terça-feira, 30 de junho de 2009

Guiné 63/74 - P4614: Controvérsias (30): Milicianos… eram os peões das nicas! (Jorge Teixeira/Portojo)






1. Mensagem de Jorge Teixeira, ex-Fur Mil do Pelotão de Canhões s/recuo 2054 (Catió, 1968/70), esteve adido aos BARTs 1913 e 2845, com data de 29 de Junho de 2009:





Camaradas,

Duas unidades militares me deixaram boas saudades: A Escola Prática de Cavalaria - EPA - em Vendas Novas, e o GACA 3 em Paramos, Espinho.

Na primeira fiz a chamada especialidade. A camaradagem e convivência entre os futuros aspirantes e cabos milicianos era grande (o curso era simultâneo), e o respeito que nos dedicavam (aos instruendos), os oficiais e sargentos do quadro bem como os já formados aspirantes e cabos milicianos era muito grande.


Dos oficiais fiquei com bastante estima ao Capitão Branco - meu Comandante de Companhia (CSM); capitão Rei - meu Comandante de Companhia (COM) -, que vim a encontrar anos mais tarde na Guiné como Cmdt da CCAÇ 6 em Bula, e Capitão Oliveira, que foi comandante dos COMANDOS, na Amadora, anos depois.

Dois dos aspirantes, andaram simultânea e posteriormente comigo pelas bolanhas. Estes oficiais e pelo curso que me haviam ministrado, mais do que militarmente, formaram a minha mente. Talvez por isso aguentei a comissão na Guiné.

No GACA 3, dizia-se que os comandantes da unidade eram os cabos-milicianos. Deles dependia a unidade. Quem tiver coragem que me desminta.

Fui lá colocado juntamente com outros camaradas do último curso da EPA, bem como os aspirantes. Portanto, todos nos conhecíamos e a camaradagem era muito grande.

Tínhamos direitos escritos nas NEPs, ou lá como se chamava aquela coisa. Por exemplo era-nos permitido sair do quartel sem licença, de fim de semana, à noite, e andar à civil, mesmo dentro da unidade, desde o toque de saída até ao toque de entrada. Tínhamos uma Messe e Bar próprios.

E, claro, também tínhamos tarefas e serviços obrigatórios: Sargento de dia à Companhia, Sargento de Guarda, Sargento de Ronda e todas as outras “sargentadas” que a tropa nos exigia.

Mas já aí não havia serviços - que me lembre -, que envolvesse os sargentos do quadro, com excepção de sargento da companhia, o sargento vague-meste, o sargento da unidade (que era na altura era um sargento-ajudante - se estou errado na patente corrijam-me por favor) belíssima pessoa, que foi quem me deu a notícia em primeira mão da minha mobilização, na véspera de fazer os meus 22 aninhos.

Poderia haver um ou outro serviço que tocasse aos sargentos do quadro, mas tanto quanto me lembro, na generalidade, eram garantidos pelos furriéis milicianos.

Quero eu dizer na minha, que embora o ordenado fantástico de 90 escudos por mês (45 cêntimos na nova moeda), não desse para o tabaco, os 5 meses que passei no GACA 3 como Cabo-Miliciano foram muito bons. Acima de tudo e porque ainda hoje nos juntamos todos como bons amigos para recordarmos esses tempos malucos.

Já agora a talhe de foice, esse grupo chama-se “Bando dos Furriéis” (termo que já existia antes do “outro” chamar Bandos a quase tudo quanto estava na Guiné), que vem desde as Caldas, passou para Vendas Novas, entrou por Paramos/Espinho e, mais tarde, uma parte “desfez-se” com a mobilização.

Mas todos em comum, deram com os costados nas bolanhas da Guiné.

Um abraço para a Tabanca do,
Jorge Teixeira
__________
Notas de M.R.:

Vd. último poste sobre esta matéria em:

Vd. último poste da série em:

Guiné 63/74 - P4613: Histórias de um condutor do HM 241 (António Paiva) (8): Pôr os pontos nos "is"

1. Mensagem de António Paiva, (*), ex-Soldado Condutor no HM 241 de Bissau, 1968/70, com data de 22 de Janeiro de 2009:

Caros Luís, Carlos e Virgínio

Vamos lá pôr os pontos nos iiis. Convém.

Depois de ter mandado duas histórias passadas aos Domingos e outra que tenho para mandar também ter sido passada a um domingo, ainda toda esta família vai pensar que fui condutor de fim-de-semana. Mas não!

Estávamos operacionais, se assim se pode dizer, 24 horas por dia, tudo por amor à esmola que o patrão nos pagava.

Como disse no poste 3511, cheguei com um mês e tal de antecedência, como tal, não fui colocado como condutor, mas sim nos serviços de... telefonista, porteiro ou piquete de urgência.

Quando já estava feito aos meios do hospital, dois meses depois, me colocam com serviço definitivo. Pensei que ia ser por uns tempos, mas não, foi até ao fim de comissão.

Entregaram-me um jeep, não armas, nunca as usei, nem de dia nem de noite, nem fora do hospital mesmo com saídas durante a noite para ir buscar médicos ou enfermeiros, e mandaram-me para a Chefia do Serviço de Saúde, que ficava do lado direito do hospital, depois do pavilhão das consultas externas, ficando a fazer parte do Depósito de Material Hospitalar.

A minha colocação não posso dizer que fosse má, tinha um horário das 9 às l8 de segunda a sexta, pois fora desse horário todo o tempo era meu.

Não gostava, posso mesmo dizer que detestava, preferia estar ligado ao Hospital tempo inteiro, por isso só nos fins-de-semana e noites me sentia útil, quando o trabalho apertava ou complicava... eu estava lá. Era o meu mundo!

Onde param os jovens do meu tempo, que juntos partilhámos das mesmas alegrias e tristezas?

Um abraço
António Paiva
__________

Nota de CV:

(*) Vd. último poste da série de 28 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4432: Histórias de um condutor do HM 241 (António Paiva) (7): 4 dias de inferno em Junho de 1969

Guiné 63/74 - P4612: Contraponto (Alberto Branquinho) (2): Não vale a pena chorar

1. Mensagem de Alberto Branquinho, (*), ex-Alf Mil da CArt 1689, Guiné 1967/69, com data de 24 de Maio de 2009:

Meu Editor Carlos Vinhal

Espero que o nosso Editor e os demais co-Editores não fiquem zangados comigo, pois dirijo este mail ao pai dos CONTRAPONTOS, pois sem o estímulo do camarada-Editor Carlos Vinhal, eles não teriam visto a luz do dia (ou da noite, que é quando escrevo).

Aí vai o CONTRAPONTO (2) - "Não vale a pena chorar".

Um abraço para todos
Alberto Branquinho


CONTRAPONTO (2)

NÃO VALE A PENA CHORAR


Teria eu doze ou treze anos e estava em Lamego. Deveria ser Primavera, porque o tempo estava soalheiro, embora instável.

Depois do almoço, o meu Tio disse-me: - Rapaz, se logo à noite estiver bom tempo, vamos ali à Avenida ver a tropa chegar das manobras.

Não chovia. Sob a luz difusa dos candeeiros formavam-se pequenos grupos de pessoas, que, repetidamente, olhavam para o lado de quem vem da Senhora dos Remédios. A ideia que tenho é que não foi uma espera muito longa.

Começou a ouvir-se um sussurro ao longe, lá para o fundo escuro da Avenida. Um barulho surdo e contínuo aproximava-se.

Surgiram os primeiros homens, em formatura, batendo pesada e ritmadamente com as botas no chão, com capacetes na cabeça, armas em bandoleira, vestidos com uns capotes castanhos cor-de-terra quase até aos pés, carregando alforges da mesma cor. E passavam, passavam, passavam, pareciam nunca mais acabar. A imagem que guardo de cada um deles é a mesma da estátua do “Soldado Desconhecido”.

Marchavam com aspecto cansado, como condenados à morte. Mas o espanto maior não foi esse aspecto da formação militar que passava, batendo com as botas no chão. Não! O espanto maior foi porque eles CANTAVAM ao ritmo das passadas. Ainda recordo duas quadras, que o meu Tio me repetiu mais tarde:

Oh Laurinda, oh Laurinda
Não vale a pena chorar
Tu já sabias, Laurinda
Que eu ia p’ra militar.

Que eu ia p’ra militar
Que eu ia p‘ró Regimento
Oh Laurinda, oh Laurinda
Não me sais do pensamento.


E passavam, passavam sempre. E cantavam, cantavam sempre.

Passaram os últimos. Acabou-se o espanto.

A guerra acabou. Voltou o silêncio à Avenida.


Recordei isto dias depois de me obrigarem a ficar no CIOE, em Lamego – para fazer o chamado “Curso de Operações Especiais” (não “Ranger”, porque é marca registada nos Estados Unidos da América).

Não imaginara em criança que um dia seria tropa em Lamego, mas que, no final das manobras, não cantaria à Laurinda para não chorar.


Ora, a finalidade do “Curso de Operações Especiais”, segundo nos transmitiram logo no primeiro dia, era atingir a “DUREZA 11” – portanto um grau acima do diamante! No final do curso era entregue aos instruendos (alferes e furriéis milicianos na mobilização) uma fita escura, levemente arqueada, com as palavras “Operações Especiais”. (Parêntesis: Como haveria só um alferes e um furriel por cada Companhia mobilizada, ver-se-iam, mais tarde, impossibilitados de – somente a dois – fazerem qualquer operação especial).

O uso dessa fita, cosida ao alto da manga (direita ou esquerda?) do uniforme garantia “urbi et orbi” a “Dureza 11” do utente.


Era o mês de Novembro ou Dezembro de 1966

Acabado o curso, houve formatura para entrega das referidas fitas. Foram chamados quatro ou cinco, com ordem para darem um passo em frente. E frente a toda a formatura foi comunicado que, a esses quatro ou cinco, não lhes era atribuída a referida fita. Eu estava entre eles, com fundamento em qualquer coisa como resistência passiva.

Apesar do comportamento que lhe era exigido em formatura, um dos excluídos desatou a chorar lágrima a lágrima e, depois, em choro abundante e notório.

Mais tarde soubemos que a decisão fora reconsiderada e, consequentemente, lhe tinha sido atribuída a almejada fita. Chorando, terá conseguido a “Dureza 11”?

Ao contrário da Laurinda, valeu a pena chorar.
(Se é que valeu a pena fazer uma fita por uma fita).

Alberto Branquinho
__________

Notas de CV:

(*) Alberto Branquinho é o autor do livro "Cambança - Guiné, morte e vida em maré baixa" e da série do nosso Blogue "Não venho falar de mim... nem do meu umbigo", que por sua vez deu lugar à série "Contraponto"

Vd. primeiro poste da série de 18 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4371: Contraponto (Alberto Branquinho) (1): Mudam-se os tempos

Guiné 63/74 - P4611: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (4): O ataque dos meus primos a Cambajú e o meu pai que foi um herói

1. Continuação da publicação das memórias de infância do nosso amigo Cherno Baldé (aqui, na foto, à esquerda, jovem estudante em Kiev, Ucrânia, em finais dos anos 80; e, na outra foto, à direita, o Engº Cherno Baldé, hoje, no seu gabinete de trabalho, no Ministério das Infraestruturas, Transportes e Comunicações onde exerce as funções de director do gabinete de estudos e planeamento).



Ataque ao aquartelamento de Cambaju

por Cherno Baldé (*)

Ainda hoje, a nossa mãe está convencida que este ataque foi obra dos primos do meu pai que viviam do outro lado da fronteira, não muito longe de Cambajú. (**)

Aconteceu que, no dia anterior ao ataque, o meu pai tinha recebido uma grande quantidade de mercadorias e, por coincidência, no mesmo dia tinha-se despedido uma pessoa que estava hospedada em casa para tratamento e que voltara junto dos tais primos da outra banda.

Assim, nesse dia do ano de 1966, na calada da noite, pouco depois das quatro horas de madrugada, ouvimos tiros. Primeiro os disparos se fizeram ouvir a oeste para os lados do quartel, fazendo pensar que o objectivo era militar, depois se espalharam rapidamente contornando a aldeia.

A primeira reacção do meu pai foi juntar toda a família dentro da casa onde funcionava a loja que, ao menos, por ter uma cobertura de zinco, era mais difícil de fazer pegar fogo, porque uma das tácticas dos homens do mato era precisamente a de fazer arder as concessões para aterrorizar as pessoas e aumentar a confusão.

Pouco a pouco parecia que os atiradores se aproximavam cada vez mais perto da loja onde estávamos escondidos e aí se concentravam as suas forças. O meu pai estava postado na varanda, junto a porta que dava acesso à loja, defendendo-se conforme podia. Ouvíamos o barulho dos tiros que faziam vibrar as chapas de zinco produzindo um eco ensurdecedor e, no meio desse barulho infernal, ouvíamos as vozes de pessoas que falavam, quase gritando, lá fora.

Mais tarde, o meu pai nos contaria que do aquartelamento tinham vindo dois milicianos [milícias] nativos de Farim e que o tinham intimado a deixar o local devido a forte concentração dos atacantes, ao que ele tinha recusado sob pretexto de que não podia abandonar a sua família que estava dentro da loja. Na verdade, também não queria abandonar a loja que lhe tinham confiado.

Consternados e indecisos, sem saber como convencer o meu pai a deixar a loja que, de facto, estava cercado dos três lados, já estavam a deixar o local quando um deles, instintivamente, perguntou a meu pai:
- O Senhor não tem outra arma melhor que esta mauser ? - disse, apontando para a arma que estava nas mãos do meu pai cujo cano estava fumegante e quase vermelho rubro devido ao ritmo acelerado dos tiros da arma de repetição.
- Infelizmente, não, meu irmão, mas tenho granadas que os brancos me deram e as quais não sei usar.
- Muito bem - disse o jovem miliciano [milícia] -, dê-me a tua arma e vai trazer-me essas granadas para limpar o sebo a esses bandidos.

O meu pai voltou com um saco de granadas na mão e entregou ao militar que tentava afastar os assaltantes já muito perto da varanda da casa, parecia mesmo que o principal alvo do ataque era a loja, situada na entrada leste da aldeia.

De seguida, este intimou o meu pai a entrar para dentro, enquanto ele se perdia na escuridão da noite. O meu pai obedeceu à ordem e no instante seguinte a casa tremia com o choque do estrondo da primeira granada e passados alguns segundos rebentou outra.

Lá dentro, apesar do esforço, as crianças e as mulheres penduradas umas nas outras, não conseguiram conter os gritos de medo e de pânico. No entanto, lá fora, não foram precisas mais, os disparos de armas ligeiras cessaram e em seu lugar ouvimos claramente, na noite, gritos e choros em várias línguas de pessoas que fugiam, e mais perto ainda, os gemidos dos que ficaram destroçados pelos estilhaços das terríveis granadas expansíveis (?) [defensivas] que o miliciano [milícia] estratégica e tacticamente tinha sabido lançar mesmo a tempo e no lugar certo e que fizeram estragos irreparáveis no meio dos assaltantes, provocando a debandada geral e fazendo abortar o ataque, certamente preparado com o objectivo de saquear a loja e provavelmente, quem sabe, liquidar os seus ocupantes, entre os quais estava eu, ainda criança com pouco mais de seis anos de idade.

Mas, com o decurso da guerra, eles voltariam mais vezes, e numa dessas incursões, chegaram mesmo a incendiar a aldeia inteira e seria nessa altura que Cambajú beneficiaria de uma reabilitação completa com casas de zinco para todas as famílias vítimas do incêndio, no quadro da política da Guiné Melhor do General Spínola a fim de encorajar os cidadãos a resistir à guerra mesmo em condições difíceis.

Na altura, já nós estávamos na localidade de Fajonquito onde passei toda a minha adolescência e inícios da vida adulta, claro, já em constante vaivém entre esta localidade e as cidades de Bafatá e Bissau.

_________

Notas de L.G.:

(*)Vd. postes anteriores:

18 de Junho de 2009 >Guiné 63/74 - P4550: Tabanca Grande (153): Cherno Baldé (n. 1960), rafeiro de Fajonquito, hoje engenheiro em Bissau...

19 de Junho de 2009 >Guiné 63/74 - P4553: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (1): A primeira visão, aterradora, de um helicanhão

24 de Junho de 2009 > Guine 63/74 - P4567: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (2): Cambajú, uma janela para o mundo

25 de Junho de 2009 >Guiné 63/74 - P4580: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (3): A chegada dos primeiros homens brancos a Cambajú em 1965: terror e fascínio

(**) Dúvida: o pai do Cherno era mandinga ? Parecem ser mandingas os atacantes, do PAIGC, aqui referidos na história... Recorde-se que o pai do Cherno era empregado de uma casa comercial, em Cambajú... Mais tarde a família muda-se para Fajonquito.

Guiné 63/74 - P4610: Blogpoesia (51): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (VII Parte): De Pombal (1755) até ao regente D. Miguel (1828)

Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cantanhez > Cafal Balanta > Destacamento da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610 (1972/74) > O Manuel Maia, na kitchnet do seu apartamento Tê-Zero, no resort turístico do Cantanhez... Preparando uma refeição ecológica...

Foto: © Manuel Maia (2009). Direitos reservados.


VII parte da História de Portugal em Sextilhas, escritas pelo Manuel Maia, licenciado em História (ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610, Bissum Naga, Cafal Balanta e Cafine, 1972/74). Texto enviado em 14 de Maio último (*).

Como o Manuel Maia faz hoje 59 anos, é também uma forma de os editores do blogue lhe prestarem uma singela homenagem e manifestarem o seu apreço pelo seu talento e pela sua colaboração, reforçando as palavras que já lhe dirigiu hoje o Carlos Vinhal. A História de Portugal em Sextilhas já tem muitos fãs, entre os leitores do nosso blogue, e esperemos que venha a encontrar, em breve, um editor à altura do autor e da sua obra... O Maia é membro da nossa Tabanca Grande desde 13 de Fevereiro último (***).


IV Dinastia (Brigantina): De Pombal ao liberalismo

201-Pombal chama arquitectos, decidido,
e um rectilíneo traço é exigido
que Eugénio Santos com Mardel cumpriu.
Manuel da Maia é outro responsável
da planta geométrica agradável,
que aos lisboetas olhos se erigiu...


202-Após duzentos anos em funções
de ensino e de igreja,nas missões,
Pombal aos Jesuítas dá expulsão.
Pretensa ligação ao atentado
(que contra D.José foi perpretado)
permite-lhe as reformas de então.


203-Primário ensino,cria,oficial
como Aula do Comércio em Portugal,
poder da Inquisição reduz enfim.
Reorganiza exército e marinha,
fomenta as pescas,incrementa a vinha
por cá à escravatura vai pôr fim.

Portrait of José I, king of Portugal. Data: c. 1773.
Fonte: Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia.
Autor: Miguel António do Amaral.

Imagem do domínio público.
Cortesia de Wikipédia.





204-Morrendo D. José, Reformador,
desgraça desabou no seu mentor
a quem Maria Pia elimina.
Rainha solta presos das prisões,
comuta suas penas em perdões,
Pombal tem no desterro a sua sina.



205-Fundando mais escolas de raíz,
promove assim cultura do país
e cria, p´ra Marinha, Academia.
Maria Pia manda construir
teatro de S.Carlos e erigir
Basílica da Estrela e Casa Pia.


206-Bocage, um vate nado junto ao Sado,
com estro de um engenho sublimado,
fez juz ao galarim dos imortais.
De pensamento livre e pena audaz,
por vezes truculento e bem mordaz,
sentiu da Inquisição tratos brutais...


Manuel Maria Barbosa du Bocage, writer from Portugal [1765-1805].
Data: Séc. XIX.
Fonte: História da Literatura, CRUZ, José Marques. ed. Melhoramentos.
Autor: Joaquim Pedro de Souza.

Imagem do domínio público.
Cortesia: Wikipédia.



207-De escritos libertinos acusado,
sediciosos versos inculpado,
vadio, dado à esbórnia,anti-asceta.
Mesquinho, o meio avaro onde vivia
foi incapaz de achar, por atrofia,
grandeza imorredoira do poeta...



208-Em França vai estalar revolução
que leva Portugal ao Rossilhão
na ´sp´rança que a revolta assim se vença.
Espanha, ao mudar suas ideias,
acordo fura às c´roas europeias,
invade Portugal,ROUBA OLIVENÇA.


209-O corso Bonaparte, esmagador,
impondo pela Europa o seu terror,
jurou dobrar p´la fome a Inglaterra.
Bloqueio à ilha foi a forma achada
de ter força inimiga sitiada,
e, a quem não o cumprir,fará a guerra.


210-Pujante a velha inglesa aliança,
pesou bem mais que a acção tida p´la França,
levando Portugal a honrar tratado.
Napoleão acorda com Espanha,
um livre corredor e esta ganha,
quinhão do luso solo ocupado...


211-Prepara-se uma força resistente,
gaulesa invasão está eminente,
surgindo apoio inglês feito a preceito...
Real família p´ro Brasil avança,
Junot invade e perde, sem tardança,
à tropa anglo-lusa coube o feito...


212-Segunda invasão, nova chefia,
desastre p´ra francesa teimosia
e Soult é obrigado a retirar.
Massena, no Buçaco, foi esmagado,
terceira vez o corso é humilhado,
chegava ao fim a Guerra P´ninsular...


213-Regência Beresfordiana em Portugal,
lesiva p´ro interesse nacional,
depressa incendeia os militares.
Rastilho tem por base as promoções,
à tropa lusa negam-se os galões
que dão acesso aos mais altos lugares...


214-El-rei novo estatuto dá ao Brasil
que passa a reino, ganha outro perfil,
etapa para o grito de Ipiranga.
Recife em dezassete deu o mote,
Bahia e Rio apertam o garrote,
D.Pedro,solta amarras,larga a canga...


215-Juntando ao mau estado nossa tropa,
fervilha liberalismo p´la Europa,
levando em dezassete ao conspirar.
Ingleses detectando o movimento,
sustêm logo o golpe no momento
e Gomes Freire Andrade vão matar...


216-Sinédrio portuense,insatisfeito,
visando o fim do caos,leva a efeito,
medidas p´ra adesão da artilharia.
A tropa apoiará os liberais
e, face à evidência dos sinais,
vintistas mostrarão sua alegria...


217-O Porto fez erguer a sua voz
contra a brutalidade do algoz,
revolta mudará tudo, depois.
De Cádiz chega forte inspiração,
p´ra dar poder sob´rano à Nação,
nasceu Constituição de vinte e dois...


Last portrait of the emperor D. Pedro I, whilst in Brazil, with imperial garment. Data; ca. 1830. Fonte: Museu Imperial de Petrópolis. Autor: Simplício Rodrigues de Sá (?-1839).



Imagem do domínio público

(Cortesia de Wikipédia).




218-Decide el-rei, de vez, pôr fim à ausência,
ficou Brasil com Pedro,na regência,
que irá virar depois imperador.
Miguel,o outro filho, absolutista,
gerou Vilafrancada,acção golpista,
regime antigo procura repor...








219-Com Abrilada vem legalidade,
infante paga cara a habilidade,
penoso o seu exílio p´ra Viena.
Morrendo D.João, Miguel regressa,
chamado pelo irmão lhe fez promessa,
e aceita condições que este lhe acena...


220-P´ra minorar tensões entre rivais,
Absolutistas versus Liberais,
proposta,Pedro fez de uma aliança.
Casava filha Glória com Miguel,
irmão passava a genro no papel,
p´ra ser regente enquanto ela criança...

[Continua]

[Fixação / revisão de texto: L.G.]
_______


(*) Vd. postes anteriores desta série:

2 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4274: Blogpoesia (43): A história de Portugal em sextilhas (Manuel Maia)

3 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4278: Blogpoesia (44): A história de Portugal em sextilhas (II Parte) (Manuel Maia)

6 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4290: Blogpoesia (45): História de Portugal em Sextilhas (Manuel Maia) (III Parte): II Dinastia, até ao reinado de D. João II

15 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4351: Blogpoesia (47): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (IV Parte): II Dinastia (De D.Manuel, O Venturoso, até ao fim)

3 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4456: Blogpoesia (48): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (V Parte): III Dinastia (Filipina)

22 de Junho de 2009 >Guiné 63/74 - P4561: Blogpoesia (49): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (VI Parte): IV Dinastia (Brigantina) (até 1755)

(**) Vd. poste de 30 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4607: Parabéns a você (11): Dia 30 de Junho de 2009 - Manuel Maia, ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610

(***) Vd. postes de:

13 de Fevereiro de 2009 > Guiné 63/74 - P3886: Tabanca Grande (118): Manuel Maia, ex-Fur Mil, o poeta épico da 2ª Companhia do BCAÇ 4610/72 , o Camões do Cantanhez

14 de Fevereiro de 2009 > Guiné 63/74 - P3890: Tabanca Grande (119): Apresentação de Manuel Maia ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610 (Guiné, 1972/74)

15 de Fevereiro de 2009 > Guiné 63/74 - P3896: Do purgatório de Bissum / Nagal ao infermo de Cafal Balanta / Cafine (Manuel Maia, 2ª CCAÇ / BCAÇ 4610, 1972/74)

20 de Fevereiro de 2009 > Guiné 63/74 - P3915: Cancioneiro do Cantanhez (1): De Cafal Balanta a Cafine, Cobumba, Chugué, Dugal, Fatim... (Manuel Maia)

Guiné 63/74 - P4609: IV Encontro Nacional do Nosso Blogue (17): Comentários para rescaldo (Carlos Vinhal)

Caros companheiros.

Como eu gosto, um pouco à balda, recuperei uns quantos comentários e estou a apresentá-los como rescaldo do nosso IV Encontro.

Devem ter reparado no meu silêncio, apenas ocasional, já que pedi ao Luís dispensa de publicação de postes referentes ao Encontro, para tentar recuperar tempo perdido, desculpem, ganho, a organizar o Encontro.

Aproveito para recusar todas as injustas acusações de que fui alvo, acusado de ter sido o maior responsável pela organização do Encontro. Na verdade, não fosse o Mexia Alves no terreno, bem podíamos ir todos abonados de Ração de Combate, como então se dizia.

Foi bom o Convívio, mas melhor foi no fim receber as vossas amáveis palavras de parabéns. Se com elas queriam dizer, continuem, já que estamos embalados, OK, tudo bem.

Mas atenção, aceitam-se voluntários para a organização do próximo evento, mais ou menos no centro do nosso rectângulo português. Apareçam e façam melhor, é possível.

Sem seguir a cronologia ou a importância dos intervenientes, aqui ficam alguns comentários.


1. Henrique Matos

Caro Luís e co-editores
Ainda o IV Encontro Nacional do Nosso Blog
Regressado à base já tenho em dia o que muito se escreveu no Blog nestes 15 dias de ausência. Sobre o nosso encontro está quase tudo dito, mas falta referir a tertúlia que se formou com os que pernoitaram em Monte Real.

Foi assim que, superiormente comandados pelo camarigo Mexia Alves, nos juntamos numa esplanada e continuamos a conversa por largas horas.
Foi muito agradável conhecer mais de perto os novos nestas andanças, Miguel Pessoa, Giselda e o Jorge Rosales e ter mais à mão o casal Vinhal.

Pena que ninguém se lembrou registar para a posteridade estes resistentes.

Junto uma fotografia de um trio que se entende muito bem. Eu no meio de dois Jorges: Cabral, o maior de Missirá e Rosales, por aquilo que já percebi, o maior de Porto Gole.

Abraço de gratidão aos organizadores e ao pessoal da tabanca.
Henrique Matos


2. Jorge Cabral

Amigos!
Pela quarta vez o nosso Encontro aconteceu. E aconteceu Alegria! Aconteceu Amizade! Aconteceu Magia!

O que nos leva quarenta anos volvidos a comungar este profundo sentimento de Camaradagem? De que temos Saudades?
Não da fome, não da sede, não do medo, nem dos tiros, nem das minas. O que recordamos é um Tempo de Fraternidade, de Partilha, de Solidariedade. Um tempo em que éramos naturalmente Camaradas, Amigos e Irmãos.

Hoje somos todos Homens diferentes. Fizemos os nossos percursos, assumimos opiniões distintas, temos diversas posições políticas. Porém, tudo isso se anula, nestes nossos Encontros Mágicos, porque o que nos separa se transforma em supérfluo, perante o Tudo que nos une. E há, claro... a Guiné, essa terra que primeiro se estranha e depois se entranha para usar o slogan do Poeta.

Amigos!
Obrigado a Todos e juro que o Alfero Cabral comparecerá Sempre, armado de Alegria e com o bornal carregado de Abraços.

Jorge Cabral

Ps.: Fado no Mato Cão? Alinho já!


3. José Manuel Matos Dinis

Camaradas, (de ambos os géneros, na medida em que já há muitas Senhoras a encostar as caras aos maridos em frente dos monitores).
Como refere o Luis, o blogue é grande!

Vejam só: frequentei um colégio que um camarada nosso, mais avançado que eu na idade, também frequentou. Lembro-me dele, de casaco aperaltado e porte elegante.

O seu irmão Zé era da minha turma. Depois, já eu era rapaz para 18/19 anos, ainda jogámos à bola. Ele era craque, tinha pontificado na mais simpática equipe daquele tempo, a Académica. Eu jogava a ponta, que era um sítio de que ninguém se lembrava. Se a bola passava por mim, chutava para onde estava virado. Se a parava e queria fazer um bonito, tropeçava, atrapalhava-me, e os companheiros tratavam-me do piorio.
O Rosales era um Senhor. Grande sentido estratégico, grandes aberturas, noção total do campo, era um doutor no E.P. fino e muito respeitado, com um jogo tranquilo, de quem apreciava a bola e evitava pontapeá-la.

Moramos a dois passos, mas nunca mais o vi, julgo eu.

A Ortigosa proporcionou o encontro. Apesar de umas diferençazitas do ponto de vista estético, ficou combinado aparecermos a treino.

Abraços
J. Dinis


4. Santos Oliveira

Esfumaram-se e desmistificaram-se muitos dos meus mitos. Aqui, foi tudo real.
Encontrei a cumplicidade que vivi nos buracos onde dormi pela Guiné; também dei umas quantas voltas à Sala para testemunhar, a mim mesmo, que era real o que se me apresentava.

Calculo não ter dado uma palavra a cada um (lamento-o) mas as que troquei, foram-me extremamente valiosas e recompensadoras. Encontrei alguém, que como eu, também não tem identidade (militar)e que igualmente tenta sobreviver a essa revolta. Encontrei, encontrei, encontrei...

Emocionei-me, mas vivi este Dia, não como mais um, mas como O DIA.

Parabéns ao Luis, parabéns a toda a Equipa Organizadora... destacando os que assumiram o papel de Judas que arrecadavam a massa.

Bem Hajam!
Santos Oliveira


5. Manuel Amaro

Parabéns aos organizadores.
Parabéns aos músicos e aos cantores.
Obrigado Luís Graça.

Estes convívios, toda esta organização, está muito para além, de todos os ditos, escritos e filmes, sobre a dita guerra 1963/74.

Eu consegui ouvir fado, mesmo com uma sala ruidosa, eu consegui conversar com pessoas que sabia que existiam, mas com quem nunca tinha falado.
Eu realizei duas voltas à sala com o único objectivo de verificar o nível, a intensidade do convívio, bem como o ar de felicidade dos participantes.
Cheguei a emocionar-me.

E depois, além da Guiné, há tantos pontos de contacto... então esse jovem é teu filho?... estiveste nesse casamento?... A Lena foi minha aluna... este Portugal é uma aldeia...

E nós, todos nós, transportamos essa riqueza, que existe sem se ver e que se solta quando menos se espera... nestes convívios.

Um Abraço
Manuel Amaro


6. Torcato Mendonça

Fui ver o poste de cima já com 15 comentários. Safa. Antes de abrir vi a 1.ª foto deste.

É um Hino à Alegria; à boa disposição, à felicidade. É um exemplo a ser seguido num afasta azedumes. O Carlos dá o exemplo e a sua Dina corrobora. Este Editor e os outros parecem ter sido escolhidos a dedo pelo Editor - Mor. Exemplos... que os Ajudantes de ocasião igualam...

O Carlos, sabendo eu ter dito:

- Só ponho ao meu peito a Bandeira do meu País, (o Miguel pessoa enviou os crchats, agradeci e mandei fazer. Coloquei o meu na Ortigosa).
já no decorrer do almoço aparece o Carlos Vinhal junto de mim e diz:

- Como só colocas ao peito a nossa Bandeira mas gostas da Guiné, trouxe-te este novo crachat.

Igual ao anterior só que a bandeira da Guiné fora substituida pelo mapa daquele País. Está guardado junto das recordações agradáveis como o fruto de um Amigo que trata a Vida com amor, alegria e solidariedade. De bem com ela.

É com este espirito que o Blogue tem que continuar. Se um fulano se azeda, olha para a foto do Vinhal que o Luis Graça tirou, pensa na idade de uma das Senhoras que acompanhava o Virgínio Briote ou a boa disposição do MR e, com exemplos destes eu digo:

- Obrigado Camaradas, companheiros que um dia estiveram na Guiné e um dia um de vós - o Luís Graça - fundou um blogue, outros o seguiram e geraram um espaço onde o calor humano, a amizade têm lugar, além dos eteceteras que só os Homens, certos homens, conhecem... o menos bom bate na parede com o efeito do Lion Brand da indiferença e estrebucha até se finar...

Obrigado a Vocês e um abraço do Torcato.


7. Luís Graça

Ah! Grande Pira de Mansoa! Grande Eduardo! Grande MR! Grande Amigo e Camarada! Grande Co-editor!... E, por que não? Grande Ranger!

Gostei tanto da prosa como do verso. Vejo que estiveste inspirado e transpirado na escrita, possivelmente com uma ajudinha do São João que no Porto tem outro encanto.

Pois é, meu querido amigo e camarada, nunca é fácil falarmos de nós, das nossas emoções, sentimentos, atitudes, comportamentos!... Mas tu ousaste e conseguiste-o... Gostei muito do teu poste, da tua crónica... Para além de outras qualidade e atributos que possuis, és um bom observador... Está lá tudo, ou quase tudo, no teu texto sobre a Operção Ortigosa.

No sábado, fiquei logo esperançado que voltasses à escrita poética, quando te vi com o Cancioneiro de Mansoa na mão, distribuindo cópias em papel aos camaradas presentes!...

No meio deste tabancal imenso, faltou-nos tempo para dar um pouco mais de atenção a todos e cada um dos nossos amigos e camaradas... Contigo falei dois ou três minutos, com a tua Fernanda, que conheci ali mesmo, até menos do que isso... É indecente. Mas espero que ambos me perdoem.... 130 criaturas de Deus a divir por seis horas e picos, dá 20 cabeças por hora, 3 minutos per capita... Por muito boa vontade, que tu, eu, o Virgínio, o Carlos, o Joaquim e o Miguel tivessem não chegávamos para todas as encomendas...

O mais importante foi sentir que toda (ou quase toda) a gente se sentiu em casa... É o melhor elogio que se pode fazer desta ideia de Tabanca Grande, sem portas nem janelas, sem barreiras arquitectónicas e outras (sociais, políticas, ideológicas, culturais, étnicas, psicológicas, etc.).

Obrigado pelo teu contributo, obrigado pelo que sacrificaste do teu tempo em prol do bem comum... Obrigado por compreendares e concretizares o espírito do blogue...

Luís


8. António G. Matos

Chegou a altura não dos arrependimentos, tão pouco de frustações mas a altura de dirigir umas palavras a todos aqueles que, pela organização ou pela mera presença, levaram ao sucesso o Encontro Nacional do Nosso Blog, edição 2009.

Só fazem falta os que estão presente, diz-se, e nesse sentido constato que a minha vida, não me permitindo estar fisicamente na Ortigosa, não me possibilitou o contacto directo, cara-a-cara, com os 129 camaradas que não conheço.

Não, não é engano! Dos 130 presentes, eu conheço o Raul Albino ...

A vida é mesmo assim e um compromisso que me deveria ocupar até à 1 da tarde, de atraso em atraso, libertou-me cerca das 18 horas inviabilizando de todo a minha deslocação ao evento.

Fiquei-me pelo telefonema que consegui com o Mexia Alves, transmitindo-lhe um abraço extensivo a todos os outros.

António Matos


9. Carlos Valentim

Ainda não tinha expressado, aqui, o meu sincero e fraterno agradecimento pela forma como fui recebido, juntamente com a minha companheira, no Vosso IV Encontro Nacional. Não conseguirei expressar a minha dívida de gratidão, e o meu agradecimento profundo pela forma como nos acolheram. Muito Obrigado!!!

Hoje vou inaugurar um novo espaço museológico na Escola Naval, do qual sou director. A porta está aberta a todos!
Após este período, em que tenho que lançar notas finais dos alunos, e "limpar" o que falta para findar mais um Ano Lectivo, espero enviar a breve trecho um pequeno artigo sobre Teixeira da Mota e a Guiné dos "loucos" anos de 1969 e 1970, para o vosso, nosso blog, que não pára de aumentar em visitantes e factos interessantes.

Parabéns a todos, que todos os dias, a cada instante, realizam e fazem este espaço de amizade, com muita luz e côr.

Um abraço amigo,
Com amizade,
Carlos Valentim


10. Houve ainda camaradas que no decorrer do Convívio se nos dirigiram.

A mim directamente por telefone ou mensagem: Luís Borrego, Hélder Sousa, Paulo Santiago e Luís Faria, que deixaram um abraço para todos os presentes e a certeza de que tudo fariam para estarem presentes no próximo Encontro.


11. Aproveito para deixar mais umas fotos ainda não vistas

Germana, esposa do Carlos Silva, fardada a preceito

Belarmino Sardinha e Torcato Mendonça posam para a câmara

Casal Lígia Maria e David Guimarães sempre presentes nos nossos Encontros

Outro casal que nunca diz não aos nossos Convívios, Fernando Franco e Margarida. Alheia ao fotógrafo, Graciela, esposa do camarada António Santos

Um abraço sentido entrs os camaradas Graça de Abreu e Juvenal Amado

Magalhães Ribeiro, Vasgo da Gama e Santos Oliveira, unidos por um abraço

O nosso camarada Torcato Mendonça acompanhado de sua esposa Ana de Lourdes

Nesta foto, um casal de operacionais. Isabel acompanhou o marido António José Pereira da Costa por terras da Guiné, tendo estado inclusive em Mansabá

Jorge Cabral, uns dos camaradas mais carismáticos da nossa Tertúlia, autor da série Estórias Cabralianas

Juvenal Amado, um camarada com quem tive oportunidade de ter uma longa conversa.

José Carlos Neves, Fernando Oliveira e esposa Maria Manuela. O primeiro meu companheiro de trabalho e o segundo meu vizinho dos tempos de juventude.

José Eduardo Alves, esposa Maria da Conceição; Elisabete e marido Ribeiro Agostinho; dois casais idos de Leça da Palmeira.
__________

Nota de CV:

Vd. último poste da série de 30 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4607: III e IV Encontro Nacional do Nosso Blogue (16): Micro-filme com imagens de Monte Real (dias 17Maio2008 e 6Junho2009)

Guiné 63/74 - P4608: Eu e o João Bacar Jaló, em Catió, em finais de 1964 (Santos Oliveira)

Quinta do Paul, Ortigosa, Monte Real, Leiria > IV Encontro Nacional do nosso blogue > 20 de Junho de 2009 > Da esquerda para a direita, o Carlos Silva, o Santos Oliveira e o José Rocha.

Foto: © Santos Oliveira (2009). Direitos reservados.

1. Mensagem enviada ao nosso co-editor, em 22 de Fevereiro de 2008, pelo Santos Oliveira (*), e que nunca chegou a ser publicado no nosso blogue... Porque ele ontem fez anos, achámos oportuno repescar este texto em que, ao evocar a figura do João Bacar Jaló que ele conheceu em finais de 1964, em Catió, o próprio Santos Oliveira acaba também por revelar facetas da sua personalidade de grande homem, militar e português, a sua nobreza de carácter e o seu sentido de justiça.

Recorde-se que o nosso camarada Santos Oliveira, ex-2.º Sarg Mil Armas Pesadas Inf, estve no Pel Mort 912, Como, Cufar e Tite, 1964/66 (**)...

Caro Briote,

Saudações fraternais

Em 29 de Janeiro [de 2008], escrevi-te:

Caro Briote:

Obrigado pela tua consideração para comigo. Eu ajudo qualquer um de nós, porque um Ranger com preparação especial para ser infiltrado sozinho, é sempre um Homem solitário.

E se isso parece não me ter perturbado (pela preparação que então tive), com o passar dos anos vai-se tornando um enorme e gigantesco problema psicológico em que o pivot principal é a solidão.

Disso, creio, não me livro mais. É demasiado profundo. Portanto só resta abrir um pouco a mente e tentar ser o Eu original (sensível, atento, prestável, etc.).

Fiquei em sentido (e com as lágrimas nos olhos) com a continência que me fizeste.

Fizeste-me lembrar um episódio que se passou em Catió, em finais de 1964, quando aí me desloquei para assistência Médica mais especializada (urinava sangue, porque apenas bebia água, a qual era transportada em pipos de tinto e que a tinto sabia e cheirava).

Estava encostado ao muro da Messe de Sargentos e vejo, vindo desde o Quartel, um Militar Nativo, que, uns dez passos antes, se perfila e me faz continência, conforme os Regulamentos.

Olhei para um lado e para o outro, não vejo ninguém ali perto, correspondi à mesma e só então reparei que era um Alferes (segundo os galões que ostentava). Hesitei, mas acabei por ganhar coragem e chamei:
- Oh, meu Alferes! Por favor. Eu sou quem tem de lhe fazer continência.

Atrás de mim uma risada colectiva de vários camaradas.
-Ele não te conhece e por isso é que te fez continência.
-Porquê ? - perguntei.
-É que ele é Alferes de Segunda Classe.
-Segunda Classe? O que é isso? - retorqui.
-Os nativos, quando comandam tropas, são uma espécie de Graduados, mas são sempre inferiores - esta doeu-me e ainda me dói - aos brancos.

Eu, nunca havia ouvido tal e fiquei escandalizado. Voltei-me para o meu Alferes (de 2ª) e disse:
-Meu Alferes, quando se cruzar comigo, sou eu quem lhe deve continência. Está bem?
-Sim, meu Furrié.

Ali, fiquei a saber (o que era normal em Portugal, mas não desta forma) que havia, classificados, Portugueses de primeira e de segunda.

Foi deste modo que conheci, pessoalmente, o saudoso João Bacar Djaló, a quem, postumamente, homenageio.”

Agora, no Post de 21 de Fevereiro [de 2008] (***), informas que:

Há qualquer coisa que não bate certo. Na altura, finais de 1964, o nosso João Bacar Djaló já usava os galões de Alferes e era filho do Régulo. Tive mesmo uma “competição curiosa” (apostas de Furriéis), num dos dias seguintes ao meu 1º encontro com ele, que me custou uma data de cervejas, apenas porque o mítico Djaló disparou, com a sua velha Mauser, não só mais rapidamente que eu com a G3 em semiautomático, como acertou 4 e eu apenas 3, em cinco tiros. Senti-me envergonhado e nunca, na vida, vou esquecer o seu valor.

É, também por este episódio, que estou seguro que o Alf João Bacar Djaló já usava os galões de Alferes, que, aliás, eram de inteiro mérito, ante o que ouvia ter ele feito pelos nossos.

Sem polémicas, admirável amigo. Não quero, mesmo, polémicas. Já tenho, só pelo que se passou comigo, erros e polémicas Administrativas a mais.

Grato por me leres.

Aquele enorme abraço, do Santos Oliveira
__________

Notas de L.G.:

(*) 24 de Novembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2301: Tabanca Grande (41): Santos Oliveira, 2.º Sarg Mil de Armas Pesadas Inf (Como, Cufar e Tite, 1964/66)

(**) Vd. postes da série Álbum Fotográfico de Santos Oliveira:

15 de Outubro de 2008 Guiné 63/74 - P3318: Album fotográfico de Santos Oliveira (1): Tite

6 de Novembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3416: Album fotográfico de Santos Oliveira (2): Tite, Tempestade tropical

10 de Novembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3434: Album fotográfico de Santos Oliveira (3): Tite, dia de ronco

15 de Novembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3458: Album fotográfico de Santos Oliveira (4): Tite

23 de Novembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3505: Album fotográfico de Santos Oliveira (5): Tite, Outubro de 1965

6 de Dezembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3577: Album fotográfico de Santos Oliveira (6): Tite e Enxudé

24 de Novembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2301: Tabanca Grande (41): Santos Oliveira, 2.º Sarg Mil de Armas Pesadas Inf (Como, Cufar e Tite, 1964/66)

(***) Vd. poste de 20 de Fevereiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2569: Tugas - Quem é quem (3): João Bacar Djaló (1929/71) (Virgínio Briote)

Vd. também:

2 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 – P4275: Tugas - Quem é quem (4): João Bacar Djaló (1929/71) (Magalhães Ribeiro)

9 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 – P4313: Tugas - Quem é quem (5): João Bacar Jaló (1929-1971) (Benito Neves, Mário Fitas e João Parreira)

Guiné 63/74 - P4607: III e IV Encontro Nacional do Nosso Blogue (16): Micro-filme com imagens de Monte Real (dias 17Maio2008 e 6Junho2009)

1. O nosso Camarada Jorge Canhão, que foi Fur Mil da 3ª Cia do BCAÇ 4612/72, Mansoa 1972/74, enviou-nos um filme, sem mais palavras mas com muitas imagens, que dedica a todos os Tertulianos, que estiveram presentes nas 2 últimas confraternizações anuais do pessoal “bloguista”, que decorreram na bonita e acolhedora Quinta do Paúl, em Ortigosa, Monte Real.


Um abraço,
Jorge Canhão
_________
Notas de M.R.:

(*) Vd. último poste desta série em:



Guiné 63/74 - P4607: Parabéns a você (11): Dia 30 de Junho de 2009 - Manuel Maia, ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610 (Os Editores)

Hoje dia 30 de Junho de 2009, está de parabéns, por completar 59 anos, o nosso camarada Manuel Maia, (ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610, Bissum Naga, Cafal Balanta e Cafine, 1972/74).

Homem que domina, como poucos, as palavras escritas e as alinha de forma magistral em sextilhas, dando assim forma e conteúdo às suas ideias, quer contando a História de Portugal, quer provocando o nosso famoso camarada AB.

Nunca virando a cara a um boa polémica, está sempre disponível a colaborar e a manter o Blogue vivo e actual. Prova disto é a sua tão grande colaboração, em relativamente pouco espaço de tempo que tem na nossa Tertúlia, quer em verso quer em prosa, onde a sua escrita tem a mesma superior qualidade.

Ao Manuel Maia, das tão prósperas terras da Maia, deixamos os nossos mais fervorosos votos de longa vida, junto dos seus familiares e amigos.

Aconselho vivamente a lerem e relerem os trabalhos que já fazem parte do acervo do nosso Blogue, de autoria do nosso Manuel, abaixo descriminados. Espero que não ter falhado na pesquisa e deixado para trás algum dos seus postes (*).

Como é da praxe, deixo algumas fotos da sua passagem por Cafal Balanta, Bissum Naga e Cafine, propositadamente sem legendas, muitas delas sugestivas do espírito algo rebelde deste nosso camarada, no melhor sentido da palavra, instantâneos de uma vida interrompida por uma guerra que o Manuel abominava.


__________

Notas de CV:

(*) Vd. postes de Manuel Maia de:

13 de Fevereiro de 2009 >
Guiné 63/74 - P3886: Tabanca Grande (118): Manuel Maia, ex-Fur Mil, o poeta épico da 2ª Companhia do BCAÇ 4610/72 , o Camões do Cantanhez

14 de Fevereiro de 2009 > Guiné 63/74 - P3890: Tabanca Grande (119): Apresentação de Manuel Maia ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610 (Guiné, 1972/74)

15 de Fevereiro de 2009 >
Guiné 63/74 - P3896: Do purgatório de Bissum / Nagal ao infermo de Cafal Balanta / Cafine (Manuel Maia, 2ª CCAÇ / BCAÇ 4610, 1972/74)

20 de Fevereiro de 2009 >
Guiné 63/74 - P3915: Cancioneiro do Cantanhez (1): De Cafal Balanta a Cafine, Cobumba, Chugué, Dugal, Fatim... (Manuel Maia)

23 de Fevereiro de 2009 >
Guiné 63/74 - P3928: PAIGC: O Nosso Livro da 1ª Classe (Manuel Maia, 2ª CCAÇ / BCAÇ 4610, Cafal Balanta / Cafine, 1972/74)

9 de Março de 2009 >
Guiné 63/74 - P4004: Memória dos lugares (18): Cafine, no Cantanhez, ocupada pela 2ª CCAÇ / BCAÇ 4610 (Manuel Maia)

15 de Março de 2009 >
Guiné 63/74 - P4037: Blogpoesia (31): Quando eu era menino e moço... (Manuel Maia)

27 de Março de 2009 >
Guiné 63/74 - P4087: Blogpoesia (33) : O bardo de Cafal Balanta (Manuel Maia)

29 de Março de 2009 >
Guiné 63/74 - P4101: O trauma da notícia da mobilização (6): Trata de arranjar o caixão, disse-me o pobre do Zé... (Manuel Maia)

6 de Abril de 2009 >
Guiné 63/74 - P4147: Blogpoesia (38): A Criatura e Rambo Guinéu (Manuel Maia)

7 de Abril de 2009 >
Guiné 63/74 - P4154: Estória avulsas (26): Estou na Guiné há treze meses e a minha mulher está grávida (Manuel Maia)

18 de Abril de 2009 >
Guiné 63/74 - P4208: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (15): Curvo-me perante V.Ex.ª, uma vez mais... (Manuel Maia)

29 de Abril de 2009 >
Guiné 63/74 - P4263: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (16): Não devemos desistir e remeter-nos ao silência (Manuel Maia)

30 de Abril de 2009 >
Guiné 63/74 - P4268: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (17): Até que a voz me doa (Manuel Maia)

2 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4274: Blogpoesia (43): A história de Portugal em sextilhas (Manuel Maia)

3 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4278: Blogpoesia (44): A história de Portugal em sextilhas (II Parte) (Manuel Maia)

6 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4290: Blogpoesia (45): História de Portugal em Sextilhas (Manuel Maia) (III Parte): II Dinastia, até ao reinado de D. João II

14 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4342: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (18): Devemos manter o dedo no gatilho (Manuel Maia)

15 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4351: Blogpoesia (47): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (IV Parte): II Dinastia (De D.Manuel, O Venturoso, até ao fim)

16 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4362: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (19): Não nos remetamos ao silêncio... (Manuel Maia)

18 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4373: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (20): Continuando a quebrar o silêncio (Manuel Maia)

21 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4397: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (21): Comentando, comentários (Manuel Maia)

24 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4408: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (22): O desvendar do segredo (Manuel Maia)

25 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4414: Humor de caserna (12): Quem matou Inesa? (Manuel Maia)

30 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4440: Controvérsias (14): Direito de defesa (Manuel Maia)

31 de Maio de 2009 >
Guiné 63/74 - P4443: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (23): Menino, para a guerra trazido (Manuel Maia)

3 de Junho de 2009 >
Guiné 63/74 - P4456: Blogpoesia (48): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (V Parte): III Dinastia (Filipina)

8 de Junho de 2009 >
Guiné 63/74 - P4481: Os bu...rakos em que vivemos (12): Cafal Balanta contribui para o desenvolvimento nacional (Manuel Maia)

14 de Junho de 2009 >
Guiné 63/74 - P4519: Estórias avulsas (34): Desertei depois de ter vindo da Guiné (Manuel Maia)

17 de Junho de 2009 >
Guiné 63/74 - P4543: Fauna & Flora (25): Cobras & Bichas (Manuel Maia)

22 de Junho de 2009 >
Guiné 63/74 - P4561: Blogpoesia (49): História de Portugal em sextilhas (Manuel Maia) (VI Parte): IV Dinastia (Brigantina) (até 1755)

Vd. último poste da série de 29 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4605: Parabéns a você (10): Santos Oliveira, nasceu a 29 de Junho (Carlos Vinhal)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Guiné 63/74 - P4606: Controvérsias (29): Sobre o helicóptero do PAIGC visto na zona do Cacheu (Abreu dos Santos)

1 - Apesar de não ser Tertuliano, o nosso Camarada-de-armas Abreu dos Santos, (cumpriu a sua comissão em Angola), além de um grande estudioso da global catarse da nossa guerra em Àfrica, é um atento acompanhante da vida do nosso blogue, nomeada e directamente, aos relatos, estórias, factos e acontecimentos relacionados com a frente da Guiné.

2 - Assim, o Abreu dos Santos ao tomar conhecimento do poste P4485, com data de 09JUN2009, da autoria do Armandino Alves, que foi 1º Cabo Enf da CCAÇ 1589, onde se referiu a helis (?) avistados em Béli, tentou descobrir algo mais que pudesse complementar e reforçar a realidade da “visão” deste nosso Camarada, tendo-me enviado em 29JUN2009, o seguinte e-mail:

Estimados veteranos que andaram por matos e bolanhas da Guiné,


Retomando a m/msg do pretérito dia 9, e para ajuda de memória, anexo ilustrações das aeronaves referidas em comentário, no v/p4590, pelo veterano José Nunes (ex-1º Cabo Mec Elec BEng 447 1968-70).

Nesta oportunidade, reproduzo foto do antigo e-mail sobre o assunto do "helicóptero" (vd P2144 de 30SET2007).

Foto do heli: © Diamantino Pereira Monteiro (1967). Direitos reservados
Foto do bimotor: Autor desconhecido

Sobre este assunto e procurando mais informação o Abreu dos Santos, dirigiu em 03OUT2007 09, ao Arquivo Histórico, um e-mail solicitando eventuais comentários e, ou, documentos sobre esta matéria, tendo recebido a resposta a seguir reproduzida:

Assunto: Heli-apoio ao PAIGC - Ago67

Exmo. Sr. Abreu Santos,
Após consulta à documentação existente no Arquivo Histórico, nada consta sobre a captura do Helicóptero na Guiné no ano de 1967.
Mais informo que sobre a BA12 em Bissalanca temos muito pouca documentação.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Arquivo Histórico da Força Aérea
"De quem ficam memórias soberanas"

Cumprimentos,
Abreu dos Santos
_________

Notas de M.R.:

(*) Permitam-me acrescentar que, pessoalmente, acho lamentável e incrível que no “Arquivo Histórico da Força Aérea”: “… sobre a BA12 em Bissalanca temos muito pouca documentação.” Também acredito, sinceramente, que o seu actual Director e restante pessoal é completamente alheio a este fenómeno.

(**) Vd. outros postes desta série em:




Guiné 63/74 - P4605: Parabéns a você (10): Santos Oliveira, nasceu a 29 de Junho (Carlos Vinhal)

Dia 29 de Junho de 2009, faz anos o nosso camarada Santos Oliveira

Porquê só agora o poste que deveria ter saído pouco depois da meia-noite de hoje?

Trabalho, muito trabalho e registos aos montes por actualizar.

Ao nosso camarada quero publicamente pedir desculpa, porque ele não é menos que aqueles que até aqui têm merecido relevo no dia do seu aniversário.

Prometo no próximo ano um poste com toda a pompa e circunstância.

Se a esta hora começasse a pesquisar todo o trabalho desenvolvido pelo Oliveira, desde a sua entrada no Blogue até hoje, jamais conseguiria fazer sair um poste antes de findar este dia. Na verdade o nosso camarada Santos Oliveira é um dos principais colaboradores, quer contando as suas histórias, quer colaborando com os editores nas mais diversas pesquisas de camaradas procurados por outros camaradas que se nos dirigem, e a quem abusivamente peço ajuda.

Devo dizer com toda a honestidade que fui alertado pelo Juvenal Amado em mensagem enviada durante a tarde. Só que para piorar a situação, a segunda-feira de tarde é a minha folga e só agora fui à caixa do correio.

Para não perder mais tempo, vou publicar este poste que salva um pouco a minha face que não ficou nada bem nesta fotografia.

PARABÉNS CAMARADA. MUITOS ANOS DE VIDA, COM MUITA SAÚDE JUNTO DOS TEUS FAMILIARES E AMIGOS, NÃO ESQUECENDO OS TEUS BICHINHOS A QUEM DEDICAS TANTO TEMPO DA TUA VIDA.

Disseste no dia 6 à Dina que tratas os animais como pessoas. Isto diz tudo de ti.
Merecias que eu tratasse melhor.

Santos Oliveira foi 2.º Sarg Mil Armas Pesadas Inf, Pel Mort 912, Como, Cufar e Tite, 1964/66, e nasceu no dia 29 de Junho de um ano qualquer da década de quarenta.
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 17 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4538: Parabéns a você (9): Juvenal Amado nasceu a 17 de Junho de 1950

Guiné 63/74 - P4604: Os Unidos de Mampatá, por Luís Marcelino, ex-Cap Mil (1): O novo imposto... de palhota!

1. Mensagem de Luís Marcelino, novo membro a nossa Tabanca Grande, que foi capitão miliciano da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (*):

Com um abraço, junto um primeiro apontamento sobre a CART 6250


OS UNIDOS DE MAMPATÁ (1)

O novo imposto de Palhota


Após ter feito a preparação militar no RAP 2, em Vila Nova de Gaia, a CART 6250, que adoptou como lema UNIDOS, a 27 de Junho de 1972, rumou para a Guiné, a bordo do Boing 707 da FAP.

Fez o IAO em Bolama durante quase um mês, findo o qual se deslocou para MAMPATÁ, povoação do sul da Guiné, próximo de Aldeia Formosa.

Tratava-se de uma companhia independente que ficou responsável pelo sub-sector de Mampatá e adida ao batalhão sediado em Aldeia Formosa, responsável pelo sector com o este nome.

Foi render uma Companhia de Açorianos com quem fez o treino operacional durante duas semanas, para tomar conhecimento da ZA de que iria ficar responsável.

Em Mampatá, além de estar a Companhia, havia também em reforço: um pelotão de africanos, uma secção do pelotão de armas pesadas e uma companhia de milícias, que estavam adidos à Companhia.

Quando chegámos, fomos logo confrontados com uma realidade inimaginável: um quartel que de instalações militares apenas havia uma cozinha, uma enfermaria, instalações sanitárias para praças, um bar e um tosco edifício de comando.

Não havia energia eléctrica e não havia qualquer instalação para alojamento das praças. Perante a admiração geral, foi-nos transmitido que o alojamento eram as casas (palhotas) dos africanos residentes que alugavam os respectivos alojamentos em troca do respectivo pagamento por parte dos residentes.

Um tanto ou quanto escandalizados, lá se distribuiu o efectivo pela sanzala [tabanca], conscientes de que ali o direito ao alojamento gratuito não existia pelo que o pessoal tinha que pagar!

Passado pouco tempo da nossa chegada ali, fomos visitados pelo Governador da Guiné, há data o Sr. General Spínola; é claro que o assunto das rendas lhe foi colocado, deixando-o deveras admirado com aquela realidade, pelo que de imediato deu instruções para que fosse pocessada a verba para pagamento do alojamento e fosse devolvido o dinheiro a todos os militares. E assim se fez justiça. Mas... pensar que antes ali tinha estado uma companhia naquelas condições!... Soldados que tinham de pagar, retirando do seu miserável pré uma importância para o alojamento.

A ZA era de difíceis acessos, havendo, para além de vários trilhos, duas picadas: uma que ligava Aldeia Formosa a Buba e outra que ligava Mampatá a Cumbijã.

A Companhia, para além dos patrulhamentos que fazia no espaço que lhe estava reservado, a partir de finais de 1972, empenhou-se, sobretudo, em acções de segurança à engenharia que a partir de finais de 1972 construiu uma estrada em asfalto de Aldeia Formosa até Buba, passando por Mampatá e depois outra de Mampatá a Nhacobá.

Eram estradas estratégicas, já que a primeira fazia a ligação do porto fluvial [,Buba, ]à sede do Batalhão, onde havia uma pista de aviação e a segunda, fazia a ligação até à proximidade da principal base do PAIGC a sul, o UNAL.

De acordo com os testemunhos dos nossos antecessores, a ZA não era muito complicada sob o ponto de vista militar. Começou-o a ser a partir da construção das referidas estradas, que praticamente coincidiu com a nossa chegada. Era um trabalho árduo, diário, que consistia na picagem de todo o itinerário antes da chegada das máquinas da engenharia e correspondente montagem de esquemas de segurança na frente de trabalhos.

[Continua]
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Nota de L.G.:

(*) Vd. poste de 6 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4472: Tabanca Grande (150): Luís Marcelino, ex-Cap Mil, CMDT da CART 6250, Mampatá, 1972/74


Vd. também postes de:

29 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4437: O Nosso Livro de Visitas (65): L.J.F. Marcelino, ex-Cap Mil da CART 6250, Mampatá, 1972/74

2 de Junho de 2009 >Guiné 63/74 - P4451: Poemário do José Manuel (28): Matar ou morrer ? Não...

3 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4458: Bem-vindo, Comandante Marcelino! Obrigado por ter tomado conta de mim na Guiné (José Eduardo Alves)

28 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4600: Convívios (148): Convívio da CART 6250 (Mampatá 1972/74) & Todos os Camaradas que quiserem aparecer, 4 Julho (António Carvalho)