitos reservados.
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Notas de M.R.:

Vd. último poste desta série em:

Guiné 63/74 - P5075: Não-Estórias de Guerra (1): O Furriel Enfermeiro de Quebo (Manuel Amaro)

1. Mensagem de Manuel Amaro *, ex-Fur Mil Enf da CCAÇ 2615/BCAÇ 2892 que esteve em Nhacra, Aldeia Formosa e Nhala nos anos de 1969 a 1971, com data de 26 de Setembro de 2009:

Caros Editores,
Há muito, muito tempo que não colaboro activamente no blogue.
Este regresso de férias permitiu-me descobrir umas coisas congeladas, que vou enviar, assim, aos bocadinhos.
Hoje é esta não-estória.

Com um pedido de desculpas pelo incómodo.
Um Abraço
Manuel Amaro


2. Uma não-estória de guerra > O Furriel Enfermeiro de Quebo
por Manuel Amaro

Eu delicio-me a ler e ver estórias de guerra. Em livros, em filmes e, mais recentemente, aqui no blogue.

Mas eu não tenho estórias de guerra para contar porque, apesar de ter estado em zona de guerra, de 28 de Outubro de 1969 a 6 de Setembro de 1971, durante todo esse tempo nunca disparei um único tiro. Logo, não fiz a guerra.

Mas eu gosto de participar. Então, decidi contar a minha não-estória de guerra, na Guiné-Bissau.

Quando cheguei a Aldeia Formosa (Quebo) no final de 1969, aquilo era assim quase um paraíso.

Tínhamos feito um mês de estágio em Nhacra (englobando Safim, João Landim, Cumeré e Dugal). Aqui no Dugal, o Pelotão do Alferes Caçador ainda foi presenteado com uma rocketada que levantou as chapas da cobertura.

A viagem em LDG, via Bolama, até Buba, foi desagradável. A coluna Buba/Aldeia de uma qualidade indescritível.

Mas em Aldeia Formosa não havia guerra. Diziam os mais velhos que isso se devia à acção de alguns Comandantes que por lá passaram, nomeadamente o major Azeredo e o major Fabião. E também devido à existência do Cherno Rachid Djaló. Mas… como não há bem que sempre dure…

Entre 20 de Março e 30 de Abril de 1970, Aldeia Formosa foi duramente castigada pelo inimigo. Tanto com emboscadas no mato, de que resultaram três mortos, como ataques ao quartel.

Os ataques do PAIGC a Aldeia Formosa incomodaram tanto o General Spínola que este tomou a decisão de substituir o Comandante do BCAÇ 2892, nomeando para o cargo, o Ten Cor Manuel Agostinho Ferreira.

O novo Comandante, mal tomou posse reuniu com o 2.º Comandante, o Oficial de Operações, Comandantes de Companhia, Oficiais e Sargentos. Falou muito e ouviu pouco. De seguida, sentou-se naquela mesa enorme, na Sala de Operações, e, olhando para os mapas, questionava o oficial de operações:
- A CART 2521 tem o pessoal todo operacional?
- Sim, tem, meu Comandante.
- E a CCAÇ 2615 tem o pessoal todo operacional?
- Sim, tem, meu Comandante - repetiu o Major... Mas hesitou e corrigiu…
- Bem, quer dizer… o Furriel Enfermeiro está destacado no Posto Escolar.

O Comandante deu um salto e gritou:
- É isso… não pode ser. O pessoal de saúde tem que estar integrado nas suas Unidades Operacionais. Esse Furriel cessa funções hoje. Amanhã já está integrado na Companhia. Nomeia-se outro Furriel, Amanuense ou de Transmissões, para a Escola.

O Tenente Lopes, que dava os últimos retoques no stencil da Ordem de Serviço, ainda conseguiu incluir o texto do Despacho, que foi publicado e distribuído, nesse dia, já noite dentro.

Esta foi a grande decisão do novo Comandante. E a decisão foi cumprida

No dia 6 de Maio de 1970, quando o Pelotão (aqui apetece-me chamar-lhe Grupo de Combate) saiu para a Operação de rotina, já integrava o Furriel Enfermeiro, de camuflado, carregando uma bolsa tradicional, mas de G3 a tiracolo. Esta cena teve assistência, mirones, assim uma coisa semelhante à apresentação do Cristiano Ronaldo, em Madrid…

Saliente-se que esta decisão e a sua imediata implementação, foi tão importante que, quando o Pelotão que fazia a segurança nocturna, no exterior do quartel, regressava a casa, já se cruzou com o gila, informador do PAIGC, que ia a caminho da fronteira, para transmitir a novidade.

Nino recebeu o mensageiro que chegou com ar cansado da viagem, mas feliz por cumprir tão importante missão informativa:
- O novo Comandante de Quebo já tomou uma decisão. O Furriel Enfermeiro que estava na Escola passou a operacional. A partir de hoje, cerca de 15% das operações na área de Quebo terão a sua participação.

Nino, que de início parecia tranquilo, começou a dar sinais de impaciência e algum nervosismo. Para disfarçar, começou por acariciar a sua kalash com a mão direita, mas a esquerda, mais difícil de controlar, começou a coçar a cabeça. Quando o Nino coçava a cabeça já se sabia que alguma coisa estava a correr muito mal.
- Isso é mau. E logo agora que tínhamos algum controlo na zona.

Nino pensou, pensou… mas não demorou mais de cinco minutos para ordenar aos seus adjuntos o que fazer de imediato:
- As armas pesadas cumprem o plano até esgotar as munições... O grupo do GB, até ordem em contrário, não faz as emboscadas previstas na zona de Quebo.

E a ordem foi cumprida. E a vida continuou. Até que uns dias depois, ainda em Maio, o gila aparece de novo e informa:
- Camarada Comandante Nino, o Furriel Enfermeiro deixou a zona operacional. Agora só faz colunas de reabastecimento Quebo/Buba/Quebo. É que os outros enfermeiros não gostam de fazer colunas e ele gosta de ir a Buba comer peixe grelhado e cumprimentar os amigos que tem em Buba e Nhala.

Nino pareceu não dar muita importância à informação, mas logo que o gila se afastou, ordenou, até ordem em contrário, a paragem da colocação de minas na estrada e/ou ataques às ditas colunas. E a ordem foi cumprida.

Mas a vida no teatro de guerra é muito agitada, mesmo para quem não faz a dita. Ainda decorria o mês de Junho e já o gila estava a solicitar nova audiência.
- Camarada Comandante Nino´, lembra-se do Furriel Enfermeiro de Buba, que foi ferido e não foi substituído? Está no Hospital em Lisboa, com uns centímetros de intestino a menos…

Nino não entendeu a razão desta conversa, mas replicou:
- Em Buba os colonialistas têm um médico.
- Pois - concordou o gila -, mas o médico vai de férias a Portugal. O Camarada Nino imagina quem vai substituir o médico durante esse tempo?... O Furriel Enfermeiro do Quebo.

Nino soltou um palavrão. (Que eu não repito, porque eu não escrevo palavrões, mesmo quando são ditos por outros). E depois ordenou:
- Até ordem em contrário, o Grupo do MS não executa ataques na zona de Buba.

E a ordem foi cumprida.... Em Outubro lá estava de novo o gila informador, o que era um incómodo para Nino, porque estas informações eram pagas, mas ao mesmo tempo eram informações válidas e sempre credíveis, portanto úteis, para a operação do PAIGC.
- Então que notícias temos de Quebo? - perguntou Nino.
- Coisa grande, Camarada. A Companhia de Nhala vai para Quebo e a de Quebo vai para Nhala.

Nino não entendeu a razão da importância desta informação e argumentou:
- Mas isso é uma simples troca, não altera nada.
- Altera, sim, camarada Comandante. É que o Furriel Enfermeiro, agora, vai ficar em Nhala, até ao fim da comissão, em Setembro do ano que vem. – sentenciou o gila.

Nino, que até ali estivera de pé, durante toda a conversa, sentou-se, baixou a cabeça, colocou-a entre as mãos e, em vez do tradicional palavrão, disse baixinho:
- … Dasse… dasse… dasse…

Passados uns minutos levantou-se, passou as mãos pelo rosto, alisou o cabelo e ordenou a todos os seus comandantes:
- Até Setembro de 1971, não haverá qualquer acção contra os militares colonialistas instalados em Nhala, incluindo o quartel, a estrada e os carreiros.

E a ordem foi cumprida.... Em Setembro de 1971, o Furriel Enfermeiro do Quebo e Nhala regressou à Metrópole. O gila emigrou e é estivador no porto de Marselha. O Nino… bem, sobre o Nino toda a gente sabe tudo.

A maior parte dos protagonistas desta não-estória já faleceram e não poderão confirmar o que aqui está escrito. Mas o nosso Camarada José Martins, recorrendo a todas as suas fontes de informação, poderá confirmar que todas as ordens de Nino, aqui referidas, foram cumpridas.

A bem de uma situação de guerra, que se queria de paz.

Um Abraço
Manuel Amaro
CCAÇ 2615


2. Comentário de CV:

E assim, com esta fantástica não-estória de guerra do nosso camarada Manuel Amaro, a quem aproveito para pedir desculpa pelo tempo que demorei a publicá-la, demos início a uma série que pode servir para guardar as vossas ficções ou histórias verdadeiras, mas colaterais a acções de guerra propriamente dito.
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Nota de CV:

(*) Vd. poste de 20 de Agosto de 2009 > Guiné 63/74 - P4840: Parabéns a você (20): Manuel Amaro, ex-Fur Mil Enf da CCAÇ 2615/BCAÇ 2892 (Os Editores)

Guiné 63/74 - P5074: Em busca de... (95): Informações sobre o meu pai, Malan Sanhá (Nero), natural de Gamol, Fulacunda (Fode Sanhá)

ATENÇÃO
GUINÉ-BISSAU

A P E L O

1. Recebemos uma mensagem de um guineense, o Fode Sanhá, que nos indica estar na cidade de Hamburgo, Alemanha, solicitando-nos que publiquemos o seguinte:

Luís Graça,

Quero desejar-te as maiores felicidades deste mundo, pois através deste teu blogue eu tenho visto muitas fotos da minha querida Terra… da nossa Terra.

Estou a escrever esta mensagem, por causa de uma profunda tristeza minha… do meu passado… da infância.

A minha data de nascimento é 2 de Fevereiro de 1973 e estou-te a escrever para pedir ajuda num grande favor.

Eu não conheço o meu pai. Ele combateu na zona sul do país, em Tite, e tudo o que dele sei, é o seu nome, Malan Sanha (Nero).

Pertencia à Tabanca de Gamol, junto a Fulacunda [, a noroeste].

Fica com Deus e com muita saúde, e felicidade, ao lado da tua família.

Qualquer informação, por pequena que seja, que me possam prestar, por favor façam-no para o meu e-mail: fodesanha32@yahoo.co.uk

Muito agradecido,
Fode Sanhá
Hamburgo
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Nota de M.R.:

(*) Vd. último poste da série em:

Guiné 63/74 - P5073: Tabanca Grande (178): O ex-Cap Art Gualberto Passos Marques, CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/72

Guiné > Zona leste > Sector L1 > Bambadinca, > CCS/BART 2917 (1970/72) > "Eu, o Furriel Durães e mais pessoal da CCS do BART 2917 em acção psicológica junto das populações"...

O Benjamim acrescenta (e corrige): "O ex-Capitão Passos Marques e alguns militares do PEL REC (1º Cabo Rodrigues, já falecido, o 1º Cabo Ribas e o 1º Cabo Fonseca que era o barbeiro, e mais dois militares, que eram sapadores mas não consigo identificar. O Durães nessa foto não está)"... Não é indicado nem o lugar nem a data... (LG)

Foto: © Gualberto Magno Passos Marques (2009). Direitos reservados


1. Mensagem do Gualberto M. P. Marques, com data de hoje (*):

Caro amigos:

Foi com imenso prazer que vos digo que aproveitei a oportunidade de estar com o Benjamim Durães, após a comissão na Guiné.

Passaram quase 40 anos de maneira que é tempo mais que suficiente para modificar a nossa fisionomia...e por vezes fazer-nos passar uns pelos outros sem que nos reconheçamos.

O camarada Luis Graça foi muito amavél no comentário que fez à minha pessoa e ao convidar-me a participar no Blog, que tão eficientemente dirige.

É muito provável que em Bambadinca tivéssemos conversado e tocado opiniões, como camaradas que se encontravam em serviço na mesma zona. Sou franco em admitir que já não me recordo bem das feições dos muitos amigos e camaradas que naquela altura convivíamos com idênticos problemas e preocupações.

Não quero deixar de aproveitar a oportunidade para saudar todos os amigos, camaradas e colegas que acedem ao Blog Tabanca Grande e expressar o meu agradecimento por tudo que fazem em prol do espírito de fraternidade, camaradagem e convívio.

Aos colegas,amigos e camaradas do BArt 2917, desde já envio um abraço e desejos de saúde e muito sucesso nas suas vidas.

Para terminar envio ao Benjamim Durães e ao Luís Graça um grande abraço e um Bem Haja... por tudo o que fazer por altruísmo tendo em vista a manutenção dos laços de amizade e fraternidade de todos aqueles que caminharam pelas picadas e bolanhas da Guiné.


SAUDAÇÃO

À Tabanca Grande saúdo, com emoção,
Ao recordar os camaradas e amigos
Que, em momentos de perigo e aflição,
Nunca deixaram de permanecer unidos.

Maduros e serenos, nossos corações,
Vamos continuar a apertar as mãos,
Evocando amigos e boas recordações
Numa vida de dor, saudade e solidão.

Éramos filhos e hoje somos avós,
No entanto nunca estivemos sós,
Em qualquer outra contingência.

Agora vamos brindar, a uma só voz,
Conscientes que permanecem em nós
Os que infelizmente marcam ausência.


Um abraço

Faro, 7 de Outubro de 2009
G.M.

[Fixação / revisão de texto: L.G.]

2. Saudação do Jorge Cabral:

Um Grande Abraço para o Passos Marques!

Já o conhecia de Vendas Novas e sempre o considerei um Amigo. Há tempos encontrei o Agordela, capitão de Mansambo. Fico feliz quando constato que os rapazes do meu tempo continuam em forma...Qualquer dia mandarei um estória com estas duas personagens...

Jorge Cabral



3. Comentário de L.G.:

Caríssimo Gualberto... Não sei como tratar-te, de acordo com as regras da civilidade romana em vigor no nosso blogue... Gualberto, Magno ou Passos Marques ? Ou só Gualberto Marques ? Logo o dirás, na volta do correio.

E agora vamos agradecer a tua caloroso e brilhante saudação em forma de soneto. Não te conhecia esta faceta. Como te agadeço as fotos, com legenda, que tiveste a gentileza de nos enviar, através do camarada Durães. Faltam, agora, as pequenas/grandes histórias do nosso tempo em que vivemos juntos, como bons vizinhos, em Bambadinca, desde pelo menos Maio de 1970 a Março de 1971 (eu, tu, a tua CCS e a nossa CCÇ 12)... Eu depois regressei a penates, e tu ficaste lá no planalto, a gerir a tua CCS, com uma incursão pelo Xime (que hás-de um dia explicar, se para tanto tiveres engenho, arte e sobretudo motivação)...

Abreviando, é uma honra, um privilégio e sobretudo um prazer ter-te aqui, nesta caserna virtual, ao nosso lado. Hoje, como no passado... Fica bem, acomoda-te, arranja aí um cantinho, tão confortável, no mínimo, como aquele que tinhas no nosso hotel de Bambadinca... Espero dar-me um Alfa Bravo no próximo encontro, o quinto, da nossa Tabanca Grande, em 2010. Luís Graça

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Notas de L.G.:

(*) 5 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5055: Tabanca Grande (177): Carlos Cordeiro, ex-Fur Mil At Inf (Centro de Instrução de Comandos - Angola, 1969/71)

(**) Vd. postes de:

6 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5060: Memória dos lugares (45): Bambadinca, BART 2917, 1970/72, ex-Cap Art Passos Marques (Benjamim Durães)

7 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5070: Memória dos lugares (46): Bambadinca, ao tempo da CCS / BART 2917: O Arsénio Puim e o Abel Rodrigues (Passos Marques)

7 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5071: Memória dos lugares (47): Bambadinca, a bela Helena no meio de Oficiais & Cavalheiros (Passos Marques)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Guiné 63/74 - P5072: Direito à Indignação (1): Abaixo de cão, isto é uma vergonha! (Mário Pinto)


1. O nosso Camarada Mário Gualter Rodrigues Pinto, ex-Fur Mil At Art da CART 2519 - "Os morcegos de Mampatá" (Buba, Aldeia Formosa e Mampatá - 1969/71), enviou-nos uma mensagem de revolta e indignação.

Camaradas,


ABAIXO DE CÃO - ISTO É UMA VERGONHA


Acabo de receber uma carta da Segurança Social, que me informa sobre o suplemento especial de pensão, que mereço como ex-Combatente desta Lusa Pátria.

Fiquei estupefacto pelo modo de cálculo para a sua atribuição, dado que o mesmo me corta, e creio que a todos os Camaradas em geral, em relação ao ano anterior, cerca de 50% do valor
recebido. Isto é uma injustiça indigna e revoltante de todo o tamanho, que nos é prestada pelos nossos (des)governantes em relação a nós - Veteranos de Guerra.

Nós, os que estivemos na Guiné, por não termos cumprido 24 meses de comissão, somos descriminados em relação aos nossos Camaradas, que cumpriram esse tempo neste e noutros teatros de Guerra, nomeadamente os que tiveram em Luanda, que para o efeito continuam a ver contado o seu tempo a 100%.

Estes “senhores” criaram a Lei n.º 3/2009, de 13 de Janeiro, nítida e objectivamente para nos
prejudicar.

Isto é duma injustiça de carácter maquiavélico, dando-me vontade de mandar estes políticos governantes meterem o subsídio num sítio, que eu agora não digo pelo respeito aos nossos leitores e Amigos.

Se não fosse eu dar aos míseros Euros (leia-se esmola) que vou receber, outro destino mais benéfico, acreditem meus amigos que eu o faria.

É revoltante como estes politicozecos de m... nos continuam a tratar assim… abaixo de cão.

Como vários camaradas nossos já aqui têm afirmado, é necessário cerrar fileiras para fazermos ouvir a nossa voz.

Vamos em frente!

Contem comigo!

Haja quem toque a reunir as tropas!

Certo que não estarei sozinho, alinharei na primeira linha!






Um abraço,
Mário Pinto
Fur Mil At Art


Imagens: Mário Pinto (2009). Direitos reservados.

Guiné 63/74 - P5071: Memória dos lugares (47): Bambadinca, a bela Helena no meio de Oficiais & Cavalheiros (Passos Marques)

Guiné > Zona leste > Sector L1 > Bambadinca, > CCS/BART 2917 (1970/72) > s/d > Messe de oficiais > Da esquerda para a direita: (i) o Cap Art Passos Marques, comandante da CCS; (ii) o Alferes Sapador da CCS, Luís Moreira; (iii) a Helena, a mulher do Alf Mil Inf Carlão (CCAÇ 12); (iv) o Alf Mil Inf Abel Rodrigues (CCAÇ 12); (v) o Alf Mil Abílio Machado (CCS); (vi) e mais dois Alferes da CCAÇ 12 que não me recordo dos nomes (BD)... [Trata-se do Moreira, do 1º Gr Comb da CCAÇ 12; o que está à sua esquerda, de bigode, não pertencia à CCAÇ 12; não me recordo o seu nome. (L.G.)]

A foto foi enviada pelo Passos Marques (major reformado, que vive em Faro), a legenda é do Benjamim Durães (ex-furriel miliciano do Pelotão de Reconhecimento, PEL REC, da CCS do BART 2917, Bambadinca, 1970/72, actualmente residente em Palmela) (*).


Foto: © Gualberto Magno Passos Marques (2009). Direitos reservados

[Título do poste: L.G. Um abraço para a Helena e o Carlão, que tive o prazer de rever em Fão, Esposende, no dia 26 de Novembro (de trágica memória!) de 1994, por ocasião do 1º convívio da malta de Bambadinca, 1968/71: CCAÇ 12, CCS do BCAÇ 2852 e outras subunidades).

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Nota de L.G.:

(*) Vd. último poste da série:

7 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5070: Memória dos lugares (46): Bambadinca, ao tempo da CCS / BART 2917: O Arsénio Puim e o Abel Rodrigues (Passos Marques)

Guiné 63/74 - P5070: Memória dos lugares (46): Bambadinca, ao tempo da CCS / BART 2917: O Arsénio Puim e o Abel Rodrigues (Passos Marques)

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS / BART 2917 (1970/72) > s/d> O Alf Mil Capelão Arsénio Puim, expulso do Batalhão e do CTIG em Maio de 1971 (*).

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS / BART 2917 (1970/72)> s/d > O Al Mil Capelão Arsénio Puim, um religioso muçulmano local (provavelmente de etnia fula) e o Alf Mil Abel Rodrigues, da CCAÇ 12 (1969/71). (**)

Fotos: © Gualberto Magno Passos Marques (2009). Direitos reservados


1. Estas (e outras) fotos chegaram-nos através do nosso camarada Benjamim Durães que, no verão passado, esteve com o ex-Cap Art Passos Marques (hoje major, presumivelmente na reforma), que comandou a CCS do BART 2917.

Gualberto Magno Passos Marques, de seu nome completo, vive em Faro (foto à esquerda) (***). Eis o mail que ele mandou, em 25 de Setembro último, ao Benjamim Durães, a acompanhar as citadas fotos:

Assunto - Fotos com o nosso capelão Arsénio Puim

Caro Benjamim Durães:

Conforme te prometi por telefone, aí vão as duas fotos em que está presente o nosso estimado padre Puím (***). São as únicas fotos em que ele está presente. Infelizmente o comando daquele batalhão não só não o soube compreender nem merecê-lo, como bom homem e um digno e humano camarada.

Enfim..... ele não foi o único elemento que esteve sujeito a decisões e atitudes pouco amistosas que só prejudicaram a convivência entre pessoas que mereciam ter um ambiente mais leal e fraterno.

Nas outras duas fotos [, a publicar posteriormente,] também estão alguns dos nossos camaradas que de vez em quando tinham oportunidade de confraternizar e trabalhar....

Um abraço e até amanhã

Gualberto

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Notas de L.G.:

(*) Sobre o Arsénio Puim, hoje enfermeiro reformado, a viver na Ilha de S. Miguel, Açores, vd. postes de:

21 de Setembro de 2009 > Guiné 63/74 - P4989: Memórias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/Mai 71)(3): De Bissau a Bambadinca, a cova do lagarto

14 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4521: Memórias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/ Mai 71) (1): No RAP 2, V.N. Gaia, onde fez mais de 60 funerais

10 de Julho de 2009 >Guiné 63/74 - P4666: Memorias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/Mai 71) (2): De Viana do Castelo a Bissau

3 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 – P4455: Estórias cabralianas (50): Alfero, de Lisboa p'ra mim um Fato de Abade (Jorge Cabral)

26 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4416: Memória dos lugares (26): Bambadinca, CCS/BART 2917, 1970/72 (Arsénio Puim, ex-capelão)

25 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4412: Dando a mão à palmatória (20): O Arsénio Puim, capelão do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), só foi expulso em Maio de 1971

25 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4410: Cancioneiro de Bambadinca (4): Romance do Padre Puim (Carlos Rebelo † )

23 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4404: CCS do BART 2917: a emoção do reencontro, 38 anos depois (Arsénio Puim)

19 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4378: Arsénio Puim, o regresso do 'Nosso Capelão' (Benjamim Durães, CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/72)

18 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4372: Convívios (131): CCS / BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), com o Arsénio Puim e os filhos do Carlos Rebelo (Benjamim Durães)

17 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1763: Quando a PIDE/DGS levou o Padre Puim, por causa da homília da paz (Bambadinca, 1 de Janeiro de 1971) (Abílio Machado)

(**) O Abel Rodrigues foi, até agora, o único dos oficiais milicianos da CCAÇ 12 (que ainda estão vivos) a entrar para a nossa tertúlia. Além dele, ainda havia o Carlão e o Moreira. Havia um outro Rodrigues, que infelizmente já faleceu. A CCAÇ 2590/CCAÇ 12 esteve em Contuboel e Bambadinca (Maio de 1969/Março de 1971).

O Abel, hoje bancário reformado, vive (ou vivia) em Mirando do Douro. Já tentei telefonar-lhe, mas em vão. Não tenho tido notícias dele. Julgo que o seu mail também está desactualizado.

Vd. postes de:

5 de Março de 2007 > Guiné 63/74 - P1565: A CCAÇ 12, o nosso 'neto' António Duarte e os nossos queridos 'nharros' (Abel Rodrigues)

13 de Outubro de 2006 > Guiné 63/74 - P1171: Abel Rodrigues, o primeiro ex-oficial miliciano da CCAÇ 12 a entrar para a nossa tertúlia

(***) Vd. poste de 6 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5060: Memória dos lugares (45): Bambadinca, BART 2917, 1970/72, ex-Cap Art Passos Marques (Benjamim Durães)

Guiné 63/74 - P5069: Historiografia da presença portuguesa em África (22): África, da Vida e do Amor na Selva, Edições Momentos, 1936 (Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Outubro de 2009:

Luís e Carlos,

Para mim, este livro é uma inteira revelação. Nem o Leopoldo Amado o menciona no seu importantíssimo ensaio 'A literatura colonial guineense'.

Tenho muito orgulho em passar esta informação para dentro da nossa caserna.

Um abraço do
Mário


A Guiné e o 1.º Prémio da literatura colonial, 1936
Beja Santos

É curioso como o título "África, da vida e do amor da selva” consta de toda a bibliografia elementar da história da Guiné e nunca foi me foi possível encontrar a obra nas principais bibliotecas. Na verdade, o autor mencionado é sempre João Silva e agora, quando finalmente encontrei o livro, o nome que consta é João Augusto. Trata-se de uma obra a vários títulos singular, pode perfeitamente emparceirar, pelo grau de importância, com “Mariazinha em África”, de Fernanda de Castro, e “Auá”, de Fausto Duarte, duas obras pioneiras na literatura colonial guineense. Não consegui encontrar quaisquer referências a João Augusto que, conforme se pode ler no livro “África, da vida e do amor da selva” viveu bastantes anos na Guiné (e pelo menos durante seis anos foi caçador). O que ainda aguça mais a curiosidade é querer descobrir o que ali fez João Augusto (Silva) e como estabeleceu uma relação tão profunda com a Guiné e o seu povo. Um desafio para todos nós, em Portugal e na Guiné.

Na introdução, ele escreve:

“Contam-se seis anos desde que embarquei em feio vapor encarvoado, com destino a África, decidido à vida aventurosa no sertão sob o céu dos trópicos”. Mais adiante, aludirá a uma experiência pretérita, pois “tinha recordações confusas de mandingas de cofió vermelho, ou negro turbante, largas calças de dril branco, a dar a dar, conforme caminho guiando os seus burricos carregados de mancarra”. Mas também tinha saudades de “aquele cheiro particular, seco e sedento do mato após as queimadas, a dor dos olhos, causado pelo sol violento do meio-dia, o odor desagradável dos pântanos, o esplendor do rio sereníssimo, como a superfície polida de um espelho, o mar encrespado das árvores, em cujas ondas verdes eu mergulhava, em busca dos ninhos das rolas, pombas verdes e colibris”.

A sua paixão pela Guiné não o impede de ter o seu olhar colonial desperto, não esquecera, por exemplo, a palmatória de pau-ferro para castigo dos africanos. Mas a sua paixão era irreprimível:

“Guiné, Guiné... terra bendita, onde as andorinhas cantam; terra bendita, do arroz, do amendoim e do óleo de palma, onde não se conhece a fome e onde não há mendigos”.

É bastante crítico sobre a colonização “feita pelas mais desvairadas gentes, desde os revolucionários profissionais e bandidos políticos, até àquelas almas generosas e boas, que procuram, em África, os esquecimentos das misérias terrenas”.

Revela que casou com três mulheres fulas e uma mandinga, sente-se permanentemente seduzido pela magia deste país de febres, país de terras vermelhas, entrecortado de rios sinuosos, de leito lodoso e fétido, onde habitam os crocodilos.

Após uma descrição das diferentes etnias guineenses, entramos propriamente neste livro de contos e lendas, onde se fala do suicídio do proprietário Kebala, das astúcias dos jovens Balantas nos roubos e pilhagens, a arte da caça, abarcando a gazela, o búfalo, o sim-sim (antílope grande), a onça (nome que na Guiné se dá erradamente ao leopardo), a fritamba (pequeno antílope muito ligeiro... é aqui que indiscutivelmente João Augusto se sente mais à vontade, falando das “longas” (espingardas de carregar pela boca), de bornais de pele de gazela contendo o chifre da pólvora, a caixinha das espoletas, o trapo para buchas, e até de um cinturão de cabedal benzido por um moiro virtuoso.

Há mesmo histórias de caça contadas por animais: Kemba, a gazela que oferece a sua vida ao caçador Ieró, suplicando-lhe que poupe Cumba, a gazelita sua filha, como também um diálogo entre um leopardo a sofrer com um osso entalado na garganta e uma hiena, a hiena salva-o e ele promete nunca atacar as suas crias que a hiena diz serem as mais belas espécies animais... tudo isto tem um sabor a fábulas de Esopo ou de La Fontaine. O produto final é admirável, é surpreendente dentro da literatura modernista da época, em suma, uma agradável surpresa de um caçador e de uma obra literária completamente desconhecidos (para mim).



Comentário: O livro de João Augusto intitula-se África da vida e do amor na selva, Edições Momentos, 1936. O livro está profusamente ilustrado, optou-se pelo seu auto-retrato, um bom exemplo do modernismo, há aqui qualquer coisa de Almada Negreiros.
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Notas de CV:

30 de Setembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5036: Historiografia da presença portuguesa (21): Monografia da Agência Geral do Ultramar, 1961 (Beja Santos)

Guiné 63/74 - P5068: As nossas placas de identificação (Carlos Cordeiro)

1. Em mensagens com data de 4 de Outubro de 2009, o nosso tertuliano e camarada Carlos Cordeiro* (ex-Fur Mil que cumpriu a sua comissão em Angola) mandou-nos este trabalho de pesquisa sobre as célebres chapas de identificação, que alguns de nós usaram ao pescoço durante a permanência em Teatro de Operações.

Se para mais não servir, será um pouco de cultura geral de um tempo passado que nos tocou muito.



AS NOSSAS PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO

Decreto-Lei n.º 45838

Tornando-se necessário melhorar e uniformizar os meios de identificação individual para uso nas forças armadas e generalizar o seu emprego;
Verificando-se também ser necessário que aos elementos particulares de identificação sejam acrescentados outros dados de informação pessoal, particularmente úteis em caso de acidente grave;

Nestes termos:
Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2.º do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, nos termos do § 2.º do artigo 80.º, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1.º É criada para uso do pessoal militar das forças armadas uma placa de identificação, destinada a conter os elementos de identificação necessários para reconhecimento do seu portador.

Art. 2.º O Ministro da Defesa Nacional definirá, em portaria, as características da placa de identificação.

Art. 3.º A placa de identificação será de distribuição generalizada e de uso obrigatório.

Publique-se e cumpra-se como nele se contém.

Paços do Governo da República, 30 de Julho de 1964. - ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR - José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira - Manuel Gomes de Araújo - Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior - João de Matos Antunes Varela - António Manuel Pinto Barbosa - Joaquim da Luz Cunha - Fernando Quintanilha Mendonça Dias - Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira - Eduardo de Arantes e Oliveira - Inocêncio Galvão Teles - Luís Maria Teixeira Pinto - Carlos Gomes da Silva Ribeiro - José João Gonçalves de Proença - Francisco Pereira Neto de Carvalho - Francisco António das Chagas.


Portaria n.º 21289

Sendo necessário definir as características a que deve obedecer a placa de identificação criada pelo Decreto-Lei n.º 45838 , de 30 de Julho de 1964:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, nos termos do artigo 2.º do mesmo diploma, aprovar e pôr em execução o modelo da referida placa, conforme anexo à presente portaria.

Presidência do Conselho, 19 de Maio de 1965. - O Ministro da Defesa Nacional, Manuel Gomes de Araújo.

Características da placa de identificação

1.º A placa de identificação tem a forma de uma oval, com 40 mm no eixo maior e 28 mm no eixo menor, e é feita da liga designada por metal branco ou argentão francês, com 1 mm de espessura.

2.º Na placa há dois orifícios, sendo destinados, um à passagem da corrente de suspensão e o outro para suspender a metade da placa no arquivo competente quando se verificar a circunstância prevista na última parte do n.º 3.º do presente anexo. O primeiro, com centro a 5,5 mm de um dos extremos do eixo menor, é semicircular, com 3,5 mm de raio; o segundo, com centro a 3,75 mm do outro extremo do eixo maior, é circular, com 1,75 mm de raio.

3.º No eixo menor da placa existem duas ranhuras de 8,5 mm de comprimento, separadas de 5 mm. Estas ranhuras, que têm 1 mm de largura, destinam-se a permitir que as duas metades da placa se separem fàcilmente, o que terá lugar em caso de morte do portador; nesta circunstância, a metade da placa por onde passa a corrente de suspensão acompanhará o corpo, enquanto a outra metade será remetida ao arquivo competente.

4.º A corrente de suspensão, que é usada ao pescoço, é constituída por esferas de alumínio, com dois elos de ligação afastados 310 mm um do outro, e tem as seguintes características:
Diâmetro das esferas - 3 mm ((mais ou menos) 0,1 mm));
Comprimento da corrente - 620 mm;
Tensão de ruptura dos elos - entre 2 kg e 2,5 kg.

5.º As inscrições a gravar, iguais em cada uma das metades da placa, são em caracteres latinos, maiúsculos, dispostos em quatro linhas horizontais, de forma que o seu aspecto seja idêntico, qualquer que seja o orifício pelo qual se suspenda a placa.

Inscreve-se o seguinte:a) Na primeira linha - a palavra «Portugal»;
b) Na segunda linha, separadas por traços oblíquos:
1) A designação «OF», «SG» ou «PR», conforme o portador for, respectivamente, oficial, sargento ou praça;

2) A designação seguinte:

a. No Exército:
O número mecanográfico.

b. Na Armada:
1. Para oficiais do activo e da reserva da Armada (englobando cadetes):
O ano de admissão na Escola Naval (classes de marinha, dos engenheiros construtores navais, dos engenheiros maquinistas navais, de administração naval e dos engenheiros de material naval) ou o ano de ingresso nos quadros (classes dos médicos navais, dos farmacêuticos navais, do serviço geral e do serviço especial), seguido do algarismo atribuído à classe:
1 - Marinha.
2 - Engenheiros construtores navais.
3 - Médicos navais.
4 - Farmacêuticos navais.
5 - Engenheiros maquinistas navais.
6 - Administração naval.
7 - Engenheiros de material naval.
8 - Serviço geral.
9 - Serviço especial.
10 - Capelães.

2. Para oficiais, aspirantes a oficial e cadetes da reserva naval, reserva marítima e reserva legionária:
O ano de alistamento na Armada, seguido, respectivamente, das letras:
N - Reserva naval.
M - Reserva marítima.
L - Reserva legionária.

3. Para sargentos e praças do activo:
O número de matrícula, seguido do número de série a que aquele pertence.

4. Para sargentos e praças da reserva da Armada, reserva marítima e reserva legionária:
O número de matrícula atribuído pela 3.ª Repartição da Direcção do Serviço do Pessoal, seguido, respectivamente, das letras:
A - Reserva da Armada.
M - Reserva marítima.
L - Reserva legionária.

c. Na Força Aérea:

1. Para oficiais (pessoal permanente):
O ano de admissão na Academia Militar ou de ingresso no quadro, seguido dos números;
1 - Pilotos aviadores.
2 - Pára-quedistas.
3 - Pilotos navegadores.
4 - Engenheiros.
5 - Técnicos.
6 - Médicos.
7 - Intendência e contabilidade.
8 - Serviço geral.

2. Para oficiais milicianos (pessoal não permanente):
O ano de alistamento na Força Aérea, seguido do número correspondente à especialidade, conforme indicado na alínea anterior. Aos navegadores e aos farmacêuticos atribuem-se os n.os 3 e 6, respectivamente.

3. Para sargentos e praças:
O número de matrícula.

4. Para equiparados a militar:
O ano de ingresso no quadro, ou ano da equiparação, seguido dos números:
9 - Capelães.
10 - Médicos.
11 - Veterinários.
12 - Enfermeiros pára-quedistas.
13 - Músicos.

3) Um número indicando o ramo das forças armadas ao qual pertence o portador da placa, segundo a seguinte convenção:1 - Exército.
2 - Armada.
3 - Força Aérea.
c) Na terceira linha - as iniciais dos dois primeiros nomes do portador e o último apelido, escrito por extenso.
No caso de o portador usar o apelido Júnior, escreve-se por extenso o penúltimo apelido, seguido da indicação abreviada «J.or»;
d) Na quarta linha:
1) O grupo sanguíneo, seguido do sinal + ou -, segundo o factor rH é positivo ou negativo;
2) A religião por uma das seguintes abreviaturas, conforme o caso: Bud (budista), Cath (católico), Ind (hindu), Isr (israelita), Mus (muçulmana) e Prot (protestante);
3) A letra T (indicação da vacina antitetânica), seguida dos dois últimos algarismos do ano em que tal vacina foi ministrada pela última vez.

6.º O esquema da placa de identificação, na escala 2:1, é o constante do apêndice ao presente anexo.

Presidência do Conselho, 19 de Maio de 1965. - O Ministro da Defesa Nacional, Manuel Gomes de Araújo.

APÊNDICE


Esquema da placa de identificação
(ver documento original)
Profundidade de gravação (letras e vincos): 0,25 mm a 0,30 mm.
Espessura da chapa: 1 mm.
Escala utilizada: 2:1.

Presidência do Conselho, 19 de Maio de 1965. - O Ministro da Defesa Nacional, Manuel Gomes de Araújo.


Portaria n.º 498/70 de 8 de Outubro

Sendo necessário assegurar a distribuição das placas de identificação a todos os militares do Exército e da Força Aérea antes do seu embarque para comissão de serviço no ultramar;

Considerando que a inscrição na placa de identificação, aprovada pela Portaria n.º 21289, de 19 de Maio de 1965, da designação «OF», «SG» ou «PR» retarda inconvenientemente a sua distribuição:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, nos termos do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 45838 , de 30 de Julho de 1964, que seja eliminada das placas de identificação em uso no Exército e na Força Aérea a designação «OF», «SG» ou «PR».

O Ministro da Defesa Nacional, Horácio José de Sá Viana Rebelo.

OBS:-Cheguei a estas informações a partir do Google (chapas identificação militares ultramar). O site da legislação é o seguinte: http://pt.legislacao.org/

Carlos Cordeiro
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Nota de CV:

(*) Vd. poste de 5 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5055: Tabanca Grande (177): Carlos Cordeiro, ex-Fur Mil At Inf (Centro de Instrução de Comandos - Angola, 1969/71)